segunda-feira, 12 de abril de 2010

A rede Independentistak olha para o futuro com «força e legitimidade»


«Massivo, plural e significativo». Assim definiu no sábado a rede Independentistak a celebração do Aberri Eguna em Hendaia-Irun, dando por alcançados os três objectivos estabelecidos de antemão. O seu porta-voz, Txutxi Ariznabarreta, afirmou que quem foi a esse encontro «sentiu que realmente está nas suas mãos a possibilidade de abrir um novo ciclo político». Facto que considera de vital importância, já que, sublinhou, este Aberri Eguna foi o ponto de partida de «um novo movimento para a independência» e o ponto de inflexão para a «era independentista».

A multidão que se juntou no Aberri Eguna - que disseram ter andado à volta de 20 000 pessoas -, bem como as 9000 adesões conseguidas de antemão ou os 7000 seguidores no Facebook, conferem, como afirmou o porta-voz, «uma aceitação total e a força e a legitimidade necessárias para continuar a abrir caminho». Entendem que existem condições «excelentes» para ir criando a rede e adiantaram que em Maio deverão realizar umas «jornadas, encontros ou uma assembleia» para definir «a organização, as actividades a desenvolver e os objectivos» da própria rede.

Na conferência de imprensa que decorreu em Donostia, Ariznabarreta realçou o carácter participativo da iniciativa, tendo afirmado que, «ao tratar-se de um novo movimento, terá de ser inventado entre todos».

De todas as cores
Comprometeu-se, neste sentido, a tentar contactar com todas as pessoas que apoiaram a rede, que convidou a estarem atentos à página de Internet, www.independentistak.net, onde darão conta das suas próximas iniciativas.
Ariznabarreta, que compareceu com outros membros da Independentistak como Maite Aristegi, Zelai Nikolas ou Alex Marañon, mostrou-se convencido de que «querer é poder», tendo afirmado que no domingo passado nem os controlos policiais, nem o aguaceiro que caiu sobre a baía de Txingudi fizeram abrandar os milhares que se juntaram para celebrar o Aberri Eguna.

Salientou que entre Hendaia e Irun se reuniram independentistas «de todas as cores», uma pluralidade que gerou «uma emotividade peculiar» e que demonstrou «que ninguém está a mais e que todos são bem-vindos à rede Independentistak». O porta-voz insistiu na mensagem lançada em Ficoba: «Nazioa gara. Estatua behar dugu» [Somos uma nação. Precisamos de um Estado], que consideram uma reivindicação clara e estratégica.

Sublinhou também o carácter festivo da jornada, recordando que ao almoço se juntaram quase 2000 pessoas, enquanto outras 5000 desfrutavam de concertos na Praça Mosku, em Irun.
Depois de afirmar que no domingo passado se superaram as melhores expectativas, a rede Independentistak agradeceu a participação de todos os que estiveram presentes e, de forma especial, aos voluntários que colaboraram na organização dos actos do Aberri Eguna.

As FSE colocaram entraves à venda de bilhetes
Apesar de avaliar de maneira «muito positiva» a jornada de domingo passado, a Independentistak recordou que os controlos instalados pela Polícia espanhola, a Guarda Civil e a Ertzaintza, «numa tentativa de sabotar e colocar entraves ao Aberri Eguna», mancharam de certa forma a celebração. Txutxi Ariznabarreta disse que houve centenas de autocarros e automóveis inspeccionados, o que provocou grandes filas e atrasos de mais de uma hora. Disse também que, como consequência desses controlos, não foi possível vender entre os manifestantes os bilhetes de cinco euros para assim financiar as despesas geradas pelo programa de actos deste Aberri Eguna. Os controlos fizeram com que os voluntários que iam vender esses bilhetes não chegassem a tempo.

Para fazer frente a este imprevisto, a rede Independentistak abriu uma conta corrente na Caja Laboral - 3035 0148 14 1480020283 - que, como realça, tem como objectivo ajudar a financiar a organização do Aberri Eguna.
Fonte: Gara

«Mendi martxa» contra o TGV em Iruñerria


Marcha de protesto contra o acordo sobre o TGV alcançado entre o Governo de Nafarroa e o Governo do Estado. Incluímos trabalho fotográfico da Ekinklik Argazkiak.

A coordenadora contra o TGV aht gelditu elkarlana Iruñerria, composta por colectivos sociais, sindicais e afectados por essa infra-estrutura gigante, realizou este sábado uma martxa por Iruñerria (comarca de Pamplona) com o objectivo de ficar a conhecer em primeira mão os lugares afectados pela construção das obras do TGV que se situam na comarca.

Recordamos ainda que a martxa se inscrevia como uma actividade de protesto contra o acordo estabelecido sobre o TGV entre o Governo de Nafarroa e o Governo do Estado. Foram cerca de 40 os participantes na marcha, durante a qual, recorrendo a mapas e a outras fontes de informação, se deram a conhecer os impactos a nível do meio ambiente (túneis, viadutos, trincheiras) e os da construção da futura estação do TGV entre Zizur e Etxabakoitz, bem como a alteração do plano urbanístico de Iruñerria.

Os participantes fizeram um trajecto com a duração de quase 4 horas, a começar em Zizur Nagusia, passando por Arazuri, onde os moradores afectados prepararam um almoço, e acabando no lago de Barañain, onde a Orkesta Marxista deu um pequeno concerto, para deleite dos presentes.

Acosso de seis jipes dos GAR da Guarda Civil
A caminho de Arazuri, quanto os participantes seguiam por um caminho de acesso, depararam com um dispositivo da Guarda Civil composto por seis jipes e 15 agentes dos GAR com metralhadoras e coletes à prova de bala. Os participantes na marcha foram obrigados a identificar-se e as suas mochilas foram revistadas. Apesar de se tratar de uma marcha pela natureza, os maus modos e as intimidações dos agentes foram uma constante.

Fonte: lahaine.org
Reportagem completa da Ekinklik Argazkiak

sábado, 10 de abril de 2010

Sugestões de leitura, de Solís a Soroa


«Zutik Euskal Herria», de Antonio ALVAREZ-SOLÍS
"Alvarez-Solís coloca-se num cenário hipotético em que «uma massa sólida de cidadãos» bascos decide apresentar-se às próximas eleições em defesa do lema «Zutik Euskal Herria». E pergunta o jornalista: «O que fará Madrid?». Na sua opinião, uma aposta decidida nesse sentido passará por cima da Audiência Nacional, da Guarda Civil e ainda da «ameaça constitucional»."

«Para que serve uma condenação?», de Maite SOROA
"No fim, ficaram todos confusos. Deram tantas voltas ao assunto que acabaram por ficar zonzos e agora já não sabem se há que condenar ou condenar o que condena."

«Invasão» de solidariedade no julgamento de dois militantes bascos no tribunal de Paris


Mais uma vez, os corredores do Palácio da Justiça de Paris assistiram à solidariedade popular para com os militantes bascos ali julgados. A magistrada pediu sete anos de prisão para Gisasola e Larrañaga.

Os gendarmes e polícias que habitualmente levam os presos políticos bascos para o Palácio da Justiça de Paris começam a ficar habituados ao bulício e à agitação que acompanha estes julgamentos. Na quinta-feira passada, uma nova «invasão de solidariedade» despertava a curiosidade das numerosas pessoas que nesse momento passavam pelo primeiro piso, onde fica a sala do Tribunal Correccional especial que julgava o zarauztarra Mikel Larrañaga e o gernikarra Arnaltz Gisasola.

Cerca de cinquenta familiares e amigos que tinham viajado durante a noite até à capital do Estado francês esperavam, pontuais, à porta da sala. Os polícias deixavam-nos entrar por turnos «caso o fizessem ordenadamente e em silêncio» - algo bastante difícil, já que nesta não cabiam todos ao mesmo tempo.

De facto, a «desordem» ocorreu quando se vislumbraram os dois militantes entre os gendarmes que os conduziram até à sala de audiências por uma porta lateral. Assim que entraram, começou a troca de saudações silenciosas, olhares cúmplices, piscadelas, sorrisos e, inclusive, uma ou outra lágrima, em particular daqueles que não os tinham podido ver nos últimos anos.

A entrada do tribunal, composto exclusivamente por mulheres e que, com manifesta falta de vontade, teve de ser recebido em pé, interrompeu a troca de saudações, mas só por algum tempo.

Recusa em responder
Depois dos procedimentos de identificação, a presidente deu início a uma longuíssima exposição da qualificação dos delitos pelos quais ambos se encontram processados, dos factos que lhes são imputados e dos numerosos relatórios policiais que engordam o dossier. As acusações apoiam-se nos ditos relatórios, já que os dois militantes, desde o momento da sua detenção, em Dezembro de 2005, e durante toda a fase instrutória, se recusaram a responder às perguntas do juiz. Gisasola e Larrañaga mantiveram a mesma tónica de recusa em responder à presidente e à magistrada. O primeiro fez saber à presidente que «falaria depois», o que fez quando leu em francês - «para que entendam» - um documento.

