domingo, 15 de junho de 2008

Para aprender euskara no Verão, AEK volta a oferecer cursos e ‘barnetegis’


A AEK (1) fez saber que já se encontram abertas as matrículas para os cursos ou barnetegis (2) que oferece este Verão, concretamente nos meses de Julho, Agosto e Setembro. A Coordenadora manterá abertos durante essa época até 100 euskaltegis (3) em todo o País Basco. “Os que preferirem aproveitar os dias de férias para aprender euskara perto de casa não sentirão falta oportunidades”, e aqueles que mostrarem vontade de sair terão a sua hipótese nos barnetegis que a AEK irá facultar em Forua (Bizkaia) e Arantza (Nafarroa), com cursos de 90 horas de aulas, que, como todos os anos, decorrerão num período de quinze dias.
Outra forma atractiva de aprender euskara são os “barnetegis itinerantes” – neste caso não há aulas e a comunicação em euskara tem lugar enquanto se pratica desporto ou se conhece diversos lugares. Para este Verão, a AEK organizou o percurso GR-10 (de 21 a 26 de Julho) e um outro em que se atravessará Euskal Herria de bicicleta (de 2 a 17 de Agosto). Outra possibilidade são os barnetegis para famílias, que irão decorrer em Aduna, Forua e Berriz em Julho e Agosto, e nos quais se pretende fomentar a comunicação em euskara no âmbito doméstico, já que esta, segundo a Coordenadora, “por vezes se vê diminuída pela falta de hábito”.

Em Ipar Euskal Herria [País Basco Norte]
Em Urepele terão lugar dois barnetegis de doze dias, em Julho e Agosto, nos quais se darão aulas de todos os níveis, incluindo o inicial. Outro curso a destacar é o que incide no dialecto de Zuberoa. Durante cinco dias, de 4 a 9 de Agosto, poder-se-á conhecer algo mais da cultura, da história e dos costumes deste herrialde. Já em Biarritz (Lapurdi), organizaram-se dois cursos em euskara: um de dança e outro de desportos aquáticos (de 11 a 15 de Agosto).

(1) AEK: Alfabetatze Euskalduntze Koordinakundea [Coordenadora de Alfabetização e “Euskaldunização”], dedica-se ao ensino do euskara a adultos, à promoção da sua utilização e à defesa da cultura basca. Para tal, conta com uma extensa rede de euskaltegis em todo o País Basco.

(2) Barnetegis: Cursos intensivos de euskara em regime de internato, geralmente com uma duração de duas semanas, aos quais subjaz uma filosofia de imersão “total” na língua, dentro e fora da escola, e que pressupõem também o contacto com falantes reais em situações comunicativas habituais, em zonas euskaldunes.

(3) Euskaltegis: Escolas de aprendizagem de euskara para adultos. Podem ser públicas (ligadas aos municípios) ou privadas.

Para informações sobre preços, descontos, etc.: AEK

Fonte: Gara

História da AEK

“Euskaldunização” e alfabetização de adultos
A AEK é uma organização que tem por objectivo a recuperação do euskara e a “reeuskaldunização” de Euskal Herria. Para alcançar esse objectivo, trabalha no campo da “euskaldunização” e alfabetização de adultos, bem como na investigação e edição de material didáctico, na formação de professores, na organização de actividades culturais e em campanhas de consciencialização.

1965: primeiras gau-eskolas
Os primeiros grupos de alfabetização surgem por volta de 1965, ano em que se põe em marcha a primeira campanha com esse propósito. À medida que estes grupos de alfabetização vão surgindo em todos os recantos de Euskal Herria, vê-se a necessidade não só de trabalhar na área da alfabetização (ensinar a ler e a escrever a falantes de basco), mas também de abordar a tarefa de ensinar euskara à ingente quantidade de cidadãos bascos que desconhecem o idioma, uma tarefa que, com o tempo, se iria converter na principal actividade da AEK. Nascem assim as gau-eskolas (escolas nocturnas).

1979: primeiro congresso da AEK
Durante o curso 1974-75, nasce a associação de gau-eskolas de Gipuzkoa. Pouco a pouco, ganha-se consciência da necessidade de coordenar este movimento, que já alastrou a Nafarroa e Iparralde. Em 1976, os centros da Bizkaia decidem organizar-se, e o organismo adopta o nome de AEK. Pouco depois, são os centros de todo o Hegoalde [País Basco Sul] que decidem coordenar-se, e assim nasce a AEK, que em 1979 celebra o seu primeiro congresso. Em 1980, nasce oficialmente a AEK em Iparralde [País Basco Norte].

A AEK registou uma importante evolução ao longo da sua história. Depois de se desligar da Euskaltzaindia [Academia da Língua Basca], passou de uma coordenadora de centros autónomos para um organismo com um projecto e uma visão clara de Euskal Herria. Actualmente, a AEK é o organismo mais importante de todos os que se dedicam à “euskaldunização” e alfabetização de adultos, e é o único que desenvolve a sua actividade em todo o País Basco, por cima de divisões administrativas. Conta com mais de 100 centros espalhados por toda a geografia basca, nos quais leccionam cerca de 600 professores.

Promoção e consciencialização
Para além de alfabetizar e ensinar euskara a adultos, a AEK realiza diversas campanhas a favor da língua basca. Todos os anos, em Setembro, no início do curso, a AEK realiza uma campanha de matrículas incentivando a população a aprender euskara. De dois em dois anos, tem lugar a Korrika (4), o evento mais importante de todos os que ocorrem a favor da língua basca, e, anualmente, o AEKeguna [Dia da AEK], em que há concertos, exposições, jogos e actividades em euskara.

(4) Korrika: corrida a favor do euskara que percorre todo o País Basco, organizada pela AEK de dois em dois anos. A iniciativa visa a consciencialização sobre o euskara, impulsionar a sua aprendizagem e o seu uso, e recolher fundos para o trabalho que a Coordenadora desenvolve diariamente nos centros de aprendizagem. A primeira corrida teve lugar em 1980, entre Oñati (Gipuzkoa) e Bilbau (Bizkaia). A mais recente ocorreu o ano passado, entre Karrantza (Bizkaia) e Iruñea (Nafarroa), com um percurso total de 2356 km, uma duração de 10 dias e uma participação que superou o meio milhão de pessoas.
Fonte: AEK

sábado, 14 de junho de 2008

Ex-presos republicanos irlandeses reivindicam estatuto político dos presos na resolução dos conflitos


Oito membros da Coiste, uma associação de apoio a ex-presos republicanos irlandeses, ofereceram ontem uma conferência de imprensa em Bilbau, junto a alguns dos imputados no sumário 33/01. A delegação de antigos prisioneiros mostrou a sua solidariedade para com os acusados no julgamento contra o Movimento Pró-Amnistia e denunciou a “criminalização” de que são objecto.
Como destacou o advogado e acusado Julen Arzuaga, a visita irlandesa acontece num momento em que “se pretende criminalizar a denúncia da violência de Estado, a solidariedade para com os reprimidos e, concretamente, para com os presos políticos”, e num momento em que “se pretende criminalizar as propostas de resolução”. Arzuaga recordou também que, na próxima semana, o julgamento que está a decorrer na Audiência Nacional contra o Movimento Pró-Amnistia entrará na sua fase final. O advogado reconheceu que, apesar de existirem diferenças importantes, a experiência do processo irlandês pode trazer chaves para resolver a situação política em Euskal Herria, e mostrou o seu desejo de que assim seja.
Os membros da Coiste deram testemunho da sua contribuição para a resolução do conflito irlandês e reivindicaram a transcendência que teve o reconhecimento do estatuto político dos presos e a sua intervenção nas negociações que frutificaram no acordo de Sexta-feira Santa. E destacaram que o Governo britânico e todos os agentes implicados se esforçaram por encontrar uma solução política, o que contrasta com a aposta “repressiva” empreendida pelo Estado espanhol depois do falhanço do processo de negociações, como criticou Arzuaga.
O director da Coiste, Michael Coulbert, explicou que a associação a que pertence representa os interesses de aproximadamente 16 000 ex-prisioneiros republicanos e das suas famílias, e assinalou que a realidade que puderam conhecer de Euskal Herria “é algo que sucedeu na Irlanda, onde a vontade das autoridades britânicas era criminalizar todo o movimento republicano”. Não obstante, ressaltou que o Governo britânico “teve que mudar de parâmetros e passar dessa ideia de criminalização para um cenário de diálogo e, posteriormente, de negociação”.
Coulbert especificou que a organização de que faz parte é “reconhecida” pelos partidos políticos, agentes sociais e instituições internacionais, e que a sua actividade é “pública”.

Impossível ilegalizar

Segundo indicou, participa abertamente em conferências e encontros que se organizam no parlamento de Stormont ou nos que realiza o Governo da Irlanda do Norte. O ex-preso republicano declarou que os “contactos” que mantém com os restantes agentes sociais e políticos lhe outorga o “reconhecimento” e a “legitimidade” para fazer propostas e fazer política na sua condição de ex-preso político. “É algo que aconteceu antes e depois da minha libertação”, acrescentou.
Na sua perspectiva, é “impossível” ilegalizar a actividade a favor dos presos políticos, e deu como exemplo o facto de a organização que representa receber fundos e financiamento do Parlamento Europeu desde 1997, um ano antes de se terem cristalizado os acordos de resolução.
Coulbert trouxe à colação a visita de um ministro da África do Sul, no ano passado, que lhes fez saber que o principal escolho que encontraram para dar uma solução ao conflito foi a desmilitarização e a entrega das armas, que se resolveu também nesse caso com o reconhecimento das raízes políticas do conflito. “O que ajudou a superar essas reticências foi o reconhecimento expresso da natureza política da resolução”, declarou. Por isso, insistiu na ideia de que, sem a participação activa dos prisioneiros políticos, não teria sido possível que “as armas se fossem embora” e houvesse “métodos de trabalho baseados noutros parâmetros e se desse um impulso decisivo a um processo de paz aberto”.

