domingo, 17 de agosto de 2014

Apesar da repressão, movimento juvenil de Mendillorri insiste em projecto comunitário

Nos dias 8 e 9, agentes da Polícia Municipal e da Polícia Nacional espanhola apareceram no bairro iruindarra e quase destruíram um projecto, levado a cabo por jovens, que visa suprir as carências sociais dos habitantes: uma horta popular. Os jovens não se deixaram intimidar e, com o apoio da população, vão defender as alfaces e os pepinos que não agradam ao autarca de Iruñea.

Com base na análise dos problemas que o bairro enfrenta - situações de carência e exclusão num número considerável de famílias e falta de recursos e iniciativas para a juventude (40% da população do bairro) -, o Mendilloriko Gazte Mugimendua [movimento juvenil de Mendillorri] decidiu pôr mão à obra, criou diversos grupos de trabalho, que por sua vez avançaram com a ideia de criar uma Herri Baratza [horta popular].

A 6 de Agosto, nascia a obra, num espaço público e abandonado pela Câmara Municipal de Iruñea [Pamplona]; e, nos dois dias que se seguiram, apareceu muita gente a querer participar no projecto, oferecendo mão-de-obra, sementes ou ferramentas.

O município respondeu com repressão: primeiro, os munipas, acompanhados por guaus de ocupação, tentaram identificar os responsáveis pela horta (tal não se verificou devido à pressão popular); depois, mandou para o local um enorme dispositivo, que arrasou com a horta quase por inteiro.

Entretanto, os jovens deram uma conferência de imprensa no bairro, no decorrer da qual perguntaram ao autarca porque teme a «plantação de pepinos» e lhe pediram que reflicta, para assim deixar de implicar com o seu «pepinar herritik herriarentzat» [do povo para o povo]. O projecto faz bem ao bairro: à juventude que nele se envolve e às famílias em situação de exclusão, a quem a comida se destina. / Ver: Mendillorriko_Gazte_Mugimendua e ahotsa.info