domingo, 25 de outubro de 2009

Solidariedade com os presos políticos bascos


Solidariedade e compromisso, receita para persistir
Enquanto a Polícia sob o comando de Rodolfo Ares se esmerava para apagar qualquer símbolo de solidariedade para com os presos políticos bascos, os rostos dos prisioneiros zarauztarras Haimar Arozena, Mikel Larrañaga, Joseba Permach, José Mari Pérez, José Antonio López Ruiz e Ekaitz Sirvent vinham para a rua todas as sextas-feiras.

Os zarauztarras não se deixaram oprimir pela caça às bruxas contra as fotos dos presos empreendida pelo Executivo de Lakua e, mesmo sabendo que isso lhes pode valer no mínimo uma imputação ou mesmo alguma viagem até à Audiência Nacional espanhola, não deixaram de exibir essas fotos nas concentrações semanais das sextas-feiras.

Desde que levar uma fotografia de um perseguido político é sinónimo de «enaltecimento do terrorismo», os cerca de 150 zarauztarras que se reúnem todas as sextas-feiras decidiram acrescentar um pouco mais à solidariedade para com os presos políticos elaborando uma lista de pessoas dispostas a pedir a autorização para a concentração. «Se é sempre a mesma pessoa a solicitá-la, será sempre mais fácil que acabe por ser processada; mas, se formos rodando a cada semana, têm de processar dezenas de pessoas», expressam os participantes na concentração.

Em Zarautz (Gipuzkoa), referem que foram dois os choques que tiveram com a Ertzaintza desde que se iniciou a interdição das imagens dos 742 presos que compõem actualmente o Colectivo de Presos Políticos Bascos (EPPK).
Na semana passada, quando os cidadãos desfilavam em manifestação, a Polícia autonómica, ao deparar com três mães com as imagens dos seus filhos no final da marcha, aproveitou a ocasião para tentar arrebatar-lhes as fotos, sem êxito.

No encontro de há duas semanas, a Ertzaintza tentou identificar também a mãe de outro preso político porque levava a imagem do seu filho. Como se recusou, o agente garantiu-lhe que ia ser processada, mas o cidadão que estava ao seu lado pegou na imagem do preso e desafiou o ertzainza a processá-lo também a ele. O gesto daquele habitante foi copiado por todos os congregados e os rostos dos presos políticos bascos foram passando de mão em mão até que os polícias se deram por vencidos.

Oihana LLORENTE
Fonte: Gara

2500 personalidades expressam o seu apoio à Etxerat e reclamam o respeito pelos direitos dos presos
Cerca de meia centena de pessoas acarinharam ontem os familiares dos prisioneiros políticos bascos na apresentação do manifesto «Elkartasun uholdea», que decorreu junto ao Museu Guggenheim, em Bilbau. Ali, encontravam-se as representantes sindicais Ainhoa Etxaide e Mati Iturralde (LAB), os membros da esquerda abertzale Periko Solabarria, Joxerra Etxebarria ou Arantza Urkaregi; a representante do Aralar nas juntas Rebeka Ubera; o músico Txerra Bolinaga (RIP) e membros do grupo musical Hesian; os bertsolaris Xabier Amuriza, Unai Iturriaga, Igor Elortza e Iratxe Ibarra; e representantes de diversos colectivos sociais (Bilgune Feminista, Esait), entre outros, para darem o seu apoio à Etxerat.
Em nome de todos eles, a bertsolari Oihana Bartra e o jornalista Iñaki Olano procederam à leitura do manifesto, que até agora conseguiu o apoio de 2500 pessoas de todos os espectros sociais.

O documento destaca a "total legitimidade" da Etxerat para trabalhar em defesa dos direitos dos seus familiares, amigos e amigas e recorda que "um amplo espectro da sociedade exigiu por diversas vezes o fim da dispersão".
Afirma que o objectivo de criminalizar as acções em defesa dos direitos dos presos é "o de ocultar à opinião pública a razão que subjaz a essa solidariedade", e manifesta o apoio à Etxerat, ao mesmo tempo que exige o fim dos ataques e das ameaças de que tem sido e está a ser alvo.
Por fim, os signatários reivindicam a repatriação dos prisioneiros e das prisioneiras bascas e o respeito pelos seus direitos e exigem a libertação dos que já cumpriram a pena a que foram condenados e dos que se encontram gravemente doentes.

Depois de agradecerem as adesões ao manifesto, mostraram a sua "preocupação" pelos ataques sofridos nos últimos meses nos controles policiais, nas revistas e nas visitas às prisões. Afirmaram ainda que o pedido de ilegalização da Etxerat representa "o último capítulo" da estratégia de criminalização da solidariedade, cujo propósito é "dar carta branca à violação" dos direitos dos presos.
No final, fizeram um apelo à sociedade no sentido de participar nas mobilizações da última sexta-feira de cada mês.
Fonte: Gara

«Elkartasun uholdea»: es eu / Signatários do manifesto

Sinatu! Assina!
Besarkada handi bat gure partetik.

Em Bilbau, afirmam a necessidade de união na defesa dos direitos civis e políticos


Na sexta-feira, diversas pessoas imputadas em macro-processos contra a esquerda abertzale deram uma conferência de imprensa em Bilbau, sublinhando o facto de se estar a viver um momento em que é necessário juntar forças em defesa dos direitos civis e políticos. Afirmaram que a manifestação gigante de sábado passado, em Donostia, «indica o caminho a seguir», mas que é preciso assumir também «novos compromissos».

O advogado Julen Arzuaga, imputado e absolvido no processo contra as Gestoras pró-Amnistia e a Askatasuna, e Maribi Ugarteburu, acusada no processo contra a Udalbiltza, tomaram a palavra. Com eles estavam também pessoas acusadas nos processos 18/98 e «Jarrai, Haika, Segi». Amaia Esnal, detida na semana passada na operação policial de Donostia, também esteve presente.

No entender de Arzuaga e Ugarteburu, agora é o momento projectar «dinâmicas partilhadas» em defesa dos direitos civis e políticos, «de responder aos ataques permanentes que este povo sofre».

Salientaram que, nas próximas semanas, vão manter reuniões com agentes políticos, sindicais, sociais e pessoas a título individual em Euskal Herria, de forma a «gerar cumplicidade» e a «criar um muro popular eficaz que garanta os direitos de participação política e social».

«Estado de escandaleira»
As últimas detenções e os últimos encarceramentos, os ataques contra os jovens independentistas e os julgamentos, que vão decorrer nos próximos meses, relacionados com o Egunkaria e a Udalbiltza levaram-nos a falar num estado de «escandaleira», «porque os processos, os julgamentos, as restricções à liberdade de expressão e ao direito de reunião continuam».

Manex ALTUNA
Fonte: Gara

Tasio (Gara)

Vítimas do conflito: a atitude do NaBai no Parlamento de Nafarroa


O Movimento pró-Amnistia pensa que esta proposta de lei, avançada pelo PSN, procura apresentar o esquema básico de «democratas e violentos» e que não contribui em nada para a resolução do conflito

A “apreciação” da Lei de Vítimas do Terrorismo impulsionada pelo PSN e apoiada pelo Nafarroa Bai foi qualificada pelo MPA como "mais uma tentativa de desvirtuar o conflito político". Para a organização anti-repressiva, este acordo tem como objectivo voltar a pôr em cima da mesa "o esquema dos democratas e violentos". "Querem desenhar uma realidade enviesada", denunciam, ao mesmo tempo que afirmam que "a violência imposta pelo Estado espanhol em Euskal Herria é contínua e estrutural", e acusam o NaBai de a querer apresentar "como algo casual, erros do Estado."

