terça-feira, 30 de junho de 2009

Vergonha! Estrasburgo aprova a lei de partidos, de duvidosa qualidade democrática, e justifica a ilegalização do Batasuna


A Europa, por intermédio do Tribunal dos Direitos Humanos, deu o seu aval à Lei de Partidos, uma lei fascista e de claro recorte autoritário, e, como consequência, deu como boa a ilegalização do Batasuna.

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos tornou hoje públicas três sentenças, uma sobre o Batasuna e o HB, outra sobre a candidatura às europeias de 2004 – Herritarren Zerrenda (HZ) – e uma outra sobre a Autodeterminaziorako Bilgunea (AuB) e as plataformas que concorreram às eleições municipais e forais de Maio de 2003.

O Tribunal de Estrasburgo rejeita os recursos interpostos por todas essas organizações contra as sentenças do Supremo Tribunal espanhol e do Tribunal Constitucional, que declararam a sua ilegalização e anulação, e aprova as medidas tomadas ao entender que “a dissolução pode ser considerada necessária numa sociedade democrática, especialmente para manter a segurança pública, a defesa da ordem e a protecção dos direitos e das liberdades”. Refere-se, naturalmente, à ordem capitalista e ao que o Estado espanhol entende por liberdade [e democracia].

Na sentença sobre o HB e o Batasuna, conclui que não se violou o artigo 11 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, referente à liberdade de associação, e sustenta que a ilegalização respondeu a “uma necessidade social imperiosa” [!!!!], já que o “estudo pormenorizado dos elementos de que dispunha” o leva a concluir que existe “uma ligação entre os partidos recorrentes e a ETA”. Contrasta esta apreciação do tribunal com a atitude que manteve no caso da Irlanda.

Para o tribunal, essas alegadas “ligações podem ser consideradas objectivamente como uma ameaça para a democracia” e os projectos do HB e do Batasuna estão “em contradição com a concepção da sociedade democrática e representam um grande perigo para a democracia espanhola”. A sentença também não refere com precisão a que democracia se refere, dadas as terríveis lacunas que apresenta aquela que eles tratam por “democracia espanhola”.

Sobre a Lei de Partidos, a resolução garante que essa norma “define de maneira precisa a organização e o funcionamento dos partidos políticos e os comportamentos que poderiam conduzir à sua dissolução ou suspensão judicial”, e sustenta que essa lei “não se destina a proibir a defesa de ideias ou doutrinas que questionem o enquadramento constitucional, mas a conciliar a liberdade e o pluralismo com o respeito pelos direitos humanos e a protecção da democracia”.

Fonte: kaosenlared.net

Nota: Que democracia!? A dos torturadores? A da guerra suja? A das ilegalizações ad hoc? A da Doutrina Parot? A da dispersão penitenciária? A das detenções preventivas e saca-milhares-de-euros-em-fianças? A das listas negras? A do tribunal de excepção pós-TOP? A dos mil e um atropelos judiciais? A da Lei de Partidos? Só por esta amostra, gostávamos francamente de perceber a que democracia o tribunal se refere.

Comentários políticos na Info7 Irratia


Iñaki Altuna analisa a estratégia fomentada pelo PSOE/PSE (para agradar ao PP) de perseguição às fotos dos presos. Análise do texto de Arnaldo Otegi recentemente publicado no Gara.

Iñaki Altuna na info7 Irratia


Floren Aoiz começa pela alteração ao mapa do tempo na EiTB, evidência de um governo débil, desnorteado e nacionalista espanhol, para prosseguir com a análise de diversas questões da actualidade política em Nafarroa.

Manifestação em Iruñea, em defesa dos símbolos bascos


A manifestação vai decorrer no próximo sábado, em Iruñea [Pamplona], com o lema «Gure ikurren defentsan» [Em defesa dos nossos símbolos], e partirá às 18h30 da estação de autocarros. No anúncio da convocatória, e tendo em vista as festas de San Fermin, que se aproximam, pediram que as varandas e as ruas de Iruñea apareçam repletas de ikurriñas e de símbolos bascos em geral.
Fonte: apurtu.org

Presos


A Polícia francesa prendeu o militante «abertzale» Jon Goio

A Polícia francesa prendeu o militante abertzale Jon Goio, natural de Tolosa e a residir há bastantes anos em Lapurdi. Segundo consta, a detenção ocorreu ontem, mas só hoje veio a público.

Dez bascos continuam em instalações policiais

Fonte: Gara

Oihana Garmendia e Xabier Arruabarrena encontram-se na prisão de Fleury


Na semana passada, estes dois cidadãos bascos foram detidos em Paris e no sábado, depois de serem presentes a tribunal, foram enviados para a prisão de Fleury. Na foto, mobilização de protesto em Santurtzi – de onde é natural Oihana.

Fonte: askatu.org

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Uma lança em Gorbeia


Entre 1556 e 1648, desde o levantamento dos flamengos contra a monarquia espanhola até à paz de Westfália, as tropas mercenárias espanholas enfrentaram gente que reclamava a sua emancipação. As circunstâncias políticas da época tornaram num inferno o movimento da soldadesca desde a península até ao campo de batalha e daí o ditado popular “Mais difícil que espetar uma lança na Flandres”.

Em 1556, conseguiu-o o maldito – mil vezes maldito – Duque de Alba, embora no final, com a assinatura do tratado de Westfália, ao império espanhol não restasse mais do que reconhecer a independência dos Países Baixos levantados em armas. De nada lhes serviu, portanto, espetar as suas ensanguentadas lanças na Flandres.

Depois, de derrota em derrota, veio a decomposição do império espanhol até chegar à caricatura da ilha de Laila [Perejil]. Naquele penhasco povoado por uma dezena de cabras e meia dezena de recrutas marroquinos em fato de banho, com vento forte de levante, os legionários de Federico Trillo conseguiram cravar a bandeira espanhola frente à costa de África. Imagino-os numa postura de firmes, altivos, orgulhosos da sua proeza, saudando a bandeira e entoando hinos guerreiros.

Agora, com ânimo renovado após o discutido e discutível triunfo das forças espanholistas na Comunidade Autónoma Basca, as tropas de Carme Chacón alcançaram outro dos seus ambicionados objectivos militares. A bandeira vermelha e amarela já flutua na cruz de Gorbeia, perto das grutas de Mairulegorreta, onde milhares de bascos renovaram mil e uma vezes o seu abertzalismo durante a noite franquista.

Depois de assustarem mendigoizales [montaheiros], pastores e ovelhas, os guerreiros de elite do Exército espanhol conseguiram envolver a cruz numa enorme e alargada bandeirola, e, para o celebrar – à luz das fotografias publicadas –, deitaram-se nas calmas a comer sandes de cavala. Ali não houve gestos bizarros nem hinos patrióticos. Cada vez mais freaks.

P.S. – O PNV protestou, enfurecido, contra este acontecimento de guerra. O deputado José Ramón Beloki, ferido nos seus sentimentos, pede contas a Rodríguez Zapatero e o EBB [Euzkadi Buru Batzar] convoca uma romaria de desagravo. Pergunta: Assistirá Izaskun Bilbao? Ela espetou a vermelha e amarela no Parlamento de Gasteiz. Outra vitória.

Martin GARITANO
jornalista

Fonte: Gara

Nafarroa presta homenagem aos independentistas de 1521

“Não há democracia sem povo soberano” e “a pior colonização é a mental”. Sob essas duas premissas, centenas de navarros subiram ontem até ao monumento à Batalha de Noain, para prestar homenagem aos que caíram em 1521 na tentativa de recuperação da independência da parte do reino que tinha sido tomada nove anos antes pelo Duque de Alba.

Há mais de 10 anos que a Nabarralde põe em prática esta iniciativa, que tem por objectivo “tirar a venda que tapa os olhos dos navarros há séculos”. No monumento, erguido numa colina de Getze (Salinas de Noain), de onde se domina toda a bacia de Iruñerria, leram o discurso solene de abertura três autarcas de diversas localidades do reino: Bergara (Agurne Barruso, da esquerda abertzale), Zirauki (Pedro Apestegia, independente) e Atarrabia (Peio Gurbindo, do Nafarroa Bai).

Deixaram de lado os discursos partidários, embora cada qual tenha feito uma leitura própria da homenagem de Noain. Barruso incidiu na falta de democracia e nas particularidades de cada localidade, mas também no facto de o problema não ser agora só daquela Nafarroa, mas de todos os bascos. Apestegia elaborou um discurso imediato e próximo, como representante dos habitantes de Zirauki que apoiam incondicionalmente iniciativas como esta. Gurbindo, por seu lado, manifestou a necessidade da recuperação da memória histórica e em especial a da conquista de Nafarroa, tendo por isso sublinhado o mérito daqueles que caíram em Noain.

