segunda-feira, 8 de março de 2010

Independentistak: leitura do manifesto «Ari Gara»


A rede Independentistak apresentou-se há cerca de uma semana (27/02/2010), em Donostia. Disso demos notícia na altura. Deixamos agora aqui o vídeo da leitura, em castelhano, do manifesto «Ari Gara», que também foi lido em euskara e francês nesse acto de apresentação.

Na semana passada, uma centena de edis de Bergara exigiram a libertação de José Luis Elkoro


Uma centena de pessoas que desempenham e desempenharam cargos públicos em Bergara (Gipuzkoa), entre as quais a sua actual autarca e os autarcas anteriores, subscreveram uma iniciativa em que exigem a libertação do ex-autarca da localidade e histórico abertzale José Luis Elkoro, actualmente recluso na prisão espanhola de Dueñas, em Palência, por ser o presidente do Conselho da Orain, editora do diário Egin, no âmbito das condenações relacionadas com o macro-processo 18/98.

No dia 20 de Fevereiro, 71 titulares e ex-titulares de cargos municipais reuniram-se no salão plenário de Bergara, e desde então mais de 25 pessoas que não puderam estar presentes na altura aderiram também à iniciativa. Todos eles consideram que «a situação por que [J.L. Elkoro] está a passar não tem relação com uma aplicação justa dos direitos humanos», pelo que decidiram «iniciar os procedimentos mais convenientes com o objectivo de conseguir a libertação de José Luis Elkoro».

«A sua idade e o seu estado de saúde foram os factores que nos causaram essa preocupação, assim como as nefastas consequências que podem advir das condições de vida da prisão», afirmam os integrantes desta iniciativa. Recordaram que tanto a reunião de 20 de Fevereiro como os actos que possam vir a ter lugar no futuro são da responsabilidade «de eleitos havidos e existentes, e assim continuaremos a trabalhar», mas advertem que não representam «nenhum partido ou grupo político; a adesão a esta iniciativa é pessoal».
Notícia completa: Gara

Presos políticos bascos e repressão


Proibidas jornadas sobre tortura na Univ. de Sevilha por participar o TAT
Na sexta-feira à tarde, umas jornadas sobre tortura que decorriam na Universidade de Sevilha foram encerradas com o argumento de que a presença da advogada Ane Ituiño, do TAT (Torturaren aurkako Taldea), não tinha sido comunicada à Deputação de Sevilha quando a utilização do local foi solicitada. A Coordinadora de Prevención de la Tortura, que organizou o acto, desmente-o, garantindo que havia fornecido os nomes dos participantes.
As jornadas decorreram com normalidade na parte da manhã, mas a proibição teve lugar depois de PP, blogs de extrema-direita e o periódico El Mundo terem pedido que fossem suspensas.
Em declarações ao Gara, Ituiño afirmou que no Estado espanhol «é incómodo e não se gosta» que se aborde a tortura. As jornadas prosseguiram depois num outro local. M.A.
Fonte: Gara

Mobilizações de protesto contra o julgamento dos jovens de Barakaldo
Nesta segunda-feira e nos três dias seguintes, os barakaldarras Sendoa Jurado, Unai Frias, Asier Gomez de Salazar e Jon Villanueva vão a julgamento na Audiência Nacional espanhola, acusados de terem queimado uma caixa de Multibanco. O Ministério Público pede 33 anos de prisão para cada um. No sábado, a esquerda abertzale de Barakaldo (Bizkaia) deu uma conferência de imprensa com o propósito de denunciar este julgamento, na qual fizeram questão de alertar, mais uma vez, para o empenho que existe em pedir penas bastante duras para os jovens independentistas. Vídeo da conferência aqui.
Fonte: askatu.org

Na sequência da detenção em Biarritz, silêncio total sobre Xabier Atristain
Durante o dia de ontem não foram avançadas quaisquer informações sobre a situação do donostiarra Xabier Atristain Gorosabel, detido pela Polícia francesa depois de se ter dirigido pelo seu próprio pé à esquadra de Biarritz (Lapurdi).
Desta forma, não se sabe se continua nessa esquadra ou se foi levado para Baiona ou Paris. Desta vez, o Ministério do Interior espanhol também não fez qualquer comentário sobre a detenção.
O nome de Atristain tinha sido divulgado pelas FSE como o de uma das quatro pessoas procuradas após a captura de Ibai Beobide em Gipuzkoa, a 14 de Fevereiro último.
Por outro lado, ontem concentraram-se 50 pessoas pelos direitos dos presos no protesto semanal de Altsasu (Nafarroa).
Fonte: Gara

sábado, 6 de março de 2010

Otegi à Assembleia do Sinn Féin: «O Governo utiliza a razão da força porque não tem a força da razão»


Através de uma carta lida pela representante da esquerda abertzale Kattalin de Madariaga, Arnaldo Otegi fez chegar uma mensagem aos delegados à Assembleia Nacional (Ard Fheis) do Sinn Féin em que recorda o compromisso da esquerda abertzale com um processo democrático e em que faz um apelo tanto à união das forças abertzales como ao envolvimento da comunidade internacional.

Otegi, preso desde Outubro de 2009 e condenado de novo esta semana pela Audiência Nacional espanhola, refere-se às «lições do processo de paz da Irlanda» como «muito úteis» no decorrer das «prolongadas discussões» empreendidas pela esquerda abertzale e afirma: «a aceitação de que a necessidade de mudança ocorra a partir de um processo democrático; o compromisso com meios exclusivamente democráticos e a necessidade de um processo de diálogo e negociação entre todas as forças políticas definidos pelos Princípios Mitchell foram todos adoptados desde o bem-sucedido plano de acção desenvolvido pelos republicanos irlandeses nos últimos 16 anos e antes disso. O êxito do Acordo de Hillsborough mostra que este plano funciona», diz Otegi na sua mensagem.

O líder independentista afirma que a resposta do Governo espanhol às iniciativas da esquerda abertzale «foi sempre a da repressão e do acosso», o que na sua opinião evidencia «a debilidade política das posições do Governo espanhol, que teme as nossas posições políticas e as nossas propostas políticas democráticas». O Estado, diz, «utiliza a razão da força porque não tem a força da razão».

Otegi crê que as propostas da esquerda independentista «não podem ser alvo de oposição política» porque «ninguém pode dizer que carecem de sentido ou se opõem ao enquadramento internacional» e por isso conclui que o Governo do PSOE «tem medo de um cenário de paz em que a maioria possa decidir sobre o seu futuro».

«Quem teme a vontade do povo basco?»
Depois de realçar que «não existe uma alternativa razoável ao processo democrático para resolver o conflito», Otegi reitera o «compromisso absoluto» da esquerda abertzale na superação do conflito mediante um processo democrático «através de meios exclusivamente políticos e democráticos e através do diálogo político e da negociação entre partidos».

Ao mesmo tempo, lança um apelo aos abertzales para que se unam «com força no momento de avançar para um processo democrático» e à comunidade internacional para que ajude «a construir de um cenário democrático pacífico, justo, estável e duradouro na nossa terra».

Otegi está seguro de que «o nosso dia chegará e a esquerda patriota contará com o apoio das pessoas para construir, a partir da esquerda, um Estado para os bascos na Europa. «Quem teme a vontade do povo basco? Nós não», conclui.
Fonte: Gara

O Sinn Féin defende uma negociação directa e o fim da criminalização


A Assembleia Nacional (Ard Fheis) do Sinn Féin teve início ontem em Dublin com os olhos postos em questões internacionais e na Europa, e com uma olhar especial para a situação em Euskal Herria. Os congressistas mostraram a sua solidariedade para com o povo basco e denunciaram a política do Governo espanhol. Também recordaram Jon Anza, desaparecido há quase um ano, e criticaram a situação de Iñaki de Juana, que luta em Belfast contra uma ordem de extradição.

Gerry Kelly, ex-preso republicano, deputado na Assembleia do Norte da Irlanda e ministro no Executivo desse território, teve a seu cargo este ano a missão de dar as boas-vindas aos delegados internacionais que viajaram até Dublin para participar no encontro anual do Sinn Féin (Ard Fheis). Fê-lo recordando aos delegados que a história de «ocupação e opressão» fez do Sinn Féin um partido internacionalista, porque compreendem «o sofrimento que se vive num conflito».

«Durante o conflito na Irlanda, quando foi necessário, e durante o processo de paz e o actual processo político, colegas internacionalistas vieram - e continuam a vir - ajudar-nos», salientou Kelly, que quis agradecer este apoio e reconhecer que fez dos aliados internacionais do Sinn Féin «parte da nossa luta».