Não se alargará a outras vítimas
O Movimento pró-Amnistia chama "ingénuos" aos que pensam que esta Lei irá abranger todas as vítimas do conflito, alertando para o facto de ficarem de fora os torturados, as vítimas da actual guerra suja, as pessoas presas pela actividade política que realizavam ou as afectadas pela política penitenciária.Neste sentido, esclarece que é o PSOE que "utiliza a tortura, leva a cabo a guerra suja, manda pessoas para a prisão por realizarem um trabalho político, e que foi o PSOE que pôs em marcha, e gere actualmente, uma política penitenciária criminosa. Quem é o PSOE em Euskal Herria para dar lições sobre o respeito pelos direitos humanos?", perguntam.

Respeito pelos direitos de Euskal Herria
Acusam o NaBai de estar ao lado "dos que levam a cabo uma repressão brutal contra este Povo" e de apoiar as "forças de ocupação" e a aprovação desta lei, "com aqueles que pretendem acabar com o conflito através da repressão policial, da guerra suja, da tortura e da política penitenciária."Trabalhar pelos direitos de Euskal Herria é, para o MPA, "o modo mais eficiente de acabar com toda a violação de direitos" e a via "para solucionar o conflito político existente."
Fonte: apurtu.org

O Ministério do Interior dá por desarticulada a Falange y Tradición, após cinco detenções


O Ministério do Interior espanhol considera desmantelado o grupo, apesar de na acção de Ioar as testemunhas oculares terem contabilizado dez pessoas e de as provas grafológicas terem ligado as inscrições contra a ETB às ameaças de morte que Koldo Pla, edil de Antsoain, recebeu. Dois dos detidos, Fermín Domingo Turrillas e Javier López Monreal, estão relacionados com a plataforma España2000.

A Guarda Civil prendeu na sexta-feira cinco alegados membros da Falange y Tradición em várias localidades de Nafarroa (EH) e Aragão (Estado espanhol), no âmbito de uma operação em que deu por desarticulado o grupo de extrema-direita. Durante as inspecções os agentes apreenderam «munições de guerra, armas brancas e objectos de simbologia nazi».

Em Barañain foram detidos os dois mais jovens: David Murillo (20 anos), e Fermín Domingo Turrillas (19). Este último tinha sido visto em várias fotografias junto ao presidente estatal da España2000, José Luis Roberto, aliás El Cojo.

A ligação do detido em Orkoien (Javier López Monreal, de 41 anos) a movimentos de extrema-direita era conhecida. Segundo consta, tinha sido detido por realizar pintadas em Tutera e foi suplente na candidatura da plataforma España2000 em 2004.

O detido em Sunbilla, José Ignacio I.S., de 41 anos, vivia nesta pequena localidade de Malerreka com a sua esposa e filhos há quatro ou cinco anos, e não mantinha contacto com as pessoas da terra. Ao que parece, está desempregado.

Operação concluída?
A última detenção foi registada em Saragoça, Espanha. Trata-se de um jovem de 23 anos natural de Irun (EH), que responde pelas siglas B.P.I. e foi preso em Villanueva de Gállego.

Quando os falangistas subiram ao monte Ioar para realizar umas inscrições contra a ETB, as testemunhas oculares contaram dez pessoas: duas delas entre os 40 e os 50 anos e as restantes entre os 20 e os 30. A letra destas inscrições, de acordo com a Ahaztuak, coincide com a da carta enviada ao edil do NaBai em Antsoain Koldo Pla. Na carta anónima, a Falange y Tradición concedia-lhe «30 dias para abandonar definitivamente Navarra, ou irás a uma missa em tua honra». Apesar de tudo, a Guarda Civil dá por concluída a operação, embora afirme que irá investigar as ligações que possam existir «com o resto da geografia espanhola».

Face às acusações de negligência, fontes do Ministério do Interior espanhol afirmaram às agências espanholas que a investigação começou mesmo antes de que o grupo se desse a conhecer, no dia 23 de Setembro, quando reivindicou 25 acções de sabotagem. Estas fontes reconheceram, na sexta-feira, que o grupo contava com um «certo nível de organização» e que as suas acções estavam a aumentar «consideravelmente», tornando-se cada vez mais radicais.

O responsável da comunicação da Falange, Santiago Casero, procurou desmarcar-se deste grupo, a que chamou «terrorista». Contudo, na visita a Iruñea que esta formação realizou no dia 11 de Outubro, o líder da Falange Española, Manuel Andrino, qualificou as sabotagens perpetradas pelo grupo como «actos de justiça a favor da verdadeira memória histórica».

Aritz INTXUSTA
Notícia completa: Gara
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Os cidadãos recebem o testemunho e organizam uma homenagem a «Txiki»


Depois de a Ertzaintza ter corrido com a sua família do cemitério de Zarautz, os cidadãos irão prestar homenagem a Jon Paredes Parot, «Txiki», neste domingo. Pretendem assim denunciar a «dolorosa imposição» do último Gudari Eguna, bem como acarinhar os familiares de «Txiki». Enquanto Ares faz ouvidos moucos aos pedidos de explicações, serão os cidadãos a encarregar-se de reparar os danos causados pela Ertzaintza à família.

Na terça-feira, os dez cidadãos, entre os quais se encontrava o próprio irmão de «Txiki», Diego Paredes, que apresentaram o acto de homenagem a «Txiki» e à sua família previsto para este domingo qualificaram de «vergonhosa» a atitude da Ertzaintza e afirmaram que, apesar de se apresentar como uma democracia, o regime político vigente «tem muitas semelhanças com uma ditadura».

Todos os presentes afirmaram ter sentido uma «grande dor» ao verem-se obrigados a abandonar o túmulo de «Txiki»; e que foi essa dor que os levou a organizar esta homenagem, bem como a pedir contas publicamente.

Na conferência de terça-feira, Marije Ostolaza, que fez de porta-voz, perguntou de forma incisiva «quem, em nome de quê e porquê» decidiram proibir a homenagem a Txiki, no 34.º aniversário do fuzilamento.

[Na sequência:]
«Perante o silêncio institucional»

Oihana LLORENTE
Notícia completa: Gara

Ver também: «Ares diz que a Ertzaintza se "limitou a cumprir o seu dever" em frente ao túmulo de "Txiki"», em Gara

"O conselheiro do Interior do Governo de Lakua, Rodolfo Ares, não quis pedir desculpas à família de Jon Paredes "Txiki" pela actuação da Ertzaintza no cemitério de Zarautz e disse que a Polícia 'se limitou a cumprir o seu dever'". [SEM COMENTÁRIOS]

Presos políticos bascos, solidariedade, repressão

Os dois imputados por «enaltecimento» nas faixas de San Fermin foram a tribunal
Dois sócios das peñas San Fermin e Armonía Txantreana prestaram declarações na quarta-feira, por videoconferência, à Audiência Nacional espanhola, na qualidade de imputados por possível «enaltecimento do terrorismo» nas faixas de San Fermin de ambas as agremiações.
Na primeira delas aparecia o texto «Ongi etorri Kurika», em alusão ao preso do bairro Miguel Angel Gil Cervera. Na outra faixa aparecia o texto «Iñaki etxera», junto a uma caricatura de Iñaki Marin Mercero, preso do bairro de Arrosadia. O governo municipal da UPN, liderado por Yolanda Barcina, que apresentou a queixa, decidiu, com o apoio dos «socialistas» navarros, suspender o pagamento do subsídio municipal a ambas as peñas (7333 euros a cada), até que fosse conhecida uma decisão judicial.
Por causa da notificação destes sócios, as duas peñas afectadas tinham convocado para ontem uma concentração em frente ao Palácio da Justiça, em Iruñea, que foi proibida na noite anterior pela Delegação do Governo espanhol, com o argumento de que um acto judicial «não é um acontecimento extraordinário». [Claro que não! Pois se isto é a normalidade da justiça espanhola aplicada aos bascos!]
A plataforma Gora Iruñea referiu que a proibição «constitui mais um ataque ao direito à liberdade de expressão». Os vereadores da esquerda abertzale em Iruñea constataram «o afã da UPN em reprimir qualquer acto de dissidência no plano político, social e cultural»; o grupo do NaBai também criticou esta proibição.


