sábado, 28 de fevereiro de 2009

Eleições e futuro


Na sua análise, que supera abertamente a chave eleitoral, Otegi acende os «máximos» para constatar que «deixaram a esquerda abertzale fora do Parlamento na CAV mas, de modo algum, fora da luta por uma mudança política e social para o conjunto de Euskal Herria na senda independentista e socialista». E nos primeiros passos desse caminho situa a grande importância dos votos ilegalizados, «votos de ouro», que amanhã se depositarão nas urnas como «inversão para construir a esperança da maioria da sociedade basca».

Hoje é oficialmente dia de reflexão para os cidadãos dos territórios ocidentais de Euskal Herria. Parece que nestas democracias formais a reflexão se cinge à eleição de um boletim depois da tempestade de mensagens, skechts e frivolidades de todo o tipo e natureza que tivemos que sofrer nesta interminável e vergonhosa campanha eleitoral; quer dizer, parece que nos convidam a reflectir durante 24 horas – mais pode ser perigoso – para logo de seguida desligar até à campanha eleitoral seguinte, onde novamente nos aparecerão com produtos programáticos renovados.

Superando esse esquema formal, há que realçar algumas variáveis e referências que vão para lá do resultado eleitoral e que, portanto, continuarão a ser matéria pendente colectiva de toda a cidadania basca.

Em primeiro lugar, estas eleições inserem-se no braço de ferro político de fundo que Euskal Herria vem mantendo desde Lizarra-Garazi. Uma transição entre uma fase constitucional-estatutária esgotada e um ciclo político que nunca mais se abre e, dessa forma, assenta em novas bases políticas de reconhecimento nacional e respeito pela vontade popular democrática.

Estes anos foram sinuosos em oportunidades e fracassos para o movimento abertzale face à estratégia estabelecida pelo constitucionalismo espanhol para condicionar os conteúdos do, por outro lado, irreversível novo ciclo político. O PSOE, tal como o PP, cada qual com as suas características, mantiveram posicionamentos políticos, jurídicos e repressivos tendentes a desgastar o espaço da autodeterminação que emana de Lizarra e, mais especificamente, neutralizar o papel de motor de mudança da esquerda abertzale.

Nesse braço de ferro atravessámos momentos diferentes – Loiola –, sendo evidente o bloqueio instalado nos últimos tempos em todos os parâmetros do conflito político. Um bloqueio que o constitucionalismo tem vindo a trabalhar para debilitar a correlação de forças de Lizarra, inserindo o PNV na estratégia do Estado. Algo que conseguiu e pretende rubricar com os resultados e as consequências das eleições de amanhã, domingo.

A campanha eleitoral foi um fiel reflexo de ambas as questões. Por um lado, o apartheid político contra a esquerda independentista teve um novo desenvolvimento com a anulação da possibilidade de representação institucional ao sector da sociedade basca mais dinâmico e determinante para a mudança política neste país. Uma decisão do Estado espanhol que teve uma resposta insignificante e hipócrita dos sectores políticos que tanto reclamam o direito a decidir e as vias políticas e democráticas. Pelo contrário, por trás de declarações formais atiraram-se aos votos e assentos que a decisão política do Estado lhes proporciona num hemiciclo que será renovado com a bandeira espanhola na sua fachada e com uma composição interior amanhada pelo mencionado apartheid político.

Por outro lado, vimos como PNV e PSE-EE fizeram uma campanha de baixo perfil político e mediatizada pelo discurso autonomista e a gestão económica. Diz Ibarretxe que amanhã está em causa onde se decide, em Madrid ou em Gasteiz. Uma falácia evidente perante a estratégia e a posição do Estado com o “seu” plano e a “sua” consulta e, agora mesmo, perante a imposição das regras de jogo do “seu” Parlamento. Temos a convicção, fundamentada na posição do PNV no processo de negociação e em posteriores acordos parlamentares, de que este partido iniciou há algum tempo a viragem de Lizarra, encaminhando-se para um “acordo político” que, no fundo, é a constitucionalização do nacionalismo, autêntica matéria pendente do modelo de Estado Espanhol, como alternativa ao reconhecimento nacional basco e aos seus direitos democráticos no quadro de um estado plurinacional. Essa é a questão de fundo que tem vindo a amadurecer neste contexto de bloqueio político.

Neste mesmo cenário, o EA trata de clonar a esquerda abertzale e o Aralar dá o remate tentando aproveitar as condições do apartheid para as colocar, como em Nafarroa, ao serviço da estratégia regionalista de Sabin Etxea.

Assim, deixaram a esquerda abertzale fora do Parlamento na CAV mas, de modo algum, fora da luta por uma mudança política e social para o conjunto de Euskal Herria na senda independentista e socialista. O debate político e económico, as condições estruturais impostas pelo Governo espanhol, revelam-nos que, seja qual for o resultado, estamos perante a continuidade da estratégia do Estado contra Euskal Herria e face ao perigo de um segundo ciclo autonomista ante a deriva de um PNV preocupado unicamente com a gestão dos seus negócios e interesses a partir das instituições actuais.

Apesar disso, as condições para uma mudança política continuam a estar vigentes numa sociedade basca que reclama de forma maioritária o reconhecimento da sua vontade democrática. Por isso, devemos abordar o retrato distorcido e tramposo de amanhã com tranquilidade, confiança e perspectiva. A esquerda abertzale tem vindo a propor com insistência a necessidade de uma acumulação e activação de forças soberanistas, independentistas e progressistas como eixo determinante na actual situação de transição para a definição dos ingredientes e/ou bases de um novo ciclo político. Um posicionamento que precisa de amadurecimento e concreção em desenho, conteúdos e propostas táctico-estratégicas. Com esses máximos acesos, com essa perspectiva e compromisso, aborda a esquerda abertzale este teste eleitoral antidemocrático e, sobretudo, a etapa política que se abrirá imediatamente depois.

Assim, na jornada de amanhã, passando por cima de decisões antidemocráticas, de uma campanha de perseguição brutal às nossas ideias e posicionamentos ou da permanente ocultação e manipulação mediática, a esquerda abertzale voltará a demonstrar a dignidade e o compromisso com este povo e os seus direitos nacionais e sociais, articulando um espaço social que nos permita trabalhar nos próximos meses por uma implementação de esforços e compromissos políticos, sindicais e sociais, de modo a configurar um bloco popular pela mudança em termos de soberania e modelo social. Como repetimos nos últimos dias, não há mudança política sem a esquerda abertzale ou, dito de outra forma, só a partir da iniciativa, da força e do entusiasmo da esquerda abertzale podemos alcançar um cenário democrático como primeiro passo para desenvolver a nossa proposta estratégica.

Portanto, face aos que antepõem os seus interesses aos direitos e à dignidade deste povo, face aos que procuram espaço político aproveitando-se da estratégia do Estado espanhol, face à estratégia de repressão e confrontação do Estado espanhol para manter um quadro político centrado na negação da nossa soberania e na imposição constitucional, amanhã o voto ilegalizado é uma inversão, um voto de ouro, para construir a esperança da maioria da sociedade basca.

Arnaldo OTEGI

Fonte: Gara

Acosso e repressão permanentes

(Tasio-Gara)

Uma mulher é insultada por agentes da Polícia espanhola por levar o GARA

Uma mulher que se dirigiu a um determinado local para renovar o bilhete de identidade, em Bilbau, foi espancada, ameaçada e insultada por agentes da Polícia espanhola por levar consigo o jornal GARA. Enquanto a mulher esperava pela sua vez, um agente aproximou-se dela e exigiu-lhe que fechasse o diário. Como ela se negou a fazê-lo, foi levada dali para a esquadra à pancada, onde, segundo relatou, foi insultada e ameaçada, tendo-lhe sido dito “que, agora sim, ia conhecer a repressão”.

Fonte: Gara

Controlos: várias denúncias do acosso da Ertzaintza em Tolosaldea e Lea Artibai

Já aqui noticiámos que as estradas da Bizkaia e de Gipuzkoa têm estado sujeitas a controlos sufocantes. Agora, são moradores das comarcas de Tolosaldea (Gipuzkoa) e de Lea Artibai (Bizkaia) a confirmá-lo, denunciando a perseguição que sofrem por parte da Ertzaintza. Na última quarta-feira, por exemplo, a Polícia autonómica instalou um controlo entre Lizartza e Orexa no qual ficou retida uma mulher que se dirigia para sua casa. Obrigaram-na a ficar ali mais de uma hora.

