terça-feira, 7 de abril de 2009

Sakabanaketak 20 urte / 20 anos de Dispersão



Sakabanaketarik ez! Não à dispersão dos presos políticos!

Jone Artola e Miren Ganboa, em representação da Etxerat, deram ontem a conhecer em Bilbau um conjunto de iniciativas contra a dispersão penitenciária que terão lugar entre 14 e 19 de Abril. A que assume maior relevo é a marcha que há-de percorrer diversas terras e bairros de Euskal Herria e que culminará, a 19, no Acto Nacional em Durango.
Através da sua renovada página de Internet, a Etxerat dará conta dos eventos organizados, assim como no blogue dispertsioak20urte.wordpress.com.
Notícia completa: Gara

Torquemada persegue a Korrika

No domingo, em Gasteiz, a 16.ª edição da Korrika terminou entre a admiração das multidões. Tal como em todo o percurso, milhares e milhares de euskaltzales acarinharam o testemunho nos seus últimos quilómetros, à espera de conhecer a mensagem escrita nesta ocasião pelos palhaços Pirritx eta Porrotx, verdadeiros heróis de milhares de crianças que crescem a cantar e a brincar em euskara. Há que esperar dois anos até que a marcha em prol do euskara volte à estrada. Um tempo em que aqueles que trabalham e lutam pela “euskaldunização” e o euskara enfrentarão os mesmos desafios ou outros maiores ainda.

Mas nem tudo foi festa, trabalho e reivindicação. Como já é habitual, os herdeiros de Torquemada colocaram a Korrika na mira, sob a acusação de não silenciar os sem voz, mais concretamente as pessoas próximas de presos políticos que denunciaram ao longo do trajecto a situação dos prisioneiros. O lobby repressivo Dignidad y Justicia chegou mesmo a pedir a proibição da corrida pelo euskara. UPN, PSN e NaBai exigiram, ainda que com diferentes intensidades, que a AEK torne pública de forma inequívoca a sua rejeição e condenação desses actos, ameaçando retirar-lhe subsídios que, pelo menos em alguns casos, não são assim. A isso veio juntar-se o facto de alguns euskaltzales, com ar virginal, terem concedido veracidade a essas acusações. Como se os problemas dos que têm a seu cargo o trabalho em defesa euskara fossem o activismo dos familiares dos perseguidos políticos e as capacidades linguísticas de Arantza Quiroga*, e não a política linguística de PP, UPN ou PSOE ou a nula blindagem realizada nesta matéria pelo PNV em 30 anos.

Nos tempos da Inquisição também houve padres bascos que fizeram de delatores. Como então, quem faz de lebre dos tribunais do pensamento espanhóis, acusando a Korrika de não fazer o suficiente para evitar que as pessoas convertam esta mobilização popular num retrato do que se passa neste país, sabe bem qual é o preço que no Estado espanhol se paga por heresia. Não venham agora dizer que o fumo da pira os incomoda. E não digam depois que riscaram o fósforo para acender um cigarro enquanto liam um poema.

Fonte: Gara

* Arantza Quiroga: nova presidente do Parlamento de Gasteiz, resultante das eleições política e judicialmente amanhadas e policialmente condicionadas na Comunidade Autónoma Basca. É do PP e passa a ocupar o cargo, depois de acordo estabelecido com o PSOE, que diz não estarmos em presença de frentismo. A senhora não é euskaldun, não fala basco, o que até vai bem com a política linguística que o seu partido defende para "Euskadi". Ouvimos recentemente num programa de rádio que é papista e conservadora. Que adorável. E de Uriarte, que é bispo, gosta?

Ver também: sareantifaxista, a propósito de uma outra queixa, interposta contra a Korrika no TSJ de Nafarroa, pelo grupo integrista España y Libertad. E entretanto já ficámos a saber que o “lobby da repressão” espanhola Dignidad y Justicia também já avançou com um pedido de impugnação contra a Gazte Martxa ’09 – um dos eventos com maior adesão entre os jovens de Euskal Herria. O acosso da canalha é total.

Como sempre, no final da Korrika – que acompanhámos ao longo de todos estes dias e que foi uma enorme festa – foi revelada a mensagem contida no testemunho que passou de mão em mão ao longo de mais de 2000 km. Os palhaços Pirritx eta Porrotx escreveram… «Bihotza, burua, eskuak! Sentitu, pentsatu, ekin!» [Coração, cabeça, mãos! Sentir, pensar, fazer! Euskaraz, bai!!!]

De crise e oportunidades

Agora que a crise financeira ameaça corroer as próprias fundações do capitalismo, nós, profanos em questões económicas, lemos que a saída para situações preocupantes como esta passa por fazer da crise uma oportunidade. Algo assim como abandonar costumes e estruturas desgastadas, renovar ideias e propostas e, definitivamente, tirar proveito de uma má situação que nos permite – mesmo que seja por demolição – romper amarras com o que de negativo o passado tenha tido e regenerar o são. Não sei como se faz tudo isso no terreno da economia mas parece-me sugestiva a sua aplicação à política.

A situação que atravessa o abertzalismo nas suas diversas expressões é de crise. Crise de marginalização e perseguição na esquerda abertzale, que pela primeira vez não está presente em nenhum dos dois parlamentos de Euskal Herria; crise de desmoronamento no EA; crise de definição no Aralar e severa crise no jelkidismo [PNV], que vê como perde posições no único terreno em que até agora se desenvolvia com comodidade e extraordinários benefícios de toda a índole.

As causas da crise são conhecidas, embora nem todos as queiram reconhecer, por aquilo de procurar encontrar responsáveis longe de casa. A essência mesma do regime político impulsionado aquando da morte de Franco é profundamente antidemocrática. Na sua aceitação está o gérmen da actual crise. A adesão – assim fosse com matizes críticos – a um regime que nega desde a primeira linha da sua Constituição a existência do povo basco como sujeito de direitos políticos foi o abraço traiçoeiro que, no final, trouxe um amargo de boca ao jelkidismo, que ocupou a primeira posição da maioria nacionalista.

Hoje, a crise permite-nos fazer uma breve pausa, olhar para os erros, procurar a sua correcção, encarreirar o rumo e avançar posições. O importante, no entanto, é definir objectivos, metas. E também os estádios intermédios, as metas volantes. Trata-se de decidir dinâmicas e pô-las em marcha. Para isso sobram os que se contentam em sobreviver à crise com as migalhas que caem da mesa do regime espanhol. Trata-se de abrir as janelas, arejar o interior e pôr a casa em ordem.

No domingo, entre Irun e Hendaia têm encontro marcado os que se dedicam à tarefa apaixonante de trabalhar por Euskal Herria até à consecução de um estado livre, de gentes livres. É a oportunidade que a crise nos oferece.

Martin GARITANO
jornalista

Fonte: Gara

Para saber mais sobre o Aberri Eguna, ver: http://www.naziogunea.net/

De presos, familiares e fatxas


Mobilizações contra a retirada de fotos dos presos políticos

50 pessoas mobilizaram-se no domingo, em Segura, em protesto contra a retirada, na última quinta-feira, das fotografias de dois presos políticos que se encontravam na praça desta localidade. Também colocaram faixas com as fotos destes presos por todo a localidade. Em Zaldibia, pelo mesmo motivo, juntaram-se 40 pessoas.

Por outro lado, centenas de pessoas participaram em Andoain no ongietorri oferecido ao ex-preso político desta localidade Aritz Arnaiz, que foi posto em liberdade depois de passar 14 anos na prisão. Apesar da presença da Ertzaintza, que filmou quem assistia à cerimónia, Arnaiz pôde receber as boas-vindas dos seus conterrâneos.
Em Hernani, 450 pessoas denunciaram o encarceramento dos últimos detidos, bem como os maus-tratos que lhes infligiram.

Fonte: Gara


O preso político de Santurtzi Unai Hernández sai em liberdade

O preso político de Santurtzi Unai Hernández, processado no sumário 18/98, detido em Lapurdi em Fevereiro de 2008 e entregue em Julho desse ano às autoridades espanholas, foi posto em liberdade, depois de pagar uma fiança de 30 000 euros.
Estava prevista para ontem uma cerimónia de ongietorri. Também em Santurtzi, 70 pessoas mobilizaram-se ontem pelos presos e a Ertzaintza filmou-os.
Houve ainda mobilizações pelos presos em Ataun (25 pessoas), Ordizia (20), Zaldibia (15), Euba (10), Ondarroa (65), Altza (25), Añorga (12), Iurreta (45), Otxarkoaga (17) e Laudio (45).

Fonte: Gara


Interpõem recurso contra as ajudas de Lakua e Elorrio aos familiares dos presos

O ministro espanhol do Interior, Alf Rubalcaba, e o seu homólogo da Justiça, Fran Caamaño, decidiram que a Magistratura do Estado deve apresentar um recurso no Tribunal Superior de Justiça do País Basco contra as ajudas que o Governo de Lakua aprovou nesta legislatura para as deslocações das famílias dos presos bascos.
Da parte do Executivo autonómico, ainda em funções, o conselheiro da Justiça, Joseba Azkarraga, criticou o “oportunismo político” do recurso.
A Magistratura do Estado apresentou também um outro recurso contra a aprovação no Município de Elorrio de uma ajuda de 23 000 euros aos familiares dos perseguidos políticos desta localidade biscainha.

