domingo, 8 de novembro de 2009

Solidariedade com Euskal Herria a nível internacional


Concentração em Montevideu: «Basta de repressão sobre o povo basco. Sim à autodeterminação»
Cerca de 50 pessoas participaram na quinta-feira, em Montevideu, numa concentração de protesto contra as detenções e em apoio a um processo democrático para Euskal Herria. Durante quase duas horas, os congregados distribuíram folhetos informativos sobre a situação de estado de excepção que a sociedade basca vive. A convocatória foi realizada pelo Comité de Solidaridad Internacionalista e apoiada por vários colectivos sociais e sindicais uruguaios.
Norma Morroni participou no acto e leu um comunicado.
Galeria de fotos das últimas mobilizações por Euskal Herria no Uruguai, Países Catalães e Milão.
Fonte: askapena.org

Quatro senadores mexicanos, preocupados com a situação de Joseba Agudo
Vários senadores mexicanos, entre eles o membro da diáspora basca José Luis García Zalvidea, subscreveram um documento no qual reconhecem o trabalho do advogado Joseba Agudo, detido há uma semana por ordem do juiz Marlaska. Manifestam ainda a sua preocupação pela sua segurança pessoal e exigem que os seus direitos sejam respeitados.
Página do senador José Luis García Zalvidea
Fonte: askapena.org
Concentração em Madrid contra a Lei de Partidos e em defesa das liberdades cívicas
Em Madrid, cerca de 200 pessoas participaram na sexta-feira numa concentração em defesa das liberdades cívicas e em protesto contra as últimas detenções de dirigentes políticos e sindicais em Euskal Herria.
Para ler o manifesto e ver mais fotos: lahaine.org

O sindicato ELA recusa-se a enterrar a memória histórica e as ideias dos perseguidos


Gara, Lodosa eta Sartaguda (Nafarroa) * E.H.
«La memoria y las ideas no se entierran. Bizirik diraute [Estão/Permanecem vivas]». Com este lema, cerca de mil sindicalistas e membros do ELA participaram na sexta-feira numa cerimónia em Lodosa e Sartaguda para reafirmar o seu compromisso com os perseguidos políticos após o golpe de estado de 1936 e exigir uma reparação. Na cerimónia foram homenageados familiares de fuzilados nesta zona de Nafarroa e pessoas que se destacaram pelo seu trabalho em prol da recuperação da memória histórica.

Mais informação:
http://www.gara.net/paperezkoa/20091107/165379/es/ELA-resiste-enterrar-memoria-historica-ideas-represaliados

«Oroimena berreskuratzeko ekitaldia Lodosa eta Sartagudan» [Acto para a recuperação da memória em Lodosa e Sartaguda]
http://www.ela-sindikatua.org/aktualitatea/albisteak/oroimena-berreskuratzeko-ekitaldia-lodosa-eta-sartagudan

Fonte: SareAntifaxista

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

«O uso do castelhano está mais que assegurado fora da sala de aula»


Fred GENESEE, professor da Universidade McGill de Montreal, entrevistado por Ainara LERTXUNDI

Fred Genesee trabalha como professor no departamento de Psicologia da Universidade McGill de Montreal, no Quebec, Canadá. Na sua vasta trajectória, estudou a fundo a educação bilingue, os aspectos relacionados com o processo de aprendizagem e o ensino de uma segunda língua, bem como os programas de imersão, tomando como exemplo os modelos do Quebec e dos Estados Unidos.

Ontem não foi a primeira vez que Fred Genesee visitou Euskal Herria. Apesar da distância, conhece de perto a situação em que se encontra o euskara, para o qual pede uma maior protecção institucional face à língua dominante, o castelhano. Na conferência que deu na Faculdade de Filosofia da EHU-UPB de Donostia, com o título «Ensinar a ler numa segunda língua», Genesee afirmou com conhecimento de causa que «não há nada que demonstre que uma criança - por exemplo, falante de castelhano - vá perder as suas competências orais por estudar noutra língua, neste caso, em euskara. Quanto mais conhecimentos adquirir de euskara, melhor se desenvolverá na sua língua nativa, que melhora quanto maior for a transferência linguística».

Defende que, se se ensinar a uma criança de tenra idade uma segunda língua, ela não perderá a língua nativa. Partindo desta posição, poder-se-ia dizer que, se uma criança falante de língua castelhana receber desde a creche uma educação em euskara, não terá qualquer problema.
Os estudos realizados no Canadá e nos Estados Unidos mostram que quanto mais exposto estiver o menor à língua menorizada, maior será a sua confiança na sua primeira língua. No caso de Euskal Herria, se se tirar das aulas o castelhano, a língua dominante, não há problema, não terá um impacto excessivo porque essa criança tem acesso a ela através do seu meio envolvente, da televisão e de tudo o que a rodeia. As competências orais de um falante de castelhano não se verão diminuídas por ter menos horas lectivas em castelhano na escola porque, como te dizia, fora do centro educativo estão expostas a todo o momento à língua dominante, que é uma das mais disseminadas do mundo. O desempenho na língua materna melhora quanto maior for a transferência linguística. Ao invés, se retirares espaço a uma língua menorizada, a sua competência será menor.

Os governos de Lakua e Nafarroa querem integrar o inglês, de maneira paulatina e a partir da primária, em detrimento do euskara. Você, no entanto, recomenda a integração tardia de uma terceira língua.
É preferível incorporar a terceira língua num nível educativo mais avançado e não nos primeiros anos porque, numa fase posterior, a sua confiança no castelhano e no euskara será mais sólida e os estudantes respondem melhor. Se ensinarmos três línguas em simultâneo, o tempo que dedicamos a cada uma é menor e existe, portanto, uma maior probabilidade de gerar confusão nos alunos. A crença na noção do «quanto antes melhor» baseia-se em estudos realizados sobre a aprendizagem em casa, mas não na escola. Existe uma grande diferença entre estudar uma língua em casa com os pais e na escola, com os professores.

Eu sugeria-lhes que não se precipitassem com o inglês, porque a mais prejudicada vai ser a língua menorizada, ou seja, o euskara.

Isso vai na direcção contrária ao que defendem os departamentos de Educação de Lakua e Nafarroa. Considera que o contexto social e político é mais determinante que as conclusões científicas?
Sim. Aprecio argumentos que são de natureza mais política que científica. É preferível começar o ensino de uma terceira língua estrangeira quando forem maiores, porque dispõem de mais estratégias linguísticas.

Línguas como o euskara enfrentam ainda os efeitos da globalização, que dá prioridade às línguas dominantes. A sua sobrevivência é possível?
Sim, desde que seja apoiada na escola, nos meios de comunicação e nas funções governativas. O apoio tem de ser bastante grande porque o castelhano já se sustenta por si mesmo; não está sob ameaça. O euskara, sendo uma língua minoritária, necessita de maior apoio educativo porque só se fala em Euskal Herria e não está numa posição de força. Se não for usado nas escolas, o impacto será muito grande.
Fonte: Gara

Ver também: «Os sindicatos STEE, LAB e ELA exigem a Celaá que rectifique as suas declarações sobre o euskara»
"Os sindicatos STEE-EILAS, LAB e ELA consideram 'despropositadas' as declarações da conselheira da Educação de Lakua, Isabel Celaá, que apresentou a sua reforma do currículo educativo como 'o final da doutrinação nacionalista' e criticou 'uma suposta situação de privilégio do euskara no sistema educativo'".
Fonte: Gara

Comentário político na Info7 Irratia


Iñaki Soto aborda as consequências da reforma no campo da Educação promovida por Isabel Celaá, conselheira da Educação do Governo de Lakua.

Iñaki Soto na info7

Floren Aoiz analisa os seis meses de governo de Patxi López e a situação dos partidos políticos em Nafarroa; a crise do PP em Nafarroa e os choques entre os partidos que compõem a coligação Nafarroa BAI.

Floren Aoiz na info7

«Hodei Ijurko passará mais anos que Galindo na prisão»

Na foto, entre outros, Jaione Karrera (2.ª à esq.), e os pais de Hodei (à direita).

Apesar de considerar positiva a decisão do Supremo Tribunal, que reduziu a pena imposta a Hodei Ijurko por «kale borroka» de 16 para 10 anos, o acórdão é «desproporcionado», afirmou hoje a sua advogada.

A advogada de Hodei Ijurko, Jaione Karrera, os pais do jovem e representantes do Movimento pró-Amnistia apresentaram-se perante os meios de comunicação, em Iruñea [Pamplona], para fazer uma avaliação do acórdão do Supremo Tribunal que corrige a sentença decretada pela AN espanhola.

A pena ficou agora em dez anos de prisão, o que «não deixa de ser uma barbaridade».
A sentença deixa às claras que «nem todos somos iguais perante a justiça», já que esta condenação é «ligeiramente inferior à imposta a outras pessoas condenadas por homicídio». Referiram o caso dos 16 e 13 anos de prisão decretados para as pessoas condenadas por matarem Angel Berrueta.