A Federação de Peñas de Iruñea veio solicitar, em conferência de imprensa, o "arquivamento imediato do processo, que responde mais a critérios de natureza política do que jurídica".
Notícia completa: Gara / Vídeo: apurtu.org

Comparecem na Audiência Nacional três membros da Txori Barrote
Três representantes da konpartsa Txori Barrote compareceram na quinta-feira na Audiência Nacional espanhola na qualidade de imputados por "enaltecimento do terrorismo", por terem exibido fotografias de presos numa txosna das festas de Bilbau. Recusaram-se a responder às questões colocadas pelo juiz Fernando Grande-Marlaska, que não lhes impôs nenhuma medida cautelar.
Já no dia 16 de Setembro um outro membro da Txori Barrote teve de comparecer no tribunal de excepção, nessa altura perante Ismael Moreno. A acusação mantém-se.
Fonte: Gara
Mais informação: kaosenlared.net
Iniciativa solidária com os presos em Baiona
No dia 1 de Novembro, toca a comer pintxos e mais pintxos em Baiona, pois o dinheiro será canalizado para a renovação das assinaturas dos jornais pelos presos políticos bascos. A ideia é «Preso bat, egunkari bat!» / Um Preso, um jornal!
Fonte: baionaaskatu

Patxo Zabala saiu em liberdade
O preso político basco Patxo Zabala, natural de Sarturtzi (Bizkaia) foi posto em liberdade na quinta-feira de manhã. Encontrava-se na prisão de Villena (Alicante) e, ao longo dos anos que esteve preso (mais de cinco), conheceu bem a criminosa política de dispersão imposta pelos governos espanhóis aos reclusos bascos, tendo passado também pelos resorts de Carabanchel, Valdemoro, Sevilha e Jerez.
Em Santurtzi, 150 pessoas esperavam-no ontem à noite para lhe dar as boas-vindas e Zabala conseguiu retirar a sua fotografia da herriko taberna da localidade mesmo à justa, pois a Ertzaintza entrou no estabelecimento logo a seguir e, depois de identificar seis pessoas, levou dali as fotos dos presos políticos da localidade. Ainda na quinta-feira, a Ertzaintza também retirou as fotos dos presos no bar Montecasino, em Eibar (Gipuzkoa), onde identificou sete pessoas.
Fonte: askatu.org e Gara

O bilbotarra Haritz Totorika saiu em liberdade
Haritz Totorrika, preso político da Alde Zaharra de Bilbau, saiu ontem em liberdade. Encontrava-se actualmente na prisão de Ocaña, mas durante os cinco anos de cativeiro conheceu bem a política de dispersão do fascismo espanhol, tendo passado pelas prisões de Soto del Real, Aranjuez, Basauri e Villabona.
Totorika foi detido pela Guarda Civil em 2004 juntamente com outros nove jovens bilbaínos, que, depois de passarem algum tempo em regime de incomunicação nas mãos da «Benemérita», denunciaram em tribunal maus tratos e tortura - mas isto, num tribunal espanhol, é igual ao litro; uma prisioneira até pode dizer que lhe enfiaram uma pistola na vagina, em pleno TOP, e já tem muita sorte se não a mandarem calar.
Haritz saiu ontem em liberdade e ontem mesmo lhe deram as primeiras boas-vindas. Aupa!
Fonte: askatu.org e Branka

Elizaran e San Vicente encontram-se nas instalações da SDAT, em Paris
Os alegados militantes da ETA detidos na segunda-feira de manhã no município bretão de Carnac, Aitor Elizaran e Oihana San Vicente, foram levados na quarta-feira à tarde para as instalações da polícia antiterrorista (SDAT), nos arredores de Paris.
No sábado, haverá uma manifestação no bairro de Intxaurrondo (Donostia) para exigir a sua libertação.
Fontes: Gara e askatu.org

As Nações Unidas consideram arbitrária a detenção de Karmelo Landa


O Grupo de Trabalho para as Detenções Arbitrárias das Nações Unidas qualifica a detenção de Karmelo Landa como arbitrária e impõe ao Estado espanhol a imediata libertação do representante independentista e a sua reparação pública.

Relatório do Grupo de Trabalho das Nações Unidas

"A única acusação que, segundo o Governo, foi formulada contra o Sr. Landa Mendibe (alegada integração na estrutura e nos órgãos directivos (Mesa Nacional) do Batasuna), sem lhe atribuir papel de promotor [...] de qualquer acto de carácter delitivo ou terrorista [...] permite ao Grupo de Trabalho entender que o único motivo de acusação desta pessoa reside exclusivamente na sua militância no ilegalizado partido político Batasuna, um facto que não constitui em si mesmo um delito, mas representa o exercício de um direito humano reconhecido tanto na Declaração Universal (artigos 19, 20 e 21) como no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (artigos 18, 19 e 22)».
Esta é uma das conclusões do Grupo de Trabalho para as Detenções Arbitrárias das Nações Unidas, que sublinha que "a militância e a liderança num partido político, legal ou ilegal, são condutas legítimas e manifestações indiscutíveis da liberdade de expressão e opinião, bem como do direito de associação".
Em resposta à demanda apresentada pela Associação Espanhola para o Direito Internacional dos Direitos Humanos, considera arbitrária a detenção. Baseia a sua asserção em questões como a violação da sua presunção de inocência e o carácter "desumano e cruel" do tratamento recebido.

Actividade política
O Behatokia destaca a novidade de o Grupo de Trabalho apoiar o seu veredicto na noção de que "o móbil que inspirou esta detenção arbitrária deriva da actividade política" de Landa. Cita, neste contexto, a violação dos artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos referentes à liberdade de pensamento, de opinião e de expressão, de reunião e associação pacífica, assim como o direito à "participação directa no governo do seu país" que o Grupo de Trabalho menciona.
O Behatokia constata que "se está a consolidar uma visão segundo a qual a actuação antiterrorista espanhola relativa ao contexto basco é absolutamente arbitrária e contrária aos direitos e liberdades fundamentais".
Fonte: Gara
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Nota: Lê o Manifesto da Etxerat (na coluna à direita) e solidariza-te. Assina! Sinatu!

Euskara: as associações elevam a voz

A manifestação tinha sido convocada, principalmente, para fomentar ou reactivar a elaboração de uma lei sobre «as línguas regionais», mas a manifestação Deiadar do próximo sábado destina-se agora a reivindicar, muito simplesmente, uma lei. Efectivamente, um conselheiro do Ministério da Cultura voltou atrás no que respeita à promessa reiterada em diversas ocasiões pelo Governo, e as associações do mundo cultural basco elevam a voz.

