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sábado, 15 de agosto de 2020

«Identidade, opressão e luta de classes»

[De André Solha] Os comunistas não ignoram nem menorizam as diferentes formas de opressão que se abatem sobre diferentes grupos sociais, antes procuram explicá-las através duma ferramenta unificadora – o materialismo histórico e dialéctico – que traz todos os oprimidos à luta pelo fim da opressão de todos, isto é, pelo derrube das condições objectivas que servem de berço e pilar da opressão: a sociedade de classes e o modo de produção capitalista.
[…]
Compreender o processo histórico que hierarquiza e subalterniza sujeitos na divisão social, sexual, racial e internacional do trabalho é fundamental para um feminismo de classe, um anti-racismo de classe, um anti-sexismo de classe, revolucionários, com vista à abolição desta subalternização. (manifesto74)

quarta-feira, 29 de julho de 2020

«Ele está no meio de nós»

[De Ricardo M Santos] O fascismo e os seus símbolos nunca foram extirpados depois da Revolução. E o racismo é filho dele. A expressão do «país de brandos costumes» perdura ainda hoje, o mito dos colonizadores amigos, o esconder do que foi a brutalidade do regime português em África, no Brasil, os milhares e milhares de escravos, os massacres durante a guerra para onde foi arrastada uma geração de esfomeados […]

Ainda assim, há algumas coisas que não precisam de esperar pelo julgamento, porque as sentenças, numa sociedade capitalista, não são mais do que a interpretação de leis feitas pela classe dominante à sua medida.
[…]
O racismo existe em Portugal, está no meio de nós, como existe em todas as sociedades capitalistas, porque lhes é inerente. (manifesto74)

domingo, 26 de julho de 2020

«O racismo não é um papão»

[De André Solha] Recentemente tenho visto alardeada a tese de que o excesso de discussão sobre o racismo na esfera pública potencia o crescimento do racismo. Ora, o racismo não é um monstro que se auto-alimenta, e também não é um papão que desaparece se deixarmos de falar dele. Ele tem uma origem definida e serve interesses claros, os interesses da classe dominante.

ele cresce graças à crescente massa de deserdados do sistema, nossos companheiros e companheiras de classe, a quem o regime democrático burguês, não sendo capaz de responder aos seus anseios, aliena por acção da sua ideologia, fazendo-os crer que a culpa do seu baixo salário não é do patrão que os explora, mas do emigrante que aceita fazer o mesmo trabalho por menor salário. (manifesto74)

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Agentes encapuçados levam manifestantes: protestos em Portland há mais de 50 dias

Desde Maio que milhares protestam contra o racismo e a brutalidade policial na maior cidade de Oregon. A repressão ganhou nova dimensão com a intervenção dos militares, sem o aval das autoridades locais.

Mais controvérsia ainda geraram outras gravações em que se vêem manifestantes nas ruas a serem metidos à força em viaturas em viaturas não identificadas. Apesar das exigências de retirada das forças federais, na segunda-feira passada o Departamento de Segurança Nacional (DHS, na sigla em inglês) disse que não tinha intenção de sair de Portland. (Abril)

terça-feira, 21 de julho de 2020

Nos campos de Lleida, migrantes apanham fruta entre precariedade e estigma

Nogay Ndiaye lembra que a situação de «desamparo habitacional» dos trabalhadores sazonais não é nova, e que foi no contexto da pandemia, em 2020, que começou a sair à luz e a ser debatida: «Ninguém queria saber da situação dos migrantes até isso os afectar directamente, porque se aperceberam de que o facto de estes trabalhadores não estarem em boas condições também podia afectar a população em geral, a podia infectar. As pessoas reclamam uma solução mas por razões meramente egoístas, pelo seu próprio interesse. E, pior ainda, estão a criminalizar e a culpar» os trabalhadores, denuncia Ndiaye. (Abril)

domingo, 19 de julho de 2020

«Anatomia de um golpe anunciado»

[De António Santos] A retórica de Trump, cada vez mais extremada, não se coaduna com aquilo que o seu eleitorado quer ouvir. Pelo contrário, todos os estudos mostram que, a cada semana que passa, Trump aliena mais republicanos da sua plataforma. É como se Trump já tivesse desistido de falar para todos os republicanos e estivesse já somente a galvanizar os seus seguidores mais fundamentalistas: racistas, evangelistas, ultraconservadores, fascistas e neo-confederados de cortes vários.

