sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

16.ª edição da «Korrika»: de Tutera a Gasteiz, entre 26 de Março e 5 de Abril

A Korrika é uma corrida a favor do euskara que percorre todo o País Basco / Euskal Herria, organizada pela Coordenadora de Alfabetização e Euskaldunização AEK. O objectivo da corrida é promover a consciencialização relativamente ao euskara, dinamizar o seu uso, e arrecadar fundos para levar a cabo o trabalho diário nos centros de aprendizagem de euskara da coordenadora.
Desde a primeira edição, que se realizou em 1980 entre Oñati (Gipuzkoa) e Bilbau (Bizkaia), a Korrika converteu-se num dos eventos mais importantes em prol do euskara, pelo número de pessoas que consegue aglutinar. Já se realizaram 15 edições nos últimos 28 anos.

No dia 26 de Março começará em Tutera (Nafarroa) uma nova edição, que durará 11 dias e percorrerá mais de 2000 quilómetros por todo o território de Euskal Herria, sem parar em nenhum momento e com a participação de centenas de milhares de pessoas de todas as idades e condições.
Durante a corrida os participantes levam um testemunho que passam de mão em mão, a cada quilómetro. Esse testemunho leva uma mensagem no seu interior que será lida no final da corrida, no dia 5 de Abril, em Gasteiz (Araba), por uma pessoa de relevo no âmbito euskaldun e que, portanto, não se torna pública até ao último momento.

Para mais informações sobre a Korrika 16, ver: http://www.korrika.org/


Vídeo oficial da canção da Korrika 16, «Ongi etorri lagun» [Bem-vindo, amigo], com letra de Jon Maia e música e interpretação a cargo dos Betagarri.

O GARA faz hoje 10 anos

(Tasio-Gara)


Zorionak zuri!!!

A esquerda ‘abertzale’ apela à participação na iniciativa de Amaiur, no próximo domingo

No dia 1 de Fevereiro, domingo, recordar-se-á e prestar-se-á homenagem à resistência Navarra em Amaiur, num acto organizado pela Iniciativa 1512-2012 Nafarroa Bizirik!, a localidade de Amaiur e o Município de Baztan. A este acto já aderiram diversos municípios e agentes políticos e sociais.

Numa conferência de imprensa realizada em Iruñea, a Nafarroako Ezker Abertzalea fez um apelo à cidadania no sentido de participar no acto que, organizado pela iniciativa popular Nafarroa Bizirik, terá lugar no próximo domingo em Amaiur.

Xabier Zabalo e Mariné Pueyo sublinharam a dupla vertente deste evento, que, se por um lado servirá para homenagear os que resistiram e se defenderam da invasão castelhana de 1512, também será o contexto apropriado para denunciar a conquista levada a cabo a ferro e fogo, e cuja consequência principal, a perda de soberania dos navarros, se projecta até aos nossos dias.

Pueyo destacou que Nafarroa se encontra no século XXI, 500 anos depois dos acontecimentos que se recordarão neste acto, numa encruzilhada: “ou se reconhece a capacidade e o direito de decisão d@s navarr@s ou continuamos manietad@s pelo regime imposto pelo Amejoramiento”. Para além disso, acrescentou que os que celebram a prostração de 1512, os grupos que conformam o bunker encarregue de blindar o Amejoramiento, só procuram perpetuar a submissão a Espanha e manter o poder de uma elite económica. Segundo Pueyo, a UPN e o PSN pretenderiam assim evitar a participação dos cidadãos, deixando nas mãos de Madrid todas as decisões que afectam o território.

Xabier Zabalo, na mesma linha, fez finca-pé no que denominaram “saque de Nafarroa”, apontando multinacionais, famílias enriquecidas e especuladores que, mediante os jogos de influências, o amiguismo e a corrupção, quiseram converter Nafarroa num território à sua disposição.

A Esquerda Abertzale de Nafarroa denunciou também o processo vigente de assimilação, que, atacando a língua e os símbolos próprios, pretende falsificar a história do nosso território para legitimar assim um quadro herdeiro das consequências directas da conquista. Esta manipulação apresentaria como uma incorporação voluntária o que na realidade foi a perda da soberania depois de uma conquista militar. Neste sentido, e antes de terminar a conferência de imprensa, Zabalo e Pueyo sublinharam a estreita relação existente entre o passado e o futuro, na medida em que é numa falsa interpretação do passado que se legitima o actual quadro e são precisamente as vozes que se levantem contra esse quadro as que construirão o futuro.

Fonte: nafarroan.com

Governo espanhol põe a máquina legal em acção contra a Askatasuna e a D3M

A vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, anunciou que o Governo espanhol ordenou à Magistratura do Estado espanhol que exerça todas as acções legais oportunas para impedir que “formações sucessoras de partidos ilegalizados, neste caso, para impedir a presença da D3M e da Askatasuna”, concorram às eleições autonómicas de 1 de Março.
De la Vega afirmou que o Executivo, com base nas resoluções judiciais ditadas por diferentes tribunais da Audiência Nacional espanhola, encarregou as Forças e Corpos de Segurança do Estado espanhol de procederem à elaboração de relatórios com o fim de “determinar a possível vinculação de certas forças políticas com organizações já ilegalizadas”.

Sobre estes relatórios, disse que “existem vínculos entre o ilegalizado Batasuna e as candidaturas apresentadas pelo agrupamento eleitoral D3M”. Acrescentou que “também se depreende dos relatórios referidos que existem vínculos entre o partido político Askatasuna e os partidos políticos ilegalizados pelo Tribunal Supremo em 2003 e 2008, Batasuna, HB, EH, PCTV e ANV”.
Notícia completa: Gara
Demokrazia? Zero! Aurrera begira!!!

Comunicado da ETA, no 50.º aniversário da organização


No momento em que acaba de cumprir 50 anos, a ETA faz um balanço da sua trajectória num comunicado em que destaca que “hoje a adesão à independência está mais enraizada que há 50 ou 30 anos” e sublinha o valor da sua luta. Encarando o futuro, apela à união e a “empreender o caminho que leve Euskal Herria a ter o seu lugar e a sua palavra no mundo”, mas avisa os estados que continuará a actuar enquanto não reconhecerem os seus direitos.

Acaba de passar meio século desde que se realizou a primeira reunião dos militantes que puseram em marcha a ETA, e a organização armada fez chegar ao GARA um comunicado em que avalia tanto o caminho percorrido como a situação actual, e perspectiva o futuro. Depois de destacar o fortalecimento da opção independentista nestas cinco décadas, a ETA refere que “é chegado o momento de unir forças por este povo, sem desculpas, para que nós, abertzales, entremos na fase da independência. Estamos na hora de empreender o caminho para que Euskal Herria tenha o seu lugar e a sua palavra no mundo”.

O comunicado da ETA constata que neste momento há dois projectos na mesa: o do actual “statu quo submetido aos estados” e o do “Estado basco”. “Coloquemos ambos em disputa segundo as regras de jogo democráticas”, propõem. A organização armada está segura de que nesse dia, “sem imposições dos estados, este povo tomará o caminho da independência por vias pacíficas e democráticas”. Mas anuncia também que, “entretanto, teremos que continuar a lutar com todas as forças e meios, porque os estados inimigos não dão o mais pequeno sinal da vontade de respeitar a palavra de Euskal Herria”.

Na sua perspectivação histórica, a ETA realça que as cotas de adesão à independência são superiores às de há 50 ou 30 anos, acrescenta que há três décadas “acertámos”, e antecipa que “este povo não perdoará” uma tentativa de reeditar a operação do pós-franquismo, “ou seja, não dará hipóteses à repetição da mesma traição de então. Nós, que acreditamos nos direitos democráticos que correspondem a este povo e que o queremos conduzir a um cenário democrático, não o deixaremos entrar num caminho sem saída outros 30 anos”, concluem.
«A última encosta»
A ETA utiliza uma imagem para definir a actual situação: “Quem anda na montanha sabe que, no caminho para o cume, a última encosta é a mais dura. Mas desde a atalaia do tempo só se pode concluir que cada um dos passos dados nos trouxe até hoje. Lançando um olhar sobre estes 50 anos, o caminho da luta por este povo enche de orgulho os militantes da ETA. A História cobrirá esta luta de honra, saudando a generosidade dos militantes bascos”. Neste ponto, saúdam os que participaram na organização e mostram “a lembrança mais sentida” aos militantes que perderam a vida ou estão encarcerados ou exilados.
Retrocedendo à sua fundação, a ETA considera que, com ela, “surgiu o abertzalismo moderno” e se fundiram a luta nacional e a social, tudo isso num momento em que os “nacionalistas conservadores” se limitavam a “esperar a ajuda dos Estados Unidos”. Refere que, “embora tenha surgido no franquismo, o objectivo da ETA não era vencer o franquismo, mas conduzir Euskal Herria para a liberdade, e a ETA ainda continua ligada a esse objectivo. É uma organização surgida do povo e que se reproduz no povo, sem parar, década após década. Daí advém a sua invencibilidade. Hoje, como há 50 anos, os governantes espanhóis dizem que a ETA está à beira do fim. Há coisas que mudam pouco em 50 anos”.
Depois de todo este tempo, “este povo continua vivo e a respirar através da luta pela sobrevivência”, acrescenta o texto da organização armada. E realça que, “embora não seja como povo livre, Euskal Herria chegou ao século XXI com as portas da sua liberdade ainda abertas, graças à luta”.

