terça-feira, 29 de julho de 2008

Procuradoria francesa solicita o ingresso na prisão de Asier Ezeiza e Olga Comes


Asier Ezeiza e Olga Comes chegaram ontem à tarde a Paris. Já na tarde de hoje estiveram na presença de um “juiz antiterrorista” na capital francesa.
Ezeiza e Comes foram detidos, de acordo com informação veiculada por agências espanholas, na localidade de Arceau, depois de escaparem a um controlo da polícia francesa e sofrerem um acidente com outro veículo, tendo sido finalmente detidos pela Gendarmerie de Mirebau sur Bez, uma localidade próxima.
Segundo as mesmas fontes, teriam reconhecido perante os agentes, no momento da sua detenção, a ligação à ETA.

Assembleia em Donibane (Iruñea)
Para dar a conhecer a situação dos detidos e, em especial, da sua vizinha Olga Comes, terá hoje lugar, pelas 20h, na praça Asunción, no bairro de Donibane, em Iruñea (Pamplona), uma assembleia informativa.
Fonte: Gara

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O orgulho de ser de esquerda e ‘abertzale’

«O orgulho de ser, eis a questão, Sr. Anasagasti»

por Amparo LASHERAS

Comecei a escrever este artigo depois de escutar, num desses debates que vão e vêm de uma rádio para outra, a ideia de que, no Verão, sobram as reivindicações da esquerda abertzale. No início, a intenção do artigo foi a de defender o direito desta formação a empreender a sua política em qualquer estação do ano.

A partir deste ponto, senhor Anasagasti, a leitura de algumas frases do seu artigo, publicado na sexta-feira num diário de Gipuzkoa, fizeram-me mudar o rumo do meu artigo e dedicar-lhe a si o resto da minha reflexão, porque creio que a sua bagagem política é bastante limitada e o senhor necessita de perceber algumas questões importantes sobre a evolução da esquerda, a coerência ideológica, a militância responsável e a dignidade política, algo que o senhor desconhece, a julgar pelo que escreve e pelas opiniões tão pouco elegantes que verte no seu texto sobre duas pessoas, Tasio Erkizia e Periko Solabarria. Estes militantes da esquerda abertzale devotaram a sua vida à defesa dos direitos de Euskal Herria e da classe trabalhadora e, enquanto o senhor residia na Venezuela à espera que Franco morresse para regressar pela mão do PNV, eles, aqui, numa Euskal Herria demasiado dorida, sofriam a repressão e a tortura franquista para conseguir a liberdade e as condições que a si lhe permitiram dedicar-se à política durante trinta anos, que são muitos anos.

Olhe, senhor Anasagasti, na verdade o seu artigo também não constitui nenhuma novidade jornalística. O facto de se lançar augúrios de tragédia sobre o futuro da esquerda abertzale nos meios de comunicação e em qualquer declaração política que se preze converteu-se numa trivialidade. Todos, jornalistas e políticos, incluindo o senhor, estão empenhados em tratar da nossa extinção e em representar perante a sociedade um cenário em que essa extinção é já um facto consumado. Para conseguir os seus objectivos e tornar invisível a proposta da esquerda abertzale para um novo marco democrático, tudo vale. Não importa a qualidade democrática do caminho a seguir. Qualquer arma judicial, policial, legislativa ou mediática pode ser válida, caso contribua para expulsar da cena política o independentismo de esquerda. E se essas medidas, decretadas por Madrid e apoiadas pelo seu partido, ajudam a criar as circunstâncias propícias para desmoralizar as bases da esquerda abertzale, os objectivos estão mais do que alcançados.

Em todos os discursos dos dirigentes do PSOE, do PP e dos seus companheiros de partido e, em especial, nas declarações do ministro espanhol do Interior, parece-me reconhecer uma intencionalidade subliminar de prepotência e vitória política, de condescendência ganhadora e uma falta de rigor quase infantil no momento de analisar a militância, o compromisso, a ideologia e a força da luta política da esquerda abertzale. Quem lança estas mensagens e as escreve, como o senhor, em artigos tão pouco politicamente substanciosos, responde a uma propaganda de acosso e derrube perfeitamente estudada. Fazem-no com base no atrevimento e na ousadia que traz consigo a soberba e a ignorância, atitudes que talvez lhes limite a visão política e lhes faça crer que a sua advertência calará no ânimo dos militantes abertzales, e que estes acabarão por admitir a possibilidade de, no fundo, o Governo espanhol e o PNV estarem na via certa. Porque já se sabe que nada há de mais benéfico para o inimigo que um militante sem esperança. Para o provar, só tem que analisar a perda de votos nacionalistas nas últimas eleições.

Para o caso de não o saber, digo-lhe que, nas últimas décadas, os novos desafios da esquerda geraram numerosos debates em torno da militância política e da sua importância na luta por uma mudança social que devolva aos povos os direitos, a liberdade e a capacidade de decisão que o neoliberalismo actual tentou apagar do pensamento político, através do desenvolvimento e implementação de um individualismo selvagem e consumista. Desde Marta Harnecker até Fernández Huidobro, ex-dirigente Tupamaro, passando por políticos e ideólogos marxistas, social-democratas, anarquistas ou liberais, todos teorizaram, a partir de perspectivas muito diferentes, sobre o protagonismo e o compromisso da militância, seja na estrutura de um partido, de um movimento popular ou noutros campos sociais. Contudo, apesar dos diversos conceitos que defendem e por cima de qualquer teoria, existe um princípio fundamental, simples e inequívoco, que não necessita de muita teorização e sem o qual a militância e o compromisso ideológico se tornam frágeis e mutáveis. Estou-lhe a falar desse sentimento de orgulho e confiança que se mantém nas ideias que estruturam o nosso pensamento e a nossa vida, com as quais analisamos a realidade, racionalizamos as respostas e sustentamos a nossa luta. Esse orgulho de ser o que somos e a confiança no que chegaremos a ser são, quiçá, o elemento inexplicável que faz avançar a força e a exigência de luta para alcançar os objectivos e tornar possível o que o sistema nos mostra como impossível, e que responde ao que Tomás Moro definiu como utopia, o que Marta Harnecker teorizou no seu livro A Esquerda no Limiar do Século XXI e que eu, no meu modesto ideário pessoal, me explico a mim mesma como a defesa de um idealismo possível. Reconheço que este posicionamento será difícil de entender para quem, como o senhor, senhor Anasagasti, converteu a política, a democracia e os direitos colectivos e individuais num campo de negócio e poder, defendido pela força da repressão.