A estratégia eleitoral de Trump para a América devastada pela pandemia da Covid-19 é o golpe de Estado. A polarização artificial é o contexto, a falsa bandeira será o pretexto. (avante.pt)

segunda-feira, 29 de junho de 2020

«O racismo não é um papão»

[De André Solha] Recentemente tenho visto alardeada a tese de que o excesso de discussão sobre o racismo na esfera pública potencia o crescimento do racismo. Ora, o racismo não é um monstro que se auto-alimenta, e também não é um papão que desaparece se deixarmos de falar dele. Ele tem uma origem definida e serve interesses claros, os interesses da classe dominante.

ele cresce graças à crescente massa de deserdados do sistema, nossos companheiros e companheiras de classe, a quem o regime democrático burguês, não sendo capaz de responder aos seus anseios, aliena por acção da sua ideologia, fazendo-os crer que a culpa do seu baixo salário não é do patrão que os explora, mas do emigrante que aceita fazer o mesmo trabalho por menor salário. (manifesto74)

quarta-feira, 17 de junho de 2020

«Marx, pensador do racismo sistémico»

[De Bruno Guigue] Para alguns opinadores ignorantes, o marxismo nada teria a dizer sobre anti-racismo. Acontece que Marx viu perfeitamente a relação entre discriminação racial e opressão de classe, e que escreveu páginas luminosas sobre a questão. Que Marx compreendeu que o racismo sistémico inerente ao esclavagismo mercantil era a certidão de nascimento do capitalismo moderno. (odiario.info)

segunda-feira, 15 de junho de 2020

«Da destruição de símbolos»

[De Irene Sá] Estátuas e monumentos fazem-se e erguem-se como homenagens. E homenagens são promessas de fidelidade, etimologicamente, compromissos de vassalagem e, numa interpretação de significado actual, reconhecimento sobre ascendência de valores e qualidades. E é por isso que a escolha das figuras ou dos acontecimentos a que colectivamente prestamos homenagem se inscreve na batalha das ideias.

Em tempos de convulsões políticas os símbolos do status quo são sempre objecto de atenção. Da luta pela mudança política faz parte a luta pela mudança do paradigma ideológico e desta a luta pela mudança imagética (entendendo-se por imagética a manifestação visual da ideologia, tal como definiu o Nicos Hadjinicolaou na sua História da Arte e Movimentos Sociais) e, naturalmente, pela simbologia associada. Aquilo que vemos a acontecer nos Estados Unidos com estátuas de esclavagistas e figuras associadas à opressão de negros e ao racismo é disto exemplo. (manifesto74)

Manifestantes voltam à Paulista contra Bolsonaro, o racismo e o fascismo

Contra o fascismo, o racismo e pela queda do presidente Jair Bolsonaro, os manifestantes ocuparam a Avenida Paulista, em São Paulo, ontem à tarde, naquela que foi a terceira mobilização de rua promovida por torcidas organizadas (de apoiantes de clubes de futebol) e pela Frente Povo sem Medo. A mobilização em São Paulo ficou também marcada pela diversidade de organizações, movimentos e personalidades unidos em defesa da democracia e do «Fora, Bolsonaro».

Simone Nascimento, do Movimento Negro Unificado, acusou o governo federal de ter instrumentalizado a pandemia do coronavírus para aprofundar o projecto de «genocídio secular» da população negra, dos indígenas e dos mais pobres. Em seu entender, isto evidencia-se na ausência de políticas de protecção social e combate à fome, e também na precarização do Sistema Único de Saúde (SUS). (Abril)

sexta-feira, 12 de junho de 2020

«O racismo vem no pacote do capitalismo»

[De José Goulão] A explosão social em curso nos Estados Unidos na sequência da execução policial e extrajudicial de George Floyd não é nova num país que nasceu do massacre organizado e sistemáticos dos povos indígenas do seu território. É a revolta de oprimidos, explorados, discriminados e excluídos por um sistema que não sabe – nem pode – funcionar de outra maneira: com base na violência e na intimidação.
[…]
Inevitavelmente, a discriminação, a xenofobia, o racismo estão incluídos no pacote de malfeitorias do sistema, por muito que os praticantes apregoem o contrário. (Abril)

quarta-feira, 10 de junho de 2020

«A centelha de Minneapolis»

[De Atilio Boron] O assassínio de George Floyd foi a chispa que desencadeou a grande revolta social e cívica que está em curso nos EUA. A discriminação racial tem muito antigas raízes históricas e culturais, e perpetua-se por coexistir com uma sociedade ela própria baseada na injustiça e na desigualdade. E não terá solução no quadro dessa sociedade.

Qualquer pretensão de «voltar à normalidade» que produziu tanta barbárie é uma melancólica ilusão. (odiario.info)

«Procura-se»

[De Gustavo Carneiro] O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, eclipsou-se. Tão habituados que estávamos a ouvi-lo, com aquela sua frontalidade, a defender a democracia, os direitos humanos, os valores europeus e ocidentais fosse onde fosse (mas de preferência na China, na Rússia, na Venezuela ou em Cuba), estranhamos-lhe agora o sepulcral silêncio.
[…]
O caso torna-se realmente estranho quando nem o assunto preferido de Augusto, a Venezuela, lhe suscitou reacção pública (pois lá no íntimo adivinhamos qual terá sido, sobretudo ao ver os navios iranianos a romper o bloqueio norte-americano). (avante.pt)

domingo, 7 de junho de 2020

«A América no ventilador»

