terça-feira, 16 de dezembro de 2008

25 anos sem «Kattu» Oñederra, a primeira morte impune dos GAL


Coincidências da vida, naquele dia 19 de Dezembro de 1983 Felipe González e François Miterrand tinham-se reunido em Paris. Coincidência, ou não, os seus amigos Joxean Lasa e Joxi Zabala encontravam-se desaparecidos havia três meses, talvez já mortos. Seja como for, naquela tarde foram buscar Ramon Oñederra ao bar Kayetenia, em Baiona, para o matar. Azkoitia recordará nestes dias a primeira vítima mortal impune dos GAL.

Ramon Kattu Oñederra teria hoje 48 anos. Mas, aos 23, sete disparos realizados por pessoas nunca identificadas acabaram com a sua vida. Um quarto de século depois, o seu caso passou a ser o primeiro atentado mortal totalmente impune dos GAL, que antes – ou porventura depois – tinham acabado com a vida de Joxean Lasa e Joxi Zabala. Os refugiados tolosarras foram sequestrados a 15 de Outubro, mas não se sabe quanto durou o seu cativeiro e quando os crivaram de balas em Busot (Alicante). Um comunicante anónimo reivindicou estas mortes em Janeiro de 1984 à Cadena Ser de Alicante. Se assim fosse, Oñederra teria morrido quando ambos ainda eram torturados.

Este dado não é insignificante, porque os dois refugiados de Tolosa conheciam o de Azkoitia. Evidencia-o uma foto tirada a 7 de Outubro, apenas uma semana antes de que Lasa e Zabala desaparecessem. Essa amizade era do conhecimento dos familiares de todos eles. A ama [mãe] de Kattu explicava ao GARA há alguns anos que Ramon ligou para casa naquele dia de Outubro “e disse-nos que tinham desaparecido esses dois rapazes, mas que não estivéssemos em cuidados por causa dele, que estava bem”.

Naquelas alturas, a etiqueta GAL era uma de várias siglas entre as utilizadas para reivindicar acções de guerra suja. Tinha-se ouvido pela primeira vez aquando do sequestro de Segundo Marey. Logo depois veio a tentativa de rapto de Joxe Mari Larretxea, o desaparecimento de Lasa e Zabala, e, a 19 de Dezembro, a morte de Oñederra.

Foi uma presa fácil. Naquela tarde, por volta das 19h30, estava sozinho ao balcão do Kayetenia. O dono do bar encontrava-se no local, mas tinha ido para cima, fazer o jantar. E quatro refugiados acabavam de sair do estabelecimento. Alguém entrou e ouviram-se sete disparos. Suspeita-se que o jovem refugiado tentou pegar numa pistola para se defender, mas não teve tempo de o fazer. Baiona Ttipia ficou abalada por uma comoção que se repetiria muitas vezes ao longo dos meses seguintes. A polícia francesa foi quase a última a chegar. Ao invés, em Azkoitia a Guarda Civil empenhou-se a fundo em “escoltar” o cadáver. Os GAL, por seu lado, reivindicaram o ataque de imediato e ameaçaram “quem protege, colabora ou dá trabalho aos terroristas”.

Quase duas décadas depois, Oñederra deu nome a um processo que se converteu num caixote de entulho em que se juntavam várias acções dos GAL. Houve algumas declarações judiciais e os guardas civis Felipe Bayo e Enrique Dorado chegaram a estar processados, mas em Janeiro de 2003 a Audiência Nacional pôs um ponto final no assunto. “Arquiva-se a última ponta solta dos GAL”, intitulava El País. E acertou. Cinco anos depois, está tudo por fazer. Todas as perguntas continuam em aberto: Quem o matou? Quem ordenou? Como conseguiram a informação para chegar até ele?

«As razões persistem»
A sua terra, Azkoitia, não esquece nada disto, e preparou uma série de actos que foram apresentados no sábado numa conferência de imprensa, a que não faltou a mãe de Ramon Oñederra. Recordou-se então o caso, sublinhou-se a persistência da repressão durante todos estes anos e realçou-se que “as razões que levaram Kattu a dar sua vida permanecem actuais no dia de hoje”.

As mostras de lembrança começaram no domingo com um memorial de xadrez. Para esta quinta-feira está anunciada uma projecção de vídeo na Kultur Etxea de Azkoitia, às 19h30. Na sexta é o dia em que se cumprem os 25 anos sem o Kattu, pelo que se prenderá fogo em sua honra no monólito aos gudaris, às 19h30. No sábado, será colocada uma placa na Kakut, de manhã, e à tarde terá lugar uma manifestação, a que se seguirá um comício e um jantar popular.

25 anos não chegam para que todos os que conheceram Kattu deixem de sentir a sua falta. Mas os convocantes realçam que aqueles sete disparos só trouxeram sofrimento inútil: “Felipe González não conseguiu nada usando os GAL, e Zapatero não conseguirá nada com a Audiência Nacional. A repressão não acabará com a sede de liberdade deste povo”.

Ramon SOLA

Fonte: Gara

Apurtu Berriak: «Presos doentes - o direito à saúde convertido em chantagem»



Reportagem da Apurtu correspondente ao mês de Dezembro / abenduak 2008.

Fonte: apurtu

Ex-presos afirmam que Madrid procura dividir o colectivo para prolongar o conflito


Um grupo bem composto de ex-prisioneiros compareceu no sábado perante os órgãos de comunicação para censurar a actual política penitenciária, com a qual, segundo afirmaram, Madrid pretende “a aniquilação” do colectivo de presas e presos políticos e, assim, prolongar o conflito político que Euskal Herria sofre. Reivindicaram uma solução dialogada e consideraram imprescindível o reconhecimento do carácter político dos presos e o regresso a casa de todos os perseguidos.

Cerca de oitenta ex-presos juntaram-se no sábado no frontão de Usurbil para manifestar a sua rejeição da política penitenciária dos estados espanhol e francês, e realçar que “a iniciativa que procura a divisão entre as presas e os presos políticos bascos responde à decisão de prolongar indefinidamente o conflito político”. Joxean Agirre e Begoña Sagarzazu falaram em nome de todos os participantes, que se apresentaram como testemunhos directos da cruel política prisional, depois de terem sofrido “na própria pele a dispersão, o isolamento, os espancamentos, a negação do direito a estudar, a comunicar e à saúde”.

Conhecedores como ninguém dos danos causados aos presos e aos seus familiares e amigos pela política penitenciária, mostraram-se convencidos de que, apesar de tudo, esta “não cumpriu os objectivos que procurava”, já que a solidariedade do povo e a “dignidade do colectivo de presos políticos bascos (EPPK) foi mais forte que a dispersão”. Por isso, consideram que os estados francês e espanhol tiveram que pôr em marcha novas medidas que imponham aos presos “uma vida sem direitos”.

Na sua opinião, ambos os governos mantêm actualmente todas as frentes repressivas abertas, sendo “a política penitenciária uma das suas expressões mais cruentas”. O objectivo seria “afogar as reivindicações populares nas prisões”, “não hesitando” para tal “em usar os presos políticos para a chantagem política, amparados no vale-tudo para acabar com a luta independentista basca”.

Não obstante, reivindicaram uma solução dialogada e política para o conflito que Euskal Herria mantém com os estados, e, nessa direcção, consideram fulcral o reconhecimento do carácter político do colectivo de presos. “Com a solução do conflito será necessário o regresso a casa de todas as pessoas presas e exiladas”, defenderam.

Neste contexto, criticaram as declarações realizadas na semana passada pelo ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, que defendeu a política penitenciária como um “instrumento” da “política de Estado”, o que, na opinião de quem também se apresentou na qualidade de membro do Movimento Pró-Amnistia, significa o reconhecimento sem complexos “do carácter repressivo e negador do Governo espanhol”, responsável, em conjunto com o Governo francês, por “uma estratégia que quer conduzir o colectivo à aniquilação”.

Insistindo na ideia de que o reconhecimento dos direitos básicos dos presos e o seu regresso a Euskal Herria são desafios importantes para o Povo Basco, apelaram à participação dos diversos agentes sociais e dos cidadãos em geral nas diversas iniciativas e mobilizações de solidariedade que se venham a realizar.

Também mandaram “um abraço cheio de carinho” para os “761 companheiros e companheiras que se encontram dispersos pelas prisões dos estados espanhol e francês”.

Maider EIZMENDI

Fonte: Gara

‘Sustraiak’ [raízes]


Acabamos de editar La Revolución por el tejado, autobiografia do navarro Lucio Urtubia, pedreiro, anarquista e avezado expropriador de bancos. Na casa parisiense de Lucio, há dois lemas que dominam a fachada. Um em francês: «Le temps de Cerises», o tempo das cerejas, a canção da Comuna de Paris, que continua a inspirar todas as utopias planetárias deste anarco-internacionalista.

O outro lema é em euskara, Sustraiak. Raízes. Às quais Urtubia não renuncia, ainda que a custo de contradições. Não pode, nem quer, deixar de ser um basco navarro. “Continuam a ser uns carlistones”, diz-nos quando falamos de Euskal Herria. “Como tu”, seguimos na brincadeira. Mas todos sabemos que há algo de certo, e que as correntes das nossas rebeldias e credos, aparentemente distintas, remontam à mesma fonte turbulenta do século XIX.

