domingo, 6 de dezembro de 2009

Mobilizações pelos presos


No sábado, em Durango
No âmbito da 44.ª edição da Feira do Livro e do Disco Basco que está a decorrer em Durango (Durangoko Azoka), várias caras conhecidas da cultura basca mobilizaram-se ontem à tarde em defesa dos direitos dos presos e das presas políticas bascas. Estiveram presentes, entre muitos outros, Unai Iturriaga, Xumai Murua, Edorta Jimenez, Su ta Gar, Betagarri e Ken 7.
No acto, além da txalaparta, da música e da actuação de bertsolaris, um representante da Etxerat denunciou as últimas humilhações a que os familiares têm sido sujeitos nas prisões do Estado espanhol.
Para fazer frente a este tipo de situações, fizeram um apelo à a solidariedade e à mobilização, lembrando que a luta pelos presos e pelas presas não é uma coisa de um dia em concreto, mas de todos os dias.

Na quinta e na sexta-feira
Como acontece todas as sextas-feiras, houve diversas mobilizações em defesa dos direitos dos presos. Assim, em Lekeitio juntaram-se 120 pessoas, 74 em Algorta, 43 em Andoain, 129 em Ondarroa, 165 em Zarautz, 21 em Mundaka, 35 em Getaria, 51 em Lizarra, 25 em Legorreta, 125 em Bilbo, 35 em Amurrio, 45 em Deba, 36 em Barañain, 62 em Soraluze, 67 em Bergara, 35 em Lezo, 34 em Larraga, 20 em Usansolo, 72 em Lazkao, 200 em Orereta (contra as detenções dos jovens), 200 em Lekeitio (contra a condenação de habitantes da localidade), 20 em Bera, 35 em Arbizu, 66 em Etxarri-Aranatz, 185 em Donostia, 315 em Iruñea e 300 em Aulesti (também contra a condenação de habitantes da localidade).
Na quinta-feira, 40 pessoas concentraram-se em Zizur, 47 em Iturrama (Iruñea), 40 em Donibane (Iruñea), 53 em Burlata e 70 em Eibar.
Fonte: Gara e lahaine.org

PreSOS, repressão, solidariedade


A Etxerat relata novos casos de humilhação aos familiares nas visitas
Na sexta-feira, a Etxerat relatou perante a comunicação social diversas situações de «extrema gravidade» vividas pelos familiares e amigos dos presos políticos bascos nas últimas semanas, em virtude de os carcereiros os pretenderem inspeccionar fisicamente, e reiteraram que não se vão sujeitar a «semelhante humilhação». Na ocasião, José Cruz Coto, pai do preso Egoitz Coto, Lucía Mailo, mãe de Mikel Lizarribar, e Olga, mãe de Iñaki Peña, relataram as situações nada edificantes por que tiveram de passar em diversas prisões espanholas.
Por seu lado, os representantes da Etxerat Oihane Ozamiz e Natxi Aranburu fizeram questão de afirmar que não vão «ficar de braços cruzados» e aludiram ainda a situações extremas, como a de crianças a serem revistadas à força em Soto del Real.
Protestos nas prisões
Para denunciar esta situação, os presos políticos encarcerados em Huelva, Soto del Real, Curtis, Badajoz, Castelló, Dueñas, Foncalent-Mulheres, Segóvia e Valência III estão a empreender diversas formas de luta, como fechamentos nas celas e greves às comunicações, segundo fez saber o Movimento pró-Amnistia.
Notícia completa: Gara

Ibai Sueskun, tratado de forma degradante e violenta pelos gendarmes
O Movimento pró-Amnistia divulgou uma agressão ao preso Ibai Sueskun ocorrida em Outubro. O jovem navarro foi detido no dia 10 de Outubro com uma ferimento de bala na mão, e no dia 19 desse mês foi conduzido ao hospital para ser operado. Durante a transferência, levaram-no com os pés presos e no hospital permaneceu atado à cama, com a luz acesa e polícias armados entrando continuamente na sala, impedindo-o de dormir. No dia em que o operaram, levaram-no de volta para a prisão, à tarde, e Sueskun recusou-se a levar os pés acorrentados. Sentou-se no chão e os gendarmes ergueram-no violentamente, puxando-o pelas algemas que tinha colocadas na mão ferida e levando-o pelo ar.
Fonte: Gara

Elkartasun Hilabetea / Mês da Solidariedade, em Ipar Euskal Herria
Como todos os anos, a Askatasuna organiza o Elkartasun Hilabetea em Ipar Euskal Herria [País Basco Norte], com um programa bem recheado de actividades variadas: concentrações em defesa dos direitos presos, concertos musicais, projecções de filmes, debates, peças de teatro, bertsos, etc. O Mês da Solidariedade iniciou-se em Hendaia no dia 27 de Novembro e termina em Ezpeleta no dia 19 deste mês. Pelo meio, a onda solidária já passou por Miarritze (4/12) e há-de chegar a Anauze (12/12) e a Ziburu (18/12). E no dia 25/12 o Olentzero vai distribuir presentes, claro. Desconfiamos que é capaz de trazer um outro saco bem cheio de carvão.
Fonte: baionaaskatu

Araitz Zubimendi dá entrada na prisão de Dueñas
A hernaniarra Araitz Zubimendi ingressou na prisão de Dueñas (Palência) com sua filha (que tem poucos meses de vida), para cumprir a pena de seis anos de prisão a que foi condenada pela Audiência Nacional espanhola. Zubimendi foi julgada no final de Outubro com mais quatro jovens independentistas pela sua actividade política nas organizações juvenis independentistas Haika e Segi. Os outros eram Zigor Ruiz (que foi detido em 2008) e Asier Tapia (em 2007), além de Garikoitz Mujika e Eneko Aizpurua, ambos encarcerados no último dia do julgamento. Todos eles foram condenados a seis anos.
Fonte: Gara
Acções de protesto contra a tortura, em Azpeitia e Donostia
Em Azpeitia (Gipuzkoa), 35 jovens de T-shirt vermelha, com a palavra «independentzia» estampada, juntaram-se ontem numa acção de protesto que visava chamar a atenção para os últimos casos denunciados de tortura. Para tal, apresentaram-se em frente à casa de um vereador do PSOE com um saco enfiado na cabeça e as mãos atadas atrás das costas.
Já hoje, dia da Constituição espanhola, em Donostia apareceu uma faixa que alude ao seu Artigo Primeiro de facto...
Fonte: askatu.org
«Artículo 1. Todo vasco tiene derecho a ser torturado.»

Notícias do Athletic, da Real e do Osasuna: «antifaxistak garelako!»


«Todas as vergonhas do futebol saltam para o palco na Áustria»
"Os adeptos radicais do Áustria de Viena converteram num espectáculo lamentável o que devia ter sido um acontecimento desportivo de máximo nível. O encontro do Athletic com os vienenses [a contar para a 5.ª jornada da Europa League] teve de ser suspenso durante quase meia hora em virtude dos graves incidentes que ocorreram no estádio."
http://www.gara.net/paperezkoa/20091204/170404/es/Todas-verguenzas-futbol-salen-escena-Austria-



«Ataque nazi em Viena...»
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/12/ataque-nazi-en-viena.html
«Áustria de Viena - Athletic»
"Primeira acção organizada em que participam diversos grupos ultras nazi-fascistas da Europa. Ultras Sur (Real Madrid), Brigadas Blanquiazules (Espanyol), Fanatics (Áustria de Viena) e Ultras Lazio (Lazio)." [Esta notícia é actualizada em baixo.]
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/12/austria-de-viena-athletic.html

«O Áustria de Viena confirma a presença de ultras italianos contra o Athletic»
[É a notícia mais completa e actualizada.]
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/12/el-austria-de-viena-confirma-la.html

A Real Sociedad recorda Aitor Zabaleta, assassinado há 11 anos
No sábado, dia em que se disputava o dérbi entre a Real Sociedad e o Real Union, o pai e o irmão de Aitor Zabaleta, adepto da Real assassinado há 11 anos por um grupo ultra em Madrid, viveram uma tarde carregada de emoções no palco de Anoeta. Durante o intervalo, o Aitor foi homenageado pelos presidentes dos dois clubes guipuscoanos, que entregaram à família camisolas de ambas as equipas. Da parte da Real, equipa que jogava em casa, o conselheiro Joseba Ibarburu esteve sempre à disposição da família Zabaleta, de forma a que estivesse à vontade.
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/12/aitor-zabaleta-kortazar-11_05.html

A Lizarra Taldea, do Osasuna, faz 20 anos
Lizarra Antifaxista * E.H
No princípio, num Osasuna-Cádiz disputado em Novembro de 1989, a Lizarra Taldea contava com oito sócios, e agora é composta por 80, originários de várias localidades da zona de Lizarra (Nafarroa).
Recentemente, organizaram um concerto comemorativo e têm previstas mais actividades para esta temporada tão especial para eles. Zorionak!
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/12/zorionak-lizarra-antifaxista-beti.html

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O diário «Le Monde» analisa o desaparecimento de Jon Anza e apresenta novos dados


O diário francês Le Monde publica hoje uma ampla reportagem sobre o desaparecimento de Jon Anza, que ocorreu no dia 18 de Abril. O periódico francês analisa o caso e apresenta alguns detalhes até agora desconhecidos. Também se refere ao sequestro do ataundarra Juan Mari Mujika e afirma que a pista seguida pela Polícia francesa aponta para «quatro telemóveis espanhóis».

