sexta-feira, 12 de março de 2010

Um médico de confiança confirma, depois de ver o corpo, que se trata de Jon Anza


Depois de a Procuradoria ter impedido a família de ver o corpo de Jon Anza por ordem do Ministério da Justiça, por fim esta tarde um médico de confiança pôde ver o cadáver, confirmando que se trata do do militante donostiarra.

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Respostas negativas foi o que a família de Jon Anza recebeu no hospital de Toulouse. Recusaram-lhe a possibilidade de falar com o médico que o terá atendido, não lhe deram a roupa do falecido, não lhe permitiram ver o corpo e não consentiram que um médico de confiança participe na autópsia.

A única confirmação de que o cadáver «aparecido» na morgue de Toulouse é o de Jon Anza deriva dos testes de ADN, já que a família não teve acesso ao corpo, segundo informou o Movimento pró-Amnistia.

Quando os familiares do militante independentista pediram para falar com o médico que o assistiu, responderam-lhes que não lhes ia dizer nada. Também não lhes deram a roupa, alegando que se encontra em poder da Polícia.

Por fim, esta tarde, e depois de várias horas de impedimentos e insistência, os familiares tiveram autorização para ver o corpo. Um médico de confiança pôde identificá-lo e confirmou que se trata, «sem dúvida», de Jon Anza.

Perguntas sem resposta
O Movimento pró-Amnistia, que não duvida em ligar a morte de Anza à «guerra suja», apresenta uma longa série de questões relativas à versão avançada pela Polícia francesa: «Onde esteve o Jon durante os onze dias que permaneceu desaparecido? Quem é que fez a chamada a avisar que tinham encontrado o Jon num banco? Quem levou o Jon para o hospital? Onde estava o dinheiro que levava? Quem era o médico responsável enquanto esteve hospitalizado? Onde estão os relatórios médicos? Onde está a certidão de óbito? O hospital avisou juízes e polícias da morte de Jon? Procederam a uma investigação que certificasse de quem era o corpo? A Polícia tinha o ADN de Jon e dos seus familiares - fizeram os testes ao cadáver? Quais foram os resultados?».

Lembra ainda que o desaparecimento de Anza foi divulgado aos quatro ventos. Pergunta, então, como é que não se associa esse desaparecimento ao aparecimento, nessa altura, de uma pessoa «desconhecida», com um bilhete de comboio, num hospital.

«Por que é que se dá a informação aos meios de comunicação antes de informar a família?», pergunta o Movimento pró-Amnistia.

Manifestação no domingo em Donostia
Afirma que na morte e na «ocultação» de Anza participaram as polícias francesa e espanhola e que manter o corpo «escondido» durante um ano corresponde a uma decisão política.
Lança um apelo à denúncia destes factos nas ruas e a participação nas mobilizações que forem convocadas.
Com o lema «Errepresio eta gerra zikina amaitu!» [Acabar com a repressão e a guerra suja!], sairá do Boulevar donostiarra uma manifestação no próximo domingo, às 17h30.
Fonte: Gara
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Nota de imprensa da Etxerat acerca do caso de Jon Anza
Uma nota carinhosa e humana que a Etxerat divulgou para reconfortar a família de Jon nestes duríssimos momentos.

Da parte da Etxerat, manifestamos o nosso calor e solidariedade aos familiares de Jon Anza.
A associação Etxerat quer manifestar a sua solidariedade e proximidade aos familiares de Jon Anza em tão duros momentos.
Para além disso, pedimos que se esclareçam quanto antes as circunstâncias da sua morte e os pontos negros do caso.
Denunciamos o furo interessado a vários órgãos de comunicação no dia de ontem, antes mesmo de que alguma coisa fosse comunicada à família, e reiteramos o nosso afecto à família Anza.
Fonte: lahaine.org

A procuradora de Baiona «não entende nada» e admite que o hospital lhe disse que não havia nenhum cadáver por identificar


A procuradora de Baiona, Anne Kayanakis, foi incapaz de explicar por que razão o corpo de Jon Anza permaneceu na morgue do principal hospital de Toulouse durante onze meses, depois de ter sido supostamente atendido e de ter falecido nesse centro hospitalar, como defende a versão oficial. Admitiu que a investigação falhou e que «não entende nada», mas não se sente desautorizada para investigar agora as causas do falecimento. A procuradora descartou a hipótese lançada por Rubalcaba há tempos.

A procuradora de Baiona, Anne Kayanakis, reconheceu na conferência de imprensa que deu esta tarde que tem «sérias dificuldades» para poder explicar o que se passou com Jon Anza, depois de a Polícia ontem ter avisado os seus familiares que tinham localizado um corpo na morgue do hospital Purpan, em Toulouse, que poderia corresponder ao do militante donostiarra.

Kayanakis, que compareceu junto ao chefe da Polícia Judiciária de Baiona, Patrick Leonard, confirmou que o cadáver pertence a Jon Anza e que este foi encontrado no dia 29 de Abril de 2009 no Boulevard de Estrasburgo em Toulouse, inconsciente e com a cabeça numa jardineira, pelo que um particular alertou os serviços de emergência, que enviaram para o local uma unidade do corpo de bombeiros. Estava em paragem cardio-respiratória e, depois de ser reanimado, foi levado para o hospital de Purpan, onde faleceu no dia 11 de Maio.

Também referiu que na acta que o hospital levantou no dia da sua entrada só estava registado que levava 500 euros em dinheiro, mas não se fazia qualquer alusão aos bilhetes de comboio.

Um funcionário comentou com um polícia amigo
De acordo com o seu relato, o corpo permaneceu no depósito de cadáveres do hospital durante onze meses e foi nestes últimos dias que, de forma «meramente casual», um funcionário do Instituto de Medicina Legal comentou com um polícia seu amigo que havia um cadáver por identificar na morgue. O polícia encontrou entre os seus pertences dois bilhetes de comboio de Baiona para Toulouse, um datado de 18 de Abril e outro, de volta, para o 20 de Abril. Após as devidas verificações e o cotejo de impressões, identificaram Jon Anza, sempre de acordo com a procuradora.

Kayanakis reconheceu que não se sente satisfeita porque a investigação «falhou manifestamente», mas sentiu-se incapaz de explicar porquê. Insistiu na ideia de que, desde que no dia 18 de Maio se iniciou a investigação para esclarecer o desaparecimento de Anza, a Polícia fez «todas as verificações» necessárias para encontrar o ex-preso e garantiu que o seu departamento enviou uma circular a todos os hospitais para que verificassem se havia neles uma pessoa ou um corpo com as características de Anza.

No dia 4 de Junho, a Procuradoria de Baiona recebeu a resposta negativa de vários centros hospitalares, incluindo o de Purpan, em Toulouse.

A procuradora admitiu que a lei obriga os centros hospitalares a comunicar à Polícia num curto prazo de tempo os casos de pessoas por identificar, mas também aqui não pôde esclarecer por que motivo esse procedimento não foi cumprido.

Descarta a versão de Rubalcaba
Apesar do fracasso da investigação, a procuradora disse que não se sente desautorizada para iniciar agora uma nova indagação sobre as causas do falecimento de Jon Anza e que mantém todas as hipóteses em aberto. Descartou expressamente, isso sim, a versão lançada pelo ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, segundo a qual o militante independentista havia fugido pela sua própria vontade com o dinheiro que levava.

Questionada sobre o seu sentimento acerca do que pode ter ocorrido entre os dias 18 e 29 de Abril, quando o donostiarra terá sido encontrado inconsciente na rua, disse não poder dar uma resposta porque «eu também tenho dúvidas». Assegurou que a Polícia continua a investigar o que aconteceu naqueles dias. Quanto à questão de não se ter deixado a família ver o corpo e de não se ter permitido a um médico de confiança estar presente na autópsia, disse que esse é o procedimento habitual.
Fonte: Gara
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Foto: kazeta.info

O corpo aparecido na morgue de Toulouse é o de Jon Anza


O corpo aparecido na morgue de Toulouse é o de Jon Anza, segundo confirmou o colectivo Jon Anza. Antes da confirmação da sua identidade, ontem a Polícia comunicou que o militante independentista teria estado «desaparecido» onze meses na morgue. A procuradora de Baiona limitou-se a dizer que «dará informações hoje».

Depois do anúncio do aparecimento de um corpo na morgue de Toulouse, soltaram-se as especulações, e a maioria dos meios de comunicação espanhóis romperam um silêncio de quase um ano para dar por certo que o cadáver pertencia ao militante donostiarra.

A primeira notícia foi dada por volta das 18h45 no noticiário da cadeia francesa FR3. Citando «fontes não oficiais», a France 3 afirmava que Jon Anza chegou ao seu destino, Toulouse, no dia 18 de Abril e que uma vez ali - mas onze dias depois, onze dias sobre os quais ontem ninguém disse nada - sofreu um desmaio e foi levado para o hospital Purpan, onde permaneceu durante uma semana, até falecer. O cadáver teria sido levado para a morgue, onde, sempre de acordo com a televisão, «foi agora identificado».

