sexta-feira, 28 de abril de 2006

15 meses de prisão para Otegi



A Audiência Nacional espanhola acaba de condenar Arnaldo Otegi, porta-voz do Batasuna, a 15 meses de prisão "por enaltecimento do terrorismo" e a mais 7 anos de inibição de se poder candidatar a cargos políticos. Esta sentença vem na sequência de uma homenagem ao histórico dirigente da ETA "Argala" no 25º aniversário da sua morte. A defesa de Otegi recorrerá agora para o Supremo Tribunal.

A concretizar-se a prisão do dirigente da esquerda independentista, abre-se um obstáculo muito forte ao aprofundamento do processo de paz. A ETA decretou um cessar-fogo permanente e representa, até este momento, a única organização no plano militar que deu passos em prol da paz. De resto, a repressão prossegue com toda a normalidade. As manifestações do Aberri Eguna [dia da pátria basca] convocadas pelo Batasuna foram proíbidas. Há poucas semanas um jovem foi preso e torturado. De seguida, uma outra jovem foi detida. Jokin Gorostidi faleceu no contexto do mega-processo 18/98. Agora pretende-se encarcerar Otegi.

Há que destacar a inocência de Otegi. A homenagem a "Argala" não era apenas justa, era um dever de todo o revolucionário. Este militante histórico participou na acção militar que eliminou o terrorista Almirante Carrero Blanco e que abalou as estruturas do franquismo. Participou na consolidação da organização armada ETA e no alargamento do Movimento de Libertação Nacional Basca.


Lê mais sobre a vida de Jose Miguel Beñaran Ordeñana "Argala"

quarta-feira, 26 de abril de 2006

ASEH comemora Abril e luta do povo basco




A participação de milhares e milhares de pessoas marcou o desfile comemorativo do 25 de Abril de 1974. Entre centenas de organizações, a ASEH percorreu a Avenida da Liberdade sob o aplauso dos assistentes que se acumulavam nas sombras dos passeios. Acompanhando-nos, os companheiros bascos do Batasuna, da Askapena, da Etxera e da Askatasuna homenagearam também a Revolução de Abril e a luta dos portugueses por uma sociedade mais justa.

De seguida, um jantar de solidariedade com a luta do povo basco reuniu cerca de 70 pessoas. As intervenções dos companheiros bascos foram acompanhadas com aplausos, demonstração de carinho para com todos os que lutam contra a opressão dos Estados espanhol e francês. Perante a notícia do falecimento de Jokin Gorostidi, todos se levantaram para o homenagear.

Nos próximos dias, como noticiado, estaremos em debates na Univ. de Évora; na FCSH - Universidade Nova de Lisboa; na Cooperativa Gesto, em Miragaia, no Porto; no Museu República e Resistência em Lisboa e estaremos no desfile do 1º de Maio em Lisboa convocado pela CGTP que partirá do Estádio 1º de Maio rumo à Cidade Universitária, onde teremos a nossa "herriko taska" com materiais, comida e bebida.

Falecimento de Jokin Gorostidi


Foi com tristeza que a ASEH recebeu a notícia do falecimento do histórico militante da esquerda independentista Jokin Gorostidi. Depois de um ataque cardíaco o companheiro basco não resistiu a 4 dias de coma. A Mesa Nacional do Batasuna afirmou que acabou assim "uma vida imersa na luta pela liberdade de Euskal Herria". Deixamos a nossa sentida homenagem a um homem que esteve em momentos fundamentais da luta do povo basco. Um daqueles a que Brecht chamava os "imprescindiveis".

«A figura política de Jokin Gorostidi vem reflectir efectivamente quatro décadas de esquerda independentista, dois terços largos de uma vida na qual esteve sempre "preparado para assumir o que tinha de assumir". Por exemplo, a dupla condenação à morte imposta no processo de Burgos e que recordava numa entrevista, faz alguns anos. Quando os advogados lhe comunicaram a sentença, Jokin recordava que respondeu: "Isto vai servir para mobilizar ainda mais o nosso povo. Não dissemos na rua que estavamos dispostos a dar a vida?".»

Lê o resto da notícia em Gara.net

sábado, 22 de abril de 2006

Jokin Gorostidi em estado grave



O militante histórico da esquerda independentista Jokin Gorostidi encontra-se em estado muito grave num hospital em Donostia. Gorostidi foi, nos anos 70, um dos arguidos do célebre Processo de Burgos, no qual se pretendia condenar à morte um conjunto de militantes da ETA. Amnistiado, participou na formação partidária HASI e integrou a mesa nacional do Herri Batasuna. Está actualmente no grupo de acusados do Processo 19/98.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

ASEH inicia semana de luta e de esclarecimento solidários com o povo basco

O dia 25 de Abril configura uma data importante para o povo português. O conjunto de lutas que o povo português travou contra o fascismo deu frutos naquela madrugada de 1974. O processo revolucionário que daí se desenvolveu foi um dos mais profundos que a Europa Ocidental conheceu desde a Comuna de París. A classe trabalhadora encetou um largo caminho rumo à sua própria autodeterminação, rumo a um futuro construido pelas suas próprias mãos. Infelizmente, as forças reaccionárias travaram e trairam o povo português. A direita que contamina o Estado português apoderou-se de novo do poder económico e, consequentemente, do poder político. Os ataques à Constituição da República Portuguesa nascida na Revolução de Abril, os ataques ao Estado ao serviço da população, a subserviência às orientações capitalistas da União Europeia, e demais instrumentos do imperialismo e a degradação da independência nacional são problemas que nos devem mobilizar para a luta.

A Associação de Solidariedade com Euskal Herria (ASEH) participa nessa luta. Apelamos a que todos participem connosco e com o povo português na Avenida da Liberdade na homenagem à Revolução de Abril. No dia 25 de Abril, às 14h30, manifestar-nos-emos por Portugal e Euskal Herria independentes e socialistas. A decisão do futuro dos povos deve estar nas mãos de todos nós e não nas mãos de um punhado de oligarcas.

A ASEH inicia também no dia 25 de Abril uma série de acções solidárias com o povo basco. Estas acções culminarão no 1º de Maio, momento alto não só da classe trabalhadora portuguesa mas também dos trabalhadores de todos os países. Estarão connosco companheiros da Askapena, da Askatasuna e do Batasuna.

Acções de luta e de esclarecimento (actualizaremos os dados que faltam):

24 de Abril
- Conferência de imprensa em frente à embaixada do Estado espanhol, 16.30

25 de Abril
- Desfile na Av. da Liberdade, 14.30
- Jantar no Clube Estefânia, 20.00

27 de Abril
- Debate sobre a luta do povo basco na Universidade de Évora, 16.30

28 de Abril
- Debate sobre a luta do povo basco na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (UNL), 15.00

29 de Abril
- Debate sobre a luta do povo basco em Miragaia, na cooperativa Gesto, às 21h30, com a presença do jornalista Rui Pereira

30 de Abril
- Debate sobre a luta do povo basco no Museu República e Resistência, 16.30, seguido de jantar

1 de Maio
- Desfile com partida no Estádio 1º de Maio e fim na Cidade Universitária
- Banca com materiais de solidariedade, com comida e bebida na Cidade Universitária

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Betagarri na «Festa do avante!» 2004

Agência noticiosa espanhola pede desculpa a jornalista português

A agência noticiosa oficial espanhola EFE, foi finalmente obrigada a divulgar umha retractaçom pública e um pedido de desculpas em relaçom às acusaçons publicadas contra o jornalista português Rui Pereira, em que o acusava de "mater ligaçons" com a organizaçom ETA e de realizar trabalhos "pouco objectivos" sobre o conflito basco-espanhol.

As difamaçons partírom da difusom de umha entrevista de Rui Pereira com a organizaçom armada em 2003, cuja transmissom foi retirada, no próprio dia, do telejornal da noite do canal privado português SIC, na seqüência da intervençom do Conselho de Administraçom da agência espanhola. EFE pressionou na altura, através do seu delegado em Lisboa, Juan Frisuelos, os media portugueses para impedir a difusom do documento jornalístico, tecendo graves acusaçons contra Rui Pereira, que agora vê como os tribunais consideram a sua queixa contra EFE, obrigando a agência espanhola a umha desculpa e umha rectificaçom pública.

Em concreto, o desmentido agora publicado por ordem judicial, afirma que aquelas acusaçons fôrom "infundadas", tal como todo quanto naquela ocasiom pudesse levar a pôr em questom o profissionalismo de Rui Pereira, que avaliou todo o processo afirmando que "vem demonstrar com eloqüência bastante, ao exterior, como trata o jornalismo espanhol o chamado conflito basco, quando a agência oficial espanhola de notícias se permitiu tratar um jornalista estrangeiro em moldes tais que tivo de se desmentir e retractar de umha forma a tal ponto humilhante". Pereira acrescentou ainda que "é bom que os jornalistas portugueses chamados a cobrirem esta questom tenham em conta o agora sucedido, como recomendaçom de prudência e distanciamento relativamente à leitura pola imprensa espanhola do conflito basco, do qual se assume, declaradamente ou nom, como parte".

em Primeira Linha

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Orain herria, orain bakea! Agora o povo, agora a paz!



No próximo dia 14 de Abril, dezenas de milhares de jovens bascos "ocuparão" a pequena povoação de Sakana*Etxarri, na provincia basca de Navarra. Ali, encrustada no meio das montanhas, realiza-se o festival bianual do movimento juvenil da esquerda independentista. Todas as ruas e edificios municipais servirão de espaço à acção festiva. Durante 4 dias, uma pequena festa do avante!, com as devidas diferenças, animará as encostas de um país que luta pela liberdade.

A oportunidade de se assistir a debates sobre a história do movimento sindical, do movimento juvenil, sobre a luta da esquerda independentista, sobre temas ligados ao trabalho, ao ensino, à saúde, ao ambiente, à sexualidade, à cultura, ao desporto e à cultura é fascinante. O torno central de toda a festa encontra-se no convivio, na partilha de experiências e na luta pela independência e pelo socialismo. A música, que percorrerá toda a povoação com pequenos e grandes concertos abarcando todo os estilos, fará da célebre máxima de "festa sim, luta também" uma realidade.

No dia 16, páscoa, celebra-se o Aberri Eguna [Dia da Pátria]. As ruas de centenas de localidades bascas encher-se-ão de manifestações. A trégua permanente da E.T.A., que procura encontrar na autodeterminação a solução para o conflito, mobilizará milhares de pessoas que não quererão deixar de mostrar que a organização armada não é o problema mas sim a falta de democracia. A luta trava-se agora nas ruas.

Gora Euskal Herria askatuta eta sozialista!
Viva o País Basco livre e socialista!

