segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Repressão generalizada contra a esquerda independentista
Catorze membros da esquerda abertzale, integrantes do EHAK [Partido Comunista das Terras Bascas], da ANV [Acção Nacionalista Basca] e do Batasuna, foram detidos esta madrugada na Bizkaia, em Gipuzkoa e Nafarroa pela polícia espanhola, sob acusação de “integração”, “colaboração” e “associação ilícita”, e estão a ser transferidos para Madrid em regime de incomunicação. Baltasar Garzón começa, deste modo, a preencher com novas detenções o seu recém-estreado macro-sumário 11/08, depois de na semana passada nele ter acumulado as causas abertas contra membros da ANV, do EHAK e do Batasuna.
Entre os detidos encontram-se os elementos da esquerda independentista Karmelo Landa, Mikel Etxaburu e Karmele Aierbe, que ontem anunciaram em Bilbau uma jornada de greve geral, convocada para esta próxima quinta-feira contra a “repressão judicial, política e policial”. Landa foi detido no seu domicílio de Bilbau e Aierbe, em Ataun. Sabe-se que Etxaburu foi preso na Bizkaia.
Foram também detidos os membros do EHAK Jesús María Agirre e Sonia Jacinto (esta última em Errenteria-Orereta), a quem o magistrado tinha imputado no passado dia 6 (incluindo o presidente desta formação, Juan Carlos Ramos) um delito de “colaboração com Batasuna-ETA) e outro de “associação ilícita”.
O delegado do Governo espanhol em Nafarroa, Vicente Ripa, assegurou que José Manuel Jurado, ex-vereador de EH em Atarrabia, foi detido no seu domicílio de Arraitz-Orkin, no vale de Ultzama, de onde a polícia espanhola levou um computador e diversa documentação.
Por seu lado, segundo pôde apurar o GARA, Peio Gálvez, do EHAK, foi preso em sua casa, em Urretxu, depois de os corpos policiais terem retido o seu irmão perto do domicílio da sua mãe, em Zumarraga, para que lhes indicasse onde vivia o agora detido.
Mais ainda, a polícia espanhola prendeu em Córdova o membro da esquerda abertzale Nuria Alzugarai, depois de ter visitado um preso político, de acordo com informações da Askatasuna.
O político independentista Aitor Aranzabal foi preso em Bergara; Eusebio Lasa, em Errenteria-Orereta; Mikel Garaiondo, em Leitza; o membro do EHAK Joseba Zinkunegi, em Elgoibar; e os ex-vereadores do Batasuna Josetxo Ibazeta e Iñigo Balda, em Donostia.
O canal basco de televisão EITB informou que os detidos estão a ser transferidos para Madrid de modo a serem interrogados pela polícia espanhola, prevendo-se que compareçam na Audiência Nacional na próxima quarta-feira. Até lá, permanecerão sob regime de incomunicação.
Fonte: GARA
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Esquerda independentista convoca GREVE GERAL

A esquerda independentista convocou uma greve geral para a próxima quinta-feira contra o "estado de excepção", "contra as agressões que sofre o País Basco por parte do Estado espanhol" e que têm o apoio "dos partidos regionalistas".
em Gara.net
Cobertura da manifestação
13.30: Um activista independentista faz declarações a La Haine: "Neste momento, o centro de Bilbau é um vulcão, ali, onde se juntam 200 pessoas, há cargas policiais e confrontos. Pela sua parte, guardas civis armados estão a reforçar a segurança junto da subdelegação do governo espanhol. Mas vamos, o PNV, o PSOE, Marianico (Mariano Rajoy do PP) e o Llamazares (candidato da Esquerda Unida) vão ficar aborrecidos com a resistência do povo basco". E continua a concentração em frente à sede do PNV.
13.20: Na Gran Via há centenas de manifestantes levantando barricadas ao lado do Corte Ingles, em alguns casos com tubos de obras. Em geral, a Gran Via está tomada por manifestantes que em grupos de dezenas de pessoas andam para trás e para a frente cortando o trânsito. Para além disso, mais de mil acabam de se concentrar em frente à sede nacional do PNV, em Jardines de Albia.
13.10: Na Gran Via há muita gente que continua a protestar. Surpreendentemente, a Ertzaintza está a utilizar carrinhas brancas sem distintivo policial, mas vê-se claramente que lá dentro estão polícias. Um manifestante afirmou à La Haine que "fazem-no para que as pessoas não os vejam e possam ataca-las, parecem paramilitares". Neste momento estão a aparecer também patrulhas da Guardia Civil mais ou menos na zona da subdelegação do governo espanhol, são unidades dos GAR (Grupos Especiais de Segurança Rural da Guardia Civil)
13.05: Resistência em Bilbau. Entre a Concha e Fernandez del Campo, um grupo de cerca de 500 pessoas levanta barricadas e corta o tráfego. Ao mesmo tempo, junto à estação da Renfe vários grupos param autocarros. Há pessoas a manifestar-se em todo o lado e ao longe vêem-se sirenes da Ertzaintza.
12.55: Cargas policiais e balas de borracha. Milhares de pessoas começaram a descer pelas perpendiculares da Rua Autonomia em direcção à Gran Via e vão-se produzindo cargas e confrontos pelos arredores. A Ertzaintza (polícia autonómica basca) movimenta carrinhas em todas as direcções e realiza cargas e disparos contra os manifestantes. Observam-se contentores a arder no cruzamento das ruas Maria Dias de Aro com a Simon Bolivar. Há manifestantes a levantar barricadas.
em La Haine
Várias cargas policiais contra manifestação nacional

As primeiras notícias dão conta de várias cargas policiais contra os manifestantes independentistas que protestam contra a suspensão da Acção Nacionalista Basca e do Partido Comunista das Terras Bascas.
Os manifestantes sentaram-se no chão e foram alvo de uma carga policial, assim como quando tentaram realizar a marcha por outras ruas. Há informações de que houve vários confrontos nas ruas de Bilbau. Há alguns feridos e, pelo menos, um detido. Como resposta à repressão policial, há, pelo menos, vários automóveis, um autocarro e contentores do lixo voltados.
Estamos solidários com a luta do povo basco!
Zapatero vai ao País Basco "como Bush ao Iraque"
Num comunicado, o Batasuna denunciou que Rodríguez Zapatero foi a Euskal Herria como “já o fizera Aznar e como o faz Bush quando vai ao Iraque, protegido por polícias e militares”, e levando como oferta “a repressão, a partição e a ocupação”. Para a formação abertzale, o PSOE de Zapatero “não tem oferta política para este país, e, por isso, hoje é mais necessário que nunca romper as amarras com um Estado que só tem para oferecer um marco de negação e partição”.
Na sua opinião, o PSOE conta com o apoio do PNV e do Nafarroa Bai “como aliados para impedir este povo de caminhar em direcção à independência”. Face a isso, sublinharam que a esquerda independentista é actualmente “o único agente que pode trazer a mudança política de que este país tanto necessita”, uma mudança em que se reconheçam os direitos “que correspondem ao povo” basco.
Recordam que a esquerda abertzale colocou sobre a mesa uma proposta que inclui a possibilidade de materializar todos os projectos políticos através do direito a decidir, e por isso reiteram a Zapatero que, “por mais polícia e militares que leve a Euskal Herria, não vai a conseguir impedir que o povo decida sobre a independência”.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Juiz proíbe manifestação nacional

O juiz Baltasar Gárzon declarou ilegal a manifestação nacional convocada para amanhã pelos eleitos da Acção Nacionalista Basca e do Partido Comunista das Terras Bascas. Nesse sentido, pediu à polícia para que intervenha de forma a impedir que a marcha de protesto se realize e que persiga quem provoque distúrbios.