Uma nota da AFP, que citava fontes próximas à investigação de Bordéus, indicava, contudo, que o tinham encontrado morto, sem qualquer identificação, na via pública, em finais de Abril de 2009.

Conhecida a notícia, o Gara pôs-se em contacto com o advogado da família, que manifestou o seu «espanto pela inusitada celeridade» com que determinados meios davam por certo que se tratasse do corpo de Anza. A advogada Maritxu Paulus-Basurko confirmou que ontem ao fim da tarde, apenas uns minutos antes de que a notícia fosse veiculada pela TV, a Polícia francesa se pôs em contacto com a família para a avisar de que tinham localizado um corpo na morgue de Toulouse que podia corresponder ao de Anza, e que estavam a efectuar os exames correspondentes para o determinar. Também os avisaram que não teriam a confirmação até hoje de manhã.

Foi o Gara que deu essa informação ao irmão de Jon Anza, Koldo. Minutos depois, foi este que comunicou que foi efectivamente a Polícia Judiciária quem os informou sobre o cadáver de Toulouse.

Onze dias e onze meses
Segundo a versão policial relatada aos familiares, no dia 29 de Abril de 2009 - onze dias depois do desaparecimento de Jon Anza - os bombeiros de Toulouse recebem uma chamada a dizer que uma pessoa se encontrava ferida com gravidade na rua, desorientada e com sintomas de ter sofrido um enfarte.

Após as tentativas de reanimação, de acordo com a versão policial, as equipas de emergência levaram essa pessoa para o Hospital Purpan, onde terá falecido treze dias depois, a 11 de Maio. De acordo com a Polícia Judiciária, o cadáver encontrado na morgue de Toulouse onze meses depois tinha «um casaco negro de coro - semelhante ao que Anza levava -, sapatos da mesma marca, dois bilhetes de comboio e uma cicatriz na cabeça». O refugiado político donostiarra tinha uma cicatriz na cabeça causada pela operação cirúrgica a que foi submetido, em virtude da grave doença que sofria.

Por seu lado, a procuradora de Baiona, Anne Kayanakis, limitou-se a afirmar que não iria dizer nada até hoje, ainda que não tenha desmentido que estivesse a ser efectuada a identificação do militante desaparecido nos termos avançados pela imprensa.

Dados contraditórios
Em pouco menos de uma hora, vários meios de comunicação espanhóis faziam eco da notícia, afirmando com segurança que se tratava do cadáver de Jon Anza. No entanto, os elementos que uns e outros apresentavam contradiziam-se no respeitante a datas e detalhes sobre o que acontecera depois de o militante abertzale ter alegadamente chegado a Toulouse a 18 de Abril.

Assim, a página on-line da RTVE afirmava, às 20h, sem citar fontes, que o cadáver de Anza «permanecía en la morgue de Toulouse desde el 11 de mayo de 2009» e que tinha sido identificado «tras ser sometido a un cotejo de las huellas dactilares [impressões digitais]» que confirmariam a identidade.

A cadeia pública espanhola, sempre sem mencionar a origem da informação, acrescentava que «el 29 de abril de 2009, a las 23.00 horas, Jon Anza habría aparecido en un banco de Toulouse tras sufrir un infarto», após o que «los servicios sanitarios franceses lo atendieron e ingresaron en un centro hospitalario, donde falleció 13 días después, el 11 de mayo».

A versão apresentada às 20h13 pela agência Europa Press coincidia nas datas com a da RTVE, embora desta vez citasse «fontes da luta antiterrorista». Acrescentava que «nas próximas horas ser-lhe-á feita uma autópsia, bem como as provas de ADN para ratificar a confirmação». Segundo a agência, Anza foi localizado na noite de 29 de Abril do ano passado «sem documentação, desorientado e com sintomas de ter sofrido um enfarte num parque da citada cidade gaulesa. Foi levado para um hospital pelos serviços de saúde municipais, falecendo 15 dias depois».

Incide, para além disso, em que, dadas as circunstâncias, «as fontes citadas descartam qualquer tipo de morte violenta, como nestes meses denunciou a esquerda abertzale. Não obstante, essas fontes justificavam a demora na descoberta do cadáver com o facto de a Procuradoria de Toulouse não ter informado a Audiência Nacional, que no entanto já teve conhecimento telefónico da descoberta», obviando que o processo está a ser conduzido em Baiona.

A confirmarem-se estas informações, a procuradora de Baiona que investiga o caso desde que a família de Anza o denunciou, a 17 de Maio, terá sérias dificuldades para explicar a descoberta agora, onze meses depois, do corpo de Anza.
Fonte: Gara
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O cartaz é do Movimento pró-Amnistia. Há manifestação no domingo em Donostia, às 17h30.

Jon Anza encontrado?


«Segundo uma fonte próxima das investigações, o corpo de Jon Anza terá sido encontrado na morgue de Toulouse... Jon Anza terá sido vítima de uma indisposição na via pública. Terá falecido uma semana depois sem que tenha sido possível confirmar a sua identidade até agora.»

Esta foi a informação ontem divulgada no jornal local da France 3 Euskal Herri, relativamente ao militante basco Jon Anza, desaparecido desde 18 de Abril, quando ia apanhar o comboio na estação de Baiona com destino a Toulouse. Por outro lado, o Movimento pró-Amnistia informa que a Polícia francesa contactou a família de Jon Anza às 17h30 para lhes comunicar que o corpo encontrado podia ser o de Jon Anza e que estavam a ser feitos exames complementares. A procuradora Anne Kayanakis, que tem o dossier a seu cargo, contactada pela nossa redacção, não quis prestar declarações, e não desmentiu nem confirmou a informação. A AFP, que cita fontes próximas do caso refere «que o corpo de Jon Anza foi identificado na morgue do hospital Purpan, em Toulouse, e que o militante terá sido encontrado morto na via pública na sequência de 'problemas de saúde' no final de Abril de 2009, em Toulouse. Apesar dos avisos de busca efectuados pela direcção inter-regional da Polícia Judiciária, a morte de Jon Anza, encontrado sem documentos, não foi anunciada e o seu cadáver não pôde ser identificado.»

Agora, levantam-se diversas questões. Como é que não foi possível encontrar o corpo de Jon Anza anteriormente, sendo que, de acordo com as fontes policiais, a morgue do Hospital de Toulouse tinha sido inspeccionada, há vários meses, tal como as dos hospitais dos arredores. O que parece lógico. E o facto é que as impressões digitais de Jon Anza eram do conhecimento dos serviços policiais.

Béatrice MOLLE
Fonte: le_journal_Pays_Basque-EHko_Kazeta
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Ver Também: «A Polícia diz que Jon Anza terá estado 'desaparecido' onze meses numa morgue de Toulouse», em Gara
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Ver também: Editorial: «Anne Kayanakis deve dar uma explicação veraz», em Gara

Otegi afirma que o arranque do processo depende da capacidade de unir forças


Arnaldo Otegi afirma numa entrevista ao «Res Pública» que a independência é «não só possível mas necessária» para que Euskal Herria possa subsistir na Europa e, para que isso seja possível, acha que os independentistas e progressistas devem estabelecer «uma aliança estratégica que trabalhe pelo processo democrático».

Entrevista a Arnaldo Otegi no «Res Pública»

O portal jurídico «Res Pública» publicou ontem uma extensa entrevista a Arnaldo Otegi, preso desde Outubro e condenado novamente pela Audiência Nacional, na qual o interlocutor abertzale analisa a actualidade política, desde a situação da esquerda abertzale após a ilegalização, o debate interno recentemente concluído e os compromissos adquiridos, as conversações de Loiola e a formação do pólo soberanista.

Otegi afirma que, apesar de o Estado espanhol responder com «mais repressão e endurecimento» às suas propostas de solução, a esquerda abertzale continuará «a cumprir o compromisso» de procurar saídas para o conflito político de modo a que no futuro «as diversas opções do país se possam confrontar de maneira democrática e igualitária: que nós, os independentistas, possamos não só defender, mas concretizar os nossos programas se essa for a vontade da maioria do país, e que os unionistas constitucionalistas que desejam manter-se unidos ao Estado espanhol também o possam fazer se essa for a vontade do país».

Considera que as condições para a mudança política «estão dadas no país» e que a partir de agora «há que materializar essa mudança política mediante um processo democrático» implementado «na total ausência de violência e ingerências» e que torne viável «alcançar um novo cenário em que todos os projectos sejam não só defensáveis mas materializáveis».

