domingo, 22 de outubro de 2017

«Verdades muito incómodas: prostituidores, coacção sexual e negação do dano na prostituição»

[De Melissa Farley / trad. de Lúcia Gomes] A globalização aumentou ainda mais o desequilíbrio de poder entre o prostituidor com a carteira e a mulher que aluga sua vagina por uma taxa. Em França, 85% das prostitutas são imigrantes, a maioria sem papéis e vulneráveis à exploração. Na Alemanha, com seus mega bordéis legais, cerca de dois terços. Se a procura não for combatida, mais virão.
[…]
Mas tolerar o abuso sexual é a descrição do trabalho da prostituição. Uma das maiores mentiras é a de que a maioria da prostituição é voluntária. Se não houver evidência de coerção, a sua experiência é descartada como «voluntária» ou «consentida». Um prostituidor disse: «Se eu não vejo uma corrente na perna, eu suponho que ela escolheu estar lá». Mas hoje a maior parte da prostituição é o que os abolicionistas alemães chamaram de prostituição da pobreza «Armutsprostitution». Isso significa que ela tem fome, ela não consegue encontrar emprego, ela não tem escolha. O pagamento da prostituição não elimina o que conhecemos como violência sexual, sexismo e violação. (manifesto74)