Recordaram ainda que «personagens como Galindo, condenados por sequestro, tortura e morte, vivem tranquilamente com uma pensão vitalícia como pagamento pelos serviços prestados».

«Hodei Ijurko passará mais anos que Galindo na prisão», realçaram.

«Castigo exemplar»
Aos que consideram que a sentença é «justa» pediram que «tenham em conta que estes factos teriam sido punidos em qualquer parte do Estado espanhol com uma multa ou com dois ou três anos de prisão». Como exemplo, «basta ver a punição aos menores detidos em Pozuelo de Alarcón este Verão».

Como tal, definiram a sentença como um «punição política e exemplar», uma maneira de «repreender com dureza o resto da juventude rebelde e combativa».

Na conferência não esconderam a preocupação com o futuro de outros sete jovens imputados pelos mesmos factos. Realçaram que vão trabalhar para «denunciar a desproporção destes processos» e apelaram à participação nas mobilizações de protesto contra estes julgamentos.
Fonte: Gara



Vídeo com excerto da conferência (eus-cas): apurtu.org

Em Iparralde, campanha do OPLB para dar a conhecer os 'media' em língua basca


Durante este mês terá lugar uma campanha informativa organizada pelo Euskararen Erakunde Publikoa/Office Public de la langue basque e 15 meios de comunicação bascófonos, apresentada na quarta-feira em Angelu, com o propósito de dar a conhecer a oferta de rádios, televisões, imprensa escrita e digital em euskara existente em Ipar Euskal Herria [País Basco Norte]. Custará 60 000 euros e destinar-se-á prioritariamente à juventude.

O presidente do OPLB, Max Brisson, realçou a «importância do papel» que estes órgãos possuem na concretização da política linguística: «É preciso que os cidadãos bascófonos possam informar-se ouvindo ou lendo euskara. Nesse sentido, a imprensa local, pela sua proximidade, qualidade e diversidade, joga um papel essencial no desafio de fazer viver a língua basca».

Brisson enquadrou esta campanha num dos compromissos assumidos pelo OPLB, que é o de fomentar a presença do euskara na vida pública. Lembrou ainda que, antes desta campanha, realizaram «um trabalho técnico menos visível», que consistiu em incentivar lojas, empresas e entidades públicas a inserir publicidade nesses meios de comunicação.

Diversos suportes
Os suportes desta campanha «destinada prioritariamente às gerações mais jovens» serão diversos. Vão ser colocados cartazes em painéis, autocarros e estações da SNCF. Será feita publicidade na rádio, haverá um spot publicitário a passar nas 47 salas de cinema de Ipar Euskal Herria e os meios de comunicação farão reportagens sobre os seus colegas. O grupo Sparteens criou uma canção intitulada «Ez da berdin» [Não é igual; Não é a mesma coisa], com letra do bertsolari Amets Arzallus.

Representantes dos órgãos de informação Euskal Irratiak, Argia, Behe Bidasoako Hitza, Berria, EITB, Herria, Kanaldude, Kazeta.info e Mintza participaram na apresentação da campanha em Angelu (Lapurdi).

Arantxa MANTEROLA
Fonte: Gara

Três histórias para levar «os nossos temas» a um público mais vasto

Riomundo, de Jon Maia; Ecce Homo, de Laura Mintegi; e El año del Tifus são três obras inicialmente escritas em euskara que a editorial navarra Txalaparta publicou em versão castelhana. Os autores concordaram que estas edições vão dar uma segunda vida a livros que escreveram a pensar no público euskaldun, aumentando-lhes o espectro de leitores.

«Traduzir Riomundo implica construir mais uma ponte entre dois mundos: o dos falantes de basco e o dos falantes de castelhano», explicou ontem Jon Maia, «e não me refiro unicamente ao idioma, mas ao conteúdo da obra: a história de uma família emigrante, uma viagem da Extremadura para Euskal Herria, uma história de integração».

O romance, como referiu Maia, foi escrito para dar a conhecer ao leitor euskaldun o esforço que centenas de famílias realizaram nos tempos de Franco, quando emigraram para Euskal Herria, como é o seu próprio caso. «Agora, o leitor de fala castelhana poderá identificar-se com esta história».

O protagonista é o tio de Maia, Tito, que se encontra preso numa prisão francesa. José Campo Barandiaran, também encarcerado, foi quem traduziu «carta a carta». Maia terminou a sua intervenção dizendo que, «da mesma forma que a sua versão em euskara foi uma ponte a partir da margem dos que vieram até aos euskaldunes, alegra-me que essa ponte tenha agora duas direcções. A situação de Euskal Herria jamais se normalizará se não existir uma aproximação entre as duas margens e não nos conhecermos».

Movimentos sociais
Ecce homo, de Laura Mintegi, versa sobre «um fenómeno muito nosso: os movimentos sociais». A história centra-se num grupo que quer evitar uma construção em Urdaibai, «mas no momento da escrita tive em mente Lemoiz, o TGV...». Traduzido por Bego Montorio, Mintegi manifestou ter grande interesse e curiosidade em saber como será entendida esta história fora das nossas fronteiras.
«Com este livro aprendi que, no momento de fazer política, do ponto de vista do género - e não do sexo -, há que o fazer no feminino: isto é, uma política horizontal e não vertical, e é isso que se dá nos movimentos sociais».

A caça à baleia
El año del Tifus, de Edorta Jimenez e traduzido por José Luis Padrón, é a segunda parte da trilogia «El mar de las bestias», cuja primeiro volume também se encontra traduzido (Voces de ballena).
Jimenez viaja até ao século XVI e faz-nos entrar na vida dos bascos na caça à baleia, a sua presença na Invencível Armada e na época dos grandes conflitos religiosos. Na tentativa de reconstruir a história, o autor depara com histórias como a de Mihurubi. «Entre os mortos da Armada figura um Mihurubi, de Gipuzkoa», relatou. «Pus-me a olhar e imaginei um lugar chamado Mihurubi, em Getaria. Bem, en Azkizu, Getaria precisamente, existe uma quinta que se chama assim».

Ane ARRUTI
Fonte: Gara

Na foto, da esquerda para a direita, Jon Maia, Mikel Soto e Laura Mintegi.

Atacam o Posto de Turismo espanhol em Paris


De acordo com informações veiculadas desde Paris pelo Movimento pró-Amnistia, o Posto de Turismo que o Governo espanhol tem no n.º 43 da Rua Descamps, em Paris, foi atacado na noite de segunda para terça-feira.
Os vidros da porta e de uma janela apareceram partidos, e foram feitas diversas inscrições em francês nas paredes, umas em alusão ao desaparecimento de Jon Anza e outras em que se podia ler «Abaixo a tortura de Estado e a pena perpétua» e «Poder assassino».
Fonte: Gara

Mais informação: «Sabotagem no Posto de Turismo espanhol em Paris», de Béatrice MOLLE, em lejournalPaysBasque-EHko Kazeta

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Un país ocupado militarmente

Luis Nuñez Astrain morreu no dia 1 de Novembro. Poucos dias antes, e apesar do seu frágil estado de saúde, foi capaz de ditar a um amigo catalão um longo texto com variadas sensações. O texto foi escrito à mão em catorze folhas, que foram aqui resumidas, tentando-se guardar da forma mais fiel possível as suas impressões.
[Nota: já ontem lemos e relemos o texto e decidimos que, pelo menos agora, o mais acertado é não o traduzir.]

Texto integral em bruto

Mi país es un país ocupado militarmente. La ocupación militar vasca arrancó en el siglo XIII con la usurpación del territorio que el poderoso reino castellano arañó incesantemente al navarro. A comienzos del siglo XVI, el reino castellano, muy superior en número y potencia, con una concepción ocupante, expansionista y arrasadora, se abalanzó sobre el pequeño reino navarro restante, seccionando en pedazos su columna vertebral, sus instituciones, sus costumbres y desbaratando su idioma.

Gracias a una bula papal falsificada, los castellanos saquearon, robaron y derribaron Nafarroa, quedándose en propiedad con todo lo incautado. El país fue desarticulado, pese a la resistencia de los navarros. Ésta fue la primera gran ocupación militar española de nuestra tierra vasca.

El Reino de Navarra se hallaba en la órbita del reformismo luterano, era un país culto y desarrollado que fue arrollado por la feroz ley inquisitorial española. La conquista había sido una ocupación militar en toda regla. Un país quedaba conquistado por otro y a sus expensas totalmente. La población sobrevivió como pudo.

En ninguna época posterior cabe hablar de un sometimiento voluntario de la población. La ocupación de Navarra, como todas las ocupaciones militares, contó con abundante ayuda de traidores del propio reino que pensaban sacar ventaja a la sumisión. Todas las ocupaciones militares del mundo corroboran esta situación y nuestro caso no fue una excepción: unos se beneficiaron del ocupante, otros se enriquecieron y los leales fueron reducidos.