Zapatero no País Basco provoca carga policial
Desde as primeiras horas da manhã, a forte presença policial marcava a área e impedia a aproximação dos manifestantes. Pelo menos, por duas vezes, carregaram contra quem protestava e identificaram algumas pessoas.
A esquerda independentista recordou que Zapatero é o chefe do governo "de um executivo que estabeleceu o estado de excepção contra Euskal Herria" e um chefe de governo que "não faz mais que alimentar o confronto".
Por isso, acredita que o presidente do governo espanhol se converteu "num símbolo da negação do povo basco" e a sua visita é "uma provocação para qualquer democrata".
em Gara.net
Povo basco responde à ofensiva

Ao longo da sua história, o povo basco não deixou de responder aos ataques que lhe lançaram. Perante a decisão do Estado espanhol de impedir a acção política da esquerda independentista, a revolta fez-se sentir a partir das primeiras horas da noite. Para mostrar que é impossível dominar o desejo de liberdade, a população usou todos os meios ao seu alcance para repudiar a decisão que levou à suspensão das actividades dos dois partidos da esquerda independentista basca.
A vivenda de Félix Asensio, autarca do Partido Socialista de Euskadi [formação regional do PSOE] em Irun, foi atacada com cocktails molotov.
Em Basauri, a bilheteira da empresa ferroviária espanhola Renfe foi atacada no apeadeiro da vila com pedras e cocktails molotov.
No bairro bilbaíno de Santutxu, foram lançados cocktails molotov contra quatro caixas automáticas de diferentes bancos.
Em Gasteiz, uma caixa automática foi alvo de sabotagem também com cocktails molotov.
Em Elorrio, uma sede do Partido Nacionalista Basco foi atacada com pedras e as paredes interiores pintadas com frases contra este partido.
Também em Elorrio, a sede do Partido Socialista de Euskadi foi atacada da mesma forma.
Supremo Tribunal de Justiça contradiz Audiência Nacional
Ou seja, na prática esta decisão destina-se a impedir a participação da esquerda independentista nas eleições legislativas de 9 de Março.
De qualquer forma, fontes jurídicas apressaram-se a sustentar que esta diferença de critérios não interferirá na execução prática da ordem do juiz da Audiência Nacional, ainda que venha a dar razão à defesa.
em Gara.net
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Convocada manifestação nacional

Dezenas de eleitos independentistas compareceram perante a comunicação social e anunciaram que vão responder à última ofensiva contra a esquerda independentista por parte da Audiência Nacional que levou à suspensão das actividades da Acção Nacionalista Basca e do Partido Comunista das Terras Bascas.
No próximo domingo, o povo sairá à rua numa manifestação nacional em Bilbau, que parte às 12.00, e será uma resposta ao "ataque frontal a Euskal Herria".
Suspensão por três anos das actividades da ANV e do PCTV
Acção armada contra tribunal de Bergara

Um engenho explosivo rebentou às 00.20 da madrugada à porta do tribunal de Bergara causando danos materiais na fachada do edifício, em lojas adjacentes e em vários veículos. Previamente, como é hábito para precaver ferimentos ou mortes, alertaram os bombeiros por chamada telefónica da colocação da bomba.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Juristas internacionais denunciam o carácter político do macroprocesso 18/98
De acordo com este relatório, a sentença é de “confrontação” e “marca um antes e um depois”, já que “abre caminho ao delito de ‘terrorismo desarmado’ ou ‘terrorismo pacífico’, considerado até agora apenas como uma hipótese de laboratório”.
“Esta sentença evidencia que não estamos ante um acto de investigação de factos e de emissão de justiça, mas perante uma tentativa de dotar uma decisão política de aparência jurídica”, rezam as conclusões do relatório.
Segundo os juristas, que aprovaram o relatório por consenso, na instrução do caso lesaram-se direitos fundamentais, “recorrendo ao regime de detenção incomunicada, gerando-se alarmantes denúncias de torturas e maus tratos, e com abuso das medidas cautelares”.
Denunciam ainda nas suas conclusões a “falta de igualdade de armas” entre a acusação e a defesa, pelo que estimam que “o direito à defesa tenha sido gravemente posto em causa”.
“Julgamento sem crime”
O porta-voz da Asociación Catalana para la Defensa de los Derechos Humanos, Rafael Calderón, um dos autores do relatório, explicou em conferência de imprensa que o processo se fundamentou na premissa prévia de que “todo o âmbito independentista basco é ETA”. “Foi a primeira vez que se procedeu a um julgamento sem crime”, denunciou.
Por seu lado, a porta-voz da Asociación Libre de Abogados de Madrid, Amalia Alejandre, explicou que já foi apresentado um recurso no Supremo Tribunal, passo prévio para recorrer no Tribunal Constitucional e, posteriormente, no Tribunal de Defesa dos Direitos Humanos de Estrasburgo, onde “esperamos encontrar justiça”.
Além disso, o ex-presidente da Associação Europeia de Advogados para a Democracia August Gil Matamala chamou a atenção para o facto de “a vida política espanhola se tornar cada vez mais judicial e, paralelamente, a justiça se politizar e se converter num instrumento de intervenção política”.
Fonte: GARA
ANV lança alerta ao Governo espanhol: “sem a nossa interlocução não é possível solucionar o conflito”
Depois de ter manifestado a sua solidariedade aos membros do EHAK [Partido Comunista das Terras Bascas], que também vêem à frente dos olhos a “ameaça e a perseguição”, Urkaregi recordou que a sua formação representa “um sector social importante, um sector social dinâmico, e o mais comprometido”.
Nesse sentido, perguntou ao Governo espanhol com quem vão falar de modo a solucionar o conflito se “ilegalizam e prendem os interlocutores”. Assim, avisou o Executivo de Zapatero de que “sem a nossa interlocução não é possível solucionar o conflito”.
A EAE-ANV também lançou críticas ao presidente do EBB [Euzkadi Buru Batzar, conselho nacional do PNV], Iñigo Urkullu, a quem acusa de justificar o que ocorreu nas negociações de Loiola com desculpas “simples e vagas”.
“Vocês, os do PNV, querem e promovem, do mesmo modo que o PSOE, a ilegalização da ANV; contam, nos vossos cálculos perversos, com uma esquerda abertzale débil para negociar com o Estado espanhol, com o PSOE, uma nova reforma autonómica e, por conseguinte, uma nova fraude. Esmeram-se nas vossas quotas de gestão e de poder, e procuram manter os vossos negócios e demais privilégios enquanto deixam que o Estado mantenha intacta a sua ‘Espanha una, grande e livre’”, denunciou.
Para o partido independentista, o PSOE e o PNV partilham o interesse em debilitar a esquerda abertzale porque sabem que, de outra forma, não vão poder levar avante a nova fraude que estão a tentar concertar nestes momentos”.
Não é por isso que a formação ekintzale “vai permitir que façam o que querem”. Pelo contrário, considera que “vivemos um momento de mudança”, um momento de “definição política”, e crê que é “mais urgente que nunca” colocar sobre a mesa uma mudança de marco político.