É uma «traição», para o presidente da Euskal Konfederazioa, Michel Oronos, que não tem papas na língua no momento de expressar o seu descontentamento. A federação das associações de defesa da língua basca organiza a manifestação em colaboração com o Kontseilua, a federação que reúne as associações das sete províncias bascas. «A lei é necessária para colmatar as insuficiências do novo artigo 75.1 da Constituição», insiste Ione Josié, representante do Kontseilua, «e deve ser audaciosa».

Esta lei deveria permitir pôr em prática uma política linguística adequada, a oficialização do euskara, e de outras línguas menorizadas, em suma, o respeito dos direitos linguísticos, de acordo com o Kontseilua. O mundo associativo especificou as suas aspirações num documento que recolhe oito princípios, indispensáveis à eficácia da lei.

Protecção dos direitos linguísticos
«A elaboração de uma lei não é apenas uma questão formal, como nos disse o conselheiro do ministro da Cultura. Nós vemos diariamente os problemas que nos coloca a lei Toubon», explica Ione Josié.

Esta lei cria obstáculos aos bascófonos no que respeita ao uso do basco nos serviços públicos, por exemplo. É por esta razão que o Kontseilua exige um estatuto legal, a oficialização, para que o Estado possa introduzir um sistema de protecção dos direitos linguísticos.

Para o Kontseilua, é «primordial» tomar desde já medidas que garantam o futuro do euskara e que o número de bascófonos pare de diminuir. Efectivamente, os falantes de euskara rondam os 74 000 em Ipar Euskal Herria [País Basco Norte], ou seja, 25% da população.

De acordo com o Kontseilua, entre outras coisas, é importante que o sistema educativo permita que as novas gerações sejam perfeitamente bascófonas; que o euskara tenha lugar na administração, nos domínios socioeconómico, universitário e na formação. Ione Josié afirma: «A política linguística não deve estar unicamente dependente da vontade política dos eleitos».

E cada vez mais representantes eleitos exprimem o seu compromisso. A manifestação de sábado, às 17h, com partida do Mail Chaho Pelletier, recebeu o apoio de Max Brisson, conselheiro geral e presidente do OPLB, que estará presente, e o da presidente da Câmara de Senpere (Lapurdi), Christine Bessonart. Um apoio igualmente expresso por PNV, EA, AB, CFDT, FSU e NPA.

Goizeder TABERNA

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Ver também: «Declaration des signataires de l'Appel de Corti», em ezkerabertzalea.info

O subprefeito de Baiona recusa-se a receber os eleitos que lhe pedem informações sobre Anza


A delegação de representantes eleitos que se deslocaram à subprefeitura de Baiona para saber mais sobre o andamento das investigações relacionadas com o desaparecimento do militante Jon Anza depararam com a porta fechada. O subprefeito, a quem tinham solicitado previamente um encontro, recusou-se a recebê-los, alegando que, «ao estar o caso nas mãos das autoridades judiciais», não está autorizado a falar.

O grupo de eleitos, em que se incluíam Filipe Aramendi, de Urruña, Battitta Amestoy, de Ustaritz, e Peio Etcheverry-Aintchart, de Donibane Lohizune, manifestou o seu descontentamento e mal-estar pela atitude do subprefeito, expressando ainda a sua incredulidade perante afirmações que referem que a investigação não traz qualquer elemento concreto.

Depois de recordarem que estão a decorrer duas investigações – uma em Baiona e outra em Paris –, referiram-se aos meios de que o Estado francês dispõe e à notícia publicada no Gara segundo a qual um corpo policial espanhol teria enterrado o militante da ETA em solo francês, precisando que não acreditam que não saibam nada.

Os eleitos manifestaram ainda o receio de que se voltem a repetir situações como as dos tempos dos GAL.

Fonte: Gara

Kuraia - «Bizi gera»

Tema recentemente descoberto numa televisão que gostamos de ver: Apurtu Telebista. «Errealitatea ikusteko beste modu bat» / Para ver a realidade de outro modo.


Txikiak Bagaituk / Elkartuko gaituk / Guztion hortzekin / Autziki egiteko / Piraina deitu nauk / tiburoi zikina / Hik aho handia duk / baina nik jateko zaia nauk // Bizi Gera / Marrazoen artean //Eraikiko dituk gatzik gabeko irlak / ta gu bertan sartu / isolamenduan / Burmuin gutxi gaituk / Haundi baten kontra / Irudimena duk / gure ekintzik zuzenena! // Bizi Gera / Marrazoen artean // Bizi Gera, Biziko Gera.
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Si somos pequeños / nos uniremos / para que todos nuestros dientes / mordamos. Me has llamado piraña / tiburón asqueroso (puto tiburón). / Tú tienes la boca grande / pero yo soy difícil de comer. // Vivimos / entre tiburones // Construirás islas sin sal / y nos aislarás en ellas / Somos pocos cerebros / contra uno grande. / la imaginación es / nuestra acción más directa // Vivimos / entre tiburones vivimos // Vivimos, viviremos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Desconstruindo a Lei dos Partidos


Este texto Manuel M. Navarrete é premonitório, pois foi escrito antes de o governo de Zapatero e o sempre à mão juiz Garçón lançarem a vaga de terrorismo de Estado em curso no País Basco: prisão de pessoas por delito de opinião, considerando-as criminosas por simplesmente defenderem a independência do seu país sem recurso a actos terroristas.


Manuel M. Navarrete* - 20.10.09

Primeiro levaram um por ser do Batasuna, mas eu não disse nada porque não era do Batasuna.


“Não posso aceitar a frustração definitiva de votar contra as condições formais que garantem umas eleições livres. (…) Se pudesse votar Batasuna (ou ANV o no PCTV)não o faria, mas como não posso votar Batasuna vou abster-me”.
(Carlos Fernández Liria y Santiago Alba Rico)


Não vou falar da ETA. Vou falar da esquerda abertzale. Não faltará quem diga para com os seus botões que a ETA e a esquerda abertzale são a mesma coisa. A melhor prova de que isso é mentira é a Lei dos Partidos. Não foi preciso modificar o Código Penal para ilegalizar a ETA, já que as suas acções eram em si mesmas ilegais segundo o ordenamento jurídico então vigente. No entanto, teve que se promulgar uma Lei dos Partidos especificamente para ilegalizar o Batasuna, porque não bastava o Código Penal para o conseguir.

Este raciocínio simples lança de modo irrefutável por terra uma amalgama tão frequente como grave. Frequente por ser já um tópico quotidiano de políticos, juízes e meios de comunicação. Grave porque só pôde conseguir-se baseando uma execução comum de uns fins, na realidade partilhados, e tornando óbvios os meios, que supostamente justificam tantas mãos brancas e que sõ – esses sim – ilegais.

Outro atributo da Lei dos Partidos, atributo conscienciosamente ocultado pela «liberdade de expressão» espanhola (liberdade de expressão para quem tenha uns milhões de euros e possa fazer um jornal), é a de gerar uma rejeição a nível internacional. O Relator Especial da ONU, Martin Sheinin, escreveu que o preocupava «a amplitude da formulação das disposições da Lei dos Partidos», já que «poderão interpretar-se de forma a incluir qualquer partido político que por meios pacíficos trate de objectivos políticos semelhantes aos que perseguem os grupos terroristas». A Amnistia Internacional, por seu lado, mostrou a sua preocupação pela «ambiguidade e a imprecisão de alguns artigos», através dos quais se poderão «empreender processos de ilegalização dos partidos políticos que propugnem a mudança de princípios constitucionais ou leis de forma pacífica», insistindo que esta lei poderá «levar à ilegalização de partidos que partilhem com os grupos armados objectivos como a independência, mas não advoguem nem usem a violência». O Colégio dos Advogados de Barcelona, por seu lado, foi mais explicito ainda ao falar dos «efeitos extensivos da aplicação do conceito de terrorismo sobre a dissidência política» a «normalização de uma cultura jurídica da emergência ou excepcionalidade» e das «responsabilidades penais difusas e não colectivas», concluindo que «quando os objectivos, e não os meios, são o que se penaliza – o que significa converter fatalmente o independentismo basco em terrorista – consolida-se um direito penalde autor que persegue ideologias em vez de factos». Falta dizer que nem a ONU, nem a Amnistia, nem o Colégio de Advogados são entidades demasiado suspeitas de marxismo, radicalismo ou independentismo.

