sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Basagoiti, líder do PP na CAB, deseja que os presos levem as suas greves de fome «até ao fim»


O presidente do PP em Araba, Bizkaia e Gipuzkoa, Antonio Basagoiti, em declarações à Europa Press, afirmou desejar que todos os presos políticos bascos iniciem uma greve de fome e a levem «até ao fim, com Otegi em primeiro lugar». Afirmou ainda que a ETA pretende iniciar uma nova negociação com o Governo espanhol e que por isso «põe» o político de Elgoibar «com cara de bom».

O presidente do PP na CAB, Antonio Basagoiti, afirmou ontem que o país teria «um problema a menos» se os presos políticos bascos iniciassem uma greve de fome, «com Otegi em primeiro», e a levassem «até ao fim».

Em declarações à Europa Press, Basagoiti afirmou que se pode conseguir o fim da ETA, mas que para tal é necessário que a organização armada «não esteja nas próximas eleições municipais», e pediu que «ninguém lhe dê uma mão, por muito desesperados que estejam, como os senhores do EA».

Em seu entender, a ETA quer forçar o Governo espanhol a uma nova negociação e, por isso, «põe» Otegi «com cara de bom, com intenção de negociar».

Basagoiti destacou que «não há presos bons e maus. Quem nos dera que se pusessem todos em greve de fome e teríamos um problema a menos em Euskadi».

Considerou também que «não há a esperar nada dos movimentos» da esquerda abertzale e dos presos políticos, porque «se repetiram sempre na história, disse-se que esta gente ia mudar, e chegou a hora da verdade, e não mudaram absolutamente nada».

Assim, Basagoiti defendeu a via policial e o pacto entre PSOE e PP para «manter a ETA encurralada». «O caminho que temos de empreender, faça a ETA o que fizer, é continuar a carregar no acelerador, continuarmos unidos, o PP e o PSOE, e continuar a aprovar questões como a Lei de Partidos», insistiu.
Notícia completa: Gara

Ver também:
«Antonio Basagoiti, nazi de cabelo grande: "Haveria um a problema a menos se os presos levassem a greve até ao fim"»
http://www.kaosenlared.net/noticia/antonio-basagoiti-nazi-pelo-largo-habria-problema-menos-si-presos-lleg

«O fascista do PP Basagoiti deseja a morte a@s pres@s basc@s»
http://www.lahaine.org/index.php?p=42525

Kronika Nafarroa: 2010ko Urtarrila / Janeiro de 2010

Neste número faz-se uma análise das consultas catalãs, bem como uma abordagem à actualidade repressiva, com especial incidência na situação que se vive nas prisões.



De salientar que esta edição da Kronika Nafarroa integra conteúdos multimédia, que podem ser consultados através da Internet. Nalgumas notícias aparece um símbolo que indica que há uma ligação para algum suporte vídeo ou áudio existente na Internet. Para os consultar, é necessário descarregar o ficheiro em pdf e estar ligado à Internet.

http://euskalherria.indymedia.org/media/2010/01//65860.pdf

Fonte: apurtu.org

O Tribunal de Bordéus vai pronunciar-se no dia 19 sobre o mandado europeu contra Agudo


O Tribunal de Apelação de Bordéus voltou a examinar ontem o mandado europeu emitido contra o advogado Joseba Agudo, por ordem do Supremo francês, que decretou a repetição da audiência depois de aceitar o recurso interposto pela defesa do natural de Orereta (Gipuzkoa) contra a decisão do Tribunal de Pau, em Novembro.

No decorrer da audiência, Agudo defendeu o seu trabalho de advogado e enquadrou nesse contexto os seus contactos com os exilados bascos. Afirmou que esse trabalho foi partilhado com agentes de diversas organizações e instituições e recordou que participou num encontro que decorreu no Senado francês.

A sua advogada, Maritxu Paulus-Basurco, alegou que o Estado espanhol não tem competência para emitir uma euro-ordem por factos cometidos no Estado francês.

Por seu lado, o magistrado defendeu a aplicação desse mandado europeu, posicionando-se ainda contra o pedido de liberdade apresentado pela advogada de Agudo.

O juiz concordou com o magistrado nesse ponto e, depois de a audiência terminar, o oreretarra foi conduzido à prisão de Bordéus, onde permanecerá até que o tribunal se pronuncie sobre o mandado europeu, no próximo dia 19 de Janeiro.
Fonte: Gara

O cubo de açúcar, um novo «terrorista» em período de seca informativa


O período estival costuma coincidir com a «silly season» da informação, quando é frequente lançar notícias sem fundamento que servem para fazer frente à seca informativa decorrente da paralisação de quase toda a actividade política e social. Isso também se verificou nos últimos dias, em que alguns se dedicaram a explorar informações policiais sobre a Segi.

«A Segi recorreu à venda de cubos de açúcar, vales ou isqueiros para se autofinanciar e sufragar a esquerda abertzale», afirmava na quarta-feira uma agência noticiosa espanhola, que rematava essa grande descoberta com os «métodos originais de autofinanciamento» a que a organização juvenil recorreu, referindo-se ao Gazte Topagunea que decorreu em Lezo (Gipuzkoa) em 2008 e que reuniu milhares de jovens de Euskal Herria.

De acordo com «os peritos na luta antiterrorista» a que a agência noticiosa aludia, as Forças de Segurança do Estado estariam surpreendidas porque «os membros da Segi montaram um complexo esquema de merchandising», que consistiria na venda de T-shirts, CD, isqueiros e... cubos de açúcar! O que seria estranho - e digno de notícia - era se os jovens independentistas que organizaram o Gazte Topagunea - um dos maiores festivais que ocorrem no país, de dois em dois anos - não procurassem formas de autofinancimento, mas as FSE destacam a venda de «vales» como uma outra forma de financiar a esquerda abertzale.

Planos do TGV para a kale borroka
Vales que afirmam ter sido encontrados durante as buscas efectuadas a uma sociedade de Iurreta (Bizkaia), que incluíam fotografias de presos bascos, com a legenda «Amnistía y Libertad».
Mas fazendo referência a essa busca, a mesma agência noticiosa já tinha avançado no domingo que a «Segi dispunha de planos do TGV que a Guarda Civil suspeita terem sido facultados por municípios da ANV». Afirmam que encontraram o traçado à sua passagem por Elorrio, Atxondo e Abadiño e que «poderia servir para a programação de acções de kale borroka». De uma só cajadada, criminalizam a Segi, a luta contra o macro-projecto e municípios governados pela esquerda abertzale. Acrescentam que, se a Segi contava com esses planos, é porque defende «a dinâmica prioritária posta em marcha pelo grupo terrorista ETA». A única coisa que faltou acrescentar na notícia é que o traçado do TGV é do conhecimento público.
Fonte: Gara

Vão-nos redimir

Aqui, aquele que não se conforma é porque não quer. Nada lhes sai bem, mas lambem as feridas olhando para a nossa casa e para os estragos que nela causam.
Ontem Santiago Martín, em La Razón, reconhecia que 2009 foi «un año horrible» e que o novo 2010 «se estrena con un aumento del paro», mas há uma notícia boa: «el cambio en la dirección de la diócesis de San Sebastián. Desde el sábado, si Dios quiere, monseñor Munilla comenzará a ejercer como obispo de esa diócesis». Então, aleluia!

E Santiago Martín está tão contente porque agora «quedarán atrás las protestas de los párrocos y el silencio de su predecesor a la hora de salir en su defensa. Lo que cuenta es que, por primera vez en décadas, en el corazón del País Vasco hay un obispo católico, en el sentido pleno y literal de la palabra: universal, no nacionalista, totalmente unido al Papa, que no va a prologar ni auspiciar libros con contenidos heréticos, defensor de la vida, sin componendas ni ambigüedades con los terroristas, y profundamente religioso, que va a hablar de Dios y no va a centrar su actividad pastoral en cuestiones políticas de uno u otro signo. Si la llegada de López a Ajuria Enea fue el principio del cambio, aún es más importante el nombramiento de Munilla para San Sebastián». Quando diz «universal», Martín está a olhar para o Alcácer de Toledo. Para alguns, é aí que ficam os confins do universo.

Mas no fim descai-se, deixa a sua alegria à mostra: «Porque, por desgracia, desde las guerras carlistas y, sobre todo, desde Sabino Arana, la Iglesia católica ha sido el alma del nacionalismo vasco. Un nacionalismo que ha derivado en el terrorismo, por un lado, y en el apoyo parlamentario al aborto, por otro». Como era aquilo do cu e das calças?

Não percam a apoteose: «Sus dos vertientes, ETA y PNV, han demostrado que su ideología sólo conduce a la muerte y, por lo tanto, ningún católico que quiera seguir siéndolo puede apoyar a uno o a otro. Esto lo veíamos desde fuera. Ahora, con monseñor Munilla, las cosas pueden cambiar y cada vez van a ser más los de dentro que se den cuenta de ello. Recemos». Ou seja, López e Munilla, a dupla redentora. Vamos estar nas nossas sete quintas!