A declaração recordava, entre outros pontos, «o carácter político do conflito que Euskal Herria enfrenta com os estados francês e espanhol», reclamava «o direito da nação basca a ser soberana e a ter um estado», e pedia a Madrid e, em particular, ao Estado francês, que os estava julgar, que «o reconhecessem, que abandonassem as vias repressivas e que abordassem o diálogo».

A essa intervenção seguiu-se, de punho erguido, o «Eusko Gudariak», o que provocou a retirada voluntária do tribunal e a compulsiva dos dois militantes que, no entanto, regressaram ao fim de alguns minutos. A magistrada pôde assim pedir sete anos de prisão e a proibição definitiva de residência em território francês para cada um deles, e a defesa expôs os seus argumentos «sobre um caso, relativamente simples, que incompreensivelmente levaram mais de quatro anos a examinar».

A presidente prometeu decretar sentença a 20 de Maio; os amigos e familiares, entre emotivas «lembranças a...» e mensagens de despedida, que não deixarão de lhes fazer chegar o seu carinho.

A.M.
Fonte: Gara

Presos políticos bascos


A Etxerat exige que as visitas se façam de forma digna
Numa conferência de imprensa que decorreu em Donostia, os representantes da Etxerat Josune Dorronsoro e Periko Estonba afirmaram que ainda se continuam a perder visitas de encontros íntimos nas prisões espanholas, como aconteceu no fim-de-semana passado, e que alguns directores de prisões «se recusaram a aplicar a ordem que deixa sem efeito a generalização das inspecções físicas humilhantes».
Por isso, exigiram que as visitas possam ser efectuadas em condições dignas e que «isto seja uma realidade em todas as prisões quanto antes».
Ao mesmo tempo, exigiram que se ponha fim às sanções impostas a «bastantes» familiares, algo que qualificaram como «um verdadeiro escândalo» e como «mais uma amostra do nível moral dos responsáveis pela política penitenciária vigente».
Aludiram ainda ao facto de, em dez dias, familiares e amigos de prisioneiros bascos terem sofrido dois acidentes, recordando que a «criminosa política de dispersão», «a roleta russa a que milhares de bascos e bascas se vêem submetidos cada fim-de-semana», já tirou a vida a 16 familiares, amigos e amigas de presos políticos bascos.
Fonte: Gara

Alex Belasko encontra-se em greve de fome desde segunda-feira
O iruindarra encontra-se na solitária da prisão de Valhadolide e, apesar de nesta prisão espanhola haver outro preso político basco, não tem qualquer tipo de contacto com ele. Para além disso, tal como o próprio denunciou numa nota que fez chegar ao Movimento pró-Amnistia, «os carcereiros do terceiro módulo obrigam-no a passar as horas do pátio num lugar pequeno e sujo». Com o propósito de solucionar este problema, Belasko tentou negociar com o director do centro antes de iniciar a greve de fome. Contudo, a resposta foi a seguinte: «Os pátios grandes e pequenos serão alternados. Quanto à questão da sujidade no pátio pequeno, pode colaborar na sua limpeza».
Fonte: Gara

Em Lekeitio, Peru Aranburu foi recebido por centenas de pessoas
Saiu ontem da prisão de Ocaña I (Toledo, Espanha), pelas 11h30, depois de cumprir seis anos de cadeia. Por volta das 20h, centenas de pessoas encheram a praça de Lekeitio (Bizkaia), em frente à Câmara Municipal, para acolher calorosamente o conterrâneo, o ex-preso político Peru Aranburu Berriozabalgoitia. Ver: 11 barri
Fonte: askatu.org

Nota: na notícia relativa às violentas agressões contra o preso Sergio Polo, que ontem divulgámos em versão resumida, houve dois erros de tradução - um por falta de atenção nossa, outro por uma questão de dicionário; foram posteriormente sanados. Pedimos desculpa pelo inconveniente. Barkatu eragozpenagatik.

Manex Erdozaintzi-Etxart: um grande poeta, autor de uma obra inestimável


Agurtzane Ortiz Lopetegi está a doutorar-se em Estudos Bascos. Originária de Irun (Gipuzkoa), defendeu uma tese em euskara sobre o poeta Manex Erdozaintzi-Etxart [Ibarla, Nafarroa Beherea, 1934 - Toulouse, França, 1984]. Com o propósito de dar a conhecer a sua obra a um público cada vez mais vasto, acaba de publicar na Elkar o livro intitulado Manex Erdozaintzi-Etxart, Herriaren poeta.

Questionada sobre a escolha do seu tema de tese, Agurtzane Ortiz Lopetegi responde humildemente: «Gostaria de dizer que tinha uma afeição particular por este poeta, mas na verdade eu não o conhecia antes de iniciar as minhas pesquisas». Um grupo de pessoas com vontade de estudar a obra de Manex Erdozaintzi-Etxart propõe à jovem doutoranda que embarque nessa aventura. Uma escolha de que não se arrepende. «Esta aventura revelou-se uma janela para mim», afirma.

Uma vida, uma obra
E, a julgar pelo seu ar apaixonado quando começa a contar a vida do poeta, podemos facilmente conceber que nasceu uma verdadeira história entre os dois intelectuais por intermédio de obras alheias. 25 anos depois da morte de Manex Erdozaintzi-Etxart, a jovem conseguiu criar uma ponte entre aqueles que conhecem e admiram a sua obra e aqueles para quem esta não passa de uma reminiscência.

A doutoranda logrou ainda categorizar a obra do poeta, porventura com a secreta esperança de a tornar mais acessível. Se a obra se divide em três partes principais (os poemas naturalistas, os textos humanistas e as poesias sócio-militantes), Agurtzane Ortiz Lopetegi tentou conferir ao seu texto «um toque mais romântico», de forma a torná-lo mais atractivo do que uma pesquisa científica. Aposta ganha: quem já conhece o escritor vai-se regalar, enquanto os outros vão aprender a apreciá-lo.

Para concluir, com os textos de militância social, «Manex Erdozaintzi-Etxart queria que os Bascos ganhassem consciência da situação em que o País Basco já se encontrava na época. Ele queria que as pessoas se mobilizassem».

Manex Erdozaintzi-Etxart, Herriaren poeta, de Agurtzane Ortiz Lopetegi, na Elkar, por 18 euros.

C.L.
Fonte: le_journal_Pays_Basque-EHko_kazeta

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A esquerda «abertzale» diz ao PSOE que não conseguirá parar o processo democrático


A esquerda abertzale garantiu ontem que reafirma a sua aposta num processo democrático, apesar dos pedidos de prisão contra 40 destacados independentistas. Concluem mais uma vez que o PSOE «não quer dialogar, porque nesse terreno é mais fraco».

Depois dos 372 anos de prisão pedidos pela Procuradoria da Audiência Nacional espanhola para 40 independentistas, acusados de «integração» ou «colaboração» com a ETA por se considerar que o Batasuna se «subordinava» à organização armada, a esquerda abertzale qualifica esta acção judicial como «mais uma intensificação na dinâmica repressiva do Governo espanhol do PSOE». Em todo o caso, não deixou de manifestar numa nota que «os esforços repressivos» do PSOE são «inúteis», uma vez que o processo democrático é «imparável».

«Tal como milhares e milhares de pessoas demonstraram no Aberri Eguna», afirma o texto que enviaram.

Para os independentistas é claro que a dinâmica mencionada «aumentou» em consequência do caminho iniciado pela esquerda abertzale, e pensam que o Governo pretende «abortar o processo democrático». Por isso salientam que a sua aposta política consiste em «levar o confronto com o Estado para terrenos onde este é mais fraco: o do confronto político e democrático». Dessa aforma, a esquerda abertzale reafirma a aposta política incluída na resolução «Zutik Euskal Herria», que defende o avanço em direcção a um enquadramento marco democrático, no qual todos os projectos políticos possam ser defendidos e materializáveis.

O coordenador geral da EB [Ezker Batua], Mikel Arana, destacou por seu lado que Arnaldo Otegi, Rufi Etxeberria e Joseba Permach são «gente que a única que fizeram neste país foi política» w que «não dispararam um tiro», daí concluindo que «dificilmente me passa pela cabeça que possam ser dirigentes da ETA».