Para que isso seja possível, defende que os independentistas e progressistas do país estabeleçam «uma aliança estratégica que trabalhe pelo processo democrático a partir de uma perspectiva nitidamente independentista».

O dirigente abertzale crê que o arranque desse processo não pode estar nas mãos do Estado, «como um exercício de veto». Afirma que «sem o Estado será mais difícil, mas o arranque só depende da nossa capacidade de unir forças e a esperança popular».

Avisa, no entanto, que para o processo avançar «há que estabelecer bases sólidas» e deve existir «um ambiente jurídico-político propício para tal, umas condições mínimas». Julga também que tem de haver «muita comunicação com as bases e a sociedade por parte de todos os actores», «sinceridade, honestidade e também muita paciência».

Contribuição de todos os agentes
Reitera que a esquerda abertzale está «absolutamente comprometida com um processo de paz democrático», e garante que o faz «sem qualquer premissa ou precondição dentro do processo democrático, que há-de desenvolver-se por vias exclusivamente políticas e democráticas».

Nesse sentido, considera que o conjunto de agentes do país, «incluindo a ETA, terão de ver que tipo de contribuição podem fazer» para que o processo democrático se possa desenvolver e alcançar os objectivos que persegue.

Otegi também é questionado sobre os rumores que dizem que vai abandonar a actividade política, sendo que o de Elgoibar responde que, «enquanto tiver forças e viva, continuarei a trabalhar pelo projecto estratégico da esquerda abertzale: um país livre de homens e mulheres livres. Isto é, uma república basca independente assente na justiça social. E embora estejamos cada vez mais perto disso, há ainda muito por fazer, pelo que vejo a reforma como algo muito distante».
Fonte: Gara

Novo ponto de encontro da juventude de esquerda independentista: gaztEHerria


Diversos organismos e pessoas a título individual apresentaram ontem em Donostia um novo «ponto de encontro da juventude basca de esquerda independentista»: gaztEHerria. «Bizi dezagun ametsa, eraiki independentzia!» [Vivamos o sonho, vamos construir a independência!] é o seu lema. «Para este país encaramos a independência como a única possibilidade», afirmaram durante a apresentação, e o objectivo é criar «uma onda a favor dela».

Entre as organizações contavam-se os Gazte Independentistak - da esquerda abertzale - e os Gazte Abertzaleak - do EA. Outros colectivos: Musikherria, Akuilu, Bizigay, Bilgune Feminista, Topatu.info, Ikasle Abertzaleak, Kamaradak, Kaskagorri e Elkarlana. Puseram em marcha um amplo movimento juvenil que assentará na participação, de toda Euskal Herria.

No dia 2 de Abril, o gaztEHerria vai organizar um «festival enorme» em Durango, e depois vão fazer um apelo à participação conjunta no acto organizado pela rede Independentistak para o Aberri Eguna - Dia da Pátria Basca, este ano a 4 de Abril.
Fonte: Berria

Crise no Nafarroa Bai

Tasio (Gara)
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O prazo de 15 de Março dado pelo Aralar aos seus sócios para redefinir o futuro do Nafarroa Bai está a chegar ao fim sem haja sinais de que a coligação vá tomar qualquer decisão de carácter definitivo antes dessa data. O coordenador do Aralar em Nafarroa, Txentxo Jiménez, já reconheceu que vão ter de alargar o prazo até ao Verão.

As disputas e desconfianças entre os membros do NaBai foram uma constante desde o seu nascimento. Nem sequer os bons resultados eleitorais alcançados pela coligação evitaram os contínuos desencontros entre os seus principais membros.

O futuro do Nafarroa Bai paira no ar. Todos os seus integrantes o reconheceram publicamente, embora ninguém se atreva a assumir a responsabilidade de acabar com o projecto.

O PNV já disse que a sua aposta continua a ser o NaBai. Parece acertado dizer que o partido de Urkullu também não tem muitas outras alternativas. O Batzarre começa a virar-se para outras paragens, preparando o terreno para uma possível «colaboração institucional» com a IU.

O processo relativo ao congresso da formação liderada por Patxi Zabaleta serviu para que o Aralar precipitasse o debate, propondo que se encontrasse a fórmula numa data definida. Mas os acontecimentos mostram-nos que nem tudo é assim tão definido e há ocasiões em que se nota uma certa improvisação. O convite feito Jiménez (Aralar) ao Batasuna, ao mesmo tempo que criticava o EA por querer chegar a acordos com esta última formação, não fez mais senão baralhar mais o panorama.

Após os descalabros eleitorais nos três territórios da CAB, dá-se uma mudança na direcção do Eusko Alkartasuna, embora mantendo as orientações dos último congresso no sentido de explorar novas alianças estratégicas para fomentar o trabalho conjunto a favor da soberania.

Por último, surgiram os «independentes» reunidos em torno dos «nabaizaleok», para «alertar contra os perigos, para lá do ruído». Numa nota tornada pública, face aos acontecimentos que se estão a dar à volta da coligação, criticam «a pretensão redutora de converter o NaBai no espaço de acumulação de forças soberanistas» quando para estes militantes do NaBai «a sua grande virtude e marca de identidade foi precisamente a de estar aberta ao vasto espectro do basquismo e progressismo em Navarra». Dizem que falam agora porque «é isto que nos assusta e nos faz crer na necessidade de reagir.»
Fonte: nafarroan.com

Em Iparralde, a EHBai insiste no valor do boletim de protesto e pede aos «abertzales» que votem


O voto de protesto activo impulsionado pelo EHBai é «útil e de grande valor» e, como tal, é imprescindível que os abertzales vão votar no próximo domingo, dia da primeira volta das eleições regionais. Esta foi, no essencial, a mensagem que Xabi Larralde, Peio Etxeberri-Aintxart e Xole Aire comunicaram na quarta-feira em Baiona, juntamente com mais dez membros da coligação.

Aire salientou que a EHBai recebeu centenas de apoios de todos os tipos, inclusive de «pessoas que não se consideram abertzales». «A razão para tantos apoios expressos -disse - é que temos levado a cabo uma campanha activa, popular e não elitista». A edil de Urepele insistiu na ideia de que o apelo a um voto de protesto não significa que seja pouco válido, antes pelo contrário: «É um voto muito valioso e útil para o impulso e a consolidação do movimento abertzale e que, para além disso, será contado não só por nós, mas também pelas demais forças políticas».

Larralde tornou extensivo esse apelo aos cidadãos em geral «porque também dizem respeito aos não abertzales as problemáticas que temos abordado na campanha - crise económica, infra-estruturas que tentam impor (TGV), repressão ou debate de uma instituição para Ipar Euskal Herria».

Por seu lado, Jean Telletxea, cabeça-de-lista da Euskadi Europan, abordou também na quarta-feira as principais prioridades que, para os jeltzales, é preciso enfrentar em Ipar Euskal Herria e que julga serem esquecidas pelas grandes candidaturas.

Arantxa MANTEROLA
Notícia completa: Gara

'Trailer' do documentário «Bertsolari»

Saiu o trailer do projecto do realizador de cinema Asier Altuna (Bergara, 1966), intitulado Bertsolari e produzido pela Txintxua Films.

BERTSOLARI PILOTO SPANISH SUB. from txintxua on Vimeo.

Entre outras, aparecem imagens da final do Bertsolari Txapelketa Nagusia / Campeonato Nacional de Bertsolaris, que decorreu no BEC, em Barakaldo, a 13 de Dezembro, e a que assistiram 14 500 pessoas.
Notícia completa: Berria

quinta-feira, 11 de março de 2010

Descobrir a mentira


Li há algum tempo que mentir é um recurso fácil de utilizar sem se ter de passar por esforços nem penúrias, embora se corra o risco de se ser descoberto. Acontece algo de semelhante com a pessoa que lança rumores falsos para diminuir as pessoas que inveja: pode ser descoberto e a conduta desvelada, agindo contra si mesmo, desprestigiando-se perante aqueles que queria influenciar. Mentir de forma compulsiva aumenta ainda o risco que corre o insensato porque, como diz o ditado, a mentira tem pernas curtas. É o que tem vindo a acontecer ao conselheiro do Interior espanhol na CAB, Rodolfo Ares. Quando ouve a palavra tortura, começa a mentir de forma desordenada, nervosa, compulsiva.

Na melhor tradição dos Rosón, Martin Villa, Barrionuevo, Saenz de Santamaría, Ballesteros e companhia, enfrenta as denúncias de tortura com o recurso fácil a uma mentira que, de tão repetida pelos manda-chuvas do ramo, atingiu o nível de mito urbano. Repetiu-o esta semana: «Nadie puede ignorar que existen instrucciones de ETA para denunciar sistemáticamente la existencia de torturas, con el fin de desprestigiar a las fuerzas de seguridad». Em Euskal Herria falar de «desprestigiar» as FSE parece ridículo, mas o conselheiro Ares sabe que mente porque falta à verdade com perfeita noção disso.