A batalha representou o fracasso da última grande tentativa (lançada pelos navarros que ainda mantinham a sua independência no outro lado da fronteira) de recuperar as terras que os castelhanos lhes tinham arrebatado. Depois de uma campanha triunfal em que chegam até às portas de Logroño, vêem-se forçados a retirar e decidem dar batalha em campo aberto a poucos quilómetros de Iruñea [Pamplona]. Ali são esmagados pelos ocupantes.


Depois da leitura dos discursos teve lugar a oferenda floral ao exército vencido e três raparigas dançaram uma agurra [reverência] bizkaitarra em honra dos mais de cinco mil falecidos em 1521. As danças estiveram a cargo de Ortzadar, a associação que leu o discurso solene de abertura no ano passado.

O coordenador da Nabarralde, Ángel Rekalde, afirmou que actos como a comemoração da Batalha de Noain são hoje mais necessários que nunca, posto que agora nós, os navarros, “somos suplantados por delegados espanhóis em todas as instituições de alto nível que nos governam”. Assim, Rekalde lembrou que o que realmente nos arrebataram em Noain é “a soberania e a possibilidade de a continuar a exercer na história como povo em si mesmo”.

Mirari Bereziartua leu o comunicado dos que vieram desde Iruñea a caminhar. Referiu que “não há pior colonização que a perda da identidade” e mostrou-se orgulhosa pelo facto de aquele que foi o reino de Nafarroa a continuar a manter.

Fonte: kaosenlared.net

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Tasio-Gara

Repressão: a Polícia francesa detém dez pessoas em Lapurdi e Nafarroa Beherea


São dez as pessoas presas pela Polícia francesa em Lapurdi e Nafarroa Beherea
A Polícia francesa deteve hoje dez pessoas em Lapurdi e Nafarroa Beherea, na sua maioria jovens, por razões ainda desconhecidas.

Em Bidaxune foram detidos Ibai Agirrebarrena e o seu pai, Joseba Agirrebarrena.

Em Beskoitze foi preso Orkatz Arano, em Baiona Gilen Goiti e o bertsolari Ekhi Erramundegi, em Ainhoa Harri Idoate e em Heleta Eneko Etxegarai. Este último foi preso enquanto estava a trabalhar na montagem do festival Euskal Herria Zuzenean.

Outro dos detidos é Aritz Ortino Etxebeste, mas ainda não se sabe em que localidade ocorreu a detenção.

O Movimento pró-Amnistia deu ainda a conhecer a ocorrência de mais duas detenções em Suhuskune. Trata-se de Txomin Catalogne e de Marco Delizy.

A Polícia inspeccionou as casas dos detidos.
Desconhecem-se até ao momento as razões desta operação policial, ainda que a agência EFE refira que as detenções obedecem a uma comissão rogatória enviada de Paris, no âmbito da investigação que está a decorrer sobre os ataques contra interesses turísticos e imobiliários.

Sem notícias de Xan Beyrie
Entretanto, continua a não haver notícias de Xan Beyrie, o jovem detido no sábado em Kanbo pela Polícia francesa. Neste caso também não se soube quais as razões que conduziram à detenção. A EFE refere que se encontra na esquadra de Pau.

Mobilizações
Contra a operação policial, para esta tarde foram convocadas concentrações em Baiona (18h30 em frente à esquadra); Kanbo (19h na rotunda) e Larzabale (19h30 na rotunda).

Fonte: Gara
Foto: kazeta.info

Terras como Hernani ou Arrasate enchem-se de fotos de presos


A ofensiva contra as fotos de presos políticos bascos liderada pela Ertzaintza está a ter o efeito exactamente oposto ao pretendido em localidades que celebram as suas festas. É o caso de Hernani ou Arrasate, em que se puderam ver milhares de autocolantes com os rostos dos prisioneiros da terra em t-shirts, paredes, candeeiros... Mas a escalada não pára. Anteontem, em Gros (Donostia), um jovem foi detido por levar um acessório com fotos de presos.

A campanha anunciada pelo governo de Patxi López para eliminar da paisagem qualquer mostra de apoio aos presos bascos, sobretudo nas localidades que celebram as suas festas, contou esta semana com várias irrupções da Ertzaintza em Hernani e Arrasate para retirar faixas ou cartazes. Estas actuações tornaram-se uma notícia diária para os meios de comunicação, mas o que não divulgaram foi a resposta dos habitantes.

Na verdade, tanto em Hernani como em Arrasate as pessoas afirmam que a presença de imagens dos presos políticos bascos nas ruas tem sido mais intensa que nunca. Os hernaniarras distribuíram milhares de pequenos autocolantes com os retratos dos 29 presos políticos bascos da localidade, que estiveram omnipresentes durante estas festas de São João em peças de vestuário ou nas infra-estruturas urbanas.

O mesmo se passou em Arrasate. Depois de no sábado ter alcançado grande difusão mediática o mandato da Ertzaintza à autarca da esquerda abertzale para que fossem retiradas algumas faixas e cartazes, o Movimento pró-Amnistia fez saber que “as paredes apareceram repletas de autocolantes a favor dos presos da terra, e que se colocaram novamente fotografias nas txosnas”.

Além disso, no sábado cerca de 250 pessoas juntaram-se para denunciar a pressão da Ertzaintza e das ameaças à autarca.

Três detidos, em liberdade
Ainda neste contexto, ontem soube-se que um jovem foi detido no sábado na Rua Berminghan, no bairro donostiarra de Gros por levar “um lenço e autocolantes” de presos políticos bascos, questão que o Departamento do Interior de Lakua considera que pode servir para o acusar de “enaltecimento”. [Pronto, e assim governam “Euskadi”!]

Esta fonte afirmou ainda que o jovem saiu em liberdade, tal como os dois que foram presos na Euskal Jaia que se realizava no bairro de Amara e contra os quais se formula uma acusação similar. O Departamento do Interior afirmou que os três têm de se apresentar periodicamente no tribunal.

Fonte: Gara

Acusam ertzainas de deter, despir e fotografar um jovem nas festas de Mungia

Um jovem foi detido pela Ertzaintza na madrugada de sábado em Mungia (Bizkaia) quando saía do recinto das txosnas [barracas de festa] e se dirigia para casa. A detenção ocorreu depois de agentes municipais da localidade terem perseguido (sem resultados, ao que parece) pessoas que tinham a cara tapada e que andavam a pintar inscrições.

O Movimento pró-Amnistia da localidade fez saber que o jovem detido foi maltratado, de forma humilhante, na esquadra de Gernika (para onde foi levado), já que o despiram por completo e lhe tiraram fotos de todo o corpo, além das impressões digitais. Permaneceu sob incomunicação até às 9h30 e, durante a primeira hora e meia da detenção, a sua família não foi posta ao corrente. Este Movimento criticou tanto a atitude da Ertzaintza como a utilização política da Polícia Municipal.

Fonte: Gara

Pintam uma bandeira espanhola numa placa em memória dos “gudaris”, em Aritxulegi


Gara, Aritxulegi * E.H
No sábado demos a notícia dos disparos efectuados contra um dos símbolos de Aritxulegi (Gipuzkoa), e poucas horas depois chegou a notícia de outro ataque. De acordo com um veterano membro da EAE-ANV, que esteve no alto de Aritxulegi a meio da semana, a placa em aço inoxidável colocada no monte em honra do primeiro gudari desta formação caído após o golpe de Estado de 1936 apareceu pintada com uma bandeira espanhola.

“Uns montanheiros que nesse dia andavam por Aritxulegi disseram que havia dois jipes da Guarda Civil perto do monte, um lá em cima e outro cá em baixo. Mas que fique bem claro que nem com inscrições nem com tiros nos vão fazer mudar de ideias”, acrescentou o veterano ekintzale.

Faleceu no México o refugiado José Antonio Otxoantesana “Ondarru”


Depois de cerca de três décadas longe de Euskal Herria, faleceu na quinta-feira, no México, o veterano refugiado José Antonio Otxoantesana, Ondarru.

Habitantes de Ondarroa, localidade de onde Otxoantesana era natural, disseram ao Gara que a morte ocorreu na sequência de um derrame cerebral. O eco da notícia em Ondarroa foi enorme e rápido. Ontem mesmo, sem que o facto tivesse sido divulgado pela comunicação social, cerca de 250 pessoas concentraram-se para o evocar.

O falecimento ocorreu em Mazatlán (Sinaloa), onde Otxoantesana era uma figura muito conhecida. Um dos exilados bascos no México destacava ontem numa mensagem pela Internet que “fomos todos atingidos por um golpe brutal. Exilado desde 1980 no México, Ondarru foi um verdadeiro irmão para todo o exilado que aqui chegava. As portas da sua casa estavam sempre abertas para ajudar todo aquele que precisasse”.

