quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cerca de trinta representantes eleitos denunciam o desaparecimento de Jon Anza


Está quase a fazer cinco meses desde que Jon Anza apanhou o comboio em Baiona e nunca mais deu sinal de vida. Desejando esclarecer este caso, diversos agentes sociais, políticos e culturais tinham convocado, em Julho, uma manifestação para 19 de Setembro de 2009. Uma convocatória renovada ontem por cerca de trinta eleitos municipais, em Baiona.

Representados pelos vereadores de diversas localidades de Ipar Euskal Herria - Mikel Iturbide (Angelu), Peio Etxeberri-Etxart (Donibane Lohizune), Ixabel Etxeberria (Urruña), Battitt Amestoy (Uztaritze) e Maialen Tapia (Uztaritze) -, os eleitos exigem explicações aos estados francês e espanhol.

«Exigimos a verdade», afirmou Peio Etxeberri-Etxart. «Ouvimos, aqui e ali, rumores bem sombrios sobre o desaparecimento de Jon Anza e estamos bastante preocupados», acrescentou Ixabel Etxeberria, que lembrou o desaparecimento de outros militantes abertzales, como Pertur, Naparra ou ainda Popo Larre.

É por isso que os eleitos presentes apelam à responsabilidade dos representantes políticos. «Não falamos na qualidade de militantes; dirigimo-nos aos outros eleitos a partir das responsabilidades que temos enquanto vereadores», afirmou Peio Etxeberri-Etxart.

Guerra suja
Depois da apresentação inicial da manifestação, um colega de trabalho de Jon Anza tinha sublinhado que «o facto de não haver notícias dele aponta para a hipótese de sequestro político». Formações partidárias, sindicais, solidárias como CDDHPB, Anai-Artea, LAB, ELB, NPA, Batasuna, AB e Askatasuna também tinham estabelecido a ligação com a «guerra suja» do tempo dos GAL. Fazendo uma comparação com o desaparecimento do heletarra Popo Larre, Gabi Mouesca tinha igualmente realçado que, «nos dois casos, os estados não realizaram um estudo sério».

Cerca de um mês depois do seu desaparecimento, a ETA tinha identificado claramente o Aheztarra Jon Anza como sendo um membro da organização armada, precisando que havia um encontro marcado com ele no dia em que desapareceu, 18 de Abril. No comunicado enviado ao Gara, a ETA aponta o dedo ao Estado francês e espanhol como responsáveis por este desaparecimento.

Um mês depois, o ministro do Interior espanhol afirmou que este incidente «é um problema interno da ETA» e que «as Forças de Segurança do Estado não têm nada a ver com o assunto».

Goizeder TABERNA

Fonte: lejournalduPaysBasque - Euskal Herriko kazeta
Nota: A manifestação em protesto contra o desaparecimento de Jon Anza terá lugar no sábado, dia 19, em Donibane Lohizune (Lapurdi) e partirá às 17h da praça Luis XIV.
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