Fonte: Gara

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Nem a criminalização nem as ameaças acabarão com a ternura entre os povos

«A solidariedade é a ternura entre os povos»; «tenho dois povos para amar e um mundo por que lutar». São duas citações de Ernesto Guevara e de Pakito Arriaran, que dão início ao manifesto a favor do internacionalismo e contra a criminalização da solidariedade, e que servem para desenhar a trajectória da Askapena, iniciada há mais de duas décadas.

Este organismo, como muitos outros em Euskal Herria, como muitos outros no mundo, está na mira dos que não entendem de laços de respeito, de amizade e de amor entre povos. A Askapena anda há algum tempo a aparecer periodicamente em órgãos de comunicação espanhóis, nos de maior tiragem, não para darem conta do trabalho que realizou desde 1987 em todos os cantos do planeta, mas para juntarem mais um traço na sua lista de organizações bascas lapidadas; primeiro, em letra impressa, depois, frequentemente, por outras vias. Acusaram a organização internacionalista de ser “amiga de terroristas”, “colaboradora dos terroristas” ou, simplesmente e retirando intermediários, “terrorista”.

Não só a partir Madrid. Também órgãos de comunicação americanos, como o El Mercurio chileno ou o Tiempo, da Colômbia, se centraram, para o mal, nestes militantes bascos. Um deles, no Verão passado, chegou a receber ameaças de morte no telemóvel, da parte de indivíduos que disseram pertencer ao grupo paramilitar colombiano Águilas Negras, uma ameaça que fez soar todos os alarmes e foi publicamente denunciada.

Face a estas ameaças, e contra a criminalização que “a solidariedade internacionalista está sofrer por todo o mundo e em Euskal Herria”, dezenas de organismos sociais, políticos e sindicais, agentes culturais, grupos de música e pessoas a título individual – a lista pode ser vista em http://www.askapena.org/ – subscreveram o referido manifesto, com o qual pretendem reivindicar “o valor deste princípio, deste sentimento” solidário.

“Reivindicamos e apoiamos a luta de libertação do povo palestiniano e o boicote ao Estado de Israel como ferramenta prática para concretizar essa solidariedade – explica o texto a sua razão de ser. Reivindicamos e apoiamos as lutas dos povos originários no mundo e sobretudo em Abya-Yala, para tornar efectivos os seus direitos como povos: no México, em Wall-Mapu, na Bolívia, no Equador, na Colômbia... Reivindicamos e apoiamos a luta que a revolução bolivariana mantém face aos estados e transnacionais imperialistas, e a construção do novo socialismo, bem como o boicote impulsionado pelos sindicalistas colombianos contra a Coca-Cola assassina, ladrona de terras e águas, financiadora de guerras e símbolo da opressão imperialista”.

Sobre esse trabalho solidário, recordam os que subscreveram o manifesto, pende agora a espada de Damócles dos de sempre, daqueles que gostariam que a realidade de Euskal Herria não existisse para além do que os seus editoriais circunscreve, nem que este povo estendesse a mão aos que precisam da sua ajuda. Um trabalho que também está na mira dos paramilitares que “ameaçaram um sem-número de organizações, colectivos e associações populares”, da Colômbia e também internacionais, como a Askapena.

Denunciam, para além disso, que os activistas são seguidos pela polícia em cada vez mais lugares, e que “a solidariedade entre os povos anda de mão dada com as trocas de informação policiais, nas reuniões entre juízes e ministros, como as que têm lugar entre a Colômbia, os estados espanhol e francês, Israel e os Estados Unidos”.

Contra a solidariedade com os Bascos
A solidariedade basca com povos como os da Palestina, Colômbia, Wall Mapu, Venezuela ou México não é, contudo, a única a ser perseguida e a sofrer agressões. Neste sentido, a Askapena lembra “os ataques policiais e jurídicos” que sofreram aqueles que expressaram o seu apoio aos Bascos, como o Comité de Solidariedade com Euskal Herria de Paris e a Izquierda Castellana, e também a detenção e a tortura sofridas às mãos da Guarda Civil pelo jornalista parisiense Sebas Bedouret, trabalhador da Rádio Pays-Txalaparta Irratia que permaneceu dois meses encarcerado.

Para fazer frente a estas agressões, a Askapena e todos os que subscreveram o manifesto reivindicam o valor e a necessidade do internacionalismo, e apelam à participação, no sábado, na manifestação de Bilbau, para continuar a senda de Pakito e Che.

Iker BIZKARGUENAGA

Fonte: Gara

O Tribunal Constitucional espanhol rejeita o recurso da EAE-ANV contra a sua ilegalização

Sentença do TC espanhol (cas.)

O Tribunal Constitucional rejeitou o recurso da histórica formação abertzale contra a sua ilegalização, decidida pelo Supremo Tribunal a 16 de Setembro de 2008, segundo difundiu a EFE.
A Sala indeferiu os argumentos da defesa da ANV e considera que a sentença do Supremo não infringiu os direitos de associação política e de liberdade ideológica e de expressão. Sustenta ainda que os factos dados como provados estão contemplados nas causas de ilegalização previstas na Lei de Partidos.

Desta forma, o tribunal espanhol considera que o Supremo concluiu de forma “razoável e motivada” que a ANV “acabou por colaborar reiterada e gravemente com o Batasuna complementando e apoiando politicamente, consequentemente, a organização terrorista ETA”.

O Constitucional admitiu a tramitação do recurso da EAE-ANV contra a sua ilegalização a 3 de Dezembro, tendo rejeitado o do EHAK (PCTV).

Fonte: Gara


Gora Eusko Abertzale Ekintza!

A Etxerat comprova o auge repressivo da política prisional

“Espero que não se repita este balanço. Ou melhor, que não tenhamos que fazer nenhum”. Foi desta forma que Itziar Goienetxea encerrou a conferência de imprensa que a Etxerat deu ontem em Donostia, e onde deu a conhecer o balanço relativo a 2008 sobre as consequências das políticas penitenciárias dos estados espanhol e francês. Um documento repleto de dados que leva os familiares a concluir que o ano passado foi o da confirmação do “incremento da crueldade”.

“O incremento da crueldade”. Esta é a principal conclusão a que a associação Etxerat chegou ontem, depois de evidenciar, com os dados na mesa, a situação a que estão sujeitos os prisioneiros políticos bascos e, por conseguinte, os seus familiares. O balanço de 2008 mostra um aumento de denúncias proporcional às maiores restrições e novas medidas repressivas da política penitenciária. Veja-se como exemplo: em 2008 atingiu-se a cifra mais alta de presos políticos desde o franquismo, com um total de 764.

Os representantes da Etxerat Manu Errazkin, pai da falecida presa política donostiarra Oihana Errazkin, e Itziar Goienetxea, companheira do preso político Xabier Alegria, compareceram em Donostia para dar a conhecer o balanço realizado pela associação de familiares de perseguidos políticos. Um ano – 2008 – “nada fácil para os presos políticos bascos nem para nós, que somos seus familiares e amigos”, garantiram, ao mesmo tempo que colocavam a tónica na urgência de desactivar as citadas políticas penitenciárias dos dois estados.

Consequências da dispersão
No início, vincaram uma cifra que poderia resumir por si só todo o balanço que tornaram público ontem: 764. Um número atrás do qual se esconde a maior cifra de presos políticos pelo menos em 40 anos.

Quase 800 bascos e bascas estão dispersos por 89 prisões francesas e espanholas, onde, segundo referiram, “sofrem uma violação constante dos seus direitos”. Mas a dispersão afecta ainda de forma directa os familiares e amigos que têm de se deslocar centenas de quilómetros cada fim-de-semana. Assim, a Etxerat recordou que tudo isso “implica um enorme risco”, como evidencia o facto de no ano passado ter havido uma vintena de acidentes rodoviários, com dezenas de feridos e lesionados.

“As consequências são evidentes, já que o facto de arriscar o físico todos os fins-de-semana supõe também um desgaste psicológico muito elevado. A situação também gera muita inquietação aos nossos familiares encarcerados, já que têm consciência do perigo que os seus familiares e amigos correm”, acrescentaram.

Mas, para além dos riscos físicos e psicológicos derivados da dispersão prisional, o custo económico também atinge uma enorme dimensão. Assim, Errazkin e Goienetxea referiram que cada família tem um despesa média mensal de cerca de 2000 euros só no que respeita a deslocações. Algo que, no seu conjunto, se traduz num montante anual de 17 000 000 de euros.

Que as condições de vida prisionais repercutem na saúde dos bascos encarcerados é uma denúncia já antes realizada pela Etxerat, mas, com os números na mão, lembraram que são dez os presos gravemente doentes que ainda continuam na prisão. Três encontram-se numa situação de “prisão atenuada”, “uma situação totalmente limitada”, criticaram duramente, depois de enumerar meia dezena de restrições impostas.


«Compromissos concretos»
A tudo isto junta-se o facto de que uma quarta parte dos presos bascos, cerca de 190, sofre de algum tipo de problema físico. Esse mesmo número corresponde aos que, de acordo com a lei espanhola, deveriam estar em liberdade por ter cumprido já três quartos ou dois terços da pena ditada.

A prisão perpétua que o Supremo espanhol estabeleceu em 2006 já afecta um total de 28 bascos. Em 2008 foi aplicada a 14 presos políticos bascos.

Goienetxea também denunciou o aumento de medidas de pressão e perseguição contra os próprios familiares, por exemplo com os controlos policiais. Mas também alargou a sua crítica aos meios de difusão que, em seu entender, tentam distorcer ou ocultar o “cruel retrato” que da situação que vivem os presos bascos.