A cantilena do «manual de instrucciones» da ETA para que se denunciem torturas de forma sistemática, tenham ocorrido ou não, tem quase trinta anos. Em três décadas nem um só exemplar desse manual tão levado e trazido foi incluído num sumário ou em qualquer instrução. Em nenhuma das inúmeras conferências de imprensa com exibição de material apreendido a membros da ETA foi mostrado o velho manual. Não há um só documento ou testemunho prestado em sede judicial que fale de tais recomendações para cometer perjúrio denunciando polícias, guardas civis ou ertzainas. Sabiam-no Rosón, Martin Villa, Ballesteros, Saez de Santamaría e Barrionuevo. E Ares também o sabe. Por isso mente.

E se o anteriormente exposto não basta, leio no El Correo Español, meio pouco suspeito de dourar a pílula à ETA, que os últimos detidos na Normandia «en los interrogatorios mantienen la actitud de mutismo habitual de los detenidos de ETA en Francia». Será que o manual imaginário de Ares diz que em Madrid há que cantar aquilo que se fez e o que se deixou por fazer e denunciar tortura e em Paris guardar o silêncio de um túmulo? Pensem mal e de certeza que acertam.

Martin GARITANO
jornalista
Fonte: Gara

Comentário político na Infozazpi Irratia



Floren Aoiz na Infozazpi Irratia

O analista aborda a situação política em Nafarroa e a pretensão do PP de endurecer a Lei de Partidos.

O Relator contra a Tortura insiste na denúncia da incomunicação


O Relator Especial contra a Tortura, Manfred Nowak, apresentou perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU um relatório sobre violações de direitos no Estado espanhol, no qual reitera a denúncia do regime de incomunicação e da política de dispersão.

No relatório apresentado, o actual Relator Especial para a questão da Tortura, Manfred Nowak, inclui a monitorização das recomendações realizadas nas suas visitas a diferentes estados, entre os quais o espanhol, e analisa se estes fizeram suas as recomendações e se adoptaram medidas para as implementar.

Após as suas visitas, Nowak recomendou ao Estado espanhol a supressão do regime de incomunicação, por entender que «viola as salvaguardas próprias de um Estado de Direito contra os maus tratos e actos de tortura». Por isso, reitera a sua «preocupação pela limitação de certas garantias durante este período».

No seu relatório destacou que as denúncias de tortura não só se verificam durante os interrogatórios, mas também quando os detidos são levados a Madrid.

O Relator Especial da ONU afirma também que a dispersão que é aplicada aos presos políticos bascos «representa um risco e uma carga económica para a família e nalguns casos constitui um obstáculo para a preparação da defesa».

«Uma comissão verdadeiramente independente»
Manfred Nowak afirma ainda que «toma nota com satisfação do projecto de Lei do Mecanismo Nacional de Prevenção contra a tortura que se encontra em estudo no Congresso», cujas funções serão desempenhadas pelo Defensor del Pueblo, Enrique Múgica, mas ao mesmo tempo sugere que «uma comissão verdadeiramente independente e eficaz constituiria um passo em frente decisivo na luta contra a tortura e os maus tratos».

Segundo informa o Behatokia, a resposta da delegação espanhola foi que o regime de incomunicação apresenta «as máximas garantias legais e jurídicas» e que «só se usa em casos específicos como os de terrorismo e crime organizado», e que, portanto, vão continuar a aplicar esse regime. Quanto à dispersão, alega que não viola qualquer direito do prisioneiro.
Fonte: Gara

Euskadi. Casos de estudo


O Parlamento vai avançar com queixas contra quem denunciou tortura
PP, PSE e UPyD concordam que o Parlamento de Gasteiz se deve dirigir numa sessão plenária ao conselheiro do Interior, Rodolfo Ares, para que este apresente uma queixa-crime contra quem, no dia 8 de Fevereiro, acusou a Ertzaintza de ter torturado as pessoas detidas nos dias anteriores na Bizkaia e em Gipuzkoa.
O Partido Popular apresentou no Parlamento de Gasteiz uma proposta para que a Câmara autonómica inste o conselheiro do Interior «a presentar una querella criminal contra quienes, en comparecencia pública realizada en Bilbao el pasado ocho de Febrero, imputaron a la Ertzaintza la comisión de un delito de torturas a las órdenes del Consejero de Interior, tras la detención de varios presuntos miembros de la banda terrorista ETA en Ondarroa».
Quase todos os grupos apresentaram emendas à proposta, mas tanto PSE como UPyD concordam no que diz respeito à questão de pedir a Rodolfo Ares que apresente queixa contra os denunciantes de tortura.
Dado que PSE, PP e UPyD contam com a maioria dos lugares no Parlamento, está garantido que, de uma ou outra forma, este ponto, entre outros que visam apoiar o trabalho da Ertzaintza, seja aprovado.
Três passaram pelo hospital
No dia 8 de Fevereiro, advogados, familiares, amigos e conterrâneos das nove pessoas encarceradas nos dias anteriores, depois de terem sido detidas pela Ertzaintza, compareceram em Bilbo para afirmar que tinham sido torturadas durante o período em que permaneceram nas instalações policiais. Todos os detidos e depois encarcerados relataram ter sido alvo de ameaças, agressões e pressões por parte da Ertzaintza.

Quem participou na conferência de imprensa explicou que a Ertzaintza tinha deixado de aplicar o protocolo contra a tortura que o Governo anterior tinha posto a funcionar. E acrescentaram com veemência que «temos de dizer claramente» que a «nova divisão antiterrorista tortura às ordens de Ares».

De acordo com o advogado Alfonso Zenon, três dos detidos passaram por centros hospitalares durante o período de detenção. No caso de Asier Badiola, foi o próprio médico forense que pediu que fosse levado para o hospital, dado o estado em que se encontrava. Badiola foi hospitalizado por duas vezes em virtude das lesões sofridas nas costelas. Quanto a Xeber Uribe e Urtza Alkorta, foram ambos observados também pelos médicos por causa das contraturas musculares que apresentavam no pescoço, causadas pelo longo período de tempo passado em posturas forçadas.

Iñaki IRIONDO
Fonte: Gara

Para delatores: o Departamento do Interior prepara uma página para receber «informação»
O conselheiro do Interior da CAB, Rodolfo Ares, anunciou que o seu Departamento vai pôr a funcionar uma página de Internet para que os cidadãos possam contribuir, através do telefone ou por correio electrónico, «toda la información que considere de interés para el combate contra el terrorismo en todos los frentes».
Fonte: Gara

Presos políticos bascos, repressão, solidariedade


Pedem 9 anos de prisão para Igor Maiora
A Procuradoria da Audiência Nacional espanhola pediu nove anos de prisão para o natural de Gasteiz Igor Maiora, no julgamento que se realizou na terça-feira de manhã no tribunal de excepção.
Maiora, acusado de incendiar duas caixas de Multibanco da Caja Vital Kutxa em Gasteiz em 2006, foi detido no dia 20 de Fevereiro pela Guarda Civil em Oiartzun (Gipuzkoa), sendo depois levado a tribunal e encarcerado.
Ontem, Maiora afirmou não ter qualquer relação com os factos que lhe são imputados, uma vez que na altura em que tal se deu se encontrava em Múrcia a visitar a mãe, versão que foi secundada por esta e por duas testemunhas propostas pela defesa.
O magistrado da acusação pôs em causa esta versão e a defesa solicitou a absolvição do arguido.
Entretanto em Gasteiz já houve manifestações de protesto contra o julgamento e em defesa de Igor.
Fonte: Gara

A Ertzaintza entrou pela oitava vez na herriko da Alde Zaharra de Bilbau
Na terça-feira à tarde, por volta das 17h30, a Ertzaintza apareceu pela oitava vez na herriko taberna da Alde Zaharra de Bilbau, com o intuito de levar dali as fotos dos perseguidos políticos do bairro, acção que efectuou. Para além disso, ainda identificou o funcionário que se encontrava a trabalhar no local.
Fonte: askatu.org

Adrian Donnay foi detido pela Ertzaintza em Gasteiz
Adrian Donnay, jovem gasteiztarra de 21 anos, foi detido na terça-feira pela Ertzaintza em Gasteiz, acusado de ter atacado uma paragem de metro de superfície em Setembro último. Depois de na terça-feira se ter verificado uma concentração no bairro de Errota, para ontem estava prevista uma outra para denunciar a detenção de Donnay. Prevê-se ainda que estas mobilizações se repitam nos próximos dias. O Movimento pró-Amnistia fez ainda saber que, durante a detenção, os pais de Adrian foram agredidos e que o jovem se encontra incomunicável, alertando para os riscos de tortura daí decorrentes.
Fonte: askatu.org