Diálogo e negociação

Por seu lado, Sean Lynch recordou que, quando foi detido e gravemente ferido pelo exército britânico, em 1986, o condenaram como “criminoso” a uma pena de 29 anos de prisão, mas que, com o avanço das negociações, se começaram a libertar os presos políticos e, dessa forma, “se superou a criminalização e se passou a atribuir o estatuto político aos presos”. Lynch destacou ainda que, para que o processo de paz tivesse êxito, uma das chaves foi “a inclusão de todos os agentes e sujeitos do conflito, e a abordagem de todos os problemas que estavam na sua origem”. O ex-preso republicano opinou também que, para que a experiência da Irlanda possa funcionar em Euskal Herria, os três elementos básicos são “comunicação, diálogo e negociação”.
Fonte: Gara

Nafarroa: jovens independentistas denunciam perseguições policiais

Dezenas de jovens independentistas compareceram ontem no campus da Universidade Pública de Nafarroa para dar conta dos episódios de repressão e acosso policial que sofreram diversos jovens navarros nas últimas semanas.
Assim, tal como já informara a Askatasuna na semana passada, denunciaram o caso recente de um jovem iruindarra que foi abordado “por polícias que não se identificaram” no cruzamento de Basabi, em Leitza, quando circulava em direcção à capital navarra, tendo sido posteriormente “despido e interrogado enquanto lhe apontavam uma pistola”. “Depois de o mandarem parar, meteram-no por um caminho, despiram-no e interrogaram-no durante 45 minutos, inspeccionando minuciosamente o veículo e perguntando-lhe constantemente onde tinha escondida a pistola. Por fim, como não encontravam nada, deixaram-no ir”, recordaram.
Narraram também o caso de um jovem de Ultzama que nestas últimas semanas tem sido “vigiado de maneira asfixiante” por agentes da Guarda Civil, “que permanecem posicionados dia e noite junto à sua casa”.
Não menos chocante foi o relato do caso de um morador de Zizur Nagusia, que denuncia receber constantemente, em casa, “chamadas telefónicas da polícia a ameaçá-lo”. “Ligam-lhe para casa vezes sem conta, e dizem-lhe que é melhor que já tenha um seguro de vida, porque não faltará muito para que façam o que têm a fazer”, asseguraram os jovens independentistas.
Da mesma forma, quiseram informar que durante o festival Gazte Nafarock, que decorreu no passado 26 de Abril em Leitza, agentes do Instituto Militar efectuaram controlos de estrada em que “passaram os carros a pente fino e interrogaram os passageiros sobre a identidade dos responsáveis da Segi em Nafarroa”.

Violação de direitos

Os jovens leram ainda um comunicado no qual denunciaram a constante “violação de direitos” que sofrem os cidadãos navarros. “Não podemos realizar os nossos estudos integralmente em euskara, condenam-nos a viver debaixo da ponte, somos vítimas da precariedade laboral no dia-a-dia, negam-nos o direito ao aborto, impõe-nos um projecto de destruição como o TGV... Esta é a realidade macabra que nos oferece o presidente Sanz”, lamentaram.
Assim, denunciaram que "a UPN quer construir uma Nafarroa que esteja submetida a Espanha”, e deram como exemplo o posicionamento do Executivo de Miguel Sanz em assuntos polémicos como “o campo de tiro de Bardenas ou o pântano de Itoitz”, nos quais o Governo da UPN-CDN “ignorou a vontade dos cidadãos navarros e acatou os ditames de Madrid”.
Também os moradores de Atarrabia [município da área urbana de Iruñea (Pamplona)] ofereceram uma conferência de imprensa para denunciar “a perseguição e a criminalização” que sofrem os jovens independentistas do município. “Menores de idade foram julgados, e dezenas de jovens multados por colar cartazes”, referiram.

Fonte: Gara

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Marcha cultural denunciará em Iruñea a conquista sofrida em 1512


Por ocasião da apresentação, em Donostia, da campanha «Navarra 1512-2012», promovida pela associação Nabarralde, a Koldo Mitxelena Kulturunea acolheu no dia 10 uma mesa-redonda em que todas as referências giraram em torno da conquista e da ocupação sofridas pelo Reino de Nafarroa por parte do de Castela. Também se apresentou o manifesto «Conquista de Navarra», que, sendo o pilar da campanha empreendida, está a recolher apoios de associações, grupos, agentes e personalidades conhecidas do país.
Luis Mari Martínez Garate, Mikel Enparantza, Iñigo Lizari e Beñi Agirre participaram no colóquio que decorreu na capital guipuscoana. Em primeiro lugar, apresentaram a campanha que a associação Nabarralde está a desenvolver e que toma como referência uma data “redonda” como é a do 500.º aniversário do início da conquista do “único Estado pleno, independente e soberano que o povo basco criou em toda a sua história”.
“A campanha que se inicia não tem como objectivo rememorar etapas passadas. É um acto de afirmação da nossa vontade de futuro. Perante os urgentes desafios do presente, a Bascónia necessita de ter à disposição essa ferramenta que permite às nações serem sociedades equilibradas, sustentáveis e solidárias: o próprio Estado, a República de Navarra. É esse o grito da nossa campanha para 2012: Nafarroa bizirik! [Nafarroa está viva!]”, afirmou o orador Luis Mari Martínez Garate na cerimónia em que se apresentou o manifesto no qual se fundamenta a citada campanha.

«Colónia espanhola e francesa»

O texto pode ser encontrado na página web da associação que o promove – www.nabarralde.com – e recebeu até agora as assinaturas de dezenas e dezenas de agentes e personalidades bascos, entre as quais se destacam Pablo Antoñana, Néstor Basterretxea, Tasio Agerre, Jean Louis Davant, Iñaki Perurena, Txaro Arteaga, Pedro Esarte, César Krutxaga, Gabirel Ezkurdia, Tasio (GARA), Mikel Sorauren, Fredi Paia ou Anjel Rekalde.
“Consideramos uma necessidade e um dever dar a conhecer que a conquista de 1512 foi fruto da invasão violenta dos territórios navarros ainda independentes no século XVI, e que, em consequência, o nosso país é uma colónia espanhola e francesa para todos os efeitos”, pode-se ler num dos excertos do manifesto. Num outro afirma-se que “a história ensina-nos que fomos independentes e que o deixámos de ser, não pela vontade dos nossos antepassados, mas pelas conquistas espanholas e as ambições francesas”.
A associação Nabarralde voltou a realizar um apelo ao conjunto da cidadania para que secunde a campanha e, de maneira especial, participe na marcha cultural que no dia 28 de Junho, às 17h30, partirá desde a antiga estação de autocarros de Iruñea [Pamplona].

Manifesto (em castelhano e euskara): 1512-2012 Nafarroaren konkista
Fonte: Gara

A grave situação de Mikel Ibañez


Ao preso político elgoibartarra foi-lhe diagnosticado um tumor no testículo esquerdo, tendo sido sujeito a uma intervenção cirúrgica. Deram-lhe alta logo no dia seguinte e enviaram-no de volta para a prisão, o que provocou a deterioração do seu estado de saúde e fez com que tivesse de ser internado novamente. Hoje em dia, permanece no hospital, onde está a fazer um tratamento de quimioterapia. Os seus advogados pediram a sua libertação a 30 de Abril deste ano, mas o juiz da Audiência Nacional espanhola Baltasar Garzón, que deve resolver o litígio, ainda não tomou qualquer decisão. Temos que realçar o facto de Mikel Ibañez se encontrar detido de forma preventiva e a gravidade do seu estado de saúde.

· Dossiê sobre a grave condição clínica de Mikel Ibañez

· Presos políticos bascos que sofrem de doenças graves e incuráveis

Fonte: Etxerat

Adenda: Garzón tomou uma decisão

O tribunal de instrução número 5 da Audiência Nacional espanhola rejeitou a petição de liberdade para Mikel Ibañez, mas Garzón concedeu-lhe um regime de “prisão atenuada”, que o levará, na sua condição de preso preventivo, a permanecer no seu domicílio sob custódia da Ertzaintza. Dado o seu delicado estado de saúde, será transferido para o Hospital Donostia assim que os médicos o entendam, segundo fez saber a Askatasuna.

Fonte: Gara

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O trabalho solidário do Movimento Pró-Amnistia

Depoimentos de vítimas da repressão, que são também testemunhas da assistência prestada pelo Movimento Pró-Amnistia.

Pena perpétua para Pello Odriozola e Inés del Río


O tolosarra Pello Odriozola foi detido em Janeiro de 1988, tendo-lhe sido imposta uma pena de 30 anos de prisão, e deveria recuperar a sua liberdade no próximo dia 2 de Julho, como recordou a Askatasuna. Esta semana, aplicaram-lhe a sentença 197/206 do Supremo Tribunal, fixando o dia 19 de Janeiro de 2018 como data de saída da prisão. Durante os 20 anos de encarceramento, sofreu a dispersão penitenciária em Alcalá, Valdemoro, Herrera, Ourense e Bonxe (Lugo), onde se encontra actualmente.
Por seu lado, a natural de Tafalla Inés del Río foi detida em Julho de 1987 e condenada a 30 anos de prisão. A sua saída também estava marcada para 2 de Julho, mas no passado mês de Maio a Audiência Nacional solicitou uma nova liquidação da pena. De acordo com a Askatasuna, embora não lhe tenham marcado uma nova data de saída, já a condenaram a pena perpétua. Inés del Río encontra-se actualmente detida em Múrcia e também sofreu a dispersão penitenciária em Carabanchel, Ávila, Córdova, Puerto II, Algeciras, Albacete e Soto del Real.
Com Odriozola e Del Río, são já 29 os prisioneiros políticos bascos que sofreram um aumento das penas, aplicando-se-lhes, de facto, a pena perpétua. A Askatasuna denunciou que os governos espanhol e francês “pretendem construir um Guantánamo gigante à medida dos presos políticos bascos”, com o objectivo de “aniquilar os prisioneiros, ocultar o seu carácter político e anular o colectivo, sujeitando-os à política penitenciária mais cruel”.