Secretário de Estado espanhol censura pergunta sobre tortura

Tão trágico como cómico. A imagem do Secretário de Estado para a Segurança espanhola a ordenar a interrupção de uma entrevista com um jornalista australiano da cadeia televisiva SBS devia envergonhar todo o mundo. O sr. António Camacho começou a sentir-se incomodado com as evidências de que o Estado espanhol tortura cidadãos bascos.

O extracto da reportagem está no site do diário basco 'Gara'. Transcrevemos aqui o incómodo de quem usa métodos fascistas:

"Camacho diz ao jornalista que «não se podem generalizar» as denúncias por tortura e que «cada uma das suposições tem de ser investigada».

O'Shea diz-lhe para «ver alguns exemplos. Aqui tenho muitos», afirma enquanto desfolha um monte de papéis.

«Você pode contar-me as denúncias dessas pessoas, o qual não quer dizer que seja uma investigação séria. Em qualquer país europeu, as investigações sérias são as que fazem as instâncias judiciais, onde, da maneira mais adequada e com as garantias suficientes para todas as partes, pode investigar-se», responde-lhe Camacho.

«Evidentemente, também há muita gente e organizações como a Human Rights Watch, a Amnistia Internacional e 37 grupos de Barcelona que concordaram que existe tortura no acto de incomunicação [dos detidos]», replica o jornalista, que recorda os documentos do ex-Relator da ONU para a Tortura, Theo van Boven.

É nesse momento que Camacho lhe ordena que apague a câmera: «Corta. Vamos discutir as condições da entrevista». [Isto perante o ar embasbacado do repórter]"

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Solidariedade com Carlos Marabuto

Segundo vários órgãos de comunicação social, "a PSP comunicou ao Ministério Público, «como medida de cautela», a existência de uma montra com propaganda da organização terrorista basca ETA num centro comercial de Aveiro, disse hoje à agência Lusa fonte policial.

O comandante da Divisão de Aveiro da PSP, comissário Sérgio Loureiro, declarou que «a PSP já está informada da situação e fez a respectiva comunicação ao Ministério Público, como medida de cautela».

«As pessoas são livres de manifestarem o apoio político que entenderem, mas a ETA está ligada a actividades puníveis por lei, pelo que as actividades daquela organização são naturalmente seguidas», adiantou o comissário da PSP.

A existência de uma montra com cartazes e mensagens escritas em basco, de propaganda daquela organização, é revelada na edição de hoje do semanário local «O Aveiro».

O jornal entrevistou o arrendatário do espaço comercial, um ex- emigrante português que esteve radicado no País Basco durante 22 anos, que confessa ter ali participado em várias iniciativas de apoio à ETA e ao ilegalizado partido Herri Batasuna.

O ex-emigrante Carlos Marabuto, em declarações àquele jornal, considera que as mensagens de propaganda «em nada infringem a legislação nacional» e argumenta que «em Portugal a ETA não pode ser considerada uma organização terrorista porque nunca atentou contra o Estado português».

A loja situa-se no último andar do Centro Comercial OITA, numa zona com pouco movimento, e encontra-se encerrada e tapada com papel de cenário, tendo na montra cerca de meia centena de mensagens de propaganda coladas, entre panfletos, fotografias, desenhos, bandeiras e autocolantes.

Recentemente e antes da colocação da propaganda da ETA na montra, a PSP já havia apreendido ao ex-emigrante português um autocolante daquele movimento."

em Portugal Diário; TVI; Online News

A Constituição da República Portuguesa prevê a solidariedade com a insurreição dos povos contra todas as formas de opressão. Carlos Marabuto não fez mais que expressar a sua profunda solidariedade para com um povo que sofre e luta diariamente para ser livre.

Milhares de pessoas voltam às ruas



Foi com alegria que assistimos à libertação dos dirigentes da esquerda independentista injustamente presos. Nas ruas de Donostia participaram numa acção do Batasuna com a participação de milhares de pessoas.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Manifestação em Bilbau

domingo, 2 de abril de 2006

80 000 pessoas pelo direito à autodeterminação



Rompendo todos os limites dos últimos cinco anos, dezenas de milhares de cidadãos bascos apoiaram ontem em Bilbau a manifestação a favor de uma solução baseada na decisão e no acordo convocada conjuntamente pelo Batasuna, EA, Aralar, AB, ANB, Zutik e pelos sindicatos ELA, LAB, EHNE, ELB, ESK, STEE-EILAS e HIRU, e que para além do mais contava com o apoio de quase 50 agentes sociais. A marcha partiu da praça Aita Donostia pelas 17.30 entre aplausos e uma enorme expectativa mediática.

Ao longo de todo o percurso os participantes gritaram palavras de ordem a favor da independência e em apoio aos presos políticos bascos. Bandeiras catalãs, castelhanas, bretãs e navarras encargaram-se de colorir enquanto que enormes letras formavam a palavra "Konponbide", junto uma enorme bandeira pela repatriação dos presos políticos.

em Gara.net

quinta-feira, 30 de março de 2006

Arnaldo Otegi está preso

Ao contrário do publicado no último post, Arnaldo Otegi não foi libertado sob caução. O juiz espanhol Grande-Marlaska ordenou a sua prisão até que se paguem os 200 000 euros de caução. A decisão foi conhecida às 23.00 e Otegi encontra-se neste momento na prisão de Soto del Real.

quarta-feira, 29 de março de 2006

Otegi sai em liberdade sob caução


Otegi ergue o punho fechado


Otegi responde a fascistas espanhóis


A linguagem do fascismo: o insulto

O porta-voz do Batasuna Arnaldo Otegi entrou na Audiência Nacional espanhola às 17.15. Apesar de se ter recusado a prestar quaisquer declarações ao tribunal, declarou que "temos uma oportunidade real para solucionar os problemas", asseguram fontes judiciais. Quando tudo apontava para a prisão de Otegi, o dirigente do Batasuna saiu sob caução. O sistema judicial do Estado espanhol compreendeu as graves consequências que teria a prisão de Otegi.

- Meia centenas de pessoas acompanharam a saída de Arnaldo Otegi da sua localidade rumo a Madrid.

- À chegada, vários companheiros acusados pelo Processo 18/98 mostraram o seu apoio e uma concentração de fascistas espanhóis protestava e exigia a prisão do dirigente basco


- Quando Otegi subiu a escadaria de acesso à entrada voltou-se e sorriu-lhes erguendo o punho fechado, de súbito os fascistas arremessaram vários objectos. Agrediram também vários jornalistas.

sexta-feira, 24 de março de 2006

Comunicado da Mesa Nacional do Batasuna

Numa declaração dirigida ao País Basco, aprovada em reunião extraordinária pela Mesa Nacional do Batasuna e lida hoje em Iruñea em euskara, francês e castelhano, apoia a "aposta valente e decidida" da ETA ao anunciar o cessar-fogo, que na sua opinião "demonstra e sustenta a absoluta vontade" da organização armada "na sua aposta por procurar a paz e a democracia para todo o povo basco".


A Mesa Nacional entende que a decisão da ETA "se regista no contexto político marcado pela crise evidente da actual situação política que divide o nosso povo", pelo que insta à "superação de esquemas políticos do passado" para abordar "a oportunidade que se nos apresenta".

Assinala como construtores desta oportunidade os "cidadãos e cidadãs bascas e muito especialmente os militantes da esquerda independentista" pelo seu trabalho "nas instituições, na rua, nas prisões ou no exilio", e pede aos Estados espanhol e francês que "assumam agora as suas próprias responsabilidades" e "respondam de maneira imediata e de forma construtiva e positiva a esta conjuntura histórica".

A Mesa Nacional fez também um apelo "ao conjunto de forças políticas, sociais e sindicais do País Basco" por entender que "a bola está em poder de todos e em jogo, não há lugar para a desculpa ou para o interesse partidário", e fixou como "tarefa imediata a marcar" a de "acordar as bases, principios e compromissos para se pôr em marcha a Mesa de Solução".

"Sem pressas mas sem paragens, construir essa Mesa de Solução é um objectivo que deve construir-se sem a exclusão política ou territorial e com o respeito pelos direitos políticos e civis de todas as partes", assinala a declaração.

Conflito europeu

Por outro lado, o Batasuna entende que "o conflito político basco é um conflito europeu", pelo que apela à comunidade internacional "para que com a sua presença e ajuda garanta a irreversibilidade e o êxito do processo democrático", ao mesmo tempo que insta a sociedade basca "para que se mantenha activa neste processo".

O texto assegura também que "o Batasuna vê o futuro com confiança e seneridade. Ninguém nos vai oferecer nem solucionar nada. Corresponde ao povo basco continuar lutando e trabalhando para que o processo de soluções que temos de construir seja capaz de ir à raiz do conflito e dote de uma solução global, justa, compartilhada e duradoura o conjunto do País Basco".

Assim, afirma que o Batasuna assume o "compromisso de continuar a trabalhar com honestidade e discrição, mas sem secretismos" por uma solução que possibilite "a construção de um cenário democrático onde seja única e exclusivamente a vontade popular quem demonstre o nosso futuro como povo", e para a qual é consciente de que "falta um longo caminho".

Gara.net

quarta-feira, 22 de março de 2006

ETA ANUNCIA CESSAR-FOGO PERMANENTE



< Comunicado em mp3 >
< Comunicado em video >

Euskadi Ta Askatasuna [ETA] decidiu anunciar o cessar-fogo permanente a partir do dia 24 de Março de 2006.

O objectivo desta decisão é impulsionar um processo democrático no País Basco para construir um novo marco no qual sejam reconhecidos os direitos que como Povo nos correspondem e assegurando olhando o futuro a possibilidade de desenvolvimento de todas as opções políticas.

No final desse processo os cidadãos bascos devem ter a palavra e a decisão sobre o seu futuro.

Os Estados espanhol e francês devem reconhecer os resultados de dito processo democrático, sem nenhum tipo de limitações. A decisão que nós, cidadãos bascos, adoptemos sobre o nosso futuro deverá ser respeitada.

Fazemos um apelo a todos os agentes para que actuem com responsabilidade e sejam consequentes perante este passo dado pela ETA.

A ETA faz um apelo às autoridades de Espanha e França para que respondam de maneira positiva a esta nova situação, deixando de lado a repressão.

Finalmente, fazemos um apelo a todos os cidadãos e cidadãs bascas para que se envolvam neste processo e lutem pelos direitos que como Povo nos correspondem.

A ETA mostra o seu desejo e vontade de que o processo aberto chegue até ao final, e assim conseguir uma verdadeira situação democrática no País Basco, superando o conflito de longos anos e construindo uma paz baseada na justiça.

Nós reafirmamos o compromisso de continuar a dar passos no futuro de acordo com essa vontade.