Fonte: Gara

domingo, 5 de abril de 2009

As provas silenciosas


Vivemos num mundo irreal, repleto de falácias, mentiras e, como diria um cineasta, fitas de vídeo. O matemático libanês Nassim Taleb recordava uma história que o romano Cícero contava há mais de dois mil anos. A um tal Diágoras, que não cria nos deuses, apresentaram-lhe umas tabuinhas de uns fiéis que sobreviveram a um naufrágio da maneira mais simples: a rezar. Da representação deduzia-se que a oração e a fé protegem uma pessoa da morte por afogamento. Acto seguido, Diágoras perguntou: “Onde estão as tabuinhas dos que oraram e depois se afogaram?”. Evidentemente, os mortos não falam, não existem milagres para eles.

Chama-se a esta demonstração o problema das provas silenciosas. Não vou inventar o seu significado, mas simplesmente evocar as suas interpretações, que são utilizadas sobretudo em Economia e em História. Estas não apresentam demasiada reserva depois da fábula de Cícero: fazemos história, do passado e do presente, com dois ou três dados que generalizamos, por vezes de maneira inconsciente e, com motivação política, de forma consciente. É mais o que desconhecemos que o que sabemos. As chamadas provas silenciosas deixariam de pantanas muitas das crenças dos nossos dias.

Remeto-me à actualidade para que o passado nos surja compreensível. Realizaram-se eleições para o Parlamento da Comunidade Autónoma Basca. Chamados às urnas eram 1 732 340 maiores de 18 anos. Uma cifra respeitável. O partido chamado a liderar a mudança obteve 315 893 votos, outra cifra importante. O conservador que anunciou o seu apoio alcançou 144 944. Entre ambos, os dois grandes contendores na gestão do Governo do Reino de Espanha teriam obtido 460 837, mais 22 002 se a essas formações se somasse os do projecto neofalangista da UPyD. Entre as três formações políticas, 27,8% dos chamados a votar. Uma cifra importante, novamente, que, no entanto, conduz ao cepticismo na interpretação política. Se nos ativéssemos aos comentários que escutámos e ouvimos em alguns meios, estaríamos na presença de uma revolução eleitoral e democrática, que nos aproximaria de um novo horizonte.

Aquelas que serão dentro de alguns anos provas silenciosas transmitem-nos, pelo contrário, um cenário afastado do real. Duas formações políticas viram proibida a sua participação na pugna eleitoral. Dirigentes de outras tantas foram previamente encarcerados, por vezes para evitar a sua regeneração. Alguns, sem pudor, foram postos em liberdade depois de se conhecer os resultados. A abstenção foi notória, também: 634 833 votantes não o quiseram ser. Não votaram. Se nesta altura se oculta o óbvio, que sucederá dentro de duas décadas, quando algum historiador interpretar o início da legislatura?

O presente está enviesado, e o passado também. Poucos interesses, mas poderosos, em geral económicos e em particular de hegemonia, participam na manutenção do status. As provas silenciosas estão aí. Conhecemo-las de sobra, são-nos ditadas pela lógica e, graças à estatística, sabemos que marcam o devir diário e colectivo como os buracos negros: não se vêem mas sentem-se. Se o presente se converte em passado, desaparecem.

Quando ocorreram em Madrid os atentados de 11 de Março, o partido então no Governo tentou silenciar a evidência, convertendo-se no paradigma de que a obliquidade na informação pode transformar-se numa função diabólica. Ainda ressoam as mentiras do “historiador” Jaime I. del Burgo, dando o aval às teses dos seus companheiros liderados pelo “estadista” J. M. Aznar. Até o Conselho das Nações Unidas manteve uma tese equivocada. As provas de facto foram convertidas em silenciosas e estas em evidências. O mundo ao contrário.

Com o 11 de Setembro nos EUA aconteceu outro paradoxo. Os acidentes automobilísticos aumentaram de uma maneira astronómica. Muita gente deixou-se contagiar pelo pânico de voar, o que fez que um número de pessoas pouco habitual se fizesse à estrada, em viagens normalmente longas. Os acidentes multiplicaram-se, sobretudo nos EUA, daí resultando que as vítimas indirectas dos atentados daquele 11 de Setembro fossem mais numerosas que as directas. Alguém imputou as mortes às companhias automobilísticas? As petrolíferas felicitaram Bin Laden? Os portageiros das auto-estradas borrifaram-se para os jihadistas? Não ouvi nada sobre esse tema. Se entrássemos nas guerras abertas por Washington a partir daquele dia, as vítimas multiplicar-se-iam espantosamente.

Com as vítimas existe, para além disso, um silêncio trabalhado. As chamadas “do terrorismo” completaram o ciclo que as organizações de direitos humanos definiram uma vez como imprescindível para fechar a ferida: verdade, justiça e reparação. Conhece-se, mais ou menos, a verdade sobre o ocorrido, através de toneladas de papel de investigação policial e judicial. Milhares de cidadãos foram encarcerados, alguns mesmo mortos, por isso. Foi-lhes aplicada a lei e o código penal. E, por fim, a reparação chegou pela via de indemnizações económicas e do reconhecimento institucional. Não é o caso, em consequência, do silêncio.

A partir daí, as restantes vítimas não existem. As do Estado jamais foram reconhecidas. Na sua época mais recente, quando a Comissão de Direitos Humanos do Parlamento Basco apresentou um relatório (Junho de 2008) em que apareciam 108 mortos e 538 feridos causados por forças policiais, militares ou paramilitares, nos últimos 30 anos, a reacção dos dois grupos que têm alternado no Governo central foi visceral. Chama a atenção a virulência com que foi tratado o director da referida Comissão. As hemerotecas são testemunhas.

Relativamente ao franquismo, a reacção de quem governa precisamente o Estado foi similar. Esquecimento, quer dizer, silêncio. Quando não há provas, quando algo fica sem justificação, finalmente diz-se que não existiu. É da lógica. Eu mesmo o assino. Como posso crer numa coisa ou interpretar algo de que não há registo? Como se se tratasse de objectos voadores não identificados, quem nos pode falar das dezenas de milhares de vítimas dessa época se o Estado, o que fez de verdugo, jamais as reconheceu como tal? As provas silenciosas esfumam-se a cada dia que passa, desaparecem engolidas pelo mais voraz dos exterminadores: o tempo. E aquelas vítimas hão-de sê-lo para sempre, com a agravante de que ninguém, jamais, lhes reconheceu a sua condição. Nunca terão acreditado a verdade, jamais se lhes fez justiça e, menos ainda, ninguém reparou naquela infâmia.

A indignidade sobe de tom quando filhos e netos dessa época são responsáveis pela ocultação de hoje. Uns por omissão e outros por alusão. Como no quadro de Goya, quando Saturno devorava um dos seus filhos, os da omissão esquecem o que aconteceu quando foram condenados ao exílio, à morte azul, como diria Fermín Valencia, ou às masmorras imundas. Um dos filhos é, precisamente, quem se levantou contra o seu pai Saturno e o devora para poder jogar no tabuleiro da troca política. Que vergonha!

Os da alusão, por outro lado, continuam a sua lógica. Renegaram tudo desde tempos imemoriais. Silenciaram quando era para o fazer e, se o guião conjuntural o exigia, fizeram-no de pistola em punho. Às vezes tenho a impressão de que somos uns privilegiados. E digo-o com muita precaução porque haverá mais de um e mais de mil que se enojem com esta impressão. Com razão. Digo que somos uns privilegiados porque, se ideias como as que defendemos nascessem noutros tempos, isso teria implicado a morte, a prisão ou o exílio. Para a maioria.

Há alguns dias deparei com o expediente que um “juiz” militar abriu a Bienvenida Aguirrezabala. A sua leitura encorajou-me a escrever este artigo sobre as provas silenciosas. Bienvenida foi detida em Tolosa. Cortaram-lhe o cabelo a pente zero como represália pela sua antipatia por Franco. De acordo com a sentença, “foi da dita terra para Bilbau e exibiu-se num teatro, valendo-se do corte de cabelo para contribuir para a campanha difamatória contra a Espanha Nacional”. A habitante de Tolosa foi condenada à prisão, por “adesão à rebelião”. Como é óbvio, o importante não era a repressão, mas que se soubesse dela. Como avançámos pouco!

Iñaki EGAÑA
historiador

Fonte: Gara

No Anaitasuna, a esquerda ‘abertzale’ reafirma o seu compromisso por uma mudança real


A necessidade de juntar forças para conseguir uma mudança real em Nafarroa e a exigência do reconhecimento do direito do povo basco a decidir o seu próprio futuro foram as duas mensagens que a esquerda abertzale lançou ontem no comício político realizado no pavilhão Anaitasuna, em Iruñea [Pamplona], que estava praticamente cheio. Abordaram-se temas como o euskara, a mulher, a luta dos trabalhadores e a repressão, ao longo das três últimas décadas.