A decisão da Audiência Nacional de processar 30 militantes da esquerda abertzale no sumário de ilegalização do EHAK [Partido Comunista das Terras Bascas], cuja denúncia lhe causa tanta hilaridade, constitui, como todos os processamentos de militantes da esquerda abertzale, uma acção de perseguição política, digna de qualquer governo neofascista, e isso, o senhor e o seu partido sabem-no muito bem. Outra coisa é que se calem e tentem sacar benefícios desse silêncio. É certo, senhor Anasagasti, que os acordos entre o PP e o PSOE, a submissão do PNV ao marco constitucional espanhol e a docilidade com que o tripartido de Gasteiz está a acolher a proibição da consulta promovida por Ibarretxe, juntamente com as mensagens que durante esta semana se prodigalizaram na imprensa, tentando vender uma sensação de vitória policial e judicial, conseguiram que a dureza da realidade que a esquerda abertzale está a viver se agudize, num Verão em que, ao que parece, só é lícito tomar sol. Também é certo que no novo curso político a esquerda abertzale terá que trabalhar duramente e articular as respostas adequadas para impedir que vocês, o PNV, negoceiem com o PSOE uma reforma estatutária. Enfrentar o momento com uma estratégia de luta política, num contexto excessivamente hostil, onde o reconhecimento de Euskal Herria, a independência e o socialismo estão excluídos e criminalizados, vai ser uma tarefa bastante árdua, e vai ser necessário um compromisso muito valente por parte da militância da esquerda abertzale.

Contudo, senhor Anasagasti, por mais que o senhor não o possa entender, é agora, neste momento de vertigem, quando a solidez das ideias pode e deve sustentar o projecto de futuro. O orgulho de ser o que somos e a confiança no que chegaremos a ser converter-se-ão na força e também no sorriso aberto de cada um dos homens e das mulheres da esquerda abertzale, sejam jovens ou veneráveis, estejam na prisão, livres ou compareçam nas conferências de imprensa zurzidos por artigos tão banais e grosseiros como o seu.

Na realidade, senhor Anasagasti, devo confessar-lhe que, no que respeita à coerência política, à ética humana, ao valor das ideias e ao orgulho de as defender, neste artigo não descubro nada de novo. Disseram-no os gregos e durante séculos teorizou-se sobre isso. Foi Shakespeare no século XVII quem o expôs como dilema, com a paixão do drama e o segredo da poesia. “Ser ou não ser, eis a questão”. Sim, senhor Anasagasti. O senhor e os seus companheiros de partido, não sei, mas o que lhe posso assegurar, sim, é que a esquerda abertzale, porque é, continuará em Euskal Herria, lutando por aquilo em que acredita.

Fonte: Gara

INO GALPARSORO: Pedraz decreta liberdade sob fiança de 30 000 euros para a autarca de Arrasate

O juiz da Audiência Nacional espanhola Santiago Pedraz, que substitui Baltasar Garzón, decretou hoje a libertação da autarca de Arrasate, Ino Galparsoro, sob fiança de 30 000 euros.
No passado dia 30 de Abril, o juiz da Audiência Nacional espanhola Baltasar Garzón colocou a sua assinatura no envio para a prisão de Ino Galparsoro. “Colaboração com organização terrorista” e “quebra da suspensão de actividades da EAE-ANV” eram as razões argumentadas para deixar sem primeira edil os habitantes da localidade guipuscoana.
Garzón tomou a decisão depois de convocar a Madrid a autarca de Arrasate e depois de tanto a Procuradoria como as acusações populares (AVT e Dignidad y Justicia) o terem proposto. Nessa altura, não existiu diferença alguma entre Governo espanhol e extrema-direita.
Um sem número de mobilizações e actos de protesto foram-se sucedendo nos 3 meses que Galparsoro permaneceu na prisão. A terra onde exercia o cargo de autarca fez tudo ao seu alcance para exigir um vez e outra a sua imediata libertação.

Fonte: Gara

[Ino, não esquecemos a tua força e dignidade! Gogoan zaitugu!]

A explosão de uma bomba causa danos importantes nas obras da AP-8 em Orio


Uma bomba provocou estragos esta madrugada em seis barracões e quatro veículos das empresas Acciona e Fonorte (adjudicatárias de alguns tramos das obras do TGV) que trabalham numas obras da auto-estrada AP-8, em Orio. Lakua atribuiu esta acção à ETA e solidarizou-se com os afectados.