Maite SOROA
Fonte: Gara

Vem aí mais uma edição do Hatortxurock: rock e solidariedade


É já no sábado, 9 de Janeiro, em Atarrabia (Nafarroa). Há viagens organizadas com partida de Gasteiz e paragens em Agurain e Altsasu. Para mais informação, ver
http://hatortxurock.org/hamaika/


GOVERNORS "kristal kolpatuak" hatortxu rock from paneo360 on Vimeo.

Vem! Zatoz!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

No Chile, ordem de prisão para o escritor bermeotarra Asel Luzarraga


O escritor e músico basco Asel Luzarraga foi encarcerado na cidade chilena de Temuco, acusado de participar num atentado falhado contra a Secretaria da Justiça de Temuco. O seu advogado vai recorrer desta decisão.

Um tribunal da cidade chilena de Temuco decidiu hoje prorrogar a prisão preventiva decretada no passado dia 1 de Janeiro contra o escritor e músico Asel Luzarraga, natural de Bermeo (Bizkaia), acusado de ter participado num atentado falhado com explosivos contra a Secretaria da Justiça da região de Araucânia.
De acordo com a agência EFE, o tribunal argumenta que Luzarraga é «um perigo para a sociedade» e, como tal, decreta que continue preso enquanto prosseguirem as investigações.

O escritor basco foi detido no dia 31 de Dezembro pela Polícia chilena perto de Temuco (Wallmapu, território mapuche sob administração chilena), na sequência de um atentado falhado contra a Secretaria da Justiça. A Polícia disse ter encontrado material para fabricar explosivos na casa de Luzarraga.

Na audiência que hoje decorreu, o magistrado Sergio Moya acusou Luzarraga de posse de material explosivo e pediu o seu encarceramento, solicitação que foi aceite pela juíza, Alejandra García.
A magistrada concedeu um prazo de três meses à Procuradoria para que conclua as investigações sobre o caso. Desta forma, o bermeotarra permanecerá prisioneiro na prisão de Temuco. A sua defesa já fez saber que vai recorrer junto da Corte de Apelação de Temuco.

Vozes de apoio
Desde que a sua detenção foi conhecida, múltiplas vozes se fizeram ouvir para exigir a liberdade de Luzarraga, que negou sempre qualquer relação com os factos de que o acusam. Pessoas próximas criaram um blog – http://aselaskatu.org/ – para exigir a sua libertação e para recolher assinaturas de apoio.

Entre os diversos colectivos que pediram a libertação do bermeotarra - cuja família confirmou que está a ser bem tratado na esquadra, apesar de se encontrar «em estado de choque» por causa daquilo que lhe imputam - estão a Askapena e o Euskal Herriaren Lagunak-Uruguay, que, através de comunicados, se solidarizaram com o detido.

O colectivo Euskal Herriaren Lagunak de Uruguay deixou uma carta na Embaixada chilena de Montevideu, na qual repudia as acusações feitas a Luzarraga, e pediu a sua «imediata libertação».

«Afirmamos que o Estado chileno, através deste novo processo, continua a senda de acabar pela via repressiva com a luta histórica e justa do povo mapuche».

«Não querem testemunhas»
Nesse mesmo sentido se expressou o colectivo internacionalista Askapena, afirmando que «o Estado chileno não quer testemunhas da sua repressão e, mais uma vez, deu um passo no sentido da criminalização da solidariedade com o povo mapuche».

«Mais uma vez, e agora de uma forma gravíssima, um internacionalista basco paga um alto preço por ser solidário com o povo mapuche», denunciou a Askapena.
Fonte: Gara

Comunicado da Askapena: «Liberdade para o povo mapuche e para Asel!»
http://www.lahaine.org/index.php?p=42480

Euskal Herriaren Lagunak-Uruguay
«O EHL pede a libertação de Asel Luzarraga na Embaixada do Chile em Montevideu»
http://ehluruguay.blogspot.com/2010/01/ehl-pide-la-libertad-de-asel-luzarraga.html

Nas foto do canto superior esquerdo: imagem da concentração pela liberdade de Asel que ontem decorreu em Bermeo, sua terra natal.

Comentário político na Info7 irratia



Iñaki Altuna faz a primeira análise política do ano na Info7 irratia.

A intoxicação e o papel dos meios de comunicação

O vivo interesse dos aparelhos do Estado espanhol em torpedear o processo de debate aberto no seio da esquerda abertzale ficou claro no passado dia 22 de Dezembro, quando o Grupo Noticias divulgou o conteúdo de uma suposta carta de Arnaldo Otegi enviada de Soto del Real para um outro prisioneiro político basco e na qual, de novo supostamente, faria uma série de apreciações políticas, que não deixavam muito bem visto o citado grupo jornalístico. Porquê? Não só porque, caso fossem reais, teriam pertencido ao foro privado e protegido da comunicação postal, mas também porque, para além do mais, eram falsas. A carta nunca foi escrita, nunca foi enviada e, naturalmente, nunca existiu senão nas sebosas cozinhas da intoxicação radicadas em Madrid.

Os cozinheiros responsáveis por tão grosseira perversão informativa sabiam que, mais tarde ou mais cedo, o engano seria descoberto. Mas não pensaram duas vezes. Contavam com a colaboração segura de meios de comunicação que, em tudo o que se refere ao independentismo basco, há muito que perderam qualquer escrúpulo na hora de dar cobertura a fugas com um claro interesse de manipulação informativa. Longe de confrontar ou confirmar a informação, faltou-lhes tempo, não só alimentando desta forma a mentira, mas acrescentando-lhe ainda arrevesadas e sofisticadas especulações de fabrico caseiro, e transformando um simples e óbvio embuste numa arma de arremesso contra o independentismo.

Este episódio, mais um, vem confirmar uma realidade incontestável: os meios de comunicação não são meros observadores no conflito entre Euskal Herria e o Estado espanhol. Em maior ou menor grau, consoante os casos, constituem-se como agentes activos prontos a servir de correia de transmissão à estratégia do Estado espanhol, esquecendo deliberadamente o seu sagrado compromisso com a imparcialidade e a honestidade informativas. A «carta fantasma» de Arnaldo Otegi transforma-se assim num verdadeiro apelo à reflexão.
Fonte: Gara

Otegi acusa o Grupo Noticias de ligação aos interesses de Rubalcaba


Num contacto telefónico que manteve com a sua advogada, nega ter escrito a carta que o Grupo Noticias divulgou e na qual se fazia alusão a desavenças no seio da Esquerda Abertzale.

Arnaldo Otegi veio lançar luz sobre as informações que o Grupo Noticias veiculou há alguns dias, segundo as quais era acusado de ter escrito uma carta em que criticava «o sector duro» da Esquerda Abertzale e inclusive o «glorioso Colectivo de presos». Otegi negou à sua advogada ser o autor dessa carta e pediu-lhe que prossiga com a preparação da queixa judicial contra este grupo comunicativo por divulgar falsa informação e por invadir a sua intimidade.

Estratégia de Rubalcaba no Grupo Noticias
Para além disso, Otegi afirmou que o Grupo Noticias foi utilizado como veículo de transmissão desta informação, considerando que, com esta operação, o pretenderam envolver «na campanha de intoxicação que o Ministério do Interior tem vindo a empreender há vários meses sobre o debate no seio da esquerda abertzale». Arnaldo Otegi salienta que, neste caso, o Ministério do Interior não agiu sozinho, mas teve de negociar, pactuar ou falar com os responsáveis do Deia e do Grupo Noticias ou com os partidos próximos deste grupo editorial.
Fonte: apurtu.org via Gara

«Otegi nega ter escrito a carta que lhe foi atribuída pelo Grupo Noticias»
http://www.gara.net/paperezkoa/20100105/175315/es/Otegi-niega-haber-escrito-carta-que-le-atribuyo-Grupo-Noticias

«O curioso caso das cloacas comunicantes», de Iñaki Iriondo
"Supostos documentos da ETA ou da esquerda abertzale flúem por conductas subterrâneas entre o grupo mediático mais afim ao Governo espanhol e o mais próximo ao PNV"
http://www.gara.net/paperezkoa/20100105/175316/es/El-curioso-caso-cloacas-comunicantes

Outro bispo nas fileiras da Reconquista


Se a Igreja participou em gestas nacionais contra mouros, índios, protestantes, comunistas... não podia faltar na batalha final contra os bascos. De novo, a cruz e a espada

No dia 9 de Janeiro José Ignacio Munilla ocupará a sede episcopal de Gipuzkoa. O que há de novo na sua nomeação? Original seria se o Vaticano promovesse um progressista, que seguisse na sua eleição um procedimento democrático ou que desse luz verde à criação de uma diocese basca. Também não é nova a fúria belicosa daquele que aí vem contra a única violência que admite, a da ETA; esta atitude, salvo alguma sibilina referência à tortura, foi a tónica geral dos bispos bascos. Quem, dentre eles, ouviu os torturados ou promoveu o encontro com os familiares dos presos? A novidade está na conjuntura, no perfil do eleito e no papel que lhe é confiado. Qualquer nomeação episcopal tem uma dimensão política; neste caso, é o traço fundamental.