Kelly disse que o Sinn Féin considera que chegou o momento de devolver esses apoios, e mencionou as delegações que viajaram desde a Irlanda até Euskal Herria, ao Iraque, Sri Lanka, Chipre ou Filipinas, «não porque tenhamos as respostas ou porque o nosso processo de negociação se possa adaptar facilmente a outras lutas, mas porque temos uma história para contar sobre a Irlanda e Grã-Bretanha. E se há algo nesta história que possa ajudar outros na sua busca, então vale a pena», enfatizou o dirigente republicano.

É precisamente a terceira moção incluída na agenda de discussão deste Ard Fheis, apresentada pela Executiva do partido e secundada pelas juventudes, a que denuncia directamente a política de criminalização do movimento independentista basco por parte do Estado espanhol.

Ilegalização e guerra suja
A moção refere-se especificamente à Lei de Partidos Políticos, sobre a qual afirma que consagra o ataque contra «direitos humanos, políticos e civis fundamentais dos bascos, incluindo a liberdade de expressão, a liberdade dos meios de comunicação e de opinião política, a liberdade de associação e de participação e representação política». Para além disso, recorda-se em particular os mais de 740 presos políticos bascos nas prisões espanholas e francesas.

A moção dos líderes republicanos expressa a sua preocupação pelos abusos que o sistema de judicial e prisional inflige aos activistas bascos, condena o regime de incomunicação aplicado a detidos e menciona os relatórios da Amnistia Internacional e do Human Rights Watch como prova da existência de tortura.

Para além disso, manifesta a sua preocupação pela «evidência de que o Governo espanhol está a reviver aspectos da guerra suja contra activistas bascos» e destaca, especificamente, o caso do desaparecimento de Jon Anza, em Abril de 2009.

Ros Taylor foi o delegado republicano que tomou a palavra para apresentar a moção aos delegados, começando a sua intervenção com um ongi etorri à delegação basca. Taylor resumiu a actualidade dos últimos dias na Irlanda para recordar a vitória legal contra o pedido de extradição de Arturo Villanueva, «um triunfo sobre o acosso espanhol e que lhe permitirá viver em liberdade na Irlanda». Condenou ainda a decisão «injusta» a favor da entrega de Iñaki de Juana. «O sistema judicial espanhol é corrupto, e considera que não necessitam de apresentar nenhuma prova porque tudo o que se considera basco é um crime», acrescentou Taylor, para pedir em seguida ao Governo irlandês que exija explicações à Administração de Madrid sobre a política repressiva contra a esquerda abertzale.

Aos seus pedidos juntavam-se as já incluídas na moção, que foi aprovada por unanimidade pelos delegados, como a libertação dos representantes do Batasuna e de outras organizações, o fim da política de criminalização em geral, ou o fim da política de dispersão e de incomunicação dos detidos. Os delegados apoiaram «o início de um diálogo directo e inclusivo com o Batasuna e outros partidos bascos como o primeiro passo para relançar o processo de paz e resolver o conflito basco», assim como a abertura de uma investigação no caso de Jon Anza e o abandono do procedimento de extradição movido contra Iñaki de Juana.

Autodeterminação
O direito de autodeterminação foi a primeira questão na agenda da reunião. Foi apresentado como uma das normas-chave da legalidade internacional.
A declaração de Downing Street foi assinada pelos governos de Londres e Dublin em 1995 e garantiu não só o direito, mas também o respeito pelo direito dos irlandeses do norte a decidir o seu futuro. Os republicanos têm noção de que muitas nações não conseguiram este reconhecimento, e é precisamente na sua actividade internacionalista que o Sinn Féin mostra a sua vontade de servir como «um recurso para promover a resolução de conflitos, acordos pacíficos e democráticos e autodeterminação em todo o mundo».

Na sua declaração, o Sinn Féin compromete-se, portanto, a trabalhar com «forças progressistas e democráticas que nos hão-de conduzir a um mundo melhor no qual a soberania e a igualdade de todos os povos e nações se possa alcançar e respeitar».
Manifesta o seu respeito pela independência e integridade de outras nações e movimentos progressistas de libertação. Este apoio materializou-se nas moções de apoio ao referendo proposto pelo Governo nacionalista de Alex Salmond na Escócia, bem como as consultas que têm estado a decorrer na Catalunya, ou na denúncia dos ataques contra activistas bretões.

A eurodeputada Bairbre de Brún e o deputado Aengus Ó Snodaigh denunciaram a situação da nação palestiniana, especialmente em Gaza, exigindo o fim imediato do bloqueio israelita. Também votaram contra o bloqueio norte-americano contra Cuba, acusando a Administração de Obama de ter lidado com alguns dos seus particulares «enquanto mantém a maioria das sanções humanitárias e económicas».

Outras moções pedem ao Governo turco que inicie um diálogo com a nação curda e manifestavam a sua preocupação relativamente à situação dos tâmiles deslocados e encarcerados.

Gerry Kelly deixou uma mensagem final para «todos aqueles que lutam pela justiça, a liberdade e a igualdade: não há problemas sem solução, nada é impossível na luta».

Soledad GALIANA
Fonte: Gara

Dia Internacional da Mulher: a maioria sindical faz um apelo à mobilização contra a precariedade laboral da mulher


Representantes dos sindicatos ELA, LAB, ESK, STEE-EILAS, EHNE e Hiru compareceram ontem em Bilbo para fazer um apelo à mobilização por ocasião do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. Assim, fizeram saber que na próxima segunda-feira se vão manifestar ao meio-dia nas quatro capitais de Hego Euskal Herria [País Basco Sul] e também incentivaram à participação nas mobilizações que terão lugar à tarde, organizadas pelos colectivos feministas.
Manifestaram ainda a sua adesão à Marcha Mundial das Mulheres, que irá percorrer diversas localidades bascas de 8 a 13 de Março.

As sindicalistas afirmaram que o actual sistema «hetero-patriarcal» é o que está «a condenar» as mulheres à precariedade e que as reformas propostas no sistema de pensões e no mercado laboral vão implicar «um claro retrocesso nos direitos laborais e sociais para a classe trabalhadora em general e para as mulheres em particular».

Em sua opinião, medidas como o corte das pensões, o fomento dos contratos a tempo parcial, a flexibilidade ou o prolongamento da vida laboral «voltam a colocar as mulheres numa posição subsidiária e dependente, em vez de avançar em direcção a uma igualdade real e efectiva».
Afirmaram que a crise económica incide «de forma crua» sobre as mulheres e que as medidas «anticrise» que estão a ser propostas «contribuem para agudizar as desigualdades» entre ambos os sexos.

«Obviam muitas das realidades de precariedade e tendem para a deterioração das condições de vida e de trabalho das mulheres, já que continuam a estar dirigidas a um mercado laboral assente na divisão sexual do trabalho», referiram.
Na sua perspectiva, o mercado laboral no qual as mulheres se integram «tende a desregularizar-se cada vez mais e, como nas restantes esferas da vida, perpetua a discriminação e a desigualdade».

Por isso, reivindicaram o direito ao trabalho em condições justas e equitativas e o direito a serviços públicos de qualidade e integrais.
Fonte: Gara
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Ver também: «Autarcas independentistas defendem a mudança de quadro às portas do 8 de Março», em kaosenlared.net
"Depois de manifestarem a sua adesão à Marcha Mundial das Mulheres, eleitas independentistas afirmaram que uma mudança de quadro «superará a opressão estrutural» que as mulheres sofrem. Sublinharam a importância da sua participação 'em igualdade' no processo democrático".

Presos políticos e repressão


Etxerat: «Não vão conseguir acabar com a solidariedade nem com a dignidade dos presos»
No último fim-de-semana, numerosos presos políticos bascos foram punidos: alguns foram levados de dois em dois para as visitas; outros foram separados em diferentes módulos; outros juntos em celas minúsculas; e muitos encontram sozinhos, segundo fizeram saber familiares, amigos e ex-presos políticos em Bilbo.
Estes novos movimentos representam «mais um capítulo na chantagem permanente que é a criminosa política penitenciária», um sistema que aplica um «regime de vida duríssimo» aos presos políticos bascos.
Fora dos muros, os familiares e amigos foram alvo de controles policiais que se instalaram praticamente às portas das prisões.
Para a Etxerat, estas medidas «visam aprofundar o isolamento e a solidão dos nossos familiares» e «destruir os presos como pessoas e como sujeitos políticos».
Precisaram que esta «nova intensificação» das medidas repressivas ocorre quando «os nossos familiares, amigos e amigas encarceradas estão a empreender uma nova dinâmica de luta nas prisões» e, «cientes do momento político que Euskal Herria vive, procuram atingir os presos sem descanso».
Sublinharam que «não vão conseguir acabar com a solidariedade nem com a denúncia permanente que chega desde Euskal Herria ou com a dignidade que os prisioneiros demonstram».
Na conferência de imprensa manifestaram ainda a sua solidariedade com Arnaldo Otegi, condenado a dois anos de prisão e mais dezasseis de inabilitação por participar no acto por Jose Mari Sagardui «Gatza», preso político mais antigo da Europa.
Fonte: Gara