De acordo com o Departamento do Interior de Lakua, a explosão ocorreu de madrugada, mas os seus efeitos não foram comunicados à Ertzaintza antes das 7h, quando se deslocaram para o local várias patrulhas da polícia autonómica, com o propósito de determinar a dimensão exacta dos estragos, bem como a composição e a quantidade do material explosivo.
A mesma fonte precisou que o estrondo provocou danos em seis barracões de obra que os trabalhadores usam para mudar de roupa e guardar ferramentas, e em dois veículos todo-o-terreno e duas furgonetas, afectados pela onda expansiva da explosão.
Houve reacções.
Notícia completa: Gara

Todos os detidos denunciaram torturas perante o juiz Garzón

A Askatasuna assegurou ontem que os dez jovens detidos na semana passada, acusados de pertença à ETA, denunciaram na sua declaração perante o juiz da Audiência Nacional Baltasar Garzón ter sofrido maus tratos durante o tempo que estiveram sob regime de incomunicação, às mãos da Guarda Civil.
Segundo fez saber a organização anti-repressiva, os detidos denunciaram perante o juiz ter recebido socos na cabeça e nos testículos, e ameaças de violação. Além disso, nalguns casos ter-lhes-iam aplicado “o saco” e proferido ameaças de utilização de eléctrodos.
Nessa mesma linha, os detidos teriam relatado a Garzón que foram obrigados a permanecer em posições forçadas e a realizar flexões durante muito tempo. Apesar das denúncias efectuadas na presença do próprio juiz, o magistrado deu ordens de prisão a sete dos detidos.

A agência EFE, citando fontes jurídicas, referiu que o ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, acusa Arkaitz Goikoetxea, Iñigo Gutiérrez, Aitor Kotano, Mikel Saratxo, Gaizka Jareño, Anabel Prieto e Maialen Zuazo de serem membros e colaboradores do denominado “complexo Bizkaia” da ETA.
Garzón imputa aos encarcerados uma dezena de atentados cometidos desde Agosto de 2007, entre os quais se contam os ataques contra os quartéis da Guarda Civil de Legutio, Durango e Calahorra, a acção contra o Real Club Marítimo de El Abra de Getxo, o ataque contra a esquadra da Ertzaintza em Zarautz e as bombas contra as casas do povo de Derio e Balmaseda.
Por seu turno, decretou liberdade sob fiança de 12 000 euros para Adur Aristegi, detido em Elorrio, Inge Urrutia, presa na quinta-feira em Getxo, e Libe Agirre, que foi detida em Fuengirola (Andaluzia).

O protocolo não impede a tortura

A Askatasuna denunciou de forma veemente a “impunidade” que o regime de incomunicação oferece às forças policiais e referiu que o protocolo esboçado pelo próprio Garzón para evitar que ocorram torturas não serve. Na sua opinião, não é mais que uma iniciativa para “lavar a cara” do juiz, já que os guardas civis que actuaram sob as suas ordens “voltaram a utilizar métodos de tortura selvagens, como ficou demonstrado nas denúncias de tortura efectuadas perante o juiz”.
Por isso, a Askatasuna insistiu na ideia de que, para acabar com a tortura, é necessário acabar antes com as leis que possibilitam a incomunicação e respeitar os direitos dos detidos.
Criticou ainda a “vergonhosa atitude” que mantiveram os meios de comunicação, situando-se, na sua perspectiva, “ao serviço da repressão”, ao avançarem com graves imputações contra os detidos. “Foram julgados e linchados publicamente”, denunciou. Para a organização anti-repressiva, por trás dessa forma de actuação encontra-se a violação dos direitos dos detidos e a justificação de medidas de excepção perante a cidadania. “Os aparelhos repressivos utilizaram as detenções como propaganda e os meios de comunicação foram companheiros de viagem imprescindíveis”.

«Com todas as garantias»
Antes de que fossem conhecidas as denúncias de tortura avançadas por todos os detidos, Garzón assegurou que estes contaram “com todas as garantias”, em declarações à cadena Ser.
[E mais rezou, o juiz. Pode-se ler o que afirmou, seguindo a ligação que abaixo se indica.]

Notícia completa: Gara

Nas praias de Euskal Herria: «Entre todos, vamos conseguir que os presos regressem a casa vivos»

Centenas de pessoas secundaram as mobilizações convocadas para exigir respeito pelos direitos dos presos políticos bascos. As praias da costa basca testemunharam uma iniciativa popular que se repetiu nos últimos anos, coincidindo com o período estival, na qual se pediu às instituições que “façam algo” para acabar com a dispersão e se exigiu também a libertação dos presos políticos bascos com doenças graves e dos que já cumpriram as suas penas.

Deste modo, e como ressaltaram na concentração realizada em Zarautz, onde tomaram a palavra as porta-vozes da iniciativa Arrate Makazaga e Maixux Altuna, a mobilização dos cidadãos é absolutamente necessária para continuar a “pressionar” as instituições, no sentido de “fazerem cumprir a legalidade”. “Pedimos apenas que se cumpra a lei”, insistiram.
Makazaga pediu também às instituições bascas para abandonarem “as declarações de boas intenções” e para “fazerem algo, finalmente, porque está nas suas mãos acabar com a dispersão”.
Para além disso, apelou à sociedade basca para que, “como até agora” continue a acorrer às mobilizações em defesa dos direitos dos presos, porque, “entre todos, vamos conseguir que regressem a casa, e vivos”.

Tal como em Zarautz, a praia getxoztarra de Ereaga recebeu ao meio-dia uma concentração numerosa – mais de uma centena de pessoas – para exigir o respeito pelos direitos dos presos políticos bascos e a sua repatriação, reivindicação que se podia ler nas faixas e nas bandeirolas que transportavam, acompanhadas por ikurriñas e fotografias dos presos da região de Uribe Kosta.
Para além de se concentrarem em frente ao passeio marítimo, os participantes na mobilização percorreram também a praia a pé, fazendo ouvir as suas exigências e distribuindo panfletos informativos sobre situação crítica do preso Anjel Figueroa. Este natural de Algorta é um dos 14 presos políticos bascos que se encontram gravemente doentes – no seu caso concreto, sofre de epilepsia do lóbulo temporal e esclerose mesial do lado direito. Apesar de a sua doença ser incurável e de o seu estado de saúde se deteriorar na prisão, foi-lhe denegada a aplicação do artigo 92 do Código Penal, que contempla essa possibilidade.
Além disso, durante a marcha exigiram a libertação dos detidos na última operação policial e denunciaram a utilização da tortura por parte das Forças de Segurança do Estado. Cinco dos dez detidos pela Guarda Civil na semana passada – Arkaitz Goikoetxea, Iñigo Gutierrez, Aitor Kotano, Mikel Saratxo e Inge Urrutia – são desta localidade costeira.