Para além disso, o porta-voz da Alternatiba, Oskar Matute, opinou que existe «um interesse mesquinho em misturar assassinatos com uma ideologia». Iñaki Anasagasti (PNV) também salientou que «devem estar cá fora».
Fonte: Gara

Nota da esquerda abertzale na íntegra
http://www.ezkerabertzalea.info/irakurri.php?id=3768

Ver também:
Jone Goirizelaia na Infozazpi Irratia

A advogada dos dirigentes abertzales comenta o pedido de prisão feito pela Procuradoria da AN e afirma que se aproxima um julgamento em que «não se estão a julgar acções criminais, mas actuações políticas».

A gerente de um hotel de Toulouse nega que tenha albergado Anza


Le Nouvel Observateur saiu esta semana para as bancas com uma reportagem sobre «O enigma Jon Anza». De acordo com o semanário parisiense, Anza alojou-se no hotel Le Clocher de Rodez, depois de ter viajado de comboio desde Baiona, a 18 de Abril de 2009. A proprietária do estabelecimento desmentiu ontem mesmo essa informação. Não obstante, a reportagem lança algumas pistas sobre a versão que a Polícia francesa favorece.

A informação publicada por Le Nouvel Observateur assenta sobre dois pilares. O primeiro procura explicar o que aconteceu a Jon Anza depois de dar entrada no Hospital Purpan e, uma vez falecido, na morgue, tendo por base a tese já batida dos erros de coordenação.

Embora as equipas que assistiram Anza depois de o encontrarem desvanecido às portas do restaurante Hippopotamus não terem feito constar tal descrição nos seus relatórios, o jornalista Serge Raffy sustenta que «tomaram Anza por um vagabundo», o que justificará o facto de não lhe ter sido prestada demasiada atenção, ao ponto de «o deixarem esquecido» dez meses numa morgue.

Esse pilar abana se se tiver em conta a informação publicada anteriormente pelo Gara (30/03/2010), segundo a qual o hospital manteve uma comunicação fluida com a Polícia e o Tribunal da capital occitana, inicialmente para solicitar a identificação de Anza, e, após o seu falecimento, para determinar o que fazer com o corpo. De facto, remetendo-se aos «aspectos estranhos» do caso e a «uma investigação em curso», essas entidades recomendaram ao hospital universitário que não procedessem ao enterro do cadáver do militante basco.

No que concerne ao segundo pilar em que o semanário parisiense baseia a sua informação, este coincide com alguns «comentários» feitos chegar por «fontes próximas da investigação» a diversos meios de comunicação franceses. Comentários que tratam de reforçar a imagem de um «Anza com falhas de memória e desorientado» e que se teria alojado «uma ou duas noites» nalgum hotel antes de vaguear sem norte até praticamente morrer numa rua do centro de Toulouse.

Le Nouvel Observateur afirma que Anza pernoitou no hotel Le Clocher de Rodez. O semanário narra que pagou uma noite de hotel e que uma empregada o encontrou «estendido na cama, com os braços cruzados e a olhar para o tecto». Acrescenta que «era uma pessoa de aspecto estranho», que até «armou confusão» para abandonar o quarto de manhã.

O hotel, situado a dez minutos da estação ferroviária, dispõe de 43 quartos e é actualmente dirigido pelo casal Pollet. A patroa não teve ontem qualquer problema em desmentir a informação. «É alucinante», exclamava, depois de ter conhecimento do que o semanário parisiense tinha publicado.

Mme. Pollet garantiu a Le Journal du Pays Basque que nem a Polícia Judiciária nem qualquer jornalista se deslocou ao hotel ou telefonou para o hotel, situado na praça Jeanne d'Arc, a cerca de 300 metros do Boulevard Strasbourg, onde Jon Anza foi recolhido pelos serviços de socorro.

«Tínhamos aberto o hotel uns dias antes, pelo que me lembro de que entre os dias 17 e 19 de Abril me ocupei pessoalmente da supervisão da limpeza dos quartos. Estou há dez anos neste ramo e garanto-lhe que nos é proibido irromper pelos quartos para observar os clientes», precisou.

O desmentido acrescenta um novo enigma ao «caso Anza», sobre o qual Le Canard Enchaîné publicou um artigo a 1 de Abril dando conta de una «inspecção interna» no Tribunal de Baiona, que a procuradora Kayanakis ontem qualificou de rotineiro, desligando-o expressamente deste assunto.
Maite UBIRIA

Onze jovens recusam-se a prestar declarações e exigem o esclarecimento dos factos

Onze jovens independentistas recusaram-se a prestar declarações, face aos procedimentos abertos contra eles por terem participado num acto de desobediência civil, com o qual pretenderam denunciar, em Julho do ano passado na capital guipuscoana, o desaparecimento do militante da ETA Jon Anza.

Estes jovens, acusados de «desobediência e atentado à autoridade e desordens públicas», estiveram ontem presentes às portas do Palácio da Justiça de Donostia, onde tornaram pública a sua recusa a comparecer em tribunal. Apoiados por dezenas de jovens, os processados dirigiram-se a aqueles que os querem sentar no banco dos réus para indicar: «Não vamos entrar no vosso jogo e, em vez disso, aqui estamos a lançar uma questão aos mandatários espanhóis e franceses. Zapatero, Sarkozy, o que é que fizeram ao Jon Anza?».

O espectacular protesto pelo qual pretendem levar a julgamento estes jovens guipuscoanos teve lugar a 31 de Julho do ano passado. Nove solidários penduraram-se de três das pontes que estabelecem a ligação entre as duas margens do Urumea paralisando o trânsito, enquanto outros companheiros informavam turistas e transeuntes do motivo do protesto.

Como recordaram na conferência, a Ertzaintza não tardou a aparecer e a «arremeter violentamente» contra os jovens, cortando também uma corda, o que fez com que vários deles caíssem à água.

Sabem que os querem punir por «pôr a descoberto o desaparecimento de Jon Anza e a guerra suja»; mas a mesma pergunta e denúncia que os levou a realizar aquela acção de desobediência levou-os ontem a comparecer perante a imprensa, já que, apesar de o corpo do militante ter aparecido, consideram que há muitas questões ainda por esclarecer.

Reiteraram que «não vão silenciar» a juventude deste país e manifestaram a sua disposição para trabalhar com o objectivo de levar Euskal Herria até à independência, «seja construindo alternativas, seja denunciando e fazendo frente à repressão». Neste contexto, acrescentaram que Euskal Herria se encontra «num momento decisivo».

Por todo isto, encorajaram os cidadãos bascos, e em especial a juventude, a participar na manifestação que no próximo dia 17 de Abril, sábado, exigirá a verdade sobre o que aconteceu a Jon Anza pelas ruas do centro de Donibane Lohizune.
Oihana LLORENTE

Fonte: Gara

Presos políticos bascos


A Guarda Civil agrediu Sergio Polo
Segundo fez saber o Movimento pró-Amnistia, o preso político Sergio Polo (Sopela, Bizkaia) foi ontem agredido na prisão de Curtis, depois de ter sido conduzido ao hospital para efectuar um exame. Quando ia para a carrinha, juntamente com diversos presos comuns, e lhes iam colocar as algemas, disseram: "a todos por delante menos al más gilipollas". Ou seja, os outros presos ficaram com os braços algemados à frente do corpo, enquanto ao Sergio lhe prenderam os braços atrás. Foi então que o começaram a agredir de forma violenta, continuando depois na cela. O sopeloztarra pensa apresentar queixa.
Fechamentos em Málaga e Algeciras
Na prisão de Málaga os presos políticos vão levar a cabo fechamentos nas celas durante os meses de Abril e Maio e não terão encontros íntimos. O protesto visa reclamar melhores condições de vida, o fim das inspecções físicas aos familiares e acabar com a situação de isolamento do preso Karlos Trenor.
Em Algeciras também mantêm um encerro pelo facto de o preso Iñigo Albisu se encontrar em isolamento.
Fonte: Gara

Peru Aranburu vai sair hoje em liberdade
O lekeitiarra Peru Aranburu vai sair em liberdade nas próximas horas, depois de seis anos na prisão. Foi detido a 4 de Abril de 2003, no âmbito das denominadas detenções preventivas, e posteriormente condenado a seis anos de prisão. Ao longo destes anos, conheceu a realidade da dispersão, tendo passado por Mansilla e Ocaña. Ongi etorri!
Fonte: askatu.org

Nafarroa: o lado de dentro do Euskarabidea faz aumentar o temor quanto à sua acção sobre o euskara


Reportagem sobre o Euskarabidea (II Parte)

Na primeira parte desta reportagem sobre o Euskarabidea dávamos conta dos efeitos da criação deste instituto na política linguística relativa ao euskara, nos agentes que trabalham pela sua normalização e fomento e, de uma forma geral, na situação em que se encontra esta língua autóctone em Nafarroa. Nesta segunda parte iremos abordar o Euskarabidea por dentro, já que o conhecimento do funcionamento interno deste instituto criado para tratar do euskara nos pode dar uma clara perspectiva sobre o que este idioma enfrenta.