No entanto, o Tribunal de Estrasburgo, numa decisão mais política que jurídica, acaba de avalizar esta lei.

Escrevo este artigo para declarar que, com semelhante jurisprudência, a Europa caminha para o fascismo. Tentarei fundamentar esta afirmação.

Em primeiro lugar a Lei dos Partidos fulmina o princípio da responsabilidade individual. Os colectivos não delinqúem : unicamente delinqúem pessoas singulares.Por exemplo, não se pode ilegalizar o Real Madrid porque um «ultrasur» cometeu um assassínio. De facto há membro do PSOE e do PP condenados por crimes sérios, o que não afecta nada o funcionamento destes agrupamentos no Parlamento.

Além disso, estão a ilegalizar ideias. Se és um independentista basco e tens posições anticapitalistas, não tens direito a criar uma organização política nem a votar. A tua única opção é tornares-te um nacionalista da direita e filiares-te no PNV. Mesmo que condenes a ETA não serias legalizado, segundo declarou há semanas Pérez Rubalcaba, o ministro do Interior espanhol. De facto, Iniciativa Internacionalista afirmou publicamente que rejeitava «o uso da violência em condições democráticas», mas mesmo assim o Supremo Tribunal tentou ilegalizá-la. Quando é o próprio Tribunal Constitucional quem corrige a decisão do Supremo Tribunal, cabe perguntar se o Tribunal Constitucional é agora um tribunal pró etarra ou se, melhor ainda, se a decisão tomada pelo Supremo foi um disparate.

Apesar de tudo, vale a pena determo-nos no tema da «condenação». É certo: o Batasuna não «condenou» os atentados da ETA, nem tão pouco alguma vez se pronunciou a aprová-los. Este facto pode ser moralmente julgável, mas juridicamente é totalmente irrelevante, visto que não há nenhuma lei que obrigue a isso. Ninguém pode ser julgado pelo que não disse. Não há apenas – em teoria – liberdade de silêncio mas até, no plano parlamentar, a abstenção é um direito mais do suposto «exercício democrático».

Ademais, a não condenação é perfeitamente lógica. O que se está à procura é de uma mesa de negociação para acabar, finalmente, com o conflito. Ocorre a alguém que durante as negociações entre os britânicos e o Sinn Fein tivesse que exigir-se Gerry Adams uma condenação das actividades do IRA? Este disparate só poderia surgir na nefasta mentalidade espanhola, ancorada no guerracivilismo. Com semelhante política jamais teria chegado a paz a uma parte da Irlanda. Porque a paz não é o mesmo que pacificação ou o esmagamento policial ou militar do outro lado. A paz é uma estrutura, o efeito de uma composição de forças que entram em equilíbrio. Jamais pode haver uma mesa de negociação chamando assassinos aos virtuais interlocutores, nem exigindo-lhes que ajoelhem. Há que partir de uma posição de respeito se alguma vez se quiser conseguir a resolução de um conflito.

Por outro lado, há que recordá-lo, o PP negou-se a condenar os assassínios de Franco. O PSOE, por seu lado, não é que não tenha condenado os assassínios do grupo terrorista GAL, mas não condenou que o dito grupo foi organizado e financiado por ele, nos tempos de Filipe González. Isto para não falar da tortura nas prisões e esquadras da polícia, ou da violência das tropas ocupantes em países como o Afeganistão ou o Líbano. Exigem-nos uma condenação ritual, maniqueísta e obrigatória só de um lado, mas por que temos de condenar a violência dissidente quando ninguémcondena a violência institucional, infinitamente mais grave?

Retomando o fio da argumentação, e como explicávamos, princípios como a responsabilidade penal individual, a liberdade ideológica, a não retroactividade das leis, a não criação ad hoc de leis com fins políticos… são sacrificados por um furor persecutório que está implícito nesta legislação aberrante.

Mas o pior desta lei é que o juiz Garçon deu-lhe uma enorme projecção eleitoral e parlamentar. Ainda que esta lei se circunscreva formalmente à limitação do direito de associação (artº 22º da Constituição Espanhola), materialmente o que se está a limitar é o direito de participação política (artº 23º). Foi isto que se evidenciou quando se anularam as candidaturas promovidas por agrupamentos de eleitores, ou quando se dissolveu o grupo parlamentar Socialista Abertzale. E quer os agrupamentos de eleitores como o grupo parlamentar são (objectivamente) expressão do direito de participação política, e não do direito de associação. Só existem duas hipóteses para privar alguém do directo de participação, e sempre a pessoas individuais: terem tido uma condenação por determinados delitos e a incapacidade, decretada judicialmente.

Indubitavelmente, o objectivo inicial desta lei era a liquidação eleitoral de uma chata minoria de 15% da sociedade basca que se tornou notada em todos os processos eleitorais realizados desde 1979. O problema é que a Lei dos Partidos estica-se como pastilha elástica, com a famosa teoria da «envolvência». O juiz Marlaska ilegalizou organizações com sentenças onde se fazem afirmações como a de suspendia «organismos públicos, fundações, associações, sociedades, e organismos semelhantes ao Batasuna». Com sentenças assim, a responsabilidade penal é tão difusa que quem quer que seja pode já ser terrorista, sem o saber e sem nunca ter empunhado uma arma. O que é um organismo semelhante ao Batasuna? Visto que o Batasuna é um partido político, o PSOE é um organismo semelhante ao Batasuna? Ou talvez por semelhante o juiz Marlaska entenda «politicamente afim»? Nesse caso, enquanto marxistas e partidários da autodeterminação, poderiam perfeitamente ilegalizar organizações como a Corriente Roja ou o SAT. Não foi em vão que um dos qrgumentos da sentença de ilegalização de Iniciativa Internacionalista era «o extenso curriculum políticode Alfonso Sastre», já que esta lista incluía apenas um basco na suas candidaturas…

Uma última reflexão. Foi extraordinariamente significativa a actitude do cabeça de lista da Esquerda Unida (IU) às eleições Europeias, Willi Meyer, quando disse que se os tribunais ilegalizavam a lista da Iniciativa Internacionalista ele estava de acordo porque estamos num «Estado de direito» (se a IU está contra a Lei dos Partidos, como pode estar a favor do tribunal que a aplique?). Isto, para não falar da atitude do coordenador andaluz da IU, Diego Valderas, que ameaçou a CUT de expulsão por ter avalizado a Iniciativa internacionalista para que pudesse apresentar-se às eleições. Há pouco li também as palavras do Secretário-Geral do PCE, Paco Frutos, no programa El circulo de primera hora: «Criticaram-nos muito pela nossa abstenção na votação da Lei dos Partidos. Se disséssemos que não, confundiam-nos com o Batasuna (HB) e o seu envolvimento (…) Vimos que esta norma estava feita ao contrário. Feita unicamente para ilegalizar o HB. Por isso nos abstivemos». Estive às voltas com as palabras, até que me dei conta de uma coisa: Paço Frutos não se justfica por não ter votado contra a ilegalização, mas por não ter votado a favor.