A superação do conflito, aqui e agora, é possivel. Esse é o desejo e a vontade da ETA.


País Basco, Março de 2006

Euskadi Ta Askatasuna

E.T.A.

sexta-feira, 17 de março de 2006

Preso dirigente do Batasuna


Petrikorena

Depois da prisão de Juan Mari Olano, ontem foi a vez de Juan Joxe Petrikorena receber a ordem de prisão por parte do juiz Fernando Grande-Marlaska. O responsável pela comunicação do Batasuna junta-se assim ao dirigente do movimento pro-amnistia e aos 700 presos políticos bascos encarcerados pelos Estados espanhol e francês.


Otegi

Arnaldo Otegi, porta-voz do Batasuna, continua com uma bronquite e permanece em casa, sob vigilância policial e acompanhamento de um médico enviado pelo juiz Marlaska. O juiz ordenou hoje análises ao sangue e à urina de Otegi e marcou uma audiência para sexta, 24 de Março.


Joseba Alvarez, que fez com Arnaldo Otegi e outros companheiros parte da delegação que contactou com diversas organizações e personalidades portuguesas, está também citado pelos mesmos motivos.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Depois da jornada grevista, a repressão

Depois da Greve Geral, a Audiência Nacional espanhola decidiu chamar vários dirigentes independentistas. O Estado espanhol acusa-os de "terrorismo" e de estarem relacionados com os confrontos e acções armadas que se sucederam nesse dia.

Arnaldo Otegi, cuja prisão se pede, tinha audiência marcada para segunda mas devido a problemas de saúde pediu adiamento. O juiz mandou a polícia para a porta de sua casa e um médico para o analisar de 12 em 12 horas até estar em condições para a sessão.



Joan Mari Olano, representante do Movimento Pro-Amnistia, que compareceu à audiência foi preso incondicionalmente. Encarcerado pelo Estado espanhol é acusado de "indutor" de "114 actos violentos" ocorridos durante a jornada grevista. Segundo o juiz, foram "exigidos pela frente militar da organização terrorista ETA". Neste momento estão já marcadas várias manifestações de solidariedade com Olano.

Rafa Díez, secretário-geral da LAB [sindicato independentista], Arantza Zulueta, Juan Joxe Petrikorena e Pernando Barrena serão hoje ouvidos pela Audiência Nacional. Acusa-se-lhes também de fomentar o "terrorismo".

A gravidade de todos estes acontecimentos agrava não só o conflito como demonstra a pouca vontade do Estado espanhol em trilhar o caminho da negociação e da paz que desejam os independentistas bascos.

segunda-feira, 13 de março de 2006

Três anos de ocupação, três anos de resistência



Completam-se a 20 de Março três anos sobre a invasão do Iraque. Completam-se também três anos de resistência do povo iraquiano à ocupação - um direito que a Carta das Nações Unidas e a Constituição Portuguesa consagram.
A onda de protesto que se levantou nas vésperas do ataque militar não foi suficiente para impedir a agressão, mas revelou o repúdio de milhões de pessoas de todo o mundo pela ilegalidade e pela barbárie que se adivinhava. Dezenas de milhares de portugueses opuseram-se também na mesma altura ao envolvimento de Portugal na agressão, rejeitando o alinhamento com os EUA.
O Iraque continua ocupado, persiste a destruição e o saque dos seus recursos, as violações cometidas pelos agressores seguem impunes, o direito internacional continua por aplicar. As eleições realizadas em clima de guerra e organizadas pelos ocupantes não passaram de uma fraude.
A política de guerra dos EUA prossegue. Depois da Palestina, do Afeganistão e do Iraque - o Líbano, a Síria e o Irão estão debaixo de mira. Em nome dos interesses imperialistas, as liberdades estão a ser amputadas mesmo nos países que se consideram baluartes da democracia e do direito.
Quem está contra a guerra não pode assistir inerte à continuação da ilegalidade e da barbárie. Há que reunir as forças que se juntaram para tentar impedir a invasão - agora com o conhecimento da dimensão das violências cometidas contra o povo iraquiano.

No próximo dia 18 de Março juntemos forças
  • para exigir a retirada de todos os ocupantes do Iraque, como primeiro passo para a normalização da vida do país
  • para reconhecer ao povo iraquiano o direito a resistir e a escolher livremente o seu futuro
  • para exprimir solidariedade com os povos do Médio Oriente, designadamente o palestiniano e iraquiano
  • para exigir do governo português que condene o militarismo, a guerra e a ocupação do Iraque
  • para exigir o fim de qualquer envolvimento directo ou indirecto de Portugal na ocupação e o fim da utilização da Base das Lajes pelos EUA
CONCENTRAÇÃO
LARGO CAMÕES, LISBOA
18 MARÇO 2006| 15 HORAS


Organizações promotoras:

Associação 25 de Abril * ASEH: Associação de Solidariedade com Euskal Herria * Bloco de Esquerda * CGTP-IN * Colectivo Solidariedade Mumia Abu Jamal * Com. Paz do Seixal * CPPC - Conselho Português para a Paz e a Cooperação * Feder. Nac. Sindicatos da Função Pública * FESAHT * ID - Intervenção Democrática * JCP - Juventude Comunista Portuguesa * JOC - Juventude Operária Católica * LOC - Liga Operária Católica * MURPI * PCP - Partido Comunista Português * PCTP/MRPP * Política Operária * \"Os Penicheiros\" * SAI - Solidariedade Anti-Imperialista * SPGL - Sind. Professores Grande Lisboa * STAL - Sind. Trabs. Administração Local * STML - Sind. Trabs. Município de Lisboa * Tribunal-Iraque * USL - União de Sindics. de Lisboa * Voz do Operário

sábado, 11 de março de 2006

Milhares pelo regresso de presos políticos



Milhares e milhares de pessoas percorreram ontem as ruas de Santurtzi e de Portugalete reclamando o regresso imediato dos presos políticos bascos à sua pátria. A manifestação era encabeçada pelas fotos dos companheiros Roberto Saiz e Igor Angulo, o corpo do desfile carregava as fotografias das centenas de militantes independentistas presos nos Estados espanhol e francês.


Também ontem, como alertámos, o fiscal geral da Audiência Nacional espanhola, Cándido Conde-Pumpido, anunciou que pedirá a prisão incondicional do porta-voz do Batasuna, Arnaldo Otegi. A confirmar-se será um acontecimento de extrema gravidade uma vez que o Estado espanhol estaria mais uma vez a tentar boicotar o possivel processo de paz. Poderia ser mais um rastilho para os ânimos já revoltos de todo um povo que sofre e combate a ocupação fascista de dois Estados que não reconhecem o direito à autodeterminação dos povos.

quinta-feira, 9 de março de 2006

Dia Nacional de Luta



Mais uma jornada de luta. O povo basco demonstra que não deixa passar uma agressão sem resposta e levanta bem alto a bandeira dos companheiros mortos na semana passada. Em várias frentes e sob várias formas de luta, a esquerda independentista mostrou que não se rende. A luta prosseguirá até que a história seja dirigida pelo povo e não pelos Estados espanhol e francês. As mortes de Igor Angulo e de Roberto Saiz não serão esquecidas.



Pela madrugada dentro, centenas de independentistas deram inicio ao dia de mobilização nacional em protesto contra as mortes dos dois companheiros. Ruas, estradas e caminhos-de-ferro ficaram iluminados pelo fogo intenso de barricadas. Alguns foram detidos quando empreendiam actos de sabotagem.

O dia amanheceu com a explosão de duas bombas da ETA, uma na Cantábria e outra em Navarra. A essas horas já milhares de trabalhadores faziam greve, "ilegal" segundo os governos basco e espanhol. Centenas de piquetes faziam o controlo da acção de luta e mobilizavam para as várias manifestações que se realizaram ao longo do dia.



Ao final do dia, o juiz Marlaska anunciou a convocação de Arnaldo Otegi, Juan María Olano, Juan José Petrikorena e Pernando Barrena, dirigentes do Batasuna, de Arantza Zulueta, advogada, e de Rafael Diéz, secretário-geral do sindicato independentista LAB. O objectivo é declararem sobre os actos do dia de hoje. O juiz espanhol pretende acusa-los dos distúrbios e de todos os danos materiais. Importa destacar a possibilidade de alteração da situação de Arnaldo Otegi, solto sob fiança, que pode regressar à prisão.

Fotos:
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quarta-feira, 8 de março de 2006

Organizações fascistas e bancárias atacadas


Sede da organização fascista Falange Espanhola

A ETA fez explodir uma bomba na sede do partido fascista Falange Espanhola em Santoña, Cantábria. Às 8.00, depois de emitido um aviso e de se evacuar a zona, o explosivo provocou danos materiais assinaláveis.


Sucursal bancária do BBK

Nas últimas horas desconhecidos atacaram o 'batzoki' do PNV em Aretxabaleta e a sede da UGT em Eibar. Em Plentzia explodiram artefactos de fabricação caseira em duas sucursais bancárias do 'BBK' e da 'Caixa'.

terça-feira, 7 de março de 2006

Conferência com resistente iraquiano em Lisboa



A Associação de Solidariedade com Euskal Herria promove, a par com muitas outras organizações, uma conferência com Dr. Al Kubaishi, Presidente da Aliança Patriótica Iraquiana. A palestra será na Casa do Alentejo, na Rua das Portas de Santo Antão, no dia 11 de Março, às 18h30. O dirigente iraquiano esteve preso durante 15 meses pelas forças ocupantes norte-americanas e agora, finalmente livre do cárcere, trará a realidade do seu povo até nós. Importa que todos nós estejamos presentes e demonstremos a nossa solidariedade com o povo iraquiano.

Organizações promotoras:

Associação 25 de Abril * ASEH: Associação de Solidariedade com Euskal Herria * Bloco de Esquerda * CGTP-IN * Colectivo Solidariedade Mumia Abu Jamal * Com. Paz do Seixal * CPPC - Conselho Português para a Paz e a Cooperação * Feder. Nac. Sindicatos da Função Pública * FESAHT * ID - Intervenção Democrática * JCP - Juventude Comunista Portuguesa * JOC - Juventude Operária Católica * LOC - Liga Operária Católica * MURPI * PCP - Partido Comunista Português * PCTP/MRPP * Política Operária * \"Os Penicheiros\" * SAI - Solidariedade Anti-Imperialista * SPGL - Sind. Professores Grande Lisboa * STAL - Sind. Trabs. Administração Local * STML - Sind. Trabs. Município de Lisboa * Tribunal-Iraque * USL - União de Sindics. de Lisboa * Voz do Operário

segunda-feira, 6 de março de 2006

Greve Geral contra a repressão policial

Perante a morte de dois militantes da ETA e a repressão policial que se abateu contra quem os homenageava, o Batasuna convocou uma Greve Geral e mobilizações para o dia 9 de Março.