A Etxerat dirigiu-se ainda à classe política, “aos que todos os dias nos falam de direitos humanos”, para lhes exigir que, longe das palavras ocas, assumam “compromissos concretos” na defesa dos perseguidos políticos bascos.

Gari MUJIKA


O Plenário de Urnieta apoia o preso político Jon Lizarribar, que já perdeu nove quilos

O Plenário municipal de Urnieta aprovou ontem à tarde, com os votos do partido governante, da UDA, do PNV, da esquerda abertzale e do vereador independente, uma moção em que o Município guipuscoano manifesta o seu apoio e compromisso na defesa dos direitos dos presos políticos de Urnieta e, em concreto, os de Jon Lizarribar Lasarte, que se encontra em greve de fome desde o dia 12 de Janeiro, perante a expulsão a que será forçado pelas autoridades francesas a 4 de Fevereiro e a possibilidade de ser detido pela Polícia espanhola e torturado.

Nesse dia terá cumprido a pena imposta pelos tribunais franceses. Já perdeu más de nove quilos desde que iniciou o protesto. O Movimento Pró-Amnistia criticou ainda o “desleixo” que o médico do estabelecimento prisional de Toulon tem mostrado perante o agravamento do estado de saúde de Lizarribar.

Fonte: Gara

Hodei Ijurko: pedem 38 anos de prisão para o preso político basco por uma acção de ‘kale borroka’

Uma acção de kale borroka poderia levar Hodei Ijurko a ser condenado para o resto da vida. 38 anos de prisão é o que pede o magistrado da acusação para o preso político basco no julgamento do próximo dia 5 de Fevereiro. O magistrado considera que procurou atentar contra dois polícias forais com uma bomba de fabrico artesanal, e essa é a principal acusação: atentado terrorista contra a autoridade.

Dá-se o caso de nem a acusação particular de ambos os agentes ter chegado tão longe: solicitam 12 anos de prisão para Hodei. E só por aqui já se vê a desmesura do pedido da acusação do magistrado.

Os actos de que Hodei é acusado sucederam na madrugada de 9 de Março, quando um grupo de encapuzados foi literalmente atropelado por uma carrinha de polícia foral na Alde Zaharra (Iruñea). De acordo com a versão policial, os agentes conseguiram alcançar um dos jovens, que anteriormente lhes teria lançado vários cocktails. Inicialmente, chegaram a dizer que tinham atacado o veículo policial com 13 artefactos incendiários, embora uma foto que esta página web publicou viesse depois desmentir essa versão, totalmente exagerada. O que não se pôde desmentir foi a brutalidade da detenção, já que Hodei apresentava uma ferida na cabeça e precisou de levar 9 pontos de sutura.

Posteriormente, o jovem de Iturrama foi levado para a Audiência Nacional, que lhe deu ordem de prisão. Durante a maior parte do tempo que passou na prisão, Hodei esteve em regime de isolamento, depois de ter sido espancado em duas ocasiões por funcionários de Soto del Real.

Mobilizações
Para os próximos dias, os moradores de Iturrama e Etxarri Aranatz organizaram diversas mobilizações e puseram em marcha diversas iniciativas.

Fonte: Apurtu.org



Excerto da conferência de imprensa em que familiares, amigos e vizinhos de Hodei, do bairro de Iturrama (Iruñea) e de Etxarri-Aranatz, denunciam a situação.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

VEM AÍ A II SISEH!

Já estão programadas actividades para a II SISEH em Portugal
Dia 14 de Fevereiro - Em Setúbal, no Baco Bar - Exibição do Documentário "A janela Partida" e debate sobre o conflito basco a partir das 17h30. À noite, pelas 22h00, festa com DJ FAMEL + GUNS OF SETUBALONE
.

Fiquem atentos ao resto da programação!

Diferentes vozes bascas dizem NÃO ao TGV



Neste vídeo, pessoas de diferentes sensibilidades sociais e políticas coincidem na recusa ao macroprojecto do TGV, imposto de forma violenta tanto pelo Governo basco como pelo espanhol, e abordam a falta de necessidade de semelhante aberração para Euskal Herria, sendo que vastas zonas do país se verão seriamente afectadas. Madrid e Gasteiz já fizeram saber que o projecto irá até ao fim, doa a quem doer.

Fonte: Kaosenlared

O limbo espanhol

O juiz Garzón declara-se “obamista” e acaba de afirmar no Chile que “a melhor notícia que recebeu havia muito tempo foi a do encerramento de algo que nunca devia ter existido e que não era o mecanismo e a fórmula para lutar contra o terrorismo”. Não falava da Audiência Nacional, nem de Soto del Real, nem dos calabouços da Guarda Civil, mas de Guantánamo, como o leitor já deve ter entendido.

Neste caso, as suas palavras são consentâneas com as suas acções. Por exemplo, em Março de 2008 retirou as acusações de “pertença a organização terrorista” a Abú Aás e Omar Deghayes, ex-presos na polémica base yankee. Garzón assumiu que existiam “indícios racionais suficientes” de pertença a uma “célula espanhola da Al-Qaeda”, mas deu mais importância aos relatórios médicos que atestavam a deterioração da sua saúde mental após o seu enclausuramento em Guantánamo, e concluiu que seria “desumano” processá-los. Também libertou sob fiança Hamed Abdelrahman Ahmed, espanhol que passou dois anos naquele estabelecimento penal das Antilhas, aludindo à sua “detenção arbitrária”, feita “ao amparo de uma violação sistemática dos direitos fundamentais dos detidos”.

Duas decisões louváveis, sem dúvida.

Dizem que este Garzón é a mesma pessoa que subscreve o último auto de prisão contra oito militantes independentistas. Depois de ler as 46 páginas, somos assaltados por mil dúvidas, mas sobretudo uma: por que o assinou às 5h da madrugada e não, por exemplo, às 20h30, para depois ir jantar ou ao futebol, com o trabalho acabado. Para atribuir um cunho judicial a um relatório policial não faz falta esperar (nem fazer esperar) tanto. Será que apenas queria dar aparência de rigor e profissionalismo a uma operação arbitrária e falsa? Maliciosos...

Garzón ou Zapatero usaram o termo “limbo” para definir Guantánamo. Mas em Euskal Herria impõem outro limbo pior, na medida em que tem um disfarce legal. Em Washington tiveram o descaramento de revestir de rigor jurídico um sistema de punição arbitrária e injusta, mas em Madrid continua a vender-se a perseguição política como “normalidade do Estado de Direito”. Em Washington, Dick Cheney assume que deu autorização à chamada “asfixia simulada”; uma coisa que aqui tem outro nome, muito mais directo e compreensível – “o saco” –, mas que Madrid nunca reconheceu ou nem se propõe reconhecer.

Os progressistas espanhóis – talvez até Garzón se aliste – começam a pressionar Zapatero para que receba os presos de Guantánamo, os liberte e os ampare como refugiados políticos. Alguém no mundo deveria fazer o mesmo com Amparo Lasheras, por exemplo.

Ramón SOLA

Fonte: Gara

O juiz Eloy Velasco processa 11 jovens navarros por pertencerem à Segi


O juiz da Audiência Nacional espanhola Eloy Velasco abriu um processo contra 11 jovens navarros, que acusa de pertencer à organização juvenil Segi. Em concreto, o auto tornado público na segunda-feira indicia David Urdin, Aitor Torrea, Iñigo Gulina, Xabier Urdin, Aitor Torrea, Jose Javier Oses e Iker Gorriz, detidos em Novembro de 2007 pela Polícia espanhola e pela Guarda Civil numa operação levada a cabo em Burlata e Iruñea [Pamplona]. Nesta lista encontram-se também Iker Araguas, detido em Novembro do ano passado, bem como os jovens Aitor Zazpe, Iñaki Torrea, Xabier Arina e Igor Aoiz.

Os jovens têm de comparecer no próximo dia 5 de Fevereiro perante o juiz, que também os acusa de participação em actos de kale borroka.

Fonte: Gara

Já sabemos: "É tudo ETA", são todos "terroristas". Os jovens e as organizações juvenis de Euskal Herria, pelo seu dinamismo, são reiteradamente atingidos pela expansão conveniente e antidemocrática da terminologia autoritária, mas não nos esqueçamos de jornais e jornalistas, de editoras e seus editores, de organizações de defesa dos direitos cívicos e seus representantes, de formações políticas e seus membros, igualmente fustigados por (tentarem) fazer ouvir a sua voz, e em nome da "democracia".

ondo Segi ta aurrera!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Isto não é a aplicação da Lei de Partidos, há pessoas na prisão

Desde ontem oito pessoas com nomes próprios e apelidos – Amparo Lasheras, Iñaki Olalde, Arantza Urkaregi, Imanol Nieto, Eli Zubiaga, Iker Rodrigo, Hodei Egaña e Agurtzane Solaberrieta –, com família, com muita gente que os quer e os respeita – como uma mulher navarra que ligou de manhã para o GARA porque não via outra forma de mandar um abraço a Amparo Lasheras –, encontram-se encarceradas na prisão madrilena de Soto del Real. Da noite para o dia, não só todos os seus direitos políticos ficaram suspensos, mas também se suspenderam todos os seus projectos, os seus planos de vida. Numa sorte de lotaria macabra, o Ministério do Interior e a Audiência Nacional decidiram apanhá-los. O seu delito, independentemente do modo como se veja, não é senão o de tentar apresentar-se às eleições de 1 de Março, o que, tratando-se de pessoas vinculadas à esquerda abertzale, é encarado por Baltasar Garzón como obediência às ordens da ETA, embora não exista prova alguma de que jamais tivessem recebido tal ordem, nem sequer de que ela existisse. Que importância é que isso tem?