Ver: nafarroan.com

Em Ipar Euskal Herria: sobre a EITB e dois festivais


«Grande apoio popular e político à delegação da EITB em Baiona», de Ainize BUTRON, em Gara
"O colectivo Goazen aitzina, formado por personalidades conhecidas da sociedade de Ipar Euskal Herria [País Basco Norte], anunciou ontem publicamente que cerca de 5000 pessoas subscreveram o manifesto em que se pede que a delegação da rádio e televisão públicas bascas de Baiona não desapareça. O comité, que pediu uma reunião com o director da EITB, Alberto Surio, denuncia o carácter de «improvisação» com que a instituição trabalha hoje em dia a informação em Lapurdi, Nafarroa Beherea e Zuberoa."

«Euskal Bide Arteak: a cultura basca instala-se no município de Bidarte», de Clémence LABROUCHE, em le_journal_du_Pays_Basque
"Em parceria com o Institut Culturel Basque, o município de Bidarte (Lapurdi) acolhe hoje e amanhã ( 9 e 10 de Abril) a quarta edição do Festival da cultura basca Euskal Bide Arteak. Uma forma de pôr em destaque uma parte das criações artísticas do nosso país."

O festival Euskal Herria Zuzenean já mexe!
O festival «a sério» é só em Julho, mas hoje tem lugar a final da fase «trampolim», em L’Atabal, Biarritz (Lapurdi), na qual participam as três bandas finalistas seleccionadas por um júri - Elbereth, Elenes e Starfinder. Estes grupos foram escolhidos a partir de um conjunto de doze, que por sua vez tinham sido seleccionados com base nas mais de 60 maquetes que a organização recebeu este ano. Hoje, no final, a coroar a apresentação destas três jovens bandas, sobem ao palco os Berri Txarrak.

Ver: http://www.ehz-festibala.com/eu / SareAntifaxista



«Maravillas», dos Berri Txarrak

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Mais prisão contra «um interlocutor necessário»


A Procuradoria da Audiência Nacional, em última instância hierarquicamente dependente do Governo, deu a conhecer ontem o pedido de condenação de doze a oito anos de prisão para quarenta militantes do Batasuna, com acusações que vão desde a pertença a organização terrorista na qualidade de dirigentes à colaboração com esta. É preciso recordar que, neste sumário, se pretende punir o trabalho político realizado por quadros e dirigentes da esquerda abertzale num período de tempo que vai de 1978 até 2002, no qual Herri Batasuna, Euskal Herritarrok e Batasuna eram organizações absolutamente legais. Um dado que convém não esquecer.

Outro elemento a ter em consideração é que este sumário arranca a 29 de Abril de 2002. Dentro em breve terão passado, portanto, oito anos desde a operação policial que, paradoxalmente, foi anunciada pela própria Mesa Nacional, numa conferência de imprensa em que afirmou que «está em marcha uma estratégia de guerra para as próximas horas ou dias». Isto significa que o tempo durante o qual os imputados andaram com o jugo judicial em cima das costas é quase tanto como o das penas que agora o magistrado para eles pede.

Mas o que é verdadeiramente denunciável é o carácter totalmente político e táctico com que a Procuradoria e o Governo espanhol fazem movimentos que implicam um enorme sofrimento para as suas vítimas. Tudo o que agora se diz sobre os processados, todos os delitos que lhes são imputados, toda a maldade e perigosidade que lhes é atribuída vinham já nos autos da Audiência Nacional de 30 de Maio de 2006, data na qual o hoje lehendakari, Patxi López, afirmou que eram «um interlocutor necessário para que se possa abordar o diálogo multipartidário em Euskadi». Semanas depois, ele e Rodolfo Ares reuniram-se publicamente com dois dos mais «perigosos»: Arnaldo Otegi e Rufi Etxeberria. Também o PSOE negociou com eles. Ora são interlocutores ora «terroristas», conforme lhes convenha.
Fonte: Gara

O Olhar de Tasio

Imparável!

Presos políticos bascos, dispersão e repressão


Nota da Etxerat sobre ocorrências verificadas no fim de Março e início de Abril
Badajoz: Uma amiga do preso bilbaíno Igor González Sola e o seu acompanhante sofreram um acidente de viação perto da localidade de Villar de Plasencia (Cáceres), quando se dirigiam para a prisão Badajoz. Felizmente, ambos saíram ilesos, mas o veículo ficou em muito mau estado, pelo que tiveram de se deslocar até Badajoz de táxi. No domingo a visita decorreu com normalidade.
Valência III: No dia 28 de Março, dois amigos que iam visitar Manex Castro sofreram um grave acidente. Também aqui, felizmente, não se registaram danos físicos, mas a viatura ficou em mau estado.
Puerto I: Fernando Elejalde perdeu o encontro íntimo devido às tentativas de inspecção física humilhante.
Huelva: Julen Zelarain e a sua esposa perderam o encontro íntimo devido às tentativas de inspecção física humilhante.
Almeria: Perderam dois encontros íntimos devido às tentativas de inspecção física humilhante.
Fonte: etxerat.info / Ver também: etxerat.info

Acabem com as farsas! Cinco pessoas de Uribe Kosta vão a julgamento na AN
Nos dias 12 e 13 de Abril Amets Ladislao, Ibai Egurrola, Javier Gutierrez, Marimertxe Alcocer e Maribel Prieto vão a julgamento na Audiência nacional espanhola.
O magistrado pede sete anos de prisão para Amets Ladislao e cinco para Ibai Egurrola, Javier Gutierrez, Marimertxe Alcocer e Maribel Prieto. São todos acusados de colaboração com a ETA.
Ibai Egurrola (Algorta), Amets Ladislao (Algorta) e Javier Gutierrez (Leioa) foram detidos em Irun pela Guarda Civil no dia 8 de Dezembro de 2008, enquanto Marimertxe Alcocer Gabaldon (Algorta) e Maribel Prieto Plaza (Berango) no dia 10 de Dezembro em Itzubaltzeta/Romo e Berango, respectivamente. Todos denunciaram ter sido torturados pela Guarda Civil nos cinco dias em que foram mantidos incomunicáveis.
Fonte: etengabe

Xabier Atristain e Josu Ginea foram entregues ao Estado espanhol
Os presos políticos bascos Josu Ginea e Xabier Atristain, que se encontravam em prisões francesas, foram ontem entregues ao Estado espanhol, segundo fizeram saber as agências de informação.
Atristain foi preso no dia 6 de Março, depois de ele próprio, sabendo que era procurado pelas Forças de Segurança na sequência da detenção de Ibai Beobide, se ter apresentado numa esquadra de Biarritz.
Ginea, por seu lado, foi detido em 2002 pela Polícia francesa. Ontem 48 pessoas denunciaram esta entrega no seu município, Larrabetzu (Bizkaia).
Fonte: Gara

Em Nafarroa, o Dia da República será comemorado em Sartaguda

Ontem, demos conta das cerimónias que a associação Ahaztuak 1936-1977 vai levar a cabo em Eibar (Gipuzkoa), por ocasião do 79.º aniversário da Proclamação da Segunda República no Estado espanhol (14 de Abril de 1931).

Em Nafarroa, as celebrações estarão a cargo da plataforma Nafarroa Aurrera e vão decorrer em Sartaguda.
Fonte: apurtu.org

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ofensiva contra a esquerda «abertzale»: A Procuradoria pede entre oito e doze anos de prisão para os arguidos no processo contra o Batasuna


A Procuradoria da Audiência Nacional espanhola solicita entre oito e doze anos de prisão para os militantes independentistas processados no sumário 35/02 contra o Batasuna, que acusa de «pertença» à ETA e «colaboração» com a organização armada.

No texto de acusação, a que tiveram acesso a Efe e a Europa Press, a Procuradoria da Audiência Nacional espanhola pede doze anos de prisão para Arnaldo Otegi, Rufi Etxeberria e Joseba Permach, que acusa de «pertença a organização terrorista» na qualidade de dirigentes.

Para além disso, o Ministério Público solicita dez anos de prisão para mais 20 militantes da esquerda abertzale por «pertença a organização terrorista», e pede oito anos de prisão para outros 17 processados por «colaboração» com a ETA, segundo as agências referidas.

Baltasar Garzón deu por concluído a 1 de Abril de 2008 o sumário 35/02, que tinha iniciado em Agosto de 2002, contra o Batasuna, processando, no total, 41 cidadãos bascos, entre os quais o histórico dirigente abertzale Jon Idigoras, falecido em Junho de 2005.

Duas semanas depois de finalizar a fase instrutória, Garzón reabriu o processo e voltou a fechá-lo para incluir novos relatórios policiais e acusar mais dois cidadãos bascos.