Arnaldo Otegi, dirigente do Batasuna, acompanhado por membros do sindicato LAB, da organização anti-repressiva Askatasuna e por familiares dos dois independentistas mortos, anunciou que a esquerda independentista "responderá a todas as agressões".

domingo, 5 de março de 2006

A revolta alastra-se após a notícia da morte de dois presos políticos independentistas


"Porém, há aqueles que lutam toda a vida. Esses são os imprescindiveis." Bertolt Brecht

Vivem-se momentos dramáticos no País Basco. Dois presos políticos bascos tombaram nas prisões espanholas.

Quatro dias depois da morte de Igor Angulo, que apareceu morto na sua cela na prisão da Cuenca, o preso de Portugalete, Roberto Sáiz, faleceu de um infarte ontem em Aranjuez, semanas depois de ter alertado os médicos da dor que sentia no peito. Após a divulgação da notícia milhares e milhares de pessoas sairam às ruas no País Basco contra a política penitenciária do Estado espanhol. As manifestações proibidas pelo Governo espanhol resultaram em múltiplas cargas policiais. A Ertzaintza, para além do mais, arremeteu contra milhares de pessoas que homenageavam em Gasteiz os operários mortos no dia 3 de Março de 1976, detendo o porta-voz da associação e provocando vários feridos.

Desconhecidos atacaram duas caixas automáticas em Pamplona ao lançarem cocktails molotov. Na noite passada a escalada de luta nas ruas aumentou no País Basco. A polícia municipal de Bilbau foi atacada com cocktails assim como bancos em Ondarroa e em Gasteiz.

Em Gasteiz vários contentores incendiados barricavam as ruas enquanto as polícia era atacada. A polícia carregou violentamente sobre os manifestantes.

Em Portugalete, localidade donde era Sáiz, os agentes carregaram sobre uma manifestação em que participavam 1500 pessoas. A actuação policial originou confrontos na Zona Velha que posteriormente se extendeu ao centro da localidade.

Milhares de pessoas nas ruas entre cargas policiais
Comunicado da ETA
Polícia basca reprime actos a favor das vitimas da dispersão e do 3 de Março
Ministério do Interior proibe mobilizações e ordena cargas policiais
Sucedem-se as sabotagens e a luta nas ruas reforça-se
A polícia francesa prende Xabier Lareki

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

A luta continua pela liberdade



No dia em que a ETA fez explodir uma bomba numa empresa de Bilbau, o presidente do Governo espanhol assegurou ao Partido Popular que não cederá a autodeterminação ao povo basco num possivel processo de paz. Fica demonstrado quem quer afinal a paz, quem defende afinal a democracia. O Estado espanhol tem medo da decisão democrática dos cidadãos bascos e compromete a paz preferindo prosseguir a guerra. Se a justiça e a verdade estão do lado de quem luta pela liberdade e pela democracia então estão do lado do Movimento de Libertação Nacional Basco.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Comunicado da ETA



A 19 de Fevereiro a ETA difundiu um comunicado de três folhas através da emissora pública Euskadi Irratia, integralmente em euskera, na qual não menciona a possibilidade de decretar uma trégua e assegura que a solução do conflito basco não virá mediante passos unilaterais.

A ETA interpreta a situação política indicando que nos encontramos num movimento de mudança política no País Basco e que os cidadãos bascos estão abrindo uma nova situação pouco a pouco. A organização, que não se dirige explicitamente ao governo de Zapatero, diz que urge adoptar compromissos firmes e decisões importantes e adverte o PNV e ao PSOE de que não dará por boa qualquer resolução lavrada somente por eles e numa perspectiva neo-autonomista.

No documento, a ETA apela a todos os protagonistas a dar passos já e sem esperar por ninguém e sublinha que chegou a hora de transitar das palavras aos factos actuando com audácia. A organização, que se compromete a seguir a luta para abrir novos espaços, assegura que a paz tem de chegar pela mão da liberdade e volta a mostrar-se convencida de que o marco estatutário está morto, ainda que a sua crise profunda e sem solução não tenha potenciado uma nova era baseada nos direitos democráticos dos bascos.

A ETA sustenta que a partir da superação da divisão e da negação do País Basco deve abrir-se a etapa que conduza à territorialidade e ao reconhecimento da auto-determinação. E nesse âmbito situa as suas três condições para que se resolva o conflito:

→ o respeito pelo direito a decidir, desenvolvendo programas que tenham em conta o País Basco na sua totalidade e na sua diversidade

→uma inevitável mudança da actual situação política

→ a aposta pelo diálogo e pela negociação como única metodologia possivel, para evidenciar o fracasso da via policial

Aqui, a organização adverte que andam muito desencaminhados aqueles que interpretem a sua proposta de solução como fruto da debilidade ou da marginalização da esquerda independentista ou uma vontade de aceitar uma situação imposta.

A única forma de que não se repitam os ciclos de confrontação é assumir os direitos do País Basco, diz a organização, em linha com as renovadas reivindicações do direito a decidir formuladas esta mesma semana pela esquerda independentista como núcleo irrenunciável de qualquer possivel acordo. O comunicado, que recorda os presos e alude implicitamente aos processados do mega-processo 18/98, introduz uma critica ao PNV e ao PSOE, ligada aos últimos acordos alcançados por ambos partidos e que parece confirmar os receios que estão a provocar no Movimento de Libertação Nacional Basco, as garantias que mutuamente se trocaram entre Zapatero e os PNVistas pela paz e normalização.

A organização assinala que socialistas e pnvistas estão cativos dos seus próprios interesses e que os seus acordos não constituem mais que tentativas de dar um novo alento a um marco político que, reitera, está morto e que a sustentação juridico-política que sustém esse marco entrou em profunda crise, sem solução possível. Não obstante, constata que todavia essa imposição que alimenta o conflito aplica-se ao País Basco com a violência e a força das armas.

[...] A imposição de um segundo ciclo autonómico não levará a mais que ao prolongamento do conflito.

Para além do mais, pergunta ao PNV e ao PSOE sobre a vontade concreta e a sua proposta para que se reconheçam os direitos do País Basco e respeitar a palavra e a decisão do povo.

Critica a atitude do Partido Nacionalista Basco, do qual diz que devem ser eles quem façam a transição democrática de defender a monarquia espanhola e a Guardia Civil para passarem a defender a democracia basca. A ETA valoriza, por outro lado, as iniciativas do Fórum de Debate Nacional e a implicação de sectores da esquerda independentista.

A ETA coloca três questões e oferece as respostas: Quais são os marcos da nova situação?, Como chegámos aqui?, Neste contexto, como estão as forças?

Perante a primeira pergunta, a organização armada destaca que nos últimoes meses se está a dar uma mudança de atitude em alguns agentes bascos, tal como pudémos obserbar, mais do que palavras, acções concretas. E sublinha três factos relevantes: os passos dados pela mão do Acordo Democrático de Base, reclamando o respeito pelo que decida o povo basco; a implicação de agentes externos à esquerda independentista na dinâmica de mobilizações em resposta à situação de excepção imposta ao País Basco, citando as que têm como eixo a defesa dos direitos dos presos ou em prol dos direitos civis e políticos; e, em terceiro lugar, os sólidos esforços que se levam a cabo entre distintos agentes populares para impulsionar a construção nacional.

Em relação à terceira questão, replica a quem gasta energia em fazer estúpidas interpelações à esquerda independentista, a quem acusa de querer deturpar a essência do conflito, acossando a esquerda independentista e responsabilizando-a pelas consequências do conflito e fazendo petições sem cessar à ETA.

Precisamente, critica essas forças porque não responderam às questões principais: Que vontade concreta têm para desenvolver um processo democrático sem limites no País Basco? Que passos estão dispostos a dar? Qual é a sua proposta para que os direitos do País Basco sejam reconhecidos e respeitados?. E acrescenta que enquanto não se dê uma resposta clara, forças como o PNV e o PSOE iludem a sua responsabilidade.

Chegados a esse ponto, analisa-se uma reflexão do presidente do PNV, Josu Jon Imaz, que considera que há que "facilitar a transição para a democracia" que está a fazer a esquerda independentista.

E dizemos ao Partido Nacionalista Basco que sim, que a esquerda independentista e a ETA estão apostando pela democracia. Mais concretamente, que levamos décadas reclamando a democracia basca [...] Enquanto, o PNV ainda anda a defender a democracia espanhola, e não tem vergonha em defender com afinco a democracia da Guardia Civil e a monarquia espanhola [...] Portanto, é o PNV que tem que fazer a transição democrática: da democracia franco-espanhola para a democracia basca.

Para além do mais, faz um apelo expresso a todos os agentes bascos para darem passos nesse sentido desde hoje, sem esperar por ninguém, chegará o momento de se assumirem compromissos firmes e de se tomarem decisões sólidas sobre o futuro do País Basco. Passando das palavras aos factos e mostrando comportamentos corajosos.

A análise conclui afirmando que Euskadi Ta Askatasuna [ETA] reitera o seu compromisso para continuar lutando e esforçando-se para abrir espaços nessa direcção.

No comunicado da ETA assume-se a autoria de oito operações efectuadas entre 5 de Janeiro e 14 de Fevereiro. Sobre a última, que se registou na noite de 14 de Fevereiro em Dantxarinea, o comunicado explica que esteve dirigido contra a discoteca "La Nuba" de Javier Marticorena Aramendi, por negar-se a colaborar economicamente com a liberdade do País Basco e por enriquecer-se por meio da corrupção com a ajuda das forças armadas de Espanha.

Retirado de Antorcha

domingo, 19 de fevereiro de 2006

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

A luta pela paz

É preciso ser-se cuidadoso quando se fala em paz. Neste momento, enquanto a maioria da imprensa especula sobre um possivel cessar-fogo da ETA, existem cerca de 700 presos políticos bascos, as prisões prosseguem, a tortura não cessa, os processos judiciais (de que o mega-processo 18/98 é um exemplo) continuam, o Batasuna não vê o fim da sua ilegalidade, assim como a Segi e outras organizações, jornais e rádios estão encerrados. Não será a especulação a propiciar a paz e mesmo havendo uma trégua da ETA não se pode esperar a paz certa e inevitável. Noutros tempos a ETA calou as armas para abrir caminho a processos negociais de paz, noutros tempos o Estado espanhol procurou enfraquecer a ETA e não a verdadeira paz. Basta recordarmo-nos da polícia espanhola a prender os negociadores da ETA ou das prisões de cidadãos bascos durante o processo de paz. Como noutros tempos, não bastará a boa vontade das organizações bascas, será necessário um empenho efectivo do Estado espanhol para que se possa levar a paz, finalmente, ao povo basco.