Quatro jovens de Lizarra obrigados a fazer testes de ADN
Os jovens, processados pelo incidente da «batukada» nas festas de Agosto de 2009, foram notificados para comparecer hoje às 9h no Tribunal de Lizarra (Nafarroa) a fim realizarem as testes de ADN relacionados com este caso. Já manifestaram a sua discordância relativamente a este procedimento, considerando que não podem ser obrigados a tal, mas o tribunal, com o aval da Audiência de Iruñea, mantém a sua.
Por esta razão, familiares, amigos e conterrâneos dos arguidos anunciaram que vão estar presentes amanhã de manhã junto ao Tribunal de Lizarra, para protestar contra esta imposição e manifestar o seu apoio aos quatro jovens, e a partir das 19h farão uma nova concentração na Nabarreria kalea, na cidade do Ega.
Fonte: Gara

Em Madrid, acto sobre a repressão em Euskal Herria + Festa anti-repressiva
O acto, organizado pela Coordinadora Antifascista de Madrid, vai decorrer no próximo sábado, às 19h, no CSOA La Gotera (C/ San Nicasio, 45 (La Zona) Leganés. Metro e RENFE Leganés Central) e contará com a participação de um militante dos Komite Internazionalistak e de um militante basco da Reconstrucción Comunista.
http://reconstruccioncomunista.blogspot.com/
Haverá também uma festa anti-repressiva para ajudar a fazer frente a gastos judiciais.
Basta de repressão e tortura nas prisões espanholas!
Fonte: SareAntifaxista

quarta-feira, 10 de março de 2010

O «Libération» aborda o caso de Anza e aponta também para um «erro policial»


O diário parisiense Libération publicou este fim-de-semana uma reportagem de duas páginas sobre o desaparecimento de Jon Anza, há já quase um ano. Inclui, por um lado, um resumo dos dados existentes sobre o caso, e, por outro, uma entrevista com o jornalista Jacques Massey, perito em informações policiais sobre a ETA. E conclui que a tese de «um erro» da Polícia espanhola é a que «ganha cada vez mais força».

A tese de que Jon Anza foi vítima de «um erro» de forças policiais espanholas ganha consistência, à beira de se cumprir um ano sobre o seu desaparecimento, de acordo com uma reportagem publicada este fim-de-semana pelo Libération. O diário parisiense faz eco dos elementos existentes sobre a questão, num trabalho assinado pelo jornalista Karl Laske, e inclui ainda uma entrevista com Jacques Massey, autor do livro ETA, l'histoire d'une guerre de cent ans, e que, pela sua trajectória profissional, tem acesso a fontes policiais.

Como conclusão de tudo isto, o diário refere que a tese de que as FSE espanholas estejam por trás do desaparecimento «ganha cada vez mais força».

Como já o tinha feito o também parisiense Le Monde, o Libération destaca as trevas que envolvem este caso. Karl Laske faz uma recolha das informações surgidas ao longo destes dez meses, incluindo as declarações efectuadas pela companheira de Anza ou pela procuradora que lidera o caso no Tribunal de Baiona, Anne Kayannakis.

Novos detalhes
O trabalho jornalístico do Libération segue a linha traçada pelo que foi publicado nestes meses no Gara ou no Le Monde, mas apresenta alguns novos detalhes. Por exemplo, no entender do autor a Polícia sabia que Jon Anza era militante da ETA antes de que a organização armada basca o divulgasse publicamente.
Concretamente, a ETA deu a conhecer esta circunstância num comunicado vindo a público no dia 18 de Maio de 2009. Nele se revelava que cinco meses antes do desaparecimento de Jon Anza a Polícia encontrara um esconderijo da organização na localidade de Senpere (Lapurdi), e que ali depara com impressões digitais do refugiado político donostiarra.
A Polícia aparentou ficar surpreendida por esta afirmação da ETA, mas o Libération garante que estava a par da militância de Anza. E para isso recorda as normas de actuação nestes casos.

O jornalista considera «muito estranho» que a Polícia francesa encontrasse esse esconderijo e não efectuasse a devida análise às provas conjuntamente com as FSE espanholas. É que, segundo realça, é norma habitual partilhar até os detalhes mais ínfimos quando se referem à ETA.
Para além disso, recorda-se que Jon Anza residia perto de Senpere, pelo que «não se pode descartar que, imediatamente a seguir à descoberta do esconderijo, a Polícia espanhola assumisse a vigilância do militante».

Embora não aluda expressamente a responsabilidades do Governo francês, o jornalista Karl Laske salienta que a procuradora Anne Kayanakis não quer deixar o caso nas mãos de um juiz. Desta forma, para o Libération «é claro que o Governo prefere manter o assunto sob o seu controlo». E refere-se, concretamente, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.

«Com total liberdade»
Por outro lado, na entrevista que complementa este trabalho o jornalista Jacques Massey confirma que os corpos policiais espanhóis actuam com total liberdade em solo do Estado francês, uma constatação que é confirmada pelas declarações oficiais do Ministério do Interior espanhol de cada vez que se verifica uma operação anti-ETA.

Assim, Massey recorda que os dois guardas civis que morreram baleados num atentado da organização armada em Capbreton, em Dezembro de 2007, «actuavam por sua conta». E acrescenta que além de participar em operações regulares com a Polícia francesa, «ao que parece, os espanhóis utilizam, inclusive, casas secretas».

Refere igualmente que, após o atentado da estação de serviço das Landas, «estes polícias podem andar armados». E salienta, no final, que sem a sua ajuda «a Polícia espanhola não efectuaria tantas detenções».

Este jornalista perito em questões policiais e na perseguição à ETA não tem qualquer dúvida de que o desaparecimento de Anza seja da responsabilidade de forças policiais espanholas. E lembra que durante o período em que se perdeu a pista ao ex-preso donostiarra tiveram lugar outras denúncias de sequestros e interrogatórios ilegais, também atribuíveis a agentes policiais espanhóis. No caso de Juan Mari Mujika, isso ocorreu em Donapaleu.

Anza desapareceu no dia 18 de Abril, depois de apanhar um comboio com destino a Toulouse, aonde não chegou.

Maite UBIRIA

Interesse crescente em Paris, mutismo completo em Madrid
A publicação da reportagem no Libération confirma o interesse crescente dos meios de comunicação de Paris pelo desaparecimento do militante basco. O diário de esquerda, criado em 1973 com o impulso de Jean-Paul Sartre, deu ao assunto um amplo tratamento (duas páginas) e fê-lo na sua edição de fim-de-semana, a mais vendida. O artigo pode ser lido em francês em http://www.liberation.fr/recherche/?q=anza.
Este artigo e o publicado pelo Le Monde há poucos meses contrastam com o silêncio total na imprensa de Madrid. O ministro Rubalcaba só foi questionado sobre o tema uma vez: por um jornalista do Gara, quando de uma visita a Gasteiz.

Fonte: Gara

Em Iparralde, a Batera «ganha a primeira mão»


Mais de 91% dos eleitores, 189 422 pessoas, vão ser consultadas sobre a criação de uma entidade territorial País Basco, nos dias 14 e 21 de Março. Um primeiro êxito para os membros da plataforma Batera, que organiza esta consulta, em seu entender, «histórica».

«Não só temos o apoio dos eleitos como também o da sociedade», declarou Daniel Olçomendi, autarca de Izura-Asme (Nafarroa Beherea) e membro da plataforma. Fazia referência aos 90 autarcas de todas as áreas que apoiam a iniciativa e aos mais de 1000 voluntários que vão participar na sua concretização. Ao todo, serão 122 os municípios (entre 159 que compõem Ipar Euskal Herria) a acolher a iniciativa.

Todos os cantões
Em cantões como Baigorri, Garazi, Espeleta, Donibane Lohizune e Hendaia, 100% dos municípios vão ter uma ou mais urnas destinadas para o efeito. Dos 36 municípios que constituem Zuberoa, 25 vão participar na consulta e na BAB (conglomeração Baiona-Angelu-Biarritz) participam todos os municípios excepto Bokale.

Para o conselheiro municipal de Baiona Martine Bisauta este primeiro êxito prova que «a questão [sobre o quadro institucional do País Basco] não foi ultrapassada. A questão ainda não foi solucionada; não o é há 200 anos». E para concluir: «Agora, esperamos que os eleitores venham votar». O segundo desafio está lançado.

Goizeder TABERNA
Notícia completa: le_journal_Pays_Basque-EHko_Kazeta

Na foto: conferência de imprensa da Batera, ontem, em Baiona.