Urtekaria 2008: apresentação do Anuário que recolhe as Violações de direitos em Nafarroa


Em pouco mais de 160 páginas, o Movimento Pró-Amnistia de Nafarroa procurou resumir os episódios repressivos vividos neste território durante o ano 2008. Josu Esparza e Josu Beaumont encarregaram-se de explicar perante os órgãos de comunicação os objectivos e o sentido deste trabalho. De acordo com as suas palavras, “esquecemo-nos demasiado rapidamente do que se passa de uma semana para a outra, porque uma barbaridade é superada por outra ainda maior”. Tal como afirmaram, há dois aspectos a destacar neste livro: “um, negativo, porque no Anuário fica claro o escasso estofo democrático que existe em Nafarroa, já que todos os anos, com menos de metade das violações de direitos que ocorrem, se pode escrever um livro.” Pela positiva, destacam que, face a todas estas “violações, a sociedade continua a organizar-se para reclamar os seus direitos, sejam eles políticos, sociais, culturais, desportivos... rompendo a blindagem ideológica, o pensamento único.”
Elkarrizketa euskaraz Josu Esparzari

Entrevista em castelhano a Josu Esparza

O livro e o DVD estarão à venda nos próximos dias, por 12 euros, em livrarias, bares, centros sociais e outros estabelecimentos.

Fonte: apurtu.org

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Demokrazia Hiru Milioi


(Tasio-Gara)

A D3M denuncia «a caça às bruxas» e pede que se dê uma lição de democracia

A plataforma eleitoral Demokrazia 3.000.000 (D3M) denunciou ontem “a autêntica caça às bruxas» a que está a ser submetida a esquerda abertzale nesta campanha, destacando, de maneira especial, os últimos episódios protagonizados pela Guarda Civil e a Ertzaintza, corpos policiais que, “armados até aos dentes, procederam a inspecções, detenções e cargas para roubar os boletins e material de propaganda da D3M”.

Mostrou a total convicção de que no próximo domingo este país “vai dar uma verdadeira lição de democracia e de desobediência civil”. A plataforma independentista espera que as urnas se encham com dezenas de milhares de boletins da D3M, “de boletins que não são desejados por Rubalcaba, por Urkullu ou pela Guarda Civil”.
A plataforma refere que a “caça às bruxas” empreendida pelo PSOE constitui “um acto de terrorismo de Estado» e insiste que o fim deste procedimento é “atemorizar e impedir toda possibilidade de acção política” a um amplo sector da sociedade. Nesta linha, afirmam que as eleições foram “amanhadas” de modo a que o Parlamento de Gasteiz “continue ao serviço da ‘não mudança e da não solução’”.

Laudio

Perseguições e detenções
A perseguição policial voltou a ser patente ontem. Em Zaratamo, no bairro de Arkotxa, a Ertzaintza deteve uma pessoa por distribuir propaganda, sendo depois conduzida à esquadra de Galdakao. Outra pessoa foi detida pelo mesmo motivo em Berango.

Na Ezkerraldea, onde a perseguição foi especialmente intensa, para além das detenções e cargas que já noticiámos em Sestao e Santurtzi, houve mais uma pessoa detida em Portugalete, por colar cartazes. Foram já postos em liberdade.

Ontem, moradores de Amara Berri, em Donostia, disseram que a Ertzaintza passou a tarde inteira em frente à herriko taberna; já em Laudio a Ertzaintza montou um verdadeiro dispositivo para arrancar um cartaz de um bar. Nesta localidade, soube-se também que a vice-presidente da autarquia, Leire Orueta, andou a arrancar cartazes da D3M. Em Zornotza e Getaria houve identificações.

Em Azpeitia, onde se realizou um acto político na parte da tarde, com a participação de cerca de 200 pessoas, a Ertzaintza utilizou câmaras de vídeo, apontando-as para os assistentes.

Fonte: Gara

Alexandria, Babelplatz, Barañain

“Quanto evoluiu o mundo, na Idade Média ter-me-iam queimado a mim!”, exclamou Sigmund Freud quando chegou aos seus ouvidos que as autoridades nazis tinham decretado a incineração dos seus livros. As enormes piras de obras escritas por judeus – entre elas, as do insigne neurologista checo – ardendo na Babelplatz berlinense converteram-se, talvez por recentes, num dos maiores ícones da censura. Naquele 10 de Maio de 1933, mais de 20 000 volumes foram pasto para as chamas avivadas por membros das Juventudes Hitlerianas e sequazes dos camisas pardas (SA) como resposta aos discursos inflamados de Joseph Goebbels, o sinistro ministro da Propaganda, o amigo íntimo do Führer, o autor dos onze princípios que muitos peritos situam na origem da propaganda moderna, e cuja essência se concentra no sexto: “A propaganda deve limitar-se a um pequeno número de ideias e repeti-las incansavelmente, sem fissuras nem dúvidas”, ou na sua forma lapidar: “Se uma mentira se repete suficientemente, acaba por se converter em verdade”. Diz-lhes qualquer coisa, não é?

Goebbels não inventou nada, sistematizou-o simplesmente. Nem sequer a combustão literária foi uma aberração sua. O imperador chinês Qin Shi Huang ordenou a queima de livros e o assassinato de académicos duzentos anos antes de que Cristo nascesse; agonizando o século III, Diocleciano destruiu todos os exemplares sobre alquimia que se encontravam nas prateleiras da mítica Biblioteca de Alexandria; e já no século XVI os muçulmanos que viviam na Península foram obrigados a atirar os livros escritos em árabe para as fogueiras purificadoras.

E, tal como os assassinos em série dos filmes ianques, os “pais” da censura ganham imitadores, aplicados aspirantes a emular – por que não superar? – os maiores do género. São mentes complexas chamadas a cumprir elevadas missões, guardiães redentores da tormentosa reserva espiritual do Ocidente, cavaleiros templários dos onze princípios... ou vereadores iluminados pela luz da fogueira que limpam, como Diocleciano em Alexandria, as suas bibliotecas de códices hereges.

Anjel ORDÓÑEZ
jornalista

Fonte: Gara

Ainda a propósito de Lazkao…

…da fatxa hipocrisia em torno da “violência” que a gente decente e legalizada destilou após o “escavacanço” à marretada da Ansoategi Herrikoa e dos títulos e legendas que alguns pasquins de Madrid fizeram sair depois da manifestação das pessoas ofendidas por esse acto de vandalismo – a título de exemplo, «Os batasunos armam-se em vítimas» –, veja-se «O Planeta dos Macacos» em Berriak Egunkaria para kaosenlared, porque às vezes se perde mesmo a paciência!

"«Os batasunos armam-se em vítimas». Caramba, e como lhes sai bem! Com a herriko destruída, ilegalizados, sem poder votar nos seus representantes, encarcerados, reprimidos pela Polícia... que bem simulam ser vítimas!"

Em resposta à AN, em Leioa afirmam que importa manter viva a denúncia da repressão


Habitantes de Leioa (Bizkaia) estiveram presentes na Praça Tigre, na quarta-feira, com representantes do Movimento pró-Amnistia para fazer uma avaliação da proibição do acto em que pretendiam evocar, no domingo passado, a memória do seu conterrâneo Eugenio Gutiérrez, ‘Tigre’, por ocasião do 25.º aniversário da sua morte, às mãos dos GAL.

O aniversário cumpria-se precisamente nesta quarta-feira. Há 25 anos, Eugenio Gutiérrez encontrava-se com outros refugiados numa quinta de Idauze-Mendi, em Zuberoa, e, quando saía para o intervalo das aulas de euskara, um franco-atirador dos GAL atingiu-o com um tiro na cabeça.
O acto foi proibido pela Audiência Nacional espanhola e impedido pela Ertzaintza, embora se tenha realizado, em substituição, uma manifestação para denunciar a guerra suja contra Euskal Herria.

Os presentes, que compareceram junto a um retrato do militante basco falecido, afirmaram que estas proibições, bem como as mudanças dos nomes das ruas e praças dedicadas a militantes mortos pela repressão, não pretendem outra coisa senão “apagar a memória da repressão”. Face a esta pretensão, contudo, opuseram a necessidade de construir a memória e de “reconhecer politicamente todos os perseguidos”.

Por isso, fizeram um apelo à sociedade basca para que “continue a lutar contra a repressão, de modo a acabar com as imposições, as proibições e a impunidade” e para que, “de uma vez por todas”, este país alcance um cenário de democracia. Neste sentido, e tendo em conta o contexto eleitoral que se vive na Comunidade Autónoma Basca, referiram que “no próximo domingo existe uma oportunidade de ouro” para levar a cabo essa luta, “enchendo as urnas com votos de ouro”.

25 anos depois
Este caso de “terrorismo de estado”, como as outras 23, ocorreu com o PSOE a desempenhar funções no Governo espanhol, um partido que também hoje ocupa La Moncloa e em cujo seio pessoas relacionadas com aqueles acontecimentos “mantêm importantes responsabilidades”. Também mencionaram o PNV e a “atitude hipócrita” que manteve naquela época.
25 anos depois, afirmaram, “é o Governo do PSOE que proíbe as homenagens aos mortos pelos GAL” e fá-lo também, criticaram, “com a cumplicidade do PNV, apesar de no programa eleitoral deste partido se expressar a disposição para a solidariedade com as vítimas do terrorismo”.
Também referiram que, se é certo que “a época dos GAL já passou”, o PSOE continua a manter “uma estratégia de guerra contra Euskal Herria”, como o evidenciam a tortura, a política penitenciária e as detenções massivas.