Amanhã, as ruas de Bilbau serão tomadas pelo povo solidário com os acusados no mega-processo 19/98. Durante semanas fizeram-se mobilizações locais que confluirão em Bilbau. É hora de se acabar com o conflito e de se dar a voz ao povo.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Jovens contra intoxicação mediática

Cerca de 100 jovens concentraram-se ontem à frente da sede do jornal El Mundo em Bilbau. Às 18.00 horas protestavam envergando uma faixa que dizia: "El Mundo criminaliza a juventude basca e vão pagar por isso".

Um grupo saiu do corpo de manifestantes e atirou tinta vermelha sobre um jornal à porta da sede.

Perante os gritos de "fascistas" e "independência", só com a chegada da polícia de choque se conseguiu dispersar a concentração.

Neste momento há uma campanha da organização juvenil Segi contra a intoxicação mediática que os órgãos de comunicação social espanhóis têm levado a cabo contra o movimento juvenil independentista.

Acção contra Rádio Nacional de Espanha

Durante a noite de quinta, desconhecidos atiraram tinta vermelha e diversos rolamentos contra a sede que a Rádio Nacional de Espanha tem em Gasteiz. Os acontecimentos, que causaram danos na porta de entrada, produziram-se por volta das 21.50.

Os rolamentos chocaram contra o vidro da porta, que ficou rachado. A fachada apresentava ontem manchas causadas pela pintura

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Macro-Processo Judicial 18/98

18/98 é o indicativo de um sumário de um processo de instrução criminal que se iniciou em 1998. Peça judicial que reúne as acções da Audiência Nacional contra um grande número de pessoas organizadas no País Basco; a maior parte, pertencentes à esquerda independentista.

Contexto político de um macro-processo judicial

O ano de 1998 não foi um ano qualquer na história do País Basco. Conversações secretas davam lugar a um acordo estratégico entre o PNV, o Eusko Alkartasuna e a ETA. Nunca tal tinha acontecido. Os três subscritores assumiam que o conflito era de natureza política derivado da negação da soberania basca por parte do Estado. Ambos se comprometiam a promover um processo soberanista que ultrapassasse os actuais marcos sem ter que recorrer a expressões de violência armada.

Aquele acordo secreto propiciou uma trégua indefinida e unilateral da ETA. E facilitou as condições para que se subscrevesse o pacto de Lizarra-Garazi que promovia a acumulação de forças para a construção nacional. E, se não restasse outra alternativa, para uma confrontação democrática com o Estado. Foram numerosas as organizações políticas e sociais bascas que subscreveram este acordo, dando por bom o diagnóstico em que se sustentava. O dito acordo estava aberto a outros agentes que quisessem aderir.

O PP e o PSOE rejeitaram o Acordo e combateram-no por todos os meios. O Acordo não prosperou mas havia dois factos que resultaram evidentes: Primeiro, grande parte da sociedade basca experimentava um défice democrático e reclamava uma mudança. Segundo, era a esquerda independentista que actuava como motor do processo. O Estado espanhol retirou uma conclusão clara: havia que destruir o motor para que Euskal Herria detesse a sua marcha.

Os golpistas

O Estado espanhol decidiu dar um golpe de Estado dirigido ao País Basco: anular-se-ia a "democracia participativa" em todos os espaços organizativos da esquerda independentista. Esta ficaria ilegalizada enquanto que o resto do Estado seguiria apresentando-se como um modelo político pluripartidário. A Audiência Nacional, tribunal de excepção herdado do franquismo, seria a encarregada de executar o dito golpe de Estado.

Com base neste projecto, a Audiência Nacional foi ditando autos contínuos contra numerosas organizações vinculadas à esquerda. As diferentes políticas cumpriram os autos desenvolvendo espectaculares operações especiais, detiveram-se centenas de pessoas, a muitas das quais se aplicou ilegalmente a prisão preventiva. Os bens das organizações e das pessoas foram confiscados, os seus locais encerrados, fecharam-se emissoras, jornais, rádios...A suposta base jurídica para este atropelo era uma teoria jurídica que a própria Audiência Nacional generalizara. Doutrina de muito pouco rigor jurídico mas bem vista em tempos de "antiterrorismo global": tudo o que coincida com os fins da ETA, pertence à ETA. Em síntese, todos os que reivindiquem a soberania basca se dá por provado que pertencem à organização armada.

Os julgamentos

O processo de instrução judicial prolongou-se ao longo de 8 anos. Milhares e milhares de dados permaneciam na Audiência Nacional como provas acusatórias contra a militância basca. Quase todos os que foram presos como medida preventiva acederam à liberdade provisória depois de terem pago fianças elevadissimas. Quase 60 pessoas levavam anos à espera de serem submetidos a um julgamento em que os acusam de pertencerem à organização armada e se solicita contra eles elevadissimas penas de prisão, entre 10 e 60 anos a cada um deles. Para se poder realizar o mega-julgamento teve de se arranjar uma sala especial em Madrid dada a magnitude do acto.

No dia 21 de Novembro começaram as audiências e, desde que arrancou o processo, ficou a descoberto a intencionalidade política do mesmo: o Estado espanhol contra os bascos. O Tribunal fez gala de rigos, intransigência e despotismo desde o primeiro dia. Nas sessões iniciais não tomou em conta as alegações das defesas que solicitavam a suspensão da causa por evidentes irregularidades de procedimento. A Sala rejeitou as intenções da defesa num tempo record de meia-hora. Uma vez iniciadas as declarações, as pessoas envolvidas negaram-se a responder às perguntas do Ministério Fiscal e da acusação em particular. Quanto tentaram expôr as razões da sua decisão foram silenciados de forma humilhante pela Presidente do Tribunal. Os advogados apelaram ao Tribunal de Estrasburgo que tinha elaborado jurisprudência a respeito do direito dos acusados a não declararem expondo os motivos da negação. A Presidente desprezou de forma grosseira a jurisprudência europeia.

Askapena

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Estado espanhol terrorista


Unai Romano em conferência de imprensa

No dia 6 de Setembro de 2001, a Guardia Civil entrou-lhe em casa, levou-o preso por "colaboração com a organização armada, ETA" e torturou-o barbaramente nas dependências policiais. O caso de Unai Romano tornou-se conhecido pela gravidade das lesões que as torturas lhe provocaram. Depois, foi posto em liberdade por não ter cometido nada do que se lhe acusava.


Unai Romano depois de torturado pela polícia espanhola

Na altura, Unai apresentou queixa e o caso foi a tribunal. Cinco anos depois, a Audiência Nacional espanhola decide arquivar o caso. A Guardia Civil defendia que não o tinha torturado, ele é que se auto-mutilara para culpar o Estado espanhol. De resto, não é nada de especial, o ridiculo desta argumentação é norma habitual por parte das forças de segurança espanholas. O escândalo encontra-se no facto de, com as demonstrações evidentes de ter havido tortura, a Audiência Nacional espanhola decidir arquivar o caso. Afirma que não foi a polícia quem provocou aquelas lesões e os advogados da Guardia Civil já avisaram que irão avançar com a acusação a Unai Romano. Depois de acusador passa a acusado. Ao bom velho estilo fascista.

A promiscuidade da Audiência Nacional com o poder político é clara. Submetendo-se às orientações estatais em relação ao povo basco, o poder judicial comporta-se como uma marioneta fascista. Organismos da ONU têm revelado a perversidade da tortura nas prisões espanholas e, ainda assim, o Estado espanhol prefere prosseguir a sua política assassina contra o povo basco a aceitar as condenações de centenas de organizações humanitárias.

Unai Romano é inocente. O Estado espanhol é terrorista!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Otegi vai ser julgado por homenagear "Argala" e outros combatentes



A Audiência Nacional julgará o dirigente do Batasuna Arnaldo Otegi a partir do próximo dia 15 de Março por "enaltecimento do terrorismo" na homenagem, em 2003, ao histórico militante da ETA, assassinado pelo Estado espanhol, José Miguel Beñaran Ordeñana "Argala" e a outros combatentes.

É incrivel que se considere a sua homenagem a "Argala" como enaltecimento do terrorismo quando o Estado espanhol através do terrorismo assassinou o dirigente histórico da ETA. "Argala" fez parte do Comando que executou a decisão da ETA de eliminar o número dois do regime franquista, o General Carrero Blanco. Esta acção foi importante para o abalo das estruturas do fascismo no Estado espanhol e, ainda que não tenha acabado com as prisões políticas, tortura e assassínios políticos nem tenha dado aos povos o direito à autodeterminação, obrigou a oligarquia espanhol a substituir o regime franquista através da célebre "transição".

A homenagem, mais que justa, a "Argala" reflecte a afeição, o respeito e o carinho por uma parte importante do povo basco que se revêem em todos aqueles homens e mulheres que fazendo parte de uma ampla frente de luta deram e dão o melhor das suas vidas, arriscando a prisão, a tortura e a morte.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

ETA prossegue e reforça acção militar



Um artefacto explosivo composto por 15 kg de cloratita provocou grandes danos na Central de Correios da Biscaia, região basca. Às 21h40, um anónimo informou a DYA de Guipuscoa e o jornal Gara de que o engenho ia explodir nas dependências dos Correios, localizadas entre Etxebarri e Basauri. Desta forma, a polícia evacuou a zona e encontrou uma mala com a inscrição "Cuidado, bomba" na qual se encontrava o engenho que acabou por explodir uma hora depois. A acção militar provocou danos materiais avultados no edificio dos Correios espanhóis.

domingo, 29 de janeiro de 2006

Entrevista a Arnaldo Otegi, dirigente do Batasuna



Na entrevista concedida ao Gara, Arnaldo Otegi mostra a sua visão sobre o que se passa em relação ao Estatuto da Catalunha partindo de uma ideia clara: "Não tem nada a ver o processo de superação do conflito político e armado no País Basco com uma reforma estatutária como a da Catalunha. Não é o mesmo objectivo nem o mesmo método". Questionado sobre a acção em frente ao BEC, afirma que "se viu um compromisso para construir um processo de solução com bases claras".

Lê aqui a entrevista

sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

"Civis da ETA" em Portugal

A propósito das declarações do General Leonel de Carvalho, responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança, sobre a não existência de actividade da ETA em Portugal, "o que não quer dizer que Portugal não tenha acolhido já pessoas ligadas a esse movimento" e a propósito da interpretação do Correio da Manhã de que "civis da ETA" teriam estado no nosso país, a Associação de Solidariedade com Euskal Herria alerta para o perigo de se estar a confundir a ETA com a esquerda independentista. Esta é, aliás, uma prática habitual no sentido de se criarem condições para a ilegalização de todo o movimento independentista.