Segundo consta, Otxoantesana encontrava-se hospitalizado havia alguns dias, depois de sofrer o derrame e entrar em estado de coma. Este refugiado afirmou que ele foi operado, mas que não foi possível salvar-lhe a vida. “Euskal Herria perde mais um grande filho e nós um irmão muito querido”, conclui.

Fonte: Gara

domingo, 28 de junho de 2009

Construir uma estratégia para a mudança política


Nesta altura do ano, é tradicional fazer uma reflexão e/ou balanço da legislatura política iniciada em Setembro. Em qualquer caso, parece-me conveniente fazer uma abordagem ao ano que passou em termos políticos globais.

O processo político em Euskal Herria esteve condicionado pelos efeitos e pelas consequências de uma crise económico-financeira que afectou de forma horizontal um modelo neoliberal que nos era apresentado como “único” e sem alternativa. A globalização neoliberal foi criando uma casta económica mundial, com instrumentos de chantagem como o FMI e o BM, com poder e incidência concreta sobre os estados e as democracias parlamentares, estabelecendo uma ditadura do mercado sobre a sociedade que se foi convertendo no fascismo político do século XXI.

O crack do sistema financeiro e o seu alargamento à economia produtiva – recessão económica, desemprego, pobreza... – demonstra-nos a falácia do capitalismo neoliberal sobre a teoria dos ciclos económicos, da auto-regulação do mercado... Em suma, a mentira de um modelo baseado na acumulação de capital e poder em mãos privadas à custa da força de trabalho, da classe trabalhadora. Hoje mais que nunca, em Euskal Herria e no mundo inteiro, a luta contra o neoliberalismo é a luta por uma mudança política e social – luta de soberania política e económica como na Venezuela, na Bolívia, no Equador, no Brasil, na Nicarágua... – para ir configurando o socialismo do século XXI a partir de medidas económicas e sociais que, sem o jugo do mercado, permitam abordar a distribuição da riqueza e um desenvolvimento sustentável.

Nessa luta, Euskal Herria respondeu com confiança e determinação perante a hipocrisia de governos e patrões. A greve geral de 21 de Março foi um acto de consciência colectiva, de denúncia dos vampiros sociais que provocaram um enorme buraco económico no sistema financeiro enquanto acumulam enormes quantias de dinheiro nos paraísos fiscais que o sistema capitalista mundial protege para garantir os interesses da “iniciativa privada”.

Neste balanço sintético, é preciso salientar que a greve geral impulsionada pelo sindicalismo abertzale, com o apoio da esquerda independentista, trouxe uma lufada de ar fresco ao bloqueado panorama político basco. A convocatória da greve foi uma oportunidade para ver onde estão e quem são as forças da mudança política e social em Euskal Herria e quem são os que, pelo contrário, representam o continuísmo tanto político como de modelo económico e social. Desta forma, cada qual se retratou em termos políticos e de classe.

Quanto ao mais, numa altura em que passaram quase dois anos desde a ruptura do último processo de negociação, o bloqueio persiste no braço de ferro Euskal Herria/estado(s) para determinar as bases de uma nova etapa política para o nosso povo. O esgotamento dos instrumentos de assimilação ainda vigentes, a falta de estabilidade política provocada pela permanente obsessão de Madrid e Paris em negar a nossa realidade nacional e o legítimo direito a decidir o nosso futuro, continua a ser a chave desse bloqueio.

Os constitucionalistas, agora com os “pactos de estado” em Gasteiz e Iruñea, não possuem uma correlação de forças, nem social para propor unilateralmente reformas estatutárias que estabilizem o instável modelo territorial espanhol. Os pactos antinatura entre PP e PSOE, com as suas respectivas terminais em territórios bascos, são a prova do “problema de estado” e reflexo da importância da fase política em que nos encontramos. A instrumentalização do poder judicial até limites insustentáveis para neutralizar a esquerda abertzale e a usurpação antidemocrática das diferentes instituições constituíram o último elo da corrente numa estratégia de Estado que, embora pretenda esquivar-se às raízes do conflito político, debilitando a massa crítica soberanista, não conseguirá dissolver as causas que fazem que este povo permaneça organizado e em luta pelos seus direitos nacionais e democráticos.

Perante esta estratégia, o espaço soberanista-independentista permanece atomizado em termos organizativos e neutralizado politicamente para incidir nesse bloqueio global. Mantemos um nível de resistência mas sem incentivar forças e propostas que permitam, tanto individual como colectivamente, libertar e organizar energias ao serviço de uma estratégia de libertação nacional e social eficaz. Após trinta anos numa batalha para evitar essa assimilação-integração num modelo territorial espanhol negador do sujeito nacional basco, chegou o momento de apresentar os alicerces e os instrumentos que nos permitam partir para outra fase política. O independentismo tem força e sociedade, tem militância e compromisso e tem alternativa política para se constituir num espaço determinante na superação do impasse actual e no avanço para um cenário de paz e democracia em Euskal Herria.

Neste braço de ferro de fundo, a legislatura trouxe-nos um claro retrocesso do PNV na sua posição político-institucional. Depois da amortização dos activos realizada pela sua própria direcção – plano Ibarretxe e consulta – que teriam possibilitado ao PNV adquirir centralidade política nesta fase do processo, a deriva do partido começa a afectar gravemente o seu futuro político. Nesta fase pós-Ibarretxe, sem líderes que representem adequadamente as duas “almas” do partido, com a perda da gestão autonómica e, especialmente, com uma desorientação em termos de posicionamento e aposta política face à liderança adquirida pelo PSE-EE no discurso “transversalista”, os jeltzales não possuem margens para dar curso à sua histórica e, claro, bem trabalhada ambiguidade. A capacidade de adaptação do PNV choca nesta conjuntura com duas correntes –autonomismo reformado liderado pelo PSE-EE e independentismo com a esquerda abertzale como eixo central – que delimitam estruturalmente o seu lugar político a médio prazo.

Estas variantes globais, unidas às correntes estruturais que atravessam a nossa sociedade foram sujeitas à análise e reflexão no seio da esquerda abertzale. O compromisso com Euskal Herria e os seus direitos, com o olhar posto nos nossos objectivos estratégicos, está-nos a possibilitar a formação progressiva da nossa aposta política, colocando-a ao serviço de uma sociedade basca que quer ganhar a mudança, que quer ganhar um cenário de reconhecimento e direitos, de paz e coesão social com base no respeito pela nação basca.

Como dizíamos na reflexão que a esquerda abertzale tornou pública no dia 16 de Março deste ano: “as independentistas e os independentistas e socialistas bascos têm um desafio importante pela frente: construir uma estratégia eficaz para alcançar os nossos objectivos tácticos e alimentar a proposta estratégica, isto é, uma estratégia eficaz para alcançar um cenário democrático, que abra as portas à possibilidade da materialização de todos os projectos políticos, e reforce o projecto independentista e socialista”.

Em complemento a essa reflexão aberta, a esquerda abertzale recuperou a sua posição no tabuleiro político dando um golpe contundente às pretensões de âmbitos políticos e mediáticos (de Euskal Herria e fundamentalmente do Estado) de a “substituir” pelo Aralar, no estilo utilizado há trinta anos com a Euskadiko Ezkerra. As eleições europeias demonstraram que o retrato falsificado das autonómicas era um mero engano e que, quando a esquerda abertzale tem a possibilidade de voto “legal” – mesmo que em condições-limite e sem marca própria –, o seu peso e a sua liderança política no espaço soberanista-independentista são inquestionáveis.

Neste sentido, o resultado das europeias assentou num panorama com quatro grandes espaços político-ideológicos e debilitou as opções “charneira”: o unionismo, com PP-UPN-UMP por um lado e PSE-PSN-PSF por outro; no espaço abertzale, o PNV com alguns sucedâneos e a esquerda independentista. Quatro espaços para duas referências estratégicas hoje em dia bem definidas: autonomismo e independentismo.

Em qualquer caso, o ano que passou serviu para constatar mais uma vez que existem condições políticas suficientes para a mudança política em termos nacionais e sociais. Assim sendo, também é forçoso constatar que este ano também não soubemos materializar essa mudança e, assim, superar as dolorosas consequências do conflito político existente.

A próxima legislatura deve permitir pôr em marcha uma verdadeira ofensiva política por parte dos independentistas de esquerda em Euskal Herria. Tendo por base a confiança nas nossas forças, a legislatura 2009-2010 deve assentar numa dinâmica ofensiva que procure a junção de forças soberanistas e independentistas, o compromisso da comunidade internacional e a reabertura de um processo de diálogo e negociação que instale o país num outro cenário.

A esquerda abertzale trouxe o processo ao limiar de uma mudança possível. Agora temos de construir uma estratégia eficaz para ganhar a mudança e encaminhar o nosso projecto independentista e socialista.