Gritos de «Independentzia» e «Jotake, irabazi arte» [sem descanso, até à vitória] acolheram os ioaldunak que andaram pelo pavilhão Anaitasuna e os dantzaris que fizeram a saudação à ikurriña. Começava assim o comício político organizado pela esquerda abertzale relacionado com o 30.º aniversário das primeiras eleições para o Parlamento de Nafarroa, e no qual se abordaram temas como o euskara, o movimento feminista, as lutas dos trabalhadores, a repressão e a situação política em geral, ao longo destas três décadas.
Garbiñe Bueno, encarregada de apresentar as diversas intervenções, apontou o dedo “aos que nos quiseram roubar a memória, aos navarros”, e destacou a importância de “recordar o que nos querem ocultar” e de juntar forças para poder conseguir uma mudança real em Nafarroa.

Enquanto, numa tela gigante, iam passando imagens destas três últimas décadas sobre os temas citados, várias pessoas conhecidas em diversos âmbitos foram avaliando o caminho percorrido. A intervenção de dois bertsolaris deu lugar a David Anaut, que recordou as proibições e perseguições que o euskara sofreu historicamente, assim como a continuidade desta situação com o «Amejoramiento del Fuero» e a «Ley del Vascuence».
Anaut realçou a importância de se alcançar uma mudança real em Nafarroa para assegurar o futuro do euskara e, concretamente, a oficialização em todo o território.

Elena Urabaien abordou em seguida questões do âmbito da mulher, que resumiu ao dizer que foram “mais trinta anos de submissão e hipocrisia”. Urabaien ligou a negação do direito ao aborto com o papel da UPN “como braço político da Opus Dei” e criticou a “passividade” dos grupos do Parlamento, “que nem sequer conseguiram que se aplique a Lei contra a violência machista aprovada há seis anos”.

«A Navarra idílica»
O coordenador do sindicato LAB em Nafarroa, Igor Arroyo, com uma intervenção que se centrou no mundo laboral e nas lutas dos trabalhadores, recebeu fortes aplausos das pessoas que enchiam o Anaitasuna. Em primeiro lugar, ironizou sobre “o bem que se vive em Navarra, tal como Sanz, Del Burgo e toda essa gente engravatada passam a vida a dizer”, e depois constatou que “essa imagem que nos venderam é a versão aldeã do sonho americano”.
Dirigindo-se ao PSN e à UPN, Arroyo perguntou-lhes “onde está essa Navarra do bem-estar e do pleno emprego”, e acrescentou: “Vão perguntá-lo aos 38 000 desempregados, aos jovens que trabalham na precariedade, às mulheres que recebem menos pelo mesmo trabalho, às centenas de trabalhadores mortos nestes últimos anos em acidentes laborais”.

Após constatar que “a crise deixou à mostra o mito da Navarra do bem-estar”, Arroyo disse que nestes trinta anos “o patronato dominou por completo” graças ao «Amejoramiento del Fuero». “Sabiam que a partição territorial e a sujeição de Navarra era fundamental para poderem manter os seus privilégios”, afirmou.
Como fórmula para dar a volta a esta situação referiu a necessidade “da luta dos trabalhadores”, ao mesmo tempo que apelava a uma “contra-ofensiva” contra o patronato e à participação na greve geral de dia 21 de Maio. “Face a esta greve estão o patronato, o Governo, as forças de ocupação e também a UGT e as CCOO”, afirmou, sendo então interrompido por gritos de «Borroka da bide bakarra» [a luta é o único caminho] e «Greba orokorra» [greve geral].

A repressão foi o grande tema que se seguiu. “Que razão tinha o romeno! Quinhentos anos à tareia e ainda não somos castelhanos. E, como dizem na Ribera, nem semos nem seremos”, afirmou Fermin Balentzia antes emocionar a assistência com a interpretação de «Maravillas».
Esta canção serviu a Gloria Rekarte para recordar que esta jovem de 14 anos foi uma das 3400 pessoas assassinadas na sequência do golpe franquista de 1936. “Aqueles assassinos nunca tiveram de prestar contas e converteram-se em referentes da democracia”, disse Rekarte, que foi interrompida com gritos de «Herriak ez du barkatuko» [o povo não perdoará].
Esta ex-presa afirmou que “a repressão é o instrumento da imposição”, lembrou “os trinta anos de detenções, torturas, presos, exilados, encarceramentos, fechamentos de meios de comunicação, perseguições e ilegalizações”, e criticou “as forças supostamente de esquerda e abertzales que se recusam a ver esta realidade”.Em seguida, uma grande ovação recebeu a subida ao palco de mais de uma centena de cargos políticos da esquerda abertzale que desempenharam funções em Nafarroa nestes últimos anos.

«Nem todos os projectos se podem concretizar»
A ovação aos cargos eleitos prolongou-se quando Txelui Moreno pediu um aplauso “para as gentes da esquerda abertzale que cantaram o ‘Eusko Gudariak’ no Parlamento navarro, por esse retrato de dignidade que nos deixaram na retina”. Depois de ironizar sobre “esse selecto club de ‘nós, os democratas’”, afirmou que nestes trinta anos “não nos desactivaram nem nos assimilaram, e conduzimos Euskal Herria às portas da mudança”. Moreno citou Arnaldo Otegi, presente no acto, dizendo que “todas as peças do puzzle se encontram sobre a mesa e agora só falta encaixá-las”. As suas críticas dirigiram-se ao PNV, “que demorou seis anos a perceber que são os juízes que formam os parlamentos deste país”, e o Aralar, “que é utilizado para fazer crer à sociedade que todos os projectos podem ser postos em prática”. “O caminho não é a abandono de princípios”, disse, e pediu “factos” para configurar um grande espaço de esquerda e abertzale.
Iñaki VIGOR

Fonte: Gara
Fotos: Ekinklik via kaosenlared

Ver também: «A mudança real, o compromisso político e o direito a decidir – eixos centrais do comício no Anaitasuna», em nafarroan.com

Os familiares dos detidos apoiam a manifestação convocada para 16 de Maio em Iruñea

Representantes dos familiares dos detidos nos últimos meses em Iruñerria [comarca de Pamplona] ofereceram uma conferência de imprensa na capital navarra para explicar as actividades que estão a realizar em defesa dos seus filhos, sobrinhos e amigos detidos.

Desde Agosto do ano passado e em operações sucessivas levadas a cabo pela Polícia espanhola ao longo de três meses, foram presas vinte pessoas, quase todas residentes em Iruñerria. Dezoito deles passaram pelo período de incomunicação e quinze denunciaram ter sido torturados.

“Estas denúncias merecem-nos a todos a máxima credibilidade, porque os conhecemos e porque a ONU tem denunciado a prática sistemática da tortura por parte de todos os corpos policiais do Estado espanhol”, afirmou Enrike Miranda em nome dos familiares.
“Os familiares também estão a sofrer a repressão que sofrem os seus filhos. Mas nós, longe de ficar em casa, a sofrer e a lamentar a nossa sorte, que é o que a Polícia gostaria, mais o Governo espanhol e os partidos que sustentam este regime constitucionalista, rebelamo-nos e propusemos a nós mesmos levar este lamento e esta rebeldia aos agentes sociais de Nafarroa”, acrescentou.

“Não à tortura. Não às ilegalizações. Sim à possibilidade de concretização de todos os projectos políticos” é o lema da manifestação que terá lugar em Iruñea no dia 16 de Maio, convocada por familiares de detidos e torturados nas últimas operações. Mais de vinte associações e colectivos deram já o seu apoio ao manifesto que sustenta esta iniciativa, mas esperamos muitas outras adesões.

Também se estão a recolher apoios, a título pessoal, para o manifesto e para a manifestação de 16 de Maio, em Iruñea, na página http://www.harresia.tk/.

Fonte: Gara


Excerto da conferência, via apurtu.org

Garzón manda oito dos jovens para a prisão, acusando-os de pertencer à Segi


Oito dos dez jovens detidos pela Polícia espanhola nas operações levadas a cabo em Hernani, Urnieta e Gasteiz durante esta semana foram enviados ontem para a prisão, por decisão de Baltasar Garzón.

O magistrado espanhol decretou o encarceramento incondicional de sete dos detidos na terça-feira pela Polícia espanhola em Hernani e Urnieta: Egoitz Balerdi, Asier Olano, Mikel Gartzia, Eki Oñate, Aitzol Arrieta, Jon Ezeiza Jauregui e Txaber Zabaleta. A Iñigo Alzelai foi aplicada a medida de liberdade provisória sob fiança de 10 000 euros.

Para além disso, o magistrado espanhol terá emitido duas ordens de busca e captura contra Antton Zabala e Ekaitz Telleria. O juiz acusa os jovens de pertencerem à Segi* e, de acordo as agências, de terem participado em acções de kale borroka, embora sem concretizar a acusação.