Os arguidos para os quais a Procuradoria pede dez anos são os seguintes: Karmelo Landa, Juan Kruz Aldasoro, Joseba Álvarez, José Luis Elkoro, Josu Iraeta, Adolfo Araiz, José Antonio Egido, Txekun López de Aberasturi, Karlos Rodríguez, Mikel Arregi, Esther Agirre, Miren Jasone Manterola, Floren Aoiz, Kepa Gordejuela, Isa Mandiola, Juanpe Plaza, Antton Morcillo, Santi Hernando, Shanti Kiroga e Jon Gorrotxategi.

O pedido de oito anos diz respeito a José Luis Franco, Maite Amezaga, Joseba Garmendia, Juan Francisco Martínez, Juani Lizaso, Jaione Intxaurraga, Joseba Imanol Kortazar, Rubén Granados, Enrike Alaña, Agustín Rodríguez, Patxi Jagoba Bengoa, Idoia Arbelaitz, Izaskun Barbarias, Sabin del Bado, Bixente Enekotegi, Andrés Larrea e Pedro Félix Morales.

A Procuradoria não apresenta acusação contra Josu Urrutikoetxea e Jon Salaberria, no primeiro caso por se encontrar em paradeiro desconhecido e no segundo porque a pessoa referida está presa no Estado francês.

«Simbiose absoluta» com a ETA
No texto, o Ministério Público sustenta que desde 1978 e até ser declarado ilegal, em Março de 2003, a «simbiose» do Batasuna com a ETA foi «absoluta» e as distintas estruturas do Movimento de Libertação Nacional Basco (MLNV) levaram a cabo «uma actividade complementar de apoio, suporte e cobertura às estratégias e fins da organização terrorista, sem as quais não teria sido possível a subsistência desta».

Os processados no sumário são acusados de ser responsáveis da «materialização do controlo da ETA sobre o Herri Batasuna/Euskal Herritarrok/Batasuna, desenvolvendo na rede institucional as directrizes de apoio operativo e logístico».

De Arnaldo Otegi, Rufi Etxeberria e Joseba Permach, diz que, «pela sua liderança e pelas funções de coordenação da frente institucional que desempenhavam», juntamente com outros processados, «possibilitaram a organização das actividades a realizar na forma de protecção e cobertura ao projecto desenhado pela ETA».

Sobre as herriko tabernas, o magistrado afirma que são «um projecto político ideológico de âmbito nacional que há-de servir como instrumento financeiro de outras estruturas» da organização armada «de forma directa e indirecta», e que «a sua aparência dissociada obedece a uma estratégia de ocultação do sistema de financiamento da ETA».

Embargo de 75 «herrikos», ilegalização
Este sumário iniciou-se a partir da detenção, em Abril de 2002, de onze pessoas, entre as quais se encontravam Jon Gorrotxategi e Rufi Etxeberria. Garzón decretou posteriormente o embargo de 75 herriko tabernas e a sua administração judicial.

A 20 de Agosto de 2002, o juiz deu início aos procedimentos para suspender as actividades do Batasuna argumentando «a integração aparente deste no complexo terrorista ETA-KAS-Ekin».

Dias mais tarde, a 26 de Agosto, o mesmo juiz emitiu um auto no qual decretou a suspensão de todas as actividades do Batasuna, o que se traduziu no encerramento por um período de três anos de todas as suas sedes.

A 2 de Setembro de 2002, o Ministério Público formulou na Sala Especial do Supremo Tribunal, com base no artigo 61 da Lei Orgânica do Poder Judicial, o pedido de dissolução dos partidos políticos Herri Batasuna, Euskal Herritarrok e Batasuna.

No dia 27 de Março de 2003, o Supremo Tribunal espanhol declarou ilegais os três partidos políticos independentistas.
Fonte: Gara

Comentário político na Infozazpi Irratia



Floren Aoiz na Info7

Floren Aoiz aborda diversas questões e declarações relacionadas com o Aberri Eguna.

Erkizia encara o Aberri Eguna como um «marco histórico e um ponto de inflexão»


Tasio Erkizia mostra-se convencido de que a esquerda abertzale, «apesar das medidas repressivas, vai criando um caminho que convence as pessoas». Essa é a conclusão que retira após o êxito do Aberri Eguna, que considera «um ponto de inflexão na acumulação de forças».

Embora as fileiras do PSE desejem que passe desapercebida, a multidão que a rede Independentistak conseguiu juntar no Aberri Eguna continua a provocar reacções. Ontem foi o dirigente abertzale Tasio Erkizia a mostrar-se entusiasmado com o êxito da convocatória, considerando-a um «marco histórico» que, em seu entender, «dá para muitas reflexões».

Para o dirigente abertzale, entre Irun e Hendaia «estava todo um povo em marcha» e havia no ar «uma grande esperança, uma esperança que está a ressurgir entre o povo basco». Erkizia, numa entrevista concedida à Info7 Irratia, garantia que com o encontro de domingo «foram ultrapassados a barreira e os estreitos limites que os partidos muitas vezes impõem».
Notícia completa: Gara

Entrevista de Tasio Erkizia na Infozazpi Irratia

A Ahaztuak 1936-1977 vai comemorar aniversário da proclamação da II República


Ahaztuak 1936-1977, Eibar * E.H.
No próximo dia 14 de Abril cumprir-se-á o 79.º aniversário da proclamação da II República no Estado espanhol, que ocorreu a 14 de Abril de 1931. A Ahaztuak 1936-1977 tem vindo a celebrar desde há vários anos em Eibar (Gipuzkoa) aquela proclamação que tanto potencial de liberdade continha em si mesma, representando para todo o Estado uma grande rabanada de ar fresco após décadas e décadas de obscurantismo e reaccionarismo em tantos sentidos: político, económico, social, cultural...
Texto completo em: ahaztuak_1936-1977

Fonte: SareAntifaxista

terça-feira, 6 de abril de 2010

Com convicção


Há já algum tempo que os espanhóis se deram conta de que este país estava a construir alicerces e pilares necessários para se poder constituir como um Estado. Os militantes da construção nacional foram nos últimos anos o alvo das patadas repressivas. Mas também se aperceberam de que, para se continuarem a impor, precisam de outros métodos e meios que justificam sem rubor. Necessitam da luta ideológica, embora numa altura destas já não enganem ninguém.

Graças às sucursais espanholas que são o Governo de Lakua e Nafarroa, e ao jacobinismo francês, agora não lhes basta insultar a inteligência. Não contentes com o facto de que os euskaldunes sejam os únicos bilingues, continuam a menosprezar e a atacar uma língua, em vez de a promover e fomentar. E os graciosos de turno pretendem que vítimas e/ou pseudo-vítimas «do terrorismo» uniformizem e cerceiem o pensamento e o espírito crítico dos alunos bascos. Tão grosseiro como honrar torturadores e arremeter contra quem os denuncia. E estão a fazê-lo.

Falam de «tolerância zero» contra aqueles que mantêm um compromisso coerente com o seu país, mas a cada dia que passa a intolerância que emana da sua actuação - imposição - política é cada vez mais óbvia. Na falta de respeito radicam os principais problemas neste país. Não respeitam uma identidade própria e diferenciada, uma cultura e língua própria, um território, uma comunidade, uma nação, e inclusive uma forma de ver, viver e sentir a vida, embora isto não corresponda à nacionalidade.

Mas, apesar de tudo e de todos, há forças maiores que fizeram sobreviver este povo. Poderes que cada um de nós traz consigo. O conhecimento dá lugar à tomada de consciência, e, com isso, às convicções. No domingo, foram milhares os bascos que mostraram orgulhosos a sua convicção inquebrantável do que não são, nem serão jamais: franceses e espanhóis. E, assim, bem podem vir com ladainhas, que já não dobram ninguém.

O auzolan foi uma das características dos bascos. Uma forma de fazer caminho que volta a estar na ordem do dia. A cada dia que passa é mais palpável que a mudança política está próxima e, para a colocar na senda da soberania, cada qual conta com um tijolo para construir a casa. Os alicerces, enraizados e centenários, esperam por elas há demasiado tempo.

Gari MUJIKA
kazetaria
Fonte: Gara

auzolan: de AUZO (bairro) + LAN (trabalho). Poder-se-á traduzir como trabalho conjunto para benefício de todos, de todo o bairro.
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Foto: ekinklik.org
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Sugestão de leitura:
«Nome e apelidos», de Antonio ALVAREZ-SOLÍS
O autor dedica o seu artigo à análise da reforma legal anunciada pelo Governo espanhol com vista a tornar a Lei de Partidos ainda mais fechada e assim procurar impedir que o independentismo possa ter representação nas instituições. E não hesita em tachar a iniciativa de «prevaricadora», uma vez que «declara o inimigo com nome e apelidos» e determina que «a expressão de uma ideia concreta passa a ser crime».