Otra gran agresión militar española al país de los vascones lo constituyeron las dos terribles guerras carlistas del siglo XIX que terminaron de derribar y destrozar violentamente los restos forales que habían quedado. Esas dos guerras se produjeron, no por casualidad, en una única zona de la península que fue justamente el país de habla vasca ligeramente extendido. Leyendo los viejos cancioneros carlistas percibimos que, e pesar de lo que se nos ha dicho, la cuestión dinástica apenas tuvo que ver y que lo importante fue la defensa del suelo vasco. Antes había llegado la ocupación revolucionaria burguesa de los territorios vascos al otro lado de la muga.

La siguiente expresión de descontento vasco-navarro frente a la negación militar castellana se denominó «Gamazada». Luego vinieron otras. La guerra civil de 1936 se produjo en nombre de otros valores diferentes en apariencia a los de los carlistas. Fue una contienda en defensa de los valores democráticos occidentales: las libertades individuales, locales y colectivas. De nuevo, la contradicción: se lucha por el mantenimiento de la personalidad vasca, sus usos y costumbres. Ante la fiereza de la justicia española, los propios vascos fuimos bajando las persianas, acostumbrándonos a la nueva luz que no era la nuestra, unas veces por terror puro, otras por conveniencias egoístas, otras incluso por culpabilidad inducida. La penúltima gran ocupación militar de Euskal Herria fue tan feroz, contundente y despiadada como las anteriores y la constituyó la entrada de la burguesía española para terminar de arrasar los vestigios vascos.

El último ejemplo termina por rematar y evidenciar la supuesta contradicción: desde los años 60, un movimiento socialista revolucionario con eslóganes y objetivos aparentemente distintos vuelve a aparecer en el País Vasco para retomar de nuevo la defensa de la personalidad vasca. Las palabras utilizadas no son lo importante. Lo significativo es la defensa de la tierra frente a la ocupación militar extranjera.

En el pueblo vasco ha funcionado una especie de inconsciente colectivo defensivo y radical, consistente en el apego a los usos y costumbres del país: sus instituciones, sus hábitos de vida, su sentido del humor, del trabajo, del deporte, de la lealtad, de la palabra dada.

Durante la transición, en la izquierda abertzale pecamos alocadamente de triunfalismo desbordante mientras que el PNV pecó, igualmente, de posibilismo senil. Entre lo uno y lo otro se impidió una excelente entente posible. Este punto general se plasmó de la peor manera posible en el terreno del euskara. Bajo ningún concepto debió tolerar ningún vasco que la lengua del país fuese innecesaria en su propio país, al tiempo que otra tuviese carácter obligatorio. Es posible que el porvenir de la lengua vasca esté sujeto a la independencia del país y es posible que no. Lo que es absolutamente seguro es que, si la lengua vasca no goza en su tierra de un estatus similar al de las lenguas belgas y suizas, se diluirá en el tiempo. Me duele la situación del euskara. Una lengua viva requiere un territorio donde sea necesaria.

El contundente éxito de España ha dejado triturado y desestructurado nuestro viejo país. Los últimos frentes nacionales españoles, establecidos recientemente, quieren manifestar el canto del gallo de la victoria final. Me viene a la cabeza la frase de un piloto americano en Vietnam que contaba alegremente que cuando se levantaba a mear de noche y encontraba cucarachas por el camino, las iba pisoteando, como si fueran «charlis», y que a la mañana siguiente se pasaba al suelo la fregona y allí ya no quedaba nada.

Los mandos españoles creen que se encuentran en esa situación. Como en Vietnam. Nuestro país ha sufrido las feroces represiones militares descritas, pero jamás recordamos haber sentido el nivel de aniquilamiento y trituración que estamos percibiendo ahora. En términos sociales parece imposible llegar más bajo. Pero la población vasca existe, lo parezca o no, y el ciclo no se ha terminado.

A esta ocupación militar española se le está terminando el tiempo vasco de la sístole. Las estrellas se expanden y se contraen. Estamos al final de la sístole. Numerosos detalles y fenómenos sociales, algunos insólitos y novedosos, apuntan a que empieza el tiempo de diástole. El tiempo de las concesiones, de las discusiones, de los argumentos de la política está hartando a toda la población, que no ve sino intolerancia, imposición, incomprensión, fuerza por todas partes y falta de un porvenir abierto y compartido.

Muy lentamente, la diástole se irá afirmando de un modo acompasado y contundente, volviendo a configurar la nación vasca en torno a su territorio y a su idioma. El proceso deberá ser lento y muy diferente de los conocidos hasta ahora, y el punto de partida seguirá siendo el pueblo y la piedra. Desde aquí, cada uno habremos de pulir pacientemente la piedra bruta sin decir al vecino cómo debe hacer lo suyo. Y ese tallado multiforme de piedras individuales y colectivas irá creando la nueva diástole de Euskal Herria.

La presente tesis de Euskal Herria como país ocupado militarmente debe ser discutida, como es obvio, pero sus ejes centrales son incuestionables, como la piedra. Cabe discutirlos, cabe seguir bajando las persianas, cabe añadir adjetivos y argumentos, pero la parte sustancial es de piedra y hierro, incuestionable.

No se puede eludir, ante la vergonzosa situación actual, realmente límite, el homenaje más generoso a cuantos han defendido los valores del país por caminos de todo tipo, no siempre, por desgracia, acertadamente. La generosidad con su país y el amor hacia él de cualquier activista en cualquier actividad defensiva de una patria negada y ocupada es muy superior al que muestra cualquier político español por la suya propia. Se debe decir esto tanto de los presos políticos vascos como cabría haberlo dicho de los bravos irlandeses, pero se refiere por igual a cuantas actuaciones de arte y cultura se han hecho contra viento y marea y con tanto sacrificio. Ni este homenaje elude responsabilidades evidentes ni desprecia por un instante a las numerosísimas personas indebidamente perjudicadas que merecen igualmente todo nuestro apoyo.

Las nuevas piedras que se han de ir puliendo en este nuevo impulso libertario de la diástole que empieza a abrirse, irán enlazando relaciones respetuosas y solidarias con todas las personas que vivan aquí con nosotros, sin odios, sin imposiciones y sin aplastamiento de nadie. Los partidos de hierro, armados o no, han acabado su sístole. El proceso de la construcción paciente de la independencia es el que va construyendo el sujeto mismo de la independencia.

Porque ésta es nuestra tierra.

Luis Nuñez Astrain

Fonte: Gara

Kronika Nafarroa: a operação contra a esquerda 'abertzale' e o seu processo de reflexão

Uma entrevista a Shanti Kiroga e uma reportagem sobre o documento em debate no seio da Esquerda Abertzale são as peças principais do número de Novembro da Kronika Nafarroa


Fonte: apurtu.org

A propósito dos ataques fascistas da Falange y Tradición em Euskal Herria

La Haine conversa com a Sare Antifaxista, que dá a sua opinião sobre as detenções de elementos da Falange
A Sare Antifaxista, lutadora veterana contra o fascismo, falou com La Haine e abordou toda esta questão das detenções de elementos da Falange y Tradición, dando ainda a conhecer a sua perspectiva sobre o recrudescimento das acções deste tipo de grupos fascistas em Euskal Herria.
Recentemente foram detidos vários indivíduos pela Guarda Civil, mas tanto a Sare como outros grupos populares duvidam que estejam a ser tratados da mesma forma que outros detidos por factos semelhantes.

O fascismo é um cancro. O fascismo não é um fenómeno novo em Euskal Herria. Mas felizmente haverá sempre gente como a que faz parte da Sare Antifaxista, disposta a denunciá-lo e fazer-lhe frente, aqui em Euskal Herria.

Para ouvir peça áudio (cas.): http://www.lahaine.org/index.php?p=2189

A UPN não condena o terrorismo da Falange y Tradición em Olite-Erriberri
O plenário do Município de Olite-Erriberri (Nafarroa), reunido na terça-feira, 3 de Novembro, decidiu reprovar tanto as acções violentas contra monumentos da memória histórica como as gravíssimas ameaças dirigidas a diversas pessoas.
Na moção, mencionava-se a inquietação que gera na opinião pública a possibilidade de um dos detidos ter tido acesso a certo tipo de informação depois de ter ocupado cargos municipais da máxima responsabilidade em localidades tão próximas de Olite como Pitillas, Beire e Tafalla.
A moção foi aprovada com os quatro votos do P$N e os dois do NaBai. O grupo municipal da UPN, actualmente composto por quatro elementos - já que Susana Algarra, que se passou para as hostes do AP-PP, deixou de comparecer aos plenários -, absteve-se.

La Haine recorda que a abstenção em votações semelhantes por parte da Esquerda Abertzale serviu como prova para a sua ilegalização. É forçoso perguntar: será aplicada a Lei de Partidos ao grupo de Miguel Sanz, com o qual o PSOE mantém acordos? E também convém não esquecer: os magistrados procederam a qualquer tipo de movimentos no que diz respeito à España 2000 e à Frente Nacional, depois de terem ficado claras as suas ligações à Falange y Tradición? Por um lado, o presidente da Frente Nacional dirigiu uma carta pública de apoio a um dos terroristas detidos; por outro, há fotos em que esse terrorista aparece com membros do grupo fascista España 2000.