Fonte: Gara

quarta-feira, 11 de junho de 2008

No tribunal de excepção: julgamento contra autarca de Amurrio


A Audiência Nacional julgará na próxima quinta-feira o autarca de Amurrio, Pablo Isasi Aguirre (EA), o vereador da Cultura desta localidade alavesa e dois membros do grupo Herriarenak, por terem nomeado patronos das festas, em 2005, Josean Biguri e Santos Berganza, presos políticos da terra. O Ministério Público acusa-os de um “delito de enaltecimento do terrorismo”, pelo qual pede uma pena de 15 meses de prisão.
Depois da sessão plenária em que tal atentatória decisão terá sido tomada, e em que os acusados terão participado, parece que estes terão feito uso, inclusive, de megafones para comunicar que os ditos presos políticos eram os eleitos – os quais teriam já sido propostos como candidatos a patronos das festividades pelos membros da tão perigosa quadrilha quanto pandilha Herriarenak.

A caça às bruxas do “enaltecimento”
Esta “caça às bruxas” contra qualquer símbolo que mostre reconhecimento por militantes ou presos políticos bascos parece uma brincadeira de mau gosto, mas não o é. Leva, na corrente, dois membros da Herriarenak, um grupo surgido há 30 anos, “à saída de uma ditadura e à entrada de outra», como afirmavam em 2003, numa frase que parece agora premonitória. Berganza e Biguri, esses, continuam presos. Ambos à beira de cumprir dezanove anos entre as grades, e longe, muito longe, de Amurrio: o primeiro em Villena (Alicante), o segundo em Herrera (Ciudad Real).

Fonte: Gara e Gara

Grupos bascos, galegos, catalães e madrilenos apoiam movimento pró-amnistia



Numerosos agentes sociais de Euskal Herria, bem como de Madrid, da Catalunha e da Galiza, assinaram um documento em que mostram a sua solidariedade para com as pessoas acusadas no processo contra o movimento pró-amnistia. Comprometem-se no texto, desde os seus diferentes âmbitos laborais, “a manter viva essa atitude de denúncia e solidariedade que agora se pretende silenciar”.
“Estamos a seguir com verdadeira preocupação a estratégia de criminalização da actividade política e social que passa pela suspensão e ilegalização de partidos políticos e associações, assim como o encerramento de meios de comunicação, utilizando para isso, prioritariamente no contexto basco, uma legislação antiterrorista e um tribunal, encarregado de a aplicar, que são de absoluta excepção”, reza o documento. Consideram necessária a existência de movimentos que façam frente à violação quotidiana de direitos e liberdades e “estão ao lado das vítimas da violência estatal”. “Afirmamos a legitimidade e necessidade da participação da sociedade civil na denúncia das violações de direitos humanos, bem como a sua solidariedade para com as centenas de pessoas reprimidas por motivos políticos e sociais, seja em Euskal Herria ou em qualquer parte do Estado ou do mundo”, assinala o texto.

Mobilizações e denúncia
Para além disso, 150 pessoas manifestaram-se no dia 7 em Elgoibar e outras 150 em Iruñea [Pamplona] em solidariedade com Mikel Ibañez, prisioneiro político elgoibartarra cujo estado de saúde é bastante grave.
Outras 40 pessoas concentraram-se também no dia 7 em Trintxerpe para denunciar o encarceramento de Ander Uribarrena, situação que levou à mobilização de 50 moradores em Portugalete. Para exigir a defesa dos direitos dos presos, 27 pessoas reuniram-se em Hondarribia e 15 fizeram-no em Gatika.
No bairro de Errotxapea, em Iruñea, vários guardas civis entraram na Ipar Gorri Kultur Elkartea, e procederam à inspecção do local, argumentando que procuravam uma pessoa cuja identidade não revelaram, de acordo com a denúncia feita ao GARA.

Fonte: Gara

«Nazio Plaza»: iniciativa do Foro de Debate Nacional, em Iruñea



Os debates tiveram lugar na parte da manhã nos cinemas Carlos III, de Iruñea [Pamplona], e os cerca de cem participantes repartiram-se por dois foros: um sobre a Universidade Basca e outro sobre iniciativas e experiências que se estão a desenvolver no território histórico de Zuberoa. Joseba Garmendia, Erik Etxart, Marie Claire Lurgorri e Tasio Erkizia foram os oradores responsáveis por dar a conhecer um pouco mais da situação que se vive neste herrialde de Ipar Euskal Herria [País Basco Norte], abordando questões como a campanha «Biba Xiberua» (impulsionada pela Udalbiltza em 2001 e 2002), que procura fazer frente ao despovoamento (o território tem cerca de 12 000 habitantes), ao envelhecimento da população e ao fechamento de empresas; também pela positiva, realçou-se o incremento das relações comerciais entre Zuberoa e os demais herrialdes bascos, assim como a elaboração de um DVD “para que os outros territórios de Euskal Herria conheçam a realidade de Zuberoa”; por último, deu-se a conhecer a dinâmica de apoio à quinta rural Kako, situada na localidade de Añarbe, e como uma associação cujo objectivo é ajudar os jovens a fixarem-se no meio rural (tendo, para tal, comprado já uma dúzia de quintas) tudo está a fazer para que os jovens da zona de Añarbe consigam comprar a Kako. Mas no debate de Iruñea nem só de Zuberoa se falou, e um dos participantes, ex-pescador e actual sindicalista do LAB, fez questão de expor a “grave situação” que atravessa o sector pesqueiro basco, com os actuais 2000 pescadores e a perda de três quartos da frota pesqueira a contrastarem com os 10 000 pescadores que havia nos anos 70 e “a grande riqueza que geravam nas povoações da costa”.

“Direito a decidir sem exclusões territoriais”

Da parte da tarde houve uma manifestação, que juntou cerca de 1500 pessoas, por volta das 17h30, junto aos cinemas Golem, e que terminaria cerca de uma hora depois no Sarasate Pasealekua. Vigiada a todo o momento pela polícia espanhola, a marcha teve à cabeça uma enorme ikurriña, levada por dantzaris, e uma faixa em que se podia ler o lema principal, que foi entoado ao longo de todo o percurso: «Nazioa gara. Zazpiak bat. Burujabetzaren alde» [Somos uma nação. Os sete, uma. Pela soberania], juntamente com gritos a favor da independência e “Alde hemendik, utzi pakean” [Vão-se embora, deixem-nos em paz], sobretudo quando os agentes da polícia espanhola se colocaram em ambos os lados da manifestação, junto à sede do PSN. Entre os participantes, era também notória a presença de ikurriñas e bandeiras de Nafarroa. No final da marcha anunciou-se que a diáspora basca de Buenos Aires também celebrava uma jornada relacionada com a iniciativa «Nazio Plaza», impulsionada pelo Foro de Debate Nacional da Argentina e do Uruguai, Euskaltzaleak e Eusko Kultur Etxea. Os debates dessa jornada centraram-se na territorialidade, o euskara e a autodeterminação.
Em Iruñea, Aitziber Sarasola recordou, em nome do movimento popular, que Euskal Herria continua territorialmente dividida, e fez um apelo para que “se pense e actue como nação”, de modo a superar essa divisão.
Por seu lado, Maite Aristegi constatou que nestes momentos “está em jogo a direcção da mudança” que se avizinha, e que existem duas opções: “A mudança baseada no reconhecimento de Euskal Herria como nação e na atribuição ao povo basco do direito à autodeterminação, ou, mediante meras reformas, manter o status político à mercê dos estados espanhol e francês, negando que somos uma nação e negando a nossa territorialidade e o direito a decidir o nosso futuro”. Depois de insistir na necessidade de “uma mudança para a solução democrática do conflito e para o desenvolvimento de Euskal Herria como nação”, Maite Aristegi destacou a importância de “juntar todas as forças possíveis” para “dar impulso a uma estratégia como nação”. Assim, afirmou: “nós somos o motor da mudança”; “o presente e o futuro de Euskal Herria estão aqui, não estão nem em Madrid nem em Paris”.
Mesmo antes do encerramento do comício, com mais gritos a favor da independência e o hino de Nafarroa a ser tocado por um par de txistularis, Maite Aristegi transmitiu uma mensagem em nome do Nazio Eztabaida Gunea [Foro de Debate Nacional]: “Exigimos uma mudança baseada no reconhecimento de Euskal Herria, porque somos uma nação. Uma mudança em que todos os direitos colectivos e individuais sejam reconhecidos e garantidos. Uma mudança baseada na territorialidade do nosso povo, que dê a palavra e a decisão ao conjunto da sociedade. O direito a decidir é um direito que corresponde a toda a cidadania de Euskal Herria, sem exclusões territoriais”.

Fonte: Gara

sábado, 7 de junho de 2008

viva a solidariedade internacionalista!