Espanha lida com duas questões: Euskal Herria é um cancro que ameaça a unidade da pátria e é preciso extirpar esse tumor. Uma confabulação basca de agentes políticos, sociais, eclesiásticos, educativos e mediáticos - todos terroristas - estava a dar a volta ao modelo de estado como se de uma meia se tratasse; o que se tinha constituído como «região» estava-se a reconfigurar como «nação». Tornava-se necessária uma intervenção contundente. Toda a Espanha foi chamada para a nova cruzada, sendo a Igreja a que melhor aplicou a estratégia de reconquista: «A Igreja soube traçar planos a muito longo prazo e executar os movimentos necessários para os materializar», diz El Correo Digital. Refere-se à calculada e lenta imposição de bispos espanholistas que começou com Sebastián. Na actual conjuntura, a metrópole acaricia o sabor da vitória. Considera que a reconquista está chegar à sua fase terminal e que é preciso pôr mãos à obra para o conseguir. Se a Igreja participou em gestas nacionais contra mouros, índios, protestantes, comunistas... não podia faltar na batalha final contra os bascos. De novo, a cruz e a espada.

De novo, a cruz e a espada. A nomeação de Munilla - como a de Patxi López - foi possível graças à superação de confrontos facciosos. Tanto num caso como no outro se impõe a razão de estado. As disputas sobre a educação privada e o aborto não constituíram um impedimento para que Igreja e Estado juntassem forças na reconquista da Bascónia. Numa tal conjuntura, bispos como Uriarte não servem. Por isso escolheram um moço capaz; mais bizarro que dom Francisco - o militar que pastoreia Nafarroa - e mais integrista que Izeta, o bispo auxiliar de Bilbau. Munilla - como López - far-se-á acompanhar da nata de Espanha no dia da tomada de posse, tentará «despolitizar» Euskal Herria, sufocar a resistência e combater com fúria os vascones.

A Espanha integrista tem por certa a existência de alguns protestos, mas que não a preocupam. Goza à grande com as bravatas jelkides [do PNV]: «Como é habitual, quando os tripaundis [pançudos] do PNV mostram carácter, não acontece nada», diz a «Infocatólica». O clero, mais cedo ou mais tarde, obedecerá. Quanto aos batasunos, Munilla tem um remédio infalível: segundo diz a Cope, «quando estava em Zumarraga, levava-os a Fátima e muitos deles convertiam-se».

Jesus VALENCIA
educador social
Fonte: Gara
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Foto: Eusko Blog

Na canícula fervente ou na gélida invernia, eles nunca faltam: começou o «enaltecimento» 2010!


O juiz Grande-Marlaska proíbe um jantar em Leitza
O juiz da Audiência Nacional espanhola Fernando Grande-Marlaska proibiu um jantar previsto para ontem em Leitza (Nafarroa), alegando que se trata de «uma clara homenagem ao conjunto de presos da organização terrorista ETA» (sic).
Fundamenta a sua decisão num relatório enviado pela Guarda Civil, no qual se sustenta que o jantar previsto para ontem na Torrea Elkartea «tem como objectivo homenagear ou enaltecer o conjunto dos presos da organização terrorista ETA» (sic) e que no cartaz da convocatória aparece o lema da «ilegalizada Askatasuna».
O juiz ordena à Benemérita que «tome as medidas necessárias» para que a sua ordem seja cumprida.
Fonte: Gara

A AN notifica o vereador das festas de Gernika por «enaltecimento do terrorismo»
O juiz Eloy Velasco notificou o vereador das festas de Gernika, o independentista Jesús María Alberdi, acusando-o de «louvar e homenagear» a ETA pelo facto de o folheto editado por ocasião das festas de Verão da localidade biscainha incluir fotografias de presos políticos bascos. O notificado deve comparecer em tribunal no dia 17 de Fevereiro.
Esta decisão surge na sequência do processo que o Ministério Público abriu depois de receber um relatório da Ertzaintza no qual se afirma que Alberdi mandou imprimir 6000 exemplares do mencionado programa de festas.
Fonte: Gara

Abenduaren laburpena / Resumo de Dezembro da Ekinklik


Resumen de diciembre de ekinklik
by ekinklikorg

04/12 - Nafarren Eguna / 12/12 - Contra as listas negras, contra a tortura / 15/12 - Aminetu Haidar: a luta pela liberdade de um povo (via colectivo de Tenerife «arriba las que luchan») / 19/12 - Abenduak 19 Mobilizazio Eguna: Herria Abian!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O Colectivo de Presos iniciou ontem uma nova dinâmica de luta


As quase 750 pessoas que integram o Colectivo de Presos Políticos Bascos (EPPK) vão empreender a partir de hoje [ontem] uma nova dinâmica de luta contra a política prisional dos estados espanhol e francês, que em seu entender procura interferir na situação política. A iniciativa, que decorrerá durante todo o ano, também porá na mesa exigências concretas. O EPPK informa ainda que cinco presos bascos se colocaram «à margem da disciplina do Colectivo».

Os presos políticos bascos encarcerados em prisões espanholas e francesas empreenderão a partir hoje [ontem] uma nova luta contra a política prisional, que se será posta em prática em diversas fases e ao longo de todo o ano. Assim informa o Colectivo de Presos Políticos Bascos (EPPK) no comunicado enviado ao Gara e cujo conteúdo pode ser lido integralmente na página de Internet deste diário.

Face à dimensão das agressões e violações que os prisioneiros políticos e os seus próximos padecem, bem como as que são dirigidas contra as manifestações de solidariedade com os perseguidos que ocorrem nas ruas de Euskal Herria, e tendo em conta, em seu entender, que os impulsos dos últimos meses em matéria repressiva pretendem condicionar a abertura de um novo ciclo político, o EPPK decidiu iniciar hoje uma renovada dinâmica de luta «para fazer frente a esta cruenta política prisional». «Vimos reivindicar a desactivação da opressão geral contra Euskal Herria, sublinhar o carácter estéril da repressão, da política prisional, da condenação perpétua». Ao considerar que a situação política e a que eles vivem nas prisões «andam de mãos dadas» e que essa política penitenciária «procura condicionar o processo de libertação nacional», os presos, com esta nova iniciativa, também pretendem «mostrar a necessidade de pôr em marcha um processo democrático forte que inverta a situação política». Nesse ponto, o EPPK convida os principais agentes sociais e políticos do país a darem passos nessa direcção.

O Colectivo recorda que as quase 750 pessoas que aglutina levam a cabo durante todo o ano dinâmicas permanentes de denúncia, concretamente na segunda e na última sexta-feira de cada mês, bem como de resposta às agressões que se verificam.

Exigências e reivindicações
Assim, afirmam que em 2009 têm vindo a denunciar o desaparecimento do militante donostiarra Jon Anza, bem como a proibição de estudar nas prisões francesas. A tudo isto, sublinham, veio juntar-se a dinâmica de resposta às inspecções que o Governo espanhol impôs aos seus familiares e amigos para levar a cabo as visitas.

A esse respeito, e mediante esta nova dinâmica, o Colectivo insiste: «reivindicaremos o respeito pelo nosso Estatuto Político; por conseguinte e com o propósito de denunciar as situações prisionais mais graves, exigiremos a libertação dos que já cumpriram a pena e dos que estão gravemente doentes, bem como o fim do isolamento».
Além disso, recorda que, tendo como objectivo a amnistia, exigirão «o fim da política de dispersão e que se ponha fim à violação sistemática dos direitos dos presos políticos bascos. Para que seja reconhecido o nosso Estatuto Político: para que sejamos reagrupados em Euskal Herria, com os direitos que nos pertencem».

A partir de Março, rotativa
A nova luta, que começará hoje nas prisões francesas e espanholas, albergará durante esta semana uma dinâmica de comunicação para prestar informações sobre esta iniciativa, que levarão a cabo durante todo o ano. O EPPK acrescenta que a partir da semana que vem empreenderão novas formas de luta, como os fechamentos e as greves de fome. A partir de Março, afirma-se no comunicado, a dinâmica de luta assumirá um carácter rotativo.

Além das reivindicações gerais já expostas, o Colectivo de Presos Políticos Bascos pretende apresentar exigências concretas: «A imediata libertação dos presos que já ultrapassaram o cumprimento da pena decretada; a imediata libertação dos presos em fase de acesso à condicional; a imediata libertação dos gravemente doentes; e que os presos que se encontram sozinhos sejam agrupados com outros membros».

No extenso comunicado enviado pelo EPPK, faz-se uma breve passagem pela política prisional aplicada contra eles nos últimos 30 anos, assim como uma análise mais pormenorizada sobre o recrudescimento da situação nas prisões nos últimos meses. Faz-se referência, por exemplo, à imposição das inspecções físicas aos seus familiares e amigos. A esse respeito, advertem os funcionários e directores de prisões espanhóis que, com essa medida, não os afrontaram apenas a eles e aos seus familiares, mas toda «a sociedade basca». Lembram-lhes, ainda, que não estão dispostos a deixar que «os direitos alcançados através de uma luta de longas décadas se transformem em nada».