Não se estudou suficientemente a relação entre o fenómeno anarquista e o carlismo rebelde e comunalista desse século. Como daquele campesinato autóctone - ressentido contra o liberalismo açambarcador -, a que roubaram o comunal e impuseram as quintas, as fronteiras e a emigração, surgiu em boa medida a esquerda revolucionária. Os dados estão aí: os dirigentes anarquistas de Lodosa e de outras terras navarras, fuzilados em 1936, eram de famílias carlistas. O próprio Lucio o era. O Ateneo Libertario de Allo, principal foco anarquista navarro, tinha surgido do Círculo Católico Obrero, no mesmo local, com os mesmos sócios e os mesmos dirigentes. Carlistas transformados em anarco-sindicalistas, fuzilados por requetés e nacional-sindicalistas poucos anos mais tarde. Navarra era e é assim.

Como resposta – mais ou menos individualista – às sucessivas derrotas do campesinato navarro, restou a oposição às quintas, o contrabando, “os atentados à propriedade”, a emigração. Daquelas lutas, Lucio Urtubia é uma bala póstuma. Herdeiro da pólvora rebelde, encontrou-se disparado num deserto, e teve que iniciar a sua revolução em solitário, tornando-se um inadaptado ao franquismo, um desertor ao exército, um “roubador” ao Estado, um contrabandista basco, um emigrante. Depois, no ambiente propício de Paris, foi fácil moldar-se num activista anti-franquista, num socorrista social e em tudo o que neste livro se conta.

A rebeldia basca tem raízes obstinadas, de onde surge todo o vergel reivindicativo e solidário que caracteriza o nosso povo. Lucio é um ramo mais e tem a sorte, temos, de não o terem cortado a destempo, como tantos outros, e podemos desfrutar das suas memórias. Talvez não seja um mero acaso que a editorial mais próxima, e mais proclive, a tenha encontrado quase junto à sua Cascante natal. E também não é um acaso que juntemos num mesmo catálogo A Comuna de Paris, do paisano Lissagaray, cantor de «Le temps des Cerises», e Lucio Urtubia, o homem de sustraiak.

José Mari ESPARZA

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Os detidos pela Guarda Civil relatam torturas


Os cinco cidadãos bascos detidos esta semana pela Guarda Civil em Gipuzkoa e na Bizkaia denunciaram todo o tipo de maus tratos durante o período em que permaneceram sob incomunicação e, segundo relataram na presença do juiz, todos com os olhos vendados. De acordo com a informação transmitida pelo Movimento Pró-Amnistia, espancaram-nos sistematicamente, aplicaram-lhes o “saco”, fizeram-lhes ameaças de morte e de violação... O juiz só teve ouvidos para a acusação.

Ibai Egurrola, Amets Ladislao, Xabier Gutiérrez, Mari Mertxe Alcocer e Maribel Prieto foram levados no sábado de manhã até à sede da Audiência Nacional espanhola, depois de terem permanecido cinco – os três primeiros – e três dias – as duas últimas – sob incomunicação em poder da Guarda Civil. Depois de os interrogar, o juiz Santiago Pedraz não ligou às torturas relatadas pelos detidos e acedeu à proposta do magistrado Juan Moral, que requeria que fossem enviados para a prisão sob acusação de “colaboração com organização terrorista”.

Os cinco relataram na presença do juiz que foram torturados e que, enquanto estiveram em poder da Guarda Civil, os mantiveram com os olhos vendados, segundo informou a meio da tarde de sábado o Movimento Pró-Amnistia. Para além disso, negaram as declarações que realizaram perante os seus captores.

No caso de Amets Ladislao, a jovem referiu que esteve nua durante o tempo em que permaneceu sob incomunicação; foi espancada nas regiões genitais com algo semelhante a uma lista telefónica; aplicaram-lhe “o saco” em mais de cinquenta ocasiões, até não poder respirar; e recebeu ameaças permanentes, tanto de morte como de natureza sexual. Esta habitante de Berango chegou a perder a consciência.

Seguindo a informação difundida pelo Movimento Pró-Amnistia, a Javier Gutiérrez, também lhe aplicaram “o saco”, espancaram-no e ameaçaram-no de forma contínua.

Ibai Egurrola referiu que, além do “saco”, lhe encostaram uma pistola à cabeça, dizendo-lhe que o iam matar. Num outro momento, disseram-lhe que lhe iam aplicar eléctrodos.

Mari Mertxe Alcocer, que apresentava uma marca na cara, disse que lhe bateram bastante no rosto e que lhe atiraram água fria para cima, estando nua.

Maribel Prieto relatou que lhe batiam, lhe puxavam o cabelo e que à noite a obrigavam a permanecer de pé, para que não pudesse dormir. Houve ainda um guarda civil que ameaçou obrigá-la a fazer-lhe uma felação.

Depois de chegar a Gipuzkoa
Egurrola, Ladislao e Gutiérrez foram presos na noite de segunda-feira em Irun, depois de terem passado de automóvel de Lapurdi para Gipuzkoa. Desde o início, o Ministério espanhol do Interior relacionou estas detenções com as que ocorreram apenas umas horas antes numa localidade dos Pirinéus franceses, perto de Bagnères de Bigorre, referindo que os três tinham “escapado” ao cerco policial. Na operação conjunta da Gendarmerie e da Guarda Civil foram detidos Aitzol Iriondo, Eneko Zarrabeitia e Aitor Artetxe.

Não obstante, no dia seguinte, a ministra francesa do Interior, Michèle Alliot-Marie deu o seu aval à tese de que a polícia francesa deixou que fosse a Guarda Civil a capturar Egurrola, Ladislao e Gutiérrez. A partir de então, o Movimento Pró-Amnistia manifestou uma grande preocupação com o que lhes pudesse acontecer enquanto permanecessem sob incomunicação nas instalações da instituição militar espanhola.

Na quarta-feira a Guarda Civil deu sequência à operação, prendendo Alcocer, em Algorta, e Prieto, em Berango.

Durante estes dias, a Audiência Nacional espanhola e a própria Guarda Civil indicaram aos familiares destes cinco cidadãos bascos que lhes seria aplicado o denominado «protocolo Garzón» para evitar maus tratos. Mais ainda, na sexta-feira, o Conselho de Ministros aprovou o Plano de Direitos Humanos, que até enviou à ONU apontando que o Estado espanhol se colocava “na vanguarda mundial”. Mas, em sentido contrário ao que lhe foi repetidamente apontado pela ONU, mantém em vigor o regime de incomunicação dos detidos.

Fonte: Gara

Kronika Nafarroa: 2008ko abendua / Dezembro de 2008


VER: APURTU

Acto em Leitza a favor da ikurriña e contra a imposição do símbolo espanhol


Apesar da intensa chuva e dos entraves colocados pela Guarda Civil, cerca de 300 pessoas manifestaram-se anteontem em Leitza para defender a ikurriña em todas as instituições bascas, ao mesmo tempo que rejeitaram a imposição da bandeira espanhola.

Coincidindo com o acto convocado pela iniciativa Bai Euskal Herriari [Sim ao País Basco], a Guarda Civil colocou um controlo no principal acesso rodoviário a Leitza e identificou as pessoas procedentes de outras localidades, incluindo os trabalhadores dos meios de comunicação.

Devido à intensidade da chuva, os eventos folclóricos e desportivos anteriores à manifestação tiveram lugar debaixo das arcadas do edifício da Câmara, também sob a vigilância do referido corpo militar.

Às 13h30, cerca de 300 pessoas deram início à manifestação pelas ruas de Leitza, seguindo atrás de uma única faixa em que se lia “Geurea ikurriña. Bai Euskal Herriari” [A ikurriña é nossa. Sim ao País Basco]. Os participantes levaram inúmeras ikurriñas e bandeiras de Nafarroa, e fizeram ouvir palavras de ordem como “Ikurriña bai, espainola ez” [Ikurriña, sim; espanhola, não] e “Independentzia”.

A marcha terminou nas arcadas da sede municipal com um acto em que intervieram bertsolaris, representantes da iniciativa Bai Euskal Herriari e o próprio autarca da localidade navarra, Xabier Zabalo. Este apelou aos responsáveis das instituições bascas para que não cumpram as disposições espanholas “contra Euskal Herria” e para que defendam as decisões e a vontade dos cidadãos.

«Voltámos ao franquismo»
Por seu lado, Ainara Gastearena referiu-se às situações tão diferentes da Gronelândia e de Euskal Herria no que respeita ao direito dos seus habitantes decidirem o seu futuro, e Mikel Luloaga denunciou as medidas que os poderes espanhóis têm vindo a adoptar para impor “bandeiras estrangeiras” e procurar “fazer desaparecer as marcas de identidade de Euskal Herria”.

“No começo do século XXI, somos um povo que anda para trás. Na questão das marcas de identidade bascas, voltámos aos tempos do franquismo”, afirmou Luloaga, que referiu como exemplo o caso da perseguição à ikurriña em Atarrabia, contra a vontade dos habitantes.

Por último, disse que em Euskal Herria “só aceitaremos uma bandeira espanhola: a da embaixada que lhes deixaremos ter na Praça do Castelo, se aceitarem e respeitarem Euskal Herria”.

Iñaki VIGOR

Fonte: Gara


Notícia relacionada [cast]: O Supremo Tribunal obriga as Juntas da Bizkaia a colocar a bandeira espanhola

Extrema-direita procura criminalizar o Movimento Antifascista Basco



Qualificam a página da Sare Antifaxista como ‘web radical’ e procuram atribuir um carácter criminoso às actividades que organiza. A página, a que já aqui fizemos referência tantas vezes, está à vista. E o vídeo não precisa de mais acrescentos.