As Jornadas Internacionalistas promovidas pela organização internacionalista basca, Askapena, vão iniciar-se no próximo dia 10 de Junho e culminarão no dia 14 de Junho.
Entre os três temas que a organização elegeu para a iniciativa conta-se a solidariedade prestada pelos comités e grupos de amigos de Euskal Herria, demonstrando-se assim a importância de que se revestem as manifestações de lembrança, apreço e simpatia manifestadas em vários lugares do globo. As nossas mensagens de força, a nossa denúncia, o uso da nossa língua e da nossa voz como meio alternativo de informação, a nossa fraternidade internacionalista são pequenos esforços que contribuem indubitavelmente para mexer a alavanca da mudança por um mundo melhor com um País Basco livre e socialista.
Nos dias que correm os senhores do estado espanhol vão-se dando conta que o povo basco não está só e que a sua luta é acarinhada por gente de todo o mundo. Tentam desesperadamente minar e deturpar as relações fraternas e é por isso que hoje, mais do que nunca, é urgente a solidariedade.

Para conhecer o programa das jornadas consultar a página da Askapena.

E eu...eu amava o pássaro

Sou português. Levo quatro meses a viver em Bilbao. Sou estudante visitante na Universidade do País Basco. Quero voltar a partilhar neste espaço um pouco da minha experiência neste país porque sei que trazer um pouco de luz sobre o que se vive em Euskal Herria é o máximo que posso fazer este povo que tão calorosamente me acolheu.

Quando os meus colegas de curso me perguntam que diferenças sinto em relação à minha terra, depois de falar brevemente sobre o nosso pão, o nosso clima e a nossa maneira de estar, explico que nós tivemos uma Revolução, na verdadeira acepção da palavra e não uma nova ditadura disfarçada de transição. Conto que no meu país (por enquanto) não corro o risco de ser preso por militar num partido, nem de ser torturado por escrever para um jornal, nem ser espancado se participar numa manifestação. Aos meus colegas, todos da minha idade, falo-lhes de um tempo que não conheci, em que havia presos políticos, tortura, detidos em incomunicação, repressão nas ruas e partidos ilegalizados. Falo-lhes de histórias que não vivi pessoalmente, de que apenas pude ouvir falar e conhecer pelos livros. Os meus colegas falam-me exactamente do mesmo, mas aplicado ao dia de hoje e à nossa sala de aula. Só na minha universidade, estão presos três professores catedráticos e cerca quinze estudantes. Em demasiados bairros há presos políticos. Em demasiadas famílias há um parente que está preso, em demasiados grupos de amigos, há um que falta. Espanha é o nome de uma enorme prisão em que falta demasiada liberdade.


Com o tempo, vou-me desabituando das liberdades políticas que tenho em Portugal: frequentemente, amigos repreendem a minha ingenuidade quando falo em público sobre política[1] ou refiro pelo nome, alguém e a sua organização. E com o tempo vou-me habituando a que me tirem o telemóvel antes das reuniões ou
à ideia de que uma opinião política pode valer anos de cadeia.


É esta atmosfera democraticamente rarefeita que se respira também na Universidade do País Basco (EHU):

Para que se entenda melhor como é o dia a dia nesta universidade, deixo-vos o relato do que se passou há cerca de um mês, numa manhã em que ia para a faculdade:

Vou sentado na traseira de um autocarro apinhado de jovens com ar punk que falam surpreendentemente de política e cantam canções revolucionárias. Sinto-me em casa. Subitamente, em plena auto-estrada a caminho da faculdade, o autocarro começa a parar. Ao princípio não consigo perceber o que se passa, mas à minha volta instala-se o nervosismo, trocam-se palavras rápidas, mexe-se nas mochilas e finalmente a porta do autocarro abre-se e um ertzaintza entra. De repente, reina um silêncio gélido. Só se ouvem as botas do polícia, de arma a tiracolo, que avança devagar pelo meio das fileiras de assentos. Vai olhando pausadamente para a cara de cada um dos passageiros. Um jovem uns lugares à minha frente, olha para a janela quando o soldado passa. O ertzaintza agarra-lhe o crânio com a palma da mão e roda-lhe a cabeça com brutalidade. Lá fora, na estrada, há outros carros parados e alguns jovens encostados à parede. O agente, fardado de elefantismo policial, acaba por sair. Desta vez, não encontrou quem procurava.


Mas é preciso muito mais para derrubar a moral de um basco. Esta juventude cresceu a ver os seus amigos serem presos, sofrendo cargas policiais, perseguições judiciais, censura e todo tipo de ameaças. Mal o autocarro arranca, já tudo transborda de risos e ofensas aos polícias que vão ficando para trás. A juventude basca possui todo um dicionário ofensivo para se dirigir à autoridade: txakurras, pikoletos, zipaios, maderos ou beltzas, são só alguns dos que consigo distinguir.


À entrada da faculdade, todos os dias cumprimento um grupo de ex-professores catedráticos, despedidos pelas suas ideias políticas e que estão há anos, todos os dias à porta da universidade para denunciar a sua situação.


No interior, a faculdade transpira política: todos os dias grupos de jovens ligados ao sindicato estudantil Ikasle Abertzeleak empapelam a Universidade com cartazes, faixas, autocolantes ou pinturas e todos os dias há brigadas de limpeza para remover tudo sob um conceito pidesco de higiene política.


Entre os alunos, maioritariamente apoiantes da esquerda abertzale, e a direcção da Universidade há uma tensão palpável, por vezes essa tensão transforma-se em repressão e em minutos, como que por magia, o recinto enche-se de seguranças e ertzaintzas que quais alienígenas, se passeiam de departamento académico em departamento académico; de arma em punho, cara tapada, escudo em riste e capacete vermelho. Outras vezes, passa-se o que se passou a 20 de Maio e a polícia faz mais que se passear: carrega contra os estudantes, abrindo cabeças a bordoadas e levando alunos presos. Porque não se fala desta violência no meu país? Porque será que os mesmos que se comovem com a repressão dos manifestantes birmaneses ou aplaudem os motins tibetanos se calam perante a tortura institucionalizada e legalmente coberta de dissidentes bascos? Como se explica o duplo critério dos que choram tantas lágrimas de crocodilo pelos cerca de 50 presos “políticos” cubanos mas que nunca se atrevem a denunciar a situação dos cerca de 750 presos políticos bascos (o número mais alto desde a morte física de Franco) e a desumana situação a que estão submetidos? Porque será que as lágrimas de um timorense ou um angolano valem mais que as de um basco?


Que não se interprete mal o desejo de independência do povo basco, não se baseia em qualquer birra chauvinista ou qualquer tipo de fanatismo político. Este nacionalismo (palavra de significado tão duvidoso para nós…) não se baseia na negação do outro mas unicamente na defesa da sua própria identidade. Porque não podem ser bascos dentro de Espanha? Porque não podem estar unidos e em paz no reino de Juan Carlos? Pela mesma razão que Angola não queria estar unida a Portugal: angolanos são angolanos e bascos são bascos. As feridas causadas pelo Estado espanhol nunca cicatrizaram neste país dos Pirenéus. Essas marcas de sofrimento, essas efemérides sangrentas convertidas em imagens fixas e pulsantes ainda ferem a memória dos bascos.


Para compreender porque existe luta armada no País Basco, há que falar com os bascos. Antes de qualquer consideração pessoal sobre a violência, parece-me importante distinguir entre agredido e agressor. Quem teria a hipocrisia de afirmar que nega a violência em qualquer situação, mesmo em autodefesa? Por outro lado, creio que nos devemos perguntar se reconhecemos o direito à utilização da violência quando não sobram vias democráticas e pacíficas. Terá um povo amordaçado o direito de se libertar utilizando os únicos meios disponíveis? Que se deve fazer quando os partidos políticos são proibidos, as manifestações reprimidas com barbaridade, os dirigentes políticos cruelmente torturados e os autarcas democraticamente eleitos, encarcerados? Que alternativas restam aos povos quando as suas esperanças não cabem na pequenez das urnas de voto?


Esta é uma questão incómoda que o sistema tornou tabu. Uma resposta comum que o sistema nos tenta inculcar é dizer: “há que buscar alternativas, mas a violência nunca é a solução.”. Mas quais são essas alternativas, estes magos do politicamente correcto guardam para si próprios. Este nininismo, este dizer “nem um nem outro” vazio e esta fuga à realidade para o vácuo político não é mais que um caminho infértil para a perpetuação da realidade social. O seu objectivo é banir qualquer possível discussão sobre a legítima utilização da violência com uma capa burguesa de dogmatismo e etiqueta política. A imagem de uma sociedade intelectualmente plural mantém-se abrindo ao máximo o leque de divergência e liberdade opções dentro das possibilidades reformistas do sistema banindo toda e qualquer discussão sobre mudança estrutural e os seus meios.


Pois bem, desde que estou aqui em Bilbau, vi a polícia carregar e espancar manifestantes pacíficos, vi gente privada do direito de votar na sua opção política, vi um amigo ser preso, vi centenas de familiares exigindo que tratem os seus parentes presos com humanidade. Falei com um antigo preso político, que depois de 20 anos preso, foi de novo encarcerado, para cumprir prisão perpétua sob a legislação da doutrina Parot.


Então não me custa dizer que os chamados terroristas bascos, digo-o bem alto, são tão terroristas como os guerrilheiros do MPLA, ou os resistentes franceses à ocupação nazi. Também esses foram em tempos chamados de terroristas, essa palavra tão cheia de normatividade e tão esvaziada de conteúdo. Os terroristas de uns são os libertadores de outros.