Uma jovem de Tafalla na AN pela «caça às bruxas» das fotos
Uma das responsáveis do bar Azoka, em Tafalla (Nafarroa), foi notificada para prestar declarações no âmbito da campanha de perseguição às fotos dos presos e das presas políticas. Apesar de não haver fotos de presos no bar, a Polícia Foral elaborou um relatório, que foi enviado à Audiência Nacional espanhola. Agora, é o tribunal de excepção que toma medidas contra a responsável do negócio hoteleiro. Para ontem estava prevista uma concentração de protesto em Tafalla e na segunda-feira um grupo de pessoas deslocar-se-á até Madrid para apoiar a jovem.
Fonte: apurtu.org

Nafarroa e o euskara: conferência da Sortzen-Ikasbatuaz e manifestação convocada para Iruñea


Sortzen-Ikasbatuaz: «com a desculpa do conhecimento de línguas estrangeiras, querem encurralar o euskara»
Nestor Salaberria e Aitziber Larrea, membros da Sortzen-Ikasbatuaz, fizeram uma apreciação positiva dos resultados verificados durante a campanha de pré-matriculação para o ensino infantil e primário. Para os responsáveis da Sortzen, «o ensino em euskara tem cada vez mais saída, mas não se dá uma resposta à procura existente».
Na conferência de imprensa que deram ontem de manhã na sua sede em Iruñea, afirmaram que as instituições, «com a desculpa do conhecimento das línguas estrangeiras, querem encurralar o euskara».
Em seguida, o conteúdo integral da conferência de imprensa em euskera e castelhano.
Notícia completa: nafarroan.com

Convocam uma manifestação pelo direito a estudar e viver em euskara
Pais e mães da denominada «zona não bascófona» navarra - habitantes de Erribera, Tafallaldea ou Lizarraldea - juntaram-se numa iniciativa cujo primeiro passo será uma manifestação no dia 28 de Março em Iruñea, às 12h - cidade onde ontem deram a conhecer a convocatória, em conferência de imprensa.
Reclamam simplesmente a igualdade de tratamento para quem quer estudar e viver em euskara e, depois de dar exemplos dos custos económicos e dos entraves de todo o tipo que têm de enfrentar para escolarizar os seus filhos nesta língua, realçaram que, «se temos deveres iguais, pensamos que também deve ser assim com os direitos». A sua exigência não se limita apenas ao campo educativo: afirmam não entender, por exemplo, como nos lares navarros se pode ver televisão em inglês, francês ou árabe, enquanto o Governo navarro continua sem regularizar a captação da ETB através da TDT.
Fonte: Gara

sexta-feira, 5 de março de 2010

Jone Goirizelaia, advogada de Otegi, entrevistada na Infozazpi Irratia


«É uma sentença feita à medida dos objectivos que o julgamento perseguia»

Jone Goirizelaia na Infozazpi Irratia

A advogada Jone Goirizelaia disse ao Gara que vai recorrer da sentença que condena Arnaldo Otegi a dois anos de prisão e dezasseis de inabilitação, por considerar que está repleta de «contradições» e de «incongruências», «já que nuns parágrafos diz uma coisa e noutros mais à frente o oposto».
Ontem de manhã aprofundou a questão da argumentação numa entrevista à Infozazpi Irratia, na qual afirmou que se trata de uma sentença «feita à medida dos objectivos que este julgamento perseguia», ou seja, condenar o dirigente independentista.
Na sua perspectiva, a pena de 16 anos de inabilitação atribuída a Otegi evidencia «o medo» que o Estado espanhol tem da iniciativa política da esquerda abertzale.
Fonte: Gara
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A propósito, não perder: «Presos Políticos», de Jabiero - com o vídeo (mais óptimo som a acompanhar) e as ligações para páginas repletas de esclarecedora informação
http://www.worldinconflict.es/2010/03/presos-politicos.html

O delito de «enaltecimento», criticado por juristas dos EUA


A Associação Americana de Juristas e o Institute for Planetary Syntesis, organizações consultivas da ONU, pediram que se volte a instar o Governo espanhol a «definir com clareza as condutas proibidas, para a segurança jurídica de todas as pessoas». Reiteram que Madrid faz um aplicação expansiva dos delitos de terrorismo e centram-se, entre outros, nos de «apologia» e «enaltecimento», pelo qual Arnaldo Otegi foi novamente condenado na terça-feira, dia 2.

No dia 15 de Fevereiro, apenas duas semanas depois de ter terminado o julgamento de Arnaldo Otegi, duas organizações não governamentais consultivas da ONU enviavam ao seu secretário-geral um documento para ser tratado no 13.º período de sessões do Conselho de Direitos Humanos, no qual se recomendava solicitar ao Governo espanhol que «as disposições sobre terrorismo respondam ao princípio da legalidade».

A Associação Americana de Juristas e o Institute for Planetary Syntesis incluem os trabalhos realizados anteriormente pelo Relator Especial, pelo Comité de Direitos Humanos e pelo Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias, e as recusas por parte do Governo espanhol em cumprir as suas solicitações.

Ambas as associações «confirmam a falta de vontade do Governo em levar a cabo um processo de revisão no qual especialistas independentes examinem se os artigos controvertidos do Código Penal se ajustam às normas internacionais». De acordo com a sua análise, as tipificações dos delitos de terrorismo estão a sofrer uma «deterioração gradual» ao ponto de ampliar a «figuras de tipo ordinário que não constituem violência grave. Tal exasperação punitiva é utilizada para qualquer acto, de forma a trazê-lo para a esfera do terrorista».

Neste âmbito é também mencionada a figura da «apologia», na qual, desde 2000, «se pune de forma específica o enaltecimento ou a justificação dos delitos terroristas, mas sem exigir expressamente uma incitação directa a delinquir». No entender dos organismos internacionais, a formulação é «imprecisa» e conceitos como «enaltecimento» ou «justificação» «pecam por falta de clareza e precisão».

Por isso, recomendam ao Conselho de Direitos Humanos da ONU que solicite ao Governo espanhol que «garanta que as disposições sobre terrorismo respondam ao princípio da legalidade»; que «defina com clareza as condutas proibidas, para a segurança jurídica de todas as pessoas»; que «respeite o princípio da presunção de inocência nos casos de terrorismo»; e que «acate integralmente a opinião do Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias».

Iñaki IRIONDO
Fonte: Gara

Conferência de Brian Currin, mediador sul-africano na resolução de conflitos


Conferência que teve lugar em Orereta (Gipuzkoa), no dia 25 de Fevereiro. Nela, Currin dá a conhecer a sua visão sobre a situação em Euskal Herria e o lançamento de um processo de paz (até aos 10m30s, Xabier Oleaga faz a apresentação do mediador sul-africano - em euskara; segue-se então a intervenção do conferencista - em inglês, dobrado em castelhano).
Fonte: kaosenlared.net

«Foi Nelson Mandela que me recrutou a mim para o braço armado do ANC»


Ronnie KASRILS, vice-ministro da Defesa com Mandela, entrevistado por Alberto PRADILLA

Ronnie Kasrils (15 de Novembro de 1938), neto de judeus que fugiram da Letónia e da Lituânia, juntou-se em 1960 ao Congresso Nacional Africano e filiou-se no Partido Comunista da África do Sul. Participou na fundação do braço armado Umkhonto we Sizwe. Foi vice-ministro com Nelson Mandela e depois chefe dos serviços secretos.
Ronnie Kasrils conhece bem Nelson Mandela porque ambos partilharam a militância clandestina e depois tarefas de Governo. Agora, luta pela causa palestiniana e ontem encontrava-se em Barcelona.


Com base na experiência da África do Sul, como vê as últimas iniciativas políticas em Euskal Herria?
Nos termos desta situação é importante abrir vias para o diálogo e a negociação, para que a mudança possa chegar. No nosso caso, podemos ver que andámos a lutar de armas na mão e que o regime de apartheid não estava interessado. Não foi possível pôr em marcha fórmulas pacíficas até estarmos fortes. Foi então que aceitaram encetar o diálogo. Podemos também ver o caso irlandês. É realmente necessário utilizar essa possibilidade. As pessoas preferem uma forma pacífica de mudança. Na África do Sul temos muito clara a unidade do Estado. Já nos dividiram com os bantustões. E isto está-se a passar também com o povo palestiniano. O nosso exemplo baseia-se em manter a unidade do estado, ainda que não possa falar como um perito na solução basca. Creio que se poderia olhar para a questão da autonomia, que direitos são permitidos sobre a língua, cultura, como e se isso satisfaz os cidadãos bascos. Não obstante, fiquei muito satisfeito quando soube da sua disposição para trabalhar de uma forma pacífica.