Com esta operação político-judicial, o Estado rompe com a inércia de anteriores eleições, que se centrava na busca da proscrição de candidaturas pela via civil, sem entrar na penal. Mas desta vez deu-se um importante salto qualitativo, que junta o sofrimento pessoal – castigo individualizado e cruel aviso a navegantes para futuras eleições – à negação colectiva de direitos políticos.

Contudo, a maior parte das reacções a esta operação – tanto as favoráveis como as contrárias – continuam na mesma linha suscitada por proibições de candidaturas anteriores, com o acrescento obsceno de que algumas respostas até insinuam uma certa conivência ou jogo comum de conveniência entre ilegalizadores e ilegalizados.

Assim, deslizando pelo escorrega da despreocupação e acrescentando a falsa declaração de velar por todos os direitos para todos, políticos e convivas de tertúlia ficam todos contentes dizendo que são contra a Lei de Partidos mas que a esquerda abertzale sabe bem o que tem de fazer para poder concorrer às eleições. E em seguida mostram-se doridos pelos silêncios de porta-vozes independentistas (mais por não dizerem o que eles querem) em relação aos atentados da ETA, exibindo assim uma espécie de superioridade moral própria. Tudo isso, talvez, sem se darem conta (ou nem quererem) de que a Lei de Partidos não tem nada a ver com isto. O que se passa é que estão a mandar para a prisão pessoas por se quererem apresentar às eleições.

Iñaki IRIONDO

Fonte: Gara

Jáuregui anuncia a impugnação das candidaturas da D3M e da Askatasuna


O secretário-geral do grupo parlamentar do PSOE em Madrid, Ramón Jáuregui, anunciou que o Governo espanhol impugnará as candidaturas apresentadas pela Demokrazia Hiru Milioi (D3M) e a Askatasuna para as próximas eleições autonómicas.

Ramón Jáuregui, em entrevista à Radio Euskadi, afirmou que as candidaturas da D3M e da Askatasuna “vão ser impugnadas”.
O dirigente do PSOE referiu que, se o juiz Baltasar Garzón “avançar com informação no processo penal para demonstrar a reorganização do Batasuna, que este está no centro da gestação de uma candidatura de associação eleitoral, de agrupamento eleitoral, de votantes supostamente anónimos, isso contribuirá para que Procuradoria e o Supremo aprovem a impugnação que vamos apresentar”.
“Eu estou em condições de dizer que, com estas informações que estamos a ver, a democracia espanhola, a Procuradoria, o Governo, a Magistratura do Estado, etc., vão solicitar aos tribunais que essas candidaturas não apareçam nestas eleições”, garantiu.

O procurador-geral do Estado, Cándido Conde Pumpido, já ontem adiantou que fará “tudo o que for possível” para que qualquer lista impulsionada pela esquerda abertzale não possa concorrer às eleições de 1 de Março.
Fonte: Gara

Uma deputada alemã pede que não se colabore «com autoridades que torturam»

Uma pergunta formulada por Die Linke obrigou o Governo federal alemão a tomar posição relativamente à prática da tortura no Estado espanhol. Ulle Jelpke pediu que não se colabore com as instituições espanholas porque se presta “um mau serviço” à luta contra a tortura.

A deputada alemã Ulla Jelpke acusou o Governo federal alemão de “fechar os olhos perante a tortura no Estado espanhol” e de “dar assim alento aos torturadores da Polícia espanhola”. Além disso, pediu ao Executivo de Merkel que “cesse a sua colaboração” com o Estado espanhol, uma vez que entende que, “com autoridades que torturam, não se deve colaborar, seja no âmbito das relações policiais, no âmbito jurídico, ou em nome da chamada guerra contra o terror”.

Esta é a apreciação realizada pela porta-voz da política interior do grupo parlamentar Die Linke depois de conhecer a resposta apresentada pelo Ministério dos Assuntos Exteriores alemão a uma pergunta sua sobre a tortura no Estado espanhol. O Executivo de Angela Merkel apoiou o de Zapatero, afirmando que o Estado espanhol é “um Estado democrático e de Direito”. Assegurou que “cumpre e respeita os direitos humanos e rejeita a tortura”, além de sustentar que “se cumprem todos os standards sobre Direitos Humanos”.

O secretário de Estado no ministério alemão dos Negócios Estrangeiros, Gernot Erler, referiu que a justiça espanhola é “independente e que garante o respeito de todos os direitos humanos”; “também no País Basco”, precisa no texto.
Erler fez referência ao último relatório da Comissão de Direitos Humanos da ONU sobre a aplicação do «Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos», em que se emitiam duras críticas e se impunham recomendações de grande peso ao Estado espanhol, mas considerou que, ainda sim, sobre a tortura “não se pode dizer que se trate de um problema sistemático da Justiça e das autoridades espanholas”.
A deputada alemã e membro da Rede Gernika pela Autodeterminação Ulla Jelpke alertou, no parlamento, para as constantes denúncias de maus tratos e torturas por parte das Forças de Segurança no Estado espanhol e mostrou-se bastante desagradada após ter conhecimento da resposta do Governo.
Em seu entender, o Governo alemão “faz vista grossa das graves violações dos direitos humanos num país que é membro da EU, como é o Estado espanhol”.
O.L.

Fonte: Gara

Hatortxurock 10: ‘jaialdiaren aurkezpena’ / apresentação do festival


Vídeo de apresentação da 10.ª edição do Hatortxurock, que irá decorrer no vale de Sakana (Nafarroa, EH) nos dias 19, 20 e 21 de Junho.

Fonte: apurtu

Elkartasuna! Solidariedade!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sem pingo de vergonha! Garzón manda para a prisão os oito detidos na sexta-feira


O juiz Baltasar Garzón deu ordem de prisão aos oito militantes abertzales presos na sexta-feira passada em Gipuzkoa, na Bizkaia e em Araba, acusando-os de um delito de “integração em organização terrorista”. Foram encarcerados em Soto del Real.

Amparo Lasheras, Iñaki Olalde, Arantza Urkaregi, Imanol Nieto, Eli Zubiaga, Iker Rodrigo, Hodei Egaña e Agurtzane Solaberrieta foram encarcerados em Soto del Real, segundo informou o Movimento Pró-Amnistia.

O juiz Garzón terminou o interrogatório às 2h da manhã e deu a conhecer a sua decisão às 5h.

Acusa-os de um delito de “integração em organização terrorista” e afirma que a ETA instrumentalizou a D3M e a Askatasuna com a intenção de “burlar as instituições do Estado e conseguir estar presentes nas mesmas, para assim dar cumprimento à estratégia terrorista da ETA quando as circunstâncias o exijam”.

O juiz sustenta no auto de prisão, de 46 fólios, que a D3M “constitui o centro organizativo do novo Batasuna”, bem como do EHAK e da ANV, que se converteram “num todo orgânico às ordens de ETA/Ekin/Batasuna”.

“Converteu-se no suporte de todo o conjunto de organismos e entidades do Movimento de Libertação Nacional Basco (MLNV)”, acrescenta no seu auto.

Garzón argumenta que os detidos são membros do Batasuna que se “desdobraram do mesmo” e sustenta que “cada um deles, com consciência e vontade de que as organizações Ekin, Batasuna, ANV e PCTV se integram ou fazem parte da órbita da ETA, como responsável máximo da rede terrorista organizada que busca a autodeterminação ou a independência de Euskal Herria por meio da luta armada, ou violência terrorista, complementada pelos demais métodos de luta, entre os quais se encontra o âmbito institucional e especificamente relacionado com a presença nos processos eleitorais”.

Para tal, refere que a “ETA- ETKI (sic)- Batasuna dispôs do necessário desde há anos e de forma continuada para obter essa essencial finalidade como método para combater em todos os âmbitos contra o Estado espanhol e as suas instituições”.

Segundo o juiz, “todos os detidos e outros imputados investigados aos quais foi praticada a correspondente inspecção domiciliária” dirigem “todos os esforços para cumprir as ordens da ETA de participar nas eleições ao Parlamento do País Basco de Março de 2009”.

Fonte: Gara

Ou seja: não conta novidades; a paranóia estatal-judicial do “tudo é ETA” mantém-se intacta; continuam-nos a dizer que a ETA manda os cidadãos fazerem política. A “paranóia” dita.

O jornalista madrileno Antonio Alvarez-Solís fazia há poucos dias, em «Liberdade para a Servidão», uma leitura bem clara da situação, a nosso ver: “De forma sucessiva, foram caindo formações políticas, desde o Batasuna até às últimas tentativas partidárias. Os bascos de nacionalismo soberanista ou seus adjacentes – pergunto-me novamente o que é um nacionalismo não soberanista – continuam, no entanto, a reaparecer no teatro de marionetas com figuras sucessivas, que levam com a clássica paulada do maléfico boneco pseudo-jacobino mal aparecem em cena. À vista de tudo isto, penso com insistência e preocupação se não se fomenta obstinadamente a ira basca, já que a repressão não irrita apenas os radicais, mas qualquer basco que vê desprezada a sua nação. Há que ser muito frívolo para não se sentir afectado por esta onda expansiva da bomba espanholista. Mais ainda, essa onda expansiva atinge e fere os poucos espanhóis que crêem verdadeiramente no papel basco para repor a liberdade e sanear eficazmente a democracia.”

Parece-nos, de facto, que se fomenta há muito a “ira basca” e que os frívolos, os moucos, os mudos não são poucos.