Esta prática cumpre os requisitos do Plano ZEN (Zona Especial Norte), plano elaborado entre os estrategas dos vários aparelhos do Estado espanhol e que pretende utilizar a comunicação social como instrumento propagandistico e repressivo. Desde então, a imprensa espanhola assume-se como porta-voz da visão espanholista dos vários governos. Usada para denegrir, rotular, confundir e, acima de tudo, veicular o medo e o ódio, pretende criar um estimulo de reacção contra toda a luta do povo basco. A estratégia de mostrar cada independentista basco como um terrorista, como um elemento ligado à ETA (o mal na sua pior versão), é visivel na ilegalização do partido Batasuna, da organização juvenil Segi, da associação anti-repressiva Askatasuna e do jornal Egin, só para se ilustrar com alguns exemplos.

É, portanto, importante que se esclareça que a vinda de qualquer cidadão basco pertencente a estas organizações ou a outras legais não configura qualquer presença de "civis da ETA" ou de civis "ligados a esse movimento". O Correio da Manhã serve muito bem os interesses da imprensa espanhola mas não serve os interesses da população portuguesa, ao provocar o alarmismo não fundamentado. Segue a estratégia do medo e do ódio do Plano ZEN e nunca se preocupou em contextualizar as suas notícias com o que se passa no País Basco nem em mostrar o outro lado envolvido no conflito. A tortura, a prisão arbitrária e a morte praticadas pelo Estado espanhol e o apoio popular ao projecto independentista basco são temas raros ou inexistentes nas folhas do referido jornal.

A Associação de Solidariedade com Euskal Herria tem recebido com grande solidariedade os companheiros independentistas bascos de organizações legais e ilegais. Têm-no feito várias outras organizações e personalidades do nosso país. Gente de partidos, organizações juvenis, associações anti-repressivas, sindicalistas, jornalistas e outros, que vivendo o conflito pretendem furar a censura mediática e mostrar aos portugueses o que se passa no País Basco.

Consideramos que o estatuto de legal ou ilegal não importa quando o aparelho judicial espanhol está comprometido com o aparelho político do Estado que oprime o povo basco. Achamos por isso que os contornos pouco nitidos das declarações do General Leonel de Carvalho e do artigo do CM pretendem quebrar a vontade dos portugueses e organizações que se solidarizam com o povo basco. Tal vontade não será, no entanto, satisfeita. Estamos cientes da força da razão de um povo que sempre soube resistir e que tem direito à autodeterminação, direito democrático consagrado pela ONU e que o tão "democrático" Estado espanhol não aceita.

Audiência Nacional espanhola proíbe acção do Batasuna

O juiz da Audiência Nacional espanhola Fernando Grande-Marlaska proibiu ontem a celebração, prevista para amanhã em Altasu, de uma acção política do Batasuna para a difusão da proposta de paz do Batasuna "Orain herria, orain bakea". O magistrado assinalou no seu auto que esta acção "encontra-se ligada às causas de proibição" veiculadas na resolução ditada no passado dia 17, na qual se acordou a suspensão das actividades do Batasuna por mais dois anos e pela qual se impediu a celebração da Assembleia Nacional que a organização independentista ia realizar no passado sábado.

Gara.net

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Acção da ETA em Zuia e Balmaseda



Hoje explodiram dois explosivos. Um na estação de correios de Zuia e outro no tribunal de Balmaseda. A primeira explosão aconteceu à meia-noite, quando os correios se encontravam fechados. O segundo explosivo encontrava-se dentro de uma bolsa que dizia "perigo, bomba" e foi despoletado às 7.15 da manhã.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

"Portugal na rota da ETA"

Veio a público uma declaração de um elemento do Ministério da Administração Interna que vem confirmar o que já tinhamos dito. As notícias veiculadas na imprensa portuguesa não deverão ser mais que pura especulação da imprensa espanhola e não houve qualquer comunicação por parte dos serviços de segurança espanhola às autoridades portuguesas.

"Portugal na rota da ETA"

Nos últimos dias, vários órgãos de comunicação social portugueses têm publicado notícias sobre a eventual compra de armas, no nosso país, por parte da organização independentista basca ETA. A notícia surge quando a causa independentista basca vai ganhando apoios em vários países e quando se forma um grupo de deputados europeus solidários apoiantes da resolução do conflito e da autodeterminação do povo basco. Não seria por isso de estranhar que a notícia não fosse mais que uma estratégia de descredibilização do Movimento de Libertação Nacional Basco no estrangeiro. Portugal não está "na rota da ETA" como afirma o "Correio da Manhã". Este título pretendendo dar a ideia de que a ETA vai ter actividade armada no nosso país apenas tem objectivos sensacionalistas, como de resto o referido jornal nos tem vindo a habituar. Esta notícia tem como fontes os que acusavam a ETA de ter cometido o atentado terrorista contra milhares de trabalhadores no dia 11 de Março de 2003. A imprensa espanhola, onde os jornais portugueses vão buscar informação sobre a actividade da ETA, é instrumentalizada pelo Estado espanhol e tem objectivos puramente propagandisticos.

A ETA apenas actua militarmente no Estado espanhol, Estado que aliás fornece armamento a vários países em guerra, que promoveu e promove o terrorismo contra cidadãos bascos, que ajudou à ocupação do Iraque e que tem na sua oligarquia financeira membros da Opus Dei, empresários ligados à máfia, ao tráfico de droga, armas e à lavagem de dinheiro.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Ainda o massivo apoio popular ao Batasuna





sábado, 21 de janeiro de 2006

Milhares solidários com Batasuna



Milhares de pessoas acorreram à concentração em solidariedade com o Batasuna. A acção de protesto começou com a intervenção de um bertsolari, Jon Maia, seguindo-se as intervenções de representantes de ELA, AB, EA, assim como do Sinn Féin, partido irlandês. Estão presentes membros de Aralar, Zutik, Batzarre, Segi, ANV, LAB, Ekarri e, como é óbvio, do Batasuna. Barakaldo está a ser testemunha de que nenhum Estado pode submeter a vontade de um povo às suas decisões repressivas.

A Audiência Nacional espanhola ordenou, entretanto, que a polícia actue no caso de se verem ou ouvirem quaisquer alusões ao Batasuna ou à ETA.




Resposta da esquerda independentista

Para hoje estava marcada a Assembleia Nacional do Batasuna. No entanto, a Audiência Nacional espanhola, esse instrumento judicial ao serviço do Estado espanhol, decidiu suspender o Batasuna por mais 2 anos, encerrando-lhes as sedes e mantendo o congelamento de toda a propriedade da organização da esquerda independentista. O PNV, partido da burguesia basca, ajoelhou-se uma vez mais aos pés do Estado espanhol dizendo que tinha de acatar as ordens. Entretanto, o Batasuna apelou a que se realizem assembleias, concentrações e manifestações em todas as ruas, bairros e localidades do País Basco. Um grupo de cidadãos convocou também uma acção de protesto em frente ao edificio onde seria a Assembleia Nacional. Vários partidos, sindicatos, organizações juvenis, delegações internacionais estarão presentes.

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Estado espanhol procura impedir a Assembleia Nacional do Batasuna


O Estado espanhol decidiu através do seu aparelho judicial impedir a realização da Assembleia do Batasuna. O juiz da Audiência Nacional espanhola ordenou a suspensão das actividades do Batasuna por mais dois anos. Proíbe assim a Assembleia Nacional do Batasuna convocada para sábado em Barakaldo. O juiz decretou também a continuação da clausura dos espaços, estabelecimentos e página web da organização da esquerda independentista.

Mais uma vez perseguem-se os direitos civicos e políticos do povo basco. A repressão espanhola não impedirá a continuação do trabalho do Batasuna em prol do direito do povo basco à independência e ao socialismo. A Associação de Solidariedade com Euskal Herria (ASEH) não só saúda a realização da Assembleia Nacional do Batasuna como repudia a actuação do aparelho judicial, totalmente manietado pelo poder político.

domingo, 8 de janeiro de 2006

Mais de 40 mil pessoas apoiam presos políticos bascos



Costumam dizer os papagaios da informação espanholista que a luta do povo basco é algo focalizado numa parte ínfima da população. As forças armadas repetem até à exaustão que a ETA será vencida pela força. Os governos espanhol e francês mantêm a sua firme vontade de violar as leis internacionais que os obrigam a levar os presos políticos bascos para as prisões das suas terras.

Aqui, como nos Estados espanhol e francês, recebemos apenas a visão que transmitem os órgãos de comunicação social manietados pelos governos. Por isso, talvez não se venha a saber senão pelos órgãos de imprensa alternativos e independentes o que se passou hoje.

Após semanas de intensa actividade da ETA, após semanas de intenso debate no País Basco sobre os presos políticos, o Fórum de Ibaeta convocou uma manifestação para hoje, sábado. A motivação era clara, o apoio aos presos políticos bascos, homens e mulheres que sofrem nas prisões por lutarem pela independência e socialismo para a sua pátria. Elaborou-se um manifesto de exigências, reivindicações com vista à defesa dos direitos dos presos e apelou-se ao massivo apoio nas ruas de Bilbau.

Que aconteceu? A luta focalizada, pirrica, inexistente, bramada por grande parte dos jornalistas espanhóis, caiu por terra perante o colapso das ruas de Bilbau. Mais de 40 mil pessoas numa torrente humana quiseram mostrar o seu apoio aos presos independentistas bascos. As fotos realmente não enganam. Nem a vontade da meia dezena de autocarros cheios de gente impedida de avançar pela Guardia Civil e que decidiu simplesmente cortar a estrada em protesto.



Este povo merece ser livre!

mais em Gara.net
mais fotos em PAT

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Amaia Urizar relata como foi torturada

É muitas vezes dificil compreender que ao nosso lado está um Estado que tortura e assassina. É-o porque a comunicação social se esforça por construir uma imagem "democrática" do Estado espanhol. Se os jornais, as rádios e as televisões cumprissem o seu papel, denunciariam todos os actos terroristas cometidos pelo Estado em nome da "democracia" contra o suposto "terrorismo" de quem luta pela liberdade.

O caso que se segue é muito chocante e deve ser lido por todos. Para que nos envergonhemos da escória humana capaz de tais actos e para que a indignação sirva de motor para a acção solidária para com os povos em luta. O silêncio perante tais factos é traição e cumplicidade.

Amaia Urizar foi presa em Outubro de 2004. Aqui fica o relato do tratamento que recebeu. As semelhanças entre estes acontecimentos e as atrocidades nazis não são ficticias, são reais.