Brian Currin está a assumir um papel importante nesta iniciativa...
Ele entende muito bem destas questões.

A sentença contra Arnaldo Otegi diz que Nelson Mandela nunca pegou em armas...
Claro que o fez. Foi Nelson Mandela que me recrutou a mim para o braço armado do ANC em 1961. Ele criou o movimento armado, embora também dissesse que defenderia a via política quando fosse possível, e foi isso que aconteceu. As soluções devem ser políticas, já que a via armada serve para mostrar o propósito de se alcançar a mudança. No momento em que o outro lado nos reconhece e são apresentadas propostas para as conversações, é conveniente um cessar-fogo, a não ser que eles se limitem a mentir, como é o caso do Governo israelita com os palestinianos.... Não sei se é isto que o Governo espanhol faz.

O Governo espanhol também mentiu...
Seguramente que recorrem a truques. Mas, pelo menos, em Euskal Herria existe uma autonomia, eleições, partidos políticos...

A esquerda abertzale encontra-se ilegalizada e o seu partido político não pode apresentar-se às eleições. Além disso, muitos dos seus líderes, como Arnaldo Otegi, estão na prisão.
Deviam ser libertados.

Fonte: Gara

Repressão

Pedem penas de 12 e 33 anos para jovens de Iruñea e Barakaldo por acções kale borroka
O Iruñerriko Gazte Mugimendua [Movimento Juvenil da Comarca de Pamplona] manifestou na quarta-feira o seu total apoio a sete jovens cujo julgamento na Audiência Nacional espanhola teve ontem início, pela alegada prática de uma acção de kale borroka, sendo que o Ministério Público pede 12 anos de prisão para cada um deles.
Os jovens são acusados de «atacar» uma patrulha da Polícia Foral com a qual deparam quando tentavam boicotar a jornada eleitoral de 9 de Março de 2008 na Alde Zaharra de Iruñea. Nesse dia foi detido Hodei Ijurko, que depois viria a ser condenado a 16 anos de prisão, embora em Novembro último o Supremo Tribunal tenha retirado seis anos a essa condenação em virtude dos erros de vulto que continha.
O Iruñerriko Gazte Mugimendua recordou que a maioria dos jovens processados foi sujeita ao regime de incomunicação pela Guarda Civil e Polícia espanhola, que quase todos eles denunciaram ter sido «selvaticamente torturados» e que «foram obrigados a fazer declarações policiais incriminatórias», para ser depois serem encarcerados a centenas de quilómetros das suas casas.
A primeira sessão do julgamento, em que são arguidos Iker Araguas, Iñaki Marin, Xabier Xagardoi, Luis Goñi, Aritz Azkona, Artzai Santesteban e Joseba Fernández, teve lugar ontem. Os dois últimos não compareceram, pelo que foi emitido um mandado de busca e captura.

Na segunda-feira terá início no tribunal de excepção o julgamento de quatro jovens de Barakaldo (Bizkaia) - Sendoa Jurado, Unai Frías, Asier Gómez de Salazar e Jon Villanueva - para os quais pedem 33 anos de prisão (para cada um!) por atacarem uma caixa de Multibanco, em Fevereiro de 2008.

Por outro lado, ontem ficou-se a saber que a Procuradoria espanhola não vai recorrer da decisão tomada pelo Tribunal de Belfast há algumas semanas, não atendendo ao mandado europeu tramitado pelo Estado espanhol contra Arturo Villanueva pelo caso «Jarrai-Haika-Segi».
Fonte: Gara e Gara

Ver também: «Começa hoje o julgamento de sete jovens navarros acusados de kale borroka», em apurtu.org

A Ertzaintza detém dois jovens por colar cartazes e põe o «Cara al Sol» a tocar na esquadra
O Amnistiaren aldeko Mugimendua / Movimento pró-Amnistia informou que os dois jovens foram detidos ontem de manhã, em Ibarra (Gipuzkoa), acusados de ter colado cartazes. De acordo com este organismo, no momento da detenção os jovens encontravam-se na rua mas não estavam a colar nenhum cartaz.
Depois, os dois jovens, G.J.M. e J.M.O., foram levados para a esquadra de Tolosa e metidos numa cela. «Puseram a tocar o 'Cara al sol' por três vezes, parecia ser a música de um telemóvel», segundo informa o organismo anti-repressivo, que acrescenta que nenhum deles prestou declarações na esquadra nem foi presente a nenhum juiz, tendo saído em liberdade ontem à tarde. Ficam à espera de ser notificados, porque são acusados de... «enaltecimento do terrorismo».

Já o Departamento do Interior do Governo de Lakua referiu que as detenções se deram por volta das 10h40 da manhã na Euskal Herria kalea, em Ibarra (Gipuzkoa), e que os jovens foram surpreendidos quando colavam cartazes com fotografias «de algum membro da ETA» que tinham «o logótipo da Jarrai».
Os detidos são dois jovens de Ibarra, segundo indica o Tolosaldeko Hitza na sua edição digital, que também refere que os cartazes que alegadamente terão colado dizem respeito ao acto em memória de Sebas Goikoetxea Mariezkurrena, que foi morto a tiro num controlo efectuado pela Guarda Civil, juntamente com Nicolás Mendizabal, no dia 8 de Março de 1977, e de Mikel Lopetegi, que faleceu no dia 2 de Março de 1988 na prisão de Herrera. Nesses cartazes aparece uma estrela, a mesma que Ché Guevara traz na sua boina.
Fonte: Gara

quinta-feira, 4 de março de 2010

Inabilitação


Espanha continua a ser um filme de Buñuel. Todos estes anos passaram em vão. A miséria sangrenta e descarada, a escatologia trágica, o não-humor negro (porque não se lhe pode chamar humor, não nos faz rir, mas chorar) mostra repetidamente a sua fronha suja através do verniz de civilização que lhe quiseram aplicar após a morte de Franco.

Desde sempre, os estados não hesitaram em recorrer a todo o tipo de meios para alcançar os seus objectivos. Mas Espanha, que se considera um membro do grupo das «democracias ocidentais», também não hesita em fazer uma figura ridícula para lograr os seus fins.

E um objectivo prioritário do Estado espanhol no seu contencioso com Euskal Herria é que a esquerda abertzale não consiga levar por diante o seu projecto de unir as forças independentistas, e fará o impossível para o impedir.

E ontem voltou-nos a surpreender na sua descarnada crueza.

Uma juíza tosca («Por mí como si bebe vino»), ignorante («Mandela nunca ha sido un terrorista, era un pacifista») e incompetente («Quiten éso, no se entiende ni papa» -referindo-se à principal prova de acusação) inabilitou por 16 anos um dos políticos mais brilhantes do país vizinho.

Deixando de lado o fundo da questão, a ausência de pertinência do julgamento, ou a injustiça palpável da sentença, é uma metáfora perfeita do estado dos poderes públicos no Reino de Espanha.

Espelho perfeito da crueldade gratuita. Uma tragédia pelas suas consequências. Mas, na sua actuação e trajectória, uma farsa. Buñuel em estado puro.

E Gatza continua na prisão.

I. GARDEAZABAL
Fonte: kaosenlared.net

O Olhar de Tasio

Tasio (Gara)

Centenas recordaram que ainda não se fez justiça com as vítimas do 3 de Março


Centenas de pessoas participaram na homenagem que a esquerda abertzale tributa anualmente aos cinco operários mortos pela Polícia espanhola no dia 3 de Março de 1976, em Gasteiz.
No acto, em que se recordou que 34 anos depois ainda não foi feita justiça, tomou a palavra o representante independentista nas Juntas Aitor Bezares, que apelou ao espírito de unidade das classes populares daquele 3 de Março para, neste contexto histórico, se poder alcançar o cenário democrático que este país reclama, tendo recordado a aposta num processo democrático que a esquerda abertzale fez.

Por seu lado, a secretária-geral do LAB, Ainhoa Etxaide, referiu que em todos estes anos os direitos da classe trabalhadora, pelos quais lutaram os operários mortos, têm vindo a minguar, e considerou que os trabalhadores bascos necessitam de ter a capacidade de decidir para poder defender os seus direitos.