Para além do comunicado através do qual dão a conhecer a nova dinâmica de luta que hoje iniciam, o EPPK também emitiu um anexo ao documento em que indica que cinco presos «se colocaram à margem da disciplina e do apoio do Colectivo». Assim, destaca que essas cinco pessoas - Iñaki Rekarte, Balentin Lasarte, Esteban Murillo, Jorge Urruñuela e Andoni Muñoz - a partir de agora passam a «falar e a exercer a título pessoal» e não em nome do Colectivo ao qual deixaram de pertencer.
Fonte: Gara

Balanço provisório do processo de debate da esquerda «abertzale»


A esquerda abertzale faz uma avaliação muito positiva do processo de debate interno que vem realizando nestes últimos meses. Milhares de pessoas participaram nas assembleias realizadas até agora para debater os conteúdos do documento «Clarificando a fase política e a estratégia». Foram recebidas milhares de opiniões e contribuições, estando a maioria delas em sintonia com as propostas do documento.

As tentativas, por parte de alguns meios de comunicação e agentes políticos, de condicionar o debate mediante a intoxicação e a manipulação não tiveram o efeito que esperavam. Pelo contrário, ficou a descoberto o nervosismo que o próprio debate e o cenário político que se pode abrir em Euskal Herria provocam nalguns partidos políticos.

No que diz respeito aos dados, ao todo realizaram-se assembleias em 254 localidades e bairros de Araba, Bizkaia, Gipuzkoa e Nafarroa, contando com a participação de 6467 pessoas (2333 pessoas em 63 terras de Gipuzkoa, 1683 em 72 terras de Nafarroa, 1797 em 80 terras da Bizkaia e 654 pessoas em 39 terras de Araba).

O processo de debate está na sua última fase; nas assembleias que tiverem lugar até Fevereiro serão comunicadas - e tratadas - as conclusões do debate às pessoas participantes.
Fonte: ezkerabertzalea.info

Em Iruñea, a Polícia carregou sobre uma mobilização sindical e fez pelo menos 25 feridos

Tasio

A Polícia espanhola provocou mais de 25 feridos numa carga contra as pessoas que participavam na mobilização em frente ao El Corte Inglés de Iruñea [Pamplona], durante a jornada de greve contra a abertura de estabelecimentos comerciais aos domingos e feriados. De acordo com os sindicatos, que pedirão responsabilidades pela actuação «desproporcionada e injustificada», a carga surpreendeu inclusive as patrulhas que vigiavam os sindicalistas desde as primeiras horas da manhã.

A jornada de greve convocada no domingo no comércio de Nafarroa contra a abertura aos domingos e feriados ficou marcada por uma intervenção policial que causou mais de 25 feridos, na sequência de uma carga contra os sindicalistas que se concentraram nas imediações do El Corte Inglés de Iruñea, empresa que, juntamente com a Decathlon e a Media Markt e mais alguns estabelecimentos do centro comercial Itaroa, decidiu abrir as suas portas.

Os sindicatos convocantes, ELA, LAB, UGT e CCOO, decidiram juntar forças nos piquetes do El Corte Inglés desde as 8h. A manhã decorria com certa normalidade, com o piquete, que chegou a reunir 600 pessoas, a ser vigiado por patrulhas policiais em cada uma das quatro portas do El Corte Inglés e fazendo ouvir palavras de ordem como «Ésta es la dictadura de El Corte Inglés» ou «Mis festivos no se trabajan».

«Estivemos a informar os trabalhadores para que exercessem o seu direito à greve e dissemos às pessoas que não fossem fazer compras. Muitos tiveram de ir trabalhar sob ameaça de despedimento», referiu Saúl Arangibel, responsável do LAB-Merkataritza.

Pouco antes das 12h chegaram mais quatro patrulhas policiais, que começaram a carregar «sem haver qualquer provocação. Em nenhum momento entrámos lá dentro», disse Arangibel.

O sindicalista relatou ao Gara que até os polícias que se encontravam à entrada das portas não sabiam o que se estava a passar. «Um comandante esteve aqui toda a manhã, à paisana. Desapareceu durante vinte minutos e apareceu vestido de polícia com outras furgonetas», referiu. «Chegaram a toda a velocidade, abriram as portas e começaram a bater em toda a gente. Quando os seus companheiros viram que vinham com estes propósitos, começaram também a carregar», prosseguiu.

O resultado da carga foram mais de 25 feridos, que tiveram de receber assistência em diversos hospitais e centros de saúde de Iruñea, em virtude das contusões, das quedas e sobretudo das cacetadas bastante fortes, «que deram também a pessoas mais velhas. Eu assisti uma pessoa já com mais de sessenta e a quem deram três ou quatro valentes cacetadas, que até a um jovem seriam difíceis de suportar. Penso que continua hospitalizada», disse Arangibel, à tarde. Depois da carga, o piquete permaneceu em frente ao centro comercial até perto das 13h.

Às 17h voltou-se a formar, com umas 300 pessoas e sem mais intervenções da Polícia. A greve prosseguia ontem, com mobilizações centradas nos estabelecimentos comerciais que abriram no domingo e uma concentração prevista para as 18h no El Corte Inglés.

Responsabilidades
Os sindicatos ELA, LAB, UGT e CCOO denunciaram a carga «brutal, desmedida e injustificada quando estávamos a exercer o direito à informação sobre as razões da greve de maneira pacífica» e exigirão responsabilidades por esta actuação.

Consideraram a jornada como «altamente positiva», já que foi secundada pela maior parte dos trabalhadores e porque a maioria das grandes superfícies decidiu não abrir e «entender as razões sociais e de conciliação que os trabalhadores esgrimem para defender a 'abertura zero' aos domingos e feriados».

Também denunciaram ameaças aos trabalhadores por parte do El Corte Inglés, tendo reclamado a actuação da Inspecção de Trabalho perante possíveis represálias.

Na sequência, ver:
«A Delegação do Governo espanhol diz que foi uma "intervenção mínima"»
Fonte: Gara

Representantes da cultura reclamam a liberdade de Asel Luzarraga, detido no Chile


Representantes do Euskal Pen Kluba entregaram hoje uma carta no consulado do Chile, em Leioa (Bizkaia), em que pedem a libertação de Asel Luzarraga, detido pelas autoridades chilenas no dia 31 de Dezembro na localidade de Padre Las Casas.
A carta foi enviada a diversos representantes diplomáticos (chilenos e espanhóis) e autoridades judiciais (chilenas).

Familiares, amigos, músicos e escritores concentraram-se em frente à sede diplomática para exigir a libertação do escritor bermeotarra. Ali, encontravam-se Laura Mintegi, Edorta Jiménez, Uxue Alberdi, Markos Zapiain e Rafa Rueda, entre outros.

«Estou inocente»
O autor de Hamaika ispilu ganbil, Karonte, Mozorroaren xarma e Abaraska foi detido no dia 31 de Dezembro na localidade chilena de Padre Las Casas. Fontes policiais chilenas justificaram a sua detenção com uma tentativa de atentado contra a Secretaria da Justiça da região de Araucânia.

Num vídeo publicado no Youtube, pode-se ver o escritor basco pouco depois de ser detido pelos carabineiros chilenos. Em resposta a um jornalista, afirma desconhecer o motivo da detenção e, depois de ser informado que é acusado de atentado, Luzarraga mostra-se surpreendido e afirma estar inocente.

A Polícia fez buscas em sua casa e acusa-o da posse de material para fabrico de explosivos. Na quarta-feira será presente a um juiz, que deverá tomar uma decisão sobre a sua situação.

Num contacto com o Euskal Pen Kluba, manifestou-se surpreendido com o que se está a passar e negou «ter qualquer relação com os factos de que é acusado».

«Conhecemos a sua trajectória de vida e profissional há muitos anos. Sempre preocupado com as situações de injustiça e com o desamparo dos mais desfavorecidos, o seu compromisso levou-o a trabalhar em campos muito variados, desde a Cáritas até ao envolvimento no movimento de objecção de consciência. Defendeu a liberdade de expressão, os direitos humanos e o valor da palavra sobre a atitude da força», destaca o Euskal Pen Kluba na missiva.
Fonte: Gara

«Pela liberdade de Asel Luzarraga, escritor basco detido no Chile por ser solidário com o povo Mapuche»
http://www.kaosenlared.net/noticia/video-libertad-asel-luzarraga-escritor-vasco-apresado-chile-ser-solida

Notícia e campanha de apoio a Asel Luzarraga
http://www.lahaine.org/index.php?p=42426

HatortxuRock 11: está quase tudo a postos em Atarrabia!

O cartaz desta edição é excelente!
Mais informações em http://hatortxurock.org/hamaika/



Os navarros Bizardunak, malta do «folk radical vasco», são uma das bandas presentes. Deixamos o tema «Nafarroa, gure aberria» [Nafarroa, a nossa pátria]. Encontrámos a letra mas não tradução.

Eukaristia ondoren gudara noa, / itzultzerakoan neska guztiak barrezka ari dira neri begira. / Benetako gizona guztiz mozkora.

Gu garena gara / gure Nafarroan, / berpiztuko da arima / Euskal Herri osoan.

Herrixkako plazan ikusi zintudan. / Lorategiko arroxarik ederrena. / Ezkondu berria haurdun zaudenez / ardo botila ta berriz gudara.