«Une étrange disparition»

O artigo do Le Monde traduzido para euskara, na Kazeta.info

O Le Monde apresentou ontem à tarde na sua edição digital uma ampla reportagem sobre o donostiarra Jon Anza, desaparecido desde que no dia 18 de Abril apanhou um comboio em Baiona (Lapurdi) com destino a Toulouse, que hoje se publica na edição impressa.

Com o título «Une étrange disparition» (Um estranho desaparecimento), a jornalista Isabelle Mandraud começa por recordar que Jon Anza desapareceu «sem deixar rasto» e que «a organização independentista basca ETA, que figura na lista de organizações terroristas da UE, o reconheceu como um dos seus membros».

A jornalista afirma que os ecos do seu desaparecimento chegaram a Paris e que a 18 de Dezembro, dia em que se cumprem oito meses, se realizará uma concentração na capital francesa.

Para elaborar a reportagem, falou com a companheira de Anza, com a advogada da família e com a Askatasuna. Também reúne as declarações da procuradora de Baiona e da Polícia francesa.

Além de abordar as principais notícias em torno do desaparecimento do militante basco, o diário parisiense apresenta novos dados, como o facto de os detalhes referidos pela ETA no comunicado em que deu conta da militância de Anza terem causado «surpresa» no seio da Polícia francesa. Com base nessa nota, segundo indica, a Polícia procedeu a algumas diligências que confirmaram a informação avançada pela organização armada basca.

Para além disso, revela que a Polícia «vigiava de vez em quando» o donostiarra e que pensava que este estava «fora do circuito» em virtude do cancro que lhe tinha sido diagnosticado.

A procuradora de Baiona, Anne Kayanakis, assegura no artigo que «a Polícia nem finge que o procura» e que está «verdadeiramente perplexa» porque os resultados da investigação não lançaram nenhuma luz sobre os acontecimentos.

A procuradora pediu colaboração à justiça espanhola
A reportagem também menciona a informação publicada pelo Gara no dia 2 de Outubro, em que se referia que Anza teria sido interceptado por polícias espanhóis quando ia no comboio e teria morrido durante os interrogatórios a que foi submetido.

A esse respeito, o Le Monde afirma que, depois de ter conhecimento disso, a procuradora solicitou a colaboração da justiça espanhola através da embaixada francesa.

A pista sobre o sequestro de Mujika aponta para «quatro telefones espanhóis»
No último parágrafo, o artigo refere-se ao sequestro do ataundarra Juan Mari Mujika, há um ano. Recorda que a investigação continua em aberto e que a principal pista conduz a «quatro telemóveis espanhóis».
Fonte: Gara

Álibi judicial para a impunidade policial


O juiz Fernando Grande-Marlaska deixou muito claras as suas intenções quando, após a última operação policial contra a juventude independentista, decretou que os detidos fossem sujeitos ao regime de incomunicação, ao mesmo tempo que recusou a aplicação do denominado «protocolo contra a tortura», que contém medidas para garantir os direitos dos detidos e evitar a prática da tortura ou maus tratos durante o período de detenção. Se alguma dúvida ou nuance ainda restavam, desfê-las com Ainara Bakedano. A jovem, detida anteontem pela Guarda Civil a apenas 50 metros da Audiência Nacional espanhola, quando se dirigia para a sede do tribunal de excepção com intenção de prestar declarações, afirmou ontem que foi torturada durante os interrogatórios.

Grande-Marlaska tinha recebido a notificação de que a jovem estava disposta a prestar declarações e citou-a em sede judicial. Apesar disso, não hesitou em permitir que a Guarda Civil a interceptasse e sujeitasse à incomunicação, reiterando a sua recusa ao anteriormente mencionado protocolo e deixando que acontecesse o que a jovem veio depois denunciar, após a sua passagem pelos calabouços. Apesar da vontade expressa por Bakedano de prestar declarações, quando já outros imputados tinham sido presentes ao juiz nos dias anteriores, e enquanto recebia outros dois jovens que se tinham apresentado voluntariamente, Marlaska insistiu em manter o regime de incomunicação a Bakedano, deixando bem vincado qual é o verdadeiro e último fim desta prática, que não é seguramente investigar nem interrogar.

Ainara Bakedano é asmática. Denunciou ter sido sujeita, entre outras formas de violência física e verbal, à prática do «saco». Não é difícil imaginar porquê. Enquanto o Estado espanhol continuar a tolerar, quando a não a alimentar, a prática do regime de incomunicação nas detenções, crescerá a convicção, que já cruza fronteiras, de que a investigação policial não é mais do que o álibi que esconde a impunidade.
Fonte: Gara

Bakedano denuncia torturas e Marlaska dá-lhe ordem de prisão


Ontem, o juiz da Audiência Nacional espanhola Fernando Grande-Marlaska deu ordem de prisão a Ainara Bakedano, que, na sua comparência perante o magistrado, disse ter sido torturada pela Guarda Civil durante o tempo em que permaneceu incomunicável. A jovem navarra tinha sido detida um dia antes, quando se dirigia de forma voluntária para o tribunal de excepção. Outros três jovens, que tinham sido notificados para prestar declarações ontem, saíram em liberdade e sem medidas cautelares.

O Movimento pró-Amnistia fez saber ontem que Ainara Bakedano foi torturada pela Guarda Civil durante o tempo que permaneceu nas instalações policiais. A jovem navarra foi presa na quarta-feira ao meio-dia, em Madrid, a 50 metros da Audiência Nacional espanhola, quando se preparava para comparecer voluntariamente perante o juiz Fernando Grande-Marlaska. Depois de ser detida, foi-lhe aplicado o regime de incomunicação, situação em que permaneceu até poucos minutos antes de ser levada à presença do juiz do tribunal ex-TOP.

Bakedano afirmou que, durante a noite que passou na esquadra, foi torturada, mas, depois de a ouvir, Marlaska mandou-a para a prisão. No dia anterior, a defesa da jovem navarra tinha pedido ao juiz que aplicasse o protocolo contra a tortura, solicitação a que fez ouvidos moucos.

O Movimento pró-Amnistia especificou que Bakedano relatou perante o juiz que lhe tinham enfiado um saco na cabeça, até quase não poder respirar - sofre de asma -, que tinha sido agredida e que foi ameaçada pelos agentes da Guarda Civil. O organismo anti-repressivo denunciou «o silêncio» que muitas organizações e partidos políticos de Euskal Herria mantiveram perante os últimos casos de tortura e acrescentou que aquilo que se passou com Bakedano deixou às claras o objectivo que se persegue com o regime de incomunicação.

No auto que ontem foi tornado público, e no qual se dava ordem de prisão à jovem, Marlaska afirma que Bakedano faz parte da direcção da Segi, organização que descreve como «uma autêntica academia terrorista». Tal como fez aos 31 jovens independentistas encarcerados na semana passada, acusa-a de «integração em organização terrorista».

Outros três jovens - Maitane Fernández, Mikel Fernández e Rubén Sanz – tiveram de comparecer ontem perante o mesmo juiz, saindo em liberdade provisional e sem nenhuma medida cautelar. No entanto, foi-lhes lembrada a obrigação de comparecer quando forem notificados.

Novas mobilizações
O sindicato estudantil Ikasle Abertzaleak tinha convocado para ontem uma jornada de mobilizações em centros educativos e campus universitários, para denunciar a operação policial contra os jovens independentistas ocorrida na semana passada e os maus tratos sofridos por muitos dos detidos durante a sua passagem pelas instalações policiais.

Na manifestação realizada no bairro bilbaíno de Deustua reuniram-se dezenas de jovens, seguindo uma faixa em que se lia «Ikasleok sistema eta errepresioaren aurrean, ekin dezagun batera» [Os estudantes frente ao sistema e à repressão, trabalhemos juntos].

Representantes do IA anunciaram na terça-feira passada a sua adesão ao manifesto «Gazteok batera!» apresentado depois das Gazte Topaketak, levadas a cabo no fim-de-semana em Zestoa (Gipuzkoa), e às iniciativas avançadas com o propósito de que o movimento juvenil basco responda conjuntamente à última operação.

Projectos comunicativos juvenis como a Gaztesarea, KKinzona de Urretxu-Zumarraga, Lurraska de Barañain, os programas radiofónicos Gazte Zaparrada de Ipar Euskal Herria e Irauli Uhinak e várias gazte asanbladak [assembleias juvenis] também deram o seu apoio a estas dinâmicas.

Para além disso, a Gazte Abertzaleak, organização juvenil do Eusko Alkartasuna, anunciou que apoia a manifestação que diversas organizações juvenis convocaram para amanhã em Durango. Referiram que vão enviar uma delegação à conferência de imprensa que terá lugar hoje em Donostia para apresentar a mobilização.