Talvez a solidariedade para com outras organizações anticapitalistas não funcione em mentes tão mesquinhas, mas pelo menos deveria criar a necessidade de travar o fascismo. De contrário, talvez um dia encontremos alguém a dizer: primeiro levaram por ser do Batasuna, mas eu não disse nada porque não era do Batasuna. Depois levaram por ser do PCE (r), mas não disse nada porque também não era do PCE (r). Mais tarde levaram por ser da Esquerda Castelhana, mas igualmente me calei porque não era da Esquerda Castelhana. Por último levaram por ser da Iniciativa Internacionalista, mas uma vez mais me calei, porque não era da Iniciativa Internacionalista. Quando foram por mim já não havia ninguém para protestar.


* Publicista

Este texto foi publicado em http://www.rebelion.org/

Tradução de José Paulo Gascão no Diario.info

Remi gogoan. Homenagem a Remi Ayestaran


Vídeo da homenagem sentida que se dedicou ao jovem vereador da esquerda abertzale Remi Ayestaran, em Villabona (Gipuzkoa), que faleceu de enfarte nesta localidade a 31 de Julho deste ano. Sentiu-se mal depois da discussão que manteve com a Ertzaintza para que deixasse a localidade na última noite das festas que ali decorriam e depois da forma «nada normal» como foi tratado. «Herriak ez du ahaztuko. Herriak ez du barkatuko.» Como já aqui dissemos uma vez, quem conhece o povo basco sabe que não abandona os seus, os que estão e os que se foram.

Protesto gigante contra prisão de dirigentes Esquerda basca reclama liberdade


Milhares de pessoas desfilaram no sábado no centro de San Sebastian, no País Basco (Espanha), em protesto contra as detenções de vários líderes da esquerda basca, designadamente Arnaldo Otegi, porta-voz do ilegalizado Batasuna.

Otegi e quatro outros dirigentes bascos foram detidos, dia 13, por ordem do juiz Baltasar Garzon, que os acusou de «tentarem reconstruir a direcção do Batasuna sob instruções da ETA».
Neste grupo detido em San Sebastian na sede do sindicato LAB, onde estavam reunidos, figuram ainda Miren Zabaleta (filha do coordenador do partido Aralar), Rafa Diez Usabiaga, ex-secretário geral do sindicato LAB, Sónia Jacinto, ex-tesoureira do PCTV, e Arkaitz Rodríguez, absolvido em 2006 de ligação à ETA. Outros cinco dirigentes bascos foram detidos no mesmo dia em Hernani e Pamplona, na província de Navarra.
Dos dez detidos, o magistrado deixou em liberdade Rufi Etxebarria, Ainara Oiz Elorriaga, José Luis Moreno Sagües (Txelui), José Manuel Serra e Amaia Esnal, estes três últimos com fianças de 10 mil euros.
Na manifestação marcaram presença representantes da generalidade das formações políticas nacionalistas, incluindo dirigentes do Partido Nacionalista Basco (PNV), como Joseba Egibar, Andoni Ortuzar e Iñaki Gerenabarrena.
Muitas foram também as organizações bascas que condenaram as prisões. A nível internacional, o partido irlandês Sinn Féin, através da sua eurodeputada, Bairbre de Brún, qualificou este acto do governo espanhol como «um passo atrás» que «tornará muito mais difícil o processo de reconstrução e os esforços para dar um novo ímpeto a um processo de paz duradouro».

Direitos políticos negados

De facto, a operação policial traduz a determinação do governo espanhol de reprimir qualquer reorganização política das forças independentistas, mesmo que se insira no quadro democrático.
Como declarou o ministro espanhol do Interior, Alfredo Rubalcaba, Madrid não pode aceitar a constituição de um novo partido independentista, para o qual Arnaldo Otegi estaria a trabalhar com vista a concorrer às próximas eleições municipais de 2011, «mesmo que se demarque da violência» (Le Monde, 15.10).
Desde a sua saída da prisão, em Agosto de 2008, após 15 meses de encarceramento, Otegi tem defendido a constituição de um novo centro político de esquerda que vá ao encontro de uma parte importante do eleitorado basco, mais de dez por cento, que hoje está privado de representação política.
Recorde-se que depois da ilegalização do Batasuna, em 2003, as autoridades espanholas proibiram, há cerca de um ano, a Acção Nacionalista Basca (ANV) e o Partido Comunista das Terras Bascas, que possui vários representantes eleitos a nível local.
Já este ano, as listas independentistas às eleições regionais de 1 de Março foram interditadas. E só após várias batalhas judiciais foi possível apresentar uma lista independentista às eleições europeias, de 7 de Junho, encabeçada pelo dramaturgo Alfonso Sastre, que acabou por não ser eleito.

Publicado no Avante!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Jone Goirizelaia na Info7 Irratia: «Com estas detenções, queriam evitar o debate político proposto pela esquerda abertzale»

A advogada de Arnaldo Otegi analisa a operação dirigida pelo juiz Baltasar e o documento posto em debate no seio da esquerda abertzale. Afirmou que mais uma vez foi tomada uma decisão política, revestida de forma judicial, e que foram detidas pessoas pelo seu trabalho político. Para além disso, na sua condição de sócia representante do Athletic mostrou-se bastante crítica com a actuação da direcção do clube vermelho e branco no que respeita à questão do “San Mames Barria” [novo estádio projectado], acusando a equipa directiva de Garcia Macua de agir de costas voltadas para os sócios.

Entrevista a Jone Goirizelaia na Infozazpi Irratia


[Imperdível!]
Goirizelaia fala sobre a situação dos detidos. O Ministério Público não ouviu as suas alegações e mandou-os para a prisão. Arnaldo Otegi está em isolamento. O Estado espanhol não quer que a estratégia de paz da esquerda abertzale avance.

Eles sabem que o Estado os detém por defenderem a via política e disseram que se deve seguir em frente, não importa quem vá parar à prisão.

Em Madrid, estão muito nervosos.

O auto de Garzón, «esmiuçado»...

O horizonte imediato dos encarcerados, do ponto de vista da defesa.

A via de Estrasburgo, ainda em aberto, bem como a de outras instituições internacionais, para demonstrar o carácter excepcional e arbitrário da legalidade espanhola.

Quanto ao estádio dos leões de Bilbau, os dinheiros públicos devem ser usados para fins públicos.

Movimento pró-Amnistia: «O Estado respondeu com algemas à tentativa de encontrar uma solução democrática»

O Movimento pró-Amnistia afirmou que, com as últimas operações contra dirigentes políticos abertzales e membros da organização anti-repressiva, o Estado espanhol demonstrou que procura "impossibilitar a mudança política e democrática" e a tentativa de solucionar o conflito.

Familiares das treze pessoas que foram encarceradas na semana passada na sequência das duas operações levadas a cabo contra a esquerda abertzale e o Movimento pró-Amnistia estiveram ontem presentes em Hernani. Ali estiveram também Txelui Moreno e Amaia Esnal, a quem o juiz Baltasar impôs o pagamento de uma fiança de 10 000 euros para não irem parar à prisão, tal como a Mañel Serra.