O Movimento pró-Amnistia afirmou que todos os jovens denunciaram na presença do juiz ter sido maltratados durante os cinco dias do período de incomunicação. Disseram que “os murros, as ameaças e as fortes pressões para realizar declarações policiais” ocorreram sobretudo quando se encontravam na esquadra de Donostia. A organização anti-repressiva assegurou também que alguns dos jovens negaram as acusações que formularam contra eles com base nas declarações policiais, enquanto outros se recusaram a prestar declarações. Para além disso, referiu que o protocolo para evitar a tortura aplicado por Garzón é uma “fraude” utilizada como “maquilhagem”, e exigiu o fim do regime de incomunicação. E, neste sentido, acusaram os mandatários espanhóis de utilizar a tortura com “fins políticos”.


Encarcerado por «30 petardos»
Os dois jovens detidos na passada quinta-feira pela Polícia espanhola em Gasteiz também passaram ontem pela Audiência Nacional espanhola. Oier Urrutia e David Hernández foram levados para Madrid acusados de um “delito de enaltecimento do terrorismo”, acusação fundamentada nuns cartazes que terão encontrado no interior do bar Galtzagorri.

O juiz decretou prisão para Urrutia, que será o dono do local. Ao que parece, Garzón decidiu encarcerar o jovem gasteiztarra em Alcala-Meco depois de lhe imputar um delito de “depósito de explosivos”, por terem sido encontrados em seu poder trinta petardos, iguais aos que se podem comprar nas lojas. Hernández foi posto em liberdade com a obrigação de se apresentar todas as semanas para assinar. Não teve que pagar nada, apesar de o magistrado da acusação ter pedido 6000 euros de fiança. Também os acusa de estar relacionados com a Segi.

Trabalham ambos no bar Galtzagorri, que foi inspeccionado duas vezes por agentes da Polícia espanhola durante esta semana. A primeira investida aconteceu no final da tarde de quarta-feira e sem que nela fosse apresentada qualquer ordem judicial. Os agentes entretiveram-se a partir um mealheiro, tendo levado o dinheiro, ou a desfazer cubos de açúcar com lemas relativos aos presos.
Ainda se dedicaram a ameaçar quem estava no estabelecimento, batendo nalgumas pessoas e prendendo uma jovem por “desobediência”. Na quinta-feira os polícias voltaram a ocupar o local, e desta vez em força. 350 pessoas protestaram contra esta operação policial ontem à tarde em Gasteiz e denunciaram a “atitude violenta” mantida pela Ertzaintza durante a mobilização. Referiram que a Polícia autonómica acossou os manifestantes durante todo o percurso e os ameaçou, tendo ainda identificado os que levavam a faixa e ameaçado abrir diligências criminais. Um dos manifestantes foi ainda atingido por uma das suas furgonetas.

Detidos pelo seu «compromisso»
A operação policial levada a cabo durante esta semana em Hernani não impediu que os jovens independentistas desta localidade guipuscoana celebrassem ontem o Gazte Eguna, como estava previsto. Entre os numerosos actos que tinham programado incluíram uma manifestação em que centenas de pessoas denunciaram as detenções dos jovens.

Furgonetas da Ertzaintza seguiram a mobilização de perto, sem que se houvesse incidentes. No final da marcha, os jovens independentistas garantiram que vão continuar a lutar e que as operações policiais não conseguirão acabar com as dinâmicas e lutas empreendidas pelo movimento juvenil basco, como demonstraram ontem ao manter o programa de eventos do Gazte Eguna.Afirmaram ainda que os oito hernaniarras não cometeram qualquer delito e que foram detidos pelo seu compromisso com este povo. Na sua opinião, o objectivo deste tipo de operações é tentar parar a mudança de gerações e intimidar os jovens, para que deixem de lutar. “A ameaça é clara, aceitar a opressão dos estados e a miséria capitalista ou ser torturado e encarcerado”, denunciaram.
Reconheceram que é natural que estas situações gerem “medo ou resignação” entre os jovens, mas realçaram que também é preciso ter noção de que, “em grande medida” graças à luta da juventude basca, “o sistema capitalista está em crise, a estrutura de divisão e subordinação imposta a Euskal Herria ficou do avesso e acabou-se a chulice dos que enriquecem à custa da opressão”. Insistiram que, com estes “ataques”, pretendem evitar que os jovens adiram à luta pela independência e pelo socialismo e referiram ser necessário demonstrar a “esterilidade” da repressão respondendo com a “prática política”. “Somos a nova juventude basca, que assumiu o compromisso de lutar até conduzir este povo à liberdade”, indicaram.

Fonte: Gara

* SEGI: organização juvenil basca independentista, considerada “terrorista” pelo Estado espanhol, como tanta coisa basca, afinal. De acordo com a “jUstiça espanhola” fazem parte do “entorno de la banda” e mais “la puta santa madre”. Conhecemos a cantilena. Serve para mandar os dissidentes mais jovens para a prisão. Acusação? Pertence à Segi. Tinha um cartaz da Segi. Tinha um autocolante da Segi. Tinha um lenço da Segi. Desejava a autodeterminação para o seu povo. Tinha ideias políticas distintas das do Estado espanhol, defendia a liberdade do seu povo e assumia esse compromisso. Logo, detenção, regime de incomunicação durante cinco dias, possibilidade de tortura, declarações forjadas, prisão. Para libertarem quem nunca deviam ter detido, cobram quantias avultadas, sempre na casa dos milhares de euros, à chulos. Paradigma da “justiÇa espanhola” aplicada à Bascónia.

Sem pingo de vergonha!: proíbem as cerimónias de ‘ongietorri’ a Amparo Lasheras e Iker Rodrigo


Cem pessoas denunciam a proibição de Garzón ao ongietorri a Iker Rodrigo

Ontem, era para ter lugar em Erandio uma cerimónia de ongietorri a Iker Rodrigo, detido na operação contra a D3M e o Askatasuna, mas na sexta-feira o acto foi proibido pelo juiz Baltasaro. Para denunciar esta proibição, uma centena de pessoas manifestou-se pelas ruas da localidade biscainha. A Ertzaintza, que na sexta-feira entrou em vários estabelecimentos para comunicar a proibição, seguiu de perto os manifestantes, impedindo-os de mencionar o nome de Rodrigo.

Proíbem o ongietorri a Amparo Lasheras em Gasteiz

Amparo Lasheras, que retomou a liberdade na quarta-feira passada, depois de passar dois meses na prisão por querer participar nas eleições de 1 de Março, iria ser recebida, seguramente, com um emotivo ongietorri na sexta-feira, na capital alavesa. No entanto, segundo o GARA apurou, os organizadores da cerimónia receberam uma chamada nessa mesma tarde, na qual lhes foi comunicado que o acto de boas-vindas tinha sido proibido pela Audiência Nacional espanhola.
[Porra! Chamam-lhe “democracia”, mas é outra coisa! Não bastou prendê-los por exercerem o seu direito à actividade política, forçar a ilegalização das listas em que concorriam às eleições e agora ainda proíbem as mostras públicas de carinho que os seus conterrâneos lhes querem tributar! Porra, é demais!]

Por outro lado, como acontece todas as sextas-feiras, centenas de cidadãos solidarizaram-se com a situação que sofrem os presos políticos bascos dispersos pelos territórios espanhóis e franceses. Em Zarautz juntaram-se 125 moradores para reivindicar o respeito pelos direitos dos prisioneiros; em Usansolo foram 20 e 24 em Mundaka.
Lizarra acolheu uma concentração de 46 moradores e em Iruñea, a capital, reuniram-se 280. Em Ondarroa juntaram-se 140; em Orereta 102; 61 em Lazkao; 55 em Soraluze; 40 em Amurrio, Oñati e Elgoibar; 66 em Arbizu; 56 em Tafalla; 48 em Galdakao; 23 em Baztan; 449 em Gasteiz; 50 em Deba; 15 em Bera; 270 em Donostia; 54 em Etxarri-Aranatz e 60 em Larraga.

Fontes: Gara / Gara

Aberri Eguna 2009


O Dia da Pátria, o Dia da Nação Basca. Para nós, que nos limitamos a ser amigos e solidários, é também uma data de festa e alegria. E ao ver assim vincada a afirmação da sua identidade, num contexto de tremenda repressão, mais se aviva o orgulho que sentimos por privar com este povo. Gora Euskal Herria askatuta!

sábado, 4 de abril de 2009

Os expulsos das instituições fazem-se ouvir em Iruñea e Gasteiz

Depois de três décadas a tentar que a esquerda abertzale acatasse o actual status sem o conseguir, o Parlamento de Nafarroa blindou-se ontem para celebrar os seus 30 anos e o de Gasteiz deu início à legislatura do apartheid. A tentativa de silenciar este sector foi vã. Em Iruñea, os sorrisos e as felicitações iniciais transformaram-se em caretas e gritos de raiva quando entoaram o «Eusko Gudariak».