Urkaregi assegurou que este povo “vai saber responder a estes novos ataques que o Governo espanhol está a levar a cabo”, e certificou a sua presença nos comícios de 9 de Março; ou seja, a presença do voto a favor da independência.
Fonte: GARA
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
"TORTURA DEMOCRÁTICA"
video com excertos de debates televisivos em que se evidencia o uso sistemático da tortura no estado espanhol sobre cidadãos bascos, por um lado, e a justificação da mesma, com vista à sua legitimação, por parte dos defensores do estado e da repressão, por outro. Discurso esse que, no entanto, é desmontado integralmente pelos representantes das organizações anti-repressivas.
Nos últimos 30 anos foram registados 7000 casos de tortura sobre cidadãos bascos.
Jornadas de Barcelona – Especialistas constatam o agravamento preocupante dos casos de tortura

A tortura, no Estado espanhol, é uma prática generalizada em todos os corpos policiais, e os dados dos últimos cinco anos mostram que as denúncias aumentaram, enquanto os torturadores gozam de impunidade. Este deterioramento da situação produz-se graças a um marco jurídico com zonas obscuras que amparam estas práticas. São assim contundentes as conclusões do relatório «Privação de liberdade e direitos humanos», que apresentou ontem em Barcelona uma equipa de investigadores composta por grupos de advogados, centros universitários e organizações de defesa dos direitos humanos.
O relatório foi apresentado no contexto das jornadas que a Coordenadora estatal para a Prevenção da Tortura organiza em Barcelona por estes dias. Esta coordenadora agrupa 40 colectivos de defesa dos direitos humanos do Estado espanhol. Os dados lançados pelo relatório mostram que, das 610 denúncias no conjunto do Estado no ano de 2006, se passou às 720 de 2007. Euskal Herria, com 112 denúncias, situa-se como o segundo território onde se apresentaram mais, depois dos Países Catalães.
Iñaki García, director do Observatório do Sistema Penal e dos Direitos Humanos da Universidade de Barcelona e coordenador do relatório, assegura em declarações ao GARA que a situação é preocupante, ainda mais quando há uma ausência total de vontade por parte do Governo espanhol para implementar os mecanismos de prevenção da tortura recomendados pelas instituições internacionais.
Esta atitude governamental é a que impede a modificação do que o relatório chama “marco jurídico da tortura”, que não é mais que o conjunto de leis que deixam espaços onde os detidos ou encarcerados sofrem situações de isolamento que facilitam a prática da tortura. Estes espaços são o de período de incomunicação sob alçada da legislação antiterrorista e os regimes policiais e penitenciários de isolamento, onde a solidão impede que haja testemunhas em casos de tortura ou maus tratos aos detidos e presos.
Para além da análise da jurisdição estatal, o relatório estudou as denúncias apresentadas por tortura entre 1 de Janeiro de 2002 e 31 de Dezembro de 2006, e detectou grupos especialmente vulneráveis: os menores em centros de internamento, as pessoas estrangeiras que se encontram em centros de reclusão, as mulheres encarceradas (que são especialmente vítimas de torturas sexuais), os detidos sob a Lei Antiterrorista – tanto os presos relacionados com o conflito basco como os denominados “terroristas islamitas”, estes últimos especialmente débeis por carecerem de organizações de apoio – e os presos por motivo de dissidência política – inclui independentistas catalães, “okupas” e membros de outros colectivos anti-sistema, que sofrem os maus tratos sobretudo no momento da detenção.
Falta de vontade política
Na mesa de inauguração das jornadas de Barcelona, que encerram hoje, os assistentes concordaram que a implementação das medidas recomendadas pelos organismos internacionais para pôr fim à tortura depende da vontade do Governo. Todos lamentaram, a este respeito, que esta vontade seja inexistente no caso espanhol.
Lluïsa Domingo, presidente da comissão de defesa do Col·legi d'Advocats de Barcelona, contou que houve reuniões de trabalho entre os ministérios da Justiça, do Interior e dos Negócios Estrangeiros com a Amnistia Internacional, o CPT [Comité Europeu para a Prevenção da Tortura] e o mundo académico, mas que nenhuma serviu ainda para pôr em marcha os mecanismos que o Governo espanhol ratificou em Abril de 2006 por recomendação da Comissão Europeia.
Em nome da Amnistia Internacional, o director da secção espanhola, Esteban Beltran, lamentou que haja uma impunidade efectiva na prática da tortura, porque existe um problema de origem: não se quer reconhecer que esta prática não se limita a uns casos isolados, e como consequência não se pode resolver o problema estrutural de fundo.
A decisão dos governos basco e catalão de instalar videocâmaras nas esquadras suscitou distintas reacções entre as organizações que participam nas jornadas. Por um lado, o director da Amnistia Internacional considera que são uma boa ferramenta para combater a tortura, se se implementam de acordo com as recomendações internacionais, ainda que reconheça que não terminam com a problemática.
Por outro lado, Jorge del Cura, em nome do CPT, mostra-se muito mais céptico com o uso de câmaras nas esquadras. Considera que a única coisa que conseguem é mudar o lugar onde se produzem as agressões, e alerta que o objectivo da sua instalação é fazer crer à população que o Governo quer acabar com a tortura.
O discurso mediático
O relatório faz finca-pé no tratamento que os meios de comunicação dispensam às notícias sobre maus tratos frente às informações sobre cometimento de delitos, pois considera que o enfoque aumenta a sensação de alarme social, e a população pede uma mão mais pesada contra os detidos.
Mas há uma excepção, acrescenta o relatório: o periódico GARA diferencia-se do resto dos meios porque, segundo aponta Iñaki García, “sempre prestou especial atenção às denúncias de tortura”.
Um tratamento adequado por parte dos meios de comunicação às notícias sobre tortura e maus tratos, juntamente com uma legislação que a combata, uma sociedade civil organizada e investigações independentes e imediatas das denúncias foram os pontos de encontro dos participantes nas jornadas para combater uma prática que os relatórios mostram que está a aumentar.
Fonte: Gara
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Polícia espanhola prende 3 dirigentes do Batasuna
Pernando Barrena foi detido esta manhã em Berriozar quando se dirigia para a Câmara Municipal com a sua companheira. Agentes à civil introduziram-no num automóvel e levaram-no. Depois, revistaram a sua casa. Nesse momento, cerca de uma centena de pessoas juntou-se em frente ao domicilio para protestar contra a acção das forças policiais.
Por sua vez, Patxi Urrutia, que permanecia em liberdade depois de ter pago uma fiança em Outubro, foi preso na parte histórica de Iruñea.
Unai Fano foi preso em Larrabetzu pela polícia espanhola.
O jornal diário Gara soube que os detidos estavam sob vigilância desde a primeira hora da madrugada.
A Associação de Solidariedade com Euskal Herria está solidária com o Batasuna e condena mais um ataque aos direitos e liberdades do povo basco em se organizar e lutar pelo seu futuro. A opção política do Estado espanhol em impedir a existência legal do Batasuna em nada difere das práticas e mecanismos utilizados pelo fascismo patrocinado por Franco. Com a ilegalização de todas as formas de organização e acção pacíficas, o Estado espanhol está a promover a guerra e não a paz.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Solidariedade com Anjel Figeroa

Nos últimos dias várias têm sido as manifestações de solidariedade com Anjel Figeroa, em Algorta. O preso político está internado no Hospital de Txagorritxu, depois de ter sido vítima de quatro crises epilépticas.