"No carro ia no meio de dois homens, levava a cabeça agachada. Logo que entrei, o que ia à minha direita começou a falar: Caíste, Amayita, e isto tens que assimilar; a nós tanto nos faz porque sabemos tudo, mas tem claro que tens de nos contar tu, e tens duas formas de o fazer, a boa e a má."

"Logo que se abriu a porta da cela, ouvi a voz do guarda civil, que tinha ido no carro até Madrid, dizendo a outro, a que chamou Garmendia, que fizesse o que tinha de fazer. Atirou-se sobre mim, levou-me para a cama e agarrou-me fortemente nos braços. Comecei a gritar que me deixasse, e eles gritavam-me "cala-te, puta". Então vi-os. Estavam encapuçados e o que tinha ido no carro tinha as calças e os boxers despidos, e vinha na minha direcção enquanto me dizia entre risos "nós vamos foder a noiva do chefe". Atirou-se sobre mim enquanto esfregava o seu corpo contra o meu (...) Gritava-me "que te diz o teu companheiro enquanto te fode, Gora ETA? Decerto que te estás a pôr docinha, puta, vamos-te foder todos e vai-te dar asco porque vamos passar muito bem contigo!". Os que estavam à porta estavam a pedir o seu turno e entre risos diziam-me "até a rapariga que aqui está connosco te vai foder".

"Gritavam-me e insultavam-me "puta, vaca, mentirosa", e colovacam-me um saco na cabeça enquanto mo apertavam por trás. Ao principio sentia calor, tinha a cara empapada em suor, tentava mover-me quando a bolsa me tapava a boca, não podia respirar e começava ter náuseas: conseguia romper o saco com os dentes, e naqueles momentos, quando começava a respirar de novo, golpeavam-me nos ouvidos com estaladas."

"Estava cansada, assustada, temendo o que me iriam fazer, tinha vontade de vomitar, assim que uma das vezes abriram a janela da porta aproveitei para lhes pedir que me deixassem ir à casa de banho. Então um deles respondeu-me: "Se vomitas, fodes-te, e o que sair comes".

"As paredes da cela eram irregulares e não sei qual seria a razão, mas via nela, e moviam-se. Tinha medo de sair dali louca, a cela tornava-se grande e pequena, a porta aproximava-se e afastava-se, o solo também se movia".

"Levaram-me de novo à habitação inicial. Ao entrar ali ouvi o ruido de água, era como se estivessem a encher algo, e eles riam-se enquanto me sussurravam ao ouvido "Amaia, Amayita". Não sei se foi o terror mas nesse momento urinei-me. Alguns começaram a rir-se de mim, outros fartaram-se e disseram-me que tinha de limpar toda a habitação com a lingua. Parou o jorro de água, obrigaram-me a dar uns passos em frente e a pôr-me de joelhos. Tiraram-me o capuz. (...)Diante de mim estava a banheira...Fiquei muito nervosa e tentava andar para trás, mas não havia escapatória, estava rodeada. Já sabia o que me iam fazer (...) Então, entre dois homens, um agarrando-me o corpo e o outro enfiando-me a cabeça na banheira bruscamente, de forma que o meu peito ia contra a banheira; sentia que me afogava, tentava recuar com as pernas, para os lados, mas não podia; movia a cabeça com todas as minhas forças para a tirar da água mas era impossivel enquanto eles não quisessem. Engoli demasiada água, tanto pela boca como pelo nariz, tinha a cabeça cheia de tonturas, estava sem forças mas a eles tanto lhes fazia e continuavam gritando e dizendo nomes e mais nomes, que assumisse, que o assumira. O choro não me deixava decidir nada. Já não esperavam nenhuma resposta já que não davam a opção de responder, só davam tempo que respirasse um momento. Não podia mais, naqueles momentos pensava que não ia sair viva dali, que não podia fazer nada, e deixei o meu corpo como se tratasse de uma marioneta. Não fazia força, só queria que aquilo acabasse; se o objectivo era matarem-me, que o fizessem o quanto antes."

(...)

"Estiveram a mostrar-me fotografias e mais fotografias até que se cansaram, e então o que fazia papel de chefe começou a gritar-me "puta, vaca, se não aprendeste nada nestes dias, vais aprender!". Disse-me que naquele momento tanto lhe fazia dar-me dois tiros, e pôs-me de novo o capuz (...) Disse-me que o jogo tinha acabado. Levantou-me um pouco o capuz e mostrou-me uma pistola que era de metal. Eu tentei revolver-me, estava aterrorizada pensando que me iam dar dois tiros... Entre risos perguntaram-me se a queria ter na mão, a ver se tinha "colhões" como o meu irmão e o meu companheiro para lhes disparar; eu dizia-lhes que não, entre soluços, e eles entre risos dizia-me coisas do estilo de "puta traidora". Então senti o metal entre as minhas pernas e um guarda civil sussurrou-me que não me mexesse. Eu chorava e comecei a gritar como uma louca, enquanto fazia forças para juntar as minhas pernas, mas não podia porque tinha os tornozelos atados aos pés da cadeira... Pôs-me a pistola entre as pernas e com a mão apalpou-me as cuecas; eu gritava-lhe que me deixasse em paz, mas ele começou-me a bater-me nos ouvidos com estalos e gritava-me que estivesse quieta ou que se ia escapar um tiro porque a pistola estava carregada. Ouvia as gargalhadas dos restantes dizendo coisas do estilo "vaca, puta, vais gostar..". Introduziu-me o canhão da pistola na vagina enquanto me gritava ao ouvido uma e outra vez "que te digo quando te foder, gora ETA?" Não podia parar de chorar e já não tinha forças para gritar. Começou-me a introduzir e a tirar a pistola de forma mais violenta, o que me provocava dor, enquanto que o que me sussurrava "sim, tu gostas, puta", "não vais ter um filho porque te vou dar dois tiros"...O seu odor metia-se dentro de mim, enojava-me, não sei se alguma vez me sairá este cheiro da cabeça...Estavam-se todos a rir (...) metia-me e tirava o canhão da pistola na vagina e sovava-me o peito de forma brusca, apertando-me o peito com as mãos. Notava dentro de mim o frio do metal, eles repetiam que a pistola estava carregada e que se disparassem a culpa seria minha...Não sei quanto tempo se prolongou a violação mas fiquei muda, estava como perdida; naquela habitação estavam a violar o meu corpo, mas por momentos consegui fugir dali em pensamentos, entre soluços, mas consegui fugir dali; dava-me conta da minha gente, estava com eles e elas, estava protegida... De repente sacou o canhão bruscamente de dentro de mim, enquanto lhes dizia (...) "temos de repetir, que ela gostou"... Voltei à realidade, encontrava-me dorida... De novo mostraram-me as fotografias, de uma em uma, e diziam-me a respeito de cada pessoa o que lhes tinha dito (de que local eram...) mais o que eles lhes queriam imputar; diziam-me que tinha de aprender tudo de memória para repetir quando tivesse de declarar... Repetiram-no muitas vezes e eu tinha que o repetir tudo uma e outra vez e se confundia começavam a bater-me e dar-me estaladas, e a ameaçar-me dizendo que me iam violar de novo".

"Não podia conciliar o tudo, estava aterrorizada e nervosa (...) Sentia-me suja, dava-me nojo o mero acto de o pensar, não sabia a razão pela qual me tinham violado e não podia deixar de chorar (...) Logo que entrei no banho tirei as cuecas para comprovar se me tinham causado algum ferimento ou algo do género porque me doía muito, mas estava "bem".

"Disseram-me que perante o juiz tinha de ratificar as declarações, que se não nem sabia o que me esperava e que não dissesse nada sobre as torturas se não queria voltar ali... Então foram-se. Depois meteram-me numa carrinha tirando-me o capuz, levavam-me à Audiência Nacional. Comecei a chorar. Por fim estava fora daquele inferno".

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

Operação Ogro, 32 anos depois

Há 32 anos amanhecia em Madrid como habitualmente. Franco, que tomou o poder através de uma guerra que matou mais de um milhão de pessoas, prosseguia a sua política fascista. Inúmeros presos políticos enchiam as prisões espanholas, a censura silenciava a comunicação social, os partidos políticos tinham de se movimentar na clandestinidade, os povos do Estado espanhol viviam na miséria.


Luís Carrero Blanco, Primeiro-Ministro, um dos pilares do sistema repressivo, dirigia-se, como habitualmente, à Igreja de São Francisco de Borga. Não sabia ele que se instalara, desde há meses, um comando da ETA na capital espanhola. Os combatentes bascos alugaram um andar na rua que dava acesso à Igreja e, durante semanas, abriram um túnel que findava por baixo da estrada.


Momentos antes um electricista parecia arranjar o sistema eléctrico num dos edificios junto à Igreja. O electricista não era mais que um dos mais emblemáticos dirigentes da ETA, Argala, que fazia as últimas ligações entre os sistemas explosivos.


Carrero Blanco e um guarda-costas eram conduzidos pelo seu motorista rumo à Igreja quando um militante da ETA, num café, fez explodir o subsolo, através de um sistema de controlo remoto. A potência da bomba era tal que o automóvel do Primeiro-Ministro saltou pelos ares e foi parar às traseiras da outra rua. Era o começo do fim do franquismo.

sábado, 17 de dezembro de 2005

Não à tortura! Não ao terrorismo de Estado

A Associação de Solidariedade com Euskal Herria (ASEH) denuncia a continuação dos métodos torcionários por parte do Estado espanhol contra o povo basco. 20 anos após o acto terrorista da Guardia Civil que levou à detenção, tortura e assassínio de Mikel Zabaltza, a violência física e psicológica continua vigente nos métodos policiais e militares espanhóis. Os 3500 cidadãos bascos torturados desde a morte de Zabaltza, 51 só este ano, demonstram que o sistema repressivo do Estado espanhol não pretende baixar os braços dando ao povo basco a liberdade de seguir o seu caminho.

É hora não só de denunciar todos estes casos, que deveriam envergonhar qualquer Estado, como também de homenagear todos aqueles que arriscam a vida lutando pelo seu povo. Há que desmascarar a imagem de normalidade que o Estado espanhol tenta emitir. Há que denunciar a existência, por parte deste Estado, de assassínios, tortura e prisões por motivações políticas. Há que denunciar que, neste suposto Estado de direito, as forças policiais, o poder judicial, o poder político e os grandes órgãos de comunicação social se interligam mutuamente e são cúmplices do silêncio que esconde todos estes crimes.

Não à tortura! Não ao terrorismo de Estado!
Viva o País Basco livre e socialista!