O Parlamento de Nafarroa e a Federação Navarra de Municípios e Concelhos tinham tratado de celebrar o 30.º aniversário das eleições de 1979 – “o renascer da democracia”, de acordo com o lema central – sem que ninguém lhes estragasse a festa. Os ex-deputados da esquerda abertzale não figuravam entre as centenas e centenas de convidados, e o serviço de protocolo confirmou-o a quem colocou expressamente a questão sobre o evento, alegando uma “decisão da Presidência”. Já a FNMC convidou todos os autarcas e ex-autarcas mas, curiosamente, na quinta-feira remeteu uma circular na qual advertia que ficavam sem efeito os convites aos eleitos sob as siglas da EAE-ANV. Quanto ao mais, o evento, apesar da sua dimensão, apenas se anunciou nos meios de comunicação. E nem sequer na página de Internet do Parlamento. O secretismo era tal que alimentava rumores sobre algum convidado muito especial. “Dizem que deve vir o rei”, referia-se nos corredores ainda ontem. Nas ruas tudo conduzia à mesma conclusão: a Polícia tinha estabelecido um perímetro de segurança com mais de 200 metros em frente à fachada da sede parlamentar.

À entrada, Yolanda Barcina, que assumirá o controlo da UPN dentro de uma semana, distribuía saudações. Lá dentro, trocavam-se abraços entre velhos conhecidos, incluindo militares, juízes e magistrados. Todos aplaudiram um vídeo em que se afirmava que há três décadas “se abriram de par em par as portas da democracia” [tipo Praça conde de Rodezno]. Miguel Sanz sorriu, satisfeito, quando Elena Torres, presidente do Parlamento, tomou a palavra e o saudou protocolarmente. Mas as mostras de autocomplacência iam acabar num instante.

Desde a varanda que dá para o átrio do Parlamento não era difícil reconhecer, até pela roupa, membros da esquerda abertzale, que não estavam em sintonia com a pompa oficial. Assim que Elena Torres começou a falar, saltaram todos como uma mola, em diversos pontos da sala, ergueram os punhos e começaram a entoar o «Eusko Gudariak».

Por certo, mais uns do que outros, mas recordou-se a cena de Gernika na presença do rei espanhol, em 1981. Passados 28 anos passava-se o mesmo no Parlamento navarro, uma instituição que andou muitos anos a oferecer à esquerda abertzale a cenoura da participação normalizada e que agora a trocou pelo pau. Uma história que conhecem bem, porque foram seus protagonistas alguns dos ontem presentes, como José Antonio Urbiola – hoje no PNV – ou Patxi Zabaleta e Iñaki Aldekoa – no Aralar.

Durante alguns segundos espalhou-se a confusão. Teve que ser a própria Elena Torres a pedir aos serviços de segurança que evacuassem da sala quem continuava a cantar o «Eusko Gudariak», que se retiraram sem oferecer resistência, com as suas bandeiras navarras e ikurriñas. Cerca de quinze pessoas foram minuciosamente identificadas e saíram então para a rua. Ali, depararam com uma concentração em denúncia da “farsa” do Parlamento.

Xanti Kiroga disse aos órgãos de comunicação que tinham tentado entregar uma carta a Miguel Sanz em que denunciavam o “embuste” do «Amejoramiento» e recordavam que “nestes 30 anos conhecemos também momentos de esperança, fruto muitas vezes de iniciativas da esquerda abertzale para resolver o conflito político. Mas nesses momentos verificámos até que ponto podem chegar os entraves colocados a esses processos por aqueles que têm noção de que o status reside na situação de vantagem que herdaram”.
A carta não se limitava apenas à crítica, mas realçava que “olhamos para o futuro e que o fazemos com esperança. Um futuro assente no compromisso para activar a colaboração de todos estes sectores populares que apostam, em Navarra, no reconhecimento de Euskal Herria e do seu direito a decidir”.

«A hipocrisia do PNV»
A esquerda abertzale também não faltou à constituição do Parlamento de Gasteiz, do qual se encontra excluída pela primeira vez. Às 11h30, a escassos metros da Câmara, soltou-se uma faixa em que se lia «Demokrazia Euskal Herriarentzat» [Democracia para Euskal Herria]. Ali, juntaram-se umas 200 pessoas com cartazes e ikurriñas.

A presença policial bem evidente – três carrinhas e um carro patrulha – não impediu que as palavras de ordem chegassem às portas do Parlamento. «Zuek faxistak zarete terroristak» [Vocês, fascistas, sãos os terroristas], «Demokrazia Euskal Herriarentzat» ou «Independentzia» foram algumas das que mais se fizeram ouvir. “Este parlamento não respeita a vontade do povo”, recordaram, antes de realçar que um dos objectivos desta exclusão é encerrar a fase de Lizarra-Garazi. Censuraram também a “hipocrisia do PNV”, pois “fala agora de golpe institucional” quando “fizeram precisamente a mesma coisa”.

Ramón SOLA / Zuriñe ETXEBERRIA
Fonte: Gara


«Eusko Gudariak», Anaitasuna 2007

«Eusko Gudariak»
Eusko gudariak gara
Euskadi askatzeko
gerturik daukagu odola
bere aldez emateko.

Irrintzi bat entzu da
mendi tontorrean.
Goazen gudari danok
Ikurriñan atzean.

Somos os combatentes bascos
para libertar Euskadi
generoso é o sangue
que vertemos por ela.

Ouve-se um grito
no cimo de uma montanha.
Vamos, combatentes, todos
atrás da Ikurriña.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Sociedade política e sociedade basca


No contexto da formação do Governo de Lakua, Alvarez-Solís analisa a autonomização da política relativamente à sociedade. O jornalista madrileno vê certa semelhança entre o Decreto de Unificação ditado por Franco a 17 de Abril de 1937 e a situação actual.

É frequente neste tempo que a sociedade política não corresponda à sociedade real. As manobras das instituições – sejam do Estado, sejam dos partidos – invalidam com muita frequência os movimentos da sociedade real, incluindo os resultados eleitorais, que são postos de parte para dar lugar a jogos de poder previamente estabelecidos. O voto do cidadão não conduz à soberania. Mais que um mandato imperativo, esse voto transforma-se num salvo-conduto assinado em branco para operações que não têm nada a ver com a vontade da rua. Estamos, pois, em presença de um facto que parece indiscutível: as instituições autonomizaram-se relativamente à cidadania e evoluíram como um ser próprio, com capacidades cancerígenas.

Depois de morder a jugular nas urnas, o vampirismo institucional toma vida própria e forma uma sociedade de poderes que não brotam da base eleitoral mas que redefinem a rua à sua imagem e semelhança. Isto é, não é a rua que muda o poder, mas o poder que muda a rua. Este teratológico processo autogenerativo das instituições é possivelmente o causador mais importante de violência. As últimas eleições bascas constituem uma mostra reveladora de autonomização institucional. Entre o que votou a maioria dos cidadãos bascos e o que reflecte a constituição do Governo, fruto de um trasfego movido por uma vontade não democrática, há um abismo em cujo seio chocam as placas tectónicas da sociedade e do poder político. A energia que se desprende desta colisão transforma-se em mil categorias de violência.

O poder político não está encarnado, pois, na rua; não se deduz dela. Tal coisa faz que a ordem social se torne impossível ao ser pervertida pela manipulação e que os movimentos populares dêem consequentemente mostras de um comportamento errante ao perder a sua representação institucional e procedam com urgências perfeitamente explicáveis. O resultado é um contacto emaranhado e cada vez mais difícil entre as instituições e as massas. Consequência disso é também que os governos resolvam as suas dificuldades políticas com diversas instâncias de repressão entre as quais figuram o corrompido mecanismo policial, o uso impúdico dos tribunais e a produção de leis circunstanciais que na devida altura não foram apresentadas programaticamente ao eleitorado. Tudo isto multiplica o conflito social até o tornar permanente. Por outro lado, a justificação dos insolentes e torcidos procedimentos governamentais perde substância moral e transforma-se numa pura cantilena sobre o terrorismo com a qual se adjectiva qualquer protesto da cidadania que foi empurrada inevitavelmente para o limite.

Se se fizer uma recensão pontual das literaturas governamentais cozidas neste forno do poder, não é difícil encontrar nelas semelhanças que nos levem a constatar sempre um exercício da ditadura sob a capa de altos interesses nacionais, manejados hipocritamente com a vista posta na eliminação do inimigo externo, neste caso o adversário nacionalista. A actual união de “populares” e socialistas em Euskadi vê-se sugerida, por exemplo, no Decreto de Unificação ditado por Franco a 17 de Abril de 1937 para colocar sob o mesmo jugo dois adversários irreconciliáveis: falangistas e tradicionalistas navarros, que se puseram ao serviço do ditador, e no caso que analisamos, ao serviço do Governo de Madrid. Vejamos este parágrafo do Decreto citado: “Sendo uno o sentir das organizações, análoga a inquietude patriótica que as anima, apoiada pela ânsia com que Espanha a espera, não deve esta atrasar-se mais. Por isso, fundidas as suas virtudes, estas duas grandes forças tradicionais tornam a sua presença directa e solidária com o serviço do Estado”.