O acto, que foi seguido de perto por patrulhas da Ertzaintza, terminou com as pessoas a cantarem «A Internacional» e o «Eusko Gudariak».
Fonte: Gara

Presos políticos bascos, guerra suja, dispersão assassina


Manifestação vai exigir respostas sobre o que se passou com Anza há um ano
O colectivo Jon Anza convocou uma manifestação para o dia 17 de Abril em Donibane Lohizune (Lapurdi) para exigir que se esclareça aquilo que aconteceu, quando se cumpre o primeiro aniversário do desaparecimento do militante independentista.
A manifestação terá início às 17h em Donibane Lohizune, terra natal da ministra Michèle Alliot-Marie, «peça-chave» para esclarecer o que se passou, segundo referiu o colectivo Jon Anza.
Recordaram que Alliot-Marie era ministra do Interior quando Anza desapareceu e que é actualmente a responsável pela pasta da Justiça. Sublinham ainda a importância da mobilização, pois «será a pressão popular a fazer luz sobre o que se passou com o Jon».
Fonte: Gara

Em Otxandio (Bizkaia), homenagem a Ruben Garate «Anselmo»


Homenagem em Otxandio a Ruben Garate, assassinado pela dispersão há dez anos

Para lá da dor, ainda existe a possibilidade de sorrir, como aconteceu no fim-de-semana passado, na homenagem tributada a Ruben Garate, em Otxandio. Foi há já dez anos que o natural de Otxandio Ruben Garate «Anselmo» faleceu num acidente rodoviário, no regresso de uma visita a um preso numa prisão espanhola. Desde aquele cruel mês de Fevereiro, todos os anos se realiza uma sentida homenagem na sua terra natal. Este ano, coincidindo com o 10.º aniversário, organizaram-se actos especiais no dia 20 de Fevereiro.
Desde o início da manhã, numerosos otxandioarras subiram ao monte Motxotegi. Ali, em honra de «Anselmo» e com a esperança de que dure muitos anos, foi colocado um monólito com um lauburu em sua memória. A isso, seguiu-se uma sessão de homenagem, uma manifestação e um almoço popular. (altzoan.com)
Lista de pessoas assassinadas pela política de dispersão em lahaine.org

Imanol Larrañaga e Oscar Oviedo, em liberdade
Imanol Larrañaga e Oscar Oviedo recuperaram a liberdade depois de estarem presos cinco e quatro anos, respectivamente.
Detido no dia 23 de Março de 2001, acusado de estar ligado à ETA, e posteriormente condenado a cinco anos de prisão, Imanol Larrañaga deixou ontem a prisão de Zuera, segundo informou o Movimento pró-Amnistia. Por seu lado, Oskar Oviedo esteve preso quatro anos, acusado de participar em acções de kale borroka. Na terça-feira saiu da prisão de Dueñas.
Fonte: Gara

Simón Bolívar «o terrorista»


Se o termo «terrorista» existisse há 200 anos, a audiência nacional espanhola (a «real audiência» da época) tê-lo-ia considerado o terrorista número um da época, o mais procurado, o mais odiado, o mais sanguinário, o mais...

Hugo Chávez não se limitou a recordar a história para explicar por que razão um juiz espanhol da audiência nacional espanhola procura contaminar a República Bolivariana da Venezuela com o terrorismo. Hugo Chávez está orgulhoso por isto acontecer e ainda insiste no seu apoio... «aos povos».

vídeo com as declarações de Chávez

Do consulado da Venezuela em Bilbau chegou-nos uma nota oficial em que referem outras duas questões importantes e que põe cada actor desta farsa no seu devido lugar. A informação manejada pela «audiência real» espanhola foi retirada do computador de Raúl Reyes, assassinado pelo exército colombiano em território equatoriano, quando procedia a negociações internacionais sobre a troca humanitária de prisioneiros. A literatura que foi retirada desse computador, que também salpicou a Askapena a dada altura, já faz parte da história de claras mentiras e manipulações do governo colombiano, que foram desmascaradas como verdadeiros embustes. (Veja-se o artigo de El Correo no qual «vêem» Raúl Reyes e onde aparece um companheiro chileno, entre outros).

Por outro lado, a nota refere Arturo Cubillas (que a «audiência real» espanhola apresenta como o cabecilha da trama) reside na Venezuela não porque Chávez lhe dê protecção, mas porque o reino espanhol chegou a um acordo com o então presidente da Venezuela, Andrés Pérez, para o deportar para lá, como fez com tantos outros bascos que hoje, espalhados por diversos continentes, continuam sem poder regressar à sua terra.

Por isso, a Askapena não pode deixar de se congratular com a dignidade, a solidariedade, a empatia e a ternura que a República Bolivariana da Venezuela, pela boca do seu presidente, Hugo Chávez Frías, mais uma vez manifestou para com os povos; com o orgulho e a reivindicação de Simón Bolívar, com o orgulho por estar na mira do imperialismo sem se acobardar. Força, companheiras e companheiros!!! Um abraço internacionalista e revolucionário desde Euskal Herria.

Onde um povo vê um libertador, um império vê um terrorista. Quando os povos mostram ternura uns aos outros, o império teme-nos.

Viva o povo colombiano!
Viva a Venezuela bolivariana!
Gora Euskal Herria!

Fonte: askapena

Chávez: «É uma resposta orquestrada a partir de Washington e Madrid»
O mandatário venezuelano, Hugo Chávez, insistiu hoje em que o aparecimento do relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) no qual se acusa o seu Governo de estar a minar gravemente as liberdades civis dos venezuelanos, o auto do juiz da Audiência Nacional e a visita a vários países da América Latina efectuada esta semana pela secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, são uma resposta de Madrid e Washington à criação da Comunidade de Estados Americanos e do Caribe (CELAC); um novo organismo que assumirá muitas das funções da Organização de Estados Americanos (OEA) mas no qual não estarão incluídos nem os EUA nem o Canadá.
«Isso não é do agrado do novo império (EUA) nem do velho império (Espanha). Muito menos lhes agrada que se tenha decidido que a cimeira onde vai nascer seja precisamente aqui, em Caracas», manifestou Chávez à cadeia de TV estatal venezuelana, enquanto se encontrava reunido com os seus ministros no palácio de Miraflores. «Vão procurar sabotar a reunião de Caracas», acrescentou.
Notícia completa: Gara

quarta-feira, 3 de março de 2010

Quem disse que estamos sozinhos?


Rubalcaba e os seus lanceiros mediáticos não descansam. Esbanjam milhões de palavras e euros mercenários para propagar a imagem de que Euskal Herria ficou «triste e só». Pobrezitos. A criatividade e a militância das nossas amizades internacionalistas carcomem esta mentira.

Acaba de se realizar mais uma Semana a favor de Euskal Herria; luz solidária que se aviva com o passar do tempo. A Europa congelada e a América abrasada puseram-se de acordo para erguer a voz em defesa da nossa causa. Se no ano passado foram internacionalistas de 13 países a promover 50 iniciativas, este ano foram 18 os países envolvidos e mais de 80 as acções realizadas. Vozes muito díspares divulgaram entre os seus respectivos concidadãos a repressão e a tortura de que somos alvo; defenderam as nossas presas e os refugiados; reafirmaram o direito que nos assiste a sermos um povo livre e soberano. Madrugaram os amigos irlandeses e inseriram a nossa causa na sua marcha de 30 de Janeiro, evocativa do Bloody Sunday; não faltou a defesa de Arturo e de Iñaki, refugiados bascos que as fauces do monstro espanhol pretendem engolir.
Gotzone Lopez de Luzuriaga esteve em frente à embaixada espanhola na Dinamarca, passou-se o mesmo com Jon Anza na Suíça, e a bandeirola repatriadora na Eslovénia. Em Paris, tal como no México, optaram por jantares internacionalistas; dois encontros com muitas milhas a separá-los e numa mesma sintonia. Numerosos actos converteram-se num espaço partilhado com militantes de outras frentes; o facto de a luta pelo socialismo ser comum e a causa internacionalista aviva fraternidades. Como resumir em tão breve espaço tantas manifestações de apoio? Noites de colóquios, cinema testemunhal e música basca disseminados por toda a Europa. Grupos já habituais e outros que se estrearam com o fervor de neófitos. Um aplauso para a massiva solidariedade italiana que mobilizou milhares de pessoas; para a tenaz e difícil de Castela, Aragão, Madrid ou Catalunya; para a antiga e necessária de Lisboa. Todas úteis e muitas delas acossadas.

No Hotel Bauen de Buenos Aires - território libertado – juntou-se a nata da Argentina popular e lutadora. Pesos pesados daquelas lutas avivaram um colóquio substancial. Declararam Garzón «arquitecto do terrorismo de Estado» e Espanha «protótipo de um Estado opressor». O Uruguai voltou a estar à altura; apesar do sossego estival, pôs em marcha um Manifesto que concita adesões. Em Caracas irrompeu com força o Colectivo Internacionalista Pakito Arriarán. Apoiado pela Coordenadora e pelo Movimento Continental Bolivarianos, transmitiu a sua solidariedade até ao coração da Venezuela. A «esquina quente» de tantas lutas populares conheceu a solidariedade com Euskal Herria e recebeu quem partilhava um delicioso marmitako. Estou seguro de que o Libertador disfrutou ao constatar que o seu povo, obrigado a lutar em tantas frentes, atende também à internacionalista. «Nunca seremos livres - lembram-nos - enquanto existir um só povo oprimido». Faremos da nossa gratidão resposta solidária.