A Gazte Abertzaleak sublinhou que «vai realizar todos os esforços necessários para actuar conjuntamente desde as vias civis e políticas» porque «estamos a apostar muito enquanto povo».
Manex ALTUNA
Fonte: Gara

Sobre a operação contra os jovens independentistas, ver também:
«Marlaska desvela o uso do sinal do telemóvel nos seguimentos», de Iñaki IRIONDO
O último auto do juiz Fernando Grande-Marlaska, em que se decretou o encarceramento dos jovens independentistas, confirmou o uso dos telefones móveis no seguimento destas pessoas; uma utilização de duvidosa legalidade, de acordo com a normativa vigente. No documento judicial refere-se que certos jovens não puderam ser seguidos durante três dias, em Julho de 2009, porque deixaram os seus telefones em casa.
http://www.gara.net/paperezkoa/20091202/169923/es/Marlaska-desvela-empleo-senal-movil-seguimientos

1512: divulgar a verdadeira história e não a que os conquistadores venderam

A plataforma 1512-2012 Nafarroa Bizirik!, em colaboração com municípios bascos de diversos herrialdes, lançou uma obra didáctica em que se abordam vários aspectos relacionados com a conquista de Nafarroa, a partir de uma perspectiva diferente da que é habitual – a espanhola.


Apresentação, em Iruñea, da obra Konkistak, 500 urte. Deuseztatu ezin izan duten oiromena [500 anos de Conquista. A Memória que não Conseguiram Destruir]. Fonte: apurtu.org
Sobre a apresentação da obra referida, em Iruñea, e sobre a apresentação do DVD 1512, La conquista de Navarra, em Donostia, ver também «Os municípios bascos envolvem-se na divulgação da verdade sobre 1512», de Ramón Sola e Oihane Larretxea, em Gara

Nafarroaren Eguna: uma só festividade e duas formas radicalmente opostas de a comemorar

Coincidiram na data, mas as comemorações de ontem do Nafarroaren Eguna [Dia de Navarra] pouco tiveram em comum. Uma girou em torno do palácio, do castelhano, da bandeira espanhola e da medalha de ouro à UAGN. A outra foi na rua, em euskara, com a ikurriña e a homenagem popular ao EHNE (1).

Poucos dias há no ano que espelhem tão bem a realidade navarra como o 3 de Dezembro, festividade de Francisco de Xabier. Os actos a cargo do Governo da UPN e os que foram organizados pela Orreaga Fundazioa revelaram o antagonismo entre a Nafarroa oficial e a popular, entre a que está submetida a Madrid e a que resiste à assimilação.

O Governo da UPN em peso levou o arcebispo espanhol Francisco Pérez até ao Castelo de Xabier para celebrar uma missa em honra do co-patrono de Nafarroa. A Fundación Orreaga trouxe a Iruñea dois bertsolaris baixo-navarros, Laka e o filho de Xalbador, que evocaram nos seus cantos o carácter euskaldun de Xabier e de toda a sua família.

Com fundos públicos, o Executivo de Sanz pagou a numerosos coros e grupos folclóricos de casas regionais para actuarem em diversas localidades, quase tudo em castelhano. Com os seus próprios fundos, já que lhe recusam os subsídios, a Orreaga teve a colaboração desinteressada de vários coros para cantar junto ao Monumento aos Foros em Iruñea, tudo em euskara.

Depois da celebração religiosa no Castelo de Xabier com o arcebispo que deu a bênção à apropriação de centenas de monumentos do património público navarro, Miguel Sanz e os seus conselheiros regressaram nos seus carros oficiais a brilhar para celebrar no pátio isabelino da sede do Departamento da Cultura e Turismo o acto de maior significado: a entrega da Medalha de Ouro de Nafarroa à UAGN e à UCAN.

Depois de uma animada kalejira pelas ruas da Parte Antiga de Iruñea, com a participação de quase mil pessoas, que acompanharam os ihoaldunak, grupos de dantzas, fanfarres e trikitilaris, a Orreaga realizou um acto simples no Paseo de Sarasate e cedeu a leitura do pregão a Mikel Alzuart, membro da EHNE, sindicato para o qual não há medalhas oficiais por não alinhar ideologicamente com a UPN e/ou o PSN.

O próprio Alzuart, com a sua pronúncia baztandarra, resumiu esta dualidade dizendo que «em Nafarroa a crise mais fundamental é histórica e identitária, e sofremo-la e temos vindo a arrastá-la há muito tempo».

Mas também falou da «crise democrática, porque nos recusam o direito a decidir»; da «crise do modelo socioeconómico, que afunda o sector primário e desestrutura o tecido industrial», e da «crise cultural, com a cultura basca e o euskara constantemente ameaçados».

Essa dicotomia entre as «duas Navarras» também se reflectiu na simbologia. Ambas fizeram ondear nas suas cerimónias a bandeira com o escudo das correntes, mas o Governo da UPN fê-la acompanhar da espanhola, enquanto a Orreaga a fundiu com a ikurriña e o Arrano Beltza.

A explicação para esta realidade tão contrastante foi dada por Patxi Abasolo e María Luisa Mangado, membros da iniciativa 1512-2012 Nafarroa bizirik!. Ambos participaram no acto da Orreaga para apresentar o livro 500 años de conquista. La memoria que no pudieron destruir. «Este pequeno grande livro desmonta as mentiras que nos quiseram fazer engolir. Nestes cinco séculos – realçaram – aprendemos que dominação e mentira andam de mão dada».

O acto da Orreaga finalizou com os irrintzis de Karmele Galartza e a interpretação a cargo de Enrike Zelaia do «Gu gaurko euskaldunak» (2), frase do Monumento aos Foros que recolhe o sentir da Nafarroa não oficial.

Iñaki VIGOR
Fonte: Gara

(1) EHNE: Euskal Herriko Nekazarien Elkartea (Sindicato de agricultores)
(2) Nós, os bascos de hoje


Nafarroaren Eguna. Iruñea, Sarasate pasealekuan. Abenduak 3 de Dezembro. Fonte: http://nafarroan.com/
Gora Nafarroa! Gora Euskal Herria!

Azaroaren Laburpena / Resumo de Novembro da Ekinklik


Azaroaren Laburpena
by ekinklikorg

Resumo fotográfico de alguns dos acontecimentos relevantes ocorridos durante o mês de Novembro em Euskal Herria, da autoria do colectivo de fotografia navarro ekinklik.org, que entende a fotografia como uma forma de activismo contra o sistema.

A Praça Conde de Rodezno e o forte de Ezkaba, na rota do Autocarro da Memória

Impulsionado por diversas associações, o Autocarro da Memória começou a andar há dois anos para relembrar alguns episódios históricos que marcaram a situação de Nafarroa. No novo trajecto, centrar-se-á na Praça Conde de Rodezno e no forte de Ezkaba.

«Políticos e militares implicados no fascismo e na violação de direitos humanos não podem ter nenhum espaço de reconhecimento público na nossa cidade». Este é o argumento que defendem as associações que impulsionam o Autocarro da Memória para exigir que se mude o nome da Praça Conde de Rodezno, em Iruñea.

Ahaztuak, Eguzki Bideoak, El Pueblo de las Viudas, a Hormiga Atómica, Memoriaren Bideak, Psicólogos sin Fronteras e Txinparta são as associações que promovem esta mudança de denominação. Em seu nome, Carlos Martínez denunciou a atitude de Yolanda Barcina pelas «artimanhas legais» a que recorreu para manter o nome desta praça.

«Transformou o homem num genérico, Condado de Rodezno, que continua a homenagear Tomás Domínguez Arévalo, ministro da Justiça de um Governo golpista e responsável pelo assassínio de dezenas de milhares de pessoas», afirmou.

Carlos Otxoa, por seu lado, recordou que a maioria do Município de Iruñea pediu a mudança de denominação da praça, e neste sentido acusou a autarca de «fraude de lei» por manter o nome.

O Autocarro da Memória vai iniciar agora uma campanha de recolha de assinaturas para pedir que se suprima a referência ao Conde de Rodezno. A sua proposta é que a nova denominação da praça seja Fuga del fuerte de Ezkaba, mas deixam claro que estão abertos a outras sugestões.

«Ocultação» em Ezkaba
Relativamente a este forte, Carlos Otxoa informou que apresentaram no Município de Berriobeiti um documento em que denunciam a «tentativa», por parte do Ministério da Defesa espanhol, de «ocultar» que foi um grande presídio franquista.

Em concreto, disse que eram obrigatórias tanto a licença da obra para poder modificar a estrutura do forte como a autorização do Príncipe de Viana, «por se tratar de um edifício de interesse cultural», e acusou o Ministério de «ilegalidade» por não cumprir esses requisitos.

«Com a desculpa de irem fazer uns trabalhos de limpeza e desbaste, o que realmente fizeram - informou Carlos Otxoa – foi destruir os muros que se ergueram precisamente para que o forte cumprisse a função de centro penitenciário».

Por isso, pedem ao Município de Berriobeiti que proceda à avaliação daquilo que foi feito e que se solicite «a reparação do que foi destruído e sejam impostas as devidas sanções».

Iñaki VIGOR
Fonte: Gara

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Mikel Laboa - «Haika mutil»

«Levanta-te, rapaz», de Mikel Laboa

"Haika mutil, jeiki hadi / argia den mira hadi." / - Bai, nausia, argia da, / gur oilarra kanpoan da. / "Haika mutil, jeiki hadi / argia den mira hadi."

"Haika mutil, jeiki hadi / surik baden mira hadi." / - Bai, nausia, sua bada, / gur gatoa beroa da. / "Haika mutil, jeiki hadi / surik baden mira hadi."