«Prisioneiros de guerra»
Também na zona de estacionamento da praia de Ereaga, dois carros com megafones deram a conhecer algo mais sobre a situação em que se encontram os 740 homens e mulheres que compõem o colectivo dos presos políticos bascos, fazendo saber que esses encarcerados são utilizados pelos governos espanhol e francês como “prisioneiros de guerra, com o propósito de dobrar a sua vontade e de os utilizar para fazer chantagem política”.
Segundo referiram, a política penitenciária que se aplica aos presos, ao fazê-los passar por condições de vida extremas, “procura a sua morte”. Entre essas condições extremas, aludiram à escassa assistência médica; aos entraves postos à comunicação, ao estudo ou à prática do desporto; aos espancamentos frequentes ou às situações de forte tensão a que são sujeitos, mas não quiseram deixar de destacar a “crueldade” da política de isolamento. Tal como indicaram, neste momento há 49 presos que sofrem um isolamento total, com os graves implicações consequentes.
Para além disto, assinalaram que apenas 17 presos bascos se encontram encarcerados em prisões de Euskal Herria, o que obriga os familiares e amigos a percorrerem milhares de quilómetros, e que prolongaram a pena a 28 presos políticos. Denunciaram ainda que 169 presos deveriam estar em liberdade condicional, depois de terem cumprido 3/4 da sua condenação.
A maioria dos banhistas que se encontravam junto à praia biscainha acolheu com simpatia a mobilização de protesto, mas também houve algumas pessoas que se negaram a receber a informação que era distribuída.

Também as praias de Bermeo, onde 40 pessoas participaram na marcha, e Muskiz, que contou com a mobilização de 210 moradores, foram cenário de protestos similares. Para além destes, 165 pessoas reivindicaram em Gorliz o respeito pelos direitos dos presos, enquanto em Ea foram 150 as que participaram na concentração, em Sopela, 150, e em Laga, 110. Na concentração de Ondarroa participaram 265 pessoas. Em Hondarribia foram 250 os habitantes que secundaram a mobilização e em Orio, 300. Também nas praias de Hendaia, Donostia, Zumaia, Deba, Mutriku, Getaria, Bakio, Mundaka e Lekeitio houve mobilizações pelos presos, do mesmo modo que na barragem de Garaio, em Araba.

Fonte: Gara

Marchas em Goierri e Hego Uribe contra o TGV


A plataforma AHT Gelditu! de Hego Uribe realizou no sábado uma marcha reivindicativa até às obras do TGV. Partiu às 19h do bairro de San Miguel, em Basauri, e dirigiu-se até Zaratamo, com uma paragem em Arrigorriaga. No final da marcha, na zona em que começaram os trabalhos de construção desta infra-estrutura, apareceu a Ertzaintza, tendo proibido aos opositores do TGV que se aproximassem das obras.
Os participantes na marcha, à volta de cem pessoas, criticaram o facto de o início das obras ter ocorrido sem contar com a opinião nem a participação dos cidadãos, “sem informar os moradores de San Miguel, Arrigorriaga e Zaratamo, directamente afectados pelos diversos impactos que a infra-estrutura irá causar”. Censuraram também a atitude que os responsáveis do projecto mostraram para com os proprietários das terras. Afirmaram que “fizeram pouco deles” e que “os chantagearam”.

Para além disso, denunciaram “o obscurantismo” com que se levou a cabo o projecto: “os Municípios de Galdakao, Basauri, Arrigorriaga e Zaratamo fizeram ouvidos moucos perante os resultados da sondagem de opinião realizada por profissionais de sociologia e docentes da UPV [Universidade do País Basco], que deixava bem claro que nas referidas localidades as pessoas não dispõem de informação sobre o TGV, desconfiam do trabalho institucional referente a este tema e se posicionam contra a infra-estrutura”.
A AHT Gelditu! de Hego Uribe aproveitou o encontro de sábado para dar a conhecer aos participantes na marcha alguns detalhes das obras, que, na sua opinião, “irão gerar um grande impacto”.

Este não foi a único protesto contra o TGV que teve lugar no sábado. Em Ordizia, sob o lema «Diruaren hotsa, Goierriren heriotza» [O som do dinheiro é a morte de Goierri], cerca de 1200 pessoas participaram numa manifestação que percorreu as ruas desta localidade, imersa nas festas da padroeira. Os participantes aproximaram-se do local onde as obras já começaram e onde várias patrulhas da Ertzaintza os esperavam. Permaneceram no lugar uns cinco minutos, e retomaram a marcha.
Num comunicado final, denunciaram que existem numerosas razões para desfazer o projecto, “para parar a maior e a mais esbanjadora infra-estrutura que se procurou fazer em Euskal Herria”. Deste modo, lembraram que o TGV vai provocar danos irreparáveis no meio ambiente: “o seu impacto far-se-á sentir em todo o território, e nalgumas povoações as suas consequências serão bastante graves”.

Afirmaram que este projecto pretende impor um modelo de território, “a chamada eurocidade, que apenas contempla a ligação rápida entre as capitais”. Por isso, asseguraram que o projecto não contribuirá para solucionar os problemas de transporte público, nem os problemas derivados da passagem de camiões.
Do mesmo modo, qualificaram o projecto como uma demonstração clara do “capitalismo devorador”. “Dá impulso a um modelo esbanjador e expansionista a qualquer custo”, sublinharam a este respeito.
Os membros da AHT Gelditu! de Goierri insistiram na necessidade de a cidadania se mobilizar contra o projecto, “para dizer que não precisamos dele nem o queremos”.
O acto também incluiu uma paródia na qual “tomou a palavra ‘o lehendakari’, que se dirigiu aos assistentes insistindo na necessidade da consulta”.