Jesus VALENCIA
educador social
Fonte: Gara

A Audiência Nacional tenta silenciar Otegi: 2 anos de prisão e 16 de inabilitação por participar num acto em defesa de «Gatza»


A Audiência Nacional espanhola condenou Arnaldo Otegi a dois anos de prisão e 16 de inabilitação absoluta, acusando-o de «enaltecimento do terrorismo» por participar, em Julho de 2005, num acto político por Joxe Mari Sagardui «Gatza», em Zornotza, que se encontrava havia 25 anos na prisão. Itziar Galardi e Josune Irakulis, que também se sentaram no banco dos réus, bem como Jon Enparantza e Estanis Etxaburu foram absolvidos pelo tribunal de excepção espanhol.

Vídeos das intervenções de Otegi no julgamento

O tribunal de excepção absolve da prática dos delitos de «reunião ilícita» e «associação ilícita» de que era acusado pelo Foro de Ermua e pela Dignidad y Justicia, que também pediam dois anos de prisão por «enaltecimento». A Procuradoria, por seu lado, tinha solicitado 18 meses de prisão e 14 de inabilitação.

As juízas Ángela Murillo e Teresa Palacios e o juiz Juan Francisco Martel sustentam no auto que na intervenção de Otegi em Zornotza «se detectan expresiones que constituyen sin lugar a dudas delitos de enaltecimiento del terrorismo». Em concreto, afirmam que foi no final do seu discurso «que perpetró el delito de enaltecimiento del terrorismo», ao pronunciar a frase seguinte: «Se lo debemos a los presos políticos vascos, refugiados y tantos camaradas que hemos dejado en la lucha y lo conseguiremos (...)».

Mandela, «um preso político», Sagardui, «terrorista»
O tribunal afirma que Otegi comparou «de manera absolutamente impropia y manifiestamente falsa» Joxe Mari Sagardui e Nelson Mandela, já que este último é, em seu entender, «un preso político» e um «auténtico héroe que permaneció en prisión por motivos ideológicos, pero jamás utilizó la violencia ni la apoyó en pos de conseguir la supresión del apartheid en Sudáfrica», enquanto o perseguido político basco é «un condenado por los gravísimos delitos de carácter terrorista». (*)

Os juízes afirmam que o delito de «enaltecimento» é «corroborado» pelas declarações que o político de Elgoibar fez na audiência oral, na qual «admitió plenamente su participación en el tan repetido homenaje a Sagardui» e «no desmintió en momento alguno las frases que nos conducen a su condena».

No julgamento que se iniciou no dia 27 de Janeiro, o dirigente independentista aproveitou a audiência oral para fazer a apologia do processo democrático. Acusações, Procuradoria, e juízes admitiram que nem sequer sabiam o que é que Otegi tinha dito no acto de Zornotza, mas mesmo assim mantiveram os seus pedidos de prisão.

Enparantza e Etxaburu, absolvidos
No mesmo processo também foram constituídos arguidos Jon Enparantza e Estanis Etxaburu, detidos e encarcerados depois de não comparecerem na audiência oral. Finalmente, foram julgados e postos em liberdade a 17 de Fevereiro, ficando a aguardar pela sentença, que divulgada ontem, durante a tarde. A Audiência Nacional espanhola absolveu-os do delito de «enaltecimento».
Fonte: Gara

OTEGI


Ver também: «A Audiência Nacional pega-se com Arnaldo Otegi para o silenciar e faz uma figura ridícula quando diz que Mandela nunca recorreu à violência», de Iñaki Iriondo, em Gara

Editorial do Gara: «Seria grave se se tratasse só de ignorância ou se fosse pura vingança, mas não se ficam por aí»

(*) Mandela: fundou, em 1961, o Umkhonto we Sizwe (A Lança da Nação), «braço armado» do ANC.

Na sequência da última operação policial: Propagandas baratas e saídas «low cost»


A habitual avalanche propagandística que envolve todas estas operações (não importa que se sucedam há 40 anos sem parar) ameaça enterrar qualquer leitura objectiva. Para encontrar coisas com senso comum é preciso sair muitas vezes da roda dos meios oficiais - sejam eles espanhóis ou bascos - e mergulhar em circuitos alternativos, ou mesmo nos foros dos ditos meios de discurso único. Aí se encontrarão questões e afirmações mais realistas, como a de quem pergunta como é que se pode apregoar a ladainha de que a ETA não tem qualquer futuro e, ao mesmo tempo, informar que foram detidos 39 (!) militantes em apenas dois meses. Ou a de quem constata que muitos deles são licenciados universitários, muito longe do perfil que se gostaria de vender. Ou a dos que suspeitam dessa versão repetida de que as FSE detêm sempre os comandos à beira de cometer atentados. E, em resumo, a de quem detecta que, sempre que a esquerda abertzale agita o tabuleiro político, o Estado tenta centrar a partida no cenário militar.

Poder-se-iam colocar muitos outros milhares de perguntas, mas todas as dúvidas desembocam numa evidência categórica: o «trajecto» traçado por Rubalcaba passa por recriar a imagem de um Estado muito forte frente a um independentismo muito debilitado. Até parece lógico que seja esse o papel a desempenhar por um ministro do Interior. Mas não cola. Em Euskal Herria todo o mundo sabe que a iniciativa política da esquerda abertzale não é fruto de pressões externas, mas resulta de uma decisão própria e unilateral de avançar em direcção ao futuro. E no que diz respeito à ETA, talvez Rubalcaba não tenha lido a conclusão que o seu companheiro de partido Jesús Eguiguren retirou do último processo de negociação: «ETA lo abandonó porque creyó que era rendirse a bajo coste».

Ramón SOLA
Fonte: Gara

Ariznabarreta, da Independentistak, entrevistado pela Infozazpi Irratia



http://www.info7.com/2010/03/02/Txutxi-Ariznabarreta-Independentistak/

Em entrevista à Infozazpi Irratia, o sindicalista do LAB Txutxi Ariznabarreta deu a conhecer os objectivos e as bases ideológicas desta nova iniciativa, que foi apresentada no sábado passado em Donostia. Salientou que a Independentistak é «um movimento estratégico que está acima dos partidos políticos e da contenda eleitoral», constituindo uma rede formada por cidadãos independentistas que a ela aderem de forma absolutamente individual. Sublinhou ainda que a convocatória do Aberri Eguna deste ano seguirá por esse caminho. A 4 de Abril vai haver «uma convocatória conjunta de milhares e milhares de cidadãos e independentistas».
Fonte: kaosenlared.net

Gasteiz: Martxoak 3 de Março (1976-2010)


Tasio (Gara)
Ver: «3 de Março, sinónimo de impunidade», de Andoni Txasko Díaz, em Gara
"Cumpre-se mais um aniversário do massacre de 3 de Março, e as vítimas daquela actuação da Polícia Armada em Gasteiz continuam sem receber o reconhecimento que merecem. Continua-se assim a não atender à sua legítima exigência de Verdade, Justiça e Reparação. Pedido que, mais uma vez, Andoni Txasko traz a estas páginas em nome de todas elas, juntamente com uma reflexão mais geral sobre a memória e a justiça."

A Audiência Nacional espanhola processa vários exilados bascos e lança acusações contra a Venezuela


De acordo com os herdeiros do TOP, a Venezuela colaborou com a ETA. O Governo venezuelano e Chávez já lhes deram troco.

Num auto que parece destinado a criminalizar o Governo popular e bolivariano da Venezuela, Eloy Velasco um dos juízes espanhóis da Audiência Nacional, que deu sequência ao TOP (tribunal de excepção franquista), processa os cidadãos bascos Iñaki Etxarte Urbieta, Arturo Cubillas Fontán, Iñaki Domínguez Atxalandabaso, Joxe Mari Zaldua Korta, José Ángel Urtiaga Martínez e José Miguel Arrugaeta San Emeterio, e os sul-americanos Emiro del Carmen Ropero, Rodrigo Granda Escobar, Remedios García Albert, Luciano Martín Arango, Omar Arturo Zabala Padilla, Víctor Ramón Vargas Salazar e Edgar Gustavo Navarro Morales.

Com um toque imperialista, como se mandasse no mundo, emite mandado de prisão preventiva e de busca e captura para todos eles, excepto Remedios García, e anuncia a emissão de mandados internacionais de detenção para que se iniciem os processos de extradição.