Todos eles fizeram questão de enviar "um sentido abraço" às treze pessoas que foram encarceradas. Jon Garate, em nome do Movimento pró-Amnistia, afirmou que as duas operações "vêm corroborar a ideia de que o Estado se move dentro de uma estratégia repressiva bem definida", cujo objectivo é "impossibilitar uma mudança política e democrática que tenha como base o respeito pela decisão e pelos direitos deste país".

Com a operação de terça-feira, realçou, "pretenderam punir a tentativa de abrir um verdadeiro processo democrático em Euskal Herria, detendo e encarcerando militantes políticos que o estavam a impulsionar. O Governo espanhol respondeu com algemas à tentativa de encontrar uma solução democrática para Euskal Herria".

Por outro lado, afirmou que, com a ratificação por parte do Supremo da sentença que pune membros das Gestoras pró-Amnistia e da Askatasuna e a detenção e o encarceramento de oito pessoas, o Estado quis "atingir o trabalho anti-repressivo de forma a abrir o caminho à repressão".

"Querem eliminar a solidariedade com os presos e as presas políticas para manter as situações extremas que se vivem nas prisões", referiu.
Perante isto, salientou que a repressão "só trará o alargamento do conflito" e que a sua solução há-de chegar "através de um processo democrático".

A manifestação de sábado, exemplo a seguir
O Movimento pró-Amnistia contrapõe dois cenários possíveis em Euskal Herria: o "da guerra e da repressão", o lado em que se situa o Governo espanhol, Zapatero, Rubalcaba e Ares, e o "da paz e da solução", pelo qual "estamos a ser reprimidos e treze pessoas foram parar à prisão".
A organização anti-repressiva considera que para se "passar de uma situação de guerra e repressão para uma situação de democracia" é necessária a mobilização dos cidadãos e apresenta como "exemplo a seguir" a manifestação de sábado passado em Donostia. Por isso, fez um apelo à continuidade do trabalho nessa direcção.
Fonte: Gara

Manifestação no sábado: «Contra o fascismo, deixem Berriozar em paz»


Resumo da conferência de imprensa (em euskara e castelhano) em que moradores de Berriozar (Nafarroa), pertencentes a colectivos e associações de diversos âmbitos da vida cultural, desportiva, social e política da localidade, manifestaram, pela voz de Pepi Iñarra e Aitor Oteiza, o seu apoio ao trabalho desenvolvido pelos três vereadores da esquerda abertzale que foram forçados a prestar declarações na Audiência Nacional espanhola por causa da «polémica inventada» do txupinazo. Estas pessoas expressaram ainda a sua indignação por esta situação e anunciaram uma manifestação para o próximo sábado, com o lema «Faxismoaren aurka, utzi bakean Berriozar» [Contra o fascismo, deixem Berriozar em paz]. Fonte: apurtu.org / Vídeo: www.eguzkiplaza.net

Euskal presoak


Ongi etorri a Aitor Jugo em Galdakao
Depois de o Supremo espanhol ter absolvido o Aitor no caso das Gestoras e Askatasuna, na localidade biscainha de onde é natural prepararam-lhe uma recepção carinhosa, que decorreu no sábado passado.
Fonte: askatu.org

Um dia de jejum no campus de Gasteiz em solidariedade com Josetxo Otegi
O preso político basco Josetxo Otegi encontra-se em greve de fome desde o dia 8 de Outubro como forma de alertar para o risco tortura que corre no caso de ser entregue às autoridades espanholas quando acabar de cumprir a pena a que foi condenado no Estado francês (no dia 21).
Como forma de se solidarizarem com o preso donostiarra e protestarem contra a sua expulsão do Estado francês, o movimento estudantil do campus de Gasteiz, onde Otegi cursa os seus estudos, organizou um jejum de 24 horas.
Os estudantes afirmaram, em alusão aos treze dias de greve de fome, que «mais uma vez um preso político basco se viu obrigado a adoptar medidas duras como única forma para reivindicar os seus direitos», e criticaram o Estado francês, tanto por entregar presos bascos às FSE, quando só no ano que passado 62 cidadãos bascos denunciaram ter sido torturados pela Guarda Civil e pela Polícia espanhola, como pelo facto de o Estado francês proibir o acesso dos presos bascos aos estudos.
Fonte: Gara
Adenda: Josetxo Otegi acabou por ser mesmo expulso pelo Estado francês, tendo sido hoje entregue às autoridades espanholas. Ao chegar ao aeroporto de Barajas, o cidadão basco, natural de Donostia, pôde seguir em liberdade.

Mobilizações e ongi etorri
Como é habitual, na terça-feira à tarde houve várias concentrações pelos presos em localidades como Iurreta, onde se juntaram 48 pessoas, em Zaldibar foram 18, 85 em Santurtzi, 15 em Bermeo, 25 em Ataun, 45 em Ondarroa, 18 em Zaldibia, 8 em Euba, 8 em Abadiño, 20 no bairro bilbaíno de Otxarkoaga e 24 no de Zorrotza.

Por outro lado, no sábado à noite umas 300 pessoas juntaram-se para dar as boas-vindas a Joseba Elgorriaga, em Algorta (Bizkaia). E foi uma grande festa, com cantoria, brinde e o jovem getxoztarra a tirar a sua foto da parede, na taberna herrikoia. Joseba, que saiu em liberdade nesse mesmo dia, tinha sido detido numa operação policial contra os jovens de Uribe Kosta ordenada pelo juiz Baltasar Garzón e passado dois anos em prisão preventiva. Na semana passada também saiu em liberdade um outro jovem de Algorta detido na mesma operação, Aner Mimenza, depois de pagar uma fiança.
Fonte: Gara e askatu.org

Josebaren hitzak hemen [umas palavras de Joseba na ocasião]

Homenagem a quatro presos do vale de Aiara que estão na prisão há vinte anos
Habitantes do vale de Aiara (Araba) levaram a cabo uma iniciativa no domingo passado, em Amurrio, composta por diversos actos festivos e reivindicativos e destinada a recordar e a homenagear Julen Fernández e Manu González, de Laudio, e os amurriotarras José Angel Biguri e Santos Berganza, que estão na prisão há 20 anos.
O dia começou com desportos rurais, jogos infantis e danças bascas. A isto seguiu-se uma concentração em que participou quase uma centena de pessoas, a atribuição, por vontade popular, da designação Elkartasun plaza [Praça da Solidariedade] a uma praça da localidade e um almoço.
Para concluir a jornada, teve lugar um evento cultural em que participaram vários músicos da comarca, bem como bertsolaris e actores com a ajuda de uma montagem audiovisual. Nas últimas duas semanas, ainda em homenagem aos quatro prisioneiros políticos, houve também debates e uma marcha de montanha.
Fonte: Gara

«Mesmo que o seu filho esteja preso... não se preocupe, minha senhora!»

Carta da mãe de um dos 4 jovens detidos depois da manifestação que ocorreu em Iruñea/Pamplona no dia 11 de Outubro, por ocasião do Antifaxista Eguna.

«Vd. no puede permanecer aquí! Y sepa que no tiene derecho a que le confirmemos si su hijo esta detenido o no, y mucho menos a saber en que circunstancias fue detenido, ni tampoco con que cargos...pero no se preocupe señora, aunque vea nervios, entradas y salidas, portazos, oiga sirenas, aunque vea que a otro chico de los detenidos lo sacan cojo al medico,...no se preocupe señora! Aunque leas un cartel expuesto en la sala de espera de una comisaria oficial de policía una serie de fotos, en la que en una de ellas esta escrito con rotulador rojo literalmente “CAZADO”...no se preocupe señora!, Aunque expliques con toda educación que solo quieres designar un abogado de tu confianza para que se persone cuanto antes y no te hagan ni caso...no se preocupe señora!, Aunque no sepan si le tomarán declaración hoy o mañana, si pasará una o dos noches...no se preocupe señora y váyase a casa de una vez!