Nestes dias do princípio de Junho, Bilbau está cheia de cartazes, faixas, murais e flores em homenagem a vários militantes da ETA. Hoje à tarde, (6 de Junho) na principal praça desta cidade, realizou-se uma homenagem pública a dois deles, falecidos este ano. Nas janelas floridas, ondulam bandeiras que pedem a repatriação dos presos políticos e na praça cheia de gente e por entre os punhos erguidos como lanças, alguém faz um discurso exaltado em euskera, referindo várias vezes os nomes dos gudaris. E as palmas não cessam. Acompanham todo o discurso e ganham nova intensidade quando se ouve outro nome. E nem o aparato policial nem o frio de Bilbau, nem esta chuvinha irritante (a que os bascos chamam carinhosamente de xirimiri) as faz parar. Que força é essa? São às centenas os jovens bascos que pela sua militância política terminam nas cadeias espanholas. Que força é essa?...


Bem, Jean Paule Sartre dizia que os revolucionários estão condenados a conviver com a ilegalidade. Eu recordo-me de uma canção basca que de uma forma tão simples resume a teoria do filósofo… a letra diz: “se eu lhe tivesse cortado as asas / não teria escapado / ainda seria meu / mas já não seria um pássaro / e eu… eu amava o pássaro.” Porque é que são tantos os jovens, cultos, informados e inteligentes que optam por arriscar perder a juventude na prisão ou mesmo perder a vida pela libertação da sua pátria? Porque não se contentam com uma vida “normal” afastada da política e dos sonhos? Pela mesma razão. Porque são pássaros.


E agora, que estou perto do dia em que regressarei a Portugal, contam-me, entredentes, que P., um amigo daqui, está a arriscar-se a que a Guardia Civil lhe bata à porta uma noite destas. E não posso deixar de me perguntar… que faria eu se prendessem este meu companheiro? Que faríamos nós perante uma situação de injustiça? Que farás tu, quando uma destas noites vierem para te levar?


A violência da ETA é uma resposta a uma outra violência, mais brutal e muito mais antiga. E não há manipulações propagandísticas orquestradas pelos meios de comunicação dominantes que possam negar a História. A saga deste povo, arrastado durante séculos pelas historiografias de outras nações, é o combate entre o heróico esforço dos fracos e oprimidos para se levantarem do chão e a vontade sangrenta dos mais fortes e mais poderosos para se manterem nessa posição. Nesse aspecto, não há assim tantas diferenças entre bascos, portugueses ou qualquer outro povo do mundo.

Bidasoa é o nome de um rio. Em euskera arcaico, e numa tradução deveras livre, pode significar “a caminho para algo”. Nascido nos Pirenéus navarros, cruza a Guipuzcoa e antes de desembocar no Mar Cantábrico, serve de fronteira entre os Estados espanhol e francês.


Embora hoje em dia este rio seja partilhado por três regiões administrativas e dividido por dois Estados diferentes, nem sempre foi assim. Ainda muito antes da existência de qualquer Estado, no ano de 611, Recadero, rei visigodo, ao percorrer as margens do Bidasoa, escreveu: “dos dois lados deste rio vive um povo trabalhador, misterioso, inquieto e turbulento. São diferentes do resto dos hispanos pela sua língua, costumes e religião. São bascos”.


Quarenta anos mais tarde em 650, o Bidasoa via nascer o primeiro reino cristão da Europa, o Ducado da Vascónia. Seria o primeiro de muitos nomes para a Terra dos Bascos, Euskal Herria. Uma interminável necrologia de guerras partiu esta terra em pedaços, despedaçou a sua cultura à força de leis estrangeiras, impôs bandeiras e baniu idiomas e ditou fronteiras. No entanto, nem o fim dos reinos bascos, nem a abolição dos seus foros, nem tampouco a proibição de falar euskera ou as bombas de Hitler puderam suprimir o povo basco. E ao longo de todos os séculos, de todas as humilhações, de todas as guerras perdidas, podemos sempre encontrar o povo basco no mesmo lugar: em Euskal Herria, a terra dos bascos, a oeste na Europa, a norte na Península Ibérica e sempre sob as botas dos invasores.

Hoje em dia, apesar de toda a repressão e vontade de aniquilar a sua identidade, o povo basco continua a sentir-se basco. À realidade cega e imutável dos Estados e do Capital, o povo basco responde construindo, no dia a dia, uma outra realidade: a sua nação. Ao cruzar a pequena ponte sobre o rio Bidasoa, que separa o País Basco espanhol do País Basco francês, um desfile independentista em que participo transforma em fantasia essa fronteira, que por momentos se esfuma numa simples linha, possível de imaginar mas impossível de sentir.


Mas há que percorrer todo o caminho do rio Bidasoa para descobrir para onde vão os bascos. Algures na sua foz, encontramos a Ilha dos Faisões, pequeníssimo ilhéu fluvial, situado precisamente naquilo que deveria ser a fronteira física entre os dois Estados. A quem pertence este pequeno pedaço de terra? Após seis séculos de intermináveis discussões, a minúscula e inabitada ilha dos faisões continua a não ser território de França nem de Espanha pelo que é administrada através de um condomínio tão complexo como ridículo.


Teimosamente, cidadãos de um povo sem Estado, insistem em ir plantar ilegalmente nesta pequena ilha, igualmente sem Estado, a bandeira de um país que não existe. Pelo menos nos mapas oficiais do capitalismo.

Bela alegoria do que é na verdade o Euskal Herria, a geografia da Ilha dos Faisões estende-se muito para além dos seus 2000 metros quadrados.


Há uma Ilha dos Faisões no coração de cada basco, que se nega a ser francês ou espanhol e se afirma, única e somente Basco.

É a tenacidade na luta pela liberdade que mantém o povo basco, sendo basco. É a sua espantosa capacidade auto-organizativa, que permite às organizações da esquerda independentista reerguerem-se do chão após cada ofensiva repressiva, após cada vaga de detenções. É esta admirável convicção dos bascos, que lhes permite opor aos mapas do capitalismo, fronteiras populares, verdadeiras muralhas de resistência e dignidade. É a inigualável criatividade da causa basca que lhes permite opor à geografia global do capitalismo, hegemónica e agressiva; novas geografias de solidariedade e internacionalismo. É a inabalável fé do povo basco na sua vontade de decidir o seu futuro, que lhe permite opor ao calendário global de pessimismo e apatia, um calendário de esperança na humanidade: o socialismo.


Quem não ajudará a cantar as suas canções de liberdade? Quem pode deixar de sentir simpatia com a causa deste povo milenar que luta pelo direito de ser e que não fecha os olhos na escuridão? Deixo em Euskal Herria uma parte do meu coração. Este povo de gente corajosa e generosa é uma lição para todos os que lutam, em todas as partes do mundo. A persistência das suas gentes, que se negam a viver subjugadas é uma lição viva de dignidade e heroísmo. Regresso a Portugal para contar que durante estes meses, nunca vivi ou estudei em Espanha. Isso seria mentir. Eu vivi em Euskal Herria. E no futuro, continuarei a ajudar a construí-la. Afinal, também me ensinaram que Solidariedade, em euskera, diz-se Alkartasuna.

Eu, estudante português na Universidade do País Basco, denuncio o Estado de Excepção que oprime o povo de Euskal Herria.


Acuso o Estado espanhol de crimes contra a humanidade. Acuso este Estado, de sistematicamente atropelar os mais elementares direitos humanos.


Denuncio a hipocrisia e a cumplicidade da sociedade internacional e em particular a ONU e a UE, que tão facilmente falam da falta de liberdade na Turquia ou na Birmânia e que se calam perante o ambiente democraticamente rarefeito que se respira em Euskal Herria.


Denuncio que aqui a tortura é impune e institucionalizada, como já foi reconhecido pela Amnistia Internacional, pela Human Rights Watch, pelo Comité Europeu para a Prevenção da Tortura, pelo Relator da ONU contra a Tortutra e por outras 37 organizações não-governamentais.


Denuncio que aqui se ilegalizam partidos políticos, se encerram jornais e se censuram artistas.


Denuncio que aqui, ao melhor estilo fascista, se reprimem brutalmente manifestações pacíficas e se perseguem cidadãos unicamente pelos seus ideais e convicções.


Denuncio a situação intolerável dos mais de 750 presos políticos bascos, entre os quais se encontram colegas, professores universitários da instituição que me acolhe, dirigentes de associações juvenis e estudantis, sindicalistas, músicos e artistas, etc. muitos deles condenados a prisões perpétuas, em regime de isolamento e cruelmente afastados dos seus locais de origem, nalguns casos a milhares de quilómetros das suas famílias.


Denuncio que só em 2007, registaram-se 490 detenções políticas das quais 209 resultaram em pena de prisão, 123 proibições de actos públicos, 97 cargas policiais, 42 denúncias de tortura, 2155 controlos de estrada por motivos políticos, 148 feridos em manifestações e 1 morto pela dispersão.

Acuso o Estado espanhol, Zapatero e o seu rei, de terrorismo de Estado e crimes contra a humanidade. Acuso este Estado Policial, de sistematicamente atropelar os mais elementares direitos humanos.


Acuso este Estado torturador e carcereiro, de não querer somente aniquilar a esquerda independentista, mas toda uma cultura, uma identidade, um povo e uma nação, no sentido mais lato da palavra.

Chegou a hora de nós, povos e juventudes do mundo, denunciarmos os crimes deste Estado terrorista contra o povo basco. Se os Estados se calam, chegou a hora de falarem os povos.


Contra o muro de silêncio e desinformação, ergueremos uma invencível muralha de solidariedade internacionalista. A mesma muralha de ideias e povos, que um dia não deixou passar impunes os crimes contra o Vietname, Timor-Leste ou mais recentemente o Iraque. Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar.

Pelo direito à autodeterminação

Por uma paz baseada na justiça e na livre decisão dos povos

Pela libertação imediata de todos os presos políticos bascos

Contra a repressão, as ilegalizações e as detenções


Em solidariedade com o povo basco, a esquerda independentista e TODAS as suas organizações*

A.