Gu garena gara / gure Nafarroan, / berpiztuko da arima / Euskal Herri osoan.

Ohorez beteriko zelaietan. / Galdu ta jeiki egun berean. / Horixe bait da nafar historioa. / Ezinezko ametsa gure sustraia.

Gu garena gara / gure Nafarroan, / berpiztuko da arima / Euskal Herri osoan.

Gaztelaniarren olerki zikinak. / Ideiak finkatzen joan den mendean. / Aintzinan gudari, orain baita ere. / Ardo botila ta berriz mendira!

Gu garena gara / gure Nafarroan, / berpiztuko da arima / Euskal Herri osoan.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

3000 passos


O título alude, aproximadamente, ao número de passos que é preciso fazer entre o Sagrado Corazón e a Câmara Municipal de Bilbau, o trajecto da massiva manifestação que no sábado denunciou a política penitenciária dos estados espanhol e francês. Mas, tal como refere o autor, há muitos outros passos prévios que explicam por que é que dezenas de milhares de pessoas se reuniram no sábado nas ruas de Bilbau. Também se darão, deverão ser dados, novos passos que tornem mais próxima «uma futura Lei basca de Amnistia». Mas, claro, desta vez em clave de justiça.

Serão esses os passos necessários para fazer os dois quilómetros entre o Sagrado Corazón e a Câmara Municipal de Bilbo: 3000 passos, talvez mais algum. Tentaram impedir algumas dezenas de milhares de cidadãos deste país de percorrer pacificamente esse espaço. As razões não tinham nada a ver nem com a dignidade nem com a justiça.

Enquanto nos aproximamos do ponto de arranque, não vejo pessoal armado até aos dentes. Não há canhões de água. Não parece que vá haver fogo real, como já houve noutras ocasiões noutra avenida próxima. Parece que desistiram.

Outros passos mais nos trazem hoje aqui: milhares de concentrações em terras e bairros, centenas de reuniões e conversações para desbravar o caminho. Examino, como sempre nestas convocatórias, quem me acompanha. Malta jovem, muito jovem. Outros mais velhos, muito mais velhos. Gente conhecida de partidos, sindicatos, movimentos sociais, da cultura. Milhares de caras absolutamente anónimas. Está fresco, mas os sorrisos cúmplices, abraços, aquecem o ambiente.

Um professor da universidade que estará por aí, embora não o veja, dizia-me que o poder procura denodadamente anular a solidariedade com o preso e forçar a adesão irreflexiva e por decreto com a vítima, agora todo-poderosa. Já entendo a manobra do tribunal madrileno e daqueles que nos querem tirar das ruas. A pesada propaganda institucional apaga toda a personalidade ao prisioneiro para louvar a de quem agora ostenta uma patente inquestionavelmente superior. Surgem como antagónicos. O preso é, antes de mais, culpado, enquanto a vítima é sempre inocente. Substantivo e adjectivo não são intercambiáveis, a fórmula não se pode pôr em causa. É por isso que se esforçam por trazer estes para a cena pública, enquanto escondem os outros atrás dos muros. Pretendem assim abandonar uma leitura política que analise causas ou motivos... mas que sobretudo explore soluções. Mas alguma coisa não funciona. A gente que aqui se vai juntando é a mostra de que o simplista e absoluto «bom/mau» falha.

Arranca a manifestação. Impressionante. Penso na associação que lançou a primeira convocatória, a Etxerat, à espera da reacção do tribunal de excepção sobre o seu futuro. A expressão pública de apoio, a solidariedade, o carinho para com os presos, através das fotos ou de outros suportes, está vedada. Os sentimentos que a eles dizem respeito não se podem manifestar. Como se isto pudesse ser interceptado. As Mães da Praça de Maio prendiam no peito, em plena ditadura de Videla, as fotos dos seus filhos desaparecidos. Nesta «normalocracia» não se pode chegar a tanto.

Com os primeiros passos, atravancados, conversamos sobre o slogan. Direitos. É que numa verdadeira democracia se deveria fazer política, não reclamar direitos. Defender-se-iam aspirações políticas que fossem atractivas para a sociedade e que, com o apoio maioritário desta, se pusessem em prática. Mas é o que há: pedimos que não nos prendam pelas nossas ideias, reclamamos que não nos torturem. Pedimos que, ao entrarmos na prisão, possamos estar seguros de que o único direito restringido é o da liberdade de movimento. Que não estejamos desaparecidos para os nossos familiares, que conhecerão o nosso paradeiro final pela imprensa. Queremos saber quando teremos a pena cumprida e que, quando isso acontecer, continuaremos a ser pessoas íntegras. E pedimo-lo na primeira pessoa porque conhecemos a frase atribuída a Bertolt Brecht: «primeiro levaram os comunistas, mas não me importei com isso, eu não era comunista. Em seguida levaram...». E não é que invoquemos o verso por não nos importarmos. Se não o fizéssemos, não teria saído para as ruas de Bilbau este mar de gente. Invocamo-lo porque nos estão literalmente a levar todos. Sim, neste país para defender projectos ainda é preciso restabelecer direitos primeiro.

A maré avança, passo a passo. Nas últimas semanas acumularam-se dramas pessoais que exigiam, por força da realidade, a nossa presença aqui. Um rapaz com deficiência foi despido para poder visitar o seu amigo. Outros resistem à humilhação e regressam a casa de mãos vazias. Javier Elzo disse no El País que as mulheres submetidas a esta forma de tratamento são «visitadoras sexuais proporcionadas pela ETA». Se não pensou no que estava a dizer, deve corrigir o que disse. Se pensa assim, é porque é um autêntico canalha. E semelhante baixeza faz-me arrepios. Igor González desapareceu em transferências e conduções depois de ter tentado pôr fim à vida. Queria acelerar a última missão dessas instituições malditas. Patxi Gómez, que já cumpriu 20 anos de prisão, é outra vez reclamado, e anuncia aos seus verdugos que «podem-me deter, encarcerar, levar para onde quiserem, e no momento em que decidirem acabar com esta tortura sabem onde me podem encontrar». Sim, é preciso acabar com ela, quanto antes.

Nos seus títulos, a imprensa divulgava as cartas de um preso político. Depois, evitarão essa designação. Preferem substitui-la por «presos da ETA» ou caricaturá-la com o «autodenominado Colectivo». Por que é que lhes recusam a liberdade de associação e expressão? Cada vez mais presos políticos. Cada vez mais políticos presos. Cada vez mais opiniões políticas sobre as suas propostas políticas. Cada vez mais pressão política exercida sobre eles. Cada vez mais evidente se torna que será a política a resolver a equação. Amnistia. Se a esta palavra se juntar Internacional, abrir-se-ão as portas dos parlamentos. Se se antepuser a designação «movimento pró», o que se abre são as portas da prisão. Não é a Lei de Amnistia um instrumento político aprovado pelo Congresso espanhol, no caso para acabar - mal - com um problema? É um delito reclamar uma futura Lei basca de Amnistia que supere este outro, mas desta vez em claves de justiça? O conceito possui duas vertentes: o regresso dos perseguidos juntamente com a superação definitiva das causas que geraram a repressão. Haverá algo mais justo que esta reivindicação? Precisamente por isso reprimem com total violência a voz que a reclama. Quem nega às consequências deste conflito a sua condição política, dificulta os passos que conduzem à sua resolução.

Esses passos que agora se aligeiram ao descer da Praça Biribila. Fartos de tanto caminho a subir, agradece-se a descida. É que a imposição contínua gera cansaço. É o agravo incessante de um sistema a que se atrevem a chamar Administração de Justiça. Será mais apropriado que o chamem Imposição da Vingança. Luigi Ferrajoli, uma eminência penalista internacional diz que «a pena não é o melhor modo de satisfazer o desejo de vingança; pelo contrário, só se pode justificar com o fim de remediar e de prevenir as manifestações de vingança». Que reveja estas palavras o ministro perito em sequestros, que confunde a realidade com os seus desejos. É ele que se empenha em manter reféns, não sabemos se para benefício do seu projecto político, certamente para saciar a sua crónica sede de vingança.

Dou o último passo antes de ficar imobilizado entre a compacta maré humana. Oiço mas não escuto a intervenção pelos altifalantes. A minha mente está noutro sítio. Um pensamento nos colegas e nas colegas que tenho dentro arranca-me um sorriso fugaz. Pessoas inteiras, enormes. Voltarão depressa, digo para mim próprio. Mas imediatamente sobrevém-me a lembrança desses que jamais regressarão. E fico com os olhos húmidos.

Não. Este não pode ser - não será - o último passo.

Julen ARZUAGA
Giza Eskubideen Behatokia / Observatório de Direitos Humanos

Fonte: Gara

O olhar de Tasio

Tasio (Gara)

Euskadi: estado de excepção não declarado


A repressão em Euskadi da luta popular de ruptura, com o pretexto de combater o terrorismo, agravou extraordinariamente a negação do exercício dos direitos constitucionais ao ponto de estar, hoje, numa situação de estado de excepção não declarado.