Kronika Nafarroa: «O processo democrático não tem marcha atrás»

Entrevista a Txelui Moreno na Kronika Nafarroa

Fonte: apurtu.org

Presos políticos bascos, homenagens, solidariedade, repressão


Tolosa recorda Lopetegi 22 anos depois de aparecer morto na sua cela
Cerca de oitenta pessoas deslocaram-se no último domingo até ao bairro tolosarra de Urkizu para prestar uma homenagem a Mikel Lopetegi por ocasião do 22.º aniversário da sua morte. Lopetegi apareceu morto numa cela da prisão de Herrera de la Mancha, concretamente no 2 de Março de 1988.
Os bertsolaris deram início à homenagem, e os dantzaris dedicaram um aurresku de honra a Lopetegi. Também foram depositadas flores em frente ao monólito erguido em sua memória.
Em seguida, membros do Movimento pró-Amnistia fizeram uma leitura política, recordando como a «cruel política penitenciária, que continua vigente,» acabou com a vida de Lopetegi. O organismo anti-repressivo definiu ainda a actual política penitenciária como um «laboratório repressivo». «Trata-se de um laboratório onde experimentam novas formas de repressão», criticaram. Não obstante, incitaram os cidadãos a seguir em frente, por via da «dignidade e da denúncia».
Por outro lado, como acontece todas as segundas-feiras, sucederam-se os protestos e as mobilizações em defesa dos direitos dos presos e refugiados políticos bascos.
Em Pasaia San Pedro concentraram-se 25 pessoas; em Ondarroa foram 71; em Iurreta mobilizaram-se 57; 20 em Ataun; 12 em Euba; 70 em Santurtzi; 43 em Laudio; 18 em Otxarkoaga e Zorrotza (bairros de Bilbau); 15 em Añorga; 22 em Ordizia; 43 em Oiartzun, e 21 no bairro donostiarra de Altza.
Fonte: Gara

Mobilizações de protesto em Barakaldo contra o julgamento de quatro jovens
O julgamento começou na segunda-feira na AN espanhola, sendo que o magistrado pede 33 anos de prisão para cada um dos jovens, acusados de queimar uma caixa de Multibanco.
Mobilizazioak: Martxoak 9, asteartea, 20:00etan Bide Onera plazatik abiatuta. // Martxoak 12, ostirala 13:00etan Epaitegiaren aurrean / 20:00etan Bide Onera plazatik abiatuta ESKUALDEKO MOBILIZAZIOA
Fonte: askatu.org

Atristain foi encarcerado em Muret Seysses
O donostiarra foi detido no sábado passado pela Polícia francesa, sem que depois fossem fornecidos mais dados sobre a sua situação. Antes disso, a Guarda Civil já o tinha procurado, sem sucesso, na sequência da detenção de Ibai Beobide.
Fonte: askatu.org

Nova página de Internet em defesa do direito dos presos a estudar
Aqui, serão divulgadas notícias em torno do direito dos presos ao estudo e sobre as principais mobilizações nas universidades. Ver http://ikastekoeskubidea.info
Fonte: askatu.org

Membros da Falange y Tradición reuniram-se num edifício do Ministério da Defesa em Iruñea


A Falange y Tradición tentou contactar por telefone José Luis Roberto, presidente de España 2000, com o objectivo de obter armas de fogo e lhes dar uso em acções violentas contra membros da esquerda abertzale.

Deia, Iruñea * E.H.
A Falange y Tradición (FyT), o violento grupo de extrema-direita que durante o ano de 2009 perpetrou dezenas de ataques contra a memória histórica e ameaçou de morte várias pessoas, entre as quais alguns eleitos, utilizou uma instalação do Ministério da Defesa para uma das suas reuniões clandestinas. Assim o constata a juíza María Mar Benito Osés, titular do Tribunal de Instrução número 3 de Iruñea, no denso documento que enviou ao Supremo Tribunal espanhol. A magistrada refere ainda que o grupo fascista tinha firmes intenções de prosseguir a sua actividade criminosa mediante da captação de adeptos e a compra de armas. Por tudo isso, a juíza pretende que seja a Audiência Nacional (AN) a julgar os cinco detidos e imputados.
http://www.deia.com/2010/03/09/politica/euskadi/ultras-de-falange-y-tradicion-se-reunieron-en-un-edificio-del-ministerio-de-defensa-en-irunea

Sare Info:
http://sareantifaxista.blogspot.com/2010/03/la-audiencia-nacional-abre-un-conflicto.html

Fonte: SareAntifaxista
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Ver também: «A Audiência Nacional espanhola mostra relutância em julgar os cinco acusados de 'terrorismo' da Falange y Tradición»
"O julgamento da Falange y Tradición segue uma trajectória atípica e passará pelo Supremo antes de chegar ao tribunal de primeira instância em virtude de a Audiência Nacional se mostrar relutante em julgar os cinco imputados por 'terrorismo'. Após meses sem notícias relativas ao processo, as vítimas do grupo de extrema-direita procuram agora um modo de se constituir como acusação particular de uma forma eficaz, saltando o escolho que representa este conflito de competências." Fonte: Gara via kaosenlared.net

Iparraldea XXI - o País Basco Norte existe!

Iparraldea 21 - English (HD) from Iparraldea 21 on Vimeo.

«Iparraldea ezagutzen ote duzu?». Galdera hori jarri du mahai gainean Euskal Kultur Erakundeak, eta Yves Salaberri Xala pilotariak Ipar Euskal Herriko jende ezaguna elkarrizketatu du; batik bat, kultur arloko jendeari. («Klik», Berria)
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«Queres conhecer Iparralde?». Esta questão foi colocada em cima da mesa pelo Euskal Kultur Erakundea / Institut Culturel Basque, e o jogador de pelota Yves Salaberri Xala conversou com gente conhecida de Ipar Euskal Herria; nomeadamente, com gente da área da cultura. («Klik», Berria)

terça-feira, 9 de março de 2010

8 de Março: a maioria sindical salienta que as reformas vão trazer «mais precariedade» para as trabalhadoras

Tasio (Gara)
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A maioria sindical basca, formada pelos sindicatos ELA, LAB, ESK, STEE-EILAS, EHNE e Hiru, reclamou nas ruas condições de vida e trabalho dignas e salientou que as reformas propostas se vão traduzir em «mais precariedade» para as trabalhadoras, grupo «especialmente afectado pela crise».

Um colectivo em marcha em todo o Planeta

Editorial do Gara: A mulher, presa da violência e da pobreza

As manifestações convocadas pela maioria sindical basca por ocasião do 8 de Março iniciaram-se ao meio-dia em Bilbo, Gasteiz, Donostia e Iruñea com o lema «Prekarietatearen aurrean. Emakumeok eredu berri bat. Reformas: más precariedad y pobreza».

Os convocantes afirmaram que as medidas anti-crise que forma propostas contribuem «para agravar as desigualdades entre homens e mulheres, obviam muitas das realidades da precariedade e tendem para a deterioração das condições de vida e de trabalho das mulheres, já que continuam a estar viradas para um mercado laboral assente na divisão sexual do trabalho».

Defendem que «as mulheres se organizem e estruturem colectivamente em todos os espaços, também no sindical. Só assim, seremos alvo de mudanças estruturais que permitam dar passos efectivos para a igualdade de direitos e oportunidades».

Necessidade de mudança social
Neste 8 de Março, por outro lado, a plataforma HerriaAbian! considerou necessário «uma profunda mudança social em Euskal Herria e em todo o Planeta. Para tal - acrescentam - é imprescindível que o nosso povo tenha direito a decidir o seu futuro. E nós, as mulheres, somos uma parte fundamental na luta por esse direito».
Fonte: Gara

O PP vai propor ao PSOE alterações legais para que a esquerda «abertzale» não possa concorrer às eleições


De acordo com a agência Europa Press, o presidente do PP na Comunidade Autónoma Basca, Antonio Basagoiti, está a preparar uma iniciativa para propor ao PSOE uma reforma da Lei de Partidos que impeça a esquerda abertzale de concorrer às eleições municipais e forais de 2011, independentemente do cenário político, sendo que o desejo do seu partido é apresentar no Parlamento espanhol uma reforma previamente acordada com o PSOE.

As alterações legais que o PP pretende levar a cabo consistem em criar «maiores dificuldades, na medida do possível», de forma a que a esquerda abertzale fique de fora das eleições. A proposta do PP contemplaria reformas na Lei de Partidos e na Lei de Bases do Regime Local.

Por exemplo, propõem-se que os vereadores que não condenem a ETA possam ser expulsos directamente das câmaras municipais. O PP diz que pretende apresentar esta proposta para a eventualidade de alguma candidatura da esquerda abertzale conseguir superar a Lei de Partidos.

Actualmente, apesar de uma formação partidária poder ser ilegalizada, os vereadores, representantes nas Juntas e deputados mantêm os seus lugares a título individual. Foi o que se passou com os edis da EAE-ANV, que superaram o veto eleitoral em 2007, ou o das deputadas do EHAK em 2005. Ambas as formações foram ilegalizadas, depois de participar nas eleições.