Continuaremos à espera de notícias relativas às acções da justiça, embora temamos que a espera seja em vão.
Fonte: lahaine.org

A Eskubideak saiu em defesa de Joseba Agudo e afirma que se pretende eliminar o direito à livre escolha de advogado

Uma vintena de advogados compareceram ontem em Donostia para dar a conhecer a reflexão da associação de advogados bascos Eskubideak sobre a detenção do seu companheiro Joseba Agudo numa "operação descoordenada dirigida pelo Ministério do Interior" e "difundida pela RTVE", que "evidencia a mais grosseira instrumentalização do poder judicial" e a "caprichosa utilização" dos meios de comunicação para "criminalizar" o seu trabalho profissional.

Em nome de todos eles, Iratxe Urizar e Edurne Iriondo leram um comunicado em euskara e castelhano no qual reclamaram a libertação de Agudo e ressaltaram a sua longa trajectória.

Disseram que em onze anos de trabalho profissional "conseguiu verificar tentativas de intromissão do Executivo espanhol em processos judiciais levados a cabo noutros países".

Assim, consideram que "são estas e não outras as verdadeiras razões do processo" contra Agudo, que recebeu numerosas mostras de apoio a nível internacional.

"Constatamos que o objectivo último da operação destinada a deter e encarcerar Joseba Agudo, tal como advertimos no caso de Iñaki Goyoaga, é privar, por via de facto, a dissidência independentista basca do direito básico de qualquer arguido à assistência jurídica de livre escolha", declararam.

Neste sentido, qualificaram como "absolutamente alarmante" a "criminalização e a perseguição" que os advogados bascos sofrem.

Fizeram saber que uma delegação da Eskubideak irá na terça-feira à audiência que terá lugar no Tribunal de Pau para examinar o mandado europeu emitido contra Agudo pela AN. A hospitalização do advogado levou ao adiamento da audiência.
Fonte: Gara

Presos, solidariedade, repressão, desmemória


Três moradores de Getaria notificados para comparecer na AN
Três getariarras foram notificados para prestar declarações na Audiência Nacional espanhola depois de terem sido identificados em Agosto pela Ertzaintza. Os agentes da Polícia autonómica entraram na herriko taberna da localidade e, depois de arrancarem cartazes que em que se perguntava pelo paradeiro de Jon Anza ou exortava à solidariedade com os presos, identificaram estes três habitantes de Getaria (Gipuzkoa), que têm de se deslocar a Madrid no dia 18 deste mês. Em protesto contra esta notificação e a atitude da Ertzaintza, haverá uma manifestação na sexta-feira, às 19h45.
Fonte: Gara

Paris deixa em liberdade condicional a urretxuarra Ekai Alkorta
Contra o parecer da Procuradoria, o Tribunal de Paris decretou liberdade condicional para a perseguida política de Urretxu Ekai Alkorta, que foi detida em Baiona no passado dia 23 de Julho. O tribunal parisiense marcou ainda para 9 de Dezembro a data do início do julgamento. Por outro lado, ontem houve protestos em diversos bairros de Donostia para denunciar os próximos julgamentos contra jovens independentistas. Em defesa dos direitos dos presos, na terça-feira 100 pessoas concentraram-se no Arriaga, em Bilbau, 60 em Errenteria (Gipuzkoa), e ontem foram 25 em Atarrabia (Nafarroa).
Fonte: Gara

Joseba González Pabon foi encarcerado para cumprir uma pena de cinco anos
O iruindarra Joseba González Pabon foi enviado na terça-feira para a prisão de Iruñea [Pamplona] para acabar de cumprir uma pena de cinco anos. O preso político já tinha estado 11 meses na prisão, mas no dia 2 de Fevereiro de 2008 saiu em liberdade, depois de pagar uma fiança de 10 000 euros.
Fonte: apurtu.org

O TSJPB confirma que o Município de Arrigorriaga deve retirar a placa com o nome de «Argala»
A secção primeira do contencioso administrativo do Tribunal Superior de Justiça do País Basco (TSJPB) indeferiu um recurso de apelação apresentado pelo Município de Arrigorriaga (Bizkaia), governado pelo PNV, contra um auto que ordenava a retirada da placa em honra de José Miguel Beñarán, Argala, militante da ETA falecido num atentado reivindicado pelo Batallón Vasco-Español.
Fonte: SareAntifaxista

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Prossegue a purga na comunicação social «basca»: Antonio Álvarez-Solís despedido da Radio Euskadi


"Para esta direcção, liberdade de expressão é ter tudo sob controlo", lamenta o jornalista, que colaborava há mais de uma década em programas da EITB

A Radio Euskadi comunicou na sexta-feira passada a Antonio Álvarez-Solís que prescinde dele como colaborador no Boulevard, programa em que participava de segunda a sexta, e também no Más que palabras, espaço de fim-de-semana conduzido por Javier Vizcaíno. Esta decisão ocorre apenas um mês depois de a actual temporada radiofónica da emissora pública basca ter começado. A ETB também decidiu deixar de contar com Álvarez-Solís no programa Pásalo no princípio desta temporada.

O conhecido jornalista e escritor recebeu a notícia na sexta-feira de manhã. Pouco antes, às dez, colaborou de forma habitual no programa: "Recebi uma chamada por volta do meio-dia de um dos novos chefes que por ali andam desde que a nova equipa chegou. Nem sequer me ligou o director da emissora. Disse-me que de segunda em diante não contavam comigo e que o tinham encarregado de mo comunicar".

Álvarez-Solís mostrava ontem a sua indignação e surpresa por esta decisão repentina por parte da emissora em que colaborava havia mais de uma década. "Antes, tinham-me afastado do Pásalo, na ETB-2. Disseram-me que as audiências do programa não andavam grande coisa, o que não é de estranhar: começaram a ceifar pela maluca. Antes tinham boas audiências e agora não. Estes estão a trabalhar para transformar a imprensa de Euskadi em algo de semelhante à imprensa que já existe há algum tempo em Madrid".

O colaborador da Radio Euskadi referiu que está a ponderar a sua situação pessoal: "Afundaram-me na miséria económica. Em Madrid, as coisas não são fáceis para mim pela postura que assumo em relação aos assuntos bascos. Até há pouco tempo, a Radio Euskadi estava sólida e navegávamos, mas foi-se fragmentando e agora está como está".
[...]
Álvarez-Solís refere que, enquanto pondera possíveis colaborações noutros meios, vai terminar dois livros: um é um ensaio sobre ética e moral e o outro é um livro que pretende que seja divertido, no qual aborda os aforismos, a publicar na Txalaparta em 2010.

Notícia completa: Deia via kaosenlared.net

VER ainda:
«[O sindicato] ELA denuncia "os casos de incompetência e de censura" na EITB», em Gara

Na CAB, o euskara deixa de ser «língua principal» e o termo «Euskal Herria» perde conteúdo político

Herria/País: Euskal Herria
Hiriburua/Capital: Iruñea
Hezkuntzak/Línguas: euskara (1.), castelhano, francês

Para mais detalhes sobre a ofensiva espanholista no domínio da educação, VER:

«O governo basco do PSE-PSOE elimina o termo "Euskal Herria" sem respeitar o estatuto de autonomia», em kaosenlared.net

«Lakua dá início à implementação do Pacto PSE-PP no ensino», em Gara

Garzón confirma a prisão de Otegi, Díez, Jacinto, Zabaleta e Rodríguez


O juiz Baltasar Garzón rejeitou os recursos apresentados pelas defesas de Arnaldo Otegi, Rafa Díez, Sonia Jacinto, Miren Zabaleta e Arkaitz Rodríguez contra o auto que em que lhes foi dada ordem de prisão, no dia 16 de Outubro.

O juiz da Audiência Nacional espanhola ratifica "íntegramente" os argumentos que expôs no auto de prisão e sustenta que o segredo de justiça "es una medida necesaria para evitar que la investigación e instrucción se frustre en la fase en la que se encuentra", apesar de admitir que "limita el conocimiento de la misma".
Garzón defende que as detenções dos militantes independentistas "han sido hechas con todas las garantías y sin que tenga nada que ver con la actividad pública o política de los detenidos, sino por pertenecer presuntamente a un órgano creado, desarrollado y dirigido por la organización terrorista ETA".

Por isso, mantém que "la detención y prisión provisional eran necesarias y ésta segunda la sigue siendo en esta fase procesal".

Quanto à resolução do Grupo de Trabalho sobre a Detenção Arbitrária da ONU em que se conclui que a detenção de Karmelo Landa foi arbitrária porque "o único facto incriminatório" existente é a "sua exclusiva militância no ilegalizado partido político Batasuna, facto que em si mesmo não constitui um crime, mas sim o exercício de um direito humano reconhecido tanto pela Declaração Universal como pelo Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos", o juiz discorda desse parecer, pois, segundo o dito, o Grupo desconhece as investigações que ele, juiz, está a levar a cabo contra o Batasuna e não dispôs nem pode dispor dos elementos que atestam a sua tese de que o Batasuna faz parte de uma organização terrorista.
Notícia completa: Gara

Mas por quem é o senhor, francamente!? E uma novidade? Zinha que seja, não?