Entretanto, o acampamento contra o TGV que arrancou na quinta-feira em Zaldibia prossegue com um programa bem recheado. Até ao momento, os participantes e os visitantes puderam conhecer a experiência de outros grupos “de luta anti-expansionista”. Na sexta-feira, puderam também desfrutar dos bertsos de Unai Muñoa, Uxue Alberdi, Aitor Sarriegi e Iñigo Mantzisidor.
Para ontem, domingo, estava prevista uma marcha montanhista pelo vale de Mariaratz, seguida de um almoço em Lazkao. Para o resto do dia, o programa incluía, na parte da tarde, a apresentação do livro Naturaleza, ruralidad y civilización, de Felix Rodrigo, e, após o regresso a Zaldibia, a representação da obra Klowntuz mendia.

Fonte: Gara
Programa do acampamento contra o TGV em: AHT-ren_Aurkako_Asanblada

A Procuradoria dá por concluída a instrução do sumário aberto contra o Batasuna

Depois de se ter ficado a saber que o juiz Garzón convocou trinta militantes abertzales a declarar como processados no próximo mês de Setembro, na sexta-feira soube-se que a Procuradoria deu por concluída a instrução do sumário aberto contra o Batasuna, cujo julgamento poderia ter início em Fevereiro.

A Procuradoria da Audiência Nacional espanhola poderia pedir esta semana à Segunda Secção da Sala Penal a abertura do julgamento oral contra 39 militantes independentistas acusados no sumário aberto contra o Batasuna. Desta forma, ao fim de seis anos, a acusação pública dá por terminada a instrução.
Nesta causa estão processados mahaikides [porta-vozes] que se encontram encarcerados depois da operação policial levada a cabo em Outubro do ano passado, em Segura, outros integrantes da Mesa Nacional detidos antes e depois daquela operação, assim como pessoas que formaram parte da direcção da formação abertzale em períodos anteriores.
Assim, entre os acusados encontram-se pessoas como Arnaldo Otegi, Pernando Barrena, Joseba Permach ou Rufi Etxeberria, interlocutores da esquerda abertzale no fracassado processo de diálogo, bem como outros conhecidos militantes independentistas, como Joseba Alvarez, Jon Gorrotxategi, Karmelo Landa, Juan Kruz Aldasoro ou Antton Morcillo, entre muitos outros.

Julgamento a partir de Fevereiro
O julgamento, de acordo com o que veiculou o diário ABC na edição de quinta-feira, deverá começar em Fevereiro do próximo ano, na Segunda Secção do tribunal especial espanhol, presidida por Fernando García Nicolás.
Segundo o jornal citado, o magistrado solicitará doze anos de prisão para os acusados, por “delito de integração em organização terrorista”, o mesmo que incluirão nas suas conclusões os advogados da AVT e da Dignidad y Justicia, que também estão representados na causa. Contudo, para alguns dos mahaikides [porta-vozes], o representante do Ministério Público poderia pedir catorze anos, acusando-os de “dirigentes”.

Fonte: Gara

Iñaki Rike e Fernando Ros foram homenageados

Iñaki Rike, refugiado político basco falecido há precisamente dois anos, foi ontem lembrado numa cerimónia que decorreu em Lezama, sua terra natal. Rike passou 18 anos nas prisões espanholas, onde levou a cabo imensas lutas pelos direitos dos presos políticos bascos. Depois de sair da prisão, no início de 2000, foi acossado por represálias e teve que se exilar no último ano e meio da sua vida. Morreu em Baiona, de doença grave e prolongada. Na localidade navarra de Abartzuza (comarca de Lizarra), também decorreu uma homenagem, neste caso a Fernando Ros, membro do Movimento Pró-Amnistia falecido em 1986.

Fonte: Gara

Presos encarcerados em Aranjuez mobilizam-se em apoio a Iñaki de Juana


Os presos políticos bascos encarcerados em Aranjuez levaram a cabo diversas iniciativas na semana passada em solidariedade com Iñaki de Juana, que se encontra em greve de fome, como protesto pela campanha mediática e judicial que está a decorrer contra ele. Este fim-de-semana, os prisioneiros iniciaram uma greve de fome rotativa, que irá durar até o prisioneiro donostiarra abandonar a prisão.
Fonte: Gara

sábado, 26 de julho de 2008

Ekon – «Zuentzat»

«Para vocês», dos Ekon, banda de Arrasate (Gipuzkoa, EH).

“Presos de uma prisão ainda maior, / respirando a distância de uma lembrança roubada, / suportando o peso de um castigo acrescentado, / deixando um pedaço de vida em cada quilómetro. / Enchendo cada encontro de esperança e lembrança, / derramando uma lágrima em cada despedida. / Caminhando sempre, preparando o regresso, / levando o alento, aguentando. […]”

Solidariedade com os presos políticos nas praias de Euskal Herria


Amanhã, a partir das 12h, pessoas solidárias com os presos políticos bascos irão acorrer às praias, mobilizando-se sob o lema «Gaixotasun larriak dituzten presoak eta kondena betea dutenak kalera!» [Liberdade para os presos com doenças graves e com a pena cumprida!]. Em Lapurdi, a concentração é em Hendaia, e em Gipuzkoa terão lugar em Hondarribia, Donostia (Zurriola, Kontxa e Ondarreta), Orio, Zarautz, Getaria, Zumaia, Deba, Mutriku e Saturraran. Na Bizkaia, as mobilizações irão decorrer em Ondarroa, Lekeitio, Laga, Bermeo, Mundaka, Ea, Bakio, Ereaga, Sopela, Plentzia e Muskiz, enquanto em Araba as pessoas se concentrarão junto à barragem de Ullibarri-Ganboa, mais concretamente em Garaio. Por outro lado, em Lezama, às 19h, haverá uma cerimónia em memória do refugiado político Iñaki Rike Galarza, falecido há dois anos, e na localidade navarra de Abartzuza, às 13h, será homenageado Fernando Ros, militante do Movimento Pró-Amnistia falecido em 1986.

