sábado, 26 de dezembro de 2009

O olhar de Tasio

Tasio (Gara) [a propósito do erregea na EITB e de tiros no pé ou pela culatra]


Os bairros de Iruñea tiveram Olentzero com vigilância policial


Como se de uma actividade delitiva se tratasse, os bairros de Iruñea viveram os seus respectivos Olentzeros sob vigilância policial. Esta foi a única nota discordante de umas celebrações populares que o Município de Iruñea chegou a proibir em anos anteriores, e que desta vez autorizou, mas lançando a ameaça de futuras proibições se fossem reivindicativas.

Os bairros de Mendillorri, Iturrama, Etxabakoitz, Errotxapea, Txantrea, Azpilagaña, Sanduzelai, Donibane e Arrosadia celebraram os seus respectivos Olentzeros nos dias 23 e 24 com normalidade mas sob vigilância dos agentes da Polícia Municipal, que se dedicaram a tomar nota de qualquer expressão política que lhes pudesse parecer delitiva.

Em todos estes Olentzeros houve muita participação dos moradores, nalguns casos superior à de anos anteriores, quando se realizaram sem autorização, proibidos e com ameaças de multas aos seus organizadores.

O único bairro onde este ano houve alguma crispação foi Arrosadia, já que em plena kalejira a Polícia Municipal chamou os responsáveis da organização do Olentzero para os avisar que tinham observado a presença de fotografias de presos bascos. Deixaram ainda a ameaça de enviar o correspondente relatório à Audiência Nacional espanhola, com tudo o que isso implica.

Um jornal navarro deu credibilidade à versão policial e afirmou na sua edição de quinta-feira que tinha havido «alusiones a presos de ETA en el Olentzero de la Milagrosa» e que o popular personagem desta quadra «se paseó con una gran ikurriña y el desfile se abrió con una arrano beltza». A «informação» vinha acompanhada por uma fotografia em que aparecia uma faixa com o lema «Maite zaituztegu» [gostamos muito de vocês] ao pé de uma série de barrotes que representavam as prisões, mas sem qualquer fotografia. De facto, fontes da Coordinadora de Barrios de Iruñea desmentiram de forma veemente que se tivessem exibido fotografias dos presos nos Olentzeros.

«A Polícia Municipal esteve nos bairros a controlar o trânsito e não implicou connosco nem nos disse absolutamente nada, excepto no caso de Arrosadia. E se pôr numa faixa "Maite zaituztegu" é motivo suficiente para ir à Audiência Nacional, então têm de nos levar a todos», comentou a Coordenadora.

Em lembrança dos presos
No bairro de Iturrama várias dezenas de pessoas participaram numa concentração em lembrança dos presos políticos numa rotunda em que passou a comitiva do Olentzero. A Polícia espanhola vigiou este acto mas retirou-se antes da chegada do cortejo, e a Polícia Municipal, que tirou notas, não atrapalhou o decorrer dos eventos.

Realizaram-se actos semelhantes em lembrança dos presos noutros bairros. Em todos eles houve vigilância da Polícia Municipal, mas sua presença não causou estranheza entre os organizadores porque na autorização que lhes foi concedida já vinha o aviso de que iam estar à coca e que, se não cumprissem as condições impostas, não obteriam as autorizações para a realização dos Olentzeros nos dois anos seguintes.

Na sequência: «Apesar das pressões, continuaremos a vir para a rua»

I. V.
Notícia completa: Gara

Nas fotos: um Olentzero de Iruñea (em cima) e outro de Bilbau. No caso do de Bilbo, diz a legenda da foto, que é Jon Hernaez, da Argazki Press: «Egurrezko zaldi dotore batean ibili zen atzo Olentzero Bilbon.», que é como quem diz: Ontem (23), o Olentzero andou em Bilbau num belo cavalo de madeira.

Mariné Pueio: «A luta trouxe Euskal Herria às portas da mudança»

Neste vídeo realizado após a apresentação da proposta da esquerda abertzale em Altsasu, Mariné Pueio faz um balanço de longos anos de luta e aborda a sua importância para se alcançar uma mudança em Euskal Herria.

Fonte: ezkerabertzalea.info

Tratos de polé ao euskara em Nafarroa: «Gabón-soríon-chúak-isán», treze anos depois


O problema não é que Sanz e Jiménez sejam muito fachos, porque também o são os membros do Euskararen Erakunde Publikoa e acabam de aumentar as ajudas ao euskara. A questão é que se sentem ganhadores, impunes, sem oposição... É uma simples questão de correlação de forças.

O que aparece em cima parece chinês, mas não é. Trata-se da redacção da saudação em euskara incluída na felicitação de natal de Miguel Sanz, e feita chegar aos jornalistas na segunda-feira por erro. Ao que parece, um dos seus ajudantes quis facilitar-lhe a leitura e sugeriu-lhe que a pronunciasse assim: «Gabón-soríon-chuák-isán eta nire desío hoberenák, urté berríra-ko»*. Depois de treze anos e meio no cargo (ou seja, mais de 4900 dias), ainda é preciso explicar a Sanz como se diz uma saudação tão básica na própria língua do seu território. E como, por definição, é evidente que o presidente de uma comunidade de mais de meio milhão de habitantes não pode ser um idiota completo, é preciso concluir que, na verdade, é essa a importância que dá ao euskara: mais ou menos a mesma que ao chinês.

A anedota passa a outro nível se se olhar para o orçamento preparado para 2010. É o último que Miguel Sanz executará de princípio a fim, já que na Primavera de 2011 deixará o cargo. Desta forma, já não precisa de dissimular. Os cortes no euskara são tão brutais que nem sequer merecem tal nome, sendo mais acertado falar de supressão directa de todo o tipo de verbas: de fora ficam as ajudas a meios de difusão euskaldunes, de fora, as ajudas a alunos de euskaltegis, de fora, as ajudas a ikastolas, de fora, concursos de euskal kantak, de fora qualquer reforma decente da Ley del Vascuence... Também não há dinheiro para captar a ETB. A melhor fotografia da Nafarroa actual é a que é apresentada pela TDT depois do apagão analógico. A questão não é apenas a de que, entre um total de 28 canais emitindo dia e noite, só exista um minuto por dia em euskara (o do telejornal da Telenavarra). É que tudo o resto, tudo, é em castelhano. O inglês só se afigura fundamental para o Governo na educação, quando é preciso combater o aumento do modelo D [em euskara].