Estudante de Internacionalismo em Euskal Herria


*um abraço em especial para os camaradas da Askapena pelo acolhimento caloroso, a paciência e a disponibilidade para ensinar e explicar.


Estou certo que da parte dos solidários portugueses, poderão também sempre contar com a mesma firmeza e a mesma ternura, nas acertadas palavras do Che.



[1] Segundo as estatísticas do Governo Basco, mais de 70% dos bascos sentem medo de falar de política abertamente

Txabi Etxebarrieta, 40 anos depois


Viva Txabi Etxebarrieta!

Primeira acção armada foi há 40 anos

Txabi Etxebarrieta havia profetizado dois meses antes, no manifesto da ETA para o Aberri Eguna [dia da pátria]:"Não é um segredo para ninguém que dificilmente saíremos de 1968 sem um morto". A sua premonição cumpriu-se num dia como hoje há 40 anos entre Aduna e Tolosa. Num intervalo de algumas horas, o guarda civil José Pardines era alvejado pela ETA e o próprio Etxebarrieta caia abatido em Benta Haundi, no cruzamento de caminhos que ficaria na história do País Basco.

Na primeira hora da tarde do dia 7 de Junho de 1968, Txabi Etxebarrieta, 23 anos, conduz um carro pela Guipuscoa, região pela qual é responsável da ETA. Normalmente, prefere o autocarro ou o comboio, meios de transporte mais seguros, mas nesse dia preferiu tomar um Seat Coupé, matriculado em Saragoça. Circula entre Aduna e Villabona. Ao seu lado viaja um outro activista mais jovem, Iñaki Sarasketa, de Oiartzun, com 19 anos. Vão para um encontro com Jokin Gorostidi em Beasain, para recolherem uma carga de explosivos. Dois polícias de motorizados da Guardia Civil interceptam-nos. Um de eles, galego, chamado José Pardines Arcay, agacha-se e constata que o número da matrícula não corresponde com o carro. Etxebarrieta e Sarasketa sabem que foram descobertos. Pardines tenta sacar a sua arma mas Etxebarrieta dispara primeiro. O guarda civil cai morto.

Os dois jovens fogem e encontram refúgio em Tolosa, em casa de um amigo. O cerco policial aperta-se com rapidez. Os militantes da ETA debatem o que fazer e parece que é Etxebarrieta quem toma a decisão de tentar escapar. Mas as saídas estão controladas. Apesar de ter tomado outro carro, um 600, no cruzamento de Olarrain, em Benta Haundi, a Guardia Civil espera-os e não tarde em reconhece-los. Sarasketa consegue fugir pelo campo enquanto dispara mas Etxebarrieta é cercado e agredido. Já semi-inconsciente, dois disparos à queima-roupa acabam com a sua vida.

A Guardia Civil empurra o cadáver de Txabi Etxebarrieta contra um muro de granito. São 19.00 de 7 de Junho de 1968. Em poucas horas, a ETA acaba de provocar a sua primeira vitima mortal e perde o seu primeiro activista às mãos da Guardia Civil. Abre-se uma nova fase no País Basco, sem que nada pudesse prever então que 40 anos depois continuaria aberta.

Sobre a morte de Etxebarrieta impõem-se o silêncio até que Sarasketa é detido em Errezil. De imediato se difunde oficialmente que "figurava nos arquivos policiais como membro do Comité Executivo da organização terrorista ETA", a mesma etiqueta que usam hoje.

Em Benta Haundi, a ETA deixou de ser uma organização que actuava através de murais e pichagens, colocando bandeiras bascas nos cabos de alta tensão ou sabotando símbolos franquistas. Os funerais transformaram-se numa explosão de protestos: depois da missa na igreja de Santo António (Bilbau) houve uma batalha campal e trinta detidos, em Guipuscoa contaram-se onze, em Legutio explodiu um engenho, em Bilbau apareceu uma bandeira com o seu retrato...Sarasketa foi condenado à morte em Conselho de Guerra. Em Agosto, a ETA acabava com a vida do conhecido torturador Melitón Manzanas. O confronto armado acelerava sem parar.

em Gara.net

sexta-feira, 6 de junho de 2008

"Vento de Liberdade"

"Amanhã, quando eu estiver morto, não me venham chorar. Nunca estarei debaixo da terra, sou vento de liberdade."

Txiki

Hernani acorda repleta de frases em memória de “Pana”


De acordo com a Askatasuna, as paredes deste município guipuscoano apareceram esta manhã repletas de frases pintadas em memória de José Manuel Ariztimuño, ‘Pana’, depois de ontem a Ertzaintza ter retirado a placa e o monólito que o Município de Hernani dedicou ao militante independentista há 26 anos. Nelas, podem-se ler frases como “Pana, beti gogoan” [Pana, nunca te esqueceremos].

E, sendo que nestes propósitos o mafarrico as tece bem depressa (mas nunca tão depressa que não se espere), até agora a rifa parece ter mesmo calhado a Hernani e à sua autarca, Marian Beitialarrangoitia (EAE-ANV), já que um outro juiz da Audiência Nacional espanhola, Fernando Andreu, depois do que Santiago Pedraz havia decidido na véspera em relação ao primeiro edil de Leioa, deu hoje como improcedente a queixa interposta pela associação de extrema-direita Dignidad y Justicia contra o autarca de Etxebarri, Pedro Lobato, por manter o nome da praça Txiki eta Otaegi, entendendo o magistrado que existem outros recursos legais antes de se chegar à via penal. Recorde-se que Txiki e Otaegi foram fuzilados durante o regime franquista, a 27 de Setembro de 1975, juntamente com três militantes da FRAP [Frente Revolucionária Antifascista e Patriótica].
Fonte: Gara e Gara

Ertzaintza retira placa e monólito de ‘Pana’ em Hernani

Fonte: Gara

Agentes da polícia autonómica retiraram na última madrugada a placa e o monólito em memória de José Manuel Ariztimuño ‘Pana’ (1), em Hernani, dando assim cumprimento às ordens do juiz da Audiência Nacional espanhola Fernando Grande-Marlaska. A medida foi adoptada depois de a autarca de Hernani, Marian Beitialarrangoitia, ter comparecido perante o juiz como imputada, na segunda-feira, num processo de “enaltecimento do terrorismo e humilhação das vítimas” aberto pela associação de extrema-direita Dignidad y Justicia.

Desde Lakua
O conselheiro da Justiça de Lakua, Joseba Azkarraga, indicou que a retirada da placa e do monólito se realizou em função do mandato judicial que “estamos obrigados a cumprir”. Por seu lado, a porta-voz de Lakua, Miren Azkarate, reiterou que o “Plano de Paz e Convivência” do Governo de Lakua contempla a retirada de nomes e símbolos “que causam dano às vítimas ou aos seus familiares e acentuam ainda mais a sua dor, como também contempla que ‘nem destes nem dos outros’, porque ainda existem vários dos tempos do franquismo em mais do que um sítio”.

Denúncia da Askatasuna
A Askatasuna denunciou que “se pretendeu apagar a lembrança deste cidadão morto pela repressão”, e censurou o facto de “se estarem a retirar placas e monólitos em homenagem aos cidadãos bascos mortos pela repressão, enquanto o PNV e Ibarretxe, sem vergonha alguma, prestam homenagem a guardas civis que mataram cidadãos bascos e não trouxeram mais que imposição, tortura e dor a este povo”. O organismo anti-repressivo advertiu que “se equivocam se pensam que, por tirarem placas e monólitos e mudarem o nome de praças, vão apagar a memória dos cidadãos bascos”.

Critérios divergentes
Enquanto isto, um outro juiz do mesmo tribunal de excepção espanhol, Santiago Pedraz, arquivou a causa aberta pela associação de extrema-direita Dignidad y Justicia contra o autarca de Leioa, Eneko Arruabarrena (PNV), por manter a denominação das ruas Eustakio Mendizabal, ‘Txikia’, e Txabi e Joseba Etxebarrieta. No auto que tornou ontem público, Pedraz afirma que a inclusão dos supracitados num grupo terrorista carece de fundamentação jurídica e, mais ainda, considera que “dar o nome a uma avenida, rua, praça ou a um largo... é uma decisão puramente administrativa e da competência do respectivo Município”. “Se um cidadão não está de acordo com tal decisão, o que deve fazer é seguir o procedimento administrativo correspondente”.

(1) Joxe Manuel Ariztimuño Mendizabal ‘Pana’: militante basco, membro da ETA, assassinado numa emboscada em que participaram dezenas de polícias, em Gasteiz, a 29 de Março de 1981.