"Haika mutil, jeiki hadi / hortxet zer den mira hadi." / - Bai, nausia, haizea da, / gur leihoa ideki da. / "Haika mutil, jeiki hadi / hortxet zer den mira hadi."

"Haika mutil, jeiki hadi / kanpoan zer den mira hadi." / - Bai, nausia, elurra da, / lurra xuriz estali da. / "Haika mutil, jeiki hadi / kanpoan zer den mira hadi."

"Haika mutil, jeiki hadi / zer oinon den mira hadi." / - Bai, nausia, egia da, / mutiltto hau unatu da. / "Haika mutil, jeiki hadi / zer oinon den mira hadi."

-
"Levanta-te, rapaz, põe-te em pé / se houver luz, olha com atenção." / - Sim, chefe, há luz, / o nosso galo está lá fora.

"Levanta-te, rapaz, põe-te em pé / se houver lume, olha com atenção." / - Sim, chefe, há lume, / o nosso gato está quente.

"Levanta-te, rapaz, põe-te em pé / o que se passa ali, olha com atenção." / - Sim, chefe, é o vento, / a nossa janela está aberta.

"Levanta-te, rapaz, põe-te em pé / que se passa lá fora, olha com atenção." / - Sim, chefe, há neve, / a terra está coberta de branco.

" Levanta-te, rapaz, põe-te em pé / que bom augúrio, olha com atenção." / - Sim, chefe, é verdade, / este rapazito está cansado.


Tradução do euskara a partir de http://eu.musikazblai.com/mikel-laboa/haika-mutil/

Nota 1: são apenas apresentadas as estrofes correspondentes a esta versão - maravilhosa. Já encontrámos versões com mais duas estrofes, interpretadas tanto pelo autor da letra, Mikel Laboa, como pelos SU TA GAR.

Nota 2: aqui na ASEH bem sabemos que hoje é o Euskararen Nazioarteko Eguna / Dia Internacional do Euskara. Do nosso ponto de vista, para além do facto de nos associarmos a todos aqueles que falam, amam e defendem a língua basca e, por isso, sentem de alguma forma este dia como festivo, motivo de celebração, não achamos que haja nada a comemorar neste dia em particular - até porque os «dias de alguma coisa» parecem estar muitas vezes ao serviço da boa consciência imobilista. O desafio, pensamos nós - e sabê-lo-ão melhor os euskaldunes e euskaltzales, seguramente -, é fazer com que todos os dias sejam dias do euskara, normais, normalizados, e, para tal, por agora, tem de ser travada uma luta de todos os dias e não de um só dia, falando, amando, defendendo a língua. Pese embora tudo o que se conquistou, as três principais frentes de luta, quer-nos parecer, permanecem duríssimas. Euskaraz bai. Bai euskarari. Mila esker horrela izateagatik, bai.

Osasuna ta askatasuna.
Besarkada bat, musu bat guztioi eta ondo Segi.

Falam os familiares dos jovens detidos. Solidariedade face ao muro do regime de incomunicação


Vários familiares relatam o inferno vivido nos últimos dias, desde que na madrugada de dia 24 de Novembro 34 jovens foram detidos pelas FSE pela sua participação no movimento juvenil independentista. O sofrimento fez com que as horas se arrastassem, intermináveis. Mesmo assim, salientam um aspecto positivo: a enorme solidariedade recebida.

Impotência, raiva e dor são os sentimentos comuns vividos pelos familiares dos trinta e quatro jovens presos na semana passada. Acima de todas as sensações, destacam a de impotência, porque dizem que no Estado espanhol «regime de incomunicação» é sinónimo de tortura e maus tratos. «A incerteza em que mergulhamos nesses dias faz com que nos sintamos frágeis e impotentes», afirma Miguel Eskiroz, pai do donostiarra Mikel Eskiroz. Descreve os primeiros momentos «como uma alucinação», pois demora algum tempo até que a mente assimile realmente o que se está a passar: «O nosso filho foi detido em Iruñea, partilha ali um andar com outros três jovens. Por volta das cinco da manhã, um dos seus amigos ligou-nos a contar o que tinha acontecido. Sentimo-nos atordoados até que reagimos», relata o pai. Diz que depois de receber a chamada suspeitaram de que a Polícia pudesse aparecer em casa, e assim foi: «Eu e a minha mulher já estávamos mais ou menos à espera deles, e, quando vimos que uma pipa de carros parava em frente ao nosso portão, as nossas suspeitas confirmaram-se».

«Quando Mikel entrou em casa - prossegue - vimo-lo determinado, embora nervoso. Apesar de termos sido tratados com mais ou menos correcção durante a inspecção, não me deixaram falar com ele em momento algum. À mínima palavra que pronunciássemos, berravam connosco dizendo que nos calássemos».

No caso de Aitziber Arrieta, moradora na Parte Velha donostiarra, a jovem esteve sozinha durante as horas que a inspecção durou. A sua mãe, Belén, ainda com o susto no corpo, relata aqueles momentos repletos de angústia: «O meu marido, Iñaki, e eu estávamos a tomar algo na rua quando uma pessoa conhecida nos alertou para o que se estava passar na nossa casa. Fomos a correr para casa para estar com a Aitziber e presenciar a inspecção, mas impediram-nos o acesso». Belén conta que lhes viraram a casa «do avesso», ainda que «isso seja o que menos importa», e que até os vasos na varanda foram remexidos em busca de qualquer coisa.

Para a família de Maialen Eldua a inspecção foi bastante violenta no início: «A Polícia Nacional chegou a casa por volta das 2h da madrugada e, ao abrir a porta, apontaram-nos uma pistola», conta Izaskun Azkarate, mãe de Maialen. «Apontaram-nos uma lanterna e ordenaram-nos que nos enfiássemos numa divisão da casa enquanto um polícia nos vigiava e os outros inspeccionavam. Assim, não nos deixaram estar com a Maialen, embora ela nos dissesse de vez em quando "ama, ondo nago" [mãe, estou bem] para nos tranquilizar», conclui.

«Trataram-nos como cães»
Iñaki Elkano, pai da jovem detida Amaia Elkano, afirma que a violência e a força são as armas que a Polícia utiliza nestes casos para assustar e pressionar: «A minha mulher e a minha filha mais nova sofreram um ataque de ansiedade durante a inspecção. A primeira coisa que a Polícia fez foi fechar todas as janelas, aumentando a sensação de sufoco», descreve. Depois das inspecções efectuadas em diversos pontos de toda Euskal Herria todos os detidos foram levados para Madrid, dando início ao período de incomunicação.

Com a transferência dos jovens para a capital espanhola, a maioria dos familiares e amigos decidiu meter-se num carro e tomar também eles o caminho de Madrid, ficando próximos da Audiência Nacional. Durante os dias correspondentes ao período de incomunicação, absolutamente nada foi dito aos familiares, intensificando ainda mais a incerteza. «Trataram-nos como cães; para além de estar na rua à espera durante longas, intermináveis horas, não nos deixavam estar em frente à Audiência Nacional, ali também não nos era permitido estar», conta Itziar Urra, irmã de Garbiñe Urra. «Ordenaram-nos que nos afastássemos, obrigando-nos a ir para a Praça de Colón. Na quinta-feira - prossegue -, vendo que éramos quase cem pessoas, vários polícias dispersaram-nos e chegaram a identificar uma jovem».

Durante aqueles dias em que os familiares não puderam fazer mais que esperar, todos concordam relativamente à forte rede de solidariedade, apoio e compreensão que se estabeleceu entre todos os familiares e amigos: «Era uma situação comum, todos os que ali estavam passavam pelo mesmo, e esse sentimento geral fez com que se criassem pequenas redes de união, formando uma só, forte e sólida», descreve Iñaki Egaña, pai de Ehiar Egaña. E acrescenta que essas «pequenas redes» se juntam à de fora, ou seja, ao apoio e carinho que chegam do exterior. «Essa é minha leitura geral», conclui.

Com uma visão mais fria da situação, todas as mães e pais agradeciam às pessoas conhecidas, aos anónimos, a todas aquelas pessoas que se dedicaram sem pensar duas vezes: «O Iñaki e eu estamos encantados com a gente da Parte Velha donostiarra; jamais imaginámos a reacção que os vizinhos tiveram, os chefes, até gente que conhecemos só de vista, que vem e nos manda um abraço para a Aitziber. Não temos palavras para agradecer o calor de todos eles», narra Belén.

«Nós não fomos até Madrid enquanto durou o período de incomunicação - diz ainda -, já que nos disseram que aqui nos sentiríamos mais aconchegados, e assim foi». Iñaki Egaña ressalta, por outro lado, que «há gente boa em todos os lados»: «É verdade que vamos a Madrid com raiva, mas nesta ocasião uma família que não conhecíamos de lugar nenhum acolheu-nos em sua casa juntamente com a mãe de Oier Ibarguren e ajudaram-nos em tudo o que puderam e é justo agradecer-lhes o gesto que tiveram connosco».

Os familiares também sublinharam a ajuda recebida por parte dos advogados, que fizeram também de psicólogos, segundo Miguel Eskiroz. Dizem que os advogados se envolveram «em todos os sentidos», mantendo o telefone disponível a qualquer hora, atendendo as chamadas sem qualquer problema e tratando-os de forma «muito humana».