Arnaldo OTEGI

Fonte: Gara

A dispersão provoca outro acidente e a Ertzaintza prossegue com a caça às fotos


A política de dispersão aplicada ao colectivo de presos bascos provocou o terceiro acidente este ano. E, embora prossiga a perseguição contra todas as mostras de solidariedade com este colectivo, na sexta-feira voltou a ficar bem patente que não o vão conseguir.

Segundo informou a Etxerat, dois amigos do preso político Unai López de Okariz sofreram um acidente quando regressavam a Euskal Herria depois da visita que efectuaram na prisão de Albolote (Granada). O condutor perdeu o controlo da direcção do veículo perto de Toledo e colidiu contra o separador central. Ambos os ocupantes sofreram ferimentos no pescoço e nas costas, e o carro ficou inutilizado no local. No ano passado, a Etxerat contabilizou 20 acidentes. Este ano, já vamos no terceiro.
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Em Arrasate
Por seu lado, o novo executivo do PSE segue na sua senda de erradicar as mostras de solidariedade com os presos políticos bascos. Assim, o Movimento pró-Amnistia informou que o Município de Arrasate recebeu na quinta-feira uma carta com ordens para retirar das ruas todas as fotos dos presos num prazo de 24 horas. Lembrou ainda que nas festas de São João cinco furgonetas da Ertzaintza retiraram fotos e cartazes na zona de txosnak [barracas].

Mandam retirar mais fotos, em Donostia e Bilbau
Para além disso, os bairros de Amara, Gros e Loiola, em Donostia, voltaram a ser na sexta-feira, mais uma vez, testemunhos desta caça aos retratos. Por volta do meio-dia, agentes da Ertzaintza irromperam na taberna Marruma, em Gros, identificando o empregado e ordenando a retirada de fotos e cartazes. O mesmo corpo policial irrompeu com a mesma ordem nas associações Hontza, no bairro de Loiola, e Ilunki, no bairro de Amara Berri. À tarde, a Ertzaintza apareceu no bairro bilbaíno de Rekalde e identificou duas pessoas, depois de retirar as fotografias dos presos bascos e várias faixas.

Perseguição e acosso em Amara (Donostia)
Neste bairro de Donostia, estava previsto para ontem um almoço de boas-vindas aos ex-presos Kristina Gete e Josu Lonbide, e, apesar de ser só ao meio-dia, a Ertzaintza apareceu bem cedo de manhã na sociedade Ilunki para comunicar que não o iriam permitir. Moradores disseram ao Gara que os agentes traziam uma ordem de Baltasar que lhes permitia aceder ao local a qualquer hora do dia, ate à meia-noite.
Assim, pelas 14h decidiram fechar a persiana, mas nem assim a Ertzaintza se foi embora, e a situação ganhou contornos surrealistas. Os moradores disseram que foram, na companhia de Lonbide e Gete, “tomar um copo numa esplanada, praticamente rodeados de ertzainas. Questionávamo-nos: Será que pedir um croquete é ‘enaltecimento’?”

A Ertzaintza retirou-se posteriormente, mas não sem identificar pelo menos três pessoas e deixar uma ordem para retirar da sociedade várias fotografias de presos.
Pouco depois, já se sabia na Plaza Easo, ali próxima, no bairro de Amara. Com a autorização da Câmara Municipal, havia almoço na Euskal Jaia, mas a Ertzaintza despejou o local recorrendo aos cacetetes e fez duas detenções, perante o assombro dos presentes. Souberam mais tarde, por agências, que a Polícia tinha decidido carregar ao topar com uma alusão a uma organização ilegal numa faixa. [!!!]
R.S.
Como todas as últimas sextas-feiras de cada mês, os protestos em defesa dos direitos dos presos políticos bascos ocorreram por todo o país. Estiveram especialmente marcadas pelo desaparecimento de Jon Anza. [NON DA JON?]

Fonte: Gara e Gara

A Iniciativa Internacionalista pede a anulação das eleições europeias por graves irregularidades


A II-SP pediu a anulação das eleições europeias, realizadas no dia 7 de Junho, em virtude de se ter detectado a ocorrência de graves irregularidades. Em comunicado, a II-SP anunciou que “vai recorrer a todas as vias para conseguir a anulação do processo eleitoral”, não pondo de fora a hipótese de interpor um recurso em instâncias europeias”.

Na sua nota, esta plataforma afirma que o seu recurso perante o Supremo Tribunal espanhol (ST) tem por base as “graves irregularidades que ocorreram durante a campanha eleitoral, no próprio dia das eleições e durante os escrutínios”, o que, em seu entender, constitui “uma verdadeira fraude eleitoral, que pode ter alterado significativamente os resultados eleitorais” referentes a esta candidatura.

O recurso divide estas alegadas “irregularidades” em quatro pontos: tratamento discriminatório por parte dos poderes públicos; “irregularidades” alegadamente “cometidas pela própria administração eleitoral”, como a confusão provocada pela atribuição de número à candidatura; a “impossibilidade de rever os votos nulos na maioria dos territórios”, tendo havido “curiosamente” um aumento inexplicável de 50 000 votos nulos relativamente às eleições europeias de 2004, bem como um não menos inexplicável aumento de votos brancos, que não se puderam verificar e comprovar; por último, a impossibilidade de participação da Iniciativa Internacionalista “no censo eleitoral”, algo que, em seu entender, gerou “uma situação objectiva de discriminação em relação às outras candidaturas”.

Notícia completa: kaosenlared.net

Apurtu Telebista


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Nafarroa Oinez: saiu o ‘clip’ da festa das ‘ikastolas’ de Nafarroa


A edição deste ano, organizada pela Andra Mari Ikastola, de Etxarri-Aranatz, só tem lugar no dia 18 de Outubro, mas já foi apresentada há muito pelos seus responsáveis, que convidaram toda a gente a participar. No dia 10 deste mês, foi apresentada a canção – «Txikiak Handi» [Os pequenos também são grandes] –, que tem letra de Joseba Sarrionandia, música de Kaki Arkarazo e conta com a participação de músicos e cantores conhecidos. Deixamos o clip e a letra, por ora sem tradução.

Título: Txikiak Handi [Os pequenos também são grandes]
Letra: Joseba Sarrionandia
Produção: Kaki Arkarazo
Música: Kaki Arkarazo

Músicos:
Contrabaixo e baixo: Luisillo Kalandraka / Guitarra: Kaki Arkarazo / Bateria: Mikel Abrego / Violino: Harkaitz Miner / Txalaparta: Oreka Tx

Vozes: Lur Larraza, Amets Larraza, Fran Urias, Ruper Ordorika, Petti, Estitxu, Aiora Zulaika “Pirritx” e Txomin

Gravação: Andoaingo Garate estudioetan Apirilean zehar / Técnico de som: Kaki Arkarazo

Mais informações: http://www.nafarroaoinez.net/

Hara gure oinak bidea eginez: Biderik badugu? Ez dugu biderik. Egiten badugu izango dugu bidea.

Bide guziak ez dira errazak, oinez goaz baina. Txikiak ere baditu oinak handienak haina…
Bide guziak ez dira errazak, oinez goaz baina. Txikiak ere baditu oinak handienak haina…

Ez dugu ja lotsa euskaraz eginez: Euskara badugu, ez dugu euskararik. Egiten badugu izango dugu hizkuntza.

Ez gelditu lotan ametsak eginez: Ametsa badugu, ez dugu ametsik. Egiten badugu beteko dugu ametsa.

Bide guziak ez dira errazak, oinez goaz baina. Txikiak ere baditu oinak handienak haina…
Bide guziak ez dira errazak, oinez goaz baina. Txikiak ere baditu oinak handienak haina…

Badabil jendea herria eginez: Herria badugu, ez dugu herririk. Egiten badugu izango dugu herria.

Dezenas de historiadores exigem às instituições que parem de esconder os «Sanfermines» de 1978

Se o ano passado foram profissionais do Direito a entrar na liça em vésperas do San Fermin, ontem 45 historiadores lembraram que o assalto policial às festas de 1978 continua excluído da história oficial. Por isso, pediram directamente às instituições navarras que facilitem a investigação do caso e que a incluam nos currículos educativos.

Alguns destes historiadores (Xabier Díaz Esarte, Mikel Sorauren, Josu Txueka, Anjel Rekalde) compareceram junto a membros da iniciativa que lembra aqueles acontecimentos, como Miren Egaña e Ramón Contreras. Este último equiparou a inacção das instituições a “um estado de shock permanente desde 1978. Não querem falar nem pensar sobre aquilo”.

Josu Txueka encarregou-se de resumir a exigência dos historiadores, que passa por que “as diversas instituições da nossa cidade e comunidade reconheçam a citada agressão para efeitos de inclusão em qualquer tipo de actuação oficial relativa à história do nosso povo, em geral, e das festas de San Fermin, em particular".