Fonte: Gara

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Navarra, questão de estudo


A situação de excepcionalidade (questão de estado) que se impôs a Nafarroa serve para tudo. Navarra deve defender-se do acosso permanente do nacionalismo basco e não pode haver fissuras entre os defensores da verdadeira Navarra (isto é, a Navarra foral e espanhola). Devem deixar de parte as suas diferenças e desavenças para oferecer uma imagem compacta, uniforme.

A ideia, há que o reconhecer, é boa. É a fraude perfeita, um negócio redondo para os que a andam a reinventar há quase 500 anos, desde que a puseram em circulação os condes de Lerín, que acabaram com a independência do seu país juntamente com os monarcas castelhanos, mas fizeram-no, claro, por Navarra.

Isto é o que querem todas as burguesias do mundo: um enquadramento ideológico capaz de apanhar os agentes políticos e sociais, e de os ter à sua mercê. Em Nafarroa recorreu-se a ele de maneira tão eficaz que UPN, CDN, PSOE (e agora PP), os patrões, os sindicatos espanholistas e a maior parte dos meios de comunicação conformam um complexo que se rege pelas mesmas linhas de comportamento. Como o ponto de encontro é sempre o que impõe a Direita mais obstinada, aconteça o que acontecer nas eleições, com estas regras de jogo hão-de ganhar sempre os mesmos.

A cantilena serve para fazer uma limpeza ideológica nos quadros laborais da Koxka, impedir que a cidadania possa aceder a determinados jornais nas bibliotecas públicas, obrigar meios de comunicação em euskara a fechar, impedir que se mostre o lixo escondido debaixo do tapete em Cintruénigo e noutros lugares, marginalizar o ELA e o LAB, perseguir e encarcerar pessoas e grupos pelas suas ideias…

Valeria a pena prestar a máxima atenção ao estudo do comportamento dos defensores da Navarra foral e espanhola. Mas o verdadeiro desafio está no outro lado. No nosso lado, no das pessoas que desejam uma mudança.

Floren AOIZ

Um parlamento antidemocrático para o bloqueio político

O Parlamento que surja da recontagem arranjada no domingo será mais uma imagem de que não se avançou o suficiente no processo de negociação ou, se se preferir, de que alguém se recusou a atravessar o Rubicão. E, por isso, o Parlamento que se vai constituir agora será, precisamente, o da não solução e o do bloqueio político. A sua composição, consequência directa da estratégia repressiva do Estado, não reflectirá nem de perto nem de longe a vontade popular e, por conseguinte, não poderá ser qualificado de democrático, nem mesmo sob os padrões mínimos dos sistemas políticos ao nosso redor.

Iñaki ALTUNA

Fonte: Gara

O Atlas da UNESCO evidencia a grave situação do euskara

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) publicou esta semana uma nova edição do Atlas mundial das línguas em perigo de extinção. No total, são 2500 as línguas que estão em perigo de desaparecer, entre as quais o euskara. O estudo foi publicado, precisamente, na véspera do sexto aniversário do encerramento do Euskaldunon Egunkaria, outro dos expoentes da violação dos direitos dos euskaldunes.

Os dados publicados evidenciam uma vez mais a grave situação que vivem várias línguas do planeta. Dos 6000 idiomas existentes no mundo, 2500 correm perigo de desaparecer. Destes, mais de 200 extinguiram-se no decorrer das três últimas gerações, 538 encontram-se em situação crítica, 502 seriamente em perigo, 632 em perigo e 607 em situação vulnerável. O euskara situa-se neste último grupo, mas a UNESCO admite que a situação em Ipar Euskal Herria e Nafarroa seja ainda pior.

O Kontseilua alertou reiteradamente para a grave situação que o euskara vive: “Tendo em conta os dados difundidos pela IV Pesquisa Sociolinguística, ao ritmo actual, o euskara está condenado ao desaparecimento em Ipar Euskal Herria; em Nafarroa serão necessários 834 anos para euskaldunizar a sociedade e na CAV 175”.

Na opinião do Kontseilua, “o facto de que a situação do euskara seja mais grave em Ipar Euskal Herria e em Nafarroa não deveria ser motivo de consolo para ninguém, posto que as ferramentas políticas, jurídicas, económicas e sociais aplicadas até agora na CAV demonstraram a sua ineficácia. Devemos tomar como exemplo a política levada a cabo na Catalunya, apesar de se tratarem de idiomas e sociedades diferentes”.

“O Kontseilua realçou durante anos que o futuro do euskara não está assegurado, que os ritmos de normalização são inaceitáveis e que, para superar essa situação de desaceleração, é imprescindível aplicar políticas linguísticas mais eficazes. O Atlas da UNESCO não vem senão confirmar essa leitura, tal como em anos anteriores”, acrescenta o Conselho dos Organismos Sociais do Euskara.

Perante este quadro, o Kontseilua crê que as administrações devem tomar medidas com carácter de urgência que permitam superar a situação actual, aplicando as dez recomendações para reforçar e desenvolver uma política linguística adequada e eficaz.

Para além disso, instou a cidadania a rejeitar o discurso que garante que a situação do euskara é “boa” e a adoptar compromissos firmes que permitam ir mais além. Quanto aos agentes sociais e às administrações, o Kontseilua exigiu que actuem com responsabilidade, adoptando imediatamente as medidas pertinentes para assegurar o futuro do euskara.

Fonte: nabarralde.com

Euskaraz, bai noski! Gure bihotzeko hizkuntza.

Repressão contra a esquerda ‘abertzale’ e agressões a dois presos políticos bascos



A Ertzaintza detém seis pessoas em Sestao e Santurtzi

As forças policiais continuam a colocar entraves à campanha da esquerda abertzale. Se na terça-feira tinha sido a Guarda Civil em Gasteiz, ontem foi a Ertzaintza na Ezkerraldea [margem esquerda da ria Nerbioi]. Primeiro, prendeu em Sestao um morador do bairro bilbaíno de Santutxu, sob a acusação de levar propaganda da D3M na sua furgoneta. Depois, os agentes entraram na herriko taberna de Sestao para a inspeccionar, carregando entretanto sobre as pessoas que se juntaram para protestar e detendo duas delas. Em Santurtzi foram três as pessoas detidas e espancadas por colar cartazes.

Fonte: kaosenlared


Denunciam agressões da Guarda Civil a dois presos políticos bascos

O Movimento pró-Amnistia denunciou ontem num comunicado o comportamento de agentes da Guarda Civil e dos funcionários de estabelecimentos prisionais, que agridem os presos políticos bascos com total impunidade.
De acordo com o que relataram, os presos políticos bascos Harkaitz Agote e Andoni Otegi teriam sido espancados e insultados durante as transferências de prisão. Em ambos os casos teriam sido agentes da Guarda Civil os protagonistas dos ataques, que ocorreram na presença de funcionários.

Agote foi agredido na transferência da prisão de Huelva para Valdemoro, que ocorreu no fim-de-semana passado, com passagem pelas prisões de Sevilha e Badajoz. O preso donostiarra foi atingido na cabeça e nos tornozelos durante toda a viagem, foi insultado constantemente, e chegaram mesmo a recusar-lhe a comida.
No caso de Otegi, também lhe bateram na cabeça e nos tornozelos durante vinte minutos, dentro da carrinha que o devia transportar de Valdemoro até Cáceres, na quinta-feira passada.

O Movimento pró-Amnistia referiu que nos últimos tempos se multiplicaram este tipo de agressões, tendo criticado o facto de os presos políticos bascos serem alvo de uma política de “vingança”.

Fonte: Gara

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Soziedad Alkoholika em Corroios

Na próxima sexta-feira, os Soziedad Alkoholika vão dar um concerto no Cine-Teatro de Corroios, em Almada. Esta é uma das bandas bascas mais conhecidas. Por várias vezes, foram proibidos de tocar por apoiarem a esquerda independentista. Também vão estar presentes os históricos Peste & Sida. Para além do seu papel no desenvolvimento do punk em Portugal, mostraram-se várias vezes solidários com a luta do povo basco. Os Trinta e Um são uma das bandas protagonistas do hardcore português.


Soziedad Alkoholika - Pauso bat

Olha a democracia! GARA e ‘Berria’ censurados em Barañain

(Tasio-Gara) Gara e Berria censurados na Biblioteca Municipal de Barañain

O vereador da Cultura do Município de Barañain, Pablo Gómez (UPN), proibiu a compra do GARA e do Berria na biblioteca pública desta localidade, e a sua atitude contou com o apoio do director do Serviço de Bibliotecas do Governo de Nafarroa, Fermín Guillorme. Mais de 160 bibliotecários de toda a Nafarroa a rejeitaram como “antidemocrática”.