O orgulho de cada casa
«Dissemo-lo na conferência de imprensa em Usurbil e voltamos dizê-lo agora: estamos muito orgulhosos dos nossos filhos e filhas», insiste Izaskun Azkarate. «São jovens trabalhadores, lutadores, com as suas ideias, as suas inquietudes, não são ladrões, mas jovens com vontade de mudar as coisas», acrescenta.

Cada vez são mais os jovens detidos com estudos, trabalhos e que estão a realizar cursos universitários «e isso é algo que magoa», opina Iñaki Elkano. «Amaia está no 4.º ano do curso, fez um exame na segunda-feira e passou, gosta do que faz, quer formar-se, estudar e aprender, como os restantes jovens». Itziar Urra relata uma situação muito semelhante, já que Garbiñe tinha começado agora os estudos de Educação Infantil e não sabe o que vai ser do seu curso agora. O jovem Xumai Matxain, que hoje cumpre 21 anos, transmitiu a mesma preocupação ao seu aita [pai], Josetxo: «E o meu curso de electricista?». «Foi o que o meu filho me perguntou, e agora tenho de me informar sobre procedimentos a seguir para que possa continuar a estudar». «Olha, digo-o alto e claro, nestes dias vivemos muitas coisas muito intensas e só cheguei a uma conclusão: agora mais que nunca estou mais convencido das minhas ideias e das da minha filha. Não nos vão conseguir parar e muito menos cortar as asas a uns jovens que querem voar», conta Elkano.

No fim-de-semana passado e depois de vários dias sem saber nada deles, os familiares puderam reencontrar os seus filhos e filhas nas visitas que lhes foram concedidas na cadeia. A maioria quer esquecer o que viveu durante os dias do regime de incomunicação e prefere, por agora, não contar o que sofreu. «Disse-nos que não estava preparada e que mais lá para a frente nos contará o inferno por que passou: em apenas quatro dias perdeu seis quilos», relata Egaña, acrescentando que com o passar dos dias os sentimentos se vão orientando: «A vida tem altos e baixos, mas vamos olhar sempre em frente».

Oihane LARRETXEA

Reuniões com o Defensor do Povo e o Ararteko
«Se os outros são vítimas, nós também o somos», salientaram as mães e os pais, outros familiares e amigos dos detidos. Para reclamar «os direitos que lhes assistem» e tentar acabar com o regime de incomunicação, familiares dos detidos em Nafarroa dirigiram-se na semana passada ao Defensor do Povo: «Disseram-nos que naquele momento não nos podiam receber, já que os encontros são marcados com antecedência», conta Itziar Urra. «Entregámos à secretária um dossier em que lhe transmitimos as nossas preocupações - acrescenta - juntamente com o relatório publicado com base nas detenções que ocorreram há um ano em Iruñerria [comarca de Pamplona] e no qual os detidos denunciaram ter sofrido maus tratos e torturas». Para além disso, entregaram-lhe dois dossiers recém-publicados, um pela ONU e outro pela Amnistia Internacional, que há pouco se pronunciaram sobre a tortura que é praticada no Estado espanhol. «Insistimos na forma de actuar tanto da Guarda Civil como da Polícia Nacional». «Aceitaram-nos os elementos, pelo que esperamos que nos recebam no seu gabinete em breve», conclui Urra. Por outro lado, o Torturaren Aurkako Taldea (TAT) tem agendada para hoje uma reunião com o Ararteko, na qual porão em cima da mesa as últimas denúncias dos detidos. O.L.
Fonte: Gara

Jose Mari Esparza: «Há condições para a mudança»


Jose Mari Esparza analisa, de forma breve, as condições propícias que Euskal Herria possui para dar início a um novo ciclo político e pôr em prática uma mudança de cenário, estabelecendo uma analogia com diversos acontecimentos históricos.

Contra a repressão e os julgamentos políticos, manifestação em Iruñea, a 12 de Dezembro

Pessoas imputadas em diversos sumários deram o seu apoio a quem irá ser julgado proximamente na Audiência Nacional espanhola, denunciando também as últimas detenções.


Embora a conferência de imprensa visasse inicialmente a abordagem dos julgamentos de jovens independentistas bascos que vão decorrer nas próximas semanas e anunciar a manifestação que terá lugar no próximo dia 12 de Dezembro em Iruñea [Pamplona], as detenções e as inspecções que ocorreram na semana passada obrigaram os promotores do acto a fazer uma avaliação mais profunda destes acontecimentos.

Assim, salientaram que desde que nos anos 90 o Estado espanhol, em colaboração com a Audiência Nacional, iniciou uma perseguição à juventude basca, já houve milhares de jovens presos, submetidos ao regime de incomunicação, torturados e encarcerados, sendo depois alguns deles condenados a longas penas de prisão. Abordaram a época em que se falava dos «grupos Y», as operações policiais de carácter preventivo, assim como as últimas operações policiais contra jovens acusados de militar na Segi.

Salientaram o facto de estas estratégias repressivas e todas as operações policiais terem uma série de aspectos em comum: o recurso à tortura "como forma de alcançar provas", o recurso "abusivo" à prisão preventiva e a imposição grandes fianças "como chantagem económica".

O papel desempenhado pela comunicação social também é motivo de crítica: "todas estas estratégias são acompanhadas pela propaganda de guerra que o Ministério do Interior leva a cabo, com a colaboração de muitos meios de comunicação. Não existe presunção de inocência, não existe crítica jornalística ao esquema repressivo já conhecido e totalmente caduco. É o novo NO-DO do Estado espanhol. Depois, quando muitas destas pessoas são libertas e absolvidas, ninguém se responsabiliza pelo que aconteceu.
Destacaram ainda o facto de estas "estratégias repressivas contra a juventude" terem sido lançadas em fases em que a Esquerda Abertzale estabelecia as bases para avançar na resolução democrática do conflito. "Aconteceu antes de Lizarra Garazi, aconteceu antes do último processo de negociação e volta a ocorrer quando estamos às portas de algo que trouxe esperança a uma grande parte da sociedade basca", afirmaram. "Estas operações procuram aniquilar as esperanças do Povo Basco, são um ataque a toda Euskal Herria. Sabem que a juventude é o sector mais combativo desta sociedade e daí a obsessão repressiva que incide sobre ela."

Ver, na sequência: «Denunciam o regime de incomunicação e a tortura» e «Manifestação no dia 12 de Dezembro»

Os promotores desejam que a manifestação seja "um encontro inesquecível para todas as pessoas comprometidas com os direitos civis e políticos e que anseiam por um futuro em paz e liberdade". A manifestação partirá da Estação de autocarros de Iruñea [Pamplona], às 17h, e terá como lema "Torturarik ez, Epaiketa Politikorik ez, Si al posible desarrollo de todos los proyectos políticos" [Não à tortura, Não aos julgamentos políticos].
Notícia completa: apurtu.org

Hatortxurock 11: o festival muda de localização

Anunciámos aqui há alguns dias que este festival solidário com os presos políticos bascos já tinha uma data - urtarrilak 9 de Janeiro - e que o cartaz também já era conhecido. Só faltava saber o local onde o festival iria decorrer. A organização revelou agora que será em Atarrabia, nos arredores de Iruñea [Pamplona].

Mais informações:
http://www.hatortxurock.org/

Fonte: apurtu.org
Não percas! Zatoz!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ainara Bakedano foi detida pela Guarda Civil à entrada da AN e encontra-se em regime de incomunicação


Guardas civis situados nas imediações da AN espanhola detiveram esta jovem navarra quando tentava aceder ao tribunal de excepção. Tinha sido emitido um mandado de busca e captura contra ela na terça-feira da semana passada, dia em que a Guarda Civil se deslocou a sua casa para a deter, mas sem a encontrar. Já outros dois jovens navarros que a acompanhavam puderam comparecer perante o juiz.

Ainara Bakedano foi detida mesmo à porta da Audiência Nacional espanhola quando se dirigia para o tribunal. Sobre a jovem de Zizur pendia um mandado de busca e captura desde o dia 24. Foi detida por agentes da Guarda Civil, que lhe disseram que se encontrava sob regime de incomunicação. Outras duas pessoas que iam com ela nem sequer foram identificadas e puderam aceder ao tribunal de excepção. Um deles, Ruben Sanz, recebeu ordens para comparecer amanhã, enquanto o outro pôde seguir em liberdade sem qualquer tipo de restrições. A Apurtu.org pôs-se em contacto com a advogada de Ainara Bakedano, e esta confirmou que a jovem se encontra em regime de incomunicação. Agora será o juiz a decidir se essa situação se mantém, facto que, para a advogada, carece de toda a lógica legal, tendo em conta que Bakedano ia comparecer voluntariamente perante o juiz. Segundo disse a advogada da jovem navarra, «dirigiram-se directamente a ela, sem sequer identificar os que a acompanhavam».