Elkartasun antifaxista! Solidariedade antifascista!

VER: SareAntifaxista e SareAntifaxista

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um ‘lifting’ perante a ONU


Coincidindo com o Dia Internacional dos Direitos Humanos, o jurista Julen Arzuaga denuncia neste artigo o posicionamento oficial espanhol relativamente aos direitos humanos e às instituições internacionais encarregadas de velar por eles. A posição do Estado espanhol é significativa, uma vez que opta “pela maquilhagem, a ocultação, para que, sob umas demãos de pintura, tudo continue na mesma”. O Plano Nacional de Direitos Humanos – cuja publicação estava prevista para esta altura – é mais uma prova desse posicionamento obstrucionista face à evidência.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos situa-se no Palácio Wilson, em Genebra. Ao entrar saúda-se o Yves, de guarda no posto de segurança, que responde amavelmente. Há algum tempo atrás, tratou das nossas credenciais para nos registar e surpreendeu-nos com um “je suis aussi Basque... de Bayonne”. Acrescentou ainda, com um suspiro, “la situation des droits humains en Espagne est mauvaise”, imaginando o motivo da nossa visita ao edifício. Sim, a situação é má.

Então, segue-se pelo palácio e, depois de subir um pequeno vão de escadas, chega-se a um espaçoso vestíbulo. Ali, à esquerda, uma placa dourada homenageia seis membros do Alto Comissariado das Nações Unidas, mortos enquanto desempenhavam uma missão humanitária no Sudão. Seis nomes em chapa fria. À direita do vestíbulo, mesmo em frente da primeira, há outra placa um pouco maior que diz “Sua majestade o rei Dom Juan Carlos de Bourbon e a rainha Sofia visitaram o Alto Comissariado no dia tantos do tantos...”. A comparação entre as razões para dedicar uma placa é uma ofensa à inteligência e à própria memória de quem morreu sob a bandeira da referida instituição. Não consigo imaginar os favores que prometeriam para permitir semelhante placa, comparativamente insultante, que nos leva a outros tempos e outros regimes.

Saltou recentemente para o domínio da opinião pública uma polémica referente a uma obra assinada pelo artista M. Barceló que decora a Sala XX do Palácio das Nações. Poderiam mudar o nome da sala e designá-la Sala XXL, atendendo à dimensão do desembolso económico que o estado espanhol fez, ou, se se preferir, Sala XXX, pelo obsceno da operação. Não me vou referir ao artista nem à sua obra, nem sequer farei menção ao escândalo da elevada quantia de dinheiro, da sua procedência, nem em que se podia ter gasto. Quero sondar os motivos que levam à colocação de placas comemorativas de pleitesia feudal ou a impulsionar obras de arte faraónicas, sem dúvida porque com elas se pretende tapar as fendas que a acção de violação dos direitos humanos do Reino de Espanha produz no sistema das Nações Unidas. E não restam dúvidas de que, com esta operação, pagaram um lifting epidérmico, superficial, para neutralizar, sem mudar nada, a crítica que habitualmente o Estado espanhol recebe por parte desta instituição. Prefere-se desviar a atenção das petições para que se adoptem medidas referentes à tortura, à liberdade de expressão, à interpretação abrangente do termo terrorismo... Opta-se pela maquilhagem, a ocultação, para que, sob umas demãos de pintura, tudo continue na mesma.

Precisamente, o anterior Relator contra a Tortura do sistema a que nos referimos, Theo van Boven, conhecido pela sua visita ao Estado espanhol em Outubro de 2003 e pelas suas incisivas recomendações, comparava em conferência pública a atitude dos espanhóis com a das autoridades da ditadura argentina de Videla, “não pela gravidade dos factos – esclarecia – mas pela obstinação em negar uma realidade evidente”. Recentemente Sir Nigel Rodley, especialista do Conselho dos Direitos Humanos, dizia-nos numa reunião com organizações sociais anterior à análise referente ao Estado espanhol: “não me têm que convencer da existência da tortura em Espanha, dêem-me simplesmente dados nos quais basear as minhas intervenções”. Intervenções acutilantes, por certo: “Porque fazem tantos rodeios em vez de fazer o que se lhes é recomendado?”. Sim, as autoridades preferiram desacreditar os relatores, ocultar as suas reflexões, esconder as suas recomendações sob várias capas de gesso a enfrentá-las e a dar-lhes resposta positiva.

Algumas organizações de direitos humanos do Estado espanhol acabam de receber uma comunicação da Vice-presidência do Governo na qual lhes é apresentado um esboço de um Plano Nacional de Direitos Humanos. Já várias instâncias internacionais tinham pedido ao Estado espanhol que esclarecesse as suas prioridades em matéria de direitos e liberdades. A análise oferecida a certas organizações – entre as quais, por sinal, não se encontra nenhuma do âmbito de Euskal Herria nem das que, ao nível estatal, têm contacto directo com as vítimas – chegou sem tempo real para que suas opiniões possam ser tidas em conta, já que se pretende tornar público o Plano antes de que o ano acabe. Pouca margem e pouco interesse pelo que opinem as ONG, o que mostra que a vontade real do Estado não aponta para a busca de cooperação com a sociedade civil em matéria de direitos humanos, mas que procura apenas evitar à tangente ser recriminado por essa falta de transparência e abertura... Outra operação, pois, de mera cosmética.

E no que diz respeito ao conteúdo do Plano, chama a atenção que se dedique a maior parte do texto a mostrar como se pretende desenvolver a luta antiterrorista. Não para dizer que irá respeitar os direitos humanos, como exigem os organismos internacionais, mas porque consideram que é precisamente o terrorismo a maior das violações dos direitos humanos. Invertem-se os papéis, relega-se a responsabilidade ao outro, desviam para outros grupos ou indivíduos as responsabilidades adoptadas pelo Estado com a assinatura de inúmeros pactos e tratados, prefere-se atirar bolas ao lado, esperando talvez que o árbitro apite e o jogo acabe. Converte-se o Plano de Direitos Humanos na cobertura à repressão penal do inimigo, enche-se esse caixote de trapos em que tudo cabe, em que a emergência antiterrorista tudo justifica, inclusive a violação dos direitos e das liberdades mais básicos que os organismos internacionais denunciam. Sim, devem estar atrapalhados pela crítica constante e crescente, já que se vêem obrigados a anunciar certas medidas para a prevenção da tortura – sem reconhecer a sua existência –, aquelas que apareciam no denominado “protocolo Garzón” e que não são postas em prática nem pelo seu próprio criador. Alguns apologistas governamentais do El País já tinham iniciado um trabalho de sapa para aplanar o caminho, reclamando medidas concretas, apelando, pelo menos, à vergonha que causa a contínua acusação. Bem, estamos pendentes de avanços neste âmbito, sempre que abordem a resolução real do problema – a existência do regime de incomunicação –, em vez de o encarar, como estamos habituados, com evasivas, com outra camada de brilhantina.

Entretanto, continuaremos a acreditar que se prefere a colocação de placas servis, o financiamento de obras majestosas, a elaboração de planos ocos... que não deixam de ser a mortalha que oculta a violação dos direitos humanos, um lifting que esconde as misérias em vez de as resolver. Misérias que nas Nações Unidas já não passam despercebidas nem a Yves, o segurança do Palácio Wilson.

Julen ARZUAGA
Giza Eskubideen Behatokia [Observatório de Direitos Humanos]

Fonte: Gara

Os detidos em Gerde, Irun e na Bizkaia continuam sob incomunicação, e as FSE procuram mais três pessoas


As oito pessoas detidas no âmbito da operação policial iniciada na segunda-feira com as detenções efectuadas em Gerde e Irun continuam sob incomunicação às mãos da polícia francesa e da Guarda Civil. Este último corpo policial procura ainda mais três pessoas na Bizkaia.

Os seis cidadãos bascos presos na segunda-feira em Irun e Gerde, bem como as duas mulheres detidas na quarta-feira na Bizkaia, continuam em regime de incomunicação às mãos da polícia francesa e da Guarda Civil, em Paris e Madrid, respectivamente. O Movimento Pró-Amnistia fez saber também que os agentes da instituição militar procuram agora outras três pessoas por suposta colaboração com a ETA, e cujas casas foram inspeccionadas na madrugada de ontem em Algorta e Berango.

Tratar-se-ia de Julen Larrinaga, Andoni Elkano e Oihane Lekanda, a quem a Guarda Civil, tal como fez às já detidas Mari Mertxe Alcocer e Maribel Prieto, acusa de ter dado abrigo a Aitor Artetxe.

O magistrado da Audiência Nacional espanhola Santiago Pedraz decidiu aplicar o chamado “protocolo Garzón” às cinco pessoas capturadas no Estado espanhol, o que quer dizer que, enquanto durar o período de incomunicação, todos eles podem ser visitados por um médico de confiança, e os seus familiares devem ser informados acerca do seu paradeiro.

Por outro lado, o Movimento Pró-Amnistia veio dizer que o autarca de Leioa, Eneko Arruabarrena (PNV), se negou a tentar conseguir informação sobre a situação dos detidos, apesar de vários habitantes lho terem solicitado, tendo inclusive acabado por expulsá-los do seu gabinete. [Ah, democrata decente! É por estas e por muitas outras que uma também democrata, a De la Vega, obrera e socialista, veio anunciar que farão tudo ao seu alcance – mas dentro da lei, que hão-de retorcer, como sempre, claro – para retirar a capacidade de governação das autarquias à esquerda abertzale. Que gente decente! E depois quem precisa de psicólogo e de visitas da polícia são os votantes na esquerda abertzale... Bai, bai, aurpegi!...]