Desde o dia 30 de Janeiro, os utentes da Biblioteca Pública de Barañain deixaram de ali poder aceder ao GARA e ao Berria, uma vez que ambos os diários foram vetados pelo vereador da Cultura, Pablo Gómez (UPN). “Sem nos dar qualquer explicação, disse que não lhe parecia bem que se comprasse o GARA e o Berria com dinheiro público. Durante alguns dias, tentámos que mudasse de atitude, já que há cinco ou seis anos que subscrevemos nove jornais. De acordo com o Estudio General de Medios, o ABC e a Marca não estão entre os que mais se lêem, mas estes não foram vetados”, afirmava um bibliotecário de Barañain.

Esta decisão casou um “mal-estar” generalizado entre os bibliotecários de toda a Nafarroa, por entenderem que se trata de uma “ingerência” e que o vereador da UPN a tomou “de forma unilateral e arbitrária e contra o critério dos bibliotecários”. Assim se diz num texto que subscreveram mais de 160 bibliotecários navarros, não só das bibliotecas públicas mas também de universidades, centros hospitalares, colégios oficiais, etc.

Este texto foi ontem entregue no registo do Departamento de Cultura e Turismo do Governo de Nafarroa, uma vez que o director do Serviço de Bibliotecas, Fermín Guillorme, apoiou a decisão do vereador da Cultura de Barañain.

“Parece-nos uma prática profundamente antidemocrática. Podemos entender que um vereador tente excluir da biblioteca pública documentos que não vão ao encontro das suas ideias; o que não entendemos – acrescentam – é que o director do Serviço, que deveria velar pelo cumprimento dos convénios assinados, o permita”.

Fermín Guillorme exigiu aos bibliotecários de Barañain que obedeçam ao vereador da UPN porque entende que as entidades locais são as responsáveis pelas compras. Contudo, os trabalhadores dizem que “tergiversou” o conteúdo do convénio de colaboração entre o Município de Barañain e o Governo, segundo o qual são os próprios bibliotecários que decidem sobre a compra de livros, jornais ou audiovisuais, e não os vereadores.

“Depois disto, qualquer vereador pode fazer o que bem lhe apetecer relativamente aos fundos da biblioteca pública, proibindo ou decretando as compras, a seu bel-prazer. Não podemos permitir isto de modo algum”, afirmam no texto.

Na opinião de Natxo Etchegaray, um dos subscritores, “trata-se de uma censura a toda a linha, e ter-nos-íamos mobilizado da mesma forma se os jornais retirados fossem outros”.

Lembrou ainda que há uns anos outro vereador da UPN em Iruñea [Pamplona] quis retirar da biblioteca de Arrosadia um filme sobre duas adolescentes lésbicas, e da de Yamaguchi o livro La tortura en Euskal Herria, mas nessa altura não contou com o apoio do Serviço de Bibliotecas.

Iñaki VIGOR

Fonte: Gara

Sindicalistas apelam ao «voto ilegalizado»

Cerca de 70 sindicalistas do LAB, do EHNE e do ESK manifestaram, a título pessoal, a sua intenção de se dirigir às urnas no dia 1 de Março e defender o “voto ilegalizado”, porque, “sem a esquerda abertzale, não haverá mudança política e social real em Euskal Herria”.

Além disso, criticaram o facto de, após as próximas eleições, “se formar um Parlamento antidemocrático, para a utilização, por parte do Estado espanhol, de armas jurídicas de destruição maciça de direitos civis e políticos”.
O ex-secretário geral do LAB, Rafa Diez Usabiaga, fez de porta-voz numa conferência de imprensa que decorreu na localidade guipuscoana de Usurbil, para tornar pública, a título próprio, a sua aposta num “voto ilegalizado”, com o objectivo de “juntar forças para uma autêntica mudança política e social que, mediante a negociação e o acordo, permita a este país decidir o seu futuro de maneira livre e democrática, conquistando um cenário de paz e de estabilidade política”.

Ver: Gara

Urrezko botoa! O voto de ouro!

Os perseguidos políticos irão votar pela democracia

Criticaram a atitude dos partidos políticos legais por estarem a fazer campanha como se não se passasse nada.

Ver: Texto lido por Unai Romano e Idoia Muruaga (cast.)

«O nosso será um voto contra a tortura. Será um voto para que os presos e os exilados políticos regressem a casa. Um voto para fazer frente às ilegalizações. Será um voto para acabar com a repressão e fazer reconhecer os direitos do nosso povo. Será o voto da resolução do conflito. O nosso voto será o da Democracia.»

Ventos e tempestades

Têm-se sucedido nos últimos dias os ataques contra batzokis [sedes do PNV] com artefactos caseiros, nomeadamente em Barakaldo e Donostia (na madrugada de sexta-feira), e em Gasteiz (na madrugada de ontem).

Já em Tolosa um grupo de desconhecidos atacou duas sucursais bancárias com cocktails molotov, na madrugada de domingo.

Para mais informação, ver: Gara / Gara / Gara


Em Lazkao, a sede do PSE, reinaugurada há apenas três semanas, sofreu danos consideráveis na sequência da explosão de uma mochila armadilhada, na madrugada de domingo. Duas horas antes da explosão, a DYA recebeu uma chamada telefónica em nome da ETA a alertar para a colocação da bomba. Não se verificaram danos pessoais.

Ver: Gara

Ontem, após uma manifestação contra o atentado organizada pelo município local, um morador de Lazkao e filho de um ex-vereador socialista da terra, Emilio Gutiérrez, parou o carro à frente da herriko taberna, sacou de um maço que trazia no porta-bagagens e desatou a destruir as instalações da taberna, à frente de quem estava, incluindo representantes partidários, polícias, jornalistas, sem que ninguém tenha feito qualquer coisa para o parar.
Escavacou até se cansar, acabando por ser preso depois de sair da taberna pelo seu próprio pé. Três horas depois estava em liberdade.
Porta-vozes do PSOE e do PNV vieram depois afirmar que “compreendiam” o ataque à Ansoategi Herrikoa e o candidato do PP a lehendakari, Basagoiti, acabaria mesmo por colocar à disposição do agressor os meios para a sua defesa jurídica, de forma a conseguir a sua absolvição.
Hoje, haverá uma concentração em defesa da herriko, mas bem vigiada e com as palavras de ordem sob controlo. [sem comentários]

Fontes: Gara / Gara

Em Arrosadia, manifestação contra «brutal repressão» em Iruñerria


No sábado que vem, terá lugar uma manifestação em Arrosadia, com início previsto para as 19h, na Praça Manuel Falla, para denunciar a “brutal repressão” que Iruñerria [comarca de Pamplona] e a sua juventude têm sofrido nos últimos tempos.
A marcha, organizada por associações e colectivos do bairro iruindarra, pretende recordar de maneira especial os jovens Iñaki Marin, Mikel Beunza, Oihan Ataun e Irati Mujika, detidos em operações policiais levadas a cabo contra os jovens da comarca de Iruñea, e a situação que Marin está a atravessar na prisão de Valdemoro.

Fonte: Gara

Protestos contra os «interrogatórios políticos» em Ipar Euskal Herria


Cerca de 500 pessoas secundaram no último sábado a manifestação convocada pela Askatasuna em Ziburu (Lapurdi) para denunciar e exigir o fim dos “interrogatórios políticos” e processamentos judiciais levados a cabo nos últimos meses em Ipar Euskal Herria [País Basco Norte], no âmbito da investigação sobre vários centros associativos e tabernas.
Segundo realçaram, com esta estratégia procuram “criminalizar” a esquerda abertzale e “disseminar o medo” entre a cidadania basca.
Notícia completa: Gara

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Calaram o ‘Egunkaria’ há seis anos

Foi há seis anos que a "democracia" espanhola encerrou o primeiro e, à altura, único jornal diário basco inteiramente publicado em euskara.


(Tasio-Gara) Zergatik ez zara isiltzen?

Entretanto, nasceu o Berria. Mas ainda há muito para apurar sobre aqueles desmandos e o sofrimento causado a tanta gente.

Forte acosso aos proscritos, mas em Leioa gritou-se «Independentzia!»

(Tasio-Gara) Os dois grandes pensadores que, com as suas teorias, moveram os alicerces da civilização

Ontem, a Ertzaintza “limpou” a Alde Zaharra [Parte Velha] de Bilbau para que Ibarretxe pudesse falar à vontade no seu comício e não tivesse que ouvir as vozes incómodas dos proscritos pela “democracia” espanhola. A Polícia autonómica e seguranças privados da campanha do PNV pegaram-se com jovens da esquerda abertzale que denunciavam o apartheid político e as ilegalizações.