Vizinhos e amigos concentraram-se hoje à frente do centro hospitalar, reclamando a sua libertação: "Anjel askatu! Preso gaixoak kalera". Os presentes, que exibiam cartazes e ikurriñas, foram saudados por Figeroa, a partir da janela do seu quarto.
Dois jovens detidos pela Ertzainzta em Lasarte
Segundo a Polícia autonómica, os jovens foram surpreendidos a fazer as pichagens. Informações dadas por testemunhas, contrariam a da polícia. Afirmam que os jovens foram detidos quando abandonavam um bar de Lasarte. No exterior, os agentes identificaram os dois jovens e levaram-nos detidos.
em GARA.net
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Resumo de acontecimentos no País Basco
'Talaiatik: uma espreitadela a Euskal Herria' resume o dia a dia de Euskal Herria em dois meses [Novembro e Dezembro], mostrando por um lado a alternativa da esquerda basca mediante a construção nacional de Euskal Herria povoação a povoação, dando a conhecer, por outro lado, a luta deste povo bairro a bairro e rua a rua.
Estes são os seus conteúdos:
1. Crueldade do sistema prisional para com as presas e os presos políticos bascos.
2. Torturas às pessoas detidas.
3. Memoria histórica.
4. Movimento popular pelo "comboio social", contra o TGV.
5. Sentença do mega-processo 18/98.
6. Actividade da ETA.
7. Actividade política.
Fonte: Askapena
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Debate 18/98
Excerto de debate sobre o mega-processo emitido pela Telebatzoki. Podem ouvir-se aqui opiniões e testemunhos que escapam ao filtro da censura generalizada nos meios de comunicação, ditos de referência, e promovidos pelo poder instituído no estado espanhol.
Makazaga, Adin e Galarraga, em liberdade depois de ‘erros’ de Madrid
“A Polícia francesa detém em Hendaya Ainhoa Adin, uma das mais procuradas em Espanha”, podia ler-se na semana passada em informes do Governo espanhol. Afirmava-se que Adin estava “fugida” desde Março de 2001, para além de apresentar como prova que era a “companheira do etarra Iastorza Dorronsoro, que fazia parte dum comando criado em 1994”, algo que não está confirmado.
Algo semelhante aconteceu no caso de Galarraga: “Detido em França o presumível etarra Eneko Galarraga, um dos mais procurados”, podia ler-se há sete dias. Na notícia, assegurava-se, sem dúvidas, que este morador de Villabona “se dedicava ao recrutamento para a ETA”.
As informações baseavam-se em fontes do Ministério do Interior ou directamente policiais. Sem dúvida, Adin e Galarraga viviam com total normalidade em Hendaia e Urruña, respectivamente. E durante esse período de suposta “fuga” chegaram a formar família. Adin, por exemplo, tem três filhos.
Adin foi posta em liberdade na quarta-feira, depois de a Polícia francesa a ter capturado um dia antes na sua casa em Hendaia. No que diz respeito a Eneko Galarraga, o Tribunal de Primeira Instância de Pau decretou na terça-feira a sua liberdade. Tinha sido detido em casa. A libertação foi apenas notícia.
Maior tinha sido o silêncio sobre Iñigo Makazaga. Ao contrário da sua prisão em Inglaterra, em 2001, que foi muito falada. Na Audiência Nacional era acusado “de colaboração com grupo terrorista”, “posse de explosivos” e “assassinato terrorista em grau de tentativa”.
Makazaga saiu anteontem em liberdade, depois de passar mais de seis anos na prisão, cinco deles em cárceres de Inglaterra. A Procuradoria da Audiência Nacional espanhola solicitava uma condenação de dez anos de prisão e uma sanção monetária de 300 000 euros como indemnização e dez anos mais fora da sua terra natal. Mas a audiência de terça-feira não chegou sequer a realizar-se, um acordo entre as partes acordou os anos de cativeiro do morador de Gasteiz. Foi imposta uma condenação de três anos e três meses de prisão, por já ter cumprido mais do dobro da pena imposta, Makazaga recuperou a liberdade e voltou a Euskal Herria.
A esquerda independentista de Irun juntou-se, ontem, aos parentes de Adin e denunciou esta detenção. Afirmaram que este sucesso evidencia “o estado de excepção de que sofre Euskal Herria” e, em concreto, situaram as detenções de Adin e Galarraga dentro do “ataque contra o colectivo de refugiados”.
A seu ver, tanto o Estado espanhol como o francês “valendo-se da repressão, pretendem debilitar o independentismo basco”. Não obstante, destacaram que “estão enganados” e afirmaram que esta estratégia “só tornará mais amplo o conflito político e armado”.
Iñigo Makazaga, morador de Gasteiz foi preso pela Polícia britânica a 25 de Abril de 2001 no porto de Dover, Inglaterra. Passou cerca de cinco anos na prisão de Belmarsh, em regime de segurança especial e sofrendo duras condições de vida. Em Fevereiro de 2006 as autoridades inglesas deram avalo à sua extradição para o Estado espanhol, onde a Audiência Nacional o acusava dos delitos de “colaboração com grupo terrorista”, “posse de explosivos” e “assassinato terrorista no grau de tentativa”. Uma vez no Estado espanhol, cumpriu mais dois anos de prisão preventiva até sair em liberdade na terça-feira. No total, quase sete anos de prisão para três de condenação.
“Uma das mais procuradas, a mais sanguinária… mãe de três filhos e vivia com normalidade”
Os parentes de Ainhoa Adin compareceram ante os meios de comunicação para denunciar as “intoxicações, manipulações e mentiras” que se difundiram sobre ela. Explicaram que a jovem vivia com total normalidade em Hendaia e que durante esse tempo foi mãe de três filhos. “Essa é a realidade e não outra”, afirmaram.
“A outra realidade – prosseguiram – é que Ainhoa teve de abandonar a sua casa em Hernani por causa da detenção da sua amiga e companheira de casa, Iratxe Sorzabal”. Recordaram as torturas brutais denunciadas por Iratxe nas mãos da Guardia Civil e lembraram que as “declarações arrancadas” a Sorzabal provocaram mais detenções e processos judiciais.
Os familiares, acompanhados por membros da izquierda abertzale de Irun asseguraram que se ser independentista e de esquerda é um crime, “Ainhoa é culpada”, não só, mostraram-se “muito orgulhosos” disso.
Para finalizar, exigiram aos meios de comunicação a “imediata rectificação” das afirmações sobre Adin e instaram-nos a não continuar “nessa linha”.
em GARA
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
EAE-ANV reitera a sua determinação em levar a Madrid “a voz da independência”
Os cabeças de lista por Gipuzkoa da EAE-ANV para o Congresso, Miren Legorburu, e para o Senado, Iñaki Zabala, compareceram às portas do tribunal da Rua San Martín acompanhados por José Luis Álvarez Enparantza Txillardegi e Juanjo Olaizola, depois de completar o trâmite.
Legorburu denunciou que os máximos dirigentes políticos e judiciais do Estado “fizeram de nós o centro das atenções” e “puseram em marcha toda a sua maquinaria” para ilegalizar a EAE-ANV.
Enquadrou a iniciativa dentro da “estratégia repressiva que está a desenvolver o PSOE”.
“Tanto o Processo 18/98 como as detenções massivas, as torturas e as ilegalizações de formações políticas são elos de uma cadeia que oprime os direitos deste povo”, assinalou.