Txueka lembrou que, apesar de já terem passado 31 anos, os historiadores continuam a ter dificuldades para escrever a verdade sobre aqueles acontecimentos, e não só porque os dois sumários abertos foram fechados em falso, mas também porque continua vigente a Lei de Arquivos, que estabelece que os documentos oficiais não sejam desclassificados antes de terem passado 50 anos.

Num relato emotivo enquanto testemunha presencial das cargas, Mikel Sorauren afirmou que “aquele 8 de Julho foi uma versão da guerra de baixa intensidade do 18 de Julho de 1936. Queriam dar um correctivo a uma sociedade que aspirava realmente à liberdade e à democracia”.

Defensor e moção
Além disso, a iniciativa apresentou uma moção que será votada no Município, no dia 2, em que pede que seja criada uma Comissão da Verdade sobre o tema.
Os presentes desvelaram ainda que em Fevereiro o Defensor do Povo de Nafarroa rejeitou a petição da Iniciativa Sanfermines 78 Gogoan para que abordasse o caso. Argumentou falta de competências. Contreras definiu-o como “uma fuga taurina”.
R.S.

Fonte: Gara

Por Jon Anza, em Altsasu, e Inés del Río, em Tafalla


Em Altsasu, perguntam por Jon Anza aos vereadores do PSN

Coincidindo com o passeio que os vereadores do Município de Altsasu (Nafarroa) fazem durante as festas de São João, na terça-feira passada dezenas de altsasuarras concentraram-se em frente a eles para interpelar o PSN sobre o paradeiro de Jon Anza, refugiado político basco desaparecido desde o dia 18 de Abril. Quando uma pessoa se aproximou dos vereadores socialistas com um cartaz, estes optaram por abandonar a praça, juntamente com os seus guarda-costas.

«Txapeo» en Foncalent
Noutras bandas, mas chamando a atenção para o mesmo caso, os presos políticos encarcerados na prisão de Foncalent realizaram ontem um txapeo, ou seja, não saíram das suas celas. Como nesta prisão as saídas para o pátio se efectuam de forma rotativa, alguns deles estarão encerrados nas suas celas entre 40 e 50 horas. Nesta prisão encontram-se encarcerados os navarros Iñaki Fagoaga, Eder Ariz e Luis Goñi.

Fonte: apurtu.org

Inés del Río, 22 anos na prisão


Moradores e moradoras de Tafalla (Nafarroa) vão denunciar no próximo dia 3 de Julho a aplicação da “pena perpétua” a Inés del Río, presa política que já cumpriu a sua pena mas que continua na prisão. A Audiência Nacional espanhola impôs a Del Río mais 9 anos de cadeia em sintonia com a aplicação da conhecida Doutrina do Supremo 35/06.

22 anos na prisão e em isolamento
Inés del Río está há 22 anos na prisão e já deveria ter recuperado a liberdade há um ano. Em Tafalla, os habitantes pedem que se continue a “lutar sem complexos e sem medos contra este sistema genocida; essa é a melhor homenagem que podemos fazer a Inés e também a melhor maneira de lhe dar força e lhe mandar um sopro de liberdade para lá, onde quer que a tenham presa”. A mobilização partirá das 4 Esquinas às 20h.

Mobilização em Atarrabia
Dezenas de pessoas mobilizaram-se na quarta-feira passada em Atarrabia em defesa dos direitos das presas e dos presos políticos bascos, bem como em lembrança das pessoas refugiadas.

Fonte: apurtu.org

A ofensiva policial franco-espanhola e as «altas responsabilidades» costumeiras


Cinco cidadãos bascos encontram-se neste momento em situação de incomunicação em ambos os lados da fronteira. Aos três presos em Gipuzkoa junta-se agora a detenção de Xabier Arruabarrena e Oihana Garmendia em Paris, a quem são atribuídas mais uma vez altas responsabilidades, neste caso no “aparelho de informação” da ETA, apesar de apenas se terem encontrado arquivos informáticos de conteúdo desconhecido. Rubalcaba recupera o discurso de há duas semanas sobre o “êxito policial”.

Em protesto contra a operação, ontem concentraram-se 110 pessoas em Elorrio, terra natal de Arruabarrena, e 120 em Santurtzi, terra natal de Garmendia.

A esquerda abertzale, remando contra o discurso da generalidade dos partidos, afirmou numa nota que “é estéril e uma autêntica irresponsabilidade política” insistir na espiral da repressão. Realçou a importância da procura de cenários e soluções democráticas após verificar três coisas: “a derrota militar da ETA simplesmente não é possível”, “a negociação e o diálogo são a única alternativa” e “o conflito político não pode ser reduzido a um problema ‘antiterrorista’”.

Juízes de Paris, para Euskal Herria
Entretanto, a Askatasuna revelou que anteontem vários cidadãos bascos viram aterrar no aeroporto de Biarritz três juízes especiais de Paris: deve tratar-se de Levert, Hoyvet e Bruneau, que se encarregam habitualmente de instruir assuntos de carácter “antiterrorista”.
“Não sabemos qual é a razão da visita, mas podemos estar seguros de que vieram escrever uma nova página repressiva», afirma a Askatasuna.


Detidos em Gipuzkoa
Em relação aos detidos em Gipuzkoa na terça-feira, o Torturaren Aurkako Taldea (TAT; Grupo contra a Tortura) deu a conhecer novos entraves colocados ao trabalho dos médicos de confiança dos detidos, violando assim o chamado “protocolo Garzón”. Por tal, pensam apresentar uma queixa em Estrasburgo e no Comité Europeu para a Prevenção da Tortura (CPT). Em Astigarraga, moradores afirmaram que a Ertzaintza retirou cartazes em defesa dos detidos. Em Usurbil concentraram-se 70 pessoas, tendo-se ficado ainda saber que foi apresentada uma moção no Município para ser debatida na terça-feira.

Notícia completa: Gara

Moradores de Iruñea querem retirar o nome de um fascista a uma praça pública


Seria a actual Plaza Conde de Rodezno, o sinistro personagem na história de Iruñea; propõem alterar a designação para Plaza La Fuga del Fuerte-Ezkabako ihesaldia, em homenagem aos presos antifranquistas.

“Seria conveniente reutilizar esta praça e sala de exposições dedicadas até agora a enaltecer os golpistas e criminosos de guerra, e destiná-la à homenagem pública daqueles que sofreram esses horrores”. Com estas palavras, Carlos Martínez, da associação «Pueblo de las Viudas», de Sartaguda, deu ontem a conhecer a iniciativa que, juntamente com outros nove colectivos de cidadãos, vão apresentar no Município de Iruñea [Pamplona] para que se mude o nome à Praça Conde Rodezno, porque “os políticos e os militares ligados ao fascismo e à violação dos direitos humanos não podem ter nenhum lugar de reconhecimento público na nossa cidade”.
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Para alertar os cidadãos e pedir-lhes que secundem esta iniciativa, os dez colectivos proponentes convocaram uma concentração festiva para este sábado, dia 27 de Junho, às 19h30, na Praça Conde de Rodezno: “No dia 27 devemos estar na praça por todos aqueles e aquelas que lutaram por um mundo mais justo”, disse Ana Barrena, da «Memoriaren Bideak».
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Os colectivos consideram que Barcina “faz coisas estranhíssimas para não cumprir a lei”, quando a sua obrigação seria a de “eliminar todos os símbolos franquistas, porque ferem os sentimentos das pessoas, que, ainda hoje, continuam a sentir a falta de reparação”. Desta forma, propuseram que a actual Plaza Conde de Rodezno se chame Plaza de la Fuga del Fuerte - Ezkabako ihesaldia, em homenagem aos que “foram perseguidos pelas suas ideias e viram as suas vidas alteradas pelo levantamento franquista”. Porque a mudança de nome deve significar “uma requalificação social e democrática do espaço urbano”, uma praça “para a liberdade, a justiça e os direitos humanos”.
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As obras no forte de Ezkaba
Na conferência de imprensa, Iñaki Alforja, da «Eguzki» Bideoak, também realçou as obras que se fizeram no forte de Ezkaba, sendo que o Ministério da Defesa retirou “os muros do pátio da prisão” e demoliu aqueles que o assinalavam enquanto presídio, de forma a “apagar as marcas daquilo que foi”, uma actuação que, em seu entender, fere a Lei do Património Cultural. O forte é um Bem de Interesse Cultural e só se pode intervir nele se as obras ajudarem a ter uma perspectiva histórica mais ajustada, “e não a eliminá-la”.