Este auto poderia provocar um sério incidente diplomático entre o Estado espanhol e a Venezuela, e o presidente do Governo espanhol, Zapatero, já veio pedir explicações à Venezuela relativas a este tema. Quanto às denúncias de tortura que acossam o seu governo e que se agravaram na última semana, após a onda de detenções, claro que não deu qualquer explicação.

Já em Dezembro de 2007 o Governo espanhol tinha apontado as baterias para os deportados e exilados bascos, no âmbito da sua estratégia contra o independentismo, tendo o procurador da Audiência Nacional, Javier Zaragoza, emitido uma ordem no sentido de agilizar os trâmites dos pedidos de extradição de pelo menos 100 cidadãos bascos.

Chávez respondeu
Entretanto, após a nota oficial que o Governo da Venezuela emitiu ontem sobre a acusação da Audiência Nacional espanhola, hoje foi Hugo Chávez a fazer referência ao caso. «Isso são ainda restos, tristes restos, das antigas correntes que alguns nos quiseram colocar novamente ao pescoço, mas nós somos livres», afirmou na presença de um grupo de jornalistas no porto de Montevideu. «Tristes lembranças e resquícios de um passado colonial», acrescentou o mandatário venezuelano.
Chávez sublinhou que «o tempo da colónia já acabou» e afirmou que a Audiência Nacional espanhola seria capaz de considerar «terrorista» o libertador Simón Bolívar, segundo informa a cadeia estatal Venezolana de Televisión.
O presidente da Venezuela negou que o seu Governo apoie a ETA ou as FARC. «Nós apoiamos os povos», concluiu.
Fonte: lahaine.org e Gara

Ver também o artigo de Carlos Tena «Juez Velasco: Más cerca de Mortadelo que de Poirot»
"Ha bastado la presunción del propio juez, más algún dato obtenido en el ordenador, (previamente manipulado por el genocida ejército de Colombia)".
http://www.kaosenlared.net/noticia/juez-velasco-mas-cerca-mortadelo-poirot

terça-feira, 2 de março de 2010

Escrever a partir do esquecimento


Uma das coisas com que mais à vontade me sinto na minha vida é a amizade que durante muitos anos mantive com Mario Benedetti. Começou em 1981 após uma entrevista numa rádio estatal por ocasião da publicação do seu livro Viento del exilio. Gostei da sua maneira de dizer os versos e da orgulhosa nostalgia com que falou do seu país, e também da firmeza e do compromisso com que reivindicou as ideias que o tinham levado ao exílio.

Graças ao meu trabalho, àquela conversa seguiram-se muitas outras. Algumas formais e outras mais informais, na sua casa de Madrid, com a sua mulher Luz, no andar da Rua Ramos Carrión ou em Montevideu, em 1987, quando terminou a ditadura militar, na primeira redacção do diário Brecha. Com ele, não precisava de ser alguém transcendente, nem de ser uma erudita em literatura, no cinema da nouvelle vague ou uma nostálgica discípula de Sartre. Só era preciso sentarmo-nos, sermos nós mesmos, sentir a presença dos seus livros, ouvir, conversar e então as ideias sobre a vida fluíam em cada golo de café com a intensidade de um texto recém-escrito. Benedetti costumava contar que, antes de os militares terem usurpado o Governo do Uruguai, uma das grandes atracções de Montevideu eram as livrarias. Nunca fechavam. Os livros eram o reclamo da noite, do último bar aberto, o encontro impontual dos solitários numa cidade adormecida, imersa nessa patina decadente que a cultura deixa quando a opulência se foi. Em Novembro de 1987, as livrarias da Avenida 18 de Julio tinham mudado. Fechavam à meia noite e, embora guardassem o tempo dos livros velhos, surgiam mais novas, tinham recuperado a curiosidade pelo futuro e os textos dos escritores, encarcerados ou perseguidos pelos militares, regressaram ao seu lugar para contar a dor da tortura e da desesperança do exílio. Benedetti foi um desses autores. Uma manhã, passeando pela Avenida em direcção ao Boulevard Artigas, recordou a solidariedade e o entusiasmo com que os montevideanos receberam os exilados republicanos no final da Guerra Civil. «Las aceras estaban llenas de gente, saludando con el puño en alto». E então prosseguiu falando do outro exílio, do seu, do desarraigamento, desse adeus clandestino que não tem destino e parece sempre eterno. E tudo por querer um Uruguai mais justo, por apoiar o movimento Tupamaro, por lutar contra o militarismo norte-americano, por defender Cuba, por escrever num semanário de esquerda, no Marcha, encerrado pela ditadura em 1974.

Conto tudo isto, acima de tudo, porque quero expressar o meu respeito e afecto por Benedetti, como poeta, como intelectual e como pessoa. Penso que as suas ideias, a sua coerência e o seu compromisso corajoso com o seu país e com o tempo que lhe calhou viver deveriam ser hoje todo um exemplo para muitos dos intelectuais que pretendem compor o mundo. É verdade que em 1994 foi uma das vozes uruguaias que se ergueram contra a extradição de três cidadãos bascos e contra a repressão que o seu Governo desencadeou nas ruas de Montevideu. Todavia, devo reconhecer que sempre me doeu um pouco o seu distanciamento sobre o que se passava em Euskal Herria. Ainda hoje me custa entender o seu silêncio.

Às vezes uma frase leva a uma reflexão e esta a uma dúvida, a um pensamento que não chegamos a entender. Foi o que me trouxe de volta a lembrança de Benedetti e o que me ocorreu ao ler a carta que o poeta Juan Gelman escreveu a favor do juiz Garzón e contra o seu processamento relacionado com os desaparecidos da Guerra Civil. «...En la Argentina - escrevia - habemos jueces que violan el derecho de gentes, el derecho humanitario internacional, los derechos de los agredidos, la moral y la ética más corrientes, movidos tal vez por viejas complicidades. El juez Garzón no pertenece a esta tribu».

Em Euskal Herria é duro ler estas palavras num artigo escrito por um homem, excelente escritor seguramente, que fez do ofício de escrever um compromisso inquebrantável. Activista político desde muito jovem, militante e porta-voz na Europa de uma organização armada argentina, com dois filhos assassinados pelos militares, pode-se afirmar que Gelman é um homem que sabe tudo sobre a dor da repressão, um homem que ainda se rebela contra a injustiça e o esquecimento da barbárie militar, um poeta que um dia escreveu «se hinchan los ojos con las cobardías de este tiempo / sentadas en sillas de su olvido...» e que, no entanto, hoje... crê na ética de Garzón e o defende.

Sem dúvida, existe no ideário de cada qual um leque de causas para que Benedetti, Gelman e outros intelectuais, incluindo Eduardo Galeano, cometam uma omissão na sua crítica ao sistema, na sua solidariedade e esqueçam que nesta parte da Europa existe um povo sem direitos que luta pela sua independência e contra os desastres desse mesmo capitalismo que durante décadas pretendeu subjugar os seus países. Reconhecendo a sua integridade e o seu compromisso e sendo merecedora do nosso respeito a sua coerência, é preciso chamar-lhes a atenção para o seu esquecimento e dizer-lhes que a democracia daquilo a que eles chamam com certo eufemismo a «mãe pátria», a que publica os seus livros, os seus artigos, louva a sua honradez militante e um dia acolheu as suas reivindicações e o seu exílio, possui um lado negro em que se construiu uma alcova de infâmias políticas onde o pensamento livre se considera perigoso, as ideias um património caduco e a sujeição de Euskal Herria uma razão de Estado. Como nos seus países, na democracia do Estado espanhol a Polícia tortura e os juízes fecham os olhos. Os políticos fazem os seus cambalachos para promulgar leis fascistas e anticonstitucionais e os juízes emudecem. Violam-se os direitos fundamentais dos pactos internacionais detendo dirigentes políticos, jovens pelo mero facto de militar numa organização juvenil, isolando e prolongando as condenações dos presos até à pena perpétua e os juízes, com Garzón à cabeça, voltam a calar. Denuncia-se o sequestro e o desaparecimento de militantes independentistas como Jon Anza e a magistratura espanhola bate com a porta à verdade, acomoda-se nos seus gabinetes e, enquanto os tribunais assinam penas de 18 anos de prisão por se fundar ou dirigir um periódico, em Euskal Herria os que dizem proteger a democracia amanham as eleições e formam um governo ilegítimo ao gosto do nacionalismo espanhol.

Dizem que as coisas são da cor da lente com que se observa a vida. Não sei exactamente com que tonalidade Juan Gelman olha para Euskal Herria e para o juiz Garzón, com que matizes a contemplava Benedetti quando me escreveu «vos sos mi amiga, pero no me preguntes sobre la política del País Vasco». O da distância, o da desinformação, o do desconhecimento imposto da verdade, da conveniência editorial...? Não sei, e talvez também não o queira saber. Seja qual for a cor, certamente não é a verdadeira.