O descaramento com que Sanz redigiu este orçamento traz consigo uma mensagem indirecta muito agressiva para quem pensou, à confiança, que o euskara seria fomentado a partir de instituições como estas, desprezando outras alianças. E assim chegámos à era de Miguel Sanz e de Roberto Jiménez. O problema não é que sejam fachos, porque também o são os membros do Euskararen Erakunde Publikoa nos territórios vizinhos do norte - Miguel Sanz não é mais de direita que Max Brisson - e acabam de aumentar as ajudas para a política linguística. Trata-se de algo muito mais preocupante: sentem-se ganhadores, impunes, sem oposição. Tanto que não duvidam em transformar os euskaldunes em desprezíveis cidadãos de segunda categoria, que por vezes até se resignam a ouvir o seu presidente a declamar de modo patético o gabón-soríon-chuák...

Ramón SOLA
Fonte: Gara

* Gabon zoriontsuak izan eta nire desio hoberenak urte berrirako
Tenham um feliz natal e os meus melhores votos para o ano novo (tradução à letra)

Ver também:
«UPN e PSN liquidam o euskara num orçamento em que a IUN desiste»
"As verbas para o euskara ficam reduzidas à sua mínima expressão no orçamento para 2010 aprovado na terça-feira pela dupla UPN-PSN, a que se juntou a CDN. A IUN decidiu bater com a porta e o Nafarroa Bai ficou sozinho."
http://www.gara.net/paperezkoa/20091223/173621/es/UPN-PSN-liquidan-euskara-presupuesto-ante-que-planta-IUN

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Olentzero, ao passar pela «cantera»...


Olentzero, peço-te que o teu carvão traga novo lume e calor para que o passado e o presente não se prolonguem e que o consenso supere a dissidência dos abertzales para que a crise do estado-nação não possa ser contida pela tampa dos partidos políticos espanholistas nem pela Guarda Civil

Há muitos anos que não escrevo a carta ao Olentzero, mas este ano vou-lhe pedir que quando passar pela cantera, com a magia a que nos habituou, não se esqueça do txiki [pequeno] a quem levaram a irmã mais velha, nem das mães a quem arrebataram o jovem da casa. Quase quarenta detidos de madrugada, rapazes e raparigas que prendem pelo que representa a juventude em Euskal Herria, vontade de decidir, solidários, pouco dados ao boato e amantes das cores da sua terra. Não estão obcecados pela fama e talvez só sejam conhecidos no seu bairro, mas quem lidou com eles e se relaciona com eles só pode dizer maite zaitugu! [gostamos muito de ti!] Para trás ficam projectos em gaztetxes, festas solidárias a favor dos oprimidos de meio mundo, e um monte de iniciativas culturais e populares. Se os autarcas tivessem dignidade, exibiriam as suas fotos nos varandins municipais.

Para outros deixo as interpretações políticas de uma macro-operação anunciada. Anúncio que não impediu todos os detidos de continuarem a fazer uma vida normal, coisa igualmente comprovada por quem os seguia. Como acontece em todas as detenções «preventivas», havia alguma coisa a esconder? Se as festas da terra tivessem sido logo a seguir, tê-los-iam detido com os planos da kalejira, com o esboço da komparsa ou das txalupas para a abordagem dos piratas na Kontxa. O seu delito, sabem-no bem os políticos como Rubalcaba ou os juízes que os julgam, é o seu compromisso com Euskal Herria, como o podem ter os jogadores de futebol ou qualquer colectivo social deste país. E esta identidade conseguida e defendida estruturou o anti-soberanismo em forma de conflito permanente, juntando-se aos inimigos tradicionais da esquerda independentista.

Esta união materializou-se na primeira década do século XXI com o sequestro e fechamento do Euskaldunon Egunkaria, com as 200 detenções prometidas por Rubalcaba após a trégua da ETA, com a perseguição permanente à esquerda abertzale e, a acabar o ano, com centenas de detidos. Agora é a vez dos jovens. Uma repressão permanente que paradoxalmente, à vista do que consegue, possui um carácter efémero. Mas provavelmente uma das características mais trágicas desta repressão é que continua sem dar respostas válidas ao problema que persegue e reprime: Pérez Rubalcaba e os seus sócios não conseguem, com a sua repressão, urdir uma história de solução. Verdadeiro fracasso de ministro que deixa atrás de si uma história de histórias de encarceramentos, tortura, detenções ilegais e assassinatos. E, com esta história de histórias, Rubalcaba e o seu acólito Ares não conseguem convencer uma sociedade pouco convencida de que, actualizando diariamente o geral discurso repressor com contribuições humanas e tecnológicas (sei o que dizes), se pode chegar a um discurso minimamente resolutivo.

Escreveu-se muitas vezes que o percurso dos ministros do Interior espanhóis é uma cópia fiel das barbaridades cometidas pelas tropas regulares espanholas em todas as colónias por onde andaram. Dizem que existe memória quando se estabelece um diálogo no presente com as experiências do passado, mas nem a Fraga lhe interessa recordar que fez parte de um governo ditatorial com muitos mortos às suas costas, nem a Rubalcaba que foi membro de um governo dos GAL. Portanto, estamos num momento político em que ao ministro sem memória nem soluções só resta a improvisação das detenções em grande número, que, juntamente com a falta de divisão efectiva de poderes, aumenta a degradação tácita da democracia.

A prova de que o sistema está esgotado e a democracia constitucional em apuros é o duro confronto da sociedade civil catalã com o Tribunal Constitucional e a situação de Euskal Herria, com as ordens da Audiência Nacional para processar o que não é processável e o encarceramento massivo dos detidos de Euskal Herria. Muita gente que aceita a vida simplesmente como é, ao ver como actuam aqueles que têm o monopólio do poder e da coacção, começa a perguntar-se «era isto a democracia?».