Já hoje, em Durango, a Ertzaintza carregou sobre um grupo de jovens que protestavam na presença da comitiva do PP, que fazia um giro pela Alde Zaharra da localidade biscainha. A Polícia autonómica, que mais espanhola parece não haver, auxiliada por seguranças da campanha do PP, impediram que houvesse uma aproximação à comitiva política, tendo posteriormente carregado sobre os jovens e detido dois deles – Urko e Ibai. Várias pessoas foram ainda identificadas.


Apesar de todo o acosso, das pessoas que estão na cadeia por fazerem política, dos que são espancados por levantarem a voz contra a discriminação, da caça ao “boletim de ouro”, das estradas repletas de controlos, sobretudo as da Bizkaia e de Gipuzkoa, da proibição da homenagem a pessoas assassinadas pelos GAL, em Leioa a malta conseguiu gritar “Independentzia!”.

Fontes: Gara e agências várias

Euskal Herria não está à venda!

Vítimas do fascismo, de ontem e de hoje




Vídeos do debate promovido pela Sare Antifaxista sobre vítimas do fascismo de ontem e de hoje, que decorreu no último domingo na Kukutza Gaztetxea, em Bilbau, com intervenções de familiares e pessoas próximas de Juan Paredes ‘Txiki’, Mikel Goikoetxea ‘Txapela’, Aitor Zabaleta e Guillem Agulló.

Fonte: SareAntifaxista

A AHT Gelditu! denuncia a imposição do TGV


Em conferência de imprensa, a AHT Gelditu! Elkarlana (Coordenadora de oposição ao TGV) deu a conhecer o começo de uma dinâmica de consultas populares à volta do projecto do TGV no seu trajecto por Nafarroa. Pretendem desta forma conhecer a opinião dos cidadãos afectados pela sua construção e fomentar um processo de participação da cidadania, ausente na vida política de Nafarroa.

Recordaram novamente ante os meios de comunicação que a construção do TGV significa a maior infra-estrutura alguma vez construída em Euskal Herria, o projecto mais agressivo para o meio ambiente e o maior gasto de dinheiro público (9000 milhões de euros) que jamais realizado em Euskal Herria; dinheiro que, tal como sublinha a AHT Gelditu!, iria parar directamente a mãos privadas. Este dado é ainda mais escandaloso se se enquadra num contexto de crise, em que há despedimentos e cortes salariais. Nas palavras da coordenadora, “o lógico seria que o dinheiro dessa obra revertesse para a educação, a saúde, o ensino, os serviços sociais, a habitação, etc.”.

Qualificando o projecto como elitista, cujo propósito é satisfazer as necessidades de uma minoria face às da maioria “à custa dos cidadãos e das cidadãs e sem levar em consideração a opinião dos municípios afectados pelo TGV”, esta coordenadora incentiva à participação activa nas consultas que se realizarão em Sakana durante os próximos meses (Arbizu, 17 de Maio, e Lixarrabengoa, 10 de Maio).

Convocada uma concentração para esta sexta-feira, em Iruñea
A AHT Gelditu! Elkarlana exige à UPN e ao PSN que “abandonem a actual atitude de ocultação e de imposição”. Lembram que cada navarro terá que pagar, de uma forma ou de outra, 4700 euros para fazer frente à construção do TGV e pedem que “seja a sociedade navarra em última instância a decidir sobre a conveniência ou não da construção deste projecto”. Por tudo isto, a AHT Gelditu! Elkarlana convocou uma concentração para o dia 20 de Fevereiro, às 19h, na Carlos III.

Notícia completa: nafarroan.com

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

«O seu peso em ouro»

Os milhares de votos que a D3M obterá no próximo dia 1 de Março não se transformarão em poleiros, nem sequer conseguirão um só assento no Parlamento de Gasteiz. Talvez assim as restantes formações deparem com um ambiente mais agradável durante os próximos quatro anos, fazendo o que lhes apetecer sem qualquer testemunha incómoda.

Mas a estratégia da ilegalização não acaba aí. Para lá de interesses partidários, que existem, o que se procura é desalojar o independentismo das instituições e da rua, do seu espaço vital. No entanto, acreditar que a esquerda abertzale vai desaparecer de uma assentada é como pensar que o PNV vai trazer as soluções a este país. Algo tão impossível quanto impensável.

Milhares de rosas vermelhas ou esferográficas que dizem Ibarretxe são dadas em troca da promessa de um voto. Ninguém pode fugir da sua propaganda, bem palpável na rua e imparável nos órgãos de comunicação. A crise não parece entrar na sua campanha eleitoral.

Entretanto, milhares de cidadãos têm de fazer frente a um pesado fardo de anos de ilegalização, além da suspensão de actividades. Mas os antigos antídotos do compromisso e trabalho em comum mantêm a sua total vigência nas bases da esquerda abertzale, fazendo com que a alegria aflore no meio da tempestade.

Por trás de cada boletim da D3M existe todo um percurso partilhado por milhares de cidadãos. São centenas as pessoas que dedicam as suas horas a pôr cada boletim dentro dum envelope com carinho. Depois vem a mudança de turno, quando cada voto é repartido por mulheres e homens que tentam iludir a “caça aos boletins” empreendida pelas forças policiais. Perante a falta de meios económicos, os cofres enchem-se de solidariedade e, perante as proibições e as ilegalizações, brota a dignidade.

Meios e representantes políticos empenharam-se em afirmar que a esquerda abertzale recusaria a confrontação, mas esta luta eleitoral não se mede apenas quantitativamente, é também qualitativa, já que o valor humano com que conta cada voto da D3M vale o seu peso em ouro.

Oihana LLORENTE
jornalista

Fonte: Gara

D3M apresenta o seu voto como «um acto massivo de desobediência civil»

«A D3M reagiu à suspensão de actividades ditada por Garzón, até ao momento não executada, com uma nota em que apresenta o voto de 1 de Março como “um acto massivo de desobediência civil”. Garante que servirá ainda para “erguer um muro popular perante a nova fraude política que o PSOE e o PNV pretendem impor”. Em localidades como Gasteiz ou Agurain, denunciou-se a situação criada.»

Notícia: Gara

Ver também: O medo do «voto de ouro» leva a novos passos repressivos, de Iñaki Altuna

Urrezko botoa da! É um voto de ouro!

Otegi: «A esquerda ‘abertzale’ voltará a tirar as medidas ao Estado»


«As eleições passaram para segundo plano perante a questão de fundo no debate, inédito nesta campanha e organizado pelo diário Berria. De onde viemos? Joseba Egibar (PNV) referiu que “o Estado nos ganha terreno”, e Arnaldo Otegi lembrou-lhe que o PNV tem alguma coisa a ver com isso. Para onde vamos? O temor mudou então de lado. Otegi alerta para uma tentativa de enterrar Lizarra. Egibar nega-o: “Não faz sentido que o PSOE negoceie um ‘estatuto light’».

Ia ser um debate eleitoral, interessante já de si devido à possibilidade pouco comum de ver uma referência da proscrita esquerda abertzale sentada à mesa. Mas teve um valor ainda maior. Falou-se da ilegalização, mas sobretudo da actual situação e das opções de futuro. Porque, embora não estejam no próximo Parlamento de Gasteiz, Arnaldo Otegi deixou bastante claro que “vamos no carro e com os máximos acesos”».
Ver crónica do debate, de Ramón Sola: Gara

A Audiência Nacional julga amanhã cinco membros da Gazte Asanblada de Barakaldo

Cinco jovens de Barakaldo, membros da Gazte Asanblada [Assembleia Juvenil] desta localidade da Ezkerraldea [Margem Esquerda do Nerbioi], vão a ser julgados amanhã na Audiência Nacional, depois de esta semana terem ficado a saber as acusações formuladas contra si. Quatro são acusados de ter atacado uma caixa de multibanco, para além de se lhes atribuído também um “delito de colaboração”. O quinto jovem, por seu lado, é acusado de “integração em organização terrorista”, por ser militante da Segi.

Dá-se o caso de, tal como lembraram ontem na Gazte Asanblada, estes jovens terem andado um ano inteiro a ser vítimas de “acosso” policial e de, durante esse período, terem denunciado várias vezes essa situação, indicando os veículos policiais utilizados para tal.

Libertação e entregas
Por outro lado, de acordo com informações avançadas ontem pelo Movimento pró-Amnistia, Maitane Intxaurraga, detida em Agosto de 2008 no âmbito da [muito mediática] operação efectuada pela Polícia espanhola em Nafarroa, será hoje posta em liberdade, depois de pagar uma caução de 8 000 euros [as finanças do Estado espanhol engordam bem à custa dos Bascos]. A jovem encontrava-se na prisão de Soto del Real.