Da parte da ASEH, expressamos a mais funda revolta perante este novo episódio de marginalização política de representantes da esquerda abertzale, evidência do estado de excepção em que Euskal Herria vive e da "democracia" que impera no Estado espanhol. Expressamos ainda a total solidariedade com os oito detidos e seus familiares, e exigimos a sua imediata libertação.

Uma palavra de afecto à parte para Arantza Urkaregi, que conhecemos de forma casual nas celebrações de um Aberri Eguna [Dia da Pátria], familiarizando-nos, desse modo, com a sua simpatia, humildade e solicitude; uma outra para Amparo Lasheras, que não conhecemos pessoalmente mas cuja escrita clarividente, madura, fina seguíamos fielmente no GARA. Laster arte.

Aupa zuek!

A plataforma D3M – Demokrazia Hiru Milioi – regista as suas candidaturas


A plataforma Demokrazia 3M apresentou ontem as suas candidaturas às eleições de 1 de Março, nas juntas eleitorais da Bizkaia, de Gipuzkoa e Araba.

A cabeça de lista por Araba é Amparo Lasheras, detida na sexta-feira de madrugada em Gasteiz pela polícia espanhola, no decurso da operação ordenada pelo juiz Garzón, juntamente com outras sete pessoas.

Em segundo lugar na lista por Araba figura Iñaki Ullibarri, que já ocupou cargos para que foi eleito no Município de Gasteiz e nas Juntas Gerais de Araba.

As listas da D3M também se registaram nas juntas eleitorais da Bizkaia e de Gipuzkoa, embora, até ao momento, não tenha havido informação sobre o nome dos seus membros, que serão conhecidos publicamente na próxima terça-feira, dia em que se publica no Boletim Oficial do País Basco as candidaturas de todos os partidos que se apresentam às eleições de Março.

Na apresentação das listas por Araba, o porta-voz da D3M, Jesús Valencia, afirmou que a plataforma conseguiu as assinaturas necessárias para proceder ao registo das suas candidaturas e sublinhou que “nos apresentamos porque podemos, devemos e queremos”.

Depois de fazerem um apelo às pessoas que “partilham as nossas inquietações para que sejam sujeitos activos da nossa campanha”, mostrou-se confiante de que os oito detidos na operação policial ordenada por Garzón fiquem hoje em liberdade, depois de prestarem declarações perante o magistrado.

Urbina – repressão policial na marcha contra o TGV



Urbina (Araba, EH). Sábado, 17 de Janeiro de 2009. Convocada pela plataforma AHT gelditu! uma marcha/manifestação até às obras do TGV. Milhares de pessoas que se opõem a esse projecto secundam a convocatória e deixam assim clara a sua opinião e atitude. Este vídeo, editado pela Eguzki Bideoak, permite-nos ver a brutal repressão policial que se seguiu. Centenas de pessoas são espancadas, dezenas ficam feridas e oito são detidas.

No último sábado, dia 24, os “sobreviventes da ‘ratoeira’ de Urbina” fizeram saber, através de uma nota difundida pela AHT Gelditu! Elkarlana, que nem as actuações selvagens da Ertzaintza, nem as tentativas de criminalização do seu trabalho os vão intimidar. “Podem-nos bater, prender-nos e até mandar-nos para a prisão, mas nunca nos afastarão da luta contra a irracionalidade do TGV”, contra “o seu carácter impositivo e antidemocrático”, afirmaram.

Para mais informação, ver: Gara

sábado, 24 de janeiro de 2009

Pioneiros na prevenção da democracia


Qualquer pessoa minimamente interessada na situação das liberdades políticas e civis no mundo terá visto com surpresa como durante os últimos anos, aqueles em que a denominada “guerra contra o terrorismo” dilapidou o pouco de garantista que os sistemas jurídicos ocidentais tivessem, diferentes relatórios sobre o tema faziam duras críticas relativamente à evolução dessas liberdades em estados como o Reino Unido ou o Canadá, ao mesmo tempo que referiam que no Estado espanhol não se haviam dado mudanças substanciais nesse sentido. O que esses estudos não tinham em consideração é que o Estado espanhol tinha sido pioneiro nesse caminho muito antes de que os aviões se incrustassem nas Torres Gémeas e no Pentágono, e que o waterboarding, o isolamento, a prisão preventiva com carácter indefinido ou a falta de defesas jurídicas eram para a cultura jurídica e policial dos espanhóis o que o chá é para os ingleses e os desportos de Inverno para os canadianos. E assim o atestam vários relatórios de entidades da ONU sobre a questão da tortura ou a sentença do Tribunal de Estrasburgo no caso Mikel Iribarren, para referir tão-só dois exemplos.

Agora que Obama começou a desmantelar parte da engenharia jurídica que Bush montou para subverter os termos e gerar uma total impunidade na sua cruzada “antiterrorista”, os mandatários espanhóis congratulam-se com esses passos porque consideram que dão seguimento à senda aberta por Rodríguez Zapatero. Para além disso, não têm vergonha em questionar a legitimidade e imparcialidade da ONU para julgar o seu compromisso com os direitos humanos.

A detenção de oito militantes políticos que tentavam formar uma lista eleitoral para as eleições ao Parlamento de Gasteiz supõe um novo passo nessa soberba. Para além de implicar um claro ataque contra a pluralidade política e contra os direitos civis e políticos, essa operação dá-se em termos “preventivos”. Recentemente, a Human Rights Watch pedia a Obama que renunciasse definitivamente às “detenções preventivas”, porque reproduziam os mesmos defeitos do sistema de Guantánamo. O Estado espanhol permite-se dar lições nessas matérias porque é pioneiro.

Fonte: Gara

Em que se diferencia uma democracia de uma ditadura?


As diferenças existem, mas às vezes um sistema político que se denomina a si mesmo democrático adopta comportamentos característicos das ditaduras. Em Euskal Herria sabemos bastante disto, porque andamos há muito tempo a sofrer em “democracia” agressões aos direitos humanos e violações das liberdades elementares que nos recordam as do franquismo.

A perseguição de militantes políticos é simplesmente intolerável e incompatível com a democracia. Numa democracia ninguém é perseguido pelas suas ideias, mas esta criminalização é especialmente grave no caso de pessoas públicas que de um ou outro modo representam um colectivo, e – se é que isso é possível – mais grave ainda quando se trata de pessoas eleitas pelos cidadãos para desempenhar funções institucionais.

Onde fica o sufrágio universal se se impede dezenas de milhares de pessoas de exercerem o direito ao voto ou de se candidatarem livremente? Mais ainda, tem algum cabimento falar de democracia quando as forças policiais irrompem de madrugada pela casa adentro de uma pessoa que assumiu perante a sociedade um trabalho de representação de uma opção eleitoral? Em que se diferenciam estas medidas das adoptadas pelo regime franquista contra a oposição?

A “democracia” espanhola é filha do franquismo e a marca do ADN é especialmente visível quando de Euskal Herria se trata. Uma das manifestações mais dolorosas desta continuidade está nas operações policiais contra pessoas que nada têm a ver com a actividade armada, pessoas que são perseguidas por fazer política.

Violência contra as urnas

Tasio-GARA [Patxi López [PSE]: “Em Euskadi fazer política exige que se assuma as ferramentas da política, exclusivamente a palavra.” / E aqui o perigosíssimo material apreendido aos detidos / Computador armadilhado / Caneta de 9 mm Parabellum / Caneta-lapa / Folhas com temporizador / CD com buraco mesmo no meio]

Tasio-GARA [“É para aprenderem, seus opositores ao progresso…” / “Isto, sim, é progresso” / “Vais ver como nos próximo dias a cara te incha pro-gres-si-va-men-te”]

Dia após dia, operação após operação, o Estado espanhol supera-se a si mesmo na violação dos direitos políticos. Na violação dos direitos das pessoas detidas ou presas há algum tempo, em que se encontra à cabeça do ranking europeu, como reiteradamente o evidenciam a ONU, a Amnistia Internacional ou qualquer outro organismo que envia observadores imparciais até aos calabouços e às prisões do Reino de Espanha.

Se em Euskal Herria ainda alguém tinha dúvidas sobre a impostura democrática em que nos movemos, terá chegado já à certeza de que os que utilizam a violência contra as urnas são os que ontem justificavam as detenções de activistas políticos. “Não podem apresentar-se a umas eleições ou estar numas instituições democráticas aqueles que crêem que a violência é um mecanismo para obter objectivos políticos”. A frase é de Patxi López [PSE], mas poderia ter sido avançada por Zapatero, Rubalcaba, Rajoy ou, noutras circunstâncias, Ibarretxe e Urkullu [PNV]. Todos eles tentam mostrar-se perante a opinião pública como os defensores de todos os direitos de todas as pessoas, mas os factos evidenciam que as suas intenções são outras. Quem envia os seus agentes armados até aos dentes e encapuzados assaltar as casas de militantes independentistas, quem envia os seus agentes armados até aos dentes para espancar activistas contra o TGV estão, tanto uns como os outros, a jogar com as mesmas armas.

Nestes casos, tenham a certeza de que o recurso às armas não é metafórico. Polícias, guardas civis, forais e ertzainas fazem ostentação das suas armas para, no “melhor” dos casos, amedrontar a cidadania. Os que ontem aplaudiram a operação dirigida a partir de La Moncloa, com Garzón como títere necessário, e os que responsabilizaram as pessoas detidas pela sua detenção são partidários da violência. Utilizam a violência para sabotar um processo eleitoral. Em que parte do mundo se chama a isto democracia? A resposta é tão simples quanto arrepiante.

Txisko FERNÁNDEZ
jornalista

Fonte: Gara

O vampiro ataca de novo!

O olhar de Tasio (GARA).