Apesar disso, realçou que “o povo basco deixou claro que não aceita as ilegalizações” e reiterou que a histórica formação basca quer estar representada em Madrid com o objectivo de “levar a voz a favor da independência” e de que se saiba “que Euskal Herria é uma nação”.
Convocatória para Bilbau
“Vamos ser a voz de todos aqueles que constroem o futuro Estado basco”, sublinhou, para acrescentar que, “apesar de todos os ataques que tentam afogar a esquerda abertzale”, a EAE-ANV tem “a firme determinação de continuar a trabalhar”.
Legorburu também apelou à participação no acto político que terá lugar no próximo domingo, às 17h30, em La Casilla de Bilbo, “nas vésperas de ir prestar declarações ante o juiz Garzón, ainda que já tenham dito que nos vão ilegalizar antes de considerar qualquer declaração ou prova”.
A edil abertzale animou “todas as pessoas independentistas e todas as que estão contra as ilegalizações” a estarem presentes em Bilbau, para “deixar claro” o seu compromisso “com aqueles que lutam para que este povo tenha direito a decidir e possa conseguir uma normalidade política”.
em GARA.net
EHAK (Partido Comunista das Terras Bascas) denuncia o recurso à “espionagem política” para promover a sua ilegalização
Goirizelaia assinalou que ambas as vias são “dois caminhos diferentes mas com um fim único e exclusivo, que não é tanto a ilegalização dos partidos políticos em função de algum acto ilícito cometido pelos seus membros – que não existe de todo –”, e antes a consecução de “uma cobertura jurídica” para a decisão política de excluir o EHAK da legalidade.
“Não há nenhuma prova de actividade que seja considerada delito para poder levar adiante uma actuação por via penal e também não existe nenhuma prova de que o partido EHAK ou grupo parlamentar tenham actuado contra o que postula a Lei de Partidos", asseverou.
A advogada explicou que o processo penal em curso na Audiência Nacional é um procedimento aberto em 2005 com base numa querela da AVT [Asociación de Víctimas del Terrorismo] que no princípio não foi considerada pelo titular do Tribunal Central de Instrução 5, Baltasar Garzón.
Por isso, considerou “curioso” que o processo, logo aberto por Fernando Grande-Marlaska no período en que sustituiu Garzón, se sustente agora sobre uns informes policiais “que são basicamente os mesmos” em que se baseava a demanda que não foi considerada num primeiro momento.
A única diferença, segundo disse, são as escutas telefónicas praticadas pelas Forças de Segurança do Estado aos membros do EHAK. Nesse sentido, qualificou de “curioso que se recorra à espionagem política para montar um informe policial que sirva” para a suspensão de actividades de um partido.
Fonte: Gara
A Procuradoria do Estado também solicita ao Supremo o impedimento da participação do EHAK (Partido Comunista das Terras Bascas) e da ANV nas eleições
À saída do tribunal, o responsável dos serviços jurídicos do Estado espanhol explicou que as demandas se fundamentam “na existência de dependências funcionais e orgânicas com o ilegalizado Batasuna, baseadas nos documentos fornecidos pelas Forças e Corpos de Segurança do Estado e por outros documentos remetidos pelo Tribunal Central número 5 da Audiência Nacional”.
De acordo com a Procuradoria, o “complexo ETA-Batasuna digeriu” a ANV e o EHAK, “apropiando-se da sua estrutura e utilizando-os desde as eleições autonómicas de 2005 e municipais de 2007 para obter cobertura política e presença institucional”.
De Fuentes considera acreditado que há “uma sucessão política” entre as duas formações cuja ilegalização se pede e o Batasuna, e que, desde o ponto de vista financeiro, a ANV e o EHAK se converteram em parte de “um circuito de financiamento” do Batasuna e de suporte e emprego “a pessoas implicadas no complexo ETA-Batasuna”.
Em relação às medidas cautelares solicitadas, disse que estão encaminhadas no sentido de que “se paralise a entrega de qualquer caudal público, seja estatal, autonómico ou municipal; que se encerrem as contas de ambas as formações e que se proceda à suspensão de listas”.
em GARA.net
No hay tregua
Os Barricada marcaram toda uma geração de bascos. Vale a pena recordar uma das suas canções mais emblemáticas.
Es el juego del gato y el ratón
tus mejores años clandestinidad
no es muy difícil claudicar
esto empieza a ser un laberinto
¿Donde está la salida?
Estas asustado, tu vida va en ello
pero alguien debe tirar de gatillo.
Tu infantil sueño de loco
no es respuesta demencial
este juego ha terminado
mucho antes de empezar.
Anónimo luchador
nunca tendrán las armas la razón
pero cuando se aprende a llorar por algo
también se aprende a defenderlo.
Estas asustado, tu vida va en ello
pero alguien debe tirar de gatillo
Ofensiva contra a esquerda independentista

Procuradoria apresenta o pedido de ilegalização do Partido Comunista das Terras Bascas no Supremo Tribunal
Segundo informação da Efe, Narváez Rodriguez entregou o pedido no registo do tribunal especial pelas 9h da manhã de hoje.
O pedido de ilegalização da formação independentista foi apresentado nos trâmites habituais acompanhado da petição de algumas medidas cautelares como a suspensão da sua actividade política, o encerramento provisório da sua sede e demais imóveis que esteja utilizando e o congelamento das contas bancárias. Desta forma, solicita impedir a possibilidade de que esta formação apresente candidaturas no próximo dia 9 de Março.
A Procuradoria alega como motivo para a ilegalização “a relação de dependência” supostamente detectada “entre a acção política do partido investigado e a organização ilegal Batasuna ou outras organizações relacionadas com a ETA, e inclusive a própria organização armada”.
Para sustentar essa “dependência”, o Ministério Público argumenta que o EHAK (Partido Comunista das Terras Bascas) pôs à disposição do Batasuna uma das suas sedes; que há uma “evidente subordinação” na conduta dos representantes da EHAK “às consignas e às pautas estabelecidas por uma organização ilegal”; que o EHAK “deixou em segundo plano as suas orientações marxistas-leninistas para tornar seu o discurso do Batasuna” com o fim de “servir de retaguarda e porta-voz deste, inclusive no Parlamento Basco”; e que a formação interveio “na campanha da ETA contra as obras do comboio de alta velocidade”.
Por sua vez, a Procuradoria do Estado apresentará sexta-feira o pedido de ilegalização da EHAK, segundo adiantou o ministro da Justiça, Mariano Fernández Bermejo.
O ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba confirmou que “instruiu” a Procuradoria do Estado para que corte o financiamento à ANV e ao EHAK, de forma a que estas duas formações “não tenham nem uma peseta de dinheiro público”.
O pedido, segundo defendem, “é coerente com a autorização que o Conselho de Ministros deu, na passada sexta-feira, à Procuradoria para fazer a petição e pedir a ilegalização” das duas formações bascas.
Fonte: GARA
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
NEM UM PASSO ATRÁS!

Independência e Socialismo EUSKAL HERRIA, PASSO A PASSO
Serviço informativo da ASKAPENA Nº 206
O estado espanhol decidiu tentar aniquilar politicamente a esquerda basca: ilegalizações, detenções massivas, torturas, espionagens, perseguições...
No entanto, a esquerda basca mantém-se firme, confia nas suas razões, na sua coerência e na sua militância. Durante estes meses respondeu ao Estado com iniciativa política, por um lado, e na rua, por outro.