Com a vossa licença: ATXILOTUAK ASKATU!

Hodei Ijurko: o Supremo espanhol reduz a pena da AN de 16 para 10 anos


O Supremo Tribunal divulgou ontem o acórdão relativo ao processo de Hodei Ijurko. Ijurko foi inicialmente condenado a 16 anos de prisão, acusado de ter lançado cocktails molotov a agentes da Polícia Foral. No entanto, a sentença não estava devidamente fundamentada em alguns aspectos e noutros apresentava erros que levaram o Supremo espanhol a reduzir a pena para 10 anos. Concretamente, o Supremo considera que não se pode atribuir uma pena de 6 anos de prisão por dois crimes de atentado à autoridade em virtude de só ter existido uma acção, a do lançamento dos cocktails, havendo por isso apenas justificação para 3 anos de cadeia.

Por outro lado, a AN condenou Hodei a 5 anos de prisão por um crime de desordens públicas, quando a pena máxima instituída é de 3 anos, que foi o que o Supremo agora decretou. Para além disso, reduziu em um ano a pena de 5 anos que lhe tinha sido decretada pelo crime de posse de explosivos. Quanto à indemnização aos agentes da Polícia foral, o tribunal espanhol considera que não há razões que justifiquem o montante de 25 000 euros, que passou para 14 000.
Fonte: apurtu.org

Ataques fascistas: denunciam a benevolência com que os detidos da Falange y Tradición foram tratados

Os afectados pelos ataques fascistas e pela guerra suja, que vão tentar apresentar-se como acusação particular, desconhecem ainda as acusações concretas que pendem sobre as pessoas detidas


A suposta desarticulação do grupo de extrema-direita Falange y Tradición levou a que pessoas afectadas pelas suas acções tenham comparecido perante os meios de comunicação para afirmar que ainda existem perguntas sem resposta relativamente a este caso, como "a da impunidade das suas actuações, o manto de silêncio que as envolvia e quem estava por trás destes ataques".
Criticaram ainda o "tratamento benevolente" dado aos detidos, cujos "nomes não foram divulgados - apenas as iniciais -, e cujas fotos não apareceram em nenhum meio, assim como do material apreendido, e, apesar da gravidade das acções que lhes são imputadas, dois saíram em liberdade". Neste sentido, disseram que esta operação não constitui, "precisamente, uma amostra de eficácia policial, aplicação da lei por igual e perseguição ao crime independentemente da sua cor". Sobretudo tendo em conta que "em Euskal Herria colocar um cartaz constitui motivo suficiente para que a Lei Antiterrorista seja aplicada ou que desenhar uma caricatura de um preso numa faixa das peñas faz com que uma pessoa tenha de prestar declarações na Audiência Nacional".
Além de criticarem as palavras de Rubalcaba, que qualificou as acções da Falange como "actividades e incidentes", chamaram a atenção para o facto de outros casos de guerra suja continuarem por esclarecer. "Ainda há alguns por assumir, como o meu próprio sequestro - disse Dani Saralegi -, o sequestro, as torturas e o pedido de colaboração a Alain Berastegi ou, como publicava o Gara, o sequestro e o assassínio de Jon Anza".
Fonte: apurtu.org

Mais informação:

«O Tribunal mantém ocultas as acusações à Falange y Tradición»
http://www.gara.net/paperezkoa/20091103/164675/es/El-Juzgado-mantiene-ocultas-imputaciones-Falange-Tradicion

«Voltam a queimar as bandeiras da herriko de Hondarribia»
http://www.gara.net/paperezkoa/20091103/164675/es/El-Juzgado-mantiene-ocultas-imputaciones-Falange-Tradicion

«A Fundación Federico Engels e o Sindicato de Estudantes denunciam a existência de inscrições fascistas no seu espaço de Gasteiz»
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/10/la-fundacion-federico-engels-y-el.html

«Está realmente desmantelado o grupo Falange y Tradición?»
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/10/esta-realmente-desmantelado-el-grupo.html

Homenagem em Erandio a Murueta e Fernández, mortos pelas FSE há quarenta anos

Os habitantes de Erandio Josu Murueta e Anton Fernández, mortos há quarenta anos pela Polícia Armada e pela Guarda Civil durante as mobilizações contra a contaminação atmosférica em Erandio, foram homenageados por iniciativa da Ahaztuak 1936-1977 e do LAB.

Gara, bairro de Astrabudua auzoa - Erandio * E.H.
Uma centena de pessoas participou na Praça Josu Murueta, no bairro erandiotarra de Astrabudua, na homenagem promovida pela Ahaztuak e pelo LAB a Josu Murueta e Anton Fernández, mortos em Outubro de 1969 pelas balas da Polícia Armada e da Guarda Civil durante as mobilizações que então se realizaram para exigir um ar mais respirável.
Na presença dos seus familiares, visivelmente emocionados, apesar do tempo passado, reivindicou-se a sua contribuição para a melhoria das condições de vida das gerações que lhes sucederam e exigiu-se que sejam apuradas as responsabilidades, quatro décadas depois, para «acabar com a impunidade». Trata-se de reparar a figura das vítimas e do dano causado aos seus familiares, referiram.

Mais informação:
http://paperekoa.berria.info/harian/2009-10-28/007/006/Ahanzturatik_ateratzen.htm

http://www.gara.net/paperezkoa/20091101/164457/es/Erandio-respira-Murueta-Fernandez

http://paperekoa.berria.info/harian/2009-11-01/014/902/Erandion_orain_40_urte_hildakoak_gogoan.htm

http://www.deia.com/2009/10/31/politica/euskadi/recuerdan-en-erandio-a-dos-vecinos-muertos-hace-40-anos-por-disparos-de-la-policia

Fonte: SareAntifaxista

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Luis Núñez Astrain, um homem comprometido


Nascido em Donostia em 1939, Luis Núñez Astrain morreu no domingo na sua cidade natal vítima de uma doença grave, contra a qual lutou denodadamente durante os últimos anos da sua vida. Licenciado em Linguística e Sociologia pela Sorbonne, trabalhou também na área do jornalismo no diário Egin.

Na sua vasta trajectória de autor de obras no domínio da linguística, publicou vários ensaios relativos ao euskara, ao ensino deste idioma e à sua complicada sobrevivência, conjugando sempre o rigor intelectual com o ânimo de divulgação que o motivava. Deu à estampa obras técnicas, dedicadas à fonologia e aos dialectos do euskara, até à sua última obra de investigação, El euskera arcaico, e a sua lista de livros publicados inclui também títulos em que a vertente linguística e o substrato político se combinam, daí resultando obras que se afirmam já como pontos de referência na história de Euskal Herria, como é o caso de La razón vasca e de Opresión y defensa del euskera.

A sua experiência profissional também abarcou o campo jornalístico. Foi redactor-chefe do diário Egin nos anos 80, onde trabalhou até ao fechamento do periódico por ordem do juiz Baltasar Garzón, em Julho de 1998. Autor da entrevista realizada ao histórico dirigente da ETA Txomin Iturbe durante o seu desterro na Argélia, Luis Núñez foi também uma pessoa politicamente empenhada. Eleito membro das Juntas Gerais de Gipuzkoa pela formação política Herri Batasuna, o sociólogo e linguista foi um dos que cantaram o hino «Eusko Gudariak» ao monarca espanhol Juan Carlos I durante a sua visita à Casa das Juntas de Gernika, em 1981. Anos mais tarde, em 1989, Luis Núñez integrou a delegação basca durante as conversações que decorreram em Argel entre o Governo espanhol e a organização armada ETA.

Trabalhador incansável, de personalidade firme e tenaz, e com um elevado nível cultural, a actividade política de Luis Núñez tinha-se iniciado já nos anos do mais duro franquismo. Militante da ETA Berri nos anos 70, foi detido durante o último estado de excepção decretado para Euskal Herria. Quando o período de excepção decretado para Gipuzkoa se esgotou, foi transferido para a Bizkaia. Ali, permaneceu sob detenção e continuou a ser interrogado sem parar pela Polícia. No total, o período da sua detenção ultrapassou um mês. Passados os anos, ele mesmo brincava com a possibilidade de ostentar um dos tristes recordes desta Euskal Herria trágica. «Quando saí da esquadra - relatava - estava pisado, com a cor do vinho, da cabeça ao dedo grande do pé».

Mertxe AIZPURUA
Fonte: Gara

Entrevista a não perder: Rufi Etxeberria, membro da esquerda 'abertzale', ao 'Gara'


«É tempo de colher os frutos de longos anos de luta e não de os deitar a perder»

«O caminho para a mudança de quadro deve basear-se naquilo que o povo determinar, sem violências nem ingerências», Rufi ETXEBERRIA, em entrevista a Iñaki IRIONDO, jornalista do diário Gara.