As autoridades francesas entregaram à Polícia espanhola os presos políticos bascos Ismael Berasategi e Aitor Kortazar.

Fonte: Gara

Jovens independentistas: «o nosso compromisso continua vigente»

Alguns jovens processados no sumário Jarrai-Haika-Segi que saíram em liberdade nas últimas semanas – Ugaitz Elizaran, Gartzen Garaio e Garikoitz Etxeberria ‘Kafe’ – ofereceram uma conferência de imprensa em Bilbau juntamente com Jon Telleria, representante dos jovens independentistas.

Jon Telleria quis dar as boas-vindas aos jovens que agora estão em liberdade e enviar um abraço solidário aos jovens independentistas que continuam presos e a todos os presos políticos bascos.

«O retrato de hoje mostra de certa forma que o fim último da repressão, o de interromper a sucessão geracional no momento de aderir à luta, fracassou», disse, para acrescentar que «a prova desse fracasso está em que milhares de jovens independentistas permanecem comprometidos hoje em dia com a luta em prol da independência e do socialismo».

Por seu lado, Ugaitz Elizaran afirmou “ter consciência de que muitos milhares de companheiros em Euskal Herria passaram pelo mesmo que nós, de que são muitos os que conhecem as garras do Estado espanhol, as prisões do inimigo e o que representa toda a sua crueza”. Mas acrescenta que também saíram, como todos aqueles “que conhecemos, com o orgulho de ter pertencido ao colectivo de presos políticos bascos e com tudo o que isso implica de orgulho e de aprendizagem”.

«Essa repressão busca atingir determinados fins e o objectivo das nossas detenções era que acabássemos com o nosso compromisso, que nos arrependêssemos. Hoje viemos aqui para dizer que o nosso compromisso continua vigente e é igual ao do primeiro dia», tendo ainda sublinhado que “viemos corroborar o nosso compromisso na luta pela independência e o socialismo, na luta por uma Euskal Herria livre, e na luta por uma sociedade verdadeiramente livre».

«Por trabalhar pelos direitos da juventude com um objectivo independentista, qualquer um pode ser logo acusado de pertença a grupo armado, como nos fizeram a nós. Pertença a grupo armado sem armas”, denunciou.

Jon Telleria voltou a tomar a palavra para lembrar a situação de todos os jovens que são “obrigados” a ir até à Audiência Nacional, como “os 22 de Oarsoaldea ou os doze de Iruñea, ou ainda Ijurko”.

Para finalizar, fizeram um apelo à juventude para que se junte ao voto rebelde da D3M, para que adira a essa campanha e para que lute e trabalhe no dia-a-dia face a “este circo eleitoral mediático que nos pretendem vender como se fosse um exercício normalizado de democracia; vamos mostrar que Euskal Herria não está à venda”.

Fonte: Gara

Não à fraude!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

M.A.K. – «Denok ala inor ez»


Hip-hop dos M.A.K., de Ipar Euskal Herria [País Basco Norte], «Denok ala inor ez» [Ou todos ou ninguém].

A guerra suja, ontem e hoje

Ontem e hoje, a guerra suja é a impotência do Estado!

Há 25 anos, o PSOE criou os GAL – que, para além das múltiplas acções de sequestro e tortura que também os notabilizaram, haveriam de matar 23 pessoas e ferir muitas mais, em nome da luta contra o independentismo basco, nos anos 80. Mas a guerra suja contra os Bascos não terminou aí, prosseguindo, sob múltiplas formas, até hoje (detenções massivas; aplicação da tortura; incremento das penas de prisão até chegar à pena perpétua de facto; dispersão penitenciária; criminalização e ilegalização de partidos, jornais, associações juvenis, organizações de denúncia da repressão, de grupos musicais, inclusive; brutal repressão policial; arbitrariedade judicial; manipulação mediática ostensiva, pela omissão, pela mentira, pelo silenciamento) – como bem se sabe, como bem se vê, como bem se abafa!
As vítimas serão lembradas. Herriak ez du ahaztuko. / O povo não esquecerá.

Contaminando a vida social de Euskal Herria


Esse era, segundo a Procuradoria da Audiência Nacional, o efeito que teria a presença da esquerda abertzale nas eleições de 1 de Março: “contaminar a vida social” basca. Atendendo a esse argumento, que mostra a visão antropológica e sociológica que as autoridades e os tribunais espanhóis mantêm em relação à realidade basca, mas que não contribui com uma mínima base jurídica para um processo de ilegalização de partidos e projectos políticos como o que está em marcha no Estado espanhol, o juiz Baltasar Garzón decidiu ontem à noite suspender oficialmente as actividades da plataforma eleitoral Demokrazia 3 Milioi (D3M) e o partido político Askatasuna. Para além disso, ordenou ao Departamento do Interior de Lakua e à Direcção-Geral da Polícia de Iruñea que supervisionem o cumprimento do veto estabelecido. Também aqui deixam claro que sua visão sobre a realidade basca supera com frequência os limites que eles mesmos estabelecem.

Numa primeira leitura sumária do auto, é de realçar também o recurso a uma lógica que se adapta sempre ao objectivo confesso ou à conclusão procurada de antemão, as referências à jurisprudência que neste terreno estabeleceram os tribunais europeus. Por um lado, não parece que a comparação com a Turquia – uma reconhecida potência mundial na salvaguarda dos direitos políticos, civis e, em geral, humanos – seja a melhor estratégia para evitar as críticas dos organismos internacionais. Por outro, recorre-se a essa jurisprudência ao contrário, utilizando a excepção para a converter em regra. Não restam dúvidas de que os últimos relatórios internacionais não surtiram o efeito pretendido pelos seus autores, mas obrigaram os tribunais espanhóis a equilíbrios retóricos que darão que falar nessas outras instâncias.

Com autos como este, a magistratura espanhola não só contamina gravemente a vida social como pretende desfigurar a realidade e os parâmetros reais do conflito basco. É de prever que antes, durante e depois das eleições essa realidade e esses parâmetros se imponham.
Fonte: Gara

Democracia à espanhola: Garzón ordena a suspensão de actividades do Askatasuna e da D3M


O magistrado Garzón, da Audiência Nacional, decretou ontem à noite a suspensão de actividades da Demokrazia Hiru Milioi (D3M) e do partido Askatasuna, legal desde 1998, fustigando ainda mais o caminho da esquerda abertzale em direcção às eleições de 1 de Março.

No auto, Baltasar decreta também o encerramento das sedes e de todos os locais de ambas as formações, bem como o embargo das suas contas e depósitos e a suspensão de todas as suas actividades financeiras. Também são interditos eventos como manifestações, concentrações, caravanas ou actividades de carácter propagandístico.

No auto também se faz alusão às páginas de Internet. Desde o princípio da manhã que as agências haviam feito eco da possibilidade de se aceder aos boletins da Demokrazia Hiru Milioi no seu sítio, sendo por isso que o magistrado da Audiência Nacional exige a sua suspensão. Garzón pede ainda o encerramento da página www.askatu.org, assegurando que pertence ao partido agora suspenso, o que não corresponde à realidade. Já em autos anteriores deste processo judicial se tinham verificado confusões entre o partido Askatasuna e o organismo com o mesmo nome que trabalhava no âmbito pró-amnistia e anti-repressivo, e que foi proibido pelos tribunais espanhóis há alguns anos.

A possibilidade da suspensão de actividades estava latente ainda antes do início da campanha eleitoral. A consumação ocorre já depois de a D3M ter iniciado a sua campanha eleitoral, destinada a encher as urnas com os denominados “votos de ouro”, para exigir democracia. Já tinha realizado comícios em localidades como Markina, Sestao, Sukarrieta ou, ontem mesmo, Beasain. Também ontem, alguns meios madrilenos começaram a apresentar esta situação como anómala, e o representante da AN espanhola não demorou a intervir.

Sem esperar pela suspensão
A Ertzaintza, contudo, não esperou que Garzón decretasse a suspensão de actividades contra a D3M, tendo começado por sua iniciativa o ataque aos militantes da esquerda abertzale em diversos eventos. Em Sestao, perseguiram pessoas que colocavam cartazes da D3M e identificaram quem se dedicava a distribuir propaganda.
Ontem à tarde, e de acordo com testemunhas, um jovem que fazia uso de um megafone, mesmo com todas as autorizações exigidas e sem pedir o “voto de ouro”, foi também atacado de forma violenta por agentes da Polícia autonómica, depois de terem mandado parar a viatura em que seguia e de lhe terem dito para sair do automóvel. Quando alguns moradores se aproximaram para o socorrer, também foram espancados.
Convém também recordar a manifestação convocada por representantes eleitos ilegalizados para o último sábado, na qual os agentes carregaram indiscriminadamente e detiveram sete cidadãos bascos, depois de o dito Garzón ter proibido a marcha no dia anterior.