A violação da lei por todos os instrumentos do aparelho de Estado (Governo, Polícia, Guarda Civil, administração judicial) para conter e reprimir a luta do povo basco pelos seus direitos nacionais foi prática quotidiana do sistema «democrático» urdido na Transição: tortura, desaparecimentos, assassinatos, GAL, espionagem, falta de pagamento das remunerações por representação eleitoral, etc. Com o governo de Aznar, a rede do poder monarco-centralista soluciona parte dessas violações com a Lei de Partidos, que as legaliza.

Lei de Partidos, lei de excepção
A Lei de Partidos é um monumento antidemocrático. Ela expressa a extrema debilidade ideológica da maioria dos sectores democráticos do Estado Espanhol, que, conquistados pela política antiterrorista estatal, ficam incapacitados para entender em toda a sua extensão que a Lei de Partidos implica um ataque geral a qualquer concepção democrática do Estado - ou seja, republicana e que reconheça o direito de autodeterminação - e a qualquer política que pretenda pô-la em prática.

Existindo essa base, a Lei de Partidos aplica-se de forma abusiva e grosseira contra qualquer sector do povo basco que não se ligue às estreitas margens da Constituição de 78, dando continuidade, com carácter legal, à arbitrariedade e impunidade do Estado nas suas actuações no País Basco, política que vai beber directamente ao franquismo.

18/98, Egin, Egunkaria, Segi, Otegi, Landa...
Famosa é a táctica resumida na frase «tirar a água ao peixe». Ela sintetiza uma política de combate à insurgência - pacífica ou armada - do povo. O Exército da Guatemala - com o extermínio de aldeias inteiras - e o Exército da Colômbia e os paramilitares de Uribe - com milhares de assassinatos e milhões de deslocados - exemplificam o extremo a que pode conduzir essa táctica. Aplicando-a a um outro contexto político, institucional e de correlação de forças, os instrumentos do Estado espanhol e da sua rede sociomediática de sustentação empregam-na contra o complexo de organizações políticas, sociais, culturais, educativas e recreativas criado pela luta de ruptura do povo basco.

Alguns exemplos dessa realidade são: o macro-processo 18/98 contra dezenas de militantes bascos; o encerramento das publicações periódicas Egin, Egunkaria e outras, com a destruição das suas instalações e a expropriação das suas finanças; o reiterado encarceramento da direcção do Batasuna; a ilegalização do Batasuna e de outras organizações da esquerda abertzale; as operações massivas e o encarceramento de militantes (como aconteceu nestes dias com a Segi); a espionagem ilegal; a vigilância e a infiltração policiais nas actividades das organizações legais bascas; a criminalização e estigmatização de pessoas e organizações do resto do Estado Espanhol que mantêm relações e solidariedade democrática com o povo basco perseguido, etc. Grande parte destas actuações repressivas fomentadas pelo Estado são condenadas judicialmente (mas apenas muitos anos após o início do processo, pelo que a acção repressiva, para a qual contribuiu o aparelho judicial de forma sincronizada com os restantes instrumentos do Estado, cumpriu o seu papel).

Está-se a transformar num caso especialmente representativo o encarceramento do dirigente Karmelo Landa. O seu processo foi submetido ao exame do Grupo de Trabalho sobre a Detenção Arbitrária das Nações Unidas pela Asociación Española para el Derecho Internacional de los Derechos Humanos. O organismo da ONU deliberou que «a privação de liberdade de Karmelo Landa é arbitrária» num relatório fundamentado, silenciado - também isto - pelos grandes meios do sistema, ignorado pelo Governo e atacado pelo juiz Garzón.

Prossegue a guerra suja
No dia 18 de Abril de 2009 desapareceu Jon Anza, quando se dirigia para um encontro com membros da sua organização, a ETA. Desde então, nada se soube de Anza, que passou 20 anos na prisão e estava gravemente doente. Informações publicadas pelo diário Gara em Outubro, fazendo eco de fontes de confiança - que, logicamente, oculta -, apontam para um sequestro efectuado por polícias espanhóis, quando Anza viajava de comboio entre Baiona e Toulouse, vindo a morrer quando era interrogado e submetido a tortura, e sendo enterrado em solo francês. Milhares de pessoas mobilizaram-se exigindo a Zapatero, Rubalcaba e López que respondam a estas perguntas: Onde está o Jon? Que aconteceu ao Jon?

Juntamente com este gravíssimo facto, sucedem-se as denúncias de sequestros de militantes da esquerda abertzale, realizados durante algumas horas por grupos armados surgidos das «cloacas» do Estado para, recorrendo a métodos violentos, lhes exigir informação e colaboração.

Toda esta dinâmica cresceu exponencialmente desde que López é Lehendakari e decidiu puxar dos galões de forma autoritária para varrer a rebeldia de Euskadi.

Quero terminar reclamando o aparecimento de Anza, a liberdade dos presos políticos bascos e a luta política e de massas pela República federal integrada pela união livre dos povos de Espanha que assim o decidam.

Juan Rafael LORENZO
membro do Comité Nacional do Partido Comunista del Pueblo Canario (PCPC)
http://almacenindependenciaysocialismo.wordpress.com/

http://www.pcpe.es/

Fonte: kaosenlared.net

domingo, 3 de janeiro de 2010

Manifestação pelos presos, em Bilbau (vídeo)


«Euskal Presoak Euskal Herrira. Dagozkien eskubideen jabe» manifestaldiaren bideoa.

La Haine-Euskal Herria entrevista um membro da ASEH


A ASEH foi uma das muitas associações solidárias e internacionalistas que enviaram delegações à grande manifestação que ontem teve lugar em Bilbau, em defesa dos direitos dos presos bascos e da sua repatriação.

Um dos membros da nossa associação foi entrevistado pela La Haine-Euskal Herria, juntamente com um representante da Corriente Roja, de Madrid, e dois militantes da Castilla Republicana, de Burgos.

Para aceder a toda a notícia, incluindo as entrevistas:
http://www.lahaine.org/index.php?p=42408

Em Bilbau, um gigantesco «não» à «criminosa política penitenciária»

Uma bandeirola gigante da Etxerat abriu a manifestação massiva que ontem disse, em Bilbau, um rotundo «não» à «criminosa política penitenciária». Milhares de pessoas [o boltxe.info refere 45 mil] pediram que sejam respeitados os direitos dos prisioneiros bascos e exigiram «euskal presoak Euskal Herrira» [os presos bascos para o País Basco]. No acto final, os convocantes cederam a palavra a um familiar, que sublinhou que 2010 tem de ser «um ano de compromissos concretos e tangíveis» para pôr um travão a «esta política criminosa».

Com os passeios abarrotados de gente, uma grande bandeirola da Etxerat abriu a marcha ladeada por filas de familiares com o lenço ao pescoço e candeeiros acesos nas mãos.

«Dagozkien eskubideen jabe, euskal presoak Euskal Herrira» [donos dos seus direitos, os presos bascos para o País Basco], reivindicaram os participantes na manifestação, que começou pouco depois das 17h30 no Sagrado Coração, em Bilbau.

A cabeça da marcha ia sendo recebida por aplausos e avançava muito lentamente nos primeiros metros, pois as pessoas que ocupavam os passeios iam-se juntando à manifestação.

A grande distância da bandeirola via-se a faixa com o lema da marcha – «Dagozkien eskubideen jabe, euskal presoak Euskal Herrira» – convocada por Eusko Alkartasuna, Esquerda Abertzale, Aralar, Alternatiba e Abertzaleen Batasuna.

O chifre e os sons da txalaparta anunciavam a chegada da manifestação ao largo da Gran Vía, uma marcha em que foram aumentando em número e intensidade as palavras de ordem a favor da repatriação dos prisioneiros políticos, como «presoak kalera, amnistia osoa» [os presos para a rua, amnistia geral], «errefuxiatuek Euskadin bizi behar dute» [os refugiados precisam de viver em Euskadi] ou «euskal presoak, etxera» [os presos bascos para casa].

Quando a marcha chegou à Rua Iparragirre, ao lado da subdelegação do Governo espanhol, um «Non dago Jon?» [onde está o Jon?] ressoou em frente aos seis guardas civis que, de metralhadora na mão, faziam a guarda ao edifício. [Jon é Jon Anza, o militante donostiarra que desapareceu no dia 18 de Abril.]

Às 18h21 a bandeirola chegou à Praça Circular, onde se formaram grupos de pessoas que esperavam e aplaudiam a manifestação. Só às 19h15 é que a parte traseira da manifestação chegou a este ponto, no qual convergiam os slogans dos manifestantes e os aplausos de quem participava no acto final nas escadarias da Câmara Municipal.

«Política criminosa»
Ali, os convocantes cederam a palavra a um familiar, que sublinhou que o ano que agora começou tem de ser o «dos compromissos concretos e palpáveis» para acabar com «esta política criminosa».

Afirmou que os familiares vão continuar a denunciar as violações de direitos e que continuarão «a bater em diversas portas» para que esta situação chegue ao fim.