Rufi Etxeberria (Oiartzun, 1959) é uma referência da esquerda abertzale. De facto, foi protagonista ou testemunha da sua trajectória política nos últimos trinta anos. Teve um papel importante nos prolegómenos do Acordo de Lizarra-Garazi com o impulso do Foro de Irlanda, antes do primeiro encarceramento massivo da Mesa Nacional do Herri Batasuna, em 1997, foi um dos interlocutores no último processo de negociação 2005-2007 e, recentemente, foi detido pelo juiz Garzón.
Rufi Etxeberria saiu da prisão no dia 7 de Setembro deste ano e no dia 13 de Outubro voltou a ser preso, juntamente com, entre outros, Arnaldo Otegi, Rafa Díez Usabiaga, Sonia Jacinto, Miren Zabaleta e Arkaitz Rodríguez, que ainda permanecem na prisão.
VER: Gara

Sorkun - «Heldu nazazu»

A Sorkun (Orereta, Gipuzkoa, EH), de quem já somos fãs há muito aqui na ASEH, enveredou ultimamente por uma onda mais suave. O tema «Heldu nazazu» é um exemplo, mas há outros em que essa acalmia é ainda mais notória.


Isiltasuna / milaka aurpegi / iluntasuna / mila begi /
ezkutatuta bizi izan zara, / zure arazoa zu zara / Heldu nazazu /
Heldu nazazu / alboan nagola / Heldu nazazu / zure alboan nagola.


El silencio / miles de caras / la oscuridad / mil ojos / has vivido escondido, /
eres tu tu propio problema. / Cogeme, / Cogeme, / que estoy a tu lado, / cogeme, / que estoy a tu lado.


Tradução euskara-castelhano: http://eu.musikazblai.com/sorkun/heldu-nazazu/

PreSOS, solidariedade

Solidariedade com Garikoitz Mujika e Eneko Aizpuru
Os trabalhadores do Journal du Pays Basque, da Kazeta.info, do Gara e da Info7 Irratia exprimiram a sua solidariedade e o seu apoio ao colega de Urruña Garikoitz Mujika [enviado para a prisão antes de que fosse conhecida a sentença no julgamento de cinco jovens independentistas]. «Este encarceramento é um novo exemplo do conflito que o País Basco vive.»
Entretanto, também para denunciar o encarceramento de Garikoitz Mujika e Eneko Aizpuru, no fim-de-semana 150 pessoas participaram numa mobilização no bairro de Gros (Donostia) e 250 fizeram-no em Lazkao, também em Gipuzkoa .
Fontes: lejournalPaysBasque - EHko Kazeta e askatu.org

Grande recepção a Lander Labajo à chegada a Algorta
O Lander saiu em liberdade neste sábado, depois de pagar 10 000 euros de fiança. Foi detido em 2007 e encontrava-se actualmente na prisão de Aranjuez, onde já antes tinha estado. Também passou por Soto del Real e Langraitz. Saiu do estabelecimento de Aranjuez, onde o aguardavam familiares e amigos, por volta das 17h30, e chegou a Algorta pelas 22h30. Aqui, foi recebido por cerca de 600 pessoas, por entre aplausos e vivas.
Mais informação: etengabe
Fonte: askatu.org

Madrid dá ordens para revistar os familiares dos presos políticos
O Movimento pró-Amnistia confirmou ontem o que vários familiares de presos políticos bascos denunciaram no sábado e no domingo ao Gara: os funcionários prisionais espanhóis têm ordens de Madrid para «revistar familiares de grupos terroristas». O primeiro caso veio a lume na semana passada desde a prisão da Badajoz, e este fim-de-semana sucedeu o mesmo pelo menos na prisão alicantina de Foncalent e na de Albacete.
Segundo informaram ao Gara os familiares do preso político Endika Abad, encarcerado em Foncalent, no sábado de manhã, quando os seus pais se preparam para realizar o encontro familiar, os funcionários mostraram-lhes uma ordem, com data de 30 de Outubro, em que se determinava que a partir dessa data os familiares dos presos políticos seriam revistados tanto antes dos encontros íntimos como nos familiares.
Confrontados com esta situação, em que se pretende colocar os familiares contra a parede e revistá-los, os pais de Abad, assim como outros familiares, optaram por não fazer a visita. Outro tanto se passou na prisão de Albacete, segundo relataram os familiares do arrasatearra Txus Goikoetxea.
Tentativas de os despir
O Movimento pró-Amnistia referiu ainda que em Foncalent chegaram mesmo a tentar despir os familiares dos presos como medida de inspecção. Para a organização anti-repressiva, trata-se de uma «política penitenciária perfeitamente desenhada» a partir do Ministério do Interior.
Fonte: Gara

Zuhaitz Errasti na prisão parisiense de Fleury-Merogis
O jovem de Aretxabaleta Zuhaitz Errasti, que foi detido na segunda-feira pela Polícia francesa na localidade de Vienne, acusado de militar na organização armada ETA, encontra-se desde sexta-feira na prisão parisiense de Fleury-Merogis, depois de ter sisdo presente ao tribunal especial da capital francesa. Acusam-no de delitos como «associação de malfeitores com intuito de preparação de acções terroristas», além de «posse de armas» e «uso de documentos falsos».
Fonte: Gara
«Arkaitz, Aratz eta Argi, 10 urte kartzelan» [10 anos na prisão]: várias actividades solidárias em Lapurdi
Azaroak 12 de Novembro, em Uztaritz: hitzaldia/conferência «Kartzela zigor luzeen ondorioak» [Sequelas das longas penas de prisão], por Gabi Mouesca
Azaroak 13 de Novembro, em Donibane Lohizune: Elkarretaratzea [concentração]
Azaroak 14 de Novembro, em Azkaine: Kontzertua [concerto]
Mais informação: baionaaskatu

As 'konparsas' Txori Barrote e Kaskagorri expulsas pelo PNV e IU em Bilbau


A Esquerda Unida e o PNV não perdem uma ocasião para agredir o Movimento Popular e o tipo de festa que propugna

Baseando-se num relatório elaborado pela División Antiterrorista y de Información da Ertzaintza, o Município de Bilbau sustenta que "é incontestável" que as comparsas Txori Barrote e Kaskagorri "não cumpriram o seu papel festivo ao decorar as suas txosnas, de forma ostensiva, com numerosas fotos de presos".

O relatório policial surge na sequência da política de "caça às fotos" fomentada por rudolf de Lakua e de um dos tristes episódios em que tal política se viu aplicada, quando a Ertzaintza invadiu o recinto de festas, em plena Aste Nagusia bilbaína, para levar as imagens dos presos de Bilbau. No dito relatório fazia-se referência a cinco txosnas, mas a Kaixo, a Kobetas Mendi e a Altxaporrue livraram-se da mirada cristalina da "democracia" e a vara da pureza só caiu nos costados da Kaskagorri e da Txori Barrote, que ficam impossibilitadas de voltar a armar uma txosna em terras bilbaínas.

Mais, para que a ignomínia tremenda jamais corrompa a mais pura das lembranças, os espaços antes ocupados por estes prevaricadores da solidariedade e violadores da fotossensibilidade alheia declaram-se vazios, não podendo ser ocupados até ao cabo dos tempos por qualquer outra agremiação.
A grandeza de espírito de quem manda, tão ajaezado à espanhola, abriu um período de audiência com a duração de dez dias, antes de tomar uma resolução definitiva. O Juízo Final admite recurso.
Fonte: lahaine.org

Ver também: «Esquerda Unida e PNV procuram acabar com a Aste Nagusia», em Gara

domingo, 1 de novembro de 2009

O documento em debate no seio da esquerda 'abertzale', acessível na Internet

Trata-se da proposta de debate do Batasuna que as bases da esquerda abertzale estão a debater e que o Estado espanhol procurou silenciar. O documento designa-se «Eztabaidarako txostena. Fase politikoaren eta estrategiaren argipena» (em euskara) ou «Documento para debate. Clarificando la fase política y la estrategia» (em castelhano) e está agora disponível on-line em euskara e em versão bilingue.

Acessível aqui: Documento da esquerda abertzale (eus-cas).pdf

Fonte: ezkerabertzalea.info
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NOTA: agradecemos publicamente, da mesma forma que o fizemos pessoalmente, a quem hoje (02/11) nos alertou para a impossibilidade de aceder a partir daqui ao documento que as bases da ezker abertzalea estão a debater; tratava-se de um problema que afectava não só a ligação para este documento em particular, mas também as ligações para todas as outras páginas ou documentos aqui apresentados desde o dia 26 de Outubro. O problema está resolvido. Muito obrigado. Mila esker.