Para o Estado espanhol, a esquerda basca não é um sujeito de direitos mas uma potencial beneficiária de favores. Segundo esta teoria absolutista, a sua participação na vida política depende exclusivamente do seu comportamento: se se comporta como o Estado lhe exige, poderá participar na vida política; se não, ficará excluída. Pior ainda, auto-exclui-se. Os “ilegalizadores” tentam transferir para as vítimas as consequências do seu despotismo.
Em Maio de 2007 perseguiram e ilegalizaram as candidaturas da esquerda basca de forma implacável mas não total. Deixaram-lhe um pequeno resquício e consentiram que se apresentasse em alguns âmbitos eleitorais porque assim convinha aos interesses do Estado. Como, todavia, não estava encerrado o falido processo de conversações, quiseram mandar à esquerda basca esta vil mensagem: “com tudo isto, e muito mais, vos presentearei se se renderem”. Não houve rendição e a estratégia das pequenas concessões fracassou. A partir desse momento, a negação de direitos passa a estar pouco de acordo com a ética, e a ser mais ajustada aos interesses antidemocráticos do Estado: a ilegalização das poucas candidaturas que passaram os filtros reforça a imagem da dureza contra a esquerda basca; estratégia que, lamentavelmente, dá votos no Estado espanhol. Por outro lado, a ilegalização das poucas parcelas de liberdade ainda abertas contribui para o envio à esquerda basca de uma outra mensagem de desalento: “é o que pode esperar quem não se rende ante as exigências do Estado. Apodrecer na clandestinidade, já que é o que vocês escolheram”.
Desde que o Estado constatou a impossibilidade de obrigar a esquerda basca a render-se, abandonou a estratégia da cenoura e aplica, exclusivamente, a do golpe repressivo. Um dos seus objectivos: a ilegalização dos marcos políticos que recolhem a sensibilidade da esquerda: o Partido Comunista das Terras Bascas (PCTV/EHAK) e a Acção Nacionalista Basca (ANV). Há meses que o Estado está a desenvolver uma estratégia abrangente para liquidar ambas as formações. Sobretudo desde que a ANV anunciou a sua intenção de participar nas próximas eleições de Março ao Parlamento espanhol para nele reclamar a independência do nosso povo. A partir desse momento, toda a engrenagem fascista de Espanha se pôs em marcha: os meios de comunicação foram criando artificialmente o alarme social para preparar a opinião pública, os partidos da oposição fizeram da ilegalização uma das suas bandeiras predilectas, o Governo do PSOE pôs em marcha os seus serviços secretos para que elaborem dossiês em que sustentem uma medida já adoptada, transmitiram ao poder judicial as coordenadas em que devem mover-se. E estreitaram os vínculos com os bascos colaboracionistas para que não dificultem a estratégia de ilegalização, já que eles também sairão beneficiados com a mesma. Sobretudo, mantiveram uma política de constante acosso às formações que estão no seu alvo, para que saibam que a sua sorte está jogada e que o dia da ilegalização está cada vez mais perto.
A esquerda basca sabe que o poder que enfrenta é assustadoramente maior e que a medida não vai criar grandes custos ao Estado (pelo menos a curto prazo), já que conta com uma larga rede de alianças e cumplicidades. Apesar de tudo, manteve-se firme. E, ainda que consciente de que se encontra em absoluta desvantagem, não deu nem um passo atrás; confia nas suas razões, na sua coerência e na sua militância. Durante estes meses, respondeu ao Estado com uma mensagem nada prepotente mas firme: legal ou ilegalizada, seguirá reivindicando a independência para o nosso povo.
Estas são algumas das suas iniciativas públicas recentes.
22 de Dezembro de 2007. Uma importante representação de conhecidos representantes da esquerda basca comparece em Bilbau num contexto especial: a prisão de 47 dirigentes e a horripilante denúncia de torturas contra um jovem da esquerda. A mensagem é firme e, ao mesmo tempo, alentadora: “Até aqui chegámos e daqui não passam. Chegou a hora de colocar um fim à ideia de que tudo vale contra Euskal Herria... O PSOE declarou guerra ao movimento independentista para debilitar a nossa proposta política e assim poder fechar as portas à independência... Esta estratégia não seria possível sem a colaboração do PNV e do NaBai... Vamos ganhar, Euskal Herria!”
29 de Dezembro de 2007. A esquerda celebra um comício concorrido em Elorrio. Nessa iniciativa reitera a sua aposta na independência e no socialismo mas, para ela, é necessário que sejam reconhecidos os direitos que nos correspondem como povo. A esquerda anuncia que “canalizará toda a sua capacidade política para a construção nacional e para a transformação social para ir criando um Estado basco independente e socialista, já que é esta a única garantia para a sobrevivência do nosso povo. Estado basco que já existiu, que teve reconhecimento internacional até ao séc. XVII e que voltará a ser uma realidade se o povo o desejar. O primeiro passo nesse caminho, que será longo, é a consecução de um Marco Democrático em que todos os projectos políticos possam ter lugar. Ouviram-se também palavras duras contra o PNV e contra o NaBai, uma vez que o seu objectivo é bloquear a construção de Euskal Herria para que prevaleça a construção de Espanha”.
30 de Dezembro de 2007. Centenas de eleitos da ANV reúnem-se num hotel de Iruñea [Pamplona] para reafirmar a sua determinação em seguir adiante no caminho da independência. Reiteram a sua vontade de participar nas eleições gerais para o Parlamento espanhol que se celebrarão a 9 de Março de 2008. Recordam que têm uma representação popular mutilada pelas ilegalizações de que foram objecto em 2007. Reiteram a sua denúncia contra as forças autonómicas bascas que beneficiaram da ilegalização usurpando cargos que pertenciam à ANV; questionam estes partidos sobre o que vão fazer quando se der a ilegalização. Admitem que se está a pagar cara a recusa em assumir a Constituição espanhola... A sua convicção é firme: “Até agora não conseguiram parar-nos e não o conseguirão no futuro”.
2 de Janeiro de 2008. A ANV apresentou duas queixas no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos contra o Tribunal Constitucional Espanhol por ter negado recurso contra as ilegalizações do ano passado.
12 de Janeiro de 2008. A ANV reúne em Iruñea cerca de 6000 pessoas num intenso comício de reafirmação da sua aposta na independência. São ovacionados os dois jovens bascos detidos e torturados recentemente (o aplauso deu lugar a uma acusação de apologia do terrorismo por parte da Audiência Nacional). Abundam as acusações de mentiroso e torturador contra o Governo do PSOE. Denuncia-se o colaboracionismo do PNV e do NaBai, já que a sua cumplicidade facilita a fraude e a repressão que exercem os dois Estados. O comício encerrou-se com um convite às organizações populares para continuarem o trabalho pela independência e pelo socialismo, mesmo que ilegalizadas.
Euskal Herria, 23 de Janeiro de 2008
Polícia espanhola prende Ana López em Portugalete
López foi presa juntamente com o seu companheiro, Roberto Sainz a 7 de Setembro de 2003, pela Ertzaintza, sob a acusação de formarem uma "ponte de apoio" ao "comando Bizkaia" da ETA e de terem acolhido em casa um militante da organização armada.
Sainz faleceu na prisão de Aranjuez a 3 de Março de 2006 após um enfarte. Em Dezembro de 2006 a Audiência Nacional espanhola condenou López a cinco anos de prisão, sentença confirmada pelo Supremo Tribunal no passado mês de Dezembro.