As pretensões do PP ocorrem após a resolução «Zutik Euskal Herria» adoptada pelas bases da esquerda abertzale, na qual se defende a possibilidade de contar com uma candidatura legal nas próximas eleições, «seja qual for o seu nome e estrutura» e que funcione como «referência para o independentismo basco».

O Governo espanhol, pela boca do ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, também insistiu na ideia de procurar impedir a participação da esquerda abertzale na vida política. Nos últimos dias, Rubalcaba falou de um possível «ajuste legal» futuro, sem precisar como nem em que condições.

Piñeiro justifica os juízes
Por outro lado, numa entrevista publicada no diário El Mundo o ainda presidente do Tribunal Superior de Justiça do País Basco, Fernando Ruiz Piñeiro, afirmou que os juízes não têm outro remédio senão cumprir as leis vigentes, e entre elas a Lei de Partidos.
Piñeiro, que renunciou esta semana a ocupar novamente o cargo, afirmou que o julgamento contra o diálogo político lhe custou o cargo. O então lehendakari Juan José Ibarretxe, os membros do PSE e agora lehendakari e conselheiro do Interior de Lakua, Patxi López e Rodolfo Ares, respectivamente, e os representantes da esquerda abertzale, Arnaldo Otegi, Rufi Etxeberria, Juan Joxe Petrikorena e Olatz Dañobeitia, foram processados, mas o julgamento foi abortado no TSJPB e resolvido no Supremo.

Na sequência: «Egibar e Eguiguren receiam o castigo a Otegi»

Fonte: Gara via kaosenlared.net

Fascismo: um tribunal navarro pede que a Falange y Tradición seja julgada na AN


A titular do Tribunal de Instrução número 3 de Iruñea apresentou um caso de competência no Supremo Tribunal, de forma a que a Audiência Nacional assuma a instrução da causa aberta contra membros do grupo denominado Falange y Tradición. Os detidos na operação movida contra eles encontram-se actualmente em liberdade.
A magistrada tomou esta decisão depois de o Tribunal Central de Instrução número 2 da Audiência Nacional espanhola ter rejeitado em Novembro a inibição apresentada por ela.

No seu relatório, a juíza conclui que nos encontramos perante «uma pluralidade de acções violentas com clara intencionalidade subversiva, provenientes de um grupo de extrema-direita organizado, estável, armado, com vocação de permanência e hierarquizado», pelo que, em seu entender, se reúnem todas as condições para que o caso passe para a alçada da Audiência Nacional.

Julgamento por ameaças
Alguns dos detidos na operação contra a Falange y Tradición participaram recentemente num julgamento de jovens antifascistas que acusavam de os ter ameaçado. Em concreto, os queixosos eram Fermin Domingo Turrilas e Iker Erice Merino, jovens presos naquela operação, tendo ainda participado como testemunha um outro detido. Este último reconheceu que no dia 10 de Outubro se encontravam num bar à espera de mais membros da Falange, partido ao qual, segundo ele, pertenciam. No dia seguinte ia ter lugar um acto fascista na capital navarra. Os jovens antifascistas reconheceram que trocaram algumas frases com os fascistas, mas negaram as ameaças. Ficaram a aguardar sentença.
Fonte: apurtu.org

Ver também: «A Audiência Nacional abre um conflito jurídico ao rejeitar o caso da Falange y Tradición», em Gara

Fermin Muguruza & Xabi Solano ao vivo em Donostia (Tour 2007)


Cantam-se os temas: «Ikusi mendizaleak», «Lepoan hartu ta segi aurrera», e «Gora Herria». Gora herria!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Destruam a infâmia!


A força das três palavras que compõem o título do artigo servem a Julen Arzuaga para propor ao leitor uma viagem através da realidade política que Euskal Herria atravessa. Três palavras que sugerem simultaneamente raiva e reivindicação, exigência de «direitos inexistentes, liberdades amputadas até se tornarem irreconhecíveis, faculdades inerentes à nossa condição de cidadãos e cidadãs reduzidos a cacos». Três palavras que recolhem o sentir maioritário em Euskal Herria e cuja origem, desvelada no final do texto, acrescenta maior sentido, se é que isso é possível, à argumentação do autor.

Palavras de agravo, de impotência. Um grito que transporta indignação, que clama pelo escândalo. Escândalo: a vileza esconde-se em cada recanto do sistema político a que nos submetem. De quem são estas três palavras, espelho de uma raiva já impossível de conter? Quem as verbaliza? Talvez as tenha pronunciado algum dos últimos detidos, dobrado com todo o tipo de tormentos. Com essas palavras talvez se quisesse referir às acusações que lhe foram arrancadas com o saco, as agressões, as ameaças e as humilhações constantes. Talvez tenham subido até à garganta do detido quando negou, com uma chapada, a veracidade do seu testemunho, a única versão acessível sobre o que se passou entre ele e o seu guarda na solidão do calabouço.

Infâmia. Refere-se porventura às falácias que foram vertidas contra os últimos cativos: a operação inovadora em Ondarroa, comandada pela flamejante Divisão Antiterrorista de Ares, termina com uma estranha amálgama de pistolões da penúltima guerra, carregamentos de droga e detidos que, aproveitando a viagem, participavam em organismos populares. Mais tarde, outros serão presos com documentação falsa, que afinal era o EHNA [BI basco]; confisca-se material informático com indicações para a elaboração de explosivos, em concreto, Cloratita, que não era outra coisa senão um CD do grupo musical bizkaitarra; divulga-se à opinião pública a descoberta de grilhetas na operação da Normandia, a partir das quais se depreendem sequestros a florescer... A corte mediática coloca as suas potentes baterias à inteira disposição. O meio não é já a mensagem, é propaganda descarada. Assim, a mescla de informações tendenciosas impede de tornar tangível, de decifrar o que realmente há, o que é fruto da todo-poderosa «eficácia» policial e o que, pelo contrário, é pura fabricação.

Destruam-na! Talvez o imperativo venha da boca de alguma mãe, farta de se sujeitar a todo o género de penúrias e ofensas para exercer um direito do preso e do familiar: comunicar. As condições de vida dos presos ultrapassaram há algum tempo os limites do desumano. Afastados, isolados, desatendidos, intimidados... sinal inequívoco de que ainda não estão submetidos. No seu afã de destruir aquilo que sentem e pensam os membros desse colectivo silenciado, foram nomeados carcereiros para formar uns fantasmagóricos «Grupos de Control y Seguimiento de Información». Uma espécie de departamento para-penitenciário que, com métodos à margem da norma e sem qualquer supervisão judicial, há-de obter dos prisioneiros «información relevante para la seguridad de la Institución y del Estado». Incluam-no na já de si extensa lista de direitos espezinhados que este colectivo põe em cima da mesa com o único método ao seu alcance: o sacrifício ainda maior das suas condições de vida à base de fechamentos e greves de fome.

Será porventura a exigência de um observador internacional que apareceu neste conflito, aconselhando a dar passos na direcção positiva para o reverter? É expressão da sua indignação? Soube pela boca de Rubalcaba que seja qual for a posição da esquerda abertzale perante uma violência, jamais poderá recuperar a sua legalidade. Esta ideia vê-se confirmada na sentença contra Arnaldo Otegi pela sua participação na homenagem a Gatza. Agora já não há posicionamentos políticos, só terrorismo. A palavra está proscrita, por acção e por omissão, pelo que se diz ou pelo que não se diz. Não é preciso justificá-lo com provas, basta o simples preconceito dos magistrados. Numa argumentação de dois gumes, a Audiência assegura que Mandela é «un auténtico héroe, que permaneció en prisión por motivos ideológicos». Nessas palavras pode ver-se reflectido o agora condenado por idênticas razões ideológicas.

Reclamará, quem sabe, que se acabe com a infâmia algum membro do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, que, depois de recentemente ter repreendido Espanha pela sua falta de respeito pelos direitos civis políticos mais básicos, recebia uma missiva: «El Gobierno se sorprende de que el Comité, como debería ser de rigor, no reitere que España cumple las obligaciones que le impone el Pacto y que avanza en la promoción y respeto de los derechos humanos». Incrível. Talvez seja porque não cumpre? Porque, em vez de avançar, retrocede? Porque já lhe pediram inúmeras vezes que reaja e, em vez disso, as autoridades respondem com um sorriso francamente estúpido?