Perante a juíza Le Vert
No que diz respeito aos três jovens detidos em Gerde – Aitzol Iriondo, Eneko Zarrabeitia e Aitor Artetxe –, que foram transferidos de avião, na quarta-feira, de Biarritz para Paris e permanecem em instalações policiais nos arredores da capital francesa, as agências noticiosas afirmaram que estarão hoje à disposição judicial, uma vez cumprido o período de quatro dias durante o qual podem estar às mãos da polícia, de acordo com a legislação francesa. Especificaram que provavelmente todos eles irão prestar declarações perante a magistrada Laurence Le Vert, pelo que será esta a decidir a sua situação.

Em solidariedade com os detidos, ontem manifestaram-se 150 pessoas em Leioa.

Fonte: Gara

Notícias relacionadas: A_Guarda_Civil_efectua_mais_inspecções em Getxo e Berango (Bizkaia) e Iriondo,_Zarrabeitia_e_Artetxe_ingressam_na_prisão

Libertam a presa política Ohiana Agirre, depois de um ano na prisão


A presa política basca Ohiana Agirre saiu ontem da prisão, depois de passar mais de um ano privada de liberdade. De acordo com o Movimento Pró-Amnistia, a moradora do bairro de Egia, em Donostia, abandonou a prisão de Brieva depois de pagar a fiança de 12 000 euros pedida pela Audiência Nacional espanhola.

Agirre encontrava-se encarcerada desde o dia 2 de Outubro de 2007, quando foi detida juntamente com o dirigente do Batasuna Joseba Alvarez, sob acusação de dar uma conferência de imprensa a apelar à participação na manifestação em defesa dos direitos dos presos políticos bascos que se realizaria a 9 de Novembro daquele ano, e que terminaria com a detenção de nove pessoas.

No auto judicial que motivou a sua entrada na prisão, Baltasar Garzón acusava Agirre de “pertença a organização terrorista” pelo seu trabalho como representante do Movimento Pró-Amnistia, bem como do delito de “provocação para subverter a ordem constitucional, alterar gravemente a paz pública e provocar estragos”.

Por outro lado, o preso eibartarra Ibon Muñoa pôde assistir ao funeral do seu pai, na paróquia de San Andrés, em Eibar. Muñoa, que se encontrava na prisão de Langraiz, depois de se ter despedido do seu pai no sábado, recebeu o apoio e o carinho de cerca de 150 pessoas que o aguardavam, apesar da presença policial e da actuação da Ertzaintza.
Fonte: Gara

A esquerda ‘abertzale’ vai homenagear Martin Agirre este sábado, em Astigarraga


A esquerda abertzale irá homenagear amanhã em Astigarraga o histórico militante do Herri Batasuna Martin Agirre, falecido na semana passada num acidente rodoviário.

O acto terá lugar na Praça dos Foros da localidade às 19h, e a esquerda abertzale pediu aos cidadãos bascos que estejam presentes, de modo a prestarem-lhe “uma mais que merecida homenagem pelo seu trabalho denodado em prol de Euskal Herria”.

Assim, depois de destacarem também a sua actividade dentro do movimento popular, instaram a “seguir na senda que ele tão acertadamente trilhou”.

Apesar de ser natural de Beasain, Agirre residiu a maior parte da sua vida em Astigarraga, onde foi autarca durante vários anos em representação da formação abertzale. Era o pai do perseguido político basco Juan Luis Agirre Lete.

Fonte: Gara

Lakua e Iruñea recebem advertência da Europa pelas carências no conhecimento do euskara


Um relatório do Conselho da Europa acerca das línguas que se falam no Estado espanhol, e que veio ontem a público, alerta para as carências da Ertzaintza e do Osakidetza [sistema de saúde] no que diz respeito à utilização do euskara, e considera que as pessoas de ambas as entidades dependentes do Governo de Lakua “não têm o conhecimento requerido”. O texto, elaborado por um comissão de especialistas que andaram a visitar as instituições bascas em Setembro do ano passado, refere que, apesar dos decretos aprovados pelo Executivo autonómico em 1998 e 2003 para regulamentar os processos de normalização do euskara em ambos os organismos, “as melhoras ainda são possíveis”.
A comunidade euskaltzale denunciou durante anos a situação do euskara nestes âmbitos da administração, denúncias que foram agora confirmadas pelo estudo europeu.

Rádio e televisão em euskara
O relatório da comissão de especialistas, que foi aprovado pelo Conselho de Ministros desta organização pan-europeia, analisa a aplicação da Carta Europeia das Línguas Regionais ou Minoritárias, e incide também no escasso conhecimento da língua basca entre os 3907 funcionários do Estado em Araba, Bizkaia e Gipuzkoa, que se cifra em 16%.
No respeitante aos meios de comunicação, o relatório encoraja as autoridades autonómicas a facilitar a criação de uma rádio e de uma televisão privadas que emitam em euskara.
Sobre Nafarroa, o estudo destaca ainda os “problemas” existentes na área da Educação e no âmbito dos meios de comunicação, e refere também que a administração geral “não assegura os seus serviços em euskara”.

Fonte: Gara

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O Parlamento de Gasteiz exige a libertação dos presos com doenças graves


O Parlamento de Gasteiz “exigiu” hoje a libertação dos presos com doenças graves e incapacitantes, quando a sua permanência na prisão ponha em risco a sua saúde. A iniciativa foi rejeitada pelo PP e pelo PSE.

Esta iniciativa foi apresentada pelo tripartido, juntamente com o Aralar e a Ezker Abertzalea, e contou com a oposição do PSE e do PP.

A iniciativa pede que, enquanto não se proceda à libertação desses presos, na aplicação do Código Penal e do Regulamento Penitenciário, se permita o acesso dos seus familiares aos hospitais em que se encontram internados, “para que os possam acompanhar nesses duros momentos”.

No último ponto da resolução, a Comissão de Direitos Humanos do Parlamento de Gasteiz reitera a sua vontade de impulsionar “uma política de libertação das pessoas privadas de liberdade” com problemas de saúde graves, “assumindo o compromisso de oferecer os serviços de apoio sociais e sanitários adequados”.

Lembram-se casos “conhecidos recentemente, como os de Mikel Ibañez ou Mikel Gil”, ambos presos políticos, que são “ilustrativos deste tema”.

Carlo Urquijo (PP) qualificou de “vergonha” a assinatura desta iniciativa com “o braço político da ETA” para pedir a “libertação dos assassinos de outros Uria”, enquanto Mertxe Agúndez, do PSE, considerou que “não é o momento de falar da ETA e dos seus presos, mas de falar, infelizmente, do que acontece às vítimas”.

Elixabete Piñol (PNV) denunciou o facto de alguns presos “com depressão”, como Rafael Vera, Enrique Rodríguez Galindo ou Julián Muñoz, serem postos em liberdade, sendo que quem não tem tais “apelidos morre na prisão”.

Rafael Larreina (EA) denunciou uma forma de actuar marcada por “critérios de oportunidade política”, no momento de decidir a libertação de presos doentes, e advertiu que, em matéria de direitos humanos, “a excepção não confirma a regra, antes a destrói”.

Aiora Mitxelena, da Ezker Abertzalea, referiu que estão “muito contentes” e “muito orgulhosas” com o acordo.

Aintzane Ezenarro (Aralar) disse que a morte de Uria e a sua condenação não “retiram legitimidade” à defesa de “todos os direitos, e também aos dos presos doentes”.

Fonte: Gara

Perpétua era a paz, não a prisão


O ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, fez ontem umas declarações em que admitiu que a dispersão das presas e dos presos políticos bascos é uma “política de Estado” que o seu Governo utiliza como um “instrumento”, sendo que a aproximação ou o afastamento dos presos depende dos interesses políticos do Estado na sua “luta contra o terrorismo”. Ou seja, que as pessoas presas são meros instrumentos para os objectivos políticos do ministro, independentemente dos seus direitos.

As palavras de Rubalcaba não causarão assombro à maioria dos cidadãos bascos excepto pela sua obscena sinceridade. É de todos conhecido o procedimento dos diferentes governos espanhóis nesta matéria, e tanto os que a defendem como a maioria dos cidadãos bascos, que a denunciam, sabem que, desde que a implantou o agora Provedor de Justiça espanhol, Enrique Múgica, todos os governos usaram os presos e os seus familiares como reféns. Também sabem – pelo menos todo aquele que tenha querido ouvir – que essa política provocou 17 mortes de familiares e um custo humano, político e social dificilmente mensurável.

Paradoxalmente, Rubalcaba proferiu essas declarações nas vésperas de tornar público o Plano de Direitos Humanos. Plano que pretende maquilhar o terrível balanço que resulta da avaliação que diferentes organismos internacionais fazem uma e outra vez do Estado espanhol em matéria de direitos humanos. Simbolicamente, Rubalcaba escolheu o Dia Internacional dos Direitos Humanos, no 60.º aniversário da Declaração Universal. Esse texto formalizava em termos contemporâneos a ética formulada, entre outros, pelo filósofo Immanuel Kant. Autor do princípio moral que reza “age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de outrem, sempre e simultaneamente como fim e nunca apenas como meio” e do tratado universalista A Paz Perpétua, provavelmente Kant não imaginou que dois séculos mais tarde, no outro extremo da Europa, o Reino de Espanha continuasse igual.