Estamos, portanto, perante a existência real de um partido único, cujo objectivo fundamental é evitar a expressão da liberdade basca. Um partido que, para encaixar bem as suas peças, se declara como ente de centralidade – ah, a sustentabilidade! –, o que desvela ainda mais o seu propósito único de resgatar os três territórios históricos na sua qualidade de simples região espanhola. Bakunin faz a seguinte e inteligente observação a esse respeito: “O partido do Justo Meio Termo não é conciliável com o movimento dialéctico da história que, ao acentuar a oposição entre os contrários, suprime os partidos intermédios. Agora bem, que fazem os ‘mediadores’? Vêem, como nós, que a nossa época é uma época de oposição, mas advertem-nos que esta rotura interna é má, mas, em vez de acentuar a dita oposição para fazer dela uma realidade nova, positiva e orgânica, esforçam-se por perpetuá-la na sua forma actual, precária e medíocre. Despojam a oposição do espírito activo que a anima – no caso basco, da sua possibilidade nacionalista (nota minha) – de modo a poder utilizá-la como bem entenderem”.

Estamos, pois, perante um divórcio radical entre instituições políticas, tal como vão ficar constituídas, e sociedade basca. Este divórcio é ainda mais acentuado com a mudança de linguagem dos socialistas nos últimos dias, que falam como se quisessem passar despercebidos e, em sentido inverso, a acentuação vitoriosa da linguagem que empregam os “populares”. Entendo que para os dirigentes do PSE seja um ingrato exercício moral referir-se à sua união com o PP, enquanto para estes últimos a situação os compensa da sua complicada e já longa oposição no parlamento espanhol. Mais ainda, a operação unionista em Euskadi torna transparente a debilidade crescente do partido do Sr. Zapatero, que colecciona, já com certo ritmo vertiginoso, fracasso após fracasso e ambiguidade após ambiguidade. Há na operação constitucionalista basca como que um propósito de adormecer o PP, como se a fera ficasse anestesiada com uma noite de esplendor no circo. O PSE só voltaria a flutuar neste naufrágio, embora com dificuldades imensas, se se tornasse independente do PSOE, mas terá o Sr. Patxi López personalidade para sequer o tentar? O Sr. López sabe que a sua única esperança para se tornar visível na Lehendakaritza é que Madrid manifeste uma certa prodigalidade em ajudas materiais a Gasteiz, mas a crise que aperta o executivo madrileno não é uma boa pista de lançamento para organizar esta festa de Reis Magos. Não há ouro nem mirra nos alforges estatais; se tanto, restos de um incenso que cheira a velho e caduco. Mais ainda, se no actual momento Madrid iniciasse o envio de ajudas como uma ONG encarregada de dar ao centralismo em Euskadi um ar de festa, muitas outras Comunidades espanholas arderiam de raiva perante o agravo comparativo. Creio que o Sr. López tem consciência da situação e falou pela boca do Sr. Ares, creio, quando adiantou que o futuro socialista basco vai ser difícil.

Pessoa que muito estimo fez-me notar que há no meu temor por um aumento da violência em terras bascas, em consequência dos incríveis sucessos políticos que estão a acontecer, uma certa desesperança lúgubre. Não creio, sinceramente, que esteja o meu receio alimentado por uma razão descomposta. Penso, preocupado, que prever uma agitação grave em terras bascas pertence à prática de uma lógica elementar, que se sobrepõe a toda esperança benéfica. Se o nacionalismo tivesse sido derrotado em número de votos totais, poderia abrigar-se no meu outro tipo de conjectura, mas presumo que o contraste estabelecido entre o resultado das urnas e o guisado governamental basco projecta a sombra de uma agitação cujos limites são difíceis de estabelecer agora.

Antonio ALVAREZ-SOLÍS
jornalista

Fonte: Gara

Estaremos aqui amanhã se alguma notícia de relevo o justificar. Caso tal não se verifique, a ASEH, amanhã, sexta-feira, 3 de Abril de 2009, está de folga.

Um abraço solidário e de coragem para todos os presos políticos bascos, seus familiares e amigos, nos 20 anos da política criminosa da dispersão. Um especial para Hodei, de Etxarri, e seus familiares, e uma saudação de "eutsi gogor" para os jovens (muito jovens) recentemente detidos em mais uma operação preventiva "à espanhola", em Hernani e Urnieta, e para os seus familiares.

Os sindicatos ‘abertzales’ convocam uma greve geral em Hego Euskal Herria para 21 de Maio


ELA, LAB, ESK, STEE-EILAS, HIRU e EHNE responsabilizam o patronato e as instituições por provocarem uma crise cujas consequências os trabalhadores estão a sofrer.
Reunidos em conferência de imprensa em Bilbau, os representantes dos sindicatos ELA, LAB, ESK, STEE-EILAS, HIRU e EHNE procederam à leitura de um comunicado redigido conjuntamente e no qual expõem as razões que os levaram a convocar uma greve geral nesta época de crise económica. Na opinião dos convocantes, trata-se de um “exercício de responsabilidade sindical”.

Recordaram os dados mais significativos desta crise caracterizada pela destruição do emprego (29 900 postos de trabalho no ano passado) e a precariedade do mesmo, que duplica a média europeia. Neste sentido, realçaram que metade das pessoas expulsas do mercado laboral trabalhava com contratos temporários.

Criticam a atitude do patronato perante esta realidade, sendo que se limita a exigir maior flexibilidade, menos controlo sobre a destruição do emprego e ainda maior facilidade nos despedimentos. Na opinião dos sindicatos convocantes, isto significa “mais cortes nos direitos laborais para reduzir custos e aumentar a margem de lucro à custa da parte mais débil, os trabalhadores e as trabalhadoras”.

No que diz respeito às instituições, recordaram que Euskal Herria se situa na cauda da Europa tanto em termos de pressão fiscal como de gastos sociais. Criticaram o facto de a falta de dinheiro, que é o argumento utilizado para não garantir uma protecção social suficiente, “vir à baila quando se trata de salvaguardar o volume de negócios dos empresários”. Criticaram igualmente o facto de que as únicas políticas adoptadas “se tenham traduzido em pacotes de medidas económicas para sanear e alimentar com dinheiro público as suas demonstrações de resultados”.

Os sindicatos abertzales responsabilizaram deste modo o patronato e as instituições por aprofundarem um modelo económico ao serviço dos interesses do capital e contra a maioria da sociedade. É precisamente a esta maioria social à qual se querem dirigir, “para dar uma resposta real e efectiva a uma crise que não gerámos mas que querem resolver à nossa custa”, “para sair à rua e exigir que se deixe de dar prioridade absoluta aos mesmos privilegiados de sempre”.

Resposta massiva pela justiça social
Há sete anos que não tinha lugar uma greve geral com estas características. Foi em Julho de 2002, contra a Reforma Laboral do Governo espanhol, e que teve uma duração de dois dias.
Os sindicatos abertzales sublinharam a importância que assume neste momento de crise uma resposta massiva que reivindique a garantia de condições dignas para a classe trabalhadora.
Pretendem, neste sentido, que se converta num exercício de consciência de classe, “de solidariedade colectiva entre todas e todos os afectados por esta situação económica em que é a maioria da sociedade trabalhadora quem está a pagar uma crise que eles criaram”.

Os convocantes referiram três elementos-chave que em sua opinião são fundamentais para dar saída à situação actual: a defesa do emprego, políticas reais de distribuição da riqueza, e capacidade e instrumentos para decidir em Euskal Herria o modelo económico e social.

No final, insistiram na necessidade de colocar a maioria dos homens e das mulheres deste país no centro do debate político e social: “Porque essas são as necessidades que devem ter prioridade e devem ser efectivamente garantidas”.

Querem instalar uma esquadra quase em frente ao ‘gaztetxe’ de Gasteiz


Membros da Gazte Asanblada de Gasteiz denunciaram publicamente na última terça-feira o “aumento do acosso e do controlo social” que têm sentido ultimamente nas ruas da Alde Zaharra [Parte Velha] da capital alavesa e, em especial, o projecto que pretende instalar uma esquadra quase em frente do gaztetxe, a popular “casa da colina”.

“O nosso bairro está a ser reduzido a nada; sob a farsa da segurança, infestaram-nos as ruas de câmaras e cada vez temos mais polícia a estorvar na rua”, afirmaram da parte da Gazte Asanblada.
Membros deste colectivo mostraram-se convictos de que “querem fazer crer que este bairro é um sítio perigoso, onde devemos temer quem passa”. “Querem que acreditemos que delinquência é sinónimo de Alde Zaharra”, criticaram, para constatar que quem se dedica a etiquetar o bairro dessa forma não conhece a sua verdadeira realidade.

De acordo com estes jovens, que trabalham diariamente no gaztetxe de Gasteiz, nada disto é novo, antes “está tudo premeditado”. Com a desculpa de instalar câmaras nas ruas deste bairro, “controlam o vaivém das pessoas, dos colectivos sociais, vêem quem coloca cartazes no bairro, ou a que horas se encontram”, realçaram os jovens.
O “factor medo” é algo que “nos tentam passar desde txikis, pois, se nos comprometemos socialmente ou participamos em qualquer luta, não é preciso esperar muito para que nos identifiquem, nos apontem o dedo ou nos encerrem o espaço”.