Milhares de pessoas à espera
Meia hora antes do início da manifestação, milhares de pessoas aguardavam pelo início da marcha e no local da partida estavam já os convocantes, além de diversos agentes sociais e sindicais que deram o seu apoio à manifestação, tal como os familiares dos perseguidos políticos bascos, que levavam o lenço da Etxerat ao pescoço.

Um helicóptero da Ertzaintza sobrevoava a zona e nas ruas transversais que iam da Gran Vía até à Praça Circular encontravam-se furgonetas da Polícia autonómica.

A manifestação, que foi convocada por EA, Esquerda Abertzale, Aralar, Alternatiba e Abertzaleen Batasuna, sucede à da Etxerat, depois de a Audiência Nacional espanhola ter decidido atender à solicitação da Dignidad y Justicia e proibido a marcha.
Fonte: Gara


Leitura da manifestação e do contexto político (Boltxe.info)
Em lahaine.org, um porta-voz do Boltxe.info fez uma avaliação desta manifestação massiva, referindo-se também ao contexto que a envolveu.

«Esta manifestação foi precedida por um sem-fim de movimentos por parte do Ministério do Interior que visavam travar a solidariedade com o colectivo de pres@s. A intervenção do ministro Rubalcaba anunciando um sequestro ou atentado da ETA poderia ser lida neste âmbito, porque o Estado não consegue lidar com uma proposta política em clave democrática. Agora que não há actividade da ETA, tinham de a inventar, procurando semear a confusão à volta do debate que se está a dar no seio da esquerda abertzale ilegalizada.»

«Houve uma segunda tentativa de acabar com a Etxerat, primeiro, nas visitas, agredindo as famílias e amig@s d@s pres@s nas prisões, e depois procurando ilegalizar directamente este organismo popular. É preciso destacar a reacção das formações políticas que recolheram o testemunho da Etxerat - e alegrarmo-nos por isso -, pedindo o apoio e o carinho para @s pres@s polític@s. Nesta ocasião, as organizações convocantes - Esquerda Abertzale, Aralar, Eusko Alkartasuna e Alternatiba - demonstraram que existe a possibilidade de fazer frente às acções mais agressivas do Estado de forma unitária e medindo forças nas ruas.»

«Nas ruas fomos 45 000, com uma presença significativa de gente de que veio de diversos pontos do Estado espanhol, de Madrid, Salamanca, Cantábria, Burgos e tantos outros lugares, porque a causa da defesa d@s pres@s polític@s basc@s é o elemento central de unidade contra a política fascistóide do Governo Zapatero e do seu aliado estratégico, o Partido Popular.»

«Podemos dizer que hoje se mediram as forças em torno de uma proposta democrática que reclama o direito do povo basco a decidir o seu futuro, sendo que do lado da repressão apenas ficaram o PNV e a Esquerda Unida, ainda que tenhamos a certeza de que gente de ambas essas formações participou também, a título pessoal, na manifestação, deixando as direcções políticas desses partidos numa posição embaraçosa. Tal como a Etxerat, também a Boltxe envia um abraço às pessoas que, vindas de tantos pontos do Estado espanhol, se juntaram a nós.»
http://www.lahaine.org/index.php?p=42404
Acompanhamento da manifestação (com muitas fotos)
http://www.kaosenlared.net/noticia/manifestacion-pro-presos-ha-sido-convocada-lab-ela-ea-aralar-ezker-abe

Apoio aos presos e repressão em 2009 (pequena galeria fotográfica)
http://www.gara.net/argazki-galeriak/presoak/argazkiak.php

Vinte jovens afirmam correr risco de detenção e tortura


Jovens independentistas cujos nomes aparecem em listas policiais completadas com declarações extraídas em regime de incomunicação aos detidos no final de Novembro compareceram no dia 30 perante a comunicação social para dar a conhecer a fragilidade da situação em que se encontram. Os advogados declaram que este caminho aberto pela Audiência espanhola é «ilegal».

Mês e meio depois da operação policial levada a cabo pela Polícia espanhola e pela Guarda Civil, que provocou mais de 30 encarceramentos e muitas denúncias de maus tratos, no dia 30 apresentaram-se perante os meios de comunicação quase vinte jovens independentistas que se sentem numa «situação de desamparo». Isto porque sabem que os seus nomes aparecem em declarações policiais «arrancadas sob tortura» aos detidos em Novembro último, e isso fá-los «correr um sério risco» de detenção.

A sua advogada, Arantxa Aparizio, sublinhou que nenhum deles «tem alguma coisa a esconder» e realçou o facto de as suas actividades serem bastante conhecidas nas suas terras, gaztetxes [centro juvenis] ou escolas.

Não obstante, a advogada afirmou que os jovens não podem apresentar a sua versão dos factos na presença de um juiz, já que, «ignorando as leis», a Audiência espanhola «fechou as portas» à possibilidade de declaração voluntária. «Primeiro, têm de ser detidos, passar pelo período de incomunicação e torturados», salientou Aparizio.

Assim, recordaram o caso da jovem iruindarra Ainara Bakedano, que foi detida mesmo à porta da Audiência, para onde se dirigia voluntariamente, e apesar disso levada para a esquadra e sujeita à incomunicação. «A atitude da Audiência Nacional é clara - denunciou a advogada; precisam de declarações auto-incriminatórias ou contra outros jovens, e para isso o período de incomunicação é-lhes imprescindível, pois permite-lhes a tortura».

Aparizio contou como os advogados foram testemunhas dos relatos de maus tratos destes jovens, que consistiram, entre outras práticas, em agressões físicas, ameaças, insultos, na aplicação do «saco» até os deixar sem respiração, e também vexações sexuais.

Assim sendo, a advogada afirmou a «ilegalidade» da via aberta pela Audiência Nacional, que consiste em «deixar os jovens sem defesa e em abrir novos espaços para a incomunicação e a tortura». Por isso, fez um apelo à sociedade, e em especial aos profissionais do direito, no sentido de continuarem a denunciar o «recuo» a nível de direitos e «situações de desamparo» que se vivem no tribunal de excepção espanhol.

Vencer a repressão
Na conferência de imprensa, que reuniu membros do Movimento pró-Amnistia, advogados, jovens cujos nomes aparecem em listas policiais e dezenas de familiares e amigos que assim quiseram manifestar o seu apoio, recordaram que nestes últimos dois anos mais de cem jovens foram detidos sob a acusação de pertencer à Segi. Além disso, como têm vindo a denunciar há já vários meses, os processos judiciais sustentam-se em provas como DVD, T-shirts ou autocolantes «que qualquer jovem pode ter na sua casa».

Arbil Osa, membro do Movimento pró-Amnistia, afirmou que estes jovens que hoje se encontram em risco de ser detidos lutam pelos direitos da juventude e pela independência de Euskal Herria, e que o fazem «de forma visível». Para Osa, o problema reside no facto de, em Euskal Herria, o trabalho em movimentos juvenis ou políticos, «mesmo que feito publicamente» e de modo pacífico, poder ser punido com o regime de incomunicação e com a prisão.

De acordo com esta representante do movimento anti-repressivo, não é por acaso que nos últimos meses os estados francês e espanhol têm actuado contra o movimento independentista, pois «precisam de silenciar as novas gerações». É por isso que o movimento juvenil «é um dos alvos da estratégia de repressão», afirmou Osa.

Assim, pediram aos cidadãos que protejam estes jovens e que denunciem «toda esta repressão policial e judicial». «Para construir uma sociedade democrática é imprescindível vencer a repressão», concluiu.

Janire ARRONDO
Fonte: Gara

Ipar Euskal Herria / País Basco Norte: passagem por 2009


Clamor de toda uma população
Foram mais de 10 000 nas ruas de Baiona, no dia 17 Outubro. Eleitos de todas as tendências, com a ausência notória dos «grandes eleitos». Mas foram sobretudo a sociedade civil, as pessoas anónimas e os sem-voz que disseram não a uma nova linha de alta velocidade. A linha divisória será estabelecida nas próximas eleições regionais.

Caso EHLG, a seguir
Michel Berhocoirigoin terá de comparecer no próximo dia 18 de Fevereiro no Tribunal de Apelação de Pau, depois de o prefeito dos Pirinéus Atlânticos ter decidido recorrer da decisão do Tribunal de Baiona, que a 26 Março declarou inocente a associação Euskal Herriko Laborantza Ganbara (EHLG; câmara de agricultores do País Basco) e o seu presidente. Uma decisão histórica que conferia toda a legitimidade não só ao nome mas também à actividade da estrutura. Por outro lado, este processo significou uma vaga de apoios por parte da população à EHLG.

Não houve lei para o Euskara
A 14 Outubro último, 5000 pessoas vieram para as ruas de Baiona exigir ao Governo francês e ao primeiro-ministro o respeito pela promessa feita. O candidato Sarkozy tinha prometido a promulgação de uma lei sobre as línguas «regionais». A última declaração oficial relativa ao tema data de 9 de Dezembro: o ministro Eric Besson respondia nestes termos a uma questão duma deputada socialista na Assembleia Nacional: «a lei iria ferir os princípios de indivisibilidade e de igualdade da República.» Perante aquilo que consideram como uma atitude de desprezo, a Euskal Konfederazioak e o Kontseilua dirigem-se aos eleitos e ao Euskararen Erakunde Publikoa (Office Public de la langue Basque).