Olentzero, peço-te que o teu carvão traga novo lume e calor para que o passado e o presente não se prolonguem e que o consenso supere a dissidência dos abertzales para que a crise do estado-nação não possa ser contida pela tampa dos partidos políticos espanholistas nem pela Guarda Civil.

Também te peço, para as mães que pensam que os filhos são o melhor que lhes aconteceu nesta vida, que lhes tragas o calor, o carinho e o entusiasmo da cantera. E àqueles e àquelas que não estão, com a tua magia, Olentzero, faz-lhes chegar, bene-benetan besarkada bat. [um abraço mesmo de verdade] Olentzero, etzazula ahaztu! [não te esqueças!]

Francisco LARRAURI
psicólogo
Fonte: Gara

Tasio, sempre na «mouche»

Em 2010... novamente em acção!

Aproveitando o olhar de Tasio, a ASEH deseja a todos cidadãos iruindarras, cidadãos de Iruñea/Pamplona, uns Olentzeros sem multas e em paz. A todos os que nos acompanham, uma quadra de acordo com os seus anseios, mas na qual não se ponha de parte o espírito de luta e a justa lembrança de quem não pode estar entre os seus.

Nesta associação solidária com Euskal Herria - ASEH - jamais esquecemos os que, presos ou refugiados, ou de qualquer outra forma oprimidos e reprimidos, teimam num sonho de justiça e liberdade para o seu povo. Juntos, reflectimos, e decidimos que havíamos de largar aqui a pele para dar voz aos sem voz, sobretudo num esforço de divulgação combativa à versão oficial, que não abranda na dose de hipocrisia, submissa ao espanholismo e alheia ao sofrimento associado a um conflito que existe há largos anos. Esse é um trabalho diário, é a nossa luta.

Temos, no entanto, a noção de que esta quadra será mais dura para alguns, e todo o nosso carinho e a nossa força merecem ser dirigidos ao Colectivo de Presos Políticos Bascos, acometido por toda a espécie de políticas desumanas por parte de quem não reconhece o seu estatuto político e o procura vergar.
Da mesma forma o expressamos aos jovens independentistas recentemente detidos e encarcerados, no âmbito de uma operação vergonhosa contra as ideias e as vontades e os compromissos em defesa do povo basco e contrários aos interesses do Estado espanhol. Por isso, são «terroristas»; os terroristas do autocolante, da caneta, da voz e da T-shirt.
Da mesma forma o manifestamos aos familiares e amigos de todos os presos políticos bascos, submetidos a provações que nos é difícil imaginar e que dão mostras de uma dignidade ímpar, numa altura em que as tentativas de humilhação se têm sucedido e em que são alvo, inclusive, de tentativas de criminalização por parte dos opressores espanhóis e bascos ao serviço do Reino de Espanha. Paga-se um alto preço por se ser familiar de um preso; e a desumanidade parece não conhecer limites, sobretudo quando alguém dá a cara e a voz e sai em defesa dos seus seres queridos, presos políticos bascos. Mila esker! A luta continua!

ASEH
24 de Dezembro de 2009

Ataques à Esquerda Abertzale: Arnaldo Otegi denuncia a violação da sua correspondência


"A publicação da suposta carta de Otegi pelo Deia e por jornais do Grupo Noticias constitui uma prática criminosa, sendo que nesses textos foram utilizadas de forma perversa excertos de frases de uma comunicação privada."
http://www.kaosenlared.net/noticia/arnaldo-otegi-denuncia-violacion-correspondencia-para-conocer-opinia-e

«A defesa de Otegi estuda acções penais pela violação do segredo postal»
"A defesa de Arnaldo Otegi estuda acções penais a tomar contra quem passou cá para fora a suposta correspondência do dirigente abertzale encarcerado e contra o diário Deia e outros do Grupo Noticias pela sua publicação, duas acções que violam o segredo das comunicações postais." http://www.gara.net/paperezkoa/20091223/173626/es/La-defensa-Otegi-estudia-acciones-penales-violar-su-secreto-postal

«O que diz Arnaldo Otegi», editorial do Gara (23/12/2009)
http://www.gara.net/paperezkoa/20091223/173704/es/Lo-que-dice-Arnaldo-Otegi

«"Haces el bacalao al pilpil de cojones"»
http://www.gara.net/paperezkoa/20091223/173627/es/Haces-bacalao-pilpil-cojones

A suposta carta: «Otegi reivindica la política desde la cárcel», no Deia
http://www.kaosenlared.net/noticia/arnaldo-otegi-denuncia-violacion-correspondencia-para-conocer-opinia-e

Um preso político tentou suicidar-se


O objectivo que a política penitenciária persegue é a destruição da militância que luta nas prisões. Destruir até à morte, é a sua política.

As tentativas de destruição das pessoas nas prisões fazem parte da estratégia dos aparelhos repressivos espanhóis. Como consequência da pressão que se verifica nas prisões, anteontem de manhã um preso político basco tentou suicidar-se cortando as veias. No dia anterior tinha sido visitado por um médico - psicólogo da sua confiança - e este alertou o médico da prisão para o risco existente, pedindo-lhe que tomasse medidas, segundo fez saber o Movimento pró-Amnistia.

A direcção da prisão não tomou qualquer medida e anteontem de manhã ocorreu a tentativa de suicídio. À tarde, o preso foi transferido da enfermaria para outra prisão.
É a segunda tentativa de suicídio protagonizada por este preso no último ano e meio. Na sequência da primeira tentativa, foi transferido quatro vezes, o que impediu o seu tratamento.
O médico que o visitou irá apresentar uma queixa contra o «médico-carniceiro» da prisão.

A política penitenciária põe em risco a vida dos presos e das presas
«A política contra o Colectivo de Presas e Presos Políticos Bascos põe continuamente em risco a vida das presas e dos presos, mantendo na prisão as presas e os presos com doenças graves e impedindo a existência de condições adequadas para a prestação de cuidados médicos», denuncia o Movimento pró-Amnistia.
Perante este grave acontecimento, o Movimento pró-Amnistia apela aos cidadãos e aos agentes sociais no sentido de participarem na manifestação de dia 2 de Janeiro, em Bilbau, em defesa dos direitos dos presos.
Fonte: lahaine.org

Tradução eus-cas: La Haine - Euskal Herria

A marcha de 2 de Janeiro, pelos presos, ganha novos apoios

Uma dezena de organizações de Gasteiz aderiram à manifestação pelos direitos dos presos do próximo 2 de Janeiro, em Bilbau, sublinhando que «nestes momentos não só se violam os direitos das pessoas presas, mas também os dos seus familiares».