Para_as_praias_(áudio)

Fontes: Gara e Apurtu

Nafarroa: nomes franquistas nas ruas de Burlata


Na sessão plenária de Abril celebrada no Município de Burlata, a UPN, o PSOE e o CDN uniram os seus votos para impedir que as denominações franquistas, que ainda permanecem no arruamento da nossa terra, fossem eliminadas. Trata-se das ruas Pío Loperena, Faustino Garralda, José Mina e Federico Mayo. Além disso, com esta negativa impediu-se a retirada da simbologia fascista e a condição de filho adoptivo ao colaborador do general Mola e destacado membro do regime em Navarra, Francisco Uranga, em cujo palácio de Burlata tiveram lugar algumas das reuniões preparatórias do golpe de estado de Julho de 1936 em Navarra.

Tudo isso foi impedido mediante o voto negativo destes três grupos a uma moção apresentada pelas vereadoras assinantes da esquerda abertzale, que apelava à necessidade da recuperação da memória histórica em Burlata, com a justa lembrança e o justo reconhecimento aos cinco moradores da nossa localidade assassinados pela repressão franquista: Juan Maria Uterga, Isaac Bubea, Sebastián Urrizola, Juan Ilundáin e Candido Jericó. Uma recuperação que consideramos necessária após sete décadas marcadas por um silêncio imposto pelo franquismo e por quem esteve conivente com o pacto de esquecimento decidido durante a transição, que alcançou os sucessivos governos posteriores e que só foi possível alterar graças ao importante movimento social em prol da memória, tal como pudemos comprovar há poucos dias em Sartaguda, um movimento de cujo conteúdo esses tais que combinaram o esquecimento agora querem esvaziar.

A recuperação da memória, em Burlata, implica ineludivelmente a retirada dos nomes e méritos de todas aquelas pessoas que foram escolhidas, não por serem naturais de Burlata e morrerem na frente, como afirmaram os representantes da UPN, mas para simbolizar a suposta homenagem e o afecto que a população lhes deveria prestar pelos serviços prestados à causa da ditadura franquista (não foi por acaso que foram as autoridades franquistas quem o fez). Deste modo, pretendia-se uma exaltação pública dos princípios fascistas, que atentam contra os valores democráticos, especialmente contra os daqueles lutadores pela liberdade, republicanos, socialistas, abertzales, comunistas ou anarquistas que foram vítimas da sua repressão.

É significativo o caso do destacado dirigente da ditadura Federico Mayo. Enquanto a decisão do Tribunal Administrativo de Navarra obriga o Município de Iruñea [Pamplona] a retirar o seu nome das ruas da Txantrea por ser um símbolo do franquismo, a Sessão Plenária do Município de Burlata nega-se a fazê-lo, inibindo-se da sua responsabilidade de os eliminar.

Esta reivindicação conta com mais de duas décadas em Burlata, desde que um acordo em sessão plenária decidiu uma eliminação parcial e incompleta da nomenclatura franquista, retirando exclusivamente os nomes de duas ruas.

Por tudo isto, consideramos a rejeição desta moção como mais um travão para apagar as marcas do fascismo que ainda estão presentes na nossa terra; travões que sempre fomentou essa direita navarra que se sabe herdeira e devedora do franquismo, e que uma vez mais conta com a conivência do PSOE, que em Burlata parece querer continuar com a estratégia do esquecimento e da suspensão da memória que durante três décadas este partido decidiu levar a cabo a todos os níveis. Prisioneiros ainda de tantos anos de falta de sensibilidade para com a memória histórica, e querendo-a esvaziar de conteúdo, deixando-a em parâmetros puramente sentimentais. Memória para a qual não contribuiremos em Burlata enquanto não se fizer justiça relativamente ao reconhecimento aos assassinados pela repressão, e com a eliminação de toda a exaltação franquista. Só assim poderemos olhar para o futuro, desfazendo-nos de ataduras que nos unem a esse passado ainda presente por não se ter cortado com ele em demasiados âmbitos, sabedores de que a verdadeira atadura ao passado é a que produz o temor à mudança.

O grupo municipal Burlatako Abertzale Taldea continuará a trabalhar para que se faça justiça e se preste reconhecimento, para lá da simples homenagem ou da lembrança oca, àqueles que lutaram por uma sociedade livre, justa, igualitária e solidária.

Maite EZKURRA ARANBURU
Amaia DOMEÑO ZARO
Fonte: Nabarralde

Tortura: a «rede» continua operacional

Em ocasiões anteriores, mencionei a confissão de López Agudín acerca da discussão, quando ele era um alto cargo do Interior, sobre a actuação policial “com rede”, nas suas próprias palavras, “o eufemismo que se emprega para designar os maus tratos e a tortura”.

Na sequência das recentes detenções, que a máquina repressiva apresentou como um golpe ao «comando Bizkaia», pôde-se ler no meio de comunicação digital «El Confidencial» (www.elconfidencial.com) uma crónica que nos lembra o cinismo com que se continua a encarar a tortura sobre os detidos. Diz o redactor do texto, um tal Aníbal González, que a operação pode ter-se adiantado às datas previstas, para oferecer um presente benemérito a Zapatero nos seus 100 dias de governação. E acrescenta González que este adiantamento “impediu que a Guarda Civil efectuasse as detenções de terça-feira às ordens do juiz Grande-Marlaska”. E que mais? – perguntar-se-á muita gente. De acordo com «El Confidencial», o facto de terem sido ordenadas por Garzón criou problemas à Guarda Civil. Porquê? Porque “Garzón ‘se armou em garante', ao ponto de fazer observar certas recomendações da ONU no que respeita ao tratamento dos detidos por pertencerem a um grupo armado, que, não sendo de cumprimento obrigatório pelos Estados-membros, outorgam aos suspeitos de actividades terroristas umas prerrogativas que tornam realmente difícil a investigação policial na hora de obter informação dos detidos”.