Promotores da Declaração de Bruxelas reúnem ainda mais assinaturas


Os promotores da Declaração de Bruxelas continuam a juntar apoios entre personalidades internacionais para impulsionar um processo de resolução. Segundo fizeram saber numa entrevista os dirigentes do partido flamengo N-VA que estão a trabalhar nessa tarefa, o objectivo em si «não é juntar mais e mais nomes», mas ver se o PSOE «quer assumir um papel histórico e decisivo» para acabar com este conflito político.

Os dirigentes do partido flamengo N-VA Frieda Brepoels e Piet de Zaeger anteciparam numa entrevista publicada ontem pelo diário Deia que vão continuar a reunir apoios entre personalidades internacionais para impulsionar um processo de resolução em Euskal Herria.

Na segunda-feira passada Brepoels apresentou juntamente com o mediador sul-africano Brian Currin a chamada Declaração de Bruxelas na sede do Parlamento europeu. O documento foi subscrito por vinte personalidades, entre as quais se encontram quatro Prémios Nobel da Paz e conseguiu juntar antigos rivais como Nelson Mandela - assina a Fundação que tem o seu nome -, Desmond Tutu e Frederik de Klerk, no caso sul-africano, e Mary Robinson, John Hume, Albert Reynolds e Jonathan Powell - ex-chefe de Gabinete de Tony Blair - no processo irlandês.

Segundo afirmaram, nas próximas semanas vão propor mais nomes a Brian Currin e insistem em que a Declaração de Bruxelas «é algo que tem de ir crescendo».

Os membros do partido N-VA dizem na entrevista que não entendem as posições mantidas por representantes do PSOE e PP quando criticam o documento. De Zaeger recorda que entre os autores «há quatro prémios Nobel da Paz, gente que conseguiu resolver os conflitos da África do Sul e da Irlanda do Norte, peritos na resolução de conflitos. Não entendo como é que há gente que repudia a declaração».

Diz também saber «que há dirigentes do PSE que afirmaram que somos gente muito voluntariosa, mas estão-nos a chamar diplomaticamente ingénuos».

«Moralmente superiores?»
Na Declaração de Bruxelas reconhecem o posicionamento adoptado pela esquerda abertzale, dirigem-se à ETA para lhe pedir um «cessar-fogo permanente e completamente verificável» e pedem uma resposta positiva ao Governo espanhol.
Neste sentido, De Zaeger desafiou directamente José Luis Rodríguez Zapatero a responder se quer assumir «o papel de Tony Blair» ou se «quer um lehendakari com um papel similar ao que teve Ian Paisley» no Norte da Irlanda. «Não se trata de juntar mais e mais nomes, mas de ver se o PSOE quer assumir algum papel decisivo e histórico para pôr fim a este conflito», acrescenta.

Afirma também que o PSOE e o PP «não deveriam ser tão agressivos descartando propostas e iniciativas como esta. Dá a impressão que se julgam moralmente superiores quando nos anos 80 os socialistas estiveram envolvidos numa guerra suja contra a ETA e houve políticos do PSOE julgados por isso».

O dirigente do N-VA diz ainda que o Governo espanhol pediu ajuda à União Europeia na sua luta contra a ETA, «pelo que agora não podem dizer que não os podemos ajudar na resolução do conflito».

Imprensa alemã faz eco da apresentação da iniciativa
A Declaração de Bruxelas vai ganhando mais eco nos órgãos de comunicação social à medida que o tempo vai passando, pese o intento de bloqueio por parte Madrid. Por exemplo, vários diários e semanários alemães fizeram eco da apresentação realizada na segunda-feira [29/03] em Bruxelas por Brian Currin e Frieda Brepoels. Entre a imprensa espanhola, a informação foi silenciada ou minimizada num primeiro momento, mas na parte final da semana ganhou peso nas análises e passou subitamente para primeiro plano para exigir à ETA uma resposta ao documento.
Fonte: Gara

Kronika Nafarroa: o caso Jon Anza e o direito dos presos a estudar são temas em destaque

Nesta edição, entre outras coisas, há uma entrevista sobre o refugiado donostiarra, artigos de opinião e uma pequena reportagem

Fonte: apurtu.org

Nafarroa, 365 dias e 174 acções violentas que não foram notícia


A agudização crescente da repressão é uma constante em toda Euskal Herria, mas é em Nafarroa que atinge uma intensidade e uma variedade maiores: aí se enquadram a perseguição à ikurriña, a ofensiva contra as peñas, os ataques da Falange y Tradición... O Movimento pró-Amnistia recolheu 174 notícias deste tipo de episódios ao longo de 2009, ou seja, uma ocorrência por cada dois dias. E quase todas sem eco mediático nem resposta política.

Há actuações policiais, parapoliciais e até institucionais; desde ataques com explosivos até notificações judiciais inauditas ou punições económicas desconcertantes; e as vítimas, desta vez, são gente da esquerda abertzale ou eleitos do Nafarroa Bai. O denominador comum de todas estas notícias é o facto de terem ocorrido em Nafarroa ao longo de 2009. E o que lhes confere um carácter de actualidade é que, pese tratar-se de factos muito reais, «frequentemente nem sequer foram notícia nos principais meios de comunicação que afirmam estar contra a violência. Violência que, naturalmente, não mereceu um comentário por parte dos políticos profissionais, tão preocupados, segundo dizem, com os direitos das pessoas. Violência de tal magnitude que dá para fazer um livro ano após ano».

Assim o explicaram membros do Movimento pró-Amnistia de Nafarroa na apresentação do anuário referente a 2009. Há já vários anos que efectuam um trabalho de recompilação detalhada de expressões violentas de todo o tipo. Algumas delas são comuns ao resto de Euskal Herria. Por exemplo, quando o ano passado terminou, Nafarroa contava com o maior número de presos em décadas (106), e nenhum deles se encontrava na prisão de Iruñea, nem sequer em Basauri, Langraiz ou Martutene. Como aconteceu noutros herrialdes, houve denúncias de sequestros com pedidos de colaboração (Dani Saralegi e Alain Berastegi), detenções sujeitas a incomunicação (treze) e denúncias de tortura (oito). Foram pagos 225 000 euros em fianças. Houve 18 julgamentos em Paris ou Madrid contra cidadãos navarros, além de dezenas na Audiência de Iruñea. E houve numerosas proibições de actos políticos ou sociais, pelo menos 18.

Mas houve ainda um número de agressões que é difícil encontrar no resto do país. Tantas e tão variadas que no livro se podem ver 220 imagens de violações de direitos civis e políticos de todo o género. Os autores do anuário extraem várias conclusões disto. Por um lado, que «a criminalização está a alastrar a cada vez mais sectores da população». Paralelamente, que «o Estado endureceu os seus métodos repressivos». E em Nafarroa, em concreto, tal como aconteceu há três décadas, existe uma aposta repressiva especial para «tratar de evitar uma mudança. Por isso é mais urgente que nunca que aqueles que defendem essa mudança trabalhem para que ela se possa concretizar em condições democráticas, para que a defesa de todos os projectos políticos seja viável e haja um escrupuloso respeito pelos direitos humanos».

Esta mensagem circulará de terra em terra, tendo este relatório de 2009 como ferramenta de trabalho. Estão previstos debates, com conteúdos específicos distintos, no bairro de Arrosadia (quinta-feira, 8 de Abril), em Altsasu (9), em Otsagi (10), em Atarrabia (16), no centro anti-autoritário Subeltz de Iruñea (20), em Lesaka (23) e em Larraga (7 de Maio).
Fonte: Gara

Comunicado do Colectivo de Refugiados e Deportados Políticos Bascos à sociedade venezuelana


Neste comunicado, o colectivo posiciona-se face à campanha de acosso mediático, judicial e policial de que tem vindo a ser alvo ultimamente, incluindo o caso de Walter Wendelin no âmbito da perseguição movida por polícias, juízes, governo e meios de comunicação espanhóis contra a Revolução Bolivariana, por um lado, e contra o Colectivo, por outro:

Ver texto em askapena.org

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Aberri Eguna 2010 - vídeo e reportagem fotográfica


Celebrações entre Irun e Hendaia e no parque Ficoba.
Txutxi Ariznabarreta: «Etorkizuna geurea da. Independentziara goaz!» [A decisão é nossa. Vamos para a independência!]
Fonte: nafarroan.com

Reportagem fotográfica do colectivo navarro ekinklik.org via kaosenlared.net

Começa a viagem


As expectativas criadas em torno da celebração do Aberri Eguna deste ano apresentam muitas possibilidades para a reflexão política.