«Presas e presos bascos para Euskal Herria, donos dos seus direitos! Estamos de acordo com esta exigência porque todas as pessoas têm de ser senhoras dos seus direitos, sejam presos-presas ou pessoas livres», sublinham uma dezena de organizações que apelam à participação na manifestação de 2 de Janeiro em Bilbau, marcha que já ganhou o apoio de diversas organizações sociais, sindicais e colectivos profissionais.

Zazpigarren Alaba, Judimendikoak, Betiko Gasteiz, Bizigarri, Errota Zaharra, Gasteiz Txiki, Gasteizko Bertso Eskola, Salburua Bizirik, Zabalgana Batuz, Euskharan Kultur Elkartea, Barrenkale qualificam como «baixeza moral sem limites» o facto de o Executivo de Patxi López ter enviado um relatório sobre a Etxerat para a Audiência Nacional espanhola. «Aqueles que deveriam ser premiados pelo seu trabalho humanitário estão a ser perseguidos por serem familiares dos encarcerados; não há nome para isto em democracia».

«Afirmamos que, com a repatriação, estamos a reivindicar os direitos humanos dos presos e das presas, os direitos dos seus familiares, que não cometeram qualquer crime, mas que são tratados como se estivessem condenados», diz o manifesto.

Destacam ainda o seu apoio à Etxerat Elkartea por ser «a associação que vela pelos direitos humanos dos seus familiares; é um trabalho humanitário meritório e digno de reconhecimento social».
Fonte: Gara


Promoção dos grupos musicais locais e abertura ao mundo: o EHZ festeja os seus 15 anos


Já quinze anos! Quinze anos em que os voluntários do Festival Euskal Herria Zuzenean agitaram as ideias para deixar a sua marca no panorama musical do País Basco Norte.
Quinze anos de lutas sociais, de reflexões alternativas, para se conseguir impor como um evento cultural e associativo incontornável. E, para um aniversário especial, um evento especial: este ano, o EHZ multiplica as oportunidades para o encontro. Com o concerto excepcional da Itoiz Suite previsto para a Gare du Midi no dia 27 de Março, o Festival dá sequência ao êxito das sessões da Elektrotasuna, e inova ao propor-se como trampolim que permita às novas bandas actuar.

Ao longo destas três últimas décadas, o panorama musical basco esteve sempre a dar, influenciou, ou até dinamizou as grandes correntes musicais. Kortatu e o punk pós-77, Berri Txarrak e o rock hardcore do final dos anos 90 ou mais recentemente We Are Standard, cujos «ritmos electro-rock fazem sucesso a nível europeu», segundo os organizadores. A idade de ouro dos anos Esan Ozenki desapareceu, mas o EHZ empenha-se novamente em favorecer o encontro entre as marcas independentes e os artistas bascos: «promover os artistas e a produção musical do País Basco» é objectivo deste concurso, reconhecem os organizadores.

Ver também:
«Valorizar os grupos locais» / «Insistência na Elektrotasuna»

Clémence LABROUCHE
Notícia completa: lejournalPaysBasque-EHko_kazeta

http://www.ehz-festibala.com/

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O meio é a verdadeira mensagem


Só a partir de uma visão complexada do papel dos meios de comunicação e de uma concepção servil que toma as pessoas por súbditos e não por cidadãos se pode entender que todas as cadeias generalistas de um estado emitam em uníssono, todos os anos, uma mensagem real comum que não é mais que um conjunto de lugares comuns e supostas felicitações que, a priori, não têm qualquer interesse informativo. Que praticamente ninguém presta atenção ao que Juan Carlos I diz, junto a um presépio na noite de Natal, sabem-no os actuais responsáveis da EITB e também os partidos que durante anos andaram a pedir à radiotelevisão pública basca que emitisse esse discurso. Porque, também neste caso, o meio é a mensagem. Não importa aquilo que o rei de Espanha disser mas sim que a ETB o transmita «como as restantes televisões espanholas». Da mesma forma que aos anteriores governantes e responsáveis da EITB o que lhes interessava no gesto de não transmitir o discurso era manter a ficção de uma certa insubmissão perante o Estado que não tinha correspondência na sua actuação política e gestão diária.

Mas, por entre as razões que o director-geral da EITB ontem avançou para justificar a decisão da empresa, há uma que merece especial atenção porque já faz parte do rol argumentativo unionista: foram este rei e esta Constituição que «possibilitaram o nosso autogoverno» e os seus organismos, como a EITB, e são eles que «garantem a nossa liberdade e a convivência». Isso não é verdade. Este rei e esta Constituição são fruto de um pacto entre as elites dominantes no franquismo e as que se preparavam para as substituir, pacto que jamais foi ratificado pelos cidadãos bascos. E no que respeita ao autogoverno, o papel do rei e da Constituição foi e é o de limitar e restringir os desejos de soberania da população de Araba, Bizkaia, Gipuzkoa e Nafarroa. Ou será que com uma constituição republicana e que admitisse o direito à autodeterminação teríamos tido menos autogoverno, liberdade e convivência?
Fonte: Gara

Betagarri - «Bidea Gara»

Se desligarmos uns canais (pipas deles!) e nos mantivermos atentamente ligados à Apurtu Telebista, zás!, pode-se dar o caso de descobrirmos documentários, entrevistas, reportagens como só ali ou este clip dos inestimáveis Betagarri, como ainda há pouco aconteceu.

«Bidea Gara» [somos o caminho], tema incluído no álbum Hamaika Gara (2006), dos Betagarri (Gasteiz, EH).

Eguna ez bada amaitu / borroka esna liteke / inork ez gaitu itxoiten / inongo helmugan tente. / Bidea ez bada asmatu / ez badakigu zein den / has gaitezen ibiltzen / gure indarrak eskaintzen.