Oihana LLORENTE

Notícia completa: Gara

Demokrazia orain!


Bilbo [Bilbau], 14/02/2009

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A que chamam unidade


O conceito de unidade no contexto político é objecto de análise aturada por parte do autor neste artigo. O seu lugar central no ordenamento jurídico espanhol leva-o a falar de uma Constituição “ditada por um povo dominante para evitar a liberdade máxima, que é a de se ser ou não espanhol”. Numa segunda fase desta análise constata que a negação dos direitos nacionais conduz a “um foco de rebeldia [...] que pode alcançar a característica de luta armada”, para a qual só contempla uma solução: a arbitragem.

É inevitável que façam apodrecer a política, desagreguem a sociedade e, portanto, a destruam como ente orgânico aqueles que chamam liberdade apenas à capacidade para realizar as suas manobras e entendem por Direito unicamente o que ampara as suas violências face aos dissidentes. Esses “tais” costumam violar a liberdade e o Direito em nome da unidade que, segundo eles, há-de conduzir os povos a uma existência mágica, sem qualquer tipo de confrontações, excepto aqueles irrelevantes e vigários com que justificam a sua estreita democracia. São os falsos profetas que, ancorados na sua imobilidade e nos seus egoísmos, clamam contra a renovação da vida e impedem o cultivo aberto e frutífero das ideias, em muitas ocasiões em nome da paz. Detêm a vida até a transformar num existir desossado e inane, num jogo virtual de possibilidades que são realmente vácuas. Lembram com a sua retórica o cardeal Richelieu quando, no seu majestoso gabinete de amo de França, reprovava as manifestações dos súbditos esfomeados com a famosa advertência: “Mas não estamos bem assim?”.

A que chamam unidade os que tecem as constituições inalteráveis, promovem as leis prevaricadoras e decidem a Polícia do espírito como se repartissem o pão da paz? Contemplando a sua governação das coisas, perguntamo-nos se devemos falar de unidade referindo-nos ao enquadramento em que todos possam decidir os seus posicionamentos variados ou se temos de aceitar como unidade aquela situação em que o povo fica imobilizado nas instituições e é castrado para a criação histórica. Unidade para a criação de vida numerosa ou unidade para a protecção dos interesses unilaterais com uma vida única e dada?

O certo é que a unidade não se expressa no conteúdo único do que se propõe, mas na habilitação de um mesmo quadro em que tudo se pode propor. A unidade é um conceito formal referente ao quadro que faculta todas as possibilidades. Estamos unidos para concordar em paz ou para dissentir em paz; para nos ligarmos voluntariamente ou para nos separarmos sem que se criminalize aqueles que desejam separar-se. Podemos estar unidos a fim de lograr uma desunião materialmente razoável. A unidade é uma pura página em branco sobre a qual todos podem escrever as suas ideias. A unidade é o continente e não o conteúdo. Não se consuma na redução do conteúdo ideológico a um, mas na garantia da possibilidade do conteúdo como múltiplo. Somos unitários para salvaguardar a diversidade sob a proposta de que queremos para que tu queiras: estamos unidos na vontade de ser diversos. Por isso agravam tantos cidadãos textos como o do artigo segundo da Constituição de 1978, em que se afirma com absoluta veemência: “A Constituição fundamenta-se na indissolúvel unidade da Nação espanhola, pátria comum e indivisível de todos os espanhóis, e reconhece e garante o direito à autonomia das nacionalidades e regiões que a integram e a solidariedade entre todas elas”. Neste artigo a unidade já não constitui um quadro formal capaz de liberdades para a diversidade, mas determina o conteúdo único em relação à espanholidade dos habitantes do Estado espanhol. É a Constituição ditada por um povo dominante para evitar a liberdade máxima, que é a de se ser ou não espanhol. Estamos, pois, ante um artigo de conteúdo politicamente exclusivo, já que ampara uma situação de unitarismo indissolúvel e simultaneamente paradoxal por contraditório, uma vez que não é lícito falar de nacionalidades sem dar às mesmas toda a dimensão que constitui o seu perfil implícito, que é a de outra soberania possível se assim o quiserem esses povos aos quais subjacentemente se reconhece uma origem não espanhola. A contradição parece patente e, sobretudo, agravante, já que os seus redactores a geram ao distinguir com uma consciência penumbral entre nacionalidades e regiões. Que constitui a nacionalidade senão um derivado administrativo de nação, que é o substantivo que deve ser tido em conta?

A consequência mais grave deste unitarismo é que afecta a raiz mesma do ser nacional e, portanto, deriva na supressão da personalidade fundamental dos cidadãos que rejeitam a sua espanholidade. A unidade deixa de ser, inevitavelmente, um conceito formal que facilita a presença de todas as posturas, para se converter em império de uma decisão ideológica. Uma série de cidadãos regressa da sua condição de cidadãos, segundo pretende a Constituição, para readquirir a de súbditos, como o foram em tempos da sangrenta ditadura. Evidentemente, a partir desta óptica a unidade nega-se a si mesma como plataforma de presenças múltiplas para se converter em arma unidireccional com conteúdo politicamente operativo e opressor.

O exposto anteriormente abre, por seu lado, para uma segunda meditação. Trata-se agora de clarificar se a incapacitação de todo um povo para decidir sobre si mesmo, mediante o álibi constitucional da unidade, não gera uma cidadania de segunda classe ou de tipo colonial. Se esta cidadania se vê negada na sua essência nacional, o historicamente previsível é que esse povo se constitua num foco de rebeldia e de confrontações graves, que podem alcançar as características da luta armada. O erro mais grave que se pode cometer depois é qualificar como terroristas quem faz frente à dominação e fabricar acusações derivadas pelo elementar mecanismo da indução. Com isto se menospreza todo um povo e se arruína a possibilidade formal da unidade como plataforma de encontro para alcançar a simples pretensão da paz e da boa relação entre comunidades étnica, histórica ou politicamente distintas. Chegados a este ponto de violência, a relação, torna-se impossível e só resta uma solução de arbitragem.

Também conduz a uma terceira reflexão este estado de violência suscitada pela dominação de quem manipula a frigideira constitucional. O estado dominador desqualifica as suas próprias instituições com o uso torpe e imoral que delas faz. E não as desqualifica só perante a cidadania dominada e crescentemente agravada por essa opressão cada vez mais áspera, mas perante muitos dos seus próprios cidadãos que realizam uma análise severa da situação. Qualquer cidadão do estado dominador medianamente avisado teme que essas instituições desmanteladas de moral pública acabem por afectá-lo a ele em qualquer momento e em qualquer situação. Umas instituições orientadas pelo simples motor de um poder temeroso de operar graças a uma soberania razoável estão sempre inclinadas a oprimir os seus próprios cidadãos. O poder corrompido resvala inevitavelmente por uma encosta fascista que se acentua cada vez mais. A violência institucional não só descarrega nos oponentes claros às suas pretensões como acaba por viver graças à criação de um inimigo interior que a justifique, muitas vezes encontrado no seio da cidadania afecta, que acaba também corrompida. Como escreve Wright Mills em A Elite do Poder: “Pode haver homens corrompidos em instituições sãs, mas quando as instituições se estão a corromper muitos dos homens que nelas vivem e trabalham corrompem-se necessariamente”. Estamos nesta situação. Euskadi enfrenta um Estado radicalmente corrompido e dirigentes que se corromperam nesse Estado e corromperam os conceitos éticos e políticos que deveriam determinar uma governação recta. Mas tratam de ocultar tudo com conceitos morais devidamente falseados; um deles é o conceito da unidade como disfarce da injustiça.

Antonio ALVAREZ-SOLÍS
jornalista

Fonte: Gara

Sobre o lugar de cada qual

Na sequência do assalto à sede do PSE de Elorrio – no qual um grupo de pessoas entrou pela janela, partiu alguns móveis e pintou algumas inscrições –, o candidato deste partido a lehendakari, Patxi López, perguntou num comício em Gasteiz: “Onde devem estar? No Parlamento ou detidos?”. O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, apoiou-o com um “que bem dito, Patxi, que bem!”. A pergunta de López é interessante porque acaba por se poder expandir. Passam já 25 anos sobre as primeiras acções dos GAL, por exemplo, e a última montaria do ministro da Justiça, Mariano Fernández Bermejo, juntamente com o magistrado Baltasar Garzón, também serviu para lembrar onde estão alguns dos imputados por torturar Joxe Arregi até à morte. Assim sendo, perguntemos nós. Onde está quem criou os GAL? Ah, isso já tem 25 anos. Bem, onde estão hoje os que torturaram Arregi? Ah, isso também é velho. De acordo. Onde estão os que permitem que continuem as denúncias de tortura porque as amparam, incumprindo, também, as recomendações de organismos internacionais? Na prisão ou no Congresso e nos ministérios? E o que é que é pior? Torturar ou causar estragos e pintar inscrições numa sede?