Sem pingo de vergonha! Polícia às ordens de Garzón prende oito militantes independentistas

A Polícia espanhola deteve na madrugada de ontem, por ordem do juiz Baltasar Garzón, oito militantes abertzales na Bizkaia, em Gipuzkoa e Araba, acusados pelo Ministério do Interior de fazer parte da “nova direcção do Batasuna”. Trata-se de Agurtzane Solaberrieta, Hodei Egaña, Eli Zubiaga, Iker Rodrigo, Arantza Urkaregi, Imanol Nieto, Amparo Lasheras e Iñaki Olalde. Para além disto, a Polícia inspeccionou as sedes da Herria Aurrera e Gasteiz Izan e as casas de numerosos representantes e militantes independentistas.

Testemunhos na Infozazpi Irratia: Tasio Erkizia

Santi Kiroga

Mariné Pueyo

Arantza Zulueta

Mobilizações: a Polícia carregou com violência em Baiona

Reacções

O reitor da UPV destaca a “trajectória exemplar” de Arantza Urkaregi

A professora da UPV Arantza Urkaregi (Bilbau), Eli Zubiaga (Algorta), Iker Rodrigo (Erromo) e Imanol Nieto (Sestao) foram detidos na Bizkaia, segundo confirmou o Movimento Pró-Amnistia.

Em Araba, os detidos são a representante da plataforma D3M Amparo Lasheras, em Gasteiz, e Iñaki Olalde, em Agurain, de acordo com o Movimento Pró-Amnistia. A agência EFE divulgou a informação de que o representante independentista das Juntas de Araba Aitor Bezares também tinha sido preso, mas tal viria a ser depois desmentido pelo Movimento Pró-Amnistia.

Hodei Egaña e Agurtzane Solaberrieta foram presos em Gipuzkoa, concretamente em Donostia e Usurbil, ainda de acordo com a mesma fonte.

Inspecções
A Polícia espanhola procedeu a numerosas inspecções nas casas de militantes e representantes independentistas.
Na Bizkaia, foram à casa do histórico militante abertzale Tasio Erkizia, e também à de Joxerra Etxebarria.

A Polícia inspeccionou ainda a sede de Herria Aurrera na capital bascainha, onde esteve presente o juiz do tribunal de excepção espanhol Baltasar Garzón, que ordenou a operação.

Em Nafarroa, a Polícia revistou as casas da vereadora independentista em Iruñea Mariné Pueyo e do também edil em Huarte Santi Kiroga.

Em Araba, inspeccionaram as casas de Fernando Antia, em Gasteiz. Antia é o promotor da plataforma D3M no herrialde.
Ainda na capital alavesa, entraram na sede da plataforma Gasteiz Izan, no bairro de Judimendi.

Em Gipuzkoa, a Polícia permaneceu durante cinco horas na casa da vereadora abertzale Miren Legorburu, em Hondarribia, de onde levou computadores.

A “nova direcção do Batasuna"
O Ministério espanhol do Interior emitiu um comunicado em que afirma que os detidos fariam parte da nova Mesa Nacional de Batasuna.

Sob regime de incomunicação
Por seu lado, o Movimento Pró-Amnistia fez saber que todos os detidos se encontram sob incomunicação e que serão transferidos para Madrid nas próximas horas. Este organismo afirmou tratar-se de uma operação contra a plataforma D3M, cujo objectivo é impedir que as listas abertzales possam concorrer às próximas eleições autonómicas, a 1 de Março, nos 3 herrialdes da CAV: Gipuzkoa, Bizkaia e Araba.

Fonte: GARA

Faxistak kanpora! Atxilotuak askatu!

Faz frente à repressão! Liberdade para os detidos, já!

Torturak espainiar Estatuan / Tortura no Estado espanhol


Torturas en España
by PCEparty

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Hesian – «Herriaren Oihua»


«Herriaren Oihua» [O Grito do Povo], dos Hesian, banda de Sakana (Nafarroa, EH).

Liberdade para a servidão


A anunciada perseguição da plataforma D3M, sintoma e consequência da supressão da liberdade de pensamento, é o ponto de partida da reflexão de Alvarez-Solís acerca da secular recusa de Espanha a toda a mudança e “a converter o seu Estado num quadro válido de acolhimento para as nações peninsulares que não são espanholas”.

Não sei como acabará a perseguição contra a D3M, mas causa uma espessa repugnância essa prática do acosso. A supressão da liberdade de pensamento destrói o ser, que se realiza no acto de pensar. Não é possível falar de liberdade ou democracia se um só pensamento fica por comunicar. Até os místicos, esses seres que parecem enclaustrados em si mesmos, necessitam de transmitir os seus arrebatamentos e as suas ânsias interiores. Sem nos sabermos nos demais, não somos. O ser humano aperfeiçoa-se pelo pensamento comunicado.

Acreditei sempre que a tarefa essencial do governante reside em admitir, e mais ainda em estimular, todo o tipo de pensamento moral e político. Facultar a circulação das ideias equivale a elevar a qualidade da vida colectiva. Em Espanha, talvez isto que digo seja pouco compreensível, pois a atitude espanhola perante as ideias é sempre de desconfiança. O espanhol vive na incomunicação. Isto impediu todo o progressismo ideológico, científico e económico. O “eles que inventem”, de Unamuno, retirou criatividade aos indivíduos, até ao ponto de converter os espanhóis em seres incapazes para a filosofia, que foi substituída por uma tentativa de estética epidérmica, barroca, arrevesada e vazia. O resultado é um país ancorado, incapaz de qualquer navegação intelectual.

Pensa em tudo isso o actual Governo, já que os anteriores não o fizeram? Certamente, a badalada social-democracia parece reduzir-se a jogos verbais que se dissolvem em mil gestos reaccionários. A prova do algodão do que afirmo está hoje na postura de Madrid sobre Euskadi. Euskadi não chateia grande coisa, creio eu, porque lá aconteçam certas violências. Euskadi incomoda porque é um forno de pensamento político e social. O soberanismo basco – muito superior hoje ao catalão – supõe a ruptura com um Estado urdido por poderes imóveis. Um Estado não só inconveniente, mas que perverte qualquer movimento democrático. Pensar Euskadi nesse Estado equivale a entregá-lo agora ao domínio socialista e a perder, para a sociedade, a força renovadora que representa o soberanismo basco. Esta absorção, que procura camuflar-se inutilmente sob o conceito abstruso de plurinacionalidade, obriga Espanha a realizar umas absurdas manobras intelectuais para atrair certos bascos com requebros, que à sobremesa já são impossíveis, uma vez que não surgem de uma genuína biologia ideológica. Se alguma coisa delata o PSE como um partido incapaz de verdadeira basquidade, é o elementar jogo para incorporar a realidade euskaldun na unidade espanhola. Essa pretensa unidade em torno do nacionalismo espanhol, vestindo-a de pluralidade nacional, tingiu sempre de reaccionarismo a sociedade espanhola. A prova desta asserção está em que o Estado espanhol – que foi sempre um Estado da Coroa – se opôs em qualquer momento e com uma fúria cega a toda a mudança, e não falemos já de uma revolução. Assim se estrangularam as prometedoras tentativas nacionais de catalães, galegos, valencianos e bascos. Espanha nunca admitiu converter o seu Estado num quadro válido de acolhimento para as nações peninsulares que não são espanholas. Os mesmos rebentos iniciais de burguesismo, que se deram na Andaluzia comercial de finais do século XVIII, burguesia que pretendia ser a ponte entre as possessões americanas e a Espanha interior, foram asfixiados mediante diversos expedientes. A Andaluzia contraiu-se consequentemente sobre si mesma e acabou reduzida à vontade cerealista da sua aristocracia ocupante, que nunca deixou de ser pró-castelhana. Somente os vinhateiros importados conseguiram abrir uma janela inútil para o exterior. Foram tragados pelo andaluzismo de cenário.

De forma sucessiva, foram caindo formações políticas, desde o Batasuna até às últimas tentativas partidárias. Os bascos de nacionalismo soberanista ou seus adjacentes – pergunto-me novamente o que é um nacionalismo não soberanista – continuam, no entanto, a reaparecer no teatro de marionetas com figuras sucessivas, que levam com a clássica paulada do maléfico boneco pseudo-jacobino mal aparecem em cena. À vista de tudo isto, penso com insistência e preocupação se não se fomenta obstinadamente a ira basca, já que a repressão não irrita apenas os radicais, mas qualquer basco que vê desprezada a sua nação. Há que ser muito frívolo para não se sentir afectado por esta onda expansiva da bomba espanholista. Mais ainda, essa onda expansiva atinge e fere os poucos espanhóis que crêem verdadeiramente no papel basco para repor a liberdade e sanear eficazmente a democracia.

À beira de umas novas eleições, volto a reflectir sobre o papel do Partido Socialista de Euskadi na consulta. Para que quer esse partido chegar à Lehendakaritza? Evidentemente para fabricar uma política antinacionalista a partir das instituições bascas e entregar uma vez mais a nação euskaldun a Madrid, depois de lhe dar na cara um beijo traiçoeiro. A este respeito, surpreende-me que em bairros operários de algumas cidades viradas para a ria se mantenha vivo o voto socialista, que já no tempo de Indalecio Prieto foi envenenado de espanholismo. Se esses votantes realmente se comprazem na sua vida basca, como vida superior à rígida e lamentável vida espanhola, incorrem numa contradição muito difícil de explicar a partir de uma lógica elementar. Euskadi, embora com todas as tristes confusões nacionalistas que se dão no seu seio, alcançou cotas sociais mais confortáveis do que aquelas que existem na Extremadura, em Castela, em La Mancha ou na Andaluzia – e não desconheço as censuráveis desigualdades sociais bascas – mercê de uma certa capacidade de autogoverno, sem dúvida mais social que política. Os bascos sempre exerceram algum tipo de soberanismo no terreno económico e cultural, ainda que fosse em condições de opressão e também de violência por parte do poder central de Espanha. Foi um soberanismo que Madrid procurou afundar reiteradamente com escandalosas armas administrativas, policiais e judiciais, chegando a qualificar cinicamente de assistência ao terrorismo acções concretas de política aberta.