Fonte: GARA

Estrasburgo admite a tramitação de uma causa de Otegi contra o Estado espanhol


Apenas um ano depois de ter sido apresentada, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem admitiu a tramitação da causa interposta por Arnaldo Otegi contra a condenação que o Supremo Tribunal espanhol lhe impôs por um delito de “injúrias graves ao rei”. Convida também o Governo espanhol a fazer observações relativas ao caso.

No dia 5 de Dezembro, o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem admitiu a tramitação da causa apresentada por Arnaldo Otegi contra o Reino de Espanha pela condenação que o Supremo Tribunal espanhol lhe impôs por um delito de “injúrias graves ao rei”.

A advogada de Arnaldo Otegi, Jone Goirizelaia, manifestou ao GARA a sua “satisfação” perante a decisão de Estrasburgo, e mais ainda pela rapidez com que foi tramitada, tendo em conta que a causa foi apresentada há apenas um ano.

O documento emitido pelo Alto Tribunal europeu, a que o GARA teve acesso, afirma que o exame preliminar de admissão da causa recebeu o parecer favorável por parte do presidente da Câmara. No mesmo documento, também se convida o Governo espanhol a fazer as suas observações sobre a admissão e o conteúdo da demanda, antes de 27 de Março do próximo ano.
Uma vez terminado o prazo, especifica-se que esta informação será comunicada à parte queixosa.

Os factos remontam a 26 de Fevereiro de 2003, dia em que o rei espanhol inaugurou uma central eléctrica na Bizkaia, na companhia do lehendakari, Juan José Ibarretxe. Após esta visita, Arnaldo Otegi, então porta-voz do Batasuna, ofereceu uma conferência de imprensa em que perguntou como Ibarretxe se deixava fotografar com o rei, a quem qualificou de “chefe supremo do Exército espanhol e responsável dos torturadores”.
Após estas declarações, a Procuradoria apresentou uma queixa contra Otegi por “injúrias graves ao rei”.

O TSJPV emitiu uma sentença a favor do elgoibartarra, mas, depois do recurso apresentado pelo Ministério Público, o Supremo Tribunal espanhol condenou Otegi a um ano de prisão como autor de um “delito de injúrias graves ao rei”. O Tribunal Constitucional nem sequer admitiu o recurso posteriormente apresentado.

A defesa, exercida por Jone Goirizelaia e Didier Rouget, uma vez esgotadas todas as vias, decidiu recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, considerando que as declarações realizadas por Otegi eram “meramente políticas” e que a condenação imposta violava tanto o direito à liberdade de expressão como à liberdade ideológica ou a proibição da discriminação. Algo que, no seu entender, viola o artigo 10 e 14 do Convenção Europeia dos Direitos do Homem, entre outros.
O. L.

Dez abertzales interrogados pela polícia francesa

Mais de uma dezena de cidadãos de Lapurdi e Nafarroa Beherea tiveram que comparecer anteontem nas esquadras da polícia francesa em Donapaleu, Donibane Garazi e Baiona para serem interrogados sobre o financiamento do movimento abertzale. À tarde, o facto de Eñaut Harispuru e Maite Goienetxe, dois dos citados, não terem ainda recuperado a liberdade lançou o alerta quanto a uma possível detenção por parte da polícia francesa. Contudo, pouco depois das 18h30 tanto o vereador de Bunuze como a militante abertzale deixaram para atrás a esquadra da capital baixo-navarra, depois de ali terem passado cerca de dez horas.

Pessoas próximas a Goienetxe disseram à Kazeta.info que o seu interrogatório esteve relacionado com o relatório policial realizado sobre as herriko tabernas. Convém destacar que, de acordo o mesmo meio, a maior parte dos citados tem relação com o Xilko.

O Movimento Pró-Amnistia denunciou estas citações, promovendo uma concentração à frente da esquadra da polícia francesa, onde censurou o “salto repressivo” que, na sua perspectiva, o Estado francês deu nos últimos meses. Ainda no seu entender, todas estas medidas contra o movimento abertzale pretendem “consolidar a política das ilegalizações» em Ipar Euskal Herria [País Basco Norte].
Fonte: Gara

A Assembleia contra o TGV exige à ETA que “não intervenha neste conflito”


A Assembleia contra o TGV exigiu à ETA, na sequência do atentado de quarta-feira passada, que acabou com a vida de Inazio Uria, que “não intervenha neste conflito”, mas afirmou também que isso não significa um “apoio de qualquer tipo à política antiterrorista do Estado espanhol”.

Comunicado integral (eus) (cas)

Através de um comunicado, a Assembleia contra o TGV defendeu os “métodos de luta adequados” contra o Comboio de Alta Velocidade, que são, na sua perspectiva, a consciencialização, a mobilização, a desobediência e a acção directa.

Da mesma forma que exige à ETA que “não intervenha neste conflito”, sublinha que “não existe violência comparável à que exercem os estados e o capitalismo sobre a natureza e os seres humanos na sua vida quotidiana”. Desse modo, enumera uma série de mortes causadas por guerras, contaminação, acidentes laborais, etc.

Para além disso, lembram que as obras do TGV tiraram a vida a um operário romeno em Luku, a 14 de Julho deste ano.

Exige ainda através do comunicado “que ninguém utilize esta morte para apoiar a imposição deste projecto, cuja paralisação imediata voltamos a exigir”. E acusa a maior parte dos órgãos de comunicação de ter empreendido uma “campanha de desprestígio e criminalização da oposição ao TGV”.

Por último, faz um apelo à população basca e a todos os sectores contrários ao TGV no sentido da sua “implicação activa na luta diária até alcançar a paralisação definitiva do projecto”.
Fonte: Gara

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Convocatória do povo de Amaiur (Baztan, Nafarroa)


O povo de Amaiur quer recordar e honrar aqueles que há 500 anos defenderam a independência do Estado navarro soberano contra Espanha e apela desde já às localidades e aos concelhos de todos os herrialdes de Euskal Herria, no sentido de participarem nessa evocação da luta pela liberdade, lembrando que “Euskaldun guztion Nafarroa bizirik da!” [a Navarra de todos os Bascos continua viva!].

Ver: http://www.1512-2012.com/

Fonte: Sare_Antifaxista

«Lista Negra» de Nafarroa: a sombra da tortura paira sobre os jovens bascos

Um dos vinte jovens de Iruñerria [comarca de Pamplona] que no dia 27 de Novembro compareceram na capital navarra para dar a conhecer a “lista negra” em que estão incluídos como futuros protagonistas de novas operações policiais, Eneko Compains, afirmou que o objectivo dessas operações é amedrontar “qualquer jovem social e politicamente empenhado. É a mensagem que lançam”.

Numa entrevista que pode ser vista na página de Internet www.askatu.org, o jovem navarro afirma que estão a viver estes dias “com preocupação e, nalguns momentos, mesmo com medo”. Compains assegura que essa preocupação advém do modo como vêem “a polícia a mover-se com total impunidade, e porque está à vista de todos que qualquer jovem social e politicamente empenhado de Iruñea [Pamplona] ou Iruñerria pode ser detido e torturado. E isso é, naturalmente, uma notícia preocupante”.

Para evitarem ser detidos
Compains insiste na ideia de que o fantasma da tortura paira sobre a juventude basca, e que isso se verificou nas últimas operações policiais que fustigaram Iruñerria.

Compains também explica a razão pela qual compareceram publicamente há uma semana para dar a conhecer a existência de uma “lista negra” policial em que figuram os nomes de uma vintena de iruindarras: “Mostrar a nossa vontade e tentar evitar ser detidos, e, por conseguinte, ser torturados”. O jovem prossegue referindo que as denúncias de tortura mostram que esta prática “é a única ferramenta da polícia para investigar, e não antes da detenção. Porque constroem as acusações mediante a prática da tortura”.

O jovem de Iruñea incide ainda na “tranquilidade” que lhes dá o facto de se sentirem acompanhados e acarinhados, tal como se evidenciou na comparência pública massiva levada a cabo no dia 27. Mostrou-se agradecido por isso e afirmou que “esse calor” se mantém.

Fonte: Gara


Jovens de Iruñea [Pamplona] e Iruñerria [comarca de Pamplona] apresentam-se publicamente, acompanhados por dezenas de familiares e amigos e pelo Movimento Pró-Amnistia, para afirmar que “a realidade da eficácia policial reside na tortura” e para dar a conhecer a existência de uma “lista negra”, em que figuram os seus nomes, a que a polícia poderá recorrer quando isso lhe trouxer dividendos políticos.

Fonte: apurtu

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Barañain recordou Karmele Solaguren e denunciou o cancro da dispersão


Há quatro anos, um acidente tirou a vida a Karmele Solaguren quando ia visitar o seu filho Ekain à prisão de Alcalá-Meco. No sábado, cerca de 100 pessoas juntaram-se na sua localidade, Barañain, para a evocar. Não foi um acontecimento isolado: este ano ocorreram uma dezena de acidentes graves.

Há quatro anos, uma placa de gelo numa curva em Noviercas (Soria) ceifou a vida de Karmele Solaguren, quando ia visitar o seu filho Ekain Gerra ao estabelecimento prisional de Alcalá-Meco, perto de Madrid. Desde então, o povo de Barañain recorda-a todos os anos, através de manifestações ou concentrações – como a que decorreu no último sábado.