«Sou testemunha da profundidade e honestidade da iniciativa da esquerda 'abertzale'»


Brian CURRIN, advogado sul-africano e assessor em conflitos políticos, entrevistado por Iñaki SOTO

Nascido em Pretória, Currin fará 60 anos dentro de poucas semanas. Durante este tempo lutou – e venceu – contra um apartheid em que ele era um dos privilegiados. Mais tarde conseguiu que, no Norte da Irlanda, unionistas e republicanos chegassem a acordos em temas sensíveis como o da Polícia. Agora contribui com a sua experiência para o caso basco. E pensa que estamos num momento crucial. É essa a razão da sua visita e a mensagem que quis transmitir, tanto aos políticos como à sociedade.

O único buraco na agenda apertada deste perito em conflitos e em processos de negociação é no aeroporto de Loiu, onde o Gara o entrevista enquanto espera o avião que o leve de volta à África do Sul.


Na sua conferência em Donostia foi contundente, ao ponto de alguns poderem questionar a sua neutralidade...
Não estou de acordo com essa apreciação. Penso que fui realmente neutral, no sentido de imparcial. Disse por um lado que creio que a ETA deverá decretar um cessar-fogo para o processo seguir em frente, mas por outro lado fui crítico com Madrid pelas últimas detenções. Creio que neste momento o mais importante em Euskal Herria é que as pessoas estejam informadas, que saibam o que se passa, a verdade sobre o que se está a dizer e fazer.

Também não dei nenhuma informação sensível, nada que não se soubesse já. Procurei simplesmente enfatizar a importância da iniciativa da esquerda abertzale, quando por outro lado já é público que essa iniciativa da esquerda abertzale existe. Procurei mostrar o quão importante é essa iniciativa porque participei nessa discussão. Sou testemunha da sua profundidade e honestidade, e penso que este é um momento crucial.

Adverte que não se pode ser ingénuo na hora de enfrentar este cenário...
Se alguém julga que esta iniciativa do Batasuna pode seguir em frente, ter êxito, sem implicar a ETA, considero que essa postura é ingénua no sentido de que não é realista. Este processo não pode funcionar sem contar com a ETA, simplesmente porque o seu efeito seria o oposto do que é proposto por quem defende esse posicionamento: um novo grupo ocuparia esse espaço político e retrocederíamos dez anos.

Paradoxalmente, alguns meios acusam-no de ingenuidade por acreditar na iniciativa da esquerda abertzale.
Tenho consciência das dificuldades associadas ao levar por diante esta iniciativa, sei que não é algo fácil e não acontecerá de maneira natural, sei que implica um grande esforço e muito trabalho. Tenho consciência, por exemplo, das dificuldades da ETA para tomar iniciativas como uma declaração unilateral de cessar-fogo, porque realmente há gente lá dentro que duvida de que possa alcançar os seus objectivos sem a pressão das armas. Mas não é uma questão de se ser ingénuo ou não, mas de ser positivo. Não existe qualquer possibilidade de a esquerda abertzale avançar nos seus objectivos políticos se permanecer ilegalizada. Hoje vemo-lo claramente: as detenções sucedem-se, não pode haver continuidade, não se podem organizar politicamente e isso torna-os mais débeis. As consultas às suas bases deixam claro que muitos julgam necessário um novo projecto. Se a ETA não o entender assim e não jogar o papel que lhe cabe, penso que deve assumir a responsabilidade das consequências, dado que a actividade política em Euskal Herria será lamentável.

A «guerra contra o terror» parece apagar-se a nível global, mas o Governo espanhol mantém e aprofunda essa estratégia. Pensa que os securocratas podem continuar a alimentá-la indefinidamente?
Penso que por agora os securocratas no Governo espanhol estão a ganhar essa batalha. Basta olhar para o número de detenções, não só no âmbito de militantes do Batasuna ou no domínio da política, mas também no meio armado para confirmar que os securocratas estão a ter êxito. Às vezes penso que para Madrid é mais fácil gerir isto nos termos actuais do que ter de se comprometer politicamente no que diz respeito a Euskal Herria em questões como a independência ou a soberania. Porque creio que esse debate preocupa Madrid e penso que o quer evitar.

Ouve-se dizer muitas vezes que a esquerda abertzale precisa do seu «Gerry Adams». Pela forma, clara e dura, como denunciou estas detenções, acha que entre essas pessoas existe quem preencha esse perfil?
Penso que entre as pessoas detidas existem pessoas influentes que são líderes eficazes. Mas, para além disso, também creio que há outras pessoas no Batasuna que podem exercer esse papel, ser capazes de conduzir a esquerda abertzale a um novo futuro. Não creio que a esquerda abertzale careça de bons líderes agora.

Prosseguindo com o símile irlandês, vê no Governo espanhol algum «Jonathan Powell» [chefe de Gabinete do Governo de Tony Blair e negociador-chefe britânico]?
Não, neste momento não. Mas tenho que acrescentar que é difícil para mim fazer uma avaliação por não ter agora qualquer conhecimento directo do que esse governo está a fazer actualmente. Conheço as suas declarações e acções públicas, mas tenho idade suficiente para saber que o aquilo que se vê nem sempre é o que realmente é. Talvez se estejam a passar coisas dentro do Governo espanhol que eu desconheça.

Em Donostia afirmou que uma das razões evidentes para o fracasso do último processo de negociação foi a ilegalização da esquerda abertzale. Pode apresentar outras razões para esse fracasso?
Existem questões que são comuns à resolução de qualquer conflito. Questões essenciais, básicas, que aqui não se deram. Por exemplo, não houve medidas de construção de confiança por nenhuma das partes, nem por parte do Governo nem por parte da esquerda abertzale ou por parte da ETA. Também não houve transparência. Um processo não pode ter êxito se não existe transparência, se os líderes não levam as suas bases com eles. Se vai haver um processo em Euskal Herria, as pessoas em Espanha devem saber o que se passa, devem entender o que se passa, quais são os objectivos a longo prazo. E o mesmo com a base social da esquerda abertzale. Ninguém disse abertamente no último processo o que estava a fazer ou para que o fazia, em grande medida porque estavam preocupados com a possibilidade de que os seus respectivos seguidores não estivessem de acordo com eles, não os apoiassem a nível político. E isto nunca pode funcionar.

Para além disso, se compararmos com o caso da Irlanda, na Grã-Bretanha existia um consenso entre conservadores e trabalhistas que impedia que estes temas pudessem ser utilizados uns contra os outros eleitoralmente. Isso foi cumprido tanto quando o Governo era conservador como quando era trabalhista. Provavelmente, nas discussões haveria divergências entre uns e outros, mas não apareciam publicamente. No Estado espanhol utiliza-se o conflito basco para ganhar votos. Isso faz com que seja muito difícil ao partido no Governo apoiar um processo que lhe pode custar o apoio popular nas eleições seguintes.

Deu também o exemplo do SDLP e de John Hume, que apostaram no processo mesmo à custa de perderem a hegemonia eleitoral na sua comunidade. O medo desse precedente pode ter afectado também o decurso das negociações aqui?
Creio que sim, que também pode ser uma das razões para o fracasso do processo. Penso que aqui os partidos políticos estão mais interessados em proteger o seu próprio espaço e garantir a sua base social do que em olhar para o panorama geral. Creio que colocar os interesses partidários acima da paz é egoísta e bastante negativo.

Transmitiu um certo cepticismo quanto ao possível envolvimento da comunidade internacional, mas ao mesmo tempo mostrou-se esperançado nesse âmbito no caso de esta iniciativa prosperar.
Se existir uma declaração por parte da esquerda abertzale, com uma clara mensagem sobre a questão da violência, isso permite que a comunidade internacional se possa mostrar publicamente crítica com a detenção dos líderes que manifestam esse compromisso. Mas agora, quando alguém nessa esfera lê o jornal sobre essas detenções, a mensagem que recebe é que estão envolvidos com o terrorismo porque estão a promover uma iniciativa que provém da ETA. Mas se esta iniciativa prosperar e se tornar pública, pode haver uma mudança significativa.

Sublinhou a importância do debate dentro de Euskal Herria neste momento...
Atribuo a importância ao debate interno porque segundo a informação de que disponho há algum tempo que não ocorre uma reflexão estratégica dentro do movimento a favor da independência. Já passaram sete anos desde a ilegalização do Batasuna e penso que é o momento de se ouvir a sua base social, saber o que pensa, o seu estado de ânimo, ver como se lida com a estratégia, como se ajusta, se digere... É muito importante haver debate interno, chegar a acordos entre eles. Passou-se o mesmo na Irlanda e na África do Sul em situações parecidas. Porque creio que se estão a procurar e a ponderar alternativas. Se existe este desejo, há esperança.