Espanha teme que se descosa no seu vestido estatal o débil alinhavo basco e que por aí comece a nudez da obscura realidade espanhola. Às vezes o meu pensamento desliza com preocupação pela ladeira perigosa de que algumas políticas de verdadeira esquerda social se abeiram de ferir o Estado espanhol com um estranho retraimento. Lenine – e valha a referência sobretudo para os comunistas que tropeçaram na pedra do eurocomunismo – postulou com absoluta claridade que se devia “vincular a luta revolucionária pelo socialismo com um programa revolucionário quanto ao problema nacional”, advertindo de seguida que “queremos a união livre e devemos, em consequência, reconhecer a liberdade da separação”. Cada povo há-de protagonizar a sua existência histórica – económica, social e cultural – desde o seu acontecer nacional. Os tempos demonstram que o sonho em grandes espaços políticos – como é o enredo da globalização – ajuda os poderes oligárquicos e não à luta dos trabalhadores, que precisam de um cenário mais reduzido, como é o autenticamente nacional. O internacionalismo socialista requer cenários que se possam dominar melhor. O comunista precisa de se apoiar na sua própria nação de modo a entender-se digna e solidamente com as outras nações e os demais comunistas. Tudo o que postule um centralismo estatal baseado em ferrolhos não pode alimentar nenhum movimento que conduza à paz própria do colectivismo. No seio dos estados actuais – pura fórmula policial – o que se entende por liberdade não é mais que uma redução à servidão. A partir daí, que cada qual leia como bem entender o seu livro de horas.

Antonio ALVAREZ-SOLÍS
jornalista

Fonte: Gara

«2008an errepresioa bortitza izan da Nafarroan» / «Em 2008 a repressão foi dura em Nafarroa»


Assim se expressa o Movimento Pró-Amnistia no vídeo que agora publicou. Nele se faz referência, de forma resumida, a mais de 300 detenções, a 70 denúncias de tortura, a cargas policiais, à guerra suja, às ilegalizações e aos julgamentos políticos, ao agravamento da política penitenciária – pena perpétua de facto, política de dispersão, acidentes rodoviários com ela relacionados, trato desumano aplicado aos presos doentes, sequestros, um número de presos políticos que em tempos de chamada “democracia” bate os recordes da ditadura. Para o final, as maiores emoções.

Fonte: apurtu

Gora Nafarroa! Gora Euskal Herria askatuta!

Kepa Bereziartua: “As razões para nos ilegalizarem em 1939 e agora são as mesmas”

Para poder proceder às actuais ilegalizações, tiveram o silêncio cúmplice, a submissão, ou até o aplauso (não esquecemos o Sr. Azkuna) de partidos como o PNV.

Basta apenas passar os olhos pela história para constatar que a aversão dos diferentes governos do PSOE, já desde os tempos da República, contra a esquerda abertzale é um contínuo até aos nossos dias.

Já no início dos anos 30 governadores do PSOE encerraram sedes da EAE-ANV e ilegalizaram juntas municipais ekintzales. Ainda que, como é lógico, o maior embate contra a liberdade política tenha sido a Lei de Responsabilidades Políticas, de Fevereiro de 1939, assinada pelo ditador genocida Francisco Franco.

Oito décadas volvidas, o seu delfim político e rei de Espanha assinava uma nova lei de responsabilidades políticas, agora denominada Lei de Partidos Políticos, com o mesmo espírito da de 1939, a aniquilação por parte do franquismo, posterior neofranquismo, da dissidência política. E, em especial, da dissidência basca.

E, assim, estas duas leis vêm a ser como imagens do mesmo espelho, que, no fim de contas, reflecte a mesma questão – a incapacidade do Estado espanhol de aceitar a pluralidade nacional e política.

E, se em 1939 nos falavam de conspirações judaico-maçónicas de subversão vermelha e de obstrução ao triunfo providencial e historicamente inevitável do Movimento Nacional, em 2008, actualizando a linguagem, falam-nos de conspirações “terroristas” para concorrer a umas eleições. E também de contribuir para uma nova subversão, neste caso, parece que contra o comboio de alta velocidade. E agora, parece que os novos maçons são os membros das diferentes organizações da esquerda abertzale ilegalizadas.

Passando por cima das diferenças da linguagem – chamemos-lhe jurídica – de quase 80 anos, estes dois documentos poderiam ter sido escritos pelos mesmos juristas. Um, é a Lei de Responsabilidades Políticas, de 1939, que inclui a ilegalização da EAE-ANV, o outro, a sentença de ilegalização da EAE-ANV, de 2008.

E, se para proceder às ilegalizações de 1939, Franco contou com a ajuda ou a indiferença dos carlistas, dos monárquicos e dos falangistas, o PSOE e o PP, para poderem proceder às actuais ilegalizações, tiveram o silêncio cúmplice, a submissão, ou até o aplauso (não esquecemos o Sr. Azkuna) de partidos como o PNV.

Novo incidente no caso de Zigor Goikoetxea


Um “suposto erro do juiz moreno” obriga à anulação do julgamento contra Zigor Goikoetxea, ‘Gorrion’.

O tribunal de excepção espanhol – Audiência Nacional – decidiu anular o julgamento que se ia realizar ontem de manhã contra Zigor Goikoetxea, por uma série de irregularidades processuais que não terão sido detectadas pelo juiz de instrução, Ismael Moreno.

O erro cometido por Moreno consistiu em transformar o julgamento num processo abreviado quando parte da acusação pedia 10 anos de prisão.

O tribunal deu então razão ao advogado de Zigor, Alfonso Zenon, que pediu a suspensão do julgamento pelos citados erros processuais.
Ao que consta, deverão ser elaborados novos autos para a abertura de um novo processo.

Na sequência da suspensão, a representante do PP em Getxo Marisa Arrue deixou claro perante a imprensa que o seu desejo é ver Goikoetxea atrás das grades.

Muntaia zapaltzailerik ez! Zigor askatu! Montagens opressoras, não! Liberdade para Zigor!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ilegalizações: Rubalcaba confirma que as FSE «andam há algum tempo» a trabalhar para anular listas eleitorais

Sinatu! [Assina!]

O ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, afirmou ontem que as Forças e os Corpos de Segurança do Estado “andam há algum tempo a trabalhar” na busca de dados que permitam relacionar diversas candidaturas – como D3M e Askatasuna – com o Batasuna, de modo a possibilitar a anulação da suas listas. Para além da Polícia, também algumas agências noticiosas andam a trabalhar na busca destas ligações.

Fonte: Gara

Política prisional criminosa: Hodei Ijurko permanece em isolamento há 10 meses

O preso político basco de Iturrama (Iruñea) Hodei Ijurko encontra-se há vários meses na prisão de Curtis e tem de suportar diariamente as pressões e provocações por parte dos guardas prisionais.

A situação do preso político Hodei Ijurko tornou-se insustentável. Além de se encontrar completamente isolado do resto dos presos políticos encarcerados em Curtis, tem que fazer frente a inúmeras provocações e pressões dos guardas da prisão galega.

No dia 6 de Fevereiro, a direcção da prisão vai decidir se prolonga por mais três meses o regime de isolamento, coisa que já fez por duas vezes. Esta situação de isolamento deve-se a um incidente ocorrido na prisão de Soto, onde foi espancado pelos guardas. Depois, foi transferido, já em situação de isolamento, para Valdemoro, e, um mês depois, para Curtis.

Cartas para a prisão
As presas e os presos bascos de Curtis estão a fazer tudo para que tirem Hodei do módulo de isolamento e o mudem para junto de outros companheiros do Colectivo. Desde Euskal Herria também se puseram em marcha diferentes iniciativas. Uma delas consiste em enviar cartas à direcção do estabelecimento prisional. Os seus impulsionadores pretendem que antes de 6 de Fevereiro (data da revisão) centenas de cartas cheguem à prisão de Curtis. Eis o endereço:

A la atención de la Dirección

CP TEIXEIRO
Carretera Paradela s/n
15310 CURTIS (A CORUÑA)

Este é o texto proposto:
“A la Dirección del Centro
Hodei Ijurko lleva desde mayo del 2008 recluido en el modulo de aislamiento de este centro. Durante todos estos meses está siendo sometido a provocaciones constantes por parte de funcionarios de dicho modulo. Ante todo ello exijo:
- La salida inmediata de Hodei Ijurko del modulo de aislamiento y el reagrupamiento con sus compañeros.
- Que ningún preso político vasco esté sometido al régimen de aislamiento.”

Fonte: apurtu.org

«Queremos contribuir, a partir de Busturia, para a construção de Euskal Herria»


Andoni ELORRIETA, próximo autarca de Busturia, entrevistado por Agustín GOIKOETXEA

Tomará posse esta tarde, em virtude do acordo de governação subscrito há ano e meio pela esquerda abertzale com o EA para “dar a volta” ao modo de governar do PNV. Foi um dos dois edis do EA, Rodolfo Lartitegi, quem primeiro assumiu o cargo que agora ele passará a ocupar.