Um evento singelo, que reuniu cerca de 100 pessoas, no qual se procedeu à leitura de um comunicado que denuncia a política penitenciária e lembra que os familiares e amigos dos presos políticos bascos também a sofrem na pele, e exigindo por isso responsabilidades.
De facto, neste ano de 2008, quase a terminar, a Etxerat contabilizou cerca de quinze acidentes rodoviários graves, felizmente sem consequências irreparáveis.

A 630 quilómetros
Estes sinistros afectaram familiares e amigos obrigados a deslocarem-se até locais muito afastados das suas casas, como mostra a lista: Alcalá-Meco, Valência, Navalcarnero (dois acidentes), Curtis (Corunha), Castellón, Burgos, Aranjuez, Soto del Real, Dueñas (Palência), Mansilla (León) ou Jaén eram os destinos correspondentes.
De acordo com a Etxerat, a distância média a que se encontram os presos políticos bascos é de 630 quilómetros. Os 762 prisioneiros actuais estão dispersos por 85 prisões dos dois estados. Em defesa dos direitos dos presos, também no sábado, 25 pessoas concentraram-se em Hondarribia.
Notícia completa: Gara

Desaparecimento de “Popo” Larre – Tribunal Especial de Paris declara-o como morto e encerra o caso


A Justiça francesa declarou prescrita a acusação pública contra o militante do Iparretarrak Jean-Louis “Popo” Larre, desaparecido há 25 anos na sequência do tiroteio ocorrido num parque de campismo das Landas entre a Gendarmerie e militantes da referida organização.

Jean-Louis “Popo” Larre ia ser julgado no sábado, acusado de “cumplicidade” e “tentativa de homicídio” de um gendarme no tiroteio que teve lugar a 7 de Agosto de 1983 num parque de campismo de Léon, nas Landas, entre militantes do Iparretarrak e agentes da Gendarmerie francesa.
Nunca mais voltou a ser visto, e as autoridades francesas não manifestaram, nestes 25 anos, qualquer interesse em esclarecer o que realmente aconteceu em Léon.
O Tribunal Especial de Paris deu-o agora como morto e ordenou que se suspenda a busca do jovem de Heleta, de acordo com informações da agência AFP.

Fonte: Gara
Para se compreender melhor o enquadramento desta decisão e todo um conjunto de bizarrias ligadas ao processo, ver: Paris deixou passar 25 anos sem esclarecer o paradeiro de Popo Larre, de Gari Mujika (publicado no Gara a 08/08/2008 e aqui apresentado no dia seguinte).

Activistas da AHT Gelditu! cortam a linha ferroviária no centro de Durango


Dois opositores ao comboio de alta velocidade acorrentaram-se ontem a um bidão de cimento em Durango, paralisando o tráfego ferroviário e rodoviário no centro da localidade. Apesar de a Ertzaintza ter detido os dois opositores, ambos foram postos em liberdade horas mais tarde.

Numa acção de protesto contra o projecto do TGV, duas pessoas acorrentaram-se ontem ao meio-dia a um bidão de cimento na passagem de nível de Ezkurdi, em pleno centro de Durango. Cortaram assim o tráfego de automóveis e de comboios da linha da EuskoTren entre Bilbau e Donostia. De acordo com a plataforma AHT Gelditu! Elkarlana, “apesar de a acção ter sido pacífica, a Ertzaintza realizou algumas cargas, tentando dispersar as pessoas que se encontravam nas redondezas e mostravam o seu apoio aos acorrentados”.

A Ertzaintza prendeu os dois activistas, que ficaram em liberdade ao longo da tarde. Mesmo assim, deverão apresentar-se perante o juiz quando tal lhes for requerido.

Membros da plataforma esclareceram que a acção foi realizada para “denunciar e deixar bem claro a responsabilidade que a EuskoTren e a Renfe têm na questão do TGV, já que essas duas empresas estão a participar na destruição” do meio ambiente.

No dia anterior, mais de mil de pessoas tinham-se manifestado na mesma localidade biscainha contra o TGV. Embora o Aralar tivesse pedido à plataforma, antes de se iniciar a marcha, que denunciasse a morte de Inazio Uria, que qualificou de “ingerência” da ETA na oposição ao macro-projecto, um porta-voz da AHT Gelditu! indicou que não ia ser feita qualquer declaração a esse respeito.

Por seu lado, o porta-voz do PP, Leopoldo Barreda, pediu que se actue contra esta plataforma “caso não condene o atentado da ETA”.
Fonte: Gara

Manifesto da esquerda ‘abertzale’: um novo ciclo é possível


No último sábado, coincidindo com o 30.º aniversário da imposição da Constituição espanhola, a esquerda abertzale tornou público um manifesto em que dá a conhecer as bases fundamentais para a abertura de um novo ciclo político em Euskal Herria, e apelou a uma ampla reflexão estratégica por parte daqueles que crêem esgotado o actual modelo estatutário.


Vídeo da manifestação a favor da independência de Euskal Herria que decorreu em Durango na tarde desse mesmo sábado, dia 6, no qual também se podem ver excertos da intervenção da representante da esquerda abertzale Itziar Abellanal (em euskara e castelhano).

Querem realmente acabar com a tortura?

Depois de o terem detido faz hoje 23 anos, a Guarda Civil pretendeu fazer crer que Mikel Zabalza tinha fugido atirando-se ao rio Bidasoa (estava algemado e não sabia nadar!), mas os testemunhos dos restantes detidos, brutalmente torturados e postos em liberdade, deixaram bem claro o que realmente aconteceu: Zabalza foi torturado até à morte no tristemente famoso quartel de Intxaurrondo, como foi reconhecido num relatório interno do CESID.

Contudo, os seus torturadores nem sequer foram julgados, e no 20.º aniversário da sua morte o Governo basco realizou uma declaração institucional recordando o então sucedido e pedindo que se fizesse justiça. Gesto sem dúvida insuficiente mas mesmo assim importante. Agora, essas mesmas autoridades negam-se a fazer pelo menos um gesto idêntico relativamente aos milhares de vítimas de tortura a que não se fez justiça; sobretudo, relativamente às vítimas dos polícias às suas ordens.

Em vez disso, negam uma e outra vez que até há alguns anos a Ertzaintza torturasse do mesmo modo que a Polícia e a Guarda Civil, e por isso evitaram a todo o custo durante seis longos anos o cumprimento de uma simples recomendação que o Ararteko [Provedor de Justiça da CAV] realizou em 1999 como medida eficaz contra a tortura.

De facto, com base nas inúmeras denúncias de tortura efectuadas por pessoas mantidas sob incomunicação pela Ertzaintza, o Ararteko recomendou em 1999 que “em todas as esquadras da Ertzaintza se estabelecesse um sistema de controlo baseado em gravações de vídeo realizado a partir das câmaras situadas nos corredores da zona dos calabouços”. Recomendação que, como a dita instituição reconheceu, possuía “menos alcance que as efectuadas pelo Relator da ONU, mas era fácil de pôr em prática, uma vez que se utilizava o sistema de câmaras já existente”.

Depois de algumas reticências iniciais, fundamentadas em supostas dificuldades técnicas, o Departamento do Interior aceitou, mas, tal como denunciou o Ararteko, durante anos a Ertzaintza andou a fazer gravações de todas as pessoas detidas excepto, precisamente, das que se encontravam sob incomunicação.

Por fim, a 30 de Setembro de 2005 (seis longos anos depois de o Ararteko o ter solicitado!), o conselheiro do Interior, Javier Balza, anunciou que iam começar a fazer gravações também das pessoas sob incomunicação. E, apesar de o PSOE e o PP terem então afirmado com grande veemência que iriam continuar a ocorrer denúncias de torturas na esquadra contra a Ertzaintza, não voltou a haver mais nenhuma. Nem uma só. O que não quer efectivamente dizer que as denúncias precedentes fossem falsas.

Balza explicou mais tarde aquela medida da seguinte maneira: “É simples: como em 95% dos calabouços da Ertzaintza estava já instalado o sistema de gravação, bem, no momento em que assumimos o compromisso político deu-se a ordem para que os detidos sob incomunicação fossem mantidos em calabouços equipados com sistema de gravação”.

Não podia ter falado de forma mais clara. Se era tão simples, por que não o fizeram antes? A resposta é óbvia: porque a Ertzaintza continuava a torturar. Foi precisamente por isso que levaram tantos anos a aplicar uma medida tão simples!

As autoridades espanholas, entretanto, continuam obstinadamente a negar a gravação, alegando, de acordo com o último relatório do Relator para a Tortura da ONU, que “as Forças de Segurança não dispõem, na actualidade, de capacidade técnica para proceder à gravação, de maneira permanente, de todas as pessoas que se encontrem em situação de detenção sob incomunicação”.

Assim, depois de terem abarrotado, desde há tantos anos, todos os espaços públicos com câmaras de vigilância, têm a lata de vir alegar uma suposta falta de capacidade técnica para colocar umas quantas no interior das esquadras e dos quartéis onde mantêm sob incomunicação e torturam tanta gente.

Perante isto, há que gritar alto e bom som que, em caso de denúncias de tortura, o ónus da prova não pode recair em circunstância alguma sobre a pessoa torturada, pois o regime de incomunicação torna impossível que contribua com qualquer prova. Esse ónus deve recair, sem dúvida, nas autoridades, que podem facilmente videogravar os que se encontram sob incomunicação de modo a provar que não ocorreu qualquer espécie de mau trato, como continuam a pedir, ano após ano, inúmeros organismos internacionais de reconhecido prestígio.

