quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Batasuna acusa Paris de tomar uma decisão contra o processo e reitera o seu compromisso

O Batasuna considerou «muito grave» a decisão do Tribunal de Pau de dar luz verde ao mandado europeu contra Aurore Martin e responsabilizou o Governo francês por ter tomado uma decisão que vai «contra o processo de solução».



Jean-Claude Agerre e Xabi Larralde afirmaram que o Governo francês procura «de facto» a sua ilegalização com a decisão de dar luz verde ao mandado europeu contra a ex-mahaikide Aurore Martin, que enquadraram no «ambiente repressivo geral» que se vive em Euskal Herria.

O Batasuna não tem dúvida de que, «quando detiveram Aurore Martin, já tinham tomado a decisão de a deixar nas mãos da Audiência Nacional espanhola» e defende que se trata de uma decisão política que ocorre num momento político concreto.

Agerre e Larralde, que surgiram acompanhados na conferência de imprensa por uma dezena de militantes abertzales, perguntaram o que se passou em Euskal Herria de Junho para cá, para que, seis meses depois de ter refutado o primeiro mandado europeu, o Tribunal de Pau tenha agora aprovado o segundo. «Ao longo destes meses foram dados passos importantes no processo de forma a possibilitar a solução do conflito», salientaram.

Por isso, acusaram o Governo de Paris de tomar uma decisão que vai «contra o processo de solução» e pediram-lhe que, «em vez de trazer para Ipar Euskal Herria a situação de excepção de Hegoalde [Sul], assuma a sua responsabilidade na solução do conflito».

Os representantes do Batasuna destacaram que o compromisso da esquerda abertzale com «um processo democrático e pacífico é firme» e pediram a todos os agentes que se posicionem de uma forma «clara e eficaz».

Fizeram, ainda, um apelo aos cidadãos para que secundem os protestos e as mobilizações que se venham a organizar contra a decisão do Tribunal de Pau.
Fonte: Gara

«Ares agradece o «esforço» francês e o Batasuna vê um ataque à sua estratégia» (Gara)
O conselheiro do Interior de Lakua, Rodolfo Ares, encarregou-se de confirmar, ontem, a intencionalidade da «original» actuação judicial contra o Batasuna no Estado francês ao agradecer a Paris o seu «esforço» no caso de Aurore Martin. A aprovação do mandado europeu pelo Tribunal de Pau foi questionada por quase todas as forças de Ipar Euskal Herria. O Batasuna ressalta que «ocorre num contexto determinado» mas que nenhum ataque os fará mudar de estratégia.