14 000 pessoas manifestam-se
Foi no dia 29 de Janeiro, respondendo a todos os sindicatos que tinham feito apelo a uma greve que foi extremamente bem seguida, tanto no sector público como no privado. Outras manifestações terão lugar a 19 de Março e a 13 de Junho. O sindicato LAB reiterou «a urgência de dar início à construção de um movimento de grandes dimensões a longo prazo e construído passo a passo.»
Fonte: lejournalPaysBasque - EHko Kazeta
-
Na foto, manifestação em Donibane Lohizune (Lapurdi) em denúncia do desaparecimento do militante abertzale Jon Anza. «Nun da Jon?» «Non da Jon?» «Non dago Jon?»

O cerco, coisas do «entramado»


Que sintomático!

1. A National Geographic manipula imagens de forma a eliminar o termo «Self-determination» (autodeterminação)

O termo surgia numa faixa em que se lia «Self-determination for the Basque Country» e foi censurado num programa da série Superhumans, rodado em Elgoibar (Gipuzkoa, EH).

No vídeo que os irmãos Craig e Paul Pumphrey gravaram sobre uma prova desportiva, e que a National Geographic lançou na sua página de Internet, pode-se observar uma faixa em que se lê «The Basque Country». No entanto, quando se confronta o vídeo com outras imagens do acontecimento em que a imagem aparece, a manipulação é clara: as palavras «Self-determination for» foram apagadas.
Fonte: kaosenlared.net

2. Eliminação de grupos «abertzales» da Diáspora no facebook

Foram eliminados do facebook os grupos «Vascos de CHILE por la Autodeterminación de EUSKAL HERRIA» e «Vascos de ARGENTINA por la Autodeterminación de EUSKAL HERRIA».

Conta Txema Landa que é provável que o próximo na lista seja o «ABERTZALEOK: Diáspora Vasca por la Autodeterminación de EUSKAL HERRIA» http://www.facebook.com/home.php?#/group.php?gid=70745206154.

Estes grupos foram criados e eram administrados por pessoas da Diáspora Basca do Chile e da Argentina relacionadas com a Euskaria Fundazioa e a Mesa de Maltzaga, sendo que neles participavam pessoas da Diáspora Basca de ambos os países.

Seguindo a ligação, os interessados podem ver a notificação que o facebook enviou sobre a eliminação dos referidos grupos. Txema Landa não tem grandes dúvidas quanto às forças que se movem por detrás destes actos de censura: «os serviços de "acosso" do Governo espanhol.»
Fonte: kaosenlared.net

sábado, 2 de janeiro de 2010

Todos a Bilbau!

Tasio (Gara)

Etxean nahi ditugu!
Elkartasunak ez du etenik izango. A solidariedade não vai parar.

Movimentos em Euskadi


Rubalcaba e Ares reúnem-se, Zapatero revela que existe uma «estratégia» contra a ETA, a Audiência Nacional proíbe a manifestação a favor dos presos de dia 2 em Bilbau e as forças políticas bascas à esquerda do PNV convocam uma outra com idêntico lema para o mesmo dia

Os acontecimentos sucedem-se em Euskal Herria a uma velocidade vertiginosa. No dia 28 reuniu-se a Junta de Segurança do País Basco, um órgão repressivo no qual participam todos os corpos policiais de Euskal Herria. No dia seguinte, Rubalcaba anunciou urbi et orbi uma suposta acção iminente da ETA, «provavelmente, um sequestro». No dia 30, Zapatero vem a público para explicar que aquilo que o seu ministro do Cacetete disse obedece a uma «estratégia» contra a organização armada. Anteontem ao pequeno-almoço ficámos a saber que a Audiência Nacional tinha proibido a manifestação da Etxerat, e o Eusko Alkartasuna, o Aralar, a Esquerda Abertzale, a Alternatiba e o Abertzaleen Batasuna convocam para hoje uma nova marcha de apoio aos presos políticos.

A nova convocatória foi anunciada numa conferência de imprensa em Donostia, na qual estiveram presentes o secretário-geral do Eusko Alkartasuna, Pello Urizar; o vice-coordenador do Aralar, Jon Abril; o representante da Alternatiba Jon Lasa; o histórico dirigente da Esquerda Abertzale Tasio Erkizia; e a representante do Abertzaleen Batasuna Mertxe Kolina.

Esta convocatória tem lugar depois de na quarta-feira se ter ficado a saber que a Audiência Nacional tinha proibido outra manifestação a favor dos presos políticos bascos convocada pela Etxerat para este sábado em Bilbau.

Urizar e Abril leram um comunicado em que anunciaram que a nova marcha está prevista para as cinco e meia da tarde, desde a praça do Sagrado Corazón, e que foi convocada em virtude «da grave situação que se vive». No entender dos convocantes, a proibição da Audiência Nacional representou «um ataque directo» à liberdade de expressão e ao direito de reunião e enquadra-se na «estratégia do Estado para negar Euskal Herria».

Em resposta a questões colocadas pelos jornalistas, Abril referiu que não esperam que a nova convocatória seja também proibida e, depois de salientar que não existiam «argumentos jurídicos» que justificassem a proibição da marcha da Etxerat, afirmou que esta nova manifestação foi convocada por «partidos que representam uma ampla maioria da sociedade».

Afirmou ainda que não se puseram em contacto com o PNV e com o Hamaikabat para convocar esta mobilização porque, em princípio, se reuniram os partidos que tinha aderido à marcha da Etxerat.
Fonte: insurgente.org

Nota: em complemento a este «resumo» e à notícia do Gara que aqui apresentámos em versão resumida, a kaosenlared.org informa que a plataforma de cidadãos Lokarri e o sindicato ELA também aderiram à manifestação.
http://www.kaosenlared.net/noticia/bilbo-apoyan-manifestacion-pro-presos-lab-ela-ea-aralar-ezker-abertzal
Por intermédio de lahaine.org, acabamos de saber que Carlos Urquijo, deputado do PP no Parlamento de Gasteiz, solicitou ao Departamento do Interior de Lakua a imediata proibição da nova manifestação e que o grupo de extrema-direita Dignidad y Justicia se moveu no mesmo sentido junto da Audiência Nacional espanhola.
http://www.lahaine.org/index.php?p=42401

A CM de Iruñea proíbe quatro Olentzeros com um ano de antecedência


Como era de esperar depois da estratégia adoptada este ano, em que se decidiu conceder autorizações sem obstáculos, o Município de Iruñea promoveu uma vingança a posteriori contra as celebrações do Olentzero nos bairros de Iruñea [Pamplona]. Nos cortejos onde milhares de pessoas participaram com normalidade e em ambiente de festa, a Câmara comandada por Yolanda Barcina, a presidente da UPN, viu na verdade «actos de apoio à ETA».

Segundo fez saber anteontem a vereadora da Segurança dos Cidadãos, Ana Elizalde, já há quatro bairros (Arrosadia, Donibane, Errotxapea e Txantrea) sem autorização para os Olentzeros de 2010, o que constitui uma decisão insólita se tiver em conta que faltam 355 dias para a próxima noite de Natal e que a Câmara Municipal não sabe quem e como vai solicitar essas autorizações.

Para além disso, fica-se a saber que os pedidos de celebração de Olentzeros transitam para a Delegação do Governo espanhol em Nafarroa, para que os processos sejam tratados como se fossem manifestações de carácter político, de maneira que será esta instância a decidir sobre a sua legalidade.

Para o Município dirigido pela UPN, não há outra saída possível, tendo em conta que «uma suposta actividade cultural foi a desculpa para fazer uma manifestação de apoio à ETA».

Concretamente, o Município diz que em Errotxapea havia «silhuetas de etarras» (sic), que em Arrosadia «havia evidentes indícios criminais da exaltação do terror por ocasião do falso Olentzero», que em Donibane «começou e terminou o seu percurso acompanhado pelas fotos de terroristas da ETA», e que na Txantrea «o trajecto estava repleto de faixas».

Santamaría encarregou-se
Elizalde disse que também não se põe de parte o envio de todos os indícios obtidos pela Polícia Municipal nas kalejiras [cortejos; desfiles] dos dias 23 e 24 para a Audiência Nacional.

Como vem sendo habitual nos últimos anos, a perseguição a estas actividades festivas foi liderada, à paisana, pelo próprio chefe da Polícia Municipal de Iruñea, Simón Santamaría. Há já quase um ano que o Plenário da Câmara Municipal pediu a sua demissão por maioria absoluta, devido à sua atitude, mas Yolanda Barcina defendeu-o e mantém-no em funções. Além disso, convenceu o PSN a não apresentar a moção com que chegou a ameaçá-la caso não demitisse Santamaría.

Elizalde também não descartou a aplicação de sanções administrativas. A enxurrada de multas nos últimos anos foi constante, mas não conseguiu acabar com os desfiles do Olentzero.
Fonte: Gara
Encontrámos a foto de baixo no Berria; ilustra um cortejo de Olentzero, não sabemos onde, concretamente. A de cima diz respeito a Iruñea, pois claro!