Fonte: Gara e Gara

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Os GAL vestem a toga

Juan Mari ZULAIKA

Ninguém duvida que os GAL (Grupos Antiterroristas de Libertação) sejam um exemplo paradigmático do terrorismo de estado. No pós-franquismo pulularam grupos armados, sempre apoiados no contexto das Forças de Segurança. Gostavam de se auto-etiquetar como antiterrorismo. À cabeça, os GAL, organização criada pelas altas instâncias do Governo de Felipe González e sufragada generosamente pelos Fundos de Reserva do Estado. Num período de quatro anos executou 27 assassinatos, além do rapto amador de Marey (1). Mas os responsáveis não eram os polícias Amedo e Domínguez, nem os seus comandos intermédios, todos eles mercenários bem pagos; executavam ordens de autoridades políticas que iam desde Damborenea, secretário do PSE, e Sancristóbal, Governador Civil na Bizkaia, até ao ministro do Interior, José Barrionuevo, e ao secretário de Estado, Rafael Vera. À frente de todos eles, o senhor X, que todos os indícios dizem ser o presidente do Governo socialista, Felipe González.
Ainda que a investigação tenha sido interrompida, os cargos mencionados, entre outros, foram condenados por sequestro e usurpação de fundos reservados. Paradoxalmente, a acção judicial foi dirigida por Baltasar Garzón, que assim se vingou dos socialistas por não o terem nomeado ministro. Nem dois anos passados e Aznar libertou-os da cadeia. Não apelou desta vez “aos autores intelectuais da trama” nem lhes aplicou a muleta “condenem vocês os GAL”. Também ele estava a ver bem a coisa. Para alcançar o seu objectivo do “vá-se embora”, bastava-lhe o saque generalizado às arcas de altos cargos socialistas.
Nem nos seus vinte anos de existência foi a transição democrática capaz de apurar a fundo as responsabilidades pelo terrorismo de estado impulsionado pelos socialistas com a inestimável ajuda de membros das Forças de Segurança, herança do franquismo. Epílogo natural deste, os GAL foram mais um episódio da guerra suja, só que em plena transição democrática. Lamentavelmente, também ficou mal acabado. E o Estado, que é três poderes em um, como a Santíssima Trindade, pode apoiar-se nos poderes legislativo e judicial, os quais, por mais independentes que se proclamem na teoria, se deixam manipular no seu próprio interesse. É sensato disfarçar o terrorismo de Estado do estado de Direito, sempre que os dois partidos maioritários, o PP e o PSOE, se ponham de acordo em relação a isso.
E como se puseram! Aconteceu no Acordo pelas Liberdades e contra o Terrorismo selado entre ambos no ano 2000. A ideia foi vendida pelo próprio Zapatero a Aznar a partir da oposição. Reagiram dessa forma ao medo que lhes entrou no corpo por causa do Pacto de Lizarra-Garazi (2). Incorreram justamente no que condenavam àquele. O Acordo é o paradigma do bipartidarismo, um pacto de ferro entre dois, exclusivo e grosseiramente antinacionalista. Acusa o PNV e o EA [Eusko Alkartasuna] de conivências, e exige-lhes “a ruptura formal com o Pacto de Estella” para serem democráticos.
Na base da negociação do PSOE com a ETA, fala-se da ruptura do acordo. Eu não sou dessa opinião. Está vigente enquanto continuar de pé a sequela de leis a que deu origem. Por esta via elevar-se-iam à categoria de Direito actuações passadas como a do encarceramento da Mesa Nacional do HB (1997) e do encerramento do jornal popular Egin (1998).
A primeira, e mãe de todas, foi a Lei de Partidos aprovada em 2002. Tomando como ambígua a anterior Lei de 1978, a nova expande a ambiguidade ad infinitum, na direcção desejada de facilitar a ilegalização ou suspensão dos partidos que se tornem mais incómodos. Os anos seguintes, e até hoje, serão testemunhas da sua nefasta aplicação, que afundará a esquálida democracia de Espanha até aos mínimos mais baixos de toda a transição. Poucos meses depois, em Março de 2003, o Supremo Tribunal ilegaliza o EH-Batasuna, acusando-o de “apoio ao grupo terrorista ETA”. Nas eleições municipais e forais de 2007, anulam 133 candidaturas sob a sigla da ANV com a cantilena “colaboração com o Batasuna”, ou seja, com a ETA, de acordo com a sua regra de três. Numas localidades são autorizadas e noutras são proibidas, não se sabe se de forma aleatória ou interessada, à falta de razões jurídicas objectivas. Prima a arbitrariedade ao serviço dos interesses políticos. Depois do assassinato de Isaías Carrasco, as famosas moções éticas e de censura, impulsionadas pelo PSOE e pelo PNV num acesso de zelo, tentarão golpear os municípios governados pela ANV, sem o conseguir. O embate definitivo está à vista. O omnipresente Baltasar Garzón suspende as actividades do EHAK [Partido Comunista das Terras Bascas] e da ANV, e o Ministério Público tramita a sua ilegalização. Como lição aos partidos, o juiz Garzón manda para a prisão a autarca rebelde de Arrasate por incumprimento da suspensão por ele ditada.
Após o fracasso da negociação, a máquina judicial põe Otegi na prisão, e em seguida toda a cúpula do Batasuna. Curiosamente, a magistratura esperou que se levantasse a mesa de Loiola para os prender a todos. Motivos? Terão que ser procurados na Lei de Partidos, não nos manuais de Direito. Encarceraram também os líderes das organizações juvenis Segi, Haika, Jarrai...
A teoria do “ambiente e o ambiente do ambiente = ETA”, que não é exclusiva de Mayor Oreja, mas que assoma nos pressupostos da Lei de Partidos, para além de impor via prisão o apartheid político à cúpula abertzale, expande a repressão a círculos mais amplos. Encerra um grande número de herriko tabernas e empresas. Encerra o jornal em euskara Egunkaria e processa a sua direcção, depois torturar e encarcerar os seus membros. Acusa aquelas de arrecadar fundos para a ETA e o jornal de os receber. A Audiência Nacional inaugura o macro-processo 18/98, que, rompendo moldes da prática judicial universal, processa em tropel 52 membros pertencentes a distintos grupos, sequestrando-os durante mais de um ano na Casa de Campo de Madrid. A 46 deles é aplicada uma condenação de 527 anos. Sem perder o andamento, em vista da eficácia do meio, recentemente abre outro macro-julgamento, o 33/01, contra 27 membros de Gestoras de Amnistia-Askatasuna, acusados de pertença a organização armada. Conhecendo como conhecem a farsa, os acusados renunciam à defesa.
A direcção dos GAL indicou o sequestro como o método preferencial para a guerra suja. Pois bem, assistimos depois a uma interminável cadeia de sequestros, muito de luva branca, realizados em nome do estado de Direito e da democracia, como se aquele fosse sinónimo desta: sequestro de jornais, de empresas, herriko tabernas, sequestro de partidos políticos, de organizações juvenis e culturais, sequestro massivo de cidadãos com elevadas penas, sequestro dos detidos sem garantias contra a tortura, dispersão dos presos como forma de sequestro, o mesmo que a chamada Lei Parot, que sequestra presos com a pena já cumprida. Assim, a repressão substitui a política. Assim, tiram gente da política e aumentam as bases juvenis da organização armada. Pela normalização?

(1) Segundo Marey: industrial basco, confundido com um dirigente da ETA, foi raptado por mercenários a soldo dos GAL a 4 de Dezembro de 1983, em Hendaia. Viria a ser libertado a 13 desse mês.

(2) O Pacto de Lizarra-Garazi foi assinado a 12 de Setembro de 1998 por partidos políticos (PNV, Eusko Alkartasuna, Ezker Batua, Herri Batasuna, entre outros) e diversos sindicatos e movimentos sociais bascos, com vista a uma acumulação de forças para a construção nacional e, no caso de não restar outra alternativa, a uma confrontação democrática com os Estados, que deveriam respeitar a palavra dos cidadãos de Euskal Herria. Também se postulava que a solução dos conflitos passava por um processo de diálogo e de negociação aberto, sem exclusão de qualquer agente. A assinatura deste Pacto foi em grande medida facilitada pelas conversações prévias mantidas secretamente e pelo acordo alcançado, também nesse ano, entre o PNV, o Eusko Alkartasuna e a ETA, em que as partes assumiam que o conflito basco era de natureza política e derivava da negação da soberania basca por parte dos Estados espanhol e francês, e se comprometiam a encetar um processo pelo alcance da soberania sem recorrer a expressões de violência armada – o que propiciou uma trégua indefinida e unilateral da ETA. [Mais informação, em inglês:
Lizarra-Garazi]

Fonte: Gara

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O debate na Faculdade de Letras






Foi num clima de grande interesse e espírito de solidariedade que mais de duas dezenas de pessoas, a maior parte estudantes, assistiram ao debate sobre o conflito no País Basco promovido pela ASEH e pela AE da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Foram abordados o contexto histórico, a luta armada, a repressão sobre organizações e cidadãos bascos e debatida a actividade solidária. Foram também projectados alguns vídeos e recolhido um vasto conjunto de assinaturas em defesa da solução política do conflito.

Para além disto a Associação de Estudantes prontificou-se a dispor na sua secretaria cópias do abaixo-assinado para serem subscritas pelos estudantes da faculdade.

terça-feira, 3 de junho de 2008

É já na próxima quarta feira


Realiza-se, no próximo dia 4 de Junho, quarta-feira, pelas 15 horas, no Bar Novo (Junto à Associação de Estudantes) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Cidade Universitária – Campo Grande), um debate sobre O CONFLITO BASCO promovido pela ASEH e pela Associação de Estudantes da referida faculdade.

Barcina veta duas praças de Iruñea à iniciativa «Nazio Plaza»

O Município de Iruñea [Pamplona], liderado por Yolanda Barcina, da UPN, vetou a utilização de duas praças ao Nazio Eztabaida Gunea [Foro de Debate Nacional] com vista à realização da iniciativa «Nazio Plaza», no próximo dia 7. Este organismo projectou para a capital navarra vários comícios e actividades com o objectivo de reivindicar a identidade nacional e a territorialidade de Euskal Herria, e unir esforços para a mudança política, mas deparou com a negativa recorrente do Município para conseguir realizar todas as actividades anunciadas.
No âmbito da programação, o Foro de Debate Nacional tinha a intenção de desenvolver a iniciativa «Praça da Cidadania» no Sarasate pasealekua e na Gaztelu plaza, em que se incluiriam actuações para crianças, euskal dantzak, bertsolaris de todos os territórios, uma homenagem à ikurriña e um comício político destinado a reivindicar o reconhecimento de Euskal Herria como uma nação e o direito a decidir o seu futuro. Para tal, solicitaram às autoridades municipais a utilização de ambas as praças, mas o Município de Iruñea recusou a autorização, alegando que já existem outras actividades programadas para esse dia.
O Foro de Debate Nacional veio denunciar esta actuação, referindo que a resposta da Câmara chegou com bastante atraso, uma vez que faltam poucos dias para celebrar a «Nazio Plaza», e lembrando também que em ambas as praças “há espaço de sobra” para poder realizar o programa anunciado. Segundo indicaram, o Município apostou claramente no impedimento da realização da iniciativa, tendo em vista que puseram de parte a possibilidade de encontrar uma alternativa. “Negaram-nos toda e qualquer possibilidade de realizar a «Praça da Cidadania»”, denunciaram.