Convém recordar que, no âmbito da operação policial contra a juventude basca que ocorreu na madrugada de segunda para terça-feira, foram detidas e encarceradas mais de 30 pessoas e que foram muitas as denúncias de tortura e maus tratos.
Fonte: apurtu.org

Joana Regueiro sairá hoje em liberdade
O Movimento pró-Amnistia fez saber que a presa política bilbotarra Joana Regueiro sairá hoje da prisão de Villabona, tendo para tal de pagar uma fiança de 30 000 euros.
Regueiro foi presa pela Polícia espanhola no dia 4 de Outubro em Segura (Gipuzkoa), no âmbito de uma operação contra a esquerda abertzale.
Durante os dois anos de encarceramento, passou, entre outras, pelas prisões de Soto, Brieva, Villabona e Alcalá.

Joana sai em liberdade e larga 30 000 euros, o que nos traz à memória o caso recente de Patxi Urrutia, até porque, como ele, Joana é uma das pessoas que o juiz do «entramado» vai julgar, no âmbito do processo político 4/08, que ontem ficou pronto para julgamento.
A ver se percebemos: sai-se da cadeia, larga-se 30 000 euros e fica-se logo à porta. Cheira mal.
Fontes: Gara e askatu.org

É preciso voltar a cantar para o mundo


Entristece, e de que maneira, a cena de dezenas de jovens caçados à corda como se de alimárias se tratasse. E é triste consolo saber que a imagem se repete na história de todos os povos oprimidos do mundo. Seguramente desde que o mundo é mundo. São assim primitivos e primários os nossos opressores.

Há uma passagem na obra de José Antonio Agirre De Gernika a Nueva York pasando por Berlín que continua a emocionar-me: «Estando eu em Santander, três dias antes da sua queda, esqueci por um momento as amarguras que estávamos a viver, chamando um músico basco notável, falei-lhe assim: 'É possível que nós não consigamos sair daqui mas a luta não há-de acabar por isso. Peço-lhe que vá imediatamente para França e forme entre os nossos refugiados o coro mais selecto possível que leve pelo mundo, através das nossas melodias, a lembrança de um povo que morre pela liberdade, porque no estrangeiro ainda não sabem que se luta por ela'».

Estes dias são também de profunda angústia na Euskal Herria de hoje, a que não morreu em 39, embora muitos tenham chegado a crer no falso certificado de óbito que Franco e os seus sequazes assinaram. E também hoje é preciso sair para o estrangeiro e cantar e contar que a luta pela liberdade não pode ser punida por tribunais que se pretendem neutrais, que as nações que se sentem livres não podem colaborar com a opressão sobre as que aspiram a essa mesma liberdade.

Hoje, como naqueles angustiosos dias de 1937, temos de voltar a cantar para o mundo - e para muitos dos nossos próprios compatriotas - para dar a conhecer as atrocidades que padecemos pelo mero facto de reclamar o mesmo que os restantes povos do mundo inteiro. Nem mais nem menos.

Cantaremos, pois, perante o concerto das nações e cantaremos com orgulho «Gu gira Euskadiko gazteri berria» [Nós somos a nova juventude do País Basco]. Porque, que ninguém o ponha em causa, da árvore mutilada surgem sempre novos rebentos. Mais fortes que os podados, sem dúvida.

Martin GARITANO
Fonte: Gara

Madrid fixa um novo recorde de presos políticos depois da última operação: 762

É preciso retroceder quase 35 anos para encontrar um número de presos políticos bascos maior que o actual. Aconteceu no contexto da ofensiva repressiva que precedeu a morte do ditador Franco. Agora, num momento em que voltam a cimentar-se opções de mudança política, Madrid fez chegar a 762 o número dos bascos presos. Isso foi possível com a última operação contra jovens independentistas, sendo que se verificaram 31 encarceramentos em três dias.

A operação da semana passada, ordenada pelo juiz Fernando Grande-Marlaska contra jovens independentistas bascos, não só foi uma das maiores dos últimos anos como ainda possibilitou o estabelecimento de um novo recorde de prisioneiros políticos bascos: 762. Esta cifra só foi superada na época franquista, quando, por exemplo, se atingiram os 860 com os estados de excepção declarados no final de 1969.

Nos últimos anos, jamais se tinha verificado uma operação com tantos encarceramentos de uma assentada. Num fim-de-semana, a Audiência Nacional espanhola deu ordem de prisão a 31 jovens, sob a acusação de militarem na organização juvenil Segi.

Esse número veio engordar a lista do Colectivo de Presos Políticos Bascos num contexto político muito especial. Actualmente, os bascos encarcerados no Estado francês por motivos políticos são 164, e no Estado espanhol quase 600.

Mais de cem jovens detidos
O contexto político nunca foi alheio ao aumento das detenções e dos encarceramentos, tanto no franquismo como nas últimas três décadas. Como amostra, as investidas do Governo espanhol e do tribunal de excepção de Madrid contra jovens independentistas. Recorde-se como, após o final do processo de negociação em Junho de 2007, o ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, anunciou uma ofensiva repressiva para a qual até adiantou um número: 200 detenções e encarceramentos.

Depois deste anúncio, só entre Julho de 2007 e Maio de 2008 verificaram-se mais de 70 detenções de jovens, no âmbito de operações policiais definidas por Madrid como «contra a kale borroka» mas que na realidade, como agora, pretendiam atingir directamente a organização Segi e outras organizações políticas e sociais.

Desde Agosto de 2008, em Hego Euskal Herria - nos três herrialdes do Norte do país já tinha havido uma operação em 2007 com 14 jovens detidos - houve pelo menos outras cinco operações contra jovens independentistas, com cerca de trinta detenções. E a esta cadeia de operações e detenções há que juntar agora o encarceramento de 31 jovens de uma assentada.

No final de 2008, na sequência de uma campanha que Rubalcaba anunciou mesmo a nível internacional e que se concretizou em encarceramentos massivos como os do «caso 18/98», o número de presos políticos bascos bateu um recorde, superando os 750. Durante este ano as saídas tinham sido ligeiramente superiores às entradas na prisão. Mas agora o número dispara outra vez, e ultrapassa os 760.

Atropelamento mortal da Guarda Civil na transferência para a AN
Um carro camuflado da Guarda Civil que no sábado à tarde levava para a Audiência Nacional espanhola uma das jovens bascas detidas na madrugada de terça-feira atropelou mortalmente uma senhora de idade madrilena, depois de ter subido a grande velocidade o passeio por onde passeava. A família de María Carmen Moreno, de 84 anos, apresentou uma queixa por homicídio no Tribunal de Instrução número 18 da capital espanhola.

De acordo com um periódico madrileno, um porta-voz da Guarda Civil afirmou que o carro levava uma luz azul e o pirilampo colocado e evitou um veículo que se atravessou à sua frente, o que o terá obrigado a subir para o passeio. No entanto, não é só a família a divergir desta versão. Um polícia espanhol, fora de serviço, testemunhou o trágico atropelamento. De acordo com o jornal madrileno, este homem viu como o Renault Laguna fazia a Rua de Bravo Murillo a grande velocidade, passando todos os semáforos e subindo para o passeio, onde atropelou a octogenária. A mulher de 84 anos viria a falecer horas depois no Hospital Gregorio Marañón.

A testemunha afirmou ainda que da viatura policial saíram três pessoas com o rosto tapado por um passa-montanhas, que mudaram a matrícula do carro e tentaram fugir do local. Foram retidos pelo polícia fora de serviço até chegar a Polícia Municipal e o condutor teve de fazer o teste de alcoolemia.
Fonte: Gara

Mais de 40 visitas perdidas durante o fim-de-semana passado

Tasio (Gara)

A Etxerat fez saber que durante o fim-de-semana passado se «perderam» ao todo 43 visitas nas prisões de Córdova, Granada, Brieva, Puerto, Málaga, Curtis, Alacant, Badajoz, Topas, Ocaña II, Herrera de la Mancha e Sória, porque os familiares dos prisioneiros políticos bascos se recusaram a ser inspeccionados.

Num mês apenas, o número de visitas perdidas supera as 160, «um autêntico escândalo», segundo a Etxerat.

A associação de familiares de presos bascos afirmou que os carcereiros pretenderam «inspeccionar e humilhar através do contacto físico inúmeros familiares, amigos e amigas. Contam com meios electrónicos como o arco ou a raquete, mas procuram atingir a nossa dignidade de uma forma evidente».

Para a Etxerat é claro que essa medida visa «isolar os presos e as presas políticas bascas do seu meio social e afectivo, deter qualquer tipo de comunicação e atingi-los psicologicamente para assim os destruir enquanto pessoas e também como sujeitos políticos».

Para além disso, pensa que este novo endurecimento da «criminosa política penitenciária» se enquadra «numa ofensiva global» em que inclui as «intoxicações mediáticas», a «caça às fotos» ou a ameaça de ilegalização da Etxerat. Por isso, refere que vai recorrer «a todas as instâncias que for preciso», como o Ararteko [Defensor do Povo], instituições do foro jurídico e também internacional.

«Vamos colocar todo o nosso empenho em não deixar sozinhos e sozinhas os nossos familiares, amigos e amigas encarceradas, e vamos trabalhar denodadamente para que os seus direitos e os nossos direitos sejam respeitados de uma vez por todas», assinalam.