Ez gara inora heldu / ez gara inondik irten / eta ez gara inora helduko / bidea ez bada egiten.

Pausu bat, ondoren hurrena / garaipen bat eta gero bestea / geroa aukeratzerik bada / borrokatu dezagun gurea.

Denok gara herri onen bidea / borroka da bakearen jabea / denok gara borrokaren bidean / bakea da borrokaren xedea.

Ez entzun eta ez hitz egin / norbaiten gura bada / izan bedi gurea / herri honen taupada.

Pausu bat, ondoren hurrena / garaipen bat eta gero bestea / geroa aukeratzerik bada / borrokatu dezagun gurea.

Denok gara herri onen bidea / borroka da bakearen jabea / denok gara borrokaren bidean / bakea da borrokaren xedea.
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Si el dia no ha terminado / puede despertar la lucha / nadie nos espera / en ninguna meta de pie. / Si el camino no se ha inventado / si no sabemos cual es / empecemos a andar / a ofrecer nuestras fuerzas.

No hemos llegado a ningun lugar / no hemos salido de ningun lugar / y no llegaremos a ningun lugar / si no hacemos el camino.

Un paso, luego otro / un triunfo y luego el siguiente / si se puede elegir el futuro / luchemos por el nuestro.

Todos somos el camino de este pueblo / la lucha es el amo de la paz / todos estamos en el camino de la paz / la paz es el objetivo de la lucha.

Ni escuchar ni hablar / si es el deseo de alguien / que sea el nuestro / el latido de este pueblo.

Un paso, luego otro / un triunfo y luego el siguiente / si se puede elegir el futuro / luchemos por el nuestro.

Todos somos el camino de este pueblo / la lucha es el amo de la paz / todos estamos en el camino de la paz / la paz es el objetivo de la lucha.

Tradução eus-cas: http://eu.musikazblai.com/traducciones/betagarri/bidea-gara/

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Mais sugestões: o chamado rock radikal vasco, de que somos fãs aqui na ASEH, é som a ter sempre presente nesta quadra festiva - «hator, hator, neska-mutil etxera!». Bene-benetan, beti zuekin, beti zuentzat.

A ETB transmitirá pela primeira vez na sua história a mensagem de Natal do rei espanhol


Amanhã, a ETB-2 transmitirá a mensagem de Natal do rei de Espanha pela primeira vez na sua história. De acordo com o director-geral da empresa, Alberto Surio, a não transmissão da dita ao longo destes anos constituía «um gesto de desapreço pelo Estado espanhol e, mais concretamente, pela figura do chefe de Estado, assente numa concepção nacionalista da televisão pública». A partir de agora, isso acabou.

Onde antes existia «um gesto de desapreço pelo Estado espanhol e, concretamente, pela figura do chefe de Estado», agora haverá «defesa activa das instituições que possibilitaram o nosso autogoverno e garantem a liberdade e a convivência».
Onde antes existia «uma concepção nacionalista da televisão pública», agora existe o reconhecimento de que «o país é plural e que a televisão pública existe para todos os cidadãos e não apenas para os que pensam em clave nacionalista». Isto é «a normalidade».

Com estes argumentos o director-geral da EITB, Alberto Surio, defendeu ontem no Parlamento de Gasteiz a decisão de transmitir pela primeira vez na história a mensagem de Natal de Juan Carlos de Bourbon. O acordo para transmitir o discurso na ETB-2 foi alcançado na sexta-feira passada pelo Conselho de Direcção da EITB e ratificado ontem pelo Comité de Direcção, e será dado a conhecer hoje ao Conselho de Administração.

Segundo afirmou Surio, trata-se de «um gesto de normalidade institucional, de respeito pelas instituições», tomando «em conta a resolução do Parlamento, da representação legítima da cidadania basca, a favor da transmissão do discurso do rei».

O director da empresa interveio na Comissão de Controlo da EITB do Parlamento, respondendo a questões do PNV, que se mostrou contrário à transmissão da mensagem natalícia. Surio disse que «pode compreender que os sentimentos sejam diversos e que ninguém é obrigado a ver a mensagem do rei», mas enquadrou a transmissão na noção de que «devemos entender que este enquadramento constitucional, este ordenamento jurídico, é o que permite que este parlamento exista, que se criasse a radiotelevisão pública basca e permite que as diferentes opções e sensibilidades deste país possam conviver em liberdade».

Questionado sobre o interesse informativo da transmissão de um programa que as restantes televisões generalistas já apresentam, Surio contra-atacou respondendo que «algum interesse informativo deve ter» quando alguns «se empenham tanto em falar deste assunto e quando se arma tanta alvoroço e escândalo».

Em seu entender, há nas críticas um certo exagero, mas admitiu que a questão possui um carácter simbólico. Segundo afirmou, «durante muito tempo, a não transmissão da mensagem do rei foi interpretada como um gesto de desapreço baseada numa concepção nacionalista da televisão pública. Era um gesto de desapreço pelo Estado espanhol e concretamente pela figura do chefe de Estado».

O director-geral da EITB enquadrou o interesse informativo da mensagem natalícia no «papel de serviço público da EITB» e explicitou que «dentro do serviço público está a defesa activa das instituições que possibilitaram o nosso autogoverno e que garantem a liberdade e a convivência».
A decisão de transmitir o discurso de Natal do Bourbon suscitou reacções de protesto dos grupos abertzales. Foi o caso do PNV, cujo porta-voz, Iñigo Iturrate, o interpretou - e assim o disse a Alberto Surio - como uma tentativa de «continuar a 'loapizar' este país».

Por parte do EA, Jesús Mari Larrazabal referiu que «é um mais passo do PSE e do PP na sua tentativa de espanholizar a CAB», mas alertou para o «risco de nos entretermos com problemas pequenos como este enquanto os grandes problemas de Euskal Herria continuam sem solução».

O Aralar, por seu lado, optou por felicitar todos os euskaldunes porque terão a possibilidade de não ver a mensagem do rei, optando pela ETB-1.