«Não nos tirarão nem proibirão a memória de Mikel»

Vizinhos de Altza homenageiam Mikel Zabaltza no 20º aniversário da sua morte

«Não nos tirarão Mikel Zabaltza e muito menos poderão arrebatar a sua memória nem nos proibirão de o recordarmos. Somos suas testemunhas e dizemos não à tortura, à mentira e ao medo», manifestou o escritor Koldo Izagirre na homenagem que os vizinhos de Altza fizeram ao jovem de Orbaitzeta.

DONOSTIA


Através de recortes de jornais da época e dos comentários de uma voz off, emitidos por um video, os vizinhos de Altza recordaram a detenção de Mikel Zabaltza pelas mãos da Guardia Civil; a notícia do seu desaparecimento e a incerteza que causou; os testemunhos de tortura das pessoas que foram detidas com Zabaltza, entre elas, a sua namorada; os dias de intensos e infrutuosas buscas nas águas do Rio Bidasoa; o choque e indignação perante a descoberta do seu corpo quase três semanas depois da sua prisão; e a resposta nas ruas do País Basco.

No ecrã colocado em Altza ficou congelada a imagem de Zabaltza. À sua frente bailaram um "aurresku" [dança tradicional basca] e realizaram, entre fortes aplausos, uma oferenda floral.

O escritor Joan Mari Irigoien dedicou-lhe um poema em euskera. Também o escritor Koldo Izagirre deixou claro que "não nos tirarão Mikel e muito menos poderão arrebatar a sua memória nem poderão proibir-nos de o recordarmos. Somos suas testemunhas. Dizemos não à tortura, à mentira e ao medo».

«A tortura é o bombardeamento de Gernika exercido num corpo nu; é o genocidio sobre um corpo individual», manifestou Izagirre. «O teu, Mikel, é um corpo bombardeado, torturado em vida e em morte. Já sabemos donde, como e em que mãos morreste», acrescentou. Destacou que "não necessitamos de uma escultura oficial para manter viva a tua memória e ninguém poderá levar essa grande mentira ao esquecimento».

Outra voz denunciou que desde 1985 «houve 3.500 denúncias de tortura e, no ano que decorre, 51. Destacou «a implucação da Audiência Nacional, dos juizes, médicos forenses e o silêncio cúmplice dos políticos e meios de comunicação social».

Antes de se finalizar a homenagem, apelaram à participação de hoje em Donostia, às 17.00, à que se junta a ANV.

em Gara.net

sábado, 10 de dezembro de 2005

Inaxio e Imanol torturados: Estado espanhol terrorista!

Inaxio Olabezela e Imanol Uria ainda não acreditam em tudo o que lhes aconteceu no passado fim-de-semana. Depois de jantarem em casa de uns amigos em Iruñea, depois da manifestação proibida, encontraram-se perante uma carga policial e foram detidos. Depois de passarem duas noites na esquadra, ambos saíram com hematomas e traumatismos, e no caso de Uria, com uma ferida na fronte que teve de levar dez pontos. Este, para além do mais, foi detido nas dependências policiais.

No sábado tinham ido à manifestação convocada por organismos sociais e vários sindicatos a favor dos direitos civis e políticos. A mobilização nem chegou a iniciar-se. A Delegação do Governo tinha-a proibido.

O assunto ficou por ali e ambos os jovens foram jantar em casa de uns amigos. Por casualidade nesse mesmo sábado fecharam a casa juvenil okupada de Errotxapea e, pela noite, realizou-se uma manifestação de protesto na Parte Velha de Iruñea. Enquanto jantavam escutaram uma carga policial.

Ao sair de casa, Olabezela encontrou dois agentes da Polícia espanhola junto ao portão. "Vai-te embora para ali", disseram-lhe, e explica que assim o fez. "Meti-me num bar e, de imediato, entraram vários polícias. Estava perto da porta. Começaram a golpear-me, agarraram-me e levaram-me para o fundo ao pontapé. Meteram-me as algemas. Já na carrinha, obrigaram-me a pôr-me de joelhos num canto. Recebi golpes e insultos como "filho da puta, etarra", relatou ao Gara Olabezela.

Uma vez na esquadra, contou que teve de estar durante duas horas a olhar para a parede com as algemas postas. "Disseram-me que não voltasse a cabeça, e cada vez que desviava o olhar davam-me golpes na cabeça, costas e pescoço", denunciou ao mesmo tempo que mostrava os hematomas ainda visiveis.

"Um dos polícias disse-me literalmente "vamos-te torturar porque aqui tortura-se", destacou o jovem zarauztarra.

[...]

A prisão de Uria produziu-se quando foi à esquadra saber do seu amigo e viu como o prendiam. Sublinha que entrou sem um arranhão e saiu com dez pontos na fronte. "Pediram-me o BI, mostrei-o e comunicaram-me que estava detido, sem saber porquê. Não queriam que lhes visse a cara. Deram-me golpes por todos os lados. Estando encolhido, deram-me um forte golpe que me estampou contra a parede. Comecei a sangrar bastante. Apesar do meu estado, na carrinha não pararam de me pontapear e insultar. "Tu mereces dois tiros na cabeça, como fazem vocês", diziam-me", relatou Uria a este diário.

Já no hospital, a enfermeira quis saber como tinha acontecido semelhante ferida, e ao explicar-se um dos agentes "disse-lhe que não fizesse caso porque "é um terrorista". No centro sanitário inteirou-se de alguns dos crimes que se lhe acusa, entre eles, "desacato", "agressões" e "insultos".


Gara.net


sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

População basca deseja a paz



O Gabinete de Prospecção Sociológica da Presidência do Governo basco fez uma sondagem para recolher opiniões dos cidadãos sobre o processo de paz no País Basco.

Esta sondagem demonstra que os cidadãos bascos estão realmente esperançados num processo que traga a paz ao seu povo. 52% considera que a ETA declarará uma trégua nos próximos meses enquanto 25% não acredita em tal e 23% não responde. 79% tem a esperança de que a paz se consolide em poucos anos um número acima dos 61% do mês de Outubro.

Em relação à redução da actividade armada da ETA, 23% considera que se deve a um gesto da organização para propiciar soluções, 17% atribui tal facto à debilidade da organização e 23% aponta as duas razões anteriores. Tal demonstra que 46% dos cidadãos bascos compreende um trabalho para a paz por parte da ETA. 22% dos cidadãos considera que ninguém (instituições ou partidos) estáa fazer esforços para conquistar a paz.

13% assinala que o Governo basco e o seu presidente, Ibarretxe, trabalham pela paz e 9% considera que é o Governo espanhol que o faz. 11% crê que é a população que o está a fazer e 4% dão a principal responsabilidade do trabalho pela paz à esquerda independentista. De destacar o facto da luta da população pela paz ser grandemente feito também pela esquerda independentista. Por outro lado, 1% da população considera que é a ETA que trabalha pela paz e a mesma percentagem considera que é o PP que o faz. No entanto, não se pode desligar a população da esquerda independentista, nem excluir a ETA como organização dessa área política.

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

ETA marca dia da Constituição espanhola



No dia da Constituição espanhola, que proclama o Estado uno e indivisivel, a ETA recordou que o País Basco não é espanhol e que não está inactiva como muitos querem fazer crer. As estações de correios espanholas em Altasu e Zumarraga foram alvo de uma acção durante a madrugada e em Madrid deflagraram 5 artefactos explosivos nas principais estradas que circundam a capital. Também o Aeroporto de Santander foi encerrado devido a uma ameaça de bomba. Não há feridos a registar em qualquer dos casos uma vez que a organização armada alertou a comunicação social com antecedência, como de resto é hábito nestes casos.



No número do "Zutabe" [publicação interna da ETA] correspondente ao mês de Dezembro, a ETA informa que remeteu um "comunicado especial" a "dezenas de agentes e meios de comunicação internacionais". Esta iniciativa tem como objectivo fazer um apelo "a todas as instituições e, em especial, a quem tem responsabilidades de governo, para que adoptem as medidas que considerem necessárias a favor de uma resolução negociada do conflito".

em Gara.net

sábado, 3 de dezembro de 2005

Solidariza-te! Todos com os afectados pelo Processo 18/98!

Como continuação da iniciativa "Kaiera" impulsionada pela Plataforma 18/98+, que culminou com uma iniciativa em Durango, no dia 11 de Novembro de 2005, o Gara quer oferecer a possibilidade de que os leitores possam mostrar o seu apoio a todas as pessoas e organizações afectadas pelo processo 18/98.

Envia a tua mensagem de solidariedade! Vamos mostrar o nosso apoio a todas estas pessoas, organizações e à luta do povo basco!

Envia aqui a tua mensagem

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

ETA apela a mediação internacional

Em comunicado divulgado, no final da passada semana, em vários órgãos de imprensa espanhola, a ETA apela «às organizações internacionais», em particular àquelas que têm «responsabilidades de governação», para que se impliquem na busca de «uma solução negociada do conflito» basco.
No texto, que terá sido enviado a embaixadas de estados europeus e a diferentes organizações internacionais, a organização armada independentista basca
assinala «aspectos inovadores» na atitude do governo espanhol em relação ao País Basco, sublinhando, no entanto, que «no fundamental continua sem dar resposta à raiz do problema» e mantém «a aposta na estratégica repressiva».
A ETA reafirma o seu apoio ao plano de paz apresentado pelo ilegalizado partido Batasuna, em Novembro de 2004, no velódromo de Anoeta, que propõe no essencial a abertura de duas mesas de negociação, uma envolvendo todos os partidos bascos, sem exclusões, outra directamente entre os Estados e a ETA.
Porém, a organização faz questão salientar que «a chave para a resolução do conflito é o reconhecimento do direito de autodeterminação a Euskal Herria» (Pátria Basca).
No documento, é recordada a decisão da organização, anunciada em Junho de 2005, de suspender as acções armadas com eleitos e dirigentes de partidos políticos espanhóis, como demonstração da «vontade» da ETA à qual «cabe à classe política espanhola e francesa dar uma resposta positiva».
Por último o comunicado lança um apelo à comunidade internacional, considerando que o conflito «é mais do que um problema interno» dos estados espanhol e francês, não podendo aquela «abstrair-se perante a grave situação que padece o País Basco».
Interrogada pela imprensa, na sexta-feira, dia 25, a porta-voz oficial da Comissão Europeia, Pia Arhenkilde, não afastou a hipótese de intervenção no processo, notando que «neste momento, esta é uma questão nacional, mas se a situação se alterar e as autoridades espanholas pedirem que o executivo comunitário desempenhe um papel, então seriam uma coisa diferente».
Por seu turno, o governo espanhol preferiu não comentar o comunicado, declarando que continua à espera que a organização desista «definitivamente e incondicionalmente da violência». «Quando a abandonarem, então comentaremos essa posição», disse o ministro do Trabalho, Jesus Caldera.

em Avante!