Delinquência e Alde Zaharra
Não obstante, asseguraram viver “muito tranquilos” na Alde Zaharra, e realçaram que não precisam de “gente de uniforme” para se sentirem seguros. Por isso, esta gente da casa ocupada há já 20 anos afirmou que se nega a aceitar a nova esquadra que querem situar quase em frente do próprio gaztetxe.
Nestes tempos de crise, os membros da Gazte Asanblada defenderam que se deveria colocar outro tipo de questões: “Quem são os maiores delinquentes, ladrões ou sem-vergonhas e quem deve ser vigiado?”. Os gaztetxeros responderam claramente que devem ser assim considerados “aqueles que enriquecem à custa de ignorar o direito à habitação, os direitos dos trabalhadores, das mulheres... Esses é que deviam ser controlados”.
E lembraram que, pelo contrário, quem se sente seguro com os de uniforme são “os engravatados, os maiores ladrões da cidade, cujos interesses a Polícia protege”. “Esta é que é a gente perigosa, e não os moradores da Alde Zaharra”, concluíram os jovens.
Fonte: Gara

Uriarte, bispo de Donostia, defende o diálogo e a proximidade dos familiares dos presos


O bispo de Donostia, Juan María Uriarte, defendeu na segunda-feira, durante a participação no «Fórum Europa, Tribuna Euskadi», que a Igreja deve “promover o diálogo” para a resolução do conflito. O PP caiu-lhe em cima.

Entre outras declarações proferidas, Uriarte defendeu que, como bispo de Donostia, “não pode manifestar menos do que a sua proximidade humana e o seu consolo espiritual aos familiares dos 600 presos dispersos por mais de 50 prisões espanholas que sofrem riscos e quebrantos para os visitar”.

Mais à frente e respondendo a uma questão que lhe foi colocada, Uriarte comentou que o afastamento dos presos políticos bascos foi decidido “por razões políticas” e crê que as razões humanitárias requerem respeito, “por maiores que sejam os delitos que tenham cometido, além de que as suas famílias não devem pagar as consequências”.

Uriarte considerou ainda que os bispos bascos “não trataram com equidistância as vítimas e os presos” políticos bascos porque “o mais sério são os atentados contra a vida”. Nessa mesma linha, o bispo de Donostia mostrou-se convencido de que a organização armada, “com o tempo, não terá outro remédio senão abandonar as armas”.

O presidente do PP na CAB, Antonio Basagoiti, criticou as manifestações de Uriarte e afirmou que as suas declarações ou as de “outros dirigentes” da Igreja basca são “um obstáculo para a paz e para a liberdade”.
Na sua opinião, o posicionamento do bispo de Donostia, “além de ser uma imoralidade”, leva a que os partidos políticos que incidem nesta linha tenham “mais dificuldade em deslegitimar o terrorismo”. (sic)
Mobilizações
Na segunda à noite, para reivindicar os direitos dos presos, houve dezenas de mobilizações. Para citar algumas delas, em Laudio juntaram-se 52 pessoas, em Zaldibar 13, em Otxarkoaga 18, em Santurtzi 90, em Ataun 25, em Ondarroa 70 ou em Zaldibia 30. Em Berango juntaram-se 19, em Añorga 10, em Altza 24 e em Iurreta 45.

Notícia completa: Gara

Ex-presos afirmam que a dispersão fracassou nos seus objectivos políticos


Uma vintena de ex-presos políticos bascos pertencentes a diferentes gerações juntaram-se em Donostia em virtude de passarem agora 20 anos desde que a dispersão começou a ser aplicada ao colectivo de presos políticos bascos.
Duas ex-prisioneiras, em nome do Movimento pró-Amnistia, lembraram que a dispersão penitenciária começou a ser imposta após as negociações de Argel, com o propósito de dividir e separar o colectivo, afastar os presos de Euskal Herria, endurecer as suas condições de vida e afastá-los da vida política basca, para assim os converter em sujeitos sem direitos, aniquilá-los como pessoas e reduzir a sua capacidade de acção.

Denunciaram as “graves consequências” dessa política, à qual se juntaria depois o Estado francês, que nestes 20 anos se traduziu em mortes, acidentes, isolamento, falta de assistência sanitária e num enorme encargo financeiro, assinalando ainda que “a dispersão se converteu na face mais cruel da política penitenciária”.

Embora tenha feito “muitos estragos”, realçaram que “fracassou nos seus objectivos políticos”, porque “a dignidade do colectivo de presos soube fazer-lhe frente” e porque a maioria da sociedade e dos agentes políticos de Euskal Herria tomou uma posição contrária à dispersão.
No entanto, apesar disso a dispersão continua a ser aplicada, e as últimas declarações dos governantes espanhóis apontam para um intensificação dessa via, pelo que “ainda há muito para fazer até acabar com a dispersão”, afirmaram.

Assim, consideram necessário juntar forças e aumentar a pressão social para acabar com essa politica. E foi neste sentido que o Movimento pró-Amnistia fez um apelo à participação nas mobilizações que terão lugar a 17 de Abril, Dia Internacional dos Presos Políticos, nas quais se exigirá a repatriação dos presos.

Fonte: Gara
Sakabanaketak 20 urte / 20 anos de Dispersão: 22 presos e ex-presos mortos; 16 familiares mortos; mais de 300 acidentes rodoviários; mais de 400 feridos resultantes dos acidentes.

Presos políticos


Agridem dois jovens de Sopela que iam visitar presos políticos

O Movimento pró-Amnistia fez saber que dois jovens de Sopela foram agredidos por agentes da Guarda Civil quando iam visitar os presos políticos dessa localidade biscainha Olga Sanz e Txabi Moreno, que se encontram encarcerados em Picassent. Segundo consta, os polícias esperavam os jovens quando estes, provenientes de Bilbau, chegaram à estação de autocarros de Valência. Ali, os agentes mantiveram-nos retidos durante um quarto de hora, interrogaram-nos e insultaram-nos.

Fontes: Gara / askatu.org

Zaldibia, repleta de fotos de encarcerados depois de a Ertzaintza as ter “roubado”

A ofensiva mediática e judicial contra as manifestações de apoio aos presos políticos muda-se agora para Zaldibia. Nesta localidade informaram que a Ertzaintza apareceu ali na terça-feira e concedeu um prazo de 24 horas para que as fotos colocadas numa varanda fossem retiradas. À noite, os ertzainas “roubaram-nas”, mas na quarta-feira as fotos foram repostas.
Tudo isto começou, tal como em Arrasate, com uma informação surgida no pasquim El Mundo, sob o título «Em Guipuscoa restam quatro muros da vergonha». Em Zaldibia fazem saber que “não ficaremos de braços cruzados e iremos redobrar a solidariedade com os presos e os exilados”. De facto, a terra aparecia ontem à noite repleta de mostras de apoio.

Fonte: Gara / askatu.org

Sem ordem judicial, a Polícia entra num bar de Gasteiz e destrói símbolos de apoio aos presos

Moradores do bairro de Arana, em Gasteiz, denunciaram ontem à noite ao GARA a invasão policial no bar abertzale Galtzagorri, bem como num andar situado por cima. Disseram que os efectivos da Polícia espanhola descarregaram nos símbolos de apoio aos presos, atirando para o chão um mealheiro ou estragando cubos de açúcar em cujos embrulhos se liam palavras sobre os perseguidos. “Ameaçaram os clientes e bateram num deles. Não mostraram qualquer ordem judicial”, acrescentaram, pelo que se desconhecia a razão desta actuação policial. A entrada da Polícia ocorreu por volta das 19h50, e os de uniforme não se foram embora antes das 21h. Nenhuma fonte oficial ofereceu dado algum relativo a este acontecimento.

Fonte: Gara

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Vamos encher o Anaitasuna, por uma outra Nafarroa

No próximo dia 3 de Abril passam 30 anos sobre a realização das primeiras eleições para o Parlamento de Nafarroa. Por esta razão, um dia depois terá lugar um acto convocado por um grupo de pessoas no pavilhão Anaitasuna, em Iruñea [Pamplona], que conta com o apoio de trinta nomes conhecidos em diversos âmbitos da sociedade. Este acto pretende ser um primeiro passo para unir esforços em direcção a uma mudança real em Nafarroa.

Análise política na Info7 Irratia


Iñaki Altuna na info7 – o jornalista analisa o conteúdo do acordo de governação assinado entre o PSE e o PP na Comunidade Autónoma Basca.

Arantza Urkaregi na info7 – a conhecida militante abertzale, recentemente saída da prisão, analisa o actual momento político e o acordo alcançado por PSE e PP na CAB.

Detenções à espanhola: Rubalcaba admite ausência de delitos concretos e justifica as detenções com prevenção de “sabotagens”

A Polícia espanhola deteve oito jovens e efectuou treze inspecções em Hernani e Urnieta com mandado do juiz da Audiência Nacional Baltasar Garzón. O ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, não precisou de outra acusação que não fosse a relação com a Segi, e não teve dúvidas em afirmar que a operação “previne actos de sabotagem”.