Iñaki IRIONDO
Notícia completa: Gara

Neste momento está a ser divulgada em diversos meios uma campanha de boicote ao grupo EiTB, nesta versão espanholizada (imagem no canto superior direito, onde se pode ler: "a radiotelevisão dos bascos???").
É o caso da Kaos en la Red
http://www.kaosenlared.net/noticia/boicot-a-eitb

ou da Sare Antifaxista
http://sareantifaxista.blogspot.com/2009/12/el-inquisidor-desinformativo-y-de.html

Já no Insurgente.org, lemos esta curta e curiosa, com não menos curiosa imagem a acompanhar: «Pachi López, el impulsor»
"O PSOE força a mudança de look da família real na sua tradicional felicitação de Natal 'por razões de Estado'"
http://www.insurgente.org/modules.php?name=News&file=article&sid=18749

Nota: lemos uma vez as palavras de um daydreamer conquistador (se não estamos em erro, membro da Academia Espanhola) segundo as quais o País Basco tinha andado 30 anos a ser euskaldunizado e que seriam precisos outros tantos para ser deseuskaldunizado. (Não é sic, é de memória). Vai sonhando.

O militante da Esquerda Abertzale Xanti Kiroga entrevistado na Info7 irratia


Na entrevista à emissora Info7 irratia, o militante da esquerda abertzale Xanti Kiroga faz um balanço do ano que termina e aborda temas da actualidade política, como o encontro entre o ministro do Interior espanhol, A. P. Rubalcaba, e representantes do partido basco Aralar ou o processo de debate que a esquerda independentista basca está a levar a cabo.
Fonte: kaosenlared.net

http://www.info7.com/2009/12/22/Xanti-Kiroga-ezker-abertzalea/

Em Nafarroa, alunos da IKA e da AEK devolvem ao Euskarabidea as suas bolsas em cêntimos


Ainhoa pagou 114 euros pela matrícula num euskaltegi navarro e recebeu uma bolsa de seis euros. Como este há muitos outros casos; reflexo do modo como o Governo da UPN trata o euskara. Para denunciar simbolicamente tão «irrisória» ajuda, alunos da IKA e da AEK dirigiram-se ontem à sede do Euskarabidea para devolver em cêntimos o valor das bolsas que recebem e apresentar uma proposta à direcção deste Instituto.

Há dois anos o Governo UPN-CDN criou um fundo de bolsas para alunos que estudam euskara nos euskaltegis navarros, respondendo assim a uma antiga exigência destes centros. No primeiro ano foram distribuídos 20 000 euros, uma verba pequena, semelhante à que a Região de Sakana atribui aos habitantes do vale.

Mas para o Executivo de Miguel Sanz isto deve ter parecido excessivo, pois o referido fundo passou de 20 000 para 9000 euros, este ano. Se os 1600 alunos que estudam nos euskaltegis da IKA e da AEK tivessem pedido uma bolsa, dava pouco mais de cinco euros a cada um, em média.

Mas isto não é tudo. Essa verba foi retirada aos subsídios que são atribuídos precisamente aos euskaltegis navarros. Assim sendo, não é de estranhar que estes centros estejam «com a corda na garganta», de acordo com a expressão de Helios Del Santo, representante da AEK que ontem acompanhou cerca de quinze alunos de euskara ao registo do Instituto Navarro del Vascuence para fazer uma proposta formal.

Os custos do processo
Muitos destes alunos receberam bolsas de 6, 8, 12, 14, 18, 20 e 25 euros. São bolsas que implicam processos burocráticos e as despesas consequentes. Para se poder obter as bolsas é preciso passar por três instâncias (aluno, euskaltegi e sucursal bancária), e depois os funcionários do Euskarabidea encarregam-se de as tramitar.

Quanto dinheiro gastará o Governo de Nafarroa na atribuição de bolsas de pouco mais de seis euros? Esta é a questão que professores e alunos da IKA e da AEK colocam a si mesmos. Neste momento, não podem saber com exactidão, mas têm como referência os dados de um relatório dado a conhecer há alguns dias pelo Kontseilua. Assim, de uma verba de 3 milhões de euros que o Governo de Nafarroa destina ao euskara, nada menos que 2,2 milhões são para cobrir gastos de pessoal e outros diversos. Isto é, «dois terços do dinheiro são gastos por eles mesmos. E depois aparecem de sorriso na cara, mas a eliminar subsídios e a distribuir misérias», afirma Helios Del Santo.

Também constata que as condições laborais nos euskaltegis navarros «não são as idóneas», e que esta situação os obriga a colocar os preços das matrículas acima do que a IKA e a AEK desejariam. Em seu entender, a trajectória dos subsídios governamentais aos euskaltegis é «surrealista», já que, para além de insuficientes, lhes retiram dinheiro dessa verba para conceder bolsas aos alunos, fazendo, por sua vez, com que os euskaltegis tenham de aumentar o preço das matrículas.

A proposta de alunos e professores é clara: propõem ao Euskarabidea que estabeleça com os euskaltegis os critérios para a concessão das bolsas, e que se lhes seja destinada uma verba própria, sem retirar dinheiro da verba concedida aos euskaltegis. Exigem também que essa verba tenha «fundos adequados» e sirva para «aliviar» o esforço que se faz ao formalizar a matrícula. Com isso, evitaria pelo menos que os alunos devolvessem as suas míseras bolsas de seis euros em cêntimos, tal como fizeram ontem, para vergonha do Euskarabidea.

Na sequência, ver ainda: «Nem um só euro para que os txikis [crianças] cantem em euskara»

Iñaki VIGOR
Fonte: Gara

IKA: Ikastari (IKA) Kultur Elkartea - http://www.ikanet.net/euskara

AEK: Alfabetatze Euskalduntze Koordinakundea - http://www.aek.org/

Em Paris, denunciam o desaparecimento de Jon Anza


Na sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009, teve lugar em Paris um acto sobre Jon Anza convocado pelo Colectivo Jon Anza de Ipar Euskal Herria e o Comité de solidarité avec le peuple basque de Paris.

Os membros do Comité Jon Anza estiveram três dias em Paris para contactar com associações de direitos humanos e partidos. Segundo disseram, o resultado foi muito positivo. Proximamente, darão uma conferência de imprensa em Ipar Euskal Herria para dar a conhecer o trabalho realizado.