O seu auditório nesta viagem era composto sobretudo por abertzales. Que diria em Madrid?
A minha mensagem não se dirige só aos nacionalistas ou aos bascos, mas aos envolvidos. Todo o mundo, também Madrid, tem acesso aos meios em que eu falei. Diria a mesma coisa em Madrid.
Fonte: Gara

Conferência de Brian Currin em Donostia (28/10/2009)


Vídeo da conferência que o advogado e mediador sul-africano Brian Currin deu no Kursaal de Donostia, no dia 28 de Outubro de 2009, a convite da plataforma Lokarri. Em paulrios.net via worldinconflict.es

A dobrar ou nada


A máquina repressiva do Estado espanhol gira muito depressa. Deita tanta lenha para a sua caldeira que se torna difícil seguir-lhe o rasto. Quando muito, e com atraso, consegue-se vislumbrar o fumo. Esta semana ocorreu outro desses saltos qualitativos que apitam aos ouvidos de qualquer observador estrangeiro e fazem com que a Amnistia Internacional afirme que a repressão em Euskal Herria não tem termo de comparação na Europa, e que, apesar disso, passam desapercebidos aqui.

Com a «doutrina Parot» inventou-se o duplo cumprimento das penas. Ensaiou-se também a dupla condenação pelo mesmo facto, com o esquema de julgar primeiro em Paris e depois em Madrid. Nos casos do Egin e do Egunkaria nasceu ainda a prova dupla ou ambivalente: um mesmo documento serve para fechar dois diários. Esta semana, com o pedido de condenação avançado pelo Ministério Público contra Arnaldo Otegi no processo das herrikos, vimos como se pode encarcerar a mesma pessoa não duas vezes, mas três, por um caso que nem sequer foi a julgamento. E agora, com a sentença pioneira por «pertença à Segi» decretada contra oito jovens de Lea-Artibai, nasce uma outra dupla punição. Já têm em cima 48 anos por serem «terroristas», embora não haja outra «arma» que não seja um autocolante na parede, uma T-shirt no armário ou uma confissão forçada. Esta sentença, por sua vez, abre caminho à sua condenação em julgamentos futuros por acusações concretas de sabotagens. A Audiência Nacional é dona e senhora.

Qualquer político basco, questionado sobre o caso, encolheria os ombros. Não está na agenda, simplesmente. E, no entanto, todos sabem que é mentira que a Segi seja uma organização terrorista. Há muito por fazer. Quando o Estado dobra a sua aposta, em Euskal Herria a resposta não devia ser nada.

Ramón SOLA
Fonte: Gara

O Fórum de Debate Nacional 2009 compromete-se a criar um ponto de encontro independentista


Mais de 200 pessoas que trabalham em prol de Euskal Herria participaram ontem em Donostia no plenário do Nazio Eztabaidagunea 2009, onde se salientou a necessidade de aprofundar a coesão entre os soberanistas.

Os participantes, entre os quais se encontravam figuras conhecidas dos domínios político, social e sindical, decidiram criar uma Comissão Promotora que, "partindo da pluralidade e da diversidade do independentismo", dê continuidade ao debate e analise os passos a dar. Decidiram ainda levar o debate à sociedade, de forma a possibilitar "vias para a participação dos cidadãos" e, assim, "recolher as suas ideias e opiniões".

O plenário adoptou uma resolução – «Em direcção à criação de um novo ponto de encontro independentista» –, que funciona como "uma proposta" de debate, em torno da qual a "ampla base independentista que surge actualmente dispersa" se possa reunir e expressar.

Expressaram ainda o seu compromisso em tornar-se "protagonistas activos das mudanças" de que o país necessita e manifestaram a sua determinação em "divulgar e reforçar o apoio à independência, bem como trabalhar sobre as oportunidades e capacidades para estruturar Euskal Herria como Estado".
Fonte: lahaine.org

Familiares dos presos optam por trazer as suas próprias fotografias


Em resposta à proibição de exibir fotografias de presos políticos bascos, os familiares resolveram trazer fotografias de si próprios e assim representarem a exigência do respeito pelos direitos dos prisioneiros. Esta iniciativa, que tinha sido anunciada recentemente pela Etxerat e pelo Movimento pró-Amnistia, teve início em Iruñea por ocasião da habitual concentração das sextas-feiras no Sarasate pasealekua, na qual participaram cerca de 300 pessoas e em que se mostraram fotografias de uns 40 familiares, sobretudo pais e mães de presos políticos. A Polícia espanhola não interveio.

«Queremos denunciar desta forma a existência de quase 750 pessoas encarceradas, muitas delas em isolamento, outras com a pena já cumprida ou com 3/4 já passados, de 6 presos que continuam gravemente doentes, sendo que os familiares se vêem forçados a percorrer centenas e milhares de quilómetros para realizar visitas de 40 minutos», afirmou Miguel Olaiz, membro da Etxerat, que disse ainda que, com a proibição da exibição das fotos dos presos, se procura esconder a política penitenciária espanhola, que cobrou a vida a 16 familiares e a 21 presos. «Querem evitar, em suma, que se veja que no coração da Europa existe um conflito político que dura há dezenas de anos e que os responsáveis políticos foram incapazes de o resolver por vias democráticas».

Outras localidades
Além da capital navarra, na sexta-feira também houve concentrações em prol dos presos nas seguintes localidades e bairros, e com a seguinte participação: 23 pessoas em Uztaritz, 18 em Antzuola, 20 em Berriz, 65 em Azpeitia, 70 em Mutriku, 140 em Ondarroa, 60 em Zumaia, 50 em Oñati, 12 em Amezketa, 58 em Eskoriatza, 8 em Sondika, 34 em Orduña, 125 em Lekeitio, 170 em Zarautz, 45 em Lizarra, 223 em Mundaka, 21 em Legorreta, 247 em Arrasate, 115 em Azkoitia, 120 em frente à Sabin Etxea, em Bilbau, 250 no Arriaga, também em Bilbau, 21 em Ataun, 26 em Ugao, 25 em Elgeta, 35 em Getaria, 136 em Irun, 63 em Billabona, 53 em Orio, 167 em Durango, 62 em Portugalete, 65 em Beasain, 55 em Deba, 78 em Zaldibia, 75 em Pasai Antxo, 75 em Otxandio, 68 em Bergara, 55 em Elgoibar, 15 em Irurtzun, 65 em Larrabetzu, 57 em Lizartza, 70 em Urretxu-Zumarraga, 55 em Basauri, 50 em Sestao, 65 em Abadiño, 51 em Etxebarria, 10 em Muskiz, 52 em Portugalete, 80 em Barakaldo, 45 em Amurrio, 10 em Lemoiz, 32 em Iurreta, 80 em Zornotza, 63 em Aulesti, 29 em Trapagaran, 30 em Zaldibar, 60 em Erromo, 40 em Arrigorriaga, 30 em Amara Zaharra (Donostia), 35 em Busturia, 28 em Aramaio, 68 em Laudio, 25 em Irunberri, 115 em Galdakao, 48 em Berango, 35 em Olazti, 16 em Urduliz, 21 em Plentzia, 30 em Andoain, 570 em Gasteiz, 22 em Zuia, 22 em Labastida, 100 em Oiartzun, 34 em Lesaka, 35 em Bakio, 25 em Gares, 65 em Usurbil, 64 em Arbizu, 65 em Berriozar, 62 em Gernika, 55 em Leioa, 7 em Lekunberri, 37 em Leoz, 24 em Zalla, 30 em Urnieta, 20 em Bera, 22 em Astigarraga, 57 em Tafalla, 30 em Munitibar, 69 em Etxarri Aranatz, 270 em Donostia e 300 em Algorta, onde também se realizou uma homenagem a Bisi Unanue. Além disso, na quinta-feira à noite juntaram-se 41 pessoas em Iturrama (Iruñea) e outras 62 em Burlata (Iruñerria).

Iñaki VIGOR
Fonte: Gara

Solidariedade nacional e internacional contra a repressão e a censura


EHL-Milano ocupa simbolicamente as instalações do diário La Repubblica para denunciar a censura mediática
30 kides [activistas] do EHL-Milano ocuparam na quinta-feira à noite as instalações do jornal La Repubblica para denunciar a censura mediática sobre o desaparecimento de Jon Anza e a repressão franco-espanhola em geral, e não saíram dali sem que representantes do periódico assumissem o compromisso de escrever sobre a grave situação que se vive em EH. Depois de alcançarem esse compromisso, os activistas vieram para a rua e manifestaram-se contra o desaparecimento de Jon. Comunicado aqui.


Por outro lado, chegaram a EH diversos comunicados de protesto contra a detenção do advogado Joseba Agudo, e em Montevideu, no Uruguai, haverá uma manifestação de repúdio contra toda esta repressão (visando especialmente as últimas detenções de dirigentes políticos). Também para denunciar as detenções recentes de membros da esquerda independentista, em Barcelona, na Universitat de Raval, mais de 150 pessoas participaram num acto de protesto (crónica).
Fonte: askapena.org

«Egunkaria libre!»
Numa altura em que faltam poucas semanas para que arranque o julgamento contra o Euskaldunon Egunkaria, dezenas de pessoas exigiram a sua suspensão num protesto levado a cabo em Iruñea, nesta sexta-feira, no qual participaram representantes políticos, sindicais e sociais.
Fonte: Gara
'Egunkaria' libre! 'Egunkaria' aurrera!