[De Luís Carapinha] O nome de George Floyd junta-se a uma lista infindável de vítimas do aparato de violência racial e sistema segregacionista prevalecente nos Estados Unidos. O racismo tem uma história longa e raízes estruturais nos EUA e há que sublinhar que estas são inseparáveis da sua dimensão de classe.
[…]
Não era este o desconfinamento auspiciado por Trump e os sectores mais reaccionários da classe dirigente dos EUA, que reagem com a tentativa de criminalização dos protestos, a provocação da violência policial e o apelo à mobilização do exército. (avante.pt)

sexta-feira, 5 de junho de 2020

«Little Was Changed By The First Round of The Civil Wars Of 2020»

Unjustifiable police violence against one man was documented on video. This enabled the issue to spread. Protest, first local then nationwide and even internationally, followed. The police reacted to it with more unjustifiable police violence. This was again documented on video – one collection of these now has 282 entries – and spread further.

That the police and Trump lost their arguments unfortunately does not mean that anything within the U.S. will change. […] What has changed is the public image of the U.S. throughout the world. Years of careful branding and propaganda have been put to waste.

The current economic situation makes it certain that the civil war continues. The next round is likely to be more violent. The empire is sinking in front of our eyes. (moonofalabama.org)

terça-feira, 2 de junho de 2020

Sob toque de recolher e ameaças de Trump, norte-americanos ocupam as ruas

Milhares de norte-americanos voltaram às ruas na noite desta segunda-feira (01/06) pela sétima vez consecutiva para protestar contra o assassinato de George Floyd, cidadão negro que foi asfixiado por um policial branco em Minneapolis.

Em pronunciamento na Casa Branca na noite desta segunda, Trump afirmou que autorizou o envio de «milhares de tropas altamente armadas» do Exército norte-americano para reprimir os protestos. O mandatário ainda classificou as manifestações como «terrorismo doméstico» e ameaçou os governadores e prefeitos que não aceitarem disponibilizar tropas da Guarda Nacional para reprimir os protestos. (Opera Mundi)

segunda-feira, 1 de junho de 2020

«América em chamas»

[De Lúcia Gomes] Ser negro nos EUA significa que não se pode falar quando a polícia chega. As mãos ficam no volante. Ninguém se pode mexer. A primeira coisa se te mandam atirar ao chão é atirares-te ao chão e ficares calado porque estão doze polícias com uma arma no ar e a qualquer gesto matam-te. Não te prendem. Matam-te.
[…]
E aqui, em Portugal, ainda não é tarde. É preciso organização, porque combatividade, resistência e luta há. Mas há demasiadas vítimas. E não podemos deixar que avance mais. Ser negro não pode ser motivo para ser agredido, detido ou executado. E nós temos que estar na linha da frente. (manifesto74)

domingo, 31 de maio de 2020

Norte-americanos vão às ruas pelo 5.º dia consecutivo contra morte de homem negro nos EUA

As manifestações ocorreram em cerca de 30 cidades de 16 estados dos Estados Unidos, se entendendo pela madrugada deste domingo (31/05).

Em cidades como Washington, Seattle e Dallas, multidões se reuniram nas ruas para denunciar a violência policial e a discriminação racial no país. Casos de repressão policial foram registrados em Nova York, Los Angeles, Atlanta, Chicago e Miami. (OperaMundi)

sábado, 30 de maio de 2020

«Racismo, desigualdad y terrorismo institucional: el origen de los disturbios masivos en EEUU»

[De Misión Verdad] Los negros fueron el 24% de los muertos a pesar de ser solo el 13% de la población. El perfil es casi similar: hombres, muchos menores de 30 años, de barrios marginales, asesinados por policías blancos y los casos suelen quedar en total impunidad.

Es diferente cuando los roles se invierten. Mumia Abu-Jamal, periodista y ex Pantera Negra, fue acusado de matar a un policía blanco y condenado a cadena perpetua. Los mismos policías que lo acusaron, lo persiguieron durante sus días de activista por la liberación negra en Estados Unidos. (misionverdad)

Ver tb.: «Crece en todo el país la rebelión popular por el asesinato de George Floyd» (Resumen Latinoamericano)

quinta-feira, 28 de maio de 2020

«Foi nos Estados Unidos mas podia ter sido na Amadora»

[De Bruno Carvalho] Há quem tenha a coragem, e bem, de dizer que se trata de violência estrutural quando se trata dos Estados Unidos mas que meta água na fervura quando falamos de Portugal.

O problema é que não se pode esperar que a formação resolva aquilo que os sucessivos governos nunca quiseram resolver. A polícia é a tropa de choque dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros. O racismo não é um filme do Spike Lee que só acontece quando estamos sentados no cinema. Há um apartheid e, como em todos os apartheids, se não o sentes na pele é porque não vives em guetos permanentemente assediados pela polícia. É porque a tua cor da pele te permite existir sem teres de acelerar o passo de cada vez que vês um polícia. É porque nunca tiveste de te questionar: a polícia protege-nos mas quem nos protege da polícia? Aconteceu nos Estados Unidos mas podia ter sido na Amadora. (manifesto74)