No acto que decorreu na sede do CICP, estavam na mesa um membro do Comité de solidarité, Anaïs Funosa e Gabi Mouesca. Assistiram cerca de 70 pessoas, ou seja, a sala esteve cheia. Intervieram os membros da mesa, a companheira de Jon, Henry Perez, do comité de empresa onde Jon Anza trabalhava, e Jacques Gaillot, entre outros.

argazki galeria de fotos

Boletim Info-EH do Comité sobre a actualidade de Euskal Herria (fra)

Os membros do Colectivo Jon Anza abordaram o desaparecimento do Jon. Disseram estar seguros de que o desaparecimento era da responsabilidade dos serviços secretos espanhóis, em conivência com os serviços secretos franceses. Disseram também estar seguros de que Jon estava morto e enterrado no Estado francês. Falaram ainda sobre aquilo que os GAL representaram e afirmaram que a solução para o conflito entre Euskal Herria e os estados espanhol e francês só se pode alcançar através da negociação.
Jacques Gaillot destacou tudo o que Jon tinha feito pelo seu povo, como, depois de ter passado 21 anos na cadeia, ainda tinha prosseguido a luta. Disse que é difícil fazer o luto em casos como este, que desejava manter viva a esperança, mas que isso era, neste caso, algo impossível.
No final do acto, houve um beberete, durante o qual se pôde falar mais de perto com as pessoas que estiveram na assistência.
Fonte: askapena.org

Urtzi Paul Larrea, detido na segunda-feira, iniciou uma greve de fome em Basauri


Urtzi Paul foi preso pela Polícia espanhola na segunda-feira à tarde, pelas 17h15, em Getxo (Bizkaia), à saída da casa dos sogros. Disseram-lhe que tinham uma ordem da Audiência Nacional espanhola e levaram-no, segundo fez saber o Movimento pró-Amnistia. Deu entrada na prisão de Basauri.

Urtzi Paul Larrea foi condenado pela Audiência Nacional espanhola, no ano passado, a cinco anos de cadeia. Tinha sido detido em Outubro de 2002 pela Ertzaintza com mais quatro pessoas e todos afirmaram ter sido torturados. Foi encarcerado e saiu em liberdade em Junho do ano seguinte.
O julgamento decorreu o ano passado no tribunal de excepção espanhol e a sentença baseou-se nas declarações arrancadas sob tortura.

Para protestar contra a detenção, houve uma manifestação ontem ao fim da tarde em Algorta. Estiveram presentes cerca de 120 pessoas. Na ocasião, um familiar fez saber que tinham colocado o Urtzi numa cela com os presos sociais. Solicitou que o mudassem de sítio, mas o pedido foi indeferido. Em protesto, entrou em greve de fome.
Fonte: Gara e etengabe
Errepresioa ez da bidea!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A cela 762


Curiosamente, tiveram de ser a prisão e um sólido guião escrito sobre um thriller prisional os ingredientes que permitiram ao cinema espanhol lançar uma produção capaz de competir nas salas com os filmes ao gosto do público em geral. Celda 211 combina géneros cinematográficos vários, e mescla-os de uma forma eficaz para criar uma história de tipo social com toques de crítica política. O humor, a acção e o drama impõem-se alternadamente, enlaçando acontecimentos que se sucedem de forma trepidante, sem nos deixar respirar. Por mais que inclua situações inimagináveis e retratos pouco verosímeis, Malamadre - o protagonista - convence. Sobretudo no momento de nos transportar para esse poço cheio de merda que é o sistema penitenciário espanhol.

O argumento tem um começo marcado pelo acaso. Juan, um carcereiro novato, apresenta-se no seu novo destino um dia antes da incorporação oficial. Ali, sofre um percalço minutos antes de que se desencadeie um motim no sector dos FIES, os presos sociais mais reprimidos. Perante esse panorama, os restantes carcereiros abandonam à sua sorte o corpo desmaiado de Juan na Cela 211. A fábrica de sonhos produzida, entre outros, pela Telecinco, escolheu uma pirueta do destino pouco menos que impossível para se aproximar das entranhas de um Estado aferrado à violência com garras de aço. Mas o brutal drama penitenciário de que os presos políticos bascos são protagonistas não cabe em cento e dez minutos de celulóide.

Na última cela preparada para albergar «terroristas bascos», a número 762, atendendo ao número de pessoas que compõem, actualmente, o Colectivo de Presos Políticos Bascos, há uma jovem acusada de militar no movimento juvenil. Ainda não conseguiu arrancar dos seus pesadelos as torturas, vexações, ameaças e o riso de hiena dos seus captores, mas já teve oportunidade de sentir no pescoço o bafo canalha da prisão. As pontas dos dedos marcadas com tinta, todos os seus pertences retidos, incomunicável num módulo desumanizado e obrigada a pedir autorização até para tomar duche. A carcereira que lhe abre e fecha a porta possui um carácter muito distinto do do co-protagonista do filme de Daniel Monzón.

Essa frialdade corporativa dos de uniforme contrasta com a alegria de ouvir vozes amigas pela janela. Colando o ouvido à grade que clausura a sua única fonte de ar puro, escutou desde o primeiro momento os encorajamentos das suas companheiras do módulo contíguo. Assim ficou a saber que na mesma operação levaram mais uma trintena gorda de jovens, e que a resposta em Bilbo juntou uma multidão. Pôde verificar como as lágrimas tornam possível abraçar tanta gente num instante, e como é saudável deixá-las deslizar suavemente até à boca. A solidariedade é húmida e quente, como uma noite de Agosto.

A primeira companheira com quem falou está na prisão há mais de vinte anos. Cumpriu a sua pena há três, mas a Audiência Nacional tinha preparado o auto judicial que prorrogaria a sua condenação por mais treze anos. Disse-lhe que o mais duro foi assumir que a sua ansiada contagem decrescente, a que associava projectos e viagens, reencontros e noites a olhar para o céu estrelado, tinha parado bruscamente. Voltar a sentir o tempo, a passagem dos meses, como um cão de presa ameaçador, foi, disse-lhe, muito pior que ler a resolução que a aproximou de um triste secretário do tribunal.