Protesto em Córdova
Para protestar contra o que se passou no fim-de-semana, os presos políticos encarcerados em Córdova vão ficar nas suas celas durante um dia.
Fonte: Gara

Escritores bascos aderiram à manifestação nacional de 2 de Janeiro em defesa dos direitos dos presos políticos


Na conferência de imprensa que os escritores bascos deram em Donostia na semana passada estiveram presentes: Joxe Auxtin Arrieta, Antxon Gomez, Abelin Linazisoro, Txillardegi, Juan Ramon Garai, Fito Rodriguez, Paco Aristi, Bikila, Martin Anso, Iñaki Gil de San Vicente, Iosu Iraeta, Iñaki Martinez de San Vicente, Luxio Urtubia e Iñaki Egaña.

Outros houve que aderiram à manifestação nacional mas que não puderam estar presentes. É o caso de Edorta Jimenez, Alizia Stürze, Juan Luis Zabala, Xabier Amuriza, Laura Mintegi, Markos Zapiain, Asier Serrano, Koldo Alduntzin, Carlos Frabetti, Joxemari Carrere, Alfonso Sastre, Joxe Azurmendi, Oier Guillane, Iñaki Zabaleta, Joxemari Esparza, Edorta Agirre, Ander Iturriotz, Igor Estankona, Castillo Suarez, Joxe Azurmendi, Ixabel Etxeberria, Josu Iraeta, Gotzon Barandiaran, Rafael Castellano e Joan Mari Irigoien.

No acto, Fito Rodriguez leu o poema «Leer las cárceles», de Iñaki Martinez, e Antxon Gomez (escritor basco) afirmou o seguinte:
«A actual política penitenciária, além de impedir o acesso à própria cultura basca, pune o seu cerne, a nossa língua... e, com isso, todos os bascos. Com a cruel dispersão geográfica que têm de padecer presos e familiares, é toda a nossa sociedade que é cruelmente punida. Passando mesmo por cima das leis em vigor, a pena perpétua é algo que se aplica discriminatoriamente aos bascos no Estado espanhol, apesar das suas graves e/ou incuráveis doenças.

O isolamento e os espancamentos, a violação das comunicações íntimas ou as transferências injustificadas, não procuram mais do que afastar o preso do seu meio social e afectivo e, nessa linha, a perseguição da língua e da cultura basca não são mais que o corolário dessa crueldade sistemática que não persegue outro objectivo que não seja a destruição do indivíduo e dos seus ideais.

Vai sendo hora de acabar com este absurdo. Nós, trabalhadores da cultura, não podemos ficar impassíveis ante tamanha e calculada insensatez. Por isso, queremos lançar um apelo a toda a sociedade para que se sensibilize e responda.

É assim que, perante o apelo à manifestação nas ruas de Bilbau no próximo dia 2 de Janeiro com o lema «Acercamiento de los presos vascos y reparación de sus derechos», nós, escritores abaixo signatários, queremos solidarizar-nos tanto com a convocatória como com a reivindicação que nela se expressa.

Sabemos que para acabar com esta injustiça todo um mundo se deverá juntar nas ruas de Bilbau, e o mundo da cultura basca não faltará a esse encontro.»
Fonte: lahaine.org

Antifaxista Egunak: spot


«Antifaxista Egunak: respuesta popular del movimiento antifascista» é um pequeno documentário sobre as mobilizações e acções antifascistas levadas a cabo em Iruñea nos dias 11 e 12 de Outubro. Nele, vão deparar com uma reportagem sobre os desafios e reflexões que movimentos antifascistas enfrentam actualmente.
À venda, na Feira de Durango, em tabernas e gaztetxes, por 6 euros.
Fonte: SareAntifaxista

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

É uma festa e um festival, a justiça espanhola! Garzón processa 43 militantes do Batasuna, do EHAK e da ANV

O juiz enviou o processo para a Segunda Secção da Sala Penal da Audiência Nacional espanhola, para que sejam julgados

[O juiz do «entramado» contempla a obra feita: no caso, o Egin e a Egin Irratia.]


Baltasar Garzón tornou hoje público um auto em que decreta a conclusão do sumário 4/08, com o processamento de 43 conhecidos militantes do Batasuna, do EHAK (Partido Comunista das Terras Bascas) e da EAE-ANV (Acção Nacionalista Basca), acusados de «integração em organização terrorista».

Os 43 militantes que se sentarão no banco dos réus são Txema Jurado, Eusebio Lasa, Imanol Iparragirre, Joana Regueiro, Anjel Mari Elkano, Asier Imaz, Mikel Garaiondo, Marisa Alejandro, Pernando Barrena, Arantza Santesteban, Haizpea Abrisketa, Ibon Arbulu, Karmele Aierbe, Maite Díaz de Heredia, Marije Fullaondo, Jon Kepa Garai, Mikel Etxaburu, Ana Lizarralde, Aner Petralanda, Juan Joxe Petrikorena, Patxi Urrutia, Mikel Zubimendi, Nuria Alzugarai, Egoitz Apaolaza, Iñigo Balda, Gorka Díaz, Unai Fano, Maite Fernández Labastida, Aitor Aranzabal, Joseba Zinkunegi, Alazne Arozena, Kepa Bereziartua, Ino Galparsoro, Pello Gálvez, Antxon Gómez, Gorka Murillo, Asier Arraiz, Iñaki Olalde, Juan Carlos Ramos, Sonia Jacinto, Jesús Mari Agirre, Nekane Erauskin e Karmele Berasategi.

A maior parte destes encontra-se na prisão desde a operação de Segura, em Outubro de 2007, e a de 11 de Fevereiro de 2008.

Garzón retirou do sumário Rufi Etxeberria, Juan Kurz Aldasoro e Joseba Permach, que vão ver julgados no sumário 35/02, também conhecido como «caso das herriko tabernas», que deu por concluído no dia 1 de Abril de 2008, com o processamento de 41 pessoas. [Vêem? Um festival! Mas há mais.]

Garzón processou no dia 23 de Março deste ano 44 militantes do Batasuna, da EAE-ANV e do EHAK pelas suas actividades políticas. Justificou a sua decisão argumentando que a ANV e o EHAK tinham sido «instrumentalizados pelo Batasuna, para continuar a acção criminosa desenhada pela ETA/Ekin/Batasuna através da frente institucional do complexo terrorista».

No dia 17 de Julho, o magistrado do tribunal de excepção, ex-TOP franquista, ditou um outro auto no qual processou as duas ex-deputadas do EHAK Nekane Erauskin e Karmele Berasategi, o presidente deste partido, Juan Carlos Ramos, e os seus dois tesoureiros, Jesús María Agirre e Sonia Jacinto. A causa já antes tinha estado no TSJPB, em virtude do estatuto das duas deputadas, só depois passando para as mãos de Garzón.
Fonte: lahaine.org

Ver: «A Audiência Nacional espanhola, um tribunal político e especial», de Patricia Manrique
A Audiência Nacional monopoliza as primeiras páginas dos jornais e transformou-se num actor político a que os cidadãos se vão habituando. Peritos internacionais desqualificaram reiteradamente este tribunal que cada vez assume maior protagonismo na vida política. Mas o que implica realmente a Audiência Nacional?
http://www.kaosenlared.net/noticia/audiencia-nacional-espanola-tribunal-politico-especial

O quartel de Leitza. Um circo, disparos e disparates


Reinou a confusão nas primeiras horas da manhã de domingo à volta do que aconteceu durante a madrugada nas imediações do quartel da Guarda Civil de Leitza (Nafarroa). Se num primeiro momento as agências noticiosas e os representantes políticos davam como certa uma acção da ETA, mais tarde as evidências fizeram com que esta hipótese perdesse gás. Embora a investigação continue aberta, tudo aponta para que tenha sido um agente da instituição armada a causar as feridas a si mesmo, simulando um ataque da organização armada.

Nas primeiras horas da manhã os noticiários faziam eco de um tiroteio em que, segundo parecia, se tinham visto envolvidos um agente da Guarda Civil e várias pessoas armadas. Não se especificou o número exacto de pessoas.
Citando fontes da «luta antiterrorista», a agência Efe informava que o tiroteio tinha ocorrido pelas 3h45, depois de o agente, que estava de guarda, alegadamente ter tentado identificar pessoas que, ao que parece, tentavam colocar um artefacto explosivo nas imediações. O guarda civil apresentava uma ferida de bala no braço, tendo sido detectado ainda um tiro no colete à prova de bala.

O ataque foi imediatamente atribuído à ETA, tanto pelos meios de comunicação, que faziam referência a fontes da luta contra a organização armada, como por variadíssimos representantes políticos, que vieram a público fazer a sua avaliação dos acontecimentos e repudiar o suposto atentado. Não expressando qualquer tipo de dúvidas, tendo por certa a autoria da ETA.

Representantes do Governo de Nafarroa condenaram a acção da ETA e solidarizaram-se com o agente ferido; o PP de Nafarroa expressou a mais absoluta e enérgica condenação do terrorismo e agradeceu ao agente ferido, que, com uma valentia sem igual, evitou uma tragédia tamanha; o presidente do CDN, José Andrés Burguete, também veio manifestar apoio e solidariedade às Forças de Segurança do Estado e, em especial, ao agente ferido.