As autoridades da Comunidade Autónoma Basca também inventaram mil e uma desculpas até 2005 para evitar a aplicação desta medida tão simples, e desde então pouco mais fizeram para ajudar a erradicar a tortura. E, o que é mais grave, continuam a afirmar que devem ser os juízes a esclarecer as denúncias de tortura. Como se não fosse suficientemente claro a quem esses juízes exigem provas impossíveis e a quem se abstêm de pedir até o insultantemente óbvio!

Se querem acabar realmente com a tortura, só o poderão fazer tendo a verdade por diante. Estão fartos de saber qual é o caminho: deveriam reconhecer e denunciar o que realmente aconteceu a esses milhares de vítimas da tortura, e envolver-se a fundo na erradicação dessa chaga.

Oxalá o façam quanto antes!

Xabier MAKAZAGA
membro do Torturaren Aurkako Taldea [Grupo contra a Tortura]

Fonte: askatu.org

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Um mês de acontecimentos em comentários

A ausência de publicação no nosso blogue por um período de cerca de um mês foi sentida por muitos frequentadores desta página que nos manifestaram a sua estranheza e questionaram as razões deste interregno.
Esperamos retomar agora a publicação regular e convidamos os nossos visitantes a actualizarem connosco a informação do último mês através dos comentários de Iñaki Altuna, Floren Aoiz, Dani Goméz e Amparo Lasheras que, diariamente marcam presença na Infozazpi



Iñaki Altuna – 03/11/08

Comenta o pedido de absolvição de 5 dos implicados no mega-processo 18/98 e redução das penas pela Procuradoria do estado espanhol. Martin Garitano questiona se se está diante de uma iniciativa histórica. Altuna refere que as penas ditadas eram exageradas e claramente políticas, decididas sobre actos não provados, ajuizamento de actividades políticas e sob o pressuposto de que todas essas actividades faziam parte de um entornam da ETA.
Comenta também o arquivamento do caso de denúncia de tortura por Unai Romano, a admissão, pela primeira vez, do envolvimento de neofascistas italianos no desaparecimento de Eduardo Moreno Bergaretxe – Pertur, antigo dirigente da ETA Politico-Militar, e a abertura deste caso pela Audiência Nacional. Trata-se de mais um caso que se associa à Guerra Suja. Iñaki Altuna sublinha contudo que estas iniciativas judiciais são mínimas e que a regra do estado continua a ser o acosso do que é dissonante.



Floren Aoiz – 04/11/08

Refere-se ao divórcio entre o PP e a UPN, às saídas na UPN, ao nacionalismo da UPN que, segundo Aoiz, não passa de uma manobra eleitoral da UPN que o PP não entendeu. Comenta a possibilidade da escolha de Yolanda Barcina para encabeçar a lista da UPN às eleições autonómicas.
Aoiz adianta algumas informações acerca das averiguações sobre o assassinato de Pertur.



Dani Goméz – 05/11/08

Comenta o orçamento do estado e a negociação entre o PNV e o PSOE. Diz que tal como nas negociações sobre o conflito basco também no que se refere às transferências orçamentais a palavra do PSOE não é uma garantia.
Dá também a sua opinião sobre a ruptura entre o PP e a UPN dizendo que quando chegar a necessidade eleitoral estas duas forças devem voltar a unir-se.
Quanto à libertação de 5 detidos em Iparralde, Dani Goméz considera que estas operações levadas a cabo pelas autoridades francesas, evocando constantemente o financiamento da kalle borroka e do Batasuna, fazem parte de uma estratégia para desprestigiar a esquerda abertzale para, num futuro próximo, procurar justificar a ilegalização do Batasuna em Iparralde.



Amparo Lasheras – 06/11/08

Amparo Lasheras comenta as 11 detenções em Iparralde por presumível e indistinta ligação ao financiamento da kalle borroka, de Herriko tabernas através do Batasuna e do Batasuna no estado francês. Questionada sobre as pretensões do governo francês, Amparo diz que o objectivo é o amedrontamento e o isolamento da esquerda abertzale e lança dúvidas sobre a legalidade destas acções.
Lasheras fala também da situação dos 14 presos políticos que estão dispersos e que são vítimas de doenças incuráveis. Lembra que de cada vez que há campanhas para denunciar estas situações e as de tortura surge uma contra-campanha. Classifica a situação destes presos como estando condenados a uma morte lenta, e lembra que não é apenas o estado espanhol o responsável por esta situação mas todos os que estão coniventes.
Comenta ainda o comunicado da ETA e a suas referências a “um ataque terrorista sobre Euskal Herria” e à inevitabilidade de uma nova negociação.
Classifica de cínica a atitude do PNV ao afirmar que enfrentará o PSOE.




Iñaki Altuna – 10/11/08


Comenta a existência de 750 presos políticos bascos, uma cifra que não se verificava há 40 anos. O aprisionamento massivo de independentistas de esquerda faz também parte da estratégia de desmobilização e amedrontamento do poder espanhol.
Altuna fala ainda da consulta realizada em Gernika (em que participaram apenas 17% dos eleitores), do afastamento da EA (Eusko Alkartasuna) das opções do PNV a quem acusa de negar o direito a decidir e do comunicado da ETA. Sobre este último sublinha que se verifica, por parte da maior parte dos partidos e órgãos de comunicação social, uma crescente falta de análise do conteúdo político destes comunicados e a atenção apenas à reivindicação de atentados.



Floren Aoiz – 11/11/08

Fala da ruptura entre a EA e o PNV e a EB e a Aralar, fala de Barcina como elemento de ligação entre a UPN e o PP. Comenta a acusação sobre 3 jovens de Navarra de pertença à Segi e à banda armada.



Dani Goméz – 12/11/08

Refere-se às alterações do Código Penal que o El País anuncia – delitos chamados de terrorismo, a verificar-se, estarão sujeitos, na prática, a penas de prisão perpétua: depois de cumprida a pena de prisão os condenados só poderão relacionar-se com pessoas autorizadas pelo tribunal e terão de viver num sítio concreto a designar também pelo tribunal. Dani Goméz considera que estas medidas se devem também às reacções contra a libertação de Iñaki De Juana.
Comenta também a ordem do juiz de busca, captura e prisão imediata de Iñaki De Juana e refere que a Audiência Nacional se move por impulsos mediáticos, sublinhando a inexistência de base legal para esta actuação judicial. O objectivo, acrescenta, é obrigar este idependentista basco a cumprir mais tempo de prisão do que a própria lei do estado permite. Refere também a predisposição de De Juana prestar declarações no norte da Irlanda.
Sobre as posições da EA expõe a sua estranheza pelo facto de só agora este partido se dar conta das “posições autonomistas e não soberanistas do PNV”, uma vez que o PNV tem revelado essa postura nos últimos 30 anos. Adianta que poderá haver um aumento da polarização do voto.



Amparo Lasheras – 13/11/08

Comenta a separação da EA do PNV e a mudança do seu discurso. Considera que se a aposta da EA pela soberania é séria então terá na esquerda abertzale um companheiro de viagem. Levanta, contudo, a possibilidade de se tratar apenas de um discurso eleitoral. Está certa que, independentemente do modo, e com a responsabilidade de sempre, a esquerda abertzale estará presente nas eleições.
Comenta também a proposta de alteração ao código penal considerando a sua iniciativa de cínica pois ataca direitos fundamentais e a própria constituição espanhola. É a prisão perpétua disfarçada, diz Lasheras.



Iñaki Altuna – 17/11/08

Fala da Detenção de Txeroki, a quem é atribuído um papel de dirigente de grande relevo na ETA, fala das mais recentes denúncias de tortura em Navarra e volta a considerar que o uso sistemático da tortura é um elemento estratégico na luta contra o independentismo basco, fala da notícia das declarações de Iñaki De Juana em Belfast e considera que esta é uma obsessão, uma vingança dos responsáveis espanhóis que não lhe perdoam o facto de não ter cumprido uma pena de prisão maior do que a sua condenação. Fala ainda da desqualificação da selecção de futebol de Euskal Herria para selecção de Euskadi.



Floren Aoiz – 18/11/08

Entre outros assuntos comenta a detenção de Txeroki dizendo que tal como em outros episódios de detenções, também agora se volta a falar na prisão do elemento principal da ETA. O que é importante perceber, na sua opinião, é que não é pela via policial que se vai acabar com a ETA.
Sobre o facto do juiz irlandês não ter dado provimento às pretensões espanholas, Aoiz sublinha a falta de seriedade da acusação.



Dani Goméz – 19/11/08

Fala da situação no PNV e sobre a iniciativa do PP em criar uma comissão para vigiar a EA – as suas relações com a esquerda abertzale sob a “espada de Damócles da lei dos partidos”, uma comissão para analisar também a aproximação aos objectivos da esquerda abertzale. Dani Goméz considera curioso verificar como o PNV sempre se escapa destes processos e conclui que isso acontece por não constituir uma ameaça.
Comenta também a inexistência de coligação entre o PNV e a EA e entre a EB e a Aralar dizendo que este é um modo de clarificar a situação política e permitir a fotografia exacta da força de cada um.