A Polícia espanhola prendeu na madrugada de terça-feira, em Hernani e Urnieta, Asier Olano, Txaber Zabaleta, Aitzol Arrieta, Egoitz Balerdi, Jon Ezeiza, Eki Oñate, Mikel Gartzia e Iñigo Alzelai, todos eles bastante jovens. A operação, que, segundo fontes policiais continua aberta, tem a assinatura do juiz da Audiência Nacional Baltasar Garzón. Mas o ministro espanhol do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, não teve dúvidas em admitir novamente que se trata de uma operação que não se fundamenta em acusações de delitos concretos, mas que visa “frustrar actos de sabotagem e de violência”. O outro ingrediente habitual nas versões oficiais após as últimas operações: o TGV, uma obra que “há-de ser feita”, diz o ministro.

Este ministro da “democracia à espanhola” veio então dizer que assim se impediu a realização de “acções de sabotagem contra o TGV”, e que é obrigação do “Governo proteger trabalhadores e empresas que constroem a linha”, que estão “empenhados na luta contra a ETA em todas as frentes e que uma das frentes importantes é o seu alfobre”.

Como se tornou habitual, depois do “olha-que-fortes-que-nós-somos-a-prender-catraios-que-nem-de-um-crime-estão-acusados”, o sinistro deixou bem claro que agora hão-de ir à cata de acusações. E mostrou-se confiante no esclarecimento de “um número importante” de acções de kale borroka ocorridas em Gipuzkoa.

“Deixaram tudo de pernas para o ar”
A operação policial começou de madrugada. Tiveram lugar pelo menos treze inspecções. Da herriko taberna Garin e do bar Aker, onde estiveram uma hora, levaram isqueiros e tampas, segundo disseram ao GARA os moradores ali presentes.

Nas habitações estiveram em média umas duas horas. Na casa de Asier Olano, por exemplo, chegaram por volta das 2h30. “Ouvimos um barulho forte de metais que pensámos ser dos andaimes da fachada. Mas logo de seguida ouvimos gente que subia as escadas a correr e gritavam ‘mãos ao alto, Polícia’. Uns vizinhos desceram para ver o que se passava, mas disseram-lhes que lhes abriam um processo se se deixassem ficar ali”, relatou uma moradora da Kardaberaz kalea.

Segundo referiram os familiares do jovem, os agentes entraram em casa de “armas na mão. Durante a inspecção, o pai esteve com ele, enquanto a mãe foi mantida na sala. O quarto ficou de pernas para o ar, as gavetas espalhadas pelo chão e partiram mesmo a parte superior do armário embutido”. A inspecção da habitação, bem como da garagem dos pais e da casa do lixo, terminou por volta das 5h.

Na de Txaber Zabaleta estiveram três horas, entre as 2h30 e as 5h30. “Acordámos ao ouvir o toque da campainha. Quando lhes perguntámos o que passava, limitaram-se a dizer-nos que a ordem vinha de Madrid. Inspeccionaram todo o andar, uma assoalhada a seguir à outra. Entravam numa, metiam umas coisas num saco numerado e partiam para a seguinte. Deixaram a casa feita num oito. Levaram lenços, DVD, CD, fotos de família, do meu filho com o seu grupo... Também dois computadores; um portátil e o disco rígido de um outro”, dizia a sua mãe.

Na inspecção, acrescentou, participaram meia dezena de agentes à paisana, enquanto um outro grupo, de uniforme, esperava à porta. Foi-lhes completamente proibido falar com o filho.

“Às 7h45, ligaram-nos da esquadra de Donostia para nos comunicarem que estava ali. Por volta das 15h, voltaram-nos a ligar para dizer que os levavam para Madrid. Perguntei-lhes quando chegariam e se nos ligariam. Disseram-nos que não, que não podiam”.

Na casa de Aitzol Arrieta estiveram desde as 2h30 até às 5h. A sua mãe é Nekane Erauskin, até há pouco deputada em Gasteiz: “Não nos permitiram assistir à inspecção. Entre as coisas que levaram está o meu computador, o do Parlamento. Quando lhes disse que era a minha ferramenta de trabalho, responderam-me que apresentasse uma reclamação”, dizia ao GARA.

Os pais de Eki Oñate foram postos contra a parede assim que abriram a porta. Eram 2h15. “Entraram de pistola na mão. Levaram um portátil, dois discos rígidos, algumas fotos, uma bandeirola pelos presos, dois DVD e uma arrano beltza [águia negra, um dos símbolos da Nafarroa independente]. Além da casa, inspeccionaram a garagem. Estiveram aí quatro horas. Deixaram-nos despedir”, referiam. A preocupação de todos era patente.

Fonte: Gara
Ontem, centenas de pessoas percorrem as ruas de Hernani, para protestar pela última razia policial contra a juventude basca.

Ver: kaosenlared

Os detidos em Hernani e Urnieta continuam sob incomunicação

Segundo o Movimento pró-Amnistia, hoje soube-se que se Asier Olano, Txaber Zabaleta, Aitzol Arrieta, Egoitz Balerdi, Jon Ezeiza, Eki Oñate, Mikel Gartzia e Iñigo Alzelai vão ver o período de detenção prolongado.

Os oito jovens, detidos na madrugada de ontem, continuam sob incomunicação em dependências policiais em Madrid.
Ontem, o juiz aceitou algumas medidas como efectuar a videogravação do período de detenção, que sejam assistidos por um médico de confiança e que os seus familiares sejam informados sobre o paradeiro e o modo como se encontram. Perante isto, o Movimento pró-Amnistia destacou que “a única” forma de evitar os maus-tratos e a tortura é suprimir o período de incomunicação.
“Existem precedentes claros de que a aplicação dessas medidas não é suficiente para evitar a tortura, pelo que neste momento os detidos correm o risco de ser torturados”, realçaram.
Os advogados dos jovens pediram ontem que fossem conduzidos directamente ao juiz, mas este rejeitou essa pretensão.
O Movimento pró-Amnistia apelou à participação na manifestação que terá lugar na próxima sexta-feira em Hernani, às 20h, a partir da Gudarien Enparantza.
Fonte: Gara

Ex-presos da D3M abordam o assalto do espanholismo a Gasteiz


Um mês depois da realização das eleições autonómicas, quando quase todos se centram na distribuição de lugares na Câmara de Gasteiz e na formação do governo, a esquerda abertzale insistiu anteontem, em Donostia, no carácter antidemocrático das eleições e da composição da instituição que delas resulta.

Arantza Urkaregi, Agurtzane Solaberrieta e Hodei Egaña, três dos oito bascos presos em Janeiro para poder forçar a ilegalização da D3M e libertos na semana passada, estiveram presentes na companhia de Tasio Erkizia e Miren Legorburu, cujas residências foram também inspeccionadas pela Polícia espanhola naquela operação dirigida pelo juiz Baltasar Garzón.

Repressão: a Polícia espanhola em Pasai Antxo e a Ertzaintza em Arrasate


A Polícia espanhola alega «um controlo de rotina» para entrar na ‘herriko’ de Pasaia

Um “controlo de rotina” foi a desculpa utilizada pela Polícia espanhola para entrar na herriko taberna de Pasai Antxo, no sábado à noite, e identificar todas as pessoas que se encontravam lá dentro a preparar um jantar.
De acordo com o que foi relatado ao GARA por habitantes da localidade guipuscoana, duas carrinhas da Polícia surgiram em frente à sociedade Basari por volta das 21h, tendo os agentes permanecido no interior do local durante meia hora.
A Polícia espanhola alegou que queria realizar um “controlo de rotina”, para verificar se os papéis estavam em ordem, e uns seis ou sete polícias armados entraram pela herriko adentro.

Jantar a favor da Korrika
Os agentes pediram a identificação a todas as pessoas que se encontravam nesse momento dentro da sociedade Basari a preparar o jantar que ali iria ter lugar nessa mesma noite, a favor da Korrika.
Ao aperceber-se do que se estava a passar, os habitantes da localidade foram-se juntando em frente à herriko em protesto contra a actuação da Polícia espanhola e começaram a fazer ouvir palavras de ordem em que exigiam que os polícias se fossem embora e os deixassem em paz.
Os ânimos só acalmaram quando o vice-presidente da autarquia, Ander Poza, acorreu ao local. O eleito independentista falou com os polícias, e estes acabaram por decidir abandonar o lugar, entre os protestos dos populares.
Os agentes não levaram nada, não inspeccionaram o local e, ao serem recriminados pela atitude que mantiveram, garantiram que decidiram realizar o “controlo” por acaso. No entanto, na localidade guipuscoana criticaram toda esta atitude, afirmando que a Polícia espanhola procurou deliberadamente a “provocação” ao entrar na herriko de Pasaia.


A Ertzaintza identifica e ameaça um homem que apanhava cogumelos

Um habitante de Arrasate disse anteontem ao GARA ter sido identificado e ameaçado pela Ertzaintza quando se encontrava a apanhar cogumelos num monte. Referiu que dois agentes se aproximaram dele “com maus modos” para o identificar e que, durante o longo período de tempo em que esteve retido, lhe disseram saber muito bem em que casa residia, embora aquele não seja o seu domicílio de recenseamento. Acrescentou ainda que se despediram dizendo-lhe: “És dos que andam na primeira fila das manifestações, ãh? Pois fica sabendo que te rebento essa boca toda da próxima vez que te vir”.

Fontes: Gara / Gara