Entretanto, foi veiculada a informação de que tinha sido encontrado um lança-granadas e que o agente ferido também tinha sido autor de disparos, pelo que um membro da ETA poderia estar ferido. E montou-se um circo. A Guarda Civil tomou os acessos à localidade e as imediações e um helicóptero sobrevoou a zona. O espaço à volta do quartel, de acesso vedado, era farejado pelos cães em busca de provas. E os agentes deslocaram-se a casas próximas para perguntar aos moradores se tinham visto ou escutado alguma coisa.
No entanto, o Ministério do Interior do Governo de Madrid continuava sem fazer declarações. Não confirmava nem desmentia as informações que estavam a ser divulgadas.

Depois das 11h30 da manhã a hipótese da autoria da ETA começou a esfumar-se. Os jornalistas que desde a primeiras horas da manhã se tinham aglomerado junto ao quartel de Leitza não atribuíam credibilidade às informações contraditórias que recebiam das redacções pelo telefone.
Respondendo a questões de uma jornalista, um agente da Guarda Civil fez saber que as armas dos agentes do quartel tinham sido levadas para serem analisadas. Isto haveria de pôr os jornalistas que se deslocaram até à localidade navarra na pista do que realmente tinha acontecido.

Primeiro, ainda se aventou a possibilidade de que se tratar de um caso de «fogo amigo». Mas esta hipótese não se aguentou muito tempo. Só mais tarde ganharia força a possibilidade de se tratar de «uma montagem» criada pelo próprio agente.

Esta última hipótese é a principal até ao momento. A agência Efe, citando fontes da luta contra a ETA, informou ao princípio da tarde que as primeiras investigações se dirigem nessa direcção e que as provas apontam para tal.

A munição encontrada nos arredores do quartel corresponde, segundo fontes da investigação, à marca «Santa Bárbara», habitualmente fornecida às Forças e Corpos de Segurança do Estado espanhol.

O que num primeiro momento foi apresentado como um lança-granadas, com o qual a ETA pretendia atentar contra o quartel, era afinal um tubo de PVC.

O disparo recebido pelo agente foi efectuado a apenas um metro de distância e o tiro detectado no seu colete à prova de bala não lhe deixou no tórax o inevitável hematoma que este tipo de impactos produz.

O guarda civil ferido, natural de Málaga e de 34 anos de idade, encontra-se em condição estável, depois da intervenção a que foi sujeito no Hospital de Navarra.

Se da parte da manhã as declarações e avaliações por parte dos diferentes representantes políticos foram uma constante, à tarde minguaram. Fez-se silêncio, literalmente. Nenhum representante se manifestou sobre as novas hipóteses que estavam a ser colocadas, nem ao menos compareceram publicamente para reconhecer o erro das declarações matinais.

Maider EIZMENDI

Utilizam a falsa notícia para desacreditar a proposta de Altsasu
Depois de se atribuir à organização armada a autoria do «atentado», alguns órgãos de comunicação fizeram questão de ligar a notícia à proposta de Altsasu, sendo vários os noticiários que começaram com a narração dos acontecimentos e fazendo alusão ao facto de ocorrerem apenas duas semanas depois de que a esquerda abertzale apresentasse a sua aposta num processo democrático e pacífico.

Os representantes políticos, de proveniências diversas, também não perderam o ensejo, apontando o dedo à esquerda abertzale, à qual pediram reiteradamente que repudiasse «o atentado» e tentando ainda desacreditar a proposta apresentada em Altsasu.
Entre exemplos variados, há o da presidente das Juntas Gerais de Gipuzkoa, Rafaela Romero, que afirmou que «todos os documentos e todas as palavras que falam de novas e pacíficas vias serão cantos de sereias envenenados», se a esquerda abertzale não se posicionar contra o sucedido. Ma mesma linha, expressou-se o porta-voz do PP na CAB, Leopoldo Barreda: «Creio que é um acto que coloca perante a realidade quem não quis ver, para lá das ficções, das artimanhas do Batasuna, das montagens da ETA ou das aparências que queiram construir, esta é a realidade».
E não foram os únicos a vir a terreiro.
Notícia completa: Gara

«Testemunhas de Leitza negam que se tenha suspeitado de um atentado», de Ramón Sola
«O guarda civil estava louco, como se fosse o Rambo. Gritava e viam-se clarões de disparos. Do quartel diziam-lhe 'desce, rapaz, com calma!'». Testemunhas dos acontecimentos de Leitza não entendem como se pôde falar de atentado.
http://www.gara.net/paperezkoa/20091201/169784/es/Testigos-Leitza-niegan-que-sospechara-atentado

«No quartel disseram-me que tinha sido um atentado e que tínhamos que o condenar», entrevista a Xabier Zabalo, presidente da Câmara de Leitza
«Muito magoado». Assim se dizia ontem o presidente da Câmara de Leitza depois de a terra ter andado na boca do mundo no domingo por algo que se veio a revelar falso. Xabier Zabalo revela que antes, mesmo ao amanhecer, a Guarda Civil lhe telefonou e lhe chegou a exigir que condenasse o «atentado».
http://www.gara.net/paperezkoa/20091201/169786/es/En-cuartel-dijeron-que-habia-sido-atentado-que-teniamos-que-condenarlo

«De 'Bartolín' ao militar de Loiola», de R. S.
Casos como o de Leitza podem parecer surrealistas, e são-no de facto, mas a história mostra que em Euskal Herria não são tão fora do comum. Quem não se lembra de «Bartolín», do «sequestro» de Martín Prieto ou do auto-atentado de Loiola?
http://www.gara.net/paperezkoa/20091201/169785/eu/De-Bartolin-militar-Loiola

O olhar de Tasio

Tasio (Gara)

HEMEN TORTURATZEN DA! AQUI TORTURA-SE!

Manifestação a 19 de Dezembro em Bilbau contra o julgamento do «Egunkaria»


Os imputados no processo Euskaldunon Egunkaria convocaram uma manifestação nacional para o próximo dia 19 de Dezembro em Bilbau, quatro dias depois do início da audiência oral em Madrid. A convocatória foi anunciada no sábado passado no Kursaal, em Donostia, durante a realização do festival «Egunkaria libre!», que visava fazer chegar ajuda económica e solidariedade aos arguidos.

Estiveram presentes cerca de duas mil pessoas assistiram e, para além dos próprios imputados, subiram ao palco artistas tão conhecidos como Gorka Urbizu, Anari, Urko, Oskorri, Rafa Rueda, Mikel Urdangarin e Josu Zabala, Jean Mixel Bedaxagar e Erramun Martikorena, Pantxoa eta Peio, Txomin Artola e Amaia Zubiria, Alex Sardui e Ken Zazpi, entre outros.

Foi um festival em que o canto foi o maior protagonista e, embora tenha reinado o bom ambiente no acolhedor cenário donostiarra, entre os presentes era patente a preocupação com o que os responsáveis do Egunkaria que se irão sentar no banco dos réus podem deparar no julgamento: Martxelo Otamendi, Joan Mari Torrealdai, Iñaki Uria, Txema Auzmendi e Xabier Oleaga.

Se as mensagens a favor do Egunkaria predominaram durante o acto, nem por isso se esqueceu que este não constitui o único processo com as mesmas características, e Nekane Peñagarikano, uma das pessoas que fizeram de apresentadoras, enviou um abraço a todas as pessoas que viveram ou estão um período assim difícil. As suas palavras foram acolhidas com uma grande ovação.

Torrealdai, que falou em nome dos imputados, também recordou os jovens detidos na terça-feira passada, e a sua mensagem de apoio foi igualmente respondida com aplausos da assistência.

«Nunca nos abandonaram»
Torrealdai voltou a apelar à sociedade basca, «que nunca nos abandonou», e pediu-lhe continue a apoiá-los tal como o fez até agora para fazer frente «a este calvário, a esta agressão que não cessou».

Também convidou os presentes a, da mesma forma que até agora pediram o arquivamento do processo, exigirem agora a sua absolvição, «apesar de saber que isso não se fará justiça». «A justiça exige que, além da absolvição, se dê uma reparação, e que os responsáveis do ataque contra nós se sentem no banco dos réus. Mas quem nos irá reparar, a nós e às nossas famílias, o sofrimento destes sete anos?», perguntou.

Torrealdai defendeu também a ideia de que o saírem em liberdade deste processo não é só de grande importância para os imputados, mas também para o euskara e as organizações que trabalham por esta língua, já que «a tese policial sustenta que o trabalho que se faz em prol do euskara à margem das instituições oficiais se faz ao serviço da ETA» e uma condenação «poderia por essa tese policial no caminho de ser doutrina jurídica».
Notícia completa: Gara

Mikel Laboa

Ícone da cultura euskaldun, Mikel Laboa Manzisidor, nascido a 15 de Junho de 1934 em Donostia, faleceu no dia 1 de Dezembro de 2008, após doença prolongada, faz hoje um ano. Experimental e vanguardista, iniciou-se com o LP Lau herri kanta em 1964 e, depois de vários trabalhos, publicou o incontornável Bat-Hiru, em 1974.
Criador livre e genial, a sua última actuação pública foi na companhia de Bob Dylan, na praia de Zurriola. Xoriek-17, de 2005, é o seu último álbum, depois do qual compilou as suas Lekeitioak, em 2007, culminando assim a reedição de toda a sua obra em formato digital. Muitas das suas canções pertencem já à memória popular. (Do Gara, 1/12/2009)

«Gure Bazterrak»

Beti gure bihotzean.