Amparo Lasheras – 20/11/08

Acerca das decisões de Garzón sobre as investigações dos crimes do franquismo, Amparo fala em falta de respeito e insulto sobre as famílias das vítimas.
Comenta o aumento de denúncias de tortura em Navarra dizendo que é um escândalo a todos os níveis a impunidade e a manutenção sistemática destas práticas, um escândalo que já ultrapassou todos os limites toleráveis.
Fala também da comissão do PP para investigar eventuais ligações entre a esquerda abertzale e a EA.



Iñaki Altuna – 24/11/08

Comenta a expressão “pólo soberanista” que tem sido várias vezes referida nos últimos tempos. Diz tratar-se genericamente da eventualidade de uma acumulação de forças em torno do direito do povo basco a decidir. Refere-se também à prisão de 3 jovens acusados de ligação à ETA por terem sido apanhados a colar cartazes da Segi e à possibilidade de, a médio prazo, terem lugar novas negociações.



Floren Aoiz – 25/11/08

Fala da sondagem, realizada em Navarra, que dá a UPN e o PP com resultados próximos. Dá a sua opinião sobre o uso da expressão “pólo soberanista” alertando para as diferentes interpretações e salvaguardando o que pode haver de comum nessas interpretações. Classifica de delírio as declarações de Ibarretxe sobre a inclusão de uma consulta no seu programa eleitoral. Comenta ainda a proposta de fusão da Kutxa e do BBK.




Amparo Lasheras – 27/11/08


Refere-se à saída de 20 militantes da EB. Considera, a este propósito, a caminhada para o desaparecimento desta força política (com a eventualidade de acordos entre o PNV e os socialistas) e as suas permanentes cedências em troca da participação no poder. Fala da independência da Gronelândia e da proposta de fusão da Kutxa e do BBK sublinhado que se trata de um negócio mais de acordo com interesses particulares que do interesse económico basco.




Iñaki Altuna – 01/12/08


Fala da primeira entrevista de Otegi desde que saiu da prisão e, particularmente, da sua afirmação de que a esquerda abertzale estará presente nas eleições autonómicas.
Comenta o chumbo na fusão do BBK e da Kutxa e da aposta dos socialistas em ganhar as eleições, sublinhando, nesta questão, a importância do papel que jogará a esquerda abertzale e o risco de polarização a que estas eleições estão votadas.




Floren Aoiz – 02/12/08


Comenta a notícia sobre a arrecadação do dinheiro do Batasuna para os cofres do estado e ajuda às ”vítimas do terrorismo”, 544 euros que a direita espanhola pouco. Aoiz diz que se trata de uma espécie de “abordagem de piratas” que ficam insatisfeitos quando abrem o “cofre”. Lembra que o estado devia dinheiro das subvenções legais às organizações da esquerda abertzale e que estas foram obrigadas a recorrer ao crédito bancário e que, quando foram ilegalizadas, as entidades credoras fizeram a liquidação. Sublinha que o estado não pagou as subvenções correspondentes a dezenas de milhar de cidadãos bascos.
Acerca da não fusão das caixas de Guipuzcoa e Biscaia fala da mistura que o PNV faz de partido, com as instituições e com o país e dos seus interesses particulares.
Fala da situação interna da UPN.



Dani Goméz – 03/12/08

Comenta a decisão do Parlamento de Gasteiz de acatar a decisão do Tribunal Supremo em colocar a bandeira espanhola na sua fachada, refere o voto contra da EA, e o facto do PNV acatar todas as decisões do estado. Comenta também a afirmação do PP sobre um acréscimo de “liberdade” com esta decisão dizendo que se trata antes de uma manifestação do tribunal em deixar claro quem é que manda. Acrescenta que essa bandeira não vai, no entanto, ser colocada no coração de muitos bascos, que a batalha legal estaria ganha mas que Espanha tem perdida a guerra dos sentimentos em Euskal Herria.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Dia de Nafarroa consolida esforço pela recuperação da história do ‘herrialde’


A celebração de carácter popular do Dia de Nafarroa que a Orreaga Fundazioa tem vindo a organizar nos últimos tempos centrou-se ontem na memória histórica, e converteu-se, junto ao Monumento aos Foros de Iruñea, numa exigência categórica da sua recuperação.

A celebração do Dia de Nafarroa que a Orreaga Fundazioa organizou nos últimos anos centrou-se ontem na memória histórica deste herrialde e, mais concretamente, na necessidade de a recuperar. Esta festa de carácter popular converte-se num ajuntamento dos navarros que reivindicam a sua condição como tal, face aos ataques que se sucedem contra a sua identidade por parte dos actuais governantes, em seu entender. Ontem foram lembrados episódios decisivos como a conquista, em 1512, por parte do Reino de Castela, e denunciaram-se as tropelias que se foram sucedendo ao longo destes 500 anos contra a antiga soberania navarra; cometidas tanto por instituições de fora como pelas próprias, internas, actuantes em conivência com aquelas.

A jornada começou com kalejiras [marchas de rua] de dantzaris e diversos músicos que encheram as ruas do centro da Alde Zaharra [Parte Velha] de Iruñea de folclore local, num percurso realizado pela Estafeta, Mercaderes, Praça do Município, Chapitela e Praça do Castelo. A kalejira terminou junto ao Monumento aos Foros, no Passeio Sarasate, onde centenas de participantes se reuniram e assim responderam ao apelo da Orreaga. A txalaparta deu início a um conjunto de eventos em que alternaram bertsos, canções e leitura de manifestos. Fazendo jus à reivindicação da História de Nafarroa, a Orreaga honrou na edição de ontem a Associação Ahaztuak, e convidou o seu porta-voz, Javier Txarela, para a leitura do discurso de abertura. Tanto ele como a apresentadora Karmele Galartza fizeram um percurso pela história silenciada, como a mais recente do franquismo, e congratularam-se com os resultados do trabalho realizado para a sua recuperação.

Lembraram Mikel Laboa
Entre a actuação dos dantzaris, as sessões dos bertsolaris que vieram do outro lado dos Pirinéus, o grupo coral da AEK, as composições de acordeão de Enrike Zelaia e as conhecidas peças que foram cantadas juntamente com o público, destacou-se o momento em que os organizadores lembraram o recém-falecido Mikel Laboa e se entoou um emotivo «Hegoak ebaki banizkio» [1.º verso da canção «Txoria Txori»]. A celebração terminou com um almoço popular.

Jasone MITXELTORENA
Fonte: Gara

O conflito não se resolve esperando

A morte do empresário azpeitiarra Inazio Uria, num atentado, levou a que destacados representantes institucionais e dirigentes políticos apelassem ontem à esperança, para que a sociedade basca mantenha o olhar posto num horizonte de paz e normalidade política para Euskal Herria, mas muitos deles sublinharam, ao mesmo tempo, que a única coisa que esperam é o desaparecimento da ETA. Essas mensagens não servirão para nada se quem as lança não é capaz de acrescentar mais do que palavras para resolver uma situação que os seus predecessores também não souberam – e em muitos casos não quiseram – solucionar.

Neste mês de Dezembro passam 30 anos sobre a entrada em vigor da actual Constituição espanhola, que não foi aprovada nas urnas pelos cidadãos de Hego Euskal Herria [País Basco Sul]. Aquele pacto entre a ditadura franquista e a tímida oposição que se apresentava como defensora dos valores democráticos marcou em grande medida os parâmetros em que agora se encontra o denominado conflito basco.

Neste mesmo mês passam 50 anos sobre o nascimento da ETA, facto que por si só deveria servir para relativizar as categóricas manifestações que ontem pronunciaram, entre outros, José Luis Rodríguez Zapatero e Juan José Ibarretxe sobre supostos frutos da luta policial contra a organização armada. Em momentos tão dramáticos como estes – questionamo-nos –, para que servem as triunfantes aparições dos ministros espanhóis do Interior após as detenções de militantes da ETA? E por que é que Alfredo Pérez Rubalcaba preferiu ontem deixar-se ficar em segundo plano?

Existem vias para conseguir que a esperança se plasme num cenário democrático em Euskal Herria, mas, para avançar por esse caminho, é necessário abandonar as folhas de rota caducadas e retomar os rumos que se foram desbravando no último processo de diálogo. É necessário que os representantes políticos – e outros agentes sociais – assumam riscos, rompam inércias e apostem numa verdadeira mudança no nosso país.

Fonte: GARA

Para mais informação sobre o atentado de ontem em Azpeitia, ver: Gara

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Morreu Mikel Laboa

Hoje, num hospital de Donostia. Tinha 74 anos.



«Izarren Hautsa» [Pó das estrelas]

Letra: Xabier Lete
Música e interpretação: Mikel Laboa



O pó das estrelas converteu-se um dia em gérmen de vida.
E dele surgimos nós num qualquer momento
E assim vivemos, criando e recriando o nosso meio
Sem descanso. Trabalhando, sobrevivemos
E estamos todos presos a essa dura corrente
[…]
Do mesmo tronco de que nascemos
Nascerão outros jovens ramos que hão-de continuar a luta
Que se tornarão donos conscientes do seu futuro
Pela força e evidência dos factos
Hão-de converter em fecunda e racional realidade
O que em nós é sonho e desejo


«Txoria Txori»,
interpretada por Mikel Laboa e o Orfeão donostiarra



Hegoak ebaki banizkio
nerea izango zen,
ez zuen alde egingo.
(bis)

Baina, honela
ez zen gehiago txoria izango
Eta nik… txoria nuen maite.
(bis)
--
Se lhe tivesse cortado as asas,
teria sido meu,
não teria escapado.
(bis)

Mas assim
já não seria um pássaro.
E eu… o que amava era um pássaro.
(bis)