Iñaki IRIONDO

Fonte: Gara

A D3M pede aos votantes de esquerda que imprimam os seus boletins a partir da Internet

Os boletins das listas anuladas da Demokrazia 3 Miloi (D3M) podem ser impressos via Internet, na página da formação ilegalizada, que prossegue a sua campanha eleitoral com comícios convocados para esta semana. Por exemplo, hoje estarão em Beasain, amanhã em Agurain, na quinta-feira em Algorta, na sexta em Donostia, no sábado em Gasteiz e no domingo em Barakaldo.

A D3M, cujas listas foram ilegalizadas pelo Tribunal Constitucional espanhol, já anunciou que vai pedir aos eleitores que votem com os seus boletins nas urnas, embora venham a ser contabilizados como voto nulo.

Fonte: inSurGente

Democracia para o Povo Basco!


“Votos de ouro” em Bilbau, 14 de Fevereiro de 2009.

Fonte: kaos TV

AN espanhola condena a dois anos de prisão habitante de Lizartza denunciado por Otaola

A Audiência Nacional espanhola condenou a dois anos de prisão o lizartzarra Pello Olano, que foi denunciado pela autarca ilegítima do PP por supostas ameaças. O tribunal de excepção condenou-o também a pagar uma indemnização de 12 000 euros a Regina Otaola.

De acordo com a agência EFE, o tribunal deu como provado que Olano apontou o dedo a Otaola, no dia 7 de Setembro de 2007, quando esta içava as bandeiras no varandim da sede municipal, e disse “Otaola, vais morrer”.

[NB_1:] Para o tribunal de excepção espanhol [antes havia um TOP], o habitante de Lizartza “procurava amedrontar a autarca por ser representante do PP e ter conseguido a Autarquia na sequência da anulação de outras candidaturas pela sua relação com os partidos políticos ilegalizados pela sua ligação à ETA [sic]”.

[NB_2:] O tribunal considera Olano autor de um delito de “ameaças relacionadas com a actividade da ETA”, já que foram realizadas por uma pessoa que, “sem pertencer ao grupo terrorista [sic], contribui para os seus fins [sic]”.

Para condenar o lizartzarra, o tribunal de excepção baseia-se nos testemunhos de Otaola, da vereadora Julia Tercero e de quatro ertzainas.

No julgamento contra Pello Olano, que teve lugar a 10 de Fevereiro, o habitante de Lizartza negou taxativamente a versão da acusação e lembrou que, enquanto Regina Otaola agitava a bandeira espanhola na varanda municipal, dezenas de moradores de Lizartza, “como crítica política, mas não contra Otaola”, levaram a cabo uma concentração com o lema «Ikurrina geurea» [a ikurrina, a nossa].

Fonte: Gara

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O País Basco não caminha só!

No último dia da semana de solidariedade com o povo basco, mais de uma centena de pessoas participou nas iniciativas que a ASEH organizou em Setúbal. No Baco Bar, muita gente quis debater a situação que vive o País Basco. Depois de dois vídeos, a discussão mostrou-se viva, intensa e todos quiseram dar a sua opinião sobre o conflito. Falou-se da repressão, da ilegalização da luta pacífica, dos presos políticos, da autonomia e de muitos outros temas. Concluiu-se maioritariamente que o povo basco tem direito a lutar pelo seu próprio futuro e que a solidariedade é imprescindível para que não caminhe só. O debate poderia ter seguido durante horas e todos, sem excepção, saíram satisfeitos com a iniciativa.

Pela noite dentro, a música agitou o bar e atraiu ainda mais gente. Mas antes ainda houve lugar para um jantar em que participaram mais de 20 pessoas. No fim, ficou a certeza de que há muita gente em Setúbal solidária com a luta do povo basco e que há ainda muito por fazer para estender a solidariedade por outras zonas do País.

Viva o País Basco livre e socialista!

Palestina e Euskal Herria, dois povos irmãos


O Estado israelita, tal como o espanhol, não actua sozinho. Conta com fortes cumplicidades internacionais e com o mercenarismo local. Abu Mazzen – personificação de todos os colaboracionistas – foi a voz palestina do sionismo.

Muito se tem dito sobre o holocausto palestino. E, embora as análises fizessem referência ao Médio Oriente, algo do que ouvimos nos soa a familiar nestas latitudes.

Repetiu-se – lá como cá – que a intervenção cruenta do Estado não era contra o povo, mas contra o terrorismo e os que o justificam; que é a actuação provocadora dos grupos violentos que dá argumentos à repressão estatal (como se o imperialismo necessitasse de pretextos para impor a sua brutalidade); que são os “terroristas” – cainitas e suicidas – os que estão a imolar o seu próprio povo; que a denúncia da violência tem que ser feita a partir da equidistância, já que tão violentos são os bombardeiros israelitas como os petardos palestinos... Todas estas mensagens, preparadas e divulgadas pelo sionismo, tinham dois objectivos concretos: converter a vítima em verdugo e ocultar a verdadeira raiz do conflito (não se passa algo de parecido por aqui?). Leila Said, representante da Aurorita Palestina na Europa, faz uma análise certeira. “Israel nega a existência de um povo, está a esmagá-lo porque não quer reconhecer que esse povo tem direito a viver. Israel (apenas?) continua convencido de que a reivindicação nacional dos palestinos pode ser esmagada pela força militar. Passaram 60 anos e esse recurso não funciona. O povo palestino não baixou os braços e continua a existir”. Perante esta evidência, Olmert reiterava mensagens que nos são familiares: “Alcançámos muitos dos nossos objectivos, mas peço-vos paciência para poder chegar ao fim”.

O Estado israelita, tal como o espanhol, não actua sozinho, Conta com fortes cumplicidades internacionais e com o mercenarismo local. Abu Mazzen – personificação de todos os colaboracionistas – foi a voz palestina do sionismo: sempre a desculpabilizar este e a culpabilizar os seus compatriotas resistentes por tudo; interlocutor permanente dos agressores para lhes sugerir por onde devem atacar e para unir estratégias ou mensagens. Reprimiu os palestinos que se mobilizavam em solidariedade com os seus irmãos com mais rigor que os próprios sionistas. Todos os «mazzen» temem perder o controlo da situação que lhes foi delegada e vivem obcecados com o cumprimento dos obscuros compromissos que assumiram com os seus patrões. O traidor Abu esperava e desejava que a resistência de Gaza fosse liquidada para poder recuperar, com a ajuda sionista, os espaços perdidos (o repugnante cálculo dos mercenários perante a ilegalização de candidaturas). Se o seu povo já lhe tinha aversão por corrupto, agora despreza-o por traidor, que ambas as misérias costumam andar de mãos dadas.

A resistência palestina mantém aberta a estratégia dos rockets, mas mantém muito mais aberta a estratégia de negociação. Segundo Norman Finkelstein, especialista na matéria, “o Hamas está empenhado, com a maioria da comunidade internacional, em chegar a um acordo diplomático; neste ponto, Israel enfrenta o que eles mesmos chamam uma ofensiva de paz palestina; para derrotar esta ‘perigosa’ ofensiva, tenta desmantelar o Hamas”.

Jesus VALENCIA

Errepresioaren aurkako 2008ko Urtekaria / Anuário de 2008 contra a Repressão



O Movimento pró-Amnistia de Nafarroa preparou o «2008ko Urtekaria / Anuário de 2008» e em breve estará na rua um livro e um DVD. Este é o spot de promoção.
Fonte: apurtu.org

Mobilizações contra a repressão e a tortura em Burlata e Antsoain


Enquanto em Burlata celebravam o regresso a casa de três habitantes presos, em Antsoain denunciaram a caução imposta a um jovem da terra, incluído na lista negra.

Cerca de 300 pessoas manifestaram-se em Antsoain no sábado passado para denunciar a intimação de Artzai Santesteban na Audiência Nacional. O jovem está incluído na lista negra e, juntamente com um outro da Txantrea (Joseba Fernandez), teve que prestar declarações no tribunal de excepção na quinta-feira passada. Ficaram ambos em liberdade, mas tendo de pagar uma fiança de 10 000 euros cada. Para além disso, outros jovens de Iruñerria [comarca de Pamplona], que se encontram actualmente na prisão, também foram levados até à AN. Todos sob a acusação de participação em acções de kale borroka.

Em Burlata, por seu lado, centenas de pessoas participaram na manifestação convocada para denunciar a repressão contra a juventude, e que tinha como propósito principal tributar um sentido “ongi etorri” aos três jovens que saíram recentemente da prisão: Jotas, Gulina e Urdin.
Em ambas as manifestações denunciou-se a prática da tortura como elemento fundamental para a criminalização da juventude, para forjar declarações de culpa dos declarantes e de terceiros.

Fonte: apurtu.org