Encantado com a tarefa empreendida em Julho de 2007, Elorrieta não oculta que agora, mais que nunca, terão pela frente o PNV e os partidos de obediência espanhola para fazer fracassar o seu projecto de mudança.

Como encara os dos anos e meio de mandato como autarca que lhe restam?

Com muita expectativa e alegria, não isenta de preocupação pela forte oposição que vamos suportar, dentro do Município e também fora dele. Expectativa e alegria porque estamos convencidos de que vamos mudar muitas coisas que entendemos que não eram feitas do modo que os habitantes gostariam, e trabalharemos para as melhorar.

A pressão mediática fez-se sentir sobre os seus parceiros de governação? E nos moradores?

Sim, notou-se bastante. É lógico que se deixe de sentir mais sobre o Eusko Alkartasuna. Entendo que esses ataques furibundos procuraram a ruptura do acordo de governação com a esquerda abertzale, como aconteceu em Azpeitia.
Os busturiarras não sofreram apenas a pressão dos meios de comunicação espanhóis, mas também o panfletarismo do PNV, tentando aquecer o ambiente, atacando com fúria os nossos parceiros de governo. A pressão sobre a esquerda abertzale virá através da Lei de Partidos, como o têm vindo a fazer até agora o PSOE e o PP com o apoio do PNV. Sem a sua colaboração, não teria sido possível. Agora, tentarão criminalizar-nos mais, para ver se de uma ou outra forma nos afastam de todos os governos municipais em que estamos.

Porque está o PNV na oposição municipal?

Nas últimas eleições municipais levaram um forte abanão. Tiveram uma grande descida na votação. Passaram de 566 sufrágios para 397, de cinco para quatro vereadores, perdendo a maioria absoluta e cerca de 30% do seu apoio. Esses resultados são consequência da inconformidade dos habitantes com a sua forma de governar. A política do PNV é a do negócio e isso não é o que mais interessa às pessoas.

Notam um corte nas ajudas ou entraves desde as instâncias forais ou do Governo de Gasteiz?

De Lakua, não. Da Delegação Foral, sem generalizar, sim, notámos, não em tudo, coisas pontuais em que entendemos que houve cortes nas ajudas única e exclusivamente por sermos nós. Caso se tratasse do PNV, teriam sido mais generosos ou teriam simplesmente concedido o crédito que negavam. De agora em diante, o problema pode agudizar-se, quando o PNV estiver ainda mais furioso ou caso o EA não esteja em Lakua, e, claro, a Delegação tentará em boicotear-nos em muitas situações.

Quais são os desafios que vai enfrentar como autarca?

Quando chegámos a acordo com o EA, estabelecemos determinadas metas em política municipal, cultura, habitação, meio ambiente e acção social, em que dávamos praticamente a volta às coisas. Agora, fazemos uma política social mais próxima da terra e, naturalmente, um urbanismo em que vamos dar prioridade à aquisição de primeira habitação, eliminando totalmente ou quase tudo o que possamos da habitação livre. Vamos tentar conseguir que as pessoas de Busturia não tenham que ir viver para fora, o que é triste, mas estava a acontecer nos últimos anos.
Trabalhamos na euskaldunização total do Município, juntamo-nos à UEMA (1), numa política muito mais euskaldun do que a que foi conduzida pelo PNV. Embora sejamos uma terra pequena, queremos contribuir para a construção nacional de Euskal Herria (2).

(1) Udalerri Euskaldunen Mankomunitatea – Comunidade de Municípios Euskaldunes.

(2) Busturia fica situada na comarca de Busturialdea-Urdaibai (Bizkaia, EH), mais ou menos a meio caminho entre Bermeo e Gernika.
Fonte: Gara

Comunicado da ETA

Num comunicado enviado ao GARA, a ETA assume três atentados efectuados no final do ano: contra um retransmissor de telecomunicações no monte Arnotegi, em Bilbau – a 20 de Novembro –, contra o empresário Inazio Uria, em Azpeitia – a 3 de Dezembro – e contra as instalações de vários meios de comunicação na capital biscainha – a 31 de Dezembro. Sobre estes dois últimos, a organização armada expõe as suas reflexões sobre os motivos que levaram à sua consecução e sobre as reacções que suscitaram em diversos âmbitos.

Em relação à acção armada de 31 de Dezembro, a ETA acusa os meios de comunicação espanhóis de trabalharem “em prol do fascismo espanhol” e de estarem ao serviço do actual “ministro do Interior” naquilo que qualifica como “trabalho de fustigamento do independentismo”.
Acusa também a EiTB de estar “às ordens da Sabin Etxea [sede do PNV], desfigurando o conflito que Euskal Herria vive”, e responsabiliza a radiotelevisão pública por “tornar real de facto o apartheid político mediático e a ilegalização que a esquerda abertzale está a suportar, submetendo-se às ordens de Espanha”. E realça também que a EiTB, “enquanto define diariamente a ETA e os seus militantes como ‘terroristas’, toma como fontes fidedignas as declarações forçadas sob cruel tortura nos calabouços da Polícia e da Guarda Civil”.

Relativamente ao TGV, para além de enquadrar o atentado que custou a vida a Inazio Uria, a ETA refere que já advertiu que os responsáveis deste “projecto destrutivo” eram um alvo. E acrescenta que pretende “enviar um aviso claro aos engenheiros, técnicos superiores, responsáveis ou dirigentes de empresas que participam nas obras ou estão com elas relacionadas para que suspendam os trabalhos e se possa realizar o debate público que os agentes populares andam a reclamar.”
O comunicado denuncia ainda o uso da “censura” para silenciar as opiniões contrárias ao TGV, citando de novo os meios de comunicação, que acusa de “levantar o veto a alguns só para condenar a acção da ETA. Os que foram censurados sem parar encontraram todos os microfones e todas as câmaras para se manifestarem contra a ETA”.

Notícia completa: Gara

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

2012: as cartas estão na mesa

Tasio-Gara [1512-2012 / Comissão do V Centenário]

A discussão sobre o que ocorreu em 1512 e o debate sobre a vontade da sociedade navarra do século XXI estão unidos. Se em Nafarroa se impõe a razão de estado do Estado espanhol, é em consequência do que ocorreu em 1512.

Tardaram, mas já arrancaram. 2012 está próximo e não há maneira de escapar ao assunto: faça o que fizer o Governo de Nafarroa, a comemoração (que não celebração) do 500.º aniversário da conquista de 1512 é uma referência no debate ideológico e político que vai assumir mais importância nos próximos anos.

A final de contas, o que aqui se está a arejar não é o passado, mas o futuro. É disso que trata a discussão sobre a conquista de 1512. Por isso, falar de conquista ou união negociada não é uma disputa entre historiadores, mas um exercício de análise sobre as bases do actual estado de coisas e a sua legitimidade. A nossa história nos últimos 500 anos é um continuum incompreensível sem a invasão de 1512 e as relações de dependência que impôs entre Nafarroa e a monarquia espanhola. De facto, aquilo a que chamamos conflito basco torna-se impossível de compreender em profundidade sem tomar em consideração o processo mediante o qual os territórios bascos, que em determinada época fizeram parte de um estado chamado Navarra, passaram a estar sob o controlo dos estados espanhol e francês.

Não é nenhum acaso que os cúmplices deste estado de coisas tenham querido apresentar as invasões e conquistas como acordos. Sem analisar a evolução histórica não se pode entender por que Ibarretxe fala de renovar os acordos com o Estado que, segundo ele, tão bom resultado têm dado. Que acordos? Quando é que os Bascos assinaram um acordo com o Estado espanhol ou com o francês?

A manipulação da história foi e é uma das chaves da máquina legitimadora da negação dos direitos de Euskal Herria. Não prestar atenção à história significa deixar o terreno livre para que essa máquina faça o seu trabalho de distorção, engano e colonização.

Os governos de Iruñea e Madrid compreenderam-no perfeitamente. Sabem que a discussão sobre o que ocorreu em 1512 e o debate sobre a vontade da sociedade navarra do século XXI estão unidos. Se em Nafarroa se impõe a razão de estado do Estado espanhol, é em consequência do que ocorreu em 1512. Nem então nem agora prevaleceu a tão badalada vontade dos navarros.
UPN e PSOE movem as suas engrenagens. Para turvar o debate, introduziram a comemoração da batalha das Navas de Tolosa, percorrendo o discurso da Reconquista e da luta contra os mouros, a ver se pega o conto das correntes [na bandeira de Nafarroa]. Não sei como é que Zapatero irá encaixar isto na sua invenção da aliança das civilizações, mas o que sei é que se eles se começaram a mexer, nós já andamos há muito tempo a meditar e a maquinar como rememorar esta data como deve ser, reivindicando a independência que nunca nos deviam ter arrebatado.

Ver-nos-emos no dia 1 de Fevereiro em Amaiur, no evento organizado por 1512-2012 Nafarroa Bizirik e apoiado por diferentes municípios do país. Alguns, como o recentemente falecido José Ramón Aranguren, não poderão lá estar, mas esse acto será seguramente uma expressão da vitalidade do movimento popular face ao presepiosismo da comissão oficial.

Floren AOIZ
http://www.elomendia.com/

Fonte: Gara
A plataforma 1512-2012 Nafarroa Bizirik apela aos cidadãos bascos que se juntem à sua iniciativa (1 de Fevereiro, em Amaiur), que pretende lembrar a invasão castelhana de 1512 por oposição aos actos oficiais que os governos espanhol e navarro estão a organizar. [Ver: GARA e 1512-2012_Nafarroa_Bizirik]