Fonte: GARA
domingo, 27 de janeiro de 2008
Manifestação – ANV reitera que o voto independentista estará presente nas eleições de 9 de Março
Às 18h00 a marcha partiu da sede do governo foral de Araba, e percorreu as ruas de Gasteiz até chegar ao Palácio Europa. Durante o percurso foram constantes os lemas a favor da independência e da democracia para Euskal Herria.
É de destacar a presença notória da Ertzaintza, que seguiu a manifestação muito de perto. O juiz da Audiência Nacional espanhola Baltasar Garzón optou por não proibir o acto político que se celebrou de seguida num polidesportivo da capital alavesa, mas ordenou à polícia autonómica que “tomasse as medidas necessárias” para “evitar actos delitosos”.
Uma vez iniciado o acto político, membros da formação ekintzale, acompanhados por vídeos que relembravam diferentes «instantâneos» vividos em Araba, repassaram amplamente a actualidade basca. Começando pela situação da juventude, passaram pelas agressões que as vítimas do 3 de Março receberam por parte da Ertzaintza há dois anos, e pela situação dos presos políticos. Recordaram, em especial, a difícil situação que a presa alavesa Gotzone López de Luzuriaga está a viver na primeira pessoa, uma vez que, apesar de se encontrar gravemente doente, continua na prisão.
Por último, o cabeça de lista por Araba para o Congresso, Aitor Bezares, tomou a palavra em nome de todos os membros, reiterando que assumirão o “compromisso que a esquerda abertzale tem com este povo”.
Além disso, solicitou a Sarkozy e a Zapatero que oiçam que no próximo 9 de Março “as urnas vão estar cheias de votos independentistas”.
Bake Faltsuari Gerra
Entre os jovens que foram enviados para a prisão de Soto del Real, em Madrid, estão Etxebarria e Ostolaza, membros do grupo musical Oliba Gorriak. Deixamos a introdução de uma das músicas produzidas pela banda.
Seis dos oito jovens de Lea-Artibai presos por pertencerem à Segi

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Estebe Gandiaga Eneko Etxaburu, Ainhoa Pagoaga e Zaloa Zenarrutzabeitia deram entrada, ontem, na prisão de Alcalá Menores, enquanto que Urko Pagoaga, Iban Etxeberria, Borja Oregi e Eneko Ostolaza foram enviados para Soto del Real. Ainhoa Pagoaga e Eneko Etxaburu sairão em liberdade segunda-feira depois de pagar uma fiança de 6000 euros, foi-lhes também imposta a obrigatoriedade de comparecer no Tribunal e não abandonar “território espanhol”.
Denúncias de maus tratos
Segundo informou a Askatasuna por volta da meia-noite, todos os jovens denunciaram perante o juiz terem sido objecto de maus tratos, sofrendo golpes incessantes e ameaças contínuas. Segundo adiantou, alguns denunciaram-no também ao médico forense.
Para além disso, depois das 22h30, quando eram conduzidos à prisão num veículo policial, os seus familiares foram retidos, menosprezados e identificados pela Polícia espanhola.
De manhã, mais de mil pessoas manifestaram-se em Markina-Xemein, onde o movimento pró-amnistia compareceu junto dos familiares dos detidos. Realçaram “a impunidade” com que a Polícia espanhola irrompe pelas casas e leva jovens bascos detidos e sob regime de incomunicação; estado que, no seu ponto de vista, propicia a existência da tortura.
Pela sua parte, MusikHerria mostrou o seu apoio a Etxebarria e Ostolaza, membros do grupo musical Oliba Gorriak.
Por outro lado, cerca de 180 pessoas manifestaram-se em Portugalete para denunciar a detenção e o posterior encarceramento de Ziortza Fernández.em GARA.net
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Galarraga na prisão à espera de decisão sobre a euro-ordem
A audiência para examinar a euro-ordem está prevista para a próxima terça-feira, mas as mesmas fontes dizem que é provável que a data seja adiada, para dar tempo à defesa de se preparar.
Eneko Galarraga, refugiado político basco, foi preso ontem de manhã em sua casa, em Urruña pela Polícia francesa.
em GARA.net
A "democracia" espanhola
A representante do Estado espanhol assegurou-o em conferência de imprensa e sustentou que o governo vai impugnar todas as candidaturas que apresente a esquerda independentista basca.
Esta é a democracia do Estado espanhol que antes das decisões dos tribunais já garante com absoluta certeza que este ou aquele partido será ilegalizado pela justiça. O Estado de Direito não existe naquelas bandas, onde o poder judicial e o poder executivo são faces da mesma moeda.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
O Estado espanhol decidiu tentar aniquilar politicamente a esquerda basca: ilegalizações, detenções em massa, torturas, perseguições...
Contudo, a esquerda basca mantém-se firme, confia nas suas razões, na sua coerência e na sua militância. Durante estes meses, respondeu à situação com iniciativa política, por um lado e saindo para as ruas, por outro.
em ASKAPENA
Grande-Marlaska recusa protocolo contra a tortura aos detidos em Lea-Artibai
Contudo, o juiz rejeitou todos os pedidos.
A Askatasuna perguntou, então, “que problema tem a Audiência Nacional para adoptar essas medidas. Se não vão ocorrer maus tratos que têm a ocultar?”
O organismo anti-repressivo sublinhou que “é claro que a incomunicação possibilita a existência de tortura” e considerou necessário “que desapareça a incomunicação para que não haja mais nenhum torturado em Euskal Herria”.
em GARA.net
Morre em Cabo Verde o deportado político Endika Iztueta
Iztueta foi deportado para Cabo Verde em Fevereiro de 1985 pelo que ali permeneceu durante 22 anos. A Askatasuna explicou que era casado e que tinha uma filha ali e um filho em Euskal Herria. “Era um homem muito querido e conhecido à sua volta”, assegurou.
A morte deste enfermeiro de profissão soma-se à de outros dois deportados bascos que faleceram no mesmo país. Em 1989 morreu Juanra Aranburu e, em 2002, Ángel Lete.
Segundo o organismo anti-repressivo, foram muitas as mostras de carinho recebidas pelos familiares de Iztueta.
A Askatasuna assinalou que o Governo espanhol é “responsável” pela sua morte e afirmou que “a repressão não poderá acabar com este povo”.
Os habitantes de Santurtzi marcaram uma manifestação em homenagem a Iztueta para hoje às 19h30.
Fonte: GARA.net
A Polícia espanhola detém oito jovens em Markina, Ondarroa e Etxebarria

Os seis primeiros foram detidos em Markina, Zaloa Zenarruzabeitia em Etxebarria e Eneko Etxaburua em Ondarroa. Todos estão incomunicaveis.
As detenções foram ordenadas pelo Juiz da Audiência Nacional espanhola Fernando Grande-Marlaska que os acusa de participar em actos da kale borroka na comarca de Lea-Artibai.
A operação começou às 2 da madrugada e terminou às 8h. No decurso da mesma, a Polícia espanhola revistou os domicilios dos detidos, assim como um centro de juventude e a herriko taberna de Markina, de onde levaram cartazes e documentação política.
Para denunciar as detenções, para esta tarde foram convocadas manifestações às 19h30 para Markina e Ondarroa.