Razões políticas

O Nazio Eztabaida Gunea [Foro de Debate Nacional] quis denunciar “energicamente” a deliberação municipal e argumentou que por detrás dela “há claras razões políticas”. “Estamos perante uma nova decisão que visa silenciar a reivindicação da nacionalidade basca e, ao fim e ao cabo, a reivindicação dos direitos nacionais de Euskal Herria”, criticaram. Na sua perspectiva, esta decisão “evidencia uma vez mais a obsessão em fazer desaparecer as nossas marcas de identidade da capital de Euskal Herria e de Navarra”. E recordaram que essa atitude não constitui uma novidade: “já nos familiarizámos com diferentes obstáculos para organizar festas e actividades relacionadas com o euskara ou a cultura basca”. Em todo o caso, não deixaram de realçar este modo de actuação particular, por “ser evidente a centralidade que a territorialidade adquire no actual momento político”.

Vão examinar outras as possibilidades

O Foro de Debate Nacional assinalou que irá examinar outras possibilidades para levar a cabo o programa matinal da «Praça da Cidadania» e que tornarão pública a decisão definitiva durante esta semana. Deixou também claro que o resto das iniciativas organizadas para a «Nazio Plaza» continua de pé, ou seja: os foros de debate – Universidade Basca e Zazpiak Bat Auzolanean –, o almoço e a manifestação nacional, que decorrerá sob o lema «Nazioa gara, zazpiak bat, burujabetzaren alde!» [Somos uma nação. Os sete, uma. Pela soberania!]. Como tal, apelaram aos cidadãos que participem nestas iniciativas, de modo a responder aos “que pretendem silenciar a reivindicação da mudança política de que Euskal Herria necessita”.

Para saber mais sobre a iniciativa: Nazio_Plaza

Fonte: Gara

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Grande-Marlaska ordena eliminação da lembrança de ‘Pana’ em Hernani

A autarca de Hernani, Marian Beitialarrangoitia, compareceu hoje na qualidade de imputada perante o titular do Tribunal Central de Instrução número 3, em virtude da querela levantada contra a existência de um parque na localidade dedicado ao militante basco José Manuel Ariztimuño, 'Pana', morto pela polícia em 1981, e de uma praça chamada Gudarien Enparantza [Praça dos Combatentes]. A emissora Infozazpi Irratia difundiu que Beitialarrangoitia saiu em liberdade e sem encargos.
Segundo fontes jurídicas citadas pela agência Europa Press, a autarca afirmou que a Gudarien Enparantza alude aos 200 habitantes do município que morreram durante a Guerra de 1936. As mesmas fontes informaram que a primeira edil se negou a responder a mais questões, ainda que tenha assegurado que, desde que em 1982 o pleno municipal aprovou a atribuição do nome de Ariztimuño ao parque, nenhum grupo municipal denunciou essa situação ou pediu a revogação dessa deliberação.

Retirar qualquer referência e símbolo

Grande-Marlaska tornou público um auto em que ordena a Beitialarrangoitia que retire o nome de Ariztimuño ao parque, e que o elimine como referência do arruamento municipal. Para além disso, ordenou à Ertzaintza que retire todos os “sinais públicos” referentes a ‘Pana’; concretamente, o monólito que foi erigido no parque e a placa em que figura o seu nome. Advertiu ainda a autarca de que o não cumprimento do estipulado “poderá ser entendido como um indício racional de criminalidade”.
Em relação a Gudarien Enparantza, pode ficar como está, uma vez que o juiz rejeitou a eliminação dessa denominação, frustrando assim as pretensões dos queixosos – em que se incluía o Foro de Ermua –, que visavam também a anulação da distinção de ‘filho predilecto da terra’ concedida a ‘Pana’ pelo Município de Hernani há 26 anos.

Fonte: Gara

domingo, 1 de junho de 2008

Internautas contra a demência: independentzia!

Dementia. E, em consequência, o espanto e o assombro vivem em constante renovação. Não há descanso. Sempre com Euskal Herria na mira, deu-lhes agora para atacar a liberdade de expressão de certa categoria particular de internautas, e chegam-nos ecos e mais ecos de espanto e... dementia. Fermin Muguruza está aqui para responder à altura, com «Euskal Herria Jamaika Clash».

Atentado contra uma empresa construtora em Zarautz

Esta madrugada explodiu uma bomba junto de uma empresa construtora em Zarautz. Um anónimo ligou uma hora antes para uma instituição de apoio ao tráfego rodoviário a avisar do local e do momento da detonação. Também informou que falava em nome da ETA. Entre alguns polícias, houve feridos leves.

O objectivo da acção foi a empresa construtora Amenabar, com sede em Zarautz e concessionária das obras do TGV basco. Duas das escavadoras desta empresa já haviam sido atacadas em Hernani no mês passado. A ETA corresponde assim à forte mobilização social contra a construção do comboio de alta velocidade. Ontem uma forte manifestação levou milhares de pessoas às ruas de Donostia contra o traçado previsto para o transporte.

Alguns jornais destacam que, apenas uma semana depois da prisão do que se dizia serem os principais dirigentes da ETA, a organização armada emitiu um comunicado e conseguiu realizar uma acção armada.

Comunicado da ETA


ETA: «PSOE e PNV não oferecem mais que um futuro obscuro cheio de limites»

Num comunicado no qual assume quatro atentados, entre eles o que destruiu o quartel de Legutio e acabou com a vida do guarda civil Juan Manuel Piñuel, Euskadi Ta Askataduna [Pátria Basca e Liberdade] fixa como objectivo primordial a construção do Estado basco. "Com essa referência, devemos dar passos dia a dia", assinala, citando expressamente os objectivos dirigidos à construção nacional e à "luta contra a opressão e em prol dos direitos".

"A ETA surgiu para fazer frente à opressão e ainda hoje seguimos com esse compromisso tentando abrir a porta à independência e ao socialismo. A nossa meta é a criação do Estado basco porque possibilitará o desenvolvimento completo do País Basco e dos seus cidadãos. São muitas as pessoas e os agentes que trabalham nessa direcção, cada um com a sua capacidade e perspectiva. Todos são necessários. No que diz respeito à ETA, continuaremos a fazer o nosso contributo".

Esse caminho passa, no seu entendimento, por "desenvolver os alicerces do nosso povo e acelerar a luta contra a opressão e a favor dos direitos", pelo que faz um apelo ao conjunto da cidadania para se implicar nesse trabalho "que nos colocou mais perto da oportunidade de alcançar a liberdade".

A operação de Bordéus

A ETA, que no texto assume quatro atentados - os dois registados no 1º de Maio em Donostia e em Arrigorriaga contra a sede da Osalan e contra o pavilhão do Ministério espanhol do Trabalho, respectivamente; o que, no dia 14, destruiu a casa-quartel de Legutio e acabou com a vida do guardia civil Juan Manuel Piñuel; e a acção contra o Club Marítimo de Getxo a 19 de Maio -, assegura que não lhe surpreende que "uma das prioridades" dos Estados espanhol e francês seja "a caça a militantes e dirigentes da ETA. Foi o que demonstraram com a operação de Bordéus".

Apesar de considerar que esse tipo de operações constituem "parte importante da estratégia repressiva", alerta de que "não é a única. Essa estratégia golpeia todos os que advogam por uma transformação política real e a todos os que lutam, com a intenção de afogar o movimento de libertação. Para isso, a 'democracia' podre tirou a máscara.

Dirige-se aos governos de Madrid e de Paris para adverti-los que "se equivocam" com essa política. "Se não se dá uma resposta adequada às raízes do problema, o conflito persistirá e estarão a obrigar a seguir lutando como até agora".

A solução, a seu entender, não chegará nem com a repressão nem com "as fraudes que, vestidas de reforma autonómica, poderiam chegar no futuro".

"Futuro obscuro de limites"

A ETA, que denunciou que o PSOE e o PNV pretendem impor ao País Basco "uma fraude como a de há 30 anos", insurge-se com dureza contra o procedimento desses dois partidos nos últimos tempos: "O jogo que mantêm é vergonhoso. Agora batem-se pelas eleições, numa disputa ridicula para ver quem consegue sentar-se em Ajuria Enea" [edifício da presidência do governo regional basco]. E com esse fim, prossegue, "alguns, apodrecidos pelo partidarismo, deformam o direito a decidir".

A ETA indica que "só um marco democrático que dê uma resposta adequada aos princípios da autodeterminação e a territorialidade nos porá no caminho de resolver o conflito". Assim, conclui que é necessário, para todos, um marco democrático que garanta os direitos; torne realizáveis todas as opções políticas e, portanto, possibilite a independência; inclua um poder político real e as necessárias competências para oferecer um desenvolvimento maior da construção nacional; e, por meio de uma autonomia, que compreenda o reconhecimento nacional, possibilite a institucionalização do País Basco norte [ocupado pelo Estado francês] e a unidade territorial do País Basco sul [País Basco ocupado pelo Estado espanhol incluindo Navarra sul]

Texto completo em Gara.net