Outra disse-lhe que na sexta-feira passada perdeu o seu encontro mensal. Roubaram-lho, muito simplesmente. Os carcereiros da entrada, de circular em punho, pretendiam revistar e até revolver as fraldas do seu filho de vinte e um meses para a deixar passar. Fosse qual fosse o pretexto, aquilo que queriam era impedir que desfrutassem dessas migalhas de tempo em comum que administram com crueldade. E conseguiram-no. Mas qualquer alternativa era pior. Antes fechar os olhos e cerrar os dentes do que as mãos enluvadas de um carcereiro a roçarem a pele suave e branca do seu menino.

Na cela 762 as paredes falam. A argola soldada ao catre metálico delata as tareias que, algemados, centenas de presos levaram; a sujidade acumulada denuncia a insalubridade que custou a vida a outros tantos. A luz branca do tecto ilumina os milhares de dias passados em greve de fome e os fechamentos. O velho calendário artesanal, os milhões de horas aguardando a visita dos seres queridos. Deparar com a arquitectura gradeada da prisão emociona. Vinte e dois presos políticos bascos atravessaram, já sem vida ou desenganados, o seu umbral; dezassete familiares perderam a vida ao tentarem chegar com pontualidade ao locutório das visitas. O óxido dos ferrolhos é incapaz de corroer a memória colectiva das mais de sete mil pessoas que foram encarceradas em Euskal Herria por motivos políticos nos últimos cinquenta anos.

No primeiro sábado do ano de 2010 há que trilhar com força as ruas de Bilbo. O apelo à expressão da solidariedade com os presos políticos bascos não é uma formalidade sazonal ou mais uma concentração em sua defesa. Agora que falamos de acumular forças e de unir, onde encontraremos um caudal de energia maior que o que encerram os muros dos estados? Trazê-los para casa é também uma questão de eficácia política, e, embora os pontos fulcrais do conflito sejam outros, quanto mais cedo movermos os alicerces da estratégia de aniquilação dos presos, mais depressa estremecerão e cairão os muros que os encerram. Não podemos esperar pela instauração de um quadro democrático para começar a construir Euskal Herria, e menos ainda conceber a amnistia como o acto final de um acordo político com os estados, ainda distante. Reivindicar essas 762 pessoas e disseminar uma pedagogia política impecável, segundo a qual respeitar os seus direitos e libertá-los representa um dos melhores investimentos para avançar num processo democrático, constituem um desafio importantíssimo para o ano que arrancará no dia 2 em Bilbo.

Ao contrário do que se passa no filme de sucesso, Malamadre nunca sequestraria presos políticos bascos para pressionar o Estado ou forçar a melhoria das suas condições de vida. Os presos FIES sempre souberam identificar os seus aliados e pôr no seu lugar o inimigo comum. Partilhar o silêncio dos módulos de isolamento, saborear o café trazido por uma mão amiga, passar o «carro» de janela em janela, fazem parte da solidariedade intuitiva intramuros. Poucas coisas existem aí dentro tão vivas.

A cela 762 está aberta de par em par, e o sol ilumina todos os seus recantos. A sordidez esfumou-se, e nas galerias apenas restam marcas fugazes que conduzem à saída. A câmara persegue as sombras de quem já não está. O plano seguinte corresponde à Plaza Berri, no meu bairro. Flores e abraços envolvem a última a chegar, a verdadeira protagonista dessas emoções que merecem ser filmadas. Tornemos realidade este filme e que seja um êxito de bilheteira. Compremos a entrada para sábado, dia 2 de Janeiro, na Aita Donosti.

Joxean AGIRRE
Fonte: apurtu.org

Marlaska manda também para prisão o jovem Xabier de la Maza, sem fiança


Ontem, o juiz Fernando Grande-Marlaska deu ordem de prisão - comunicável e sem fiança - a Xabier De la Maza Peña, detido na sexta-feira pela Polícia espanhola na sua localidade, Gorliz (Bizkaia), e que o juiz dera como foragido após a operação policial de grandes dimensões contra jovens independentistas iniciada a 24 de Novembro.

Segundo o auto ontem emitido por Marlaska, De la Maza é acusado de «integração na organização terrorista», sendo definido pelo juiz como um dos responsáveis da Segi na Bizkaia.

Para justificar o seu encarceramento, o instrutor da Audiência Nacional espanhola alude à «gravidade dos factos objecto de imputação», embora não lhe aponte acções concretas excepto a integração na Segi. Cita também outros elementos habituais, como o risco de fuga ou «o prognóstico razoável de reiteração delitiva».

De la Maza foi detido no sábado em Gorliz, e no domingo houve mobilizações de solidariedade tanto nesta localidade como na vizinha Plentzia. Ontem, depois de ficarem a saber do seu encarceramento, também se concentraram em Gorliz 72 conterrâneos do jovem.

Por outro lado, ontem à noite concentraram-se pelos presos bascos 55 pessoas em Ondarroa, 70 em Santurtzi, 48 em Iurreta, 43 em Laudio, 20 em Ordizia, 16 em Zaldibar, 15 em Zaldibia, 15 em Otxarkoaga, 15 em Bermeo, 14 em Zorrotza (Bilbo) e 11 em Euba.
Fonte: Gara

Mais info (eus): http://etengabe.blogsome.com/

Manifestação em Bilbau de apoio ao «Egunkaria» (vídeos)


Vídeo da manifestação de Bilbau em apoio ao Egunkaria (19/12/2009) produzido pelo Boltxe Kolketiboa e que é apresentado como complemento à cobertura e reportagem fotográfica do evento.

"Dezenas de milhares de cidadãos e cidadãs manifestaram-se em Bilbau contra o fascismo espanhol, pela liberdade de Euskal Herria e, neste caso, do Egunkaria, diário em euskara que foi encerrado pelo Estado espanhol, numa das actuações mais fascistas de que há memória." Boltxevideo YouTube - www.boltxe.info/
Fonte: lahaine.org


Egunkaria-ren aldeko manifestazioa Bilbon, abenduaren 19an: «Egunkaria libre!». Fonte: apurtu.org