Sim, sim! Isto tem interesse! Pode-se fazer apologia da tortura de maneira mais descarada? As garantias para evitar violações dos direitos humanos são prerrogativas? E por que dificultam a obtenção de informação dos detidos?
A tortura seria impossível sem um contexto legal que a tornasse possível, e desse garantias de impunidade aos torturadores. E seria também impossível sem jornalistas e meios de comunicação que a justificassem. Meios que aplaudem os procedimentos de “investigação” das forças policiais espanholas, muitas vezes denunciados pela Amnistia Internacional e a própria ONU.

Floren AOIZ
http://www.elomendia.com/

Fonte: Gara

Errenteria presta homenagem à ikurriña nos 25 anos da «guerra das bandeiras»

Uma mar de gente, habitantes e numerosos agentes sociais da localidade, participou na homenagem que ontem à tarde se prestou à ikurriña, coincidindo com as festividades das madalenas em Errenteria. Cumpriam-se 25 anos sobre imposição à força da bandeira espanhola na Câmara Municipal desta terra guipuscoana e, como lembram os promotores deste acto de homenagem, no Verão daquele triste 1983 a chamada «guerra das bandeiras» estendeu-se a todo o País Basco, com especial incidência em Errenteria.

Numerosas associações de moradores, culturais e gastronómicas, bem como movimentos populares, partidos políticos, sindicatos e cidadãos expressaram que não querem esquecer aqueles dias, porque “sem memória não há identidade” e desejam que não se voltem a passar semelhantes coisas.

«Dias de guerra»

Os oreretarras mais veteranos ainda se lembram do que aconteceu naquele Verão, há um quarto de século, quando o PSOE, tal como hoje, liderava o Município, e decidiu impor à força a bandeira espanhola na varanda da sede municipal, ao ponto de acabar com o ambiente festivo e fazer com que as madalenas fossem suspensas.

E, como evocaram os promotores desta homenagem na conferência de imprensa de sábado passado, aqueles dias não foram dias de festa, foram autênticos dias “de guerra”, em que os cacetetes e as correntes substituíram os risos e os beijos, e o som seco dos tiros ocupou o lugar da música. “Em vez de alegria, feridos; em vez da ikurriña, a bandeira espanhola; face ao desejo do povo, a imposição”, denunciaram.

Com a homenagem de ontem à tarde, as organizações e as pessoas convocantes querem deixar claro que aqueles acontecimentos não caíram no esquecimento em Errenteria, numa altura em que a imposição do símbolo espanhol volta a ser um tema da actualidade, como se pôde ver nos municípios de Bilbau, Donostia ou Lizartza.

Para além disso, no âmbito desta iniciativa popular, também se fez um apelo aos moradores de Errenteria para que, além da participação na homenagem de ontem à ikurriña, coloquem a bandeira nacional basca nas varandas das suas casas, durante o tempo das festas da padroeira.

Para além das organizações sociais e das associações de moradores e entidades gastronómicas que participaram nesta iniciativa, também a apoiaram formações políticas como o Batasuna e os vereadores da esquerda abertzale, o PNV, o Eusko Alkartasuna, a Ezker Batua e o Aralar; e grupos sindicais como o ELA e o LAB. Além disso, foram recolhidas, nos últimos dias, numerosas adesões de carácter individual.

Fonte: Gara

Apelo aos jornalistas para que assinem a declaração «Euskaraz bai»


O Kontseilua – Euskararen Gizarte Erakundeen [ou Conselho de Organizações Sociais do Euskara] convidou os jornalistas a assinar a declaração «Euskaraz bai» [«Em basco, sim»], já que, “no empenho por viver com normalidade em euskara, os jornalistas têm muito que comunicar”. Até ao momento, agentes de diversos domínios apoiaram esta iniciativa para a normalização do euskara: escritores, gente do mundo da cultura, bertsolaris e actores, sindicatos e desportistas, entre outros.

Entretanto, alguns jornalistas de diversos meios de comunicação já assinaram a declaração «Euskaraz bai»; são eles: ETB, Gara, Geu, Berria, Hitza, Metro Bilbao, El Nervión, Info 7, El Diario Vasco, Herria, Nabarreria.com, Gaztesarea e Zazpika.

O Kontseilua agradece a todos os que até agora mostraram o seu apoio e, de passagem, anima toda a sociedade a passar das mostras de solidariedade com o euskara para a fala em euskara. Os jornalistas ou quaisquer outros indivíduos que ainda não tenham assinado a declaração podem fazê-lo na página web do Kontseilua, mais concretamente, na página www.kontseilua.org/euskarazbai.

«Orreaga Roncesvals», uma ópera basca


A Praça de Touros de Baiona irá acolher hoje, dia 26, às 21h30, esta criação inédita do músico Pier-Paul Berzaitz, baseada na famosa história de 778, em que a retaguarda do exército de Carlos Magno, comandada pelo seu sobrinho Roland, é desbaratada pelas tropas bascas. Gaël Rabas, director do Théâtre du Versant e responsável pela mise-en-scène, dirige os cerca de 300 artistas, amadores e profissionais, os pottok [cavalos de raça basca] e as ovelhas que participam no espectáculo.
A produção está a cargo da associação Or Konpon, numa altura em que celebra 30 anos de existência. A direcção musical é de Jean-Marie Guezala e Juana Etxegoin, e a coreografia é da responsabilidade de Célia Thomas.
Os textos são em basco, francês, espanhol e occitano. Sem qualquer problema de compreensão ou necessidade de tradução, o público deixar-se-á levar pelos 50 coristas, os 15 músicos (que tocam instrumentos antigos), os 60 dançarinos e actores de Lapurdi e Zuberoa, os 20 cavalos e os seus cavaleiros, e os 50 figurantes.