Fonte: kaosenlared.net

Ver também: «Familiares de fuzilados, insatisfeitos com o enfoque dado nas visitas a Ezkaba», em Gara

Ver também: «O Governo navarro mostra Ezkaba como forte e não como prisão», em Gara (7/6/2009)
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Entretanto, em Berriozar foi prestada homenagem a 47 prisioneiros de Ezkaba, provenientes de todo o Estado espanhol, que foram assassinados ou morreram de doença entre 1936 e 1945, e que foram enterrados no cemitério desta localidade navarra.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Nafarroa: 2008ko Urtekaria / Anuário de 2008 agora acessível na Internet

O Anuário da repressão em Nafarroa referente a 2008 foi elaborado pelo Movimento pró-Amnistia de Nafarroa e foi colocado inicialmente à venda, mas agora encontra-se acessível de forma gratuita na Internet.


Fonte: apurtu.org

Detenção em França de duas pessoas que fontes policiais dizem estar ligadas ao “aparelho de informação” da ETA

Citando fontes policiais, a agência EFE indica que a operação que se saldou com a detenção de duas pessoas foi realizada por agentes da Polícia judiciária francesa auxiliados pela brigada especial de intervenções da Polícia francesa e da Guarda Civil na localidade de Charenton-le-Pont, a sudeste de Paris, no departamento de Val de Marne.

A detenção ocorreu às 6h da manhã e os responsáveis da Polícia espanhola, que apontaram as duas pessoas detidas como responsáveis do “aparelho de informação” da organização armada, afirmaram que se tratava de Javier Arruabarrena, com 37 anos de idade e natural de Elorrio, e de Oihana Garmendia, com 32 anos e natural de Santurtzi.

A inspecção da casa em que foram detidos, por parte da Polícia francesa, demorou doze horas e só ficou concluída por volta das 18h.

Notícia completa: Gara

Continuam as restrições ao trabalho dos médicos de confiança no caso dos detidos de Usurbil e Astigarraga

Os médicos de confiança dos detidos em Usurbil e Astigarraga por ordem do juiz Baltasar Garzón continuam sem poder realizar o seu trabalho nas condições estipuladas pelo protocolo contra a tortura do próprio magistrado. Já perderam três visitas e não podem completar os historiais. E isto apesar de o juiz da Audiência Nacional ter anunciado a Olatz Lasagabaster, Ainara Vázquez e Patxi Uranga que o protocolo lhes seria aplicado.


Os médicos de confiança, que viram violadas diversas medidas básicas da assistência aos detidos e, tendo em conta os diversos entraves que foram colocados ao seu trabalho, ponderam agora a melhor forma de apresentar uma queixa em Estrasburgo e no CPT.

Contra as detenções destes jovens, em Orio manifestaram-se 170 pessoas e em Astigarraga, 80.

Notícia completa: Gara

Mudança de mandos na EiTB


Assim entende a extrema-direita “a cultura da paz e do respeito pelo diferente”.
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O apartheid politico, a censura e os vetos já estão em andamento na EITB...
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Bilbo * E.H.
O novo director “títere” da radiotelevisão pública basca, Alberto Surio, deixou de lado, na sua apresentação, a referência aos jornalistas assassinados pelas balas fascistas: Xabier Galdeano, delegado do Egin em Iparralde (morto pelos GAL a 30 de Março de 1985 em Donibane Lohitzune), e Josu Muguruza, redactor-chefe do Egin, falecido a 20 de Novembro de 1989 no atentado do hotel Alcalá.
Surio também não fez referência às detenções, aos encarceramentos e às torturas de jornalistas e directores de meios de comunicação, como os da Basque Red Net, Kalegorria, Ardi Beltza, Apurtu.org, Egin, Egin Irratia e Egunkaria, com a agravante, neste último caso, das torturas denunciadas tanto pelo director como por outros responsáveis do diário euskaldun.
É esta a noção que o “ultra” tem “da cultura da paz e do respeito pelo diferente”.
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Sare Info: http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/06/eitb-abre-una-nueva-fase-de-apartheid.html

Fonte: SareAntifaxista

No Gara diz-se que o novo director geral da EiTB, Alberto Surio, acompanhado por parte da sua equipa, anunciou na terça-feira, perante os trabalhadores da entidade pública, quais serão as linhas que irão orientar a actuação da nova direcção. O director geral da EiTB, Alberto Surio, afirmou que a empresa pública fará “pedagogia cívica contra a violência”, trabalhará contra “a deslegitimação do terrorismo da ETA” e reivindicará a memória das vítimas. Mas, ao entrar em casos concretos, viu-se que se lembra mais de umas vítimas do que doutras.

O ‘lehendakari’ Patxi López pede que se actue contra a II-SP


O lehendakari anuncia em Madrid que não haverá dinheiro para os familiares dos presos

Num pequeno-almoço informativo organizado pela Europa Press em Madrid, Patxi López realçou que se “possuem os instrumentos”, em referência à Lei de Partidos, e “é preciso saber usá-las com contundência”.

Depois de afirmar que “não pode haver formações que sejam mera disfarce de uma organização terrorista”, advertiu que a Lei de Partidos se deve aplicar “com absoluta corecção” porque “ilegalizar um partido é uma coisa muito séria”.

Referiu que, quando a Iniciativa Internacionalista apresentou a sua candidatura às eleições europeias, “parece que os dados e os factos não eram suficientes” contra esta formação e a sua presença nas eleições foi permitida.

“Depois, viu-se como há factos e dados que mostram que esta formação era a cobertura de uma outra já ilegalizada” e como houve “declarações que iam mais na linha da conivência com o terrorismo, o artigo de Alfonso Sastre no Gara”, ou que Arnaldo Otegi fizesse de “porta-voz”.

“Espero que, com base nestes novos factos, se possa adoptar outra decisão”, sublinhou, antes de manifestar a sua confiança na Justiça.

No mesmo domingo em que foi publicado o artigo «A prosa e a política», o PSE e o PP carregaram contra Sastre e pediram a ilegalização da II-SP.


López deixou claro que, se existisse uma decisão judicial para dissolver os municípios em que governa a ANV, “seria cumprida”.

Também lembrou que o seu partido apresentou moções de censura nos municípios em que “tem capacidade e força para o fazer”.

Notícia completa: Gara

Nota: Isto é um lehendakari!? Isto é o lehendakari!?

Fatxa news: juiz Andreu diz que pensam modificar o Código Penal para casos como o de Sastre

Pela boca de um juiz da Audiência Nacional, Fernando Andreu, soube-se ontem que o Governo espanhol está a estudar a hipótese de proceder a uma nova modificação do Código Penal para uma nova ampliação de delitos tipificados como “terrorismo”. Assim, segundo Andreu, que ontem participou num curso de Verão em Santander, a mudança permitiria punir condutas de “indução” ou “provocação pública do terrorismo”. Como exemplo, lembrou o caso do artigo de Alfonso Sastre. [!!!] Disse que a partir da mudança poderiam actuar penalmente contra o dramaturgo, criando, ainda, uma tipificação “independente” das já fixadas. [Sim, mais e mais! A Paz!]

Fonte: Gara

A Euskalerria Irratia solicita uma licença a Madrid face à «arbitrariedade» da UPN

Os responsáveis da Euskalerria Irratia defenderam-se ontem, mediante a apresentação de dados técnicos, das acusações do Governo de Nafarroa, que os acusa de interferir, com as suas emissões radiofónicas, no tráfego aéreo do aeroporto de Noain. Mikel Bujanda, director da emissora, anunciou que solicitou uma licença directamente ao Ministério da Indústria, na sequência da recusa “arbitrária” do Executivo da UPN. Não obstante, reconheceu que a resposta de Madrid pode tardar meses.

O director da emissora desafiou a Direcção Geral da Comunicação do Governo navarro a inspeccionar as suas instalações e a “demonstrar com provas empíricas” as afirmações que sustentaram a exigência do fim das emissões. Depois de apresentar provas de que a sua antena não está colocada no “ponto crítico” de onde emanam as emissões que perturbaram o tráfego aéreo, Bujanda anunciou que irá na segunda-feira ao Parlamento, tendo em conta a “nula seriedade, objectividade e responsabilidade com que o Executivo foral tem vindo a gerir o espectro radiofónico” de Iruñerria. Por outro lado, avaliou de forma positiva a intermediação do gerente do Euskarabidea, Xabier Azanza.


No comunicado lido pela gerente da rádio, Leire Asporosa, a emissora reiterou que a “desamparo” em que se encontram “deriva da falta de licença, e não de umas supostas interferências”. Assim, a gerente denunciou a situação em que se encontram depois de mais de 20 anos de emissão ininterrupta e apesar de manter “uma programação local de mais de oito horas diárias em euskara”.