Estavam presentes aqueles que esperavam que a ETA comunicasse uma trégua, a abertura de um processo de diálogo com outras forças políticas ou, simplesmente, a sua auto-dissolução. Pensavam assim, uns, à luz da trascendental iniciativa de líderes mundiais como Mandela, Adams, Mitchel ou Tutu. Outros, a partir da convicção de que o uso da força policial deixou a ETA à beira do coma operacional. E um que outro porque continua a acreditar que a ETA nunca teve razão de ser e que já é hora de cair em si.

As expectativas, quando são criadas em laboratórios especializados em intoxicar a opinião pública, acabam por sair frustradas. Porque é disso que se trata no momento da sua concepção. Passar a bola para o outro lado e responsabilizar assim o outro pelo fiasco.

Não estava à espera de nada do anteriormente exposto e, por conseguinte, não me incluo entre os frustrados. Depois de muitos anos a sobrevoar a política, não creio em decisões instantâneas, vontades forçadas ou reflexões animadas pela repressão. O que se consolida no terreno da política resulta sempre de uma profunda maturação intelectual e da existência de condições objectivas que tornem possível alcançar o cenário que se perseguia. O resto não é uma construção sólida, mas uma cabana que vai abaixo com pouco vento.

Hoje estão a ser criadas as condições que vão permitir aos independentistas impor - sim, impor - o seu direito à construção do Estado basco. É o sinal dos tempos, aqui, na Catalunya, na Irlanda, na Escócia... A partir de hoje a negação do nosso povo não será algo apresentável no concerto internacional. Existe massa crítica suficiente em Euskal Herria para que isso assim seja.

Telesforo Monzón falava de uma viagem democrática até Maltzaga e de uma segunda etapa independentista até Eibar. Os independentistas demonstraram ontem que há muitos viajantes para o segundo tramo. Agora resta saber quem é que se compromete sequer com o primeiro. E aí os jelkides [do PNV] têm muito a dizer.

Em qualquer caso, tenho a impressão de que também não se vai esperar por eles para iniciar a viagem. E depois falaremos da ETA.

Martin GARITANO
jornalista
Fonte: Gara

Sugestão:
Editorial do Gara: «Primeiro Aberri Eguna de uma nova era»

«Aberri Eguna», de Iñaki EGAÑA

Aberri Eguna em Buenos Aires



Aberri Eguna / Buenos Aires from julen´s work on Vimeo.

Celebrações organizadas pelo Foro de Debate de la Diáspora Vasca en la Argentina y Uruguay, que decorreram na emblemática Plaza de Mayo. No vídeo pode-se assistir à participação do grupo Aiara Dantza Taldea, de Amurrio (Araba), e a excertos das intervenções de diversos participantes no acto. Aupa zuek!
Para aceder à Declaração do Aberri Eguna de Buenos Aires (03/04/2010), ver Foro.

A investigação do caso de Jon Anza: Os focos franceses apenas tentam iluminar a suposta incompetência


«"Está em marcha todo um trabalho por parte do Estado para despolitizar a questão de Jon Anza". É a socióloga francesa Isabelle Lacroix quem o afirma. O eco dado às deficiências de carácter administrativo contrasta com o silêncio total sobre acções policiais espanholas em solo francês. Como diz o provérbio chinês, "quando o sábio aponta para a Lua, o tolo olha para o dedo". Porque Jon Anza não era um desses «sem-abrigo» que se aglomeram em frente à estação de Matabiau, mas um militante que tinha um encontro marcado com uma organização armada.»

Análise de Alberto PRADILLA
Ver: Gara

Sugestão:
«Non dago Jon», artigo de Nebera - Intxaurrondo, em kaosenlared.net

A Polícia francesa refuta o relato da ETA sem apresentar qualquer detalhe


O último comunicado da ETA, em que afirma que o tiroteio de Dammarie-lès-Lys ocorreu contra a sua vontade e teve origem na atitude da Polícia francesa - que acusa de ter disparado primeiro -, provocou ontem distintas reacções. Enquanto a Polícia francesa rejeitou a versão da ETA, formações políticas bascas e espanholas avaliaram outras partes do comunicado, no qual a ETA insistia na vontade de alcançar uma solução dialogada.

Depois de o comunicado da ETA ter vindo a público, a Direcção Geral da Polícia Nacional (DGPN) francesa emitiu um comunicado no qual - tal como indicou a agência France-Presse - refutava «as acusações proferidas pelos membros desta organização que contradizem os elementos da investigação», além de voltarem a «condenar firmemente esta acção terrorista da ETA em território francês».

No seu comunicado, publicado na íntegra na edição impressa de ontem do Gara, a ETA afirma entre outras coisas que o confronto ocorreu contra a sua vontade e que o tiroteio se iniciou depois de um polícia ter efectuado dois disparos, «supostamente 'para não matar'», na direcção de um dos seus militantes, que se encontrava no chão e desarmado.

De acordo com a ETA, esses primeiros disparos verificaram-se quando um grupo de polícias franceses tinha «neutralizado» quatro dos seus militantes num bosque de Dammarie-lès-Lys. Ao ouvirem os tiros, outros três militantes aproximaram-se do local armados e pediram aos polícias que abandonassem a zona. Não aconteceu assim e começou o tiroteio, no qual os militantes efectuaram nove disparos e os polícias «bastantes mais».

Segundo se percebe pela informação da agência France-Presse, a DGPN não apresentou ontem uma versão detalhada dos factos, tendo-se limitado a indicar que «toma nota de que a organização separatista basca ETA reivindica a acção de comando levada a cabo no dia 16 de Março em Villiers-en-Bière». Ao recordar que no decorrer dessa acção faleceu o comandante Jean-Serge Nérin, a DGPN refere que «foi assassinado cobardemente quando a sua patrulha efectuava um controle de pessoas suspeitas de participar no roubo de veículos».
O roubo ocorreu em Villiers-en-Bière, pequena localidade situada junto a Dammarie-lès-Lys.

A esquerda abertzale faz uma avaliação positiva
O último comunicado da ETA foi comentado ontem por vários representantes políticos que participaram no Aberri Eguna celebrado entre Hendaia e Irun. Assim, Miren Legorburu disse que a esquerda abertzale avalia de forma positiva as reflexões da organização armada, destacando que esta solicita aos governos espanhol e francês que se mostrem a favor de «uma solução democrática baseada no respeito pela vontade dos cidadãos bascos». «A ETA já disse em comunicados anteriores que o caminho é este», recordou, antes de salientar que «a bola está nas mãos dos bascos, que são quem tem de decidir o seu futuro e construir as bases deste edifício que deve ser feito entre todos».

Por seu lado, Pello Urizar (EA) disse que o seu partido esperava «mais» deste comunicado e que o primeiro passo que a ETA deve dar é «abandonar as armas».

PNV, PSE e PP não vêem mudanças na organização armada.

Notícia completa: Gara

domingo, 4 de abril de 2010

No Aberri Eguna independentista, um mar de gente inunda Irun e Hendaia em ambiente de unidade

A unidade independentista deu um novo passo em frente com um Aberri Eguna concorrido entre Irun e Hendaia, sendo que muitos milhares de pessoas [50 mil, de acordo com o boltxe.info] caminharam juntas secundando o apelo feito pela rede Independentistak e fazendo frente tanto às inclemências meteorológicas como aos controlos das forças policiais espanholas.

As trombas de água atrasaram o início da manifestação, previsto para as 11h30, e fizeram-se sentir também nos minutos anteriores ao acto final, no parking de Ficoba. Ali, em nome dos convocantes, Txutxi Ariznabarreta salientou que «somos milhares e milhares, e estamos a demonstrar que somos capazes de agir unidos e unidas. Que todo o mundo o saiba, especialmente os estados espanhol e francês, que aqui estamos e que vão ser cada vez mais aqueles que querem alcançar o Estado basco».

O acto final girou em torno da figura do sete, representativa da união dos territórios bascos. Assim, sete cantores bascos bastante conhecidos interpretaram juntos o «Zenbat gera?» [Quantos somos?], sete pessoas de distintos âmbitos realçaram a importância da independência, e os símbolos dos sete herrialdes, figurados em balões, subiram ao céu. Também se exibiram em palco os retratos de sete destacados independentistas de Euskal Herria e de todo o mundo: Juana de Albret, Agustín Xaho, Simón Bolívar, Mahatma Ghandi, José Martí, José Antonio Agirre e Telesforo de Monzón.