Fontes: sareantifaxista, Baiona e lejournalduPaysBasque

Sem ódio mas com determinação

Vinte e cinco anos depois daquela terrível tarde de 7 de Agosto de 1983 em Léon, eis-nos aqui novamente a colocar a questão “Nun da Popo?” [Onde está o Popo?] Passou um quarto de século. Muitos acontecimentos se sucederam em Euskal Herria e no mundo durante este lapso de tempo. E eis-nos aqui novamente a colocar a questão face à qual, até hoje, o Estado francês sempre teve uma atitude bastante suspeita. Não é por sentimentos mórbidos que se insiste nesta questão. É que o desejo de ver a verdade emergir foi mais forte que a passagem do tempo e que o maquiavelismo daqueles para quem a razão de Estado tem mais peso do que a determinação popular. “Salvar um homem é salvar a Humanidade”, dizem. “Fazer justiça a um homem é fazer justiça a todos os escarnecidos, todos os perseguidos”, podiam continuar. Popo Larre é um símbolo do que de pior pode produzir um sistema para o qual o ser humano é uma parte insignificante. É por isso que nós continuamos e havemos de continuar a exigir que seja dada uma resposta à questão “Nun da Popo?”. Mas para lá da exigência de verdade sobre o destino de um homem, coloca-se também a questão de princípio sobre um dos nossos, militante abertzale, cuja vida se inscreveu para sempre na acção em prol da defesa do seu povo, o povo de Euskal Herria. Regressa-nos à memória, a nós, abertzale, intransigente, inflexível, de modo a impedir que a mortalha do esquecimento se junte à da morte. Em nome do nosso dever de memória, do reconhecimento que devemos às mulheres e aos homens que deram o melhor de si mesmos para contribuírem para a libertação nacional e social de Euskal Herria, precisamos de continuar a clamar «Nun da Popo?». Sem ódio mas com determinação. Quanto ao mais, temos uma certeza: a verdade acaba sempre por encontrar o seu caminho…

Fonte: NunDaPopo
Ver também (em francês): AutonomiaEraiki

Dois cidadãos bascos detidos em França e mobilizações pelos presos políticos em todo o País Basco


A polícia francesa, em colaboração com a Guarda Civil, deteve duas pessoas em Arceau, nas proximidades de Dijon, por suposta vinculação à ETA. De acordo com informações avançadas por agências espanholas, tratar-se-ia de Asier Ezeiza e Olga Comes. A France Press informou que a detenção teria tido lugar por volta das 17h30 de ontem, mas sem precisar detalhes sobre o sucedido. A ministra francesa do Interior, Michele Alliot-Marie, confirmou os factos.

As mobilizações pelos direitos dos presos políticos sucedem-se em Euskal Herria

Como em todas as últimas sextas-feiras de cada mês, ontem houve concentrações em diversos pontos do país para reclamar o respeito pelos direitos dos presos políticos bascos. Assim, em Donibane-Lohizune reuniram-se 50 pessoas; em Lekeitio foram 80; em Berriz, 17; em Anoeta, 23; em Baiona, 35; em Antzuola, 15; em Kanbo, 7; em Sara, 17; e em Senpere, 7.
Outras localidades que acolheram mobilizações foram Uztaritze (11 pessoas); Bidarte (17); Hendaia (40); Azkain (11); Donibane (50); Zumaia (20); Mundaka (32); Lizarra, (27); e Deba (35).
Na localidade costeira de Ondarroa juntaram-se 170 habitantes; em Bergara, 37; em Busturia, 60; em Eibar, 25; em Sestao, 60; em Berango, 65; em Orio, 20; em Otxandio, 75; em Sondika, 11; em Donostia, 220; em Lesaka, 32; em Lazkao, 40; em Gatika, 5; em Zarautz, 95; em Larrabetzu, 30; em Gasteiz, 390; em Zalla, 30; em Irurtzun, 20; e em Etxarri-Aranatz, 65.
Em Arbizu mobilizaram-se 50 pessoas; em Zaldibia, 95; em Lemoiz, 6; em Munitibar, 25; em Iruñea, 150; em Aramaio, 17; e em Laudio, 250. Neste município, receberam o ex-preso Pabli Usia, que saiu ontem da prisão.
Notícia completa: Gara e Gara

Encontram um terceiro esconderijo, inspeccionam outra habitação e detêm Inge Urrutia


De acordo com a EFE, a Guarda Civil teria localizado ontem à tarde um terceiro esconderijo nas imediações do bairro getxoztarra de Algorta, depois de anteontem ter encontrado outros dois em La Rioja. De madrugada a instituição militar procedeu à inspecção de uma outra habitação, também em Getxo.

Detenção de Inge Urrutia
Inge Urrutia, de 19 anos, foi detida ontem de manhã em Algorta pela Guarda Civil, por suposta relação com a ETA, de acordo com agências de informação, que se baseavam em fontes policiais.
A Askatasuna confirmou a identidade da jovem detida e afirmou que se trata da companheira de uma pessoa que a Guarda Civil tentou prender na operação recente que empreendeu e que não encontrou no seu domicílio. A detenção teve lugar às 12h.

De acordo com a organização anti-repressiva, a jovem estava a sair de casa quando agentes da instituição militar à paisana a interceptaram e detiveram. As agências espanholas relacionam a detenção com a operação levada a cabo na terça-feira na Bizkaia, na Galiza e na Andaluzia, e que se saldou com outras nove pessoas detidas: Arkaitz Goikoetxea, Maialen Zuazo, Anabel Prieto, Gaizka Jareño, Adur Aristegi, Iñigo Gutierrez, Mikel Saratxo, Aitor Kotano e Libe Agirre.

Notícia completa: Gara