Debate parlamentar
Tudo aponta para que o Parlamento acolha favoravelmente as exigências desta emissora, já que todos os grupos, excepto a UPN, estão de acordo relativamente ao facto de o requerimento para encerrar as antenas de rádio se dever cingir a questões de âmbito técnico. Estão também de acordo quanto à necessidade de uma procura de solução para as licenças radiofónicas. Já em Fevereiro deste ano pediram que se retirassem as concessões à Radio Universidad (da Opus Dei) e Net 21, no caso de não corrigirem “os graves incumprimentos dos requisitos e das obrigações que assumiram”. Por tudo isto, solicitaram a presença do porta-voz do Governo, Alberto Catalán, para que dê explicações na Câmara esta terça-feira.
Por outro lado, os responsáveis da Euskalerria Irratia admitiram estar à procura de fórmulas para continuarem com as suas emissões, no caso de a sua antena acabar por ser encerrada. Leire Asporosa afirmou que, em qualquer dos casos, as opções que estão a ser consideradas permitirão manter a mesma frequência – 91.4 FM.

Aritz INTXUSTA

Fonte: Gara

O TAN diz que os nomes das ruas da Txantrea devem figurar em euskara


O Tribunal Administrativo de Nafarroa (TAN) deu razão aos moradores da Txantrea, que há vários meses apresentaram um recurso para que o Município de Iruñea [Pamplona] rotule em euskara as ruas cujos nomes possuam uma tradução homologada. Como é do conhecimento público, Yolanda Barcina aceitou, depois das pressões dos moradores e das sentenças judiciais, suprimir os nomes das ruas que faziam referência a personagens franquistas e substitui-los por nomes de terras de Iruñerria [comarca de Pamplona]. No entanto, a dirigente da UPN mandou colocar estes nomes apenas em castelhano, o que motivou novos protestos por parte dos moradores. Agora o TAN obriga-a a fazê-lo também em euskara, o que implica despesa pública a dobrar para as arcas municipais.

Fonte: Gara

Repressão


A Ertzaintza volta a retirar as fotos dos presos em Aulesti

Três patrulhas da Ertzaintza chegaram à praça da localidade biscainha pelas 11h30 e voltaram retirar as fotografias dos presos políticos que ali havia.
Retiraram, para além disso, os cartazes em que se denunciava a situação que padecem os prisioneiros doentes, bem como alguns – não todos – em que se pergunta sobre o paradeiro do militante Jon Anza.
É a segunda vez que a Ertzaintza vai a Aulesti em poucos dias com o intuito de retirar imagens dos prisioneiros políticos.

Fonte: Gara

Mikel Barrios foi preso de manhã e posto em liberdade à tarde

A Polícia francesa prendeu Mikel Barrios ontem de manhã em Domintxaine (Zuberoa, Ipar Euskal Herria), quando se encontrava acompanhado pela sua namorada.
De acordo com a informação veiculada pela agência EFE, na detenção de Mikel Barrios participaram também agentes da Polícia espanhola. Mikel, jovem independentista de 21 anos e morador no bairro de Arrosadia (Iruñea), tinha escapado a uma operação policial movida contra os jovens navarros por alegada ligação à Segi, tendo sido emitido um mandado de busca e captura a nível europeu contra ele. Na parte da tarde, foi conduzido ao Tribunal de Pau e saiu em liberdade.

Fontes: Gara e askatu.org

O exército de ocupação espanhol insulta o Povo Basco


Militares espanhóis sobem ao monte Gorbeia e envolvem a cruz com a bandeira espanhola.

Ver: SareAntifaxista

Alde Hemendik! Faxistak!

Fonte: SareAntifaxista

Nota: a notícia já aqui foi dada há alguns dias, tal como na Sare e noutros meios informativos, mas só hoje apareceu uma foto.
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ADENDA: «A “normalidade” de Patxi Lopez atemoriza @s cidadã@s basc@s», em kaosenlared.net

terça-feira, 23 de junho de 2009

‘Burdinen arteko herria’: está na rua um livro que conta a história do Colectivo de Presos Políticos Bascos

“Este trabalho é uma metáfora da liberdade, da luta e da dignidade de milhares de homens e mulheres que viveram uma política de extermínio”.

Isto foi afirmado no sábado à tarde, em Lakuntza, no âmbito do festival solidário HatortxuRock 10, na sessão de apresentação do livro Burdinen arteko herria [O povo atrás das grades; tradução feita aqui!], que dá a conhecer a história do Colectivo de Pres@s Polític@s Basc@s.

Durante a sessão, lembrou-se que os primeiros presos políticos em Euskal Herria datam “do séc. XVI” e que, “desde 1936 até hoje, apenas passaram duas semanas, em 1979, em que não houve presos políticos bascos na prisão”.

O trabalho descreve de forma clara “o único colectivo na Europa, e talvez em todo o mundo, que conseguiu manter o seu carácter depois de ter que passar por todo o tipo de adversidades e privações durante tanto tempo. Ainda assim, conseguiu aguentar firme”.

Fonte: askatu.org

Já na primeira sessão de lançamento, que decorreu no dia 15, em Donostia, se afirmou que é uma história de “sangue e sofrimento”, mas também de “dignidade e firmeza”.


Apresentação da obra no Hatortxu.


EPPK, o Colectivo de Presos Políticos Bascos: duintasuna eta tinkotasunaren historia / uma história de dignidade e firmeza.

Manu Chao actuará no festival EHZ, dentro da ‘tournée’ mundial Tombolatour


Manu Chao volta a Euskal Herria para actuar no Euskal Herria Zuzenean, no dia 3 de Julho, primeiro dia do festival, segundo apurou o Gara. O concerto enquadra-se na tournée mundial que está realizar, intitulada Tombolatour. O cantor vai aterrar em Heleta depois de apresentar vários concertos na Rússia e de participar no festival Solidays de Paris, no dia 28 de Junho.

Manu Chao irá apresentar em directo o seu último disco, La Radiolina, que inclui, entre outras, a canção «Rainin in Paradize», mas não faltarão seguramente canções como «Clandestino», «Je ne t’aime plus» o «Welcome to Tijuana».
O festival realiza-se nos dias 3, 4 e 5 de Julho, e contará com um programa completo que só hoje se fechará.

A 14.ª edição do Euskal Herria Zuzenean surge repleta de novidades. Por um lado, muda de cenário, já que, depois de um ciclo de cinco anos nos campos de Idauze Mendi, em Zuberoa, desta vez vai o projecto para a localidade de Heleta, situada em Behe Nafarroa.
A intenção dos organizadores é abrir o festival a diferentes estilos e mostrar que a música local se pode complementar perfeitamente com a de fora, e com qualidade.

Programa amplo
O cartaz do Euskal Herria Zuzenean encontra-se repleto de actividades variadas. Na sexta-feira, Manu Chao, No Smoking Orchestra, do conhecido realizador de cinema sérvio Emir Kusturica, The Bellrays, de Los Angeles, e os locais Willis Drummond.

No sábado, as marionetas do grupo alemão Puppetmastaz, a banda We are Standard, que actuará juntamente com os Deskontrol. No domingo, Seun Kuti e The Congos vão animar a última noite em Heleta, os seus campos e também as suas ruas.

Os organizadores decidiram aumentar a oferta cultural nesta nova edição, para lá dos concertos. Assim, a diversidade de expressões será visível nas actuações de grupos de teatro, nos contadores de histórias ou no mercado de produtos artesanais e ecológicos.

Filme de Muguruza e concerto de Safaa Arapiyat
Fermin Muguruza apresentará também em Heleta Checkpoint Rock. Canciones desde Palestina, um filme que pretende dar voz a um país cosido por fronteiras artificiais e ocupado por um Estado que evita a divulgação da sua existência cultural perante o resto do mundo. Segundo o Gara conseguiu saber, a ante-estreia será no dia 3. No percurso de Tel Aviv até aos territórios ocupados da Cisjordânia e Gaza, com a preciosa colaboração de Angel G. Katarain, captam em directo a música dos DAM, o primeiro grupo de rap palestiniano, do grupo de rock Khalas, formado por três palestinianos, ou da cantora e actriz Amal Murkus, que dedicou a sua carreira a promover a música e a cultura palestiniana em Israel e noutros países.

Walla’at, Habib Addeek, Muthana Shaban, Shadi Al-Assi, Sabreen, Palestinian Rapperz e Le Trio Jurban são os nomes dos restantes músicos que protagonizam este filme de Muguruza, juntamente com a jovem Safaa Arapiyat. Esta última, que foi a primeira mulher rapper palestiniana, também virá a Heleta e actuará no festival Euskal Herria Zuzenean.

Notícia completa: Gara

Comentário político na Info7 Irratia



Floren Aoiz comenta a celebração do dia do partido por parte da UPN; e analisa um conjunto de questões de extrema importância para o panorama político actual de Euskal Herria.

Começa em Hernani a repressão contra actos festivos a favor dos presos políticos

No âmbito da dinâmica encetada pelos governos espanhol e de Lakua para reprimir as solidariedade para com os presos políticos bascos, anteontem o delegado do Governo espanhol em Gipuzkoa, Araba e Bizkaia, Mikel Cabieces, fez saber que deu ordens ao MP espanhol para apresentar um recurso contra o acordo municipal que prevê que o programa de festas da localidade guipuscoana de Hernani inclua um acto em defesa dos direitos dos presos políticos bascos. O recurso já foi apresentado na sexta-feira num tribunal de Donostia.