Contudo, como tenho vindo a insistir há algum tempo noutros artigos e a partir da minha modesta opinião como membro da esquerda abertzale, mantenho que este tempo não é para tristezas colectivas nem para desilusões ou dores individuais, é tempo de assumir e entender o passado e de nos enamorarmos pelo futuro. Como se afirma no documento «Zutik Euskal Herria», «é hora do compromisso, é hora de dar passos». E também a nível internacional. Dar passos firmes e acertados para que homens e mulheres, colectivos e intelectuais como Juan Gelman acabem com o seu esquecimento, voluntário ou involuntário, e possam analisar a situação de Euskal Herria desde a perspectiva real e compreender, em profundidade, as reivindicações e as propostas políticas da esquerda abertzale para a resolução do conflito. Passos coerentes e corajosos que desmontem as velhas e novas patranhas informativas de Madrid e ponham a descoberto a baixa qualidade democrática do poder judicial, da índole política do Governo e, também, do poder legislativo espanhol. Passos que, como povo, nos abram as portas principais da comunidade internacional. Dignidade, razões e direitos não nos faltam. Na quinta-feira, numa conferência realizada em Orereta, o advogado sul-africano Brian Currin aprofundou este terreno e mostrou-se optimista, o que demonstra que o processo democrático, proposto de forma unilateral pela esquerda abertzale em «Zutik Euskal Herria», caminha por um futuro possível em que já ninguém poderá escrever cartas a partir do esquecimento. Então, tal como agora, «Escribo en el olvido» continuará a ser um dos poemas de amor mais belos de Juan Gelman.

Amparo LASHERAS
jornalista
Fonte: Gara

Uma vista de olhos ao ano de 2009

2009ko urteari begirada bat from Apurtu Telebista on Vimeo.

Via Urtekaria / Anuário Repressivo de 2009, editado pelo Movimento pró-Amnistia de Nafarroa.
Fonte: apurtu.org

O EHBai apela ao voto de protesto contra o «desprezo» de Paris para com Euskal Herria


Embora a campanha para as eleições regionais (que vão ter lugar a 14 e 21 de Março) só começasse ontem, a quinta Inharria, no bairro de Ibarrun (Senpere, Lapurdi), acolheu no sábado à tarde o acto central da EHBai. Os representantes da plataforma apelaram a um voto de protesto, de forma a manifestar o repúdio contra a «política de negação de Paris relativamente a Euskal Herria».

A plataforma abertzale reuniu cerca de 300 pessoas numa sala em que diversas faixas expressavam algumas das mensagens centrais na campanha da EHBai. Assim, havia bandeirolas que evocavam a reivindicação nacional e a rejeição do novo comboio de alta velocidade, cujo traçado atravessará Lapurdi, enquanto um grande retrato de Jon Anza, cujo desaparecimento ocorreu há quase um ano (18 de Abril), se exibia ao fundo do palco.

O bertsolari Odei Barroso foi o condutor de um acto em que os porta-vozes da EHBai, Xabi Larralde e Peio Etxeberri-Aintzart, defenderam «um voto de protesto face à hipocrisia de quem nos pretende fazer crer que aqui não se passam coisas tão graves como o desaparecimento de um militante político».

Larralde criticou o facto de «se tratar Euskal Herria como uma colónia do antigo império francês», recordando ainda que o Estado francês não reconhece as minorias nacionais e que, por isso, foi admoestado pelas Nações Unidas.

«Não vamos permitir que estas eleições reflictam uma falsa normalidade democrática, e por isso vamos distanciar-nos da senda dos outros partidos e vamos pedir um voto de protesto para dizer a Paris que este país não tolera mais imposições», afirmou o mahaikide do Batasuna.

O membro da direcção do Abertzaleen Batasuna, Peio Etxeberri-Aintzart, incidiu, por seu lado, na diferença entre «quem pede um voto coerente, a favor do respeito por este país, e quem se presta à hipocrisia para defender os seus próprios interesses». Depois, evidenciou as incoerências relativas ao projecto de alta velocidade manifestadas pela UMP e o Partido Socialista, mas também a Europe Ecologie, «que está contra o novo TGV mas até à primeira volta, porque na segunda, em troca de um lugar no Conselho Regional, buscará o acordo com o PS».

«Um voto coerente»
Etxeberri-Aintzart pediu depois que se converta a campanha num processo ao prefeito dos Pirinéus Atlânticos, Philippe Rey, pela a atitude reiterada de «se impor aos eleitos e aos cidadãos» em questões como a câmara basca de agricultura, a consulta da Batera ou o TGV.
O denúncia dessa grande infra-estrutura centrou igualmente a intervenção de Josef Lahedjuzan, enquanto os representantes do LAB, Dominika Agerre e Jeronimo Prieto, encerraram o acto com uma dura crítica a um Governo que, «enquanto dá dinheiro aos bancos, desmantela os serviços públicos».

Maite UBIRIA
Fonte: Gara via kaosenlared

A Hamaika Bil Gaitezen incita as bases do Batasuna, EA e Aralar a unir forças no sábado


Dezenas de membros da iniciativa Hamaika Bil Gaitezen fizeram um apelo à participação na manifestação que partirá às 17h30 dos cinemas Golem, no sábado, «para encher as ruas de Iruñea com gritos a favor da independência».

Trata-se de uma mobilização que pretende reivindicar sobretudo a união de forças entre os independentistas, potenciando «aquilo que nos une». Por este motivo, propuseram unir-se às bases de partidos como o Batasuna, o EA e o Aralar e às de sindicatos como ELA, LAB, ESK ou STEE-EILAS.
Os promotores da Hamaika Bil Gaitezen realçam que se trata de uma iniciativa dos cidadãos e saúdam os movimentações recentes ocorridas no panorama basco, como a apresentação da rede Independentistak, realizada no sábado em Donostia. Encaram essa manifestação como «um primeiro passo para promover o trabalho conjunto na reivindicação dos direitos de Euskal Herria».

Na conferência desta tarde em Iruñea estiveram presentes abertzales conhecidos de Nafarroa como Joxe Manuel Aleman, Juanja Iturralde, Jesús Casajús, Kalen Astiz, Fermin Balentzia, Juanje Soria ou Santos Indakoetxea, entre outros.
Fonte: Gara

Belfast aprova a extradição de Iñaki de Juana


O juiz Thomas Burgess aceitou o pedido de entrega de Iñaki de Juana ao Estado espanhol, tramitado pela Audiência Nacional espanhola, para que seja julgado pelo delito de «enaltecimento do terrorismo» que de é acusado pelo tribunal de excepção.
O juiz de instrução concorda, assim, com a interpretação avançada pela Audiência Nacional espanhola segundo a qual a expressão «Aurrera bolie», que aparecia numa carta alegadamente da autoria do ex-preso basco e que foi lida num acto que teve lugar em Donostia depois de sair da prisão, no qual não participou, representa uma instigação à continuação da luta armada. Para Burgess, a acusação seria considerada um delito à luz da Lei Antiterrorista britânica, caso tivesse sido pronunciada na Grã-Bretanha. Desta forma, reiterou o critério manifestado há um ano, quando considerou a imputação «susceptível de extradição».
A partir de agora, inicia-se um processo de recursos que começará no Tribunal de Apelação do High Court de Belfast. Se este confirmar a decisão, De Juana poderá recorrer para o Supremo Tribunal britânico, em Londres.
A defesa já fez saber que vai recorrer da decisão, para o que dispõe de um prazo de sete dias. O magistrado estabeleceu um prazo máximo de dez dias para que a entrega do donostiarra seja efectiva.
Fonte: Gara

Novo blog de Fermin Muguruza: Next music station / Hurrengo musika geltokia

Nele dará conta das suas viagens pela Ásia ao longo deste ano e da rodagem de treze documentários para a Al Jazeera

Fermin Muguruza estreia novo blog. Trata-se de nextmusicstation.com, um espaço no qual o músico basco irá dando conta do desenvolvimento do novo projecto em que embarcará ao longo deste ano, após a sua contratação pela cadeia Al Jazeera Documentary Channel. Muguruza vai realizar um conjunto de treze documentários sobre a música nos países árabes, em que se incluem o Líbano, Marrocos, Argélia, Egipto, Kuwait, Emiratos Árabes Unidos, Oman, Iémen, Síria, Tunísia e Sudão.
Ver: http://www.muguruzafm.com/bitakora/index.php/es
Fonte: kaosenlared.net

Fermin Muguruza - «Itzuliko naiz»

Fermin Muguruza com Dam, Minsa (Desechos), Guive, Al Rumjen (Asian Dub Foundation) - «Hei-de voltar»