¿Y qué había hecho mi hijo? Asistir a una manifestación antifascista “legalizada”, y haber sido identificado cuando accedía a la Plaza del Castillo por un policía que casualmente fue uno de los que después le detuvo,...Y qué más? Pués nada más, porque tal y como aseguran testigos presenciales que se han ofrecido espontáneamente a declarar en contra de este atropello, estando esperando el autobús para ir a Barañain en la Plaza de Merindades, vio a un chico herido en el suelo después de una carga policial, que devolvía, con una brecha en la cabeza, desorientado....y como ATA titulado que es se le acercó a atenderle, impidió que lo trasladaran en coche particular, dió parte al 112 donde constará la llamada en la que se identificó, y esperó a la ambulancia por si llegaba algún conocido ya que es voluntario en la Cruz Roja.,..y conforme el personal sanitario cargaba al herido, y sin mediar palabra, dos miembros de la policía nacional que viajaban en una furgoneta tras la ambulancia del SAMU, se lo llevaban detenido. Los cargos son por un delito de desordenes públicos penado de 6 meses a 3 años, pero no se preocupe señora porque su hijo no tenia ni antecedentes policiales ni penales...

¿Qué no me preocupe?
Mal andaremos el día que no nos preocupemos por hechos como este.
Me preocupo y mucho!
Pesadilla vivida el día 11 de octubre 2009.»

Fonte: apurtu.org

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O papel que o Ministério do Interior não deu a conhecer


Nos últimos dias os meios de comunicação escolheram a parte do auto de Garzón que lhes interessava ou que lhes calhou na divisão e puseram-lhe a sua assinatura. E, claro, sempre com a perspectiva que mais interessava ao Ministério do Interior.

Entre os muitos papéis de variada proveniência que o Ministério do Interior tem em seu poder desde a última operação, chama a atenção o facto de que não tenha passado cá para fora o mais actual e o que tem valor oficial: o que as bases da esquerda abertzale vão debater nas próximas semanas. Acaso? Impossível.

Um comentarista incisivo dizia ontem de manhã na Herri Irratia que, se o auto de Garzón tivesse sido uma reportagem sua, teria tido muitíssimas dificuldades para a ver publicada nalgum lugar. Percebeu-se perfeitamente a sua intenção em deixar claro que a peça do tribunal de instrução número 5 da Audiência Nacional é um pastiche sem sentido. Mas a realidade mediática é bastante diferente da desejável e foram muitos os jornais que - provavelmente porque o assinava o juiz e não o nosso perspicaz interlocutor - acabaram por comprar o «corta e cola» elaborado pelo Ministério do Interior; cada qual escolheu a parte de que mais gostava (ou que lhe calhou na divisão) e ainda lhe pôs a sua assinatura.

E não deixa de chamar a atenção que todos os meios de comunicação, no momento de decidir que enfoque dar à sua parte do saque, tenham optado pelo que mais iria beneficiar as teses de Alfredo Pérez Rubalcaba. Por exemplo, quem diz que «la banda planeaba un 'Lizarra 2' con las siglas de EA y un PNV 'marginado'» insiste na ideia de que era a ETA que controlava toda a operação, mas passa ao de leve sobre um elemento-chave: a queixa sobre as eleições europeias que o auto de Garzón atribui à organização armada, até chegar a perguntar: «onde se tomam as decisões?». Se Arnaldo Otegi e Rafa Díez foram os que mais se destacaram na defesa da opção da Iniciativa Internacionalista, de que a ETA não gostava, segundo a Audiência Nacional, como podem ser encarcerados com a acusação de estarem sob a sua direcção? Há alguns anos, o conhecimento desse documento haveria de dar azo a títulos como: «La izquierda abertzale, cerca de la ruptura», «Batasuna desoyó a ETA», «ETA ya no manda»... Como mudam os tempos! Agora até buscar tréguas é uma acusação.

Chama também a atenção o boato disseminado, desde o primeiro minuto das detenções, de que Arnaldo Otegi se teria encontrado com membros da ETA. No auto de Garzón, as supostas viagens de Arnaldo Otegi perdiam muita força, porque acontece que uma vez tinha ido ver um ex-preso e noutra, segundo dizem, tinha chegado ao mesmo sítio para se perder depois durante umas horas.

Apesar de contar com tão exíguos ingredientes, o Abc chegou a noticiar no domingo que «Otegi se vio con ETA en Francia días antes de los atentados de Burgos y Palma», embora no conteúdo noticioso a realidade lhes escapasse como areia entre os dedos.

Se as reuniões de Arnaldo Otegi com dirigentes da ETA fossem assim como se contaram, consegue-se imaginar que tivesse escapado ao controlo policial? Será que alguém pensa que o Ministério do Interior não teria tentado deter por todos os meios todos os participantes na reunião, com o estrondo propagandístico que isso representaria?

Talvez pelo facto de tais detenções não terem ocorrido nem o tema do contacto directo ter tido maior alcance na imprensa, se possa entender o interesse do Ministério do Interior em ligar os ontem detidos numa operação policial no Estado francês (que curiosa essa coisa de as detenções serem feitas pela Polícia francesa e as explicações serem dadas pelo chefe da espanhola) com a alegada transmissão de ordens à esquerda abertzale.

Em todo o caso, estes dias serviram também para ver que nem só o Governo espanhol parece interessado em emperrar o cenário político basco. Os diários do Grupo Noticias converteram em notícia de primeira página as reflexões de uma chamada «iniciativa Gakoa», que, segundo os periódicos jeltzales, agrupa «un numeroso grupo de reconocidos militantes de la denominada izquierda abertzale». Não se diz quando, nem em que âmbitos circularam esses documentos tão críticos. O que se pode realmente garantir é que nem esses supostos papéis, nem outros de signo antagónico, são o cerne do debate que vai ter lugar nas bases do independentismo.

Porque há vezes em que a notícia não é só o que se filtra, mas também os papéis que se ocultam. Poucas dúvidas existem de que o documento que o Gara publica hoje há-de estar nas mãos do Ministério do Interior espanhol. De facto, por ser o mais actual e o que tem o carimbo oficial, é sem dúvida o mais interessante para qualquer meio de comunicação. Então, por que é que a equipa da Castellana 5 não o distribuiu? Provavelmente porque acaba com todas as restantes teorias e elucubrações. Porque, embora não contenha as frases que alguns virão dizer que faltam, a sua intenção fica suficientemente definida.

O documento está já a ser distribuído às bases da esquerda abertzale. A operação de Rubalcaba não conseguiu abortar a iniciativa. A partir daqui, está nas mãos da militância independentista debater os conteúdos propostos pela sua direcção política, emendá-los, rejeitá-los ou aprová-los. Mas a partir de agora já ninguém (político ou jornalista) poderá dizer que não sabe «en qué andaban» os encarcerados na operação de há uma semana. Andavam nisto.

Parafraseando Jesús Eguiguren, é verdade que não é «nada de definitivo», já que falta o debate final. Mas sem receio de nos enganarmos, pode-se dizer que é «algo importante».

Iñaki IRIONDO
Fonte: Gara

Ver também: «O Batasuna põe em debate entre as suas bases uma nova estratégia para concretizar a "mudança de ciclo"», de Ramón SOLA e Iñaki IRIONDO, em Gara

O olhar de Tasio

Tasio (Gara)