O evento, que se enquadra nas festas Hernani, está previsto para terça-feira à tarde, dia 24 de Junho.

Protesto em Lannemazen
No recurso apresentado, a Delegação a que preside Mikel Cabieces também aponta as baterias contra o «Dia a favor dos direitos das pessoas perseguidas”, que, de acordo com as agências noticiosas, se inclui no programa das festas de Hernani para dia 26 de Junho.

Num comunicado, o delegado do Governo espanhol fez saber que deu ordens para apresentar o recurso por entender que estes actos “colidem com os princípios estabelecidos na Ley de Reconocimiento y Reparación a las Víctimas del Terrorismo aprovada pelo Parlamento basco no ano passado”.

Por outro lado, no domingo, trinta pessoas participaram num protesto festivo convocado pelo Movimento pró-Amnistia em frente à prisão francesa de Lannemazen, num acto contra o isolamento dos presos políticos bascos como medida repressiva e política dos estados.

Fonte: Gara

A II-SP repudia a campanha de acosso «irracional e fascista»


A Iniciativa Internacionalista-Solidaridad entre los Pueblos (II-SP) repudia a campanha de acosso «irracional e fascista» e expressa o seu compromisso com uma saída dialogada e política para o conflito.

“Esta nova fase de criminalização pretende facilitar a nossa ilegalização. Pois bem, só lhes podemos dizer que avancem, que não esperem tanto e que o tentem já”, refere a II-SP num comunicado.

A declaração surge na sequência da ofensiva aberta no domingo com as declarações de dirigentes do PP e do PSOE contra o dramaturgo e cabeça de lista da II-SP, Alfonso Sastre, pelo artigo «A prosa e a política» publicado no Gara no domingo.

A II-SP sublinha que não tem “nada a esconder nem a ocultar” e lembra que foi o Tribunal Constitucional a definir que “cumpre todos os requisitos legais”.

Considera que a campanha aberta contra a II-SP procura ocultar “os verdadeiros problemas que afectam a sociedade, como o desemprego, a corrupção, o aumento do mercado negro e do crime, o fracasso escolar ou o consumo de drogas”.

Afirma, assim, que “querem distrair as pessoas dos autênticos problemas da sociedade” com a campanha aberta contra a II-SP, plataforma que “traz esperança, o diagnóstico dos problemas reais e o início das suas soluções”.

“Não nos vão assustar nem liquidar, estamos de pé, continuaremos de pé e seguindo em frente”, salienta.

Critica “todos os pilares e muletas do regime” e declara que o “nosso compromisso com essa solução pacífica, política e dialogada que, por outro lado, todos os presidentes do Governo ensaiaram desde há três décadas com maior ou menor convicção, parte da evidência empírica de que tal conflito existe”, declara.
Fonte: Gara

A Polícia espanhola detém três pessoas em Gipuzkoa numa operação «preventiva»


A Polícia espanhola deteve duas pessoas em Usurbil e uma terceira em Astigarraga numa operação de “carácter preventivo” levada a cabo esta madrugada e ordenada pelo juiz Baltasar Garzón. O secretário de Estado para a Segurança, Antonio Camacho, disse que “era um comando que não tinha iniciado a sua actividade, mas que estava em condições de o começar a fazer”.

Em conferência de imprensa, o secretário descreveu o material apreendido na sequência das quatro inspecções praticadas em Usurbil, Astigarraga, Lasarte e Donostia, mas disse que não se encontrou nada próprio para fazer bombas-lapa.

Notícia completa: Gara

«Don't extradite the Basques»


Diz não à extradição de dois refugiados políticos bascos no Norte da Irlanda - Iñaki de Juana e Arturo 'Beñat' Villanueva - para o Estado espanhol. Está a decorrer uma campanha de recolha de assinaturas.

Mais informações sobre a perseguição política movida contra eles pelo Estado espanhol e sobre os processos de extradição (com actualização permanente) em:

http://www.dontextraditethebasques.org/
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Assina aqui.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O fascismo não dorme: apresentam queixa contra Alfonso Sastre na Procuradoria-Geral do Estado espanhol

O sindicato de funcionários Manos Limpias apresentou uma queixa na Procuradoria-Geral do Estado espanhol contra o dramaturgo e cabeça de lista da II-SP, Alfonso Sastre, pelo artigo «A prosa e a política», publicado ontem no Gara.

PP-PSOE carregam em uníssono contra a II-SP reclamando a sua ilegalização

Quiroga pede que se adoptem “as medidas necessárias” para que a II “desapareça”

Um dia depois de o PP e o PSOE terem arremetido contra Alfonso Sastre pelo artigo de opinião publicado no Gara, o sindicato de extrema-direita Manos Limpias apresentou uma queixa na Procuradoria-Geral do Estado contra o dramaturgo por “ameaças e colaboração” com a ETA.

Opina que o artigo «A prosa e a política» incorre em “ameaças de um mal que constitui delito destinado a atemorizar os habitantes de uma população”.

Sustenta ainda que existe a “colaboração com organização armada do artigo 578 do Código Penal que prevê a justificação por qualquer meio de expressão pública dos delitos de terrorismo ou da realização de actos que impliquem descrédito, menosprezo ou humilhação das vítimas dos delitos terroristas ou seus familiares”.

O sindicato de extrema-direita assegura na sua queixa que “os antecedentes do denunciado”, Alfonso Sastre, “que existem em arquivos policiais e da Guarda Civil revelam a ligação directa com a esquerda abertzale e com a organização terrorista ETA”. (sic)

Fonte: Gara


No inSurGente e na Kaos en la red foi lançada uma campanha de apoio a Alfonso Sastre: «Yo también soy Sastre» / «Eu também sou Sastre».

Como era previsível, a direita institucional e os seus meios de comunicação arremetem de novo contra Alfonso Sastre e contra a II-SP. Não bastavam as calúnias do ministro do Interior, a espantosa tentativa de ilegalização por parte do Supremo Tribunal, o acosso mediático anterior às eleições, a fraude eleitoral... Para os herdeiros do franquismo e os filhos políticos dos GAL, a dissidência real é algo que é preciso eliminar a qualquer preço, por todos os meios legais e ilegais, legítimos e ilegítimos. Mesmo se à custa de fazerem uma triste figura, que é o maior perigo que correm os que abusam de um poder assente no dinheiro e na força bruta. Mesmo se à custa da tristíssima figura que fazem ao chamar “matón” a Alfonso Sastre por nos lembrar algo óbvio, algo que o Governo [espanhol] sabe melhor que ninguém: que apenas existe um caminho para acabar com a ETA, e que esse caminho passa por alterar as condições objectivas que propiciam o surgimento de novos militantes. Ainda que amanhã fossem detidos todos os etarras, dentro de alguns meses poderia haver um novo comando preparado para prolongar a espiral de violência. É uma ameaça dizer algo tão óbvio? Parece que sim. Parece que o ancestral costume dos tiranos neuróticos continua vigente na “Espanha democrática”, e matar o mensageiro gera um certo alívio entre os que pensam com as entranhas.

Mas desta vez não mediram as forças. Alfonso Sastre é demasiado grande para eles, é demasiado alto para eles, e quem lhe atira a sua baba suja, como os que cospem para o ar, hão-de ver o cuspo cair-lhes na cara. Somos muitos e muitas – e não todos “radicais”, como o poder gosta de nos chamar – os que vemos em Sastre um imprescindível referente de lucidez, valor e dignidade, um exemplo a seguir no plano intelectual e no ético. Somos muitos e muitas os que, como Sastre, pedimos uma solução pacífica e dialogada para o denominado “conflito basco”; o que implica, naturalmente, o fim dos atentados, mas também o fim das torturas (denunciadas insistentemente pela ONU, Amnistia Internacional e mais de quarenta organizações de todo o Estado espanhol), da repressão desmedida e da chamada “guerra suja”, que não é senão outro nome para o terrorismo de Estado. Somos muitos e muitas os que, perante esta nova tentativa de criminalização da inteligência que um Millán Astray teria capitaneado com fervor, diremos – dizemos já – “Yo también soy Sastre” / “Eu também sou Sastre”.

Signatários:
Irene Amador, antropóloga
Carlo Frabetti, escritor
Ángeles Maestro, médica
Juan Domingo Sánchez Estop, tradutor
Pascual Serrano, jornalista
Iñaki Errazkin, jornalista
Juan Barrio Iglesias, presidente de Lurra, Asociación Navarra en Defensa de la Tierra
Francisco Larrauri
Lucía Ochoa, designer gráfica
Xabier Herrador, desempregado, irmão de um preso político basco
Antonio Maira, analista político
Manel Márquez, historiador

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