Porventura quem emprega esta locução é uma pessoa qualquer que tenha nascido em Hegoalde [País Basco Sul] depois de 1960. Este grupo, que ascende já a dois terços da população com direito a voto, jamais pôde expressar a sua opinião sobre o estatuto jurídico que a Constituição de 1978 impõe. Os mais antigos já se expressaram então. E disseram que não. A percentagem dos inquiridos desce dois pontos no caso do Estatuto de Gernika, mas ascende a 100% no do Amejoramiento navarro, que nunca foi submetido a referendo popular. Um come e cala. Estamos sujeitos a antigos espartilhos que ninguém sabe a ciência exacta se têm o aval da população. A julgar pela forma como evitam que esta se expresse, devem concitar pouco apoio. Mas o que é realmente grave é a mentalidade subjacente: a «democracia» - pensam - exerce-se melhor sem a participação do povo. Ou mutilando atrozmente o seu corpo eleitoral. A politização é um pecado, um desvio a erradicar. De facto, hoje, exercer a política é já para alguns infringir uma medida cautelar, reincidir na prática no delito. Tem a «sua» lógica. Porque, de outra forma, estar presente como sujeito político, participar de forma coerente, comprometida, leva irremediavelmente a questionar os alicerces antidemocráticos em que este sistema se sustenta.

Não há dúvida de que o título deste artigo é um grito através do qual se reclamam direitos inexistentes, liberdades amputadas até se tornarem irreconhecíveis, faculdades inerentes à nossa condição de cidadãos e cidadãs reduzidos a cacos. Talvez seja a expressão que veicula um apego a certos princípios superiores - Democracia, Justiça, Liberdade... - que nos defendam daqueles que dizem governar-nos. Apego que eles, sem dúvida, não têm. Destruam a infâmia!, sim, podia ser o clamor desesperado de milhares de pessoas deste povo, trabalhadores, estudantes, desempregados, jovens, reformadas, imigrantes, presas...

Podia ser, mas não. São palavras de Voltaire. Com elas apelava à opinião pública em pleno século XVIII para que reagisse contra a opressão da nobreza francesa, contra a intolerância do catolicismo, contra a monarquia despótica. «Tudo para o povo, mas sem o povo» era o lema destes. Que actual. Pela frente, o livre pensador francês contra-atacava: «é vital para o género humano que os fanáticos sejam confundidos. Oh irmãos! Combatamos a infâmia até ao último suspiro!». Voltaire incitou os seus concidadãos a rebelarem-se face à opressão do sistema que depois se chamou Ancien Régime: dez anos após a sua morte eclodiu uma revolução em nome dos ideais que ele tinha defendido, que fazia bandeira de direitos e liberdades.

Não sei se três séculos mais tarde resta alguma coisa de tudo aquilo. O que parece óbvio é que, se não o reclamarmos de novo, nós, tudo ficará por fazer.

Julen ARZUAGA
Giza Eskubideen Behatokia / Observatório de Direitos Humanos
Fonte: Gara

Seis anos depois, os assassinos de Berrueta já andam na rua


No sábado, dia 13, passam seis anos desde a morte de Angel Berrueta, e os habitantes do bairro de Donibane (Iruñea) voltarão a apoiar a família. Na véspera do aniversário, ficaram a saber que aqueles que lhe tiraram a vida com uma pistola e uma faca - o polícia Valeriano de la Peña e o seu filho José Miguel - já gozam de licenças de saída. Mari Carmen Mañas, a viúva, confirma que não os informaram disso, apesar de a terem obrigado a ir a tribunal em Fevereiro por causa de um pedido de indulto.

Os dias que se aproximam são especialmente duros para a família Berrueta Mañas, e desta vez com um sofrimento extra. Segundo revelaram no sábado os moradores de Donibane numa conferência de imprensa em que estiveram a viúva e os filhos do padeiro e membro da Gurasoak, os dois autores materiais da sua morte já gozam de licenças de saída da prisão.

O polícia Valeriano de la Peña, autor do disparo que matou Angel Berrueta, foi condenado a 20 anos de prisão. O seu filho José Miguel, que o esfaqueou, foi condenado a 15. Ainda não passaram seis anos desde o fatídico 13 de Março de 2004 e já andam ambos na rua. Segundo fizeram saber em Iruñea, o filho goza de licenças desde Dezembro último e o pai, desde Março. No que diz respeito à mulher do polícia, Pilar Rubio, promotora do incidente ao tentar colocar um cartaz contra a ETA na padaria, nem sequer entrou na prisão. O Supremo Tribunal anulou a pena de dez anos a que fora condenada inicialmente em Iruñea.

A viúva, Mari Carmen Mañas, confirmou que ambos foram vistos na rua e manifestou o seu mal-estar, embora nesta altura já poucas coisas possam surpreender a família. Salientou o facto de não terem sido avisados desta libertação, apesar de o poderem ter feito em Fevereiro, quando foram obrigados a ir à Audiência de Iruñea para dar a sua opinião sobre um pedido de indulto, cujo processo foi admitido. Os moradores também se declararam «espantados e perplexos», além de preocupados.

Ao longo destes seis anos a família não deixou de receber ameaças e insultos, como fez saber em diversas ocasiões. «Quem garante a segurança dos familiares no caso de depararem com estes na rua?», perguntam os vizinhos. Na sequência disso, lembram que «já por diversas vezes Mari Carmen Mañas teve de suportar a presença intimidatória de Pilar Rubio à porta da casa da sua mãe».

Assim sendo, os moradores de Donibane e os muitos amigos de Angel Berrueta e seus familiares reiteram que não pensam ficar calados perante a sucessão de injustiças e que vão continuar a dar o seu apoio à família. Assim voltará a acontecer novamente no próximo 13 de Março, que calha a um sábado, tal como no ano - 2004 - em que ocorreu o ataque mortal contra o padeiro, apenas dois dias depois dos atentados de 11 de Março em Madrid e na véspera das eleições estatais.

Foi convocada uma concentração para as 18h na Martín Azpilikueta kalea, em frente à antiga padaria de Angel Berrueta. Para além disso, a Gurasoak ultima a edição de uma obra que dará testemunho deste caso que ainda dói muito em Iruñea e em toda Euskal Herria.

Ramón SOLA

Imanol Berrueta, agredido e imputado pelas FSE
Outra constante destes seis anos foi a pressão policial sobre a família Berrueta, que se traduziu em provocações na rua, insultos e ameaças pelo telefone e mesmo em agressões episódicas. A certa altura, um filho do padeiro foi agredido numa intervenção da Polícia Foral e da Polícia espanhola na herriko taberna da Alde Zaharra de Iruñea. Depois, durante uma jornada de greve, verificou-se um confronto verbal. E agora Imanol Berrueta Mañas vai ser julgado após uma confusa operação policial em Donibane que os moradores enquadram na realidade desta campanha de acosso.

Segundo afirmaram, «a Polícia Nacional efectuou uma operação num bar que muitos dos presentes puderam observar que não era anti-droga, como diziam. Foi uma crueldade permanente dirigida à a pessoa de Mari Carmen Mañas e ao seu filho Imanol. Não pararam de incomodar a viúva de Angel, com provocações contínuas e piadas sobre o seu marido, e agredindo fisicamente Imanol».
Agora, alguns meses depois, o jovem ficou a saber que existe uma acusação contra ele, de forma que, «para além de ser atacado e agredido, torna-se o culpado, porque no final a única coisa que conta é o testemunho policial». R.S.

Fonte: Gara

Entrevista a Mari Carmen Mañas e Imanol Berrueta


Fonte: apurtu.org

A Hamaika bil gaitezen junta 5000 pessoas em Iruñea em defesa da unidade «abertzale» e da independência


A iniciativa popular «Nafarroatik Euskal Herrira, hamaika bil gaitezen» encheu as ruas de Iruñea com gritos a favor da independência. Esta iniciativa tem como objectivo aglutinar as forças euskaltzales, progressistas e abertzales de Nafarroa e no sábado a iniciativa deu um passo importante nesse caminho.

No acto final, afirmaram que «nós, euskaldunes, construiremos o futuro de Euskal Herria trabalhando em comum» e que só assim «abriremos as portas da liberdade». Para além disso, sublinharam que hoje em dia se fala de mudança política mas que isso «não deixará de ser uma reclamo estéril se não lhe for dado conteúdo». Nesse sentido, esclareceram que essa mudança deve ser protagonizada pelos cidadãos e que deve dar-se nos âmbitos social, económico e político.

Para terminar, afirmaram que «a determinação, a esperança e o saber fazer de dezenas de colectivos populares, homens e mulheres, imigrantes, classe trabalhadora, o dinamismo da juventude, tudo isso deve ser motor de uma enorme aliança popular que regenere a forma de viver e de sentir em Nafarroa», e voltaram a fazer um apelo à unidade abertzale.
Fonte: nafargune.info

Ver também: «Milhares de pessoas reclamam em Iruñea a unidade dos independentistas de esquerda» (com a declaração em euskara e castelhano e várias fotos), em nafarroan.com

Ver também: Entrevista a Shanti Kiroga durante a manifestação (vídeo), em apurtu.org