Os políticos não tiveram protagonismo excessivo na cabeceira da marcha, mas viram-se numerosos membros da esquerda abertzale (Rufi Etxeberria, Txelui Moreno, Tasio Erkizia e Ainhoa Etxaide, entre outros), bem como do Eusko Alkartasuna (Pello Urizar, Juan Mari Larrazabal, Maiorga Ramírez...). O Aralar enviou uma delegação liderada por Ainhoa Beola. A Guarda Civil e a Polícia efectuaram vários controlos de estrada para dificultar a participação dos cidadãos tanto na N-I como na A-8.
Fonte: Gara

ABERRI EGUNA / Dia da Pátria Basca

Tasio (Gara)

Gora Euskal Herria askatuta!

Nazioa gara. Estatua behar dugu.
Somos uma nação. Precisamos de um Estado.

GaztEHerria: Jovens de todo o mundo juntaram-se em Durango num acto de apoio à juventude basca


Pode-se dizer que o festival organizado pela GaztEHerria, em Durango, na última sexta-feira, conheceu um êxito sem precedentes.

Pode-se dizer que o festival organizado pela GaztEHerria no dia 2, em Durango, teve um êxito retumbante, e isto mesmo reconhecendo que é difícil saber quantos jovens (e menos jovens), vindos das mais diversas paragens dos estados espanhol e francês e de todo o mundo, ali estiveram a manifestar o seu apoio à juventude independentista e socialista basca, numa jornada inolvidável.

Foi um dia de festa e de reivindicação. De encontros e de alegria, e de optimismo num futuro de esperança para Euskal Herria.

É também isso o que nos deixa ver a reportagem fotográfica de Kaleko Begiak.
Fonte: lahaine.org

A ETA afirma que o tiroteio Dammarie-les-Lys ocorreu contra a sua vontade e que foi a Polícia francesa a iniciá-lo


No comunicado emitido por ocasião do Aberri Eguna, a ETA apresenta uma versão detalhada sobre o que se passou em Dammarie-les-Lys, responsabilizando pelo tiroteio e pelas suas consequências os polícias franceses, que acusa de terem disparado primeiro contra um militante que se encontrava «neutralizado» no chão e de não levarem em conta «o claro aviso» que posteriormente lhes fez chegar um outro grupo de «gudaris».
Ver: Gara
Tradução do comunicado para castelhano realizada por boltxe kolektiboa: lahaine.org

Jon Anza: exigem saber a verdade em frente à Delegação do Governo espanhol em Nafarroa


Vários centenas de pessoas manifestaram-se na quarta-feira, 31 de Março, em Iruñea para denunciar a guerra suja e a repressão, bem como para exigir a verdade sobre a morte de Jon Anza, pela qual consideram responsável o PSOE. A marcha terminou com os presentes a entoarem o «Eusko gudariak» e fazerem ouvir «Jon gudari, gogoan zaitugu» em frente à Delegação do Governo espanhol em Nafarroa, onde um cordão policial impediu a passagem até ao edifício.

Josu Esparza, em nome do Movimento pró-Amnistia, teceu várias considerações sobre a morte de Jon Anza, junto à antiga estação de autocarros, de onde a manifestação viria a partir às 19h15. «Convocámos esta mobilização para deixar claro que não acreditamos na versão oficial sobre o que ocorreu ao Jon, e queremos exigir em alto e bom som a verdade sobre o que se passou», disse.
Esparza aludiu ainda às diversas questões que fazem duvidar dessa versão oficial e à tentativa de incriminação das pessoas que defendem que as Forças de Segurança espanholas estão por trás da morte de Anza.

Ao longo da manifestação fizeram-se ouvir palavras de ordem como «PSOE, GAL, berdin da» [PSOE, GAL são a mesma coisa], «Herriak ez du barkatuko» [O povo não perdoará], «A ellos la Ley Antiterrorista», «Aquí se tortura como en la dictadura» e «Policía asesina». Por causa deste último lema, a Polícia espanhola mandou parar a marcha por duas vezes, ameaçando dissolvê-la.
Neste mesmo dia, também houve mobilizações por Jon Anza em Lizarra, onde se juntaram 70 pessoas, em Leitza e em Altsasu.
I. V.
Fonte: Gara

Ver também: «Apesar da chuva, centenas de cidadãos manifestam-se em Iruñea contra a repressão e a guerra suja» (com reportagem fotográfica da Ekinklik), em lahaine.org

Lakua pretende que os alunos participem nas homenagens a vítimas da ETA


O Governo de Lakua quer que os alunos participem nos actos de homenagem às vítimas da ETA tanto realizando celebrações de homenagem nas próprias escolas como colaborando com os municípios na elaboração do denominado «mapa da memória». Estas iniciativas figuram na proposta provisória do plano de «convivência democrática e deslegitimação da violência» apresentado aos grupos parlamentares na semana passada.

O propósito de fazer «assumir a centralidade e presença das vítimas na deslegitimação da violência» será levado até às últimas consequências pelo Governo de Lakua, que pretende que as crianças se envolvam e participem directamente nas homenagens às vítimas da ETA.

Na sequência, as secções:
O «mapa da memória» / O «Dia da Memória» / O plano anterior, «tímido»

«Subsídios»
Nos subsídios às associações de pais dar-se-á prioridade às actividades de «reconhecimento das vítimas».

«A lei navarra não aceita nenhuma emenda do NaBai»
O texto que será votado e aprovado agora em sessão plenária só menciona a ETA. Diz que a Lei prestará «especial atenção» aos afectados pelos seus atentados, «sempre que esses actos sejam reivindicados ou que de uma interpretação harmónica dos factos antecedentes, coetâneos ou posteriores se poda deduzir que os danos foram causados por tal actividade terrorista». Em função desse critério, estabelece-se desde já que a primeira vítima da ETA foi a menina Begoña Urroz em 1960, embora o atentado tenha sido cometido por outra organização.
A Lei introduz ajudas económicas importantes para familiares até ao segundo grau de consanguinidade. E ameaça retirar subsídios às escolas que não divulguem os programas estabelecidos.

«Começam a surgir atitudes espontâneas de insubmissão»
Poucas horas depois de ser conhecida a aprovação deste novo decreto curricular, na terça-feira, começaram a surgir vozes de insubmissão entre alguns pais e mães de alunos. No informativo nocturno da Radio Euskadi, «Ganbara», as quatro chamadas dos ouvintes mostraram-se contrárias a este ponto dos planos governamentais.
A título de exemplo, uma mulher afirmou que não deixará o seu filho ir à escola no dia em que familiares de vítimas forem às aulas, porque «tentou educar os filhos com base em valores e no respeito, e não no ódio e no revanchismo».
Um homem disse que também não deixará o filho ir à escola, «já que se trata de uma jogada do PSE e do PP para introduzir o anti-basquismo nas escola», mostrando-se ainda temeroso quanto às consequências de tudo isto - a separação entre «pais bons e pais maus», o bom ambiente reinante no pátio transformado em «disputas e ódio».
Uma outra mulher chamava a atenção para a parcialidade destas medidas, tendo em conta que algumas vítimas do conflito não são encaradas enquanto tal. «Edurne Brouard, a filha de Santi Brouard, também é vítima do terrorismo. Esta também vai [às escolas] falar do seu caso?».

Iñaki IRIONDO
Fonte: Gara

Ver também:
Editorial do Gara: «Dogmas infantis»

Declaração de Bruxelas: O PP desqualifica os signatários de Bruxelas e o PNV contradi-los


A Declaração de Bruxelas foi recebida com um silêncio clamoroso por parte do PSOE, mas a sua clara importância fez com que o PP tivesse de assumir uma posição, no dia 31, numa nota em que acusa os líderes signatários de «desconhecer a realidade basca» e de «equiparar a posição de um governo democrático com o grupo terrorista». Sem ir tão longe, Iñigo Urkullu (PNV) referiu que um cessar-fogo como aquele que é pedido não será suficiente.

Urizar (EA) vê a Declaração de Bruxelas como «um acicate para a união entre abertzales»

Ver: Gara

sábado, 3 de abril de 2010

Grande-Marlaska envia Joseba Agudo para prisão

O Juiz da Audiência Nacional Espanhola, Fernando Grande-Marlaska, decretou pena de prisão ao advogado Joseba Agudo, entregue pelas autoridades francesas na última quinta-feira, segundo a agência Efe, citando fontes jurídicas, em virtude da aplicação da euro-ordem emitida pela Audiência Nacional espanhola.

De acordo com a mesma fonte, ontem compareceu perante o Juiz Grande-Marlaska que ordenou a sua detenção com acusação de delito de "integração na ETA".

O advogado basco foi preso no fim de Outubro em Hendaia, depois da RTVE anunciar a sua detenção e da Guardia Civil revistar o escritório onde trabalha com outros advogados em Oiartzun. Desde então tem permanecido na prisão.

A 16 de Fevereiro o Tribunal da Relação de Bordéus deu luz verde à sua entrega ao Estado Espanhol.

Notícia em Gara.net