Segundo informação chegada ao GARA, sete pessoas que estavam a colar cartazes para chamar às manifestações, foram identificadas pela Ertzaintza, que os ameaçou de utilizar os seus nomes como responsáveis da convocatória.
Depois do ocorrido, alguns cidadãos foram ao Ayuntamiento, entre eles Unai Urruzuno, alcaide eleito do município, para informar e pedir o posicionamento do PNV ao presidente da Comissão gestora de Ondarroa, Felix Aranbarri, perante as prisões e o sucedido com a Ertzaintza. Segundo indicaram as mesmas fontes, o membro do PNV afirmou que não tomaram posição acerca do assunto.
A Askatasuna denunciou que o PSOE está levando a cabo “um plano repressivo contra o independentismo basco” e que estas últimas detenções estão dentro desse esquema.
Dessa forma, criticou que os “tribunais especiais e a Policia detenham e deixem incomunicaveis jovens bascos com toda a impunidade”. “Todos sabemos que o período de incomunicação possibilita a existência de torturas e estamos muito preocupados com o tratamento que podem estar a sofrer os detidos”, explicou. Perante isto, a Askatasuna chama a cidadania a mobilizar-se.
em GARA.net
OFENSIVA CONTRA A ESQUERDA ABERTZALE
O ministro espanhol da Justiça, Mariano Fernández Bermejo, confirmou em conferência de imprensa que o Conselho de Ministros autorizará sexta-feira o Ministério Público a apresentar perante o Supremo Tribunal o pedido de ilegalização do EHAK e da ANV.
Segundo disse, as “provas” recolhidas a partir das rusgas de Segura e Olaberria, em Outubro de 2007, levaram a pedir a ilegalização do EHAK e da ANV.
Fernández Bermejo disse que os serviços jurídicos do Estado utilizarão todas as possibilidades existentes para impedir a presença das formações nas eleições do próximo dia 9 de Março.
“Vamos impedir que estes partidos estejam presentes no processo eleitoral” e para tal “não descartamos nenhuma hipótese cautelar ou definitiva, como pode ser a impugnação das candidaturas”, afirmou, para insistir que utilizarão qualquer procedimento para garantir que não concorram aos comícios, “porque temos prova assegurada que são uma mera continuidade do complexo Batasuna”.
Depois do trâmite da autorização do Conselho de Ministros, dependerá do Ministério Público o momento em que se interponha a ordem da ilegalização, ainda que o ministro tenha assegurado que “não tardará muito”.
O titular da Justiça também quis advertir a esquerda abertzale de que o Governo espanhol está “absolutamente pendente desses planos alternativos que seguramente aparecerão”.
Bermejo recordou que “disse várias vezes que, no mesmo instante em que se obtivessem provas” que acreditassem a vinculação da EAE-ANV e do EHAK com o Batasuna, “não tardaríamos um minuto em actuar em conformidade”, e sublinhou que “o minuto chegou e que se vai actuar em conformidade”.
“Estamos nesse momento em que o conjunto de indícios que vínhamos acumulando há algum tempo” tem hoje “um acrescento decisivo”.
O conteúdo dos informes elaborados pela Polícia e pela Guardia Civil é, segundo disse, “suficientemente contundente” e “permite-nos passar tranquilamente a uma acção de ilegalização”.
“Fico tranquilo ao ver a prova documental com que vamos a tribunal”, com a qual espera convencer a Sala 61 do Supremo Tribunal, do Tribunal Constitucional e do Tribunal de Estrasburgo.
Fonte: GARA
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
EHAK anuncia que continuará o seu trabalho político no Parlamento mesmo que o ilegalizem
GASTEIZ – Numa comparência na Câmara de Gasteiz, os parlamentares Julián Martínez, Nekane Erauskin e Ane Auzmendi avançaram que vão empreender uma dinâmica de contactos com agentes sociais e sindicais bascos para estudar medidas de resposta a “este ataque contra os direitos mais elementares”.
Os representantes de Ezker Abertzalea asseguraram que, ainda que suspendam as actividades do EHAK ou ilegalizem essa formação, seguirão com a sua actividade política no Parlamento, uma instituição na qual o grupo abertzale “trabalhou intensamente para que o Estado espanhol reconheça a existência deste povo e o seu direito à autodeterminação”, por entenderem que é o caminho adequado para superar o conflito político e as suas consequências.
Deste modo, ressaltaram que, ao longo dos três anos que levam na Câmara, trabalharam com um grande número de agentes sociais e sindicais, com os quais, “partindo de uma visão partilhada sobre a construção nacional e social de Euskal Herria, realizaram um trabalho conjunto que deu frutos importantes”. Também trouxeram à colação a apresentação de numerosas iniciativas para construir “esse outro Euskal Herria possível”, “sempre ao lado do movimento popular e associativo basco”.
Depois de enumerarem algumas das propostas registadas na Câmara, os parlamentares recordaram que a sua acção também se caracterizou por “pedir responsabilidades ante os abusos da política repressiva do Estado e das suas polícias” e por fazer ouvir “a voz dos reprimidos por motivos políticos”.
Compromisso
Denunciaram que os querem ilegalizar por todas essas propostas políticas, e sustentam que a “melhor resposta perante esta nova agressão vai ser a continuação do trabalho político no Parlamento, apresentando tantas ou mais iniciativas”.
“Aconteça o que acontecer, comprometemo-nos a continuar o trabalho lado a lado com o movimento social”, realçaram.
Os representantes de Ezker Abertzalea também explicaram que empreenderam acções de protesto e que vão participar na viagem à Escócia da Comissão de Indústria, “para levar aos grupos parlamentares desse país a situação de Euskal Herria e deste grupo”.
Guardia Civil prende Inma Berriozabal em Zegama
Agentes à paisana da Guarda Civil levaram-na algemada.
Berriozabal foi julgada juntamente com outros 51 cidadãos bascos no mega Processo 18/98 e foi condenada a 12 anos de prisão pela Audiência Nacional espanhola, no passado dia 19 de Dezembro.
Desde então encontrava-se em liberdade.
No total, o tribunal especial impôs 525 anos de prisão a 47 dos julgados, a maioria dos quais foi detida e encarcerada três semanas antes de ser tornada pública a sentença.
em GARA.net
A Askatasuna revela mais casos de espionagem e perseguição policial
Oihana LLORENTE |
Depois de desvendar novos episódios de espionagem e perseguição policial contra membros da esquerda independentista, a Askatasuna sentenciou que este país padece «um absoluto estado de excepção».
Xabin Juaristi, apoiado por uma vintena de pessoas que foram ou são objecto de perseguição policial, qualificou estas práticas de «terrorismo de Estado» e deduziu que o objectivo, que pretendem alcançar os estados espanhol e francês, com este tipo de métodos não é outro senão «impedir o caminho para a independência».
Numa conferência de imprensa realizada em Donostia, o representante da Askatasuna assegurou que estes factos de «assédio, intimidação e vulneração de direitos básicos são mais uma amostra da cruel aposta repressiva realizada» por parte dos estados espanhol e francês.
«Tudo vale contra este país»
Com os testemunhos arrepiantes dados a conhecer pela boca de suas vítimas, Juaristi lembrou as «torturas selvagens» denunciadas por Igor Portu e Mattin Sarasola, as continuas ameaças de ilegalização ou os ataques contra o Colectivo de Presos Políticos Bascos. Afirmou que cada um destes elementos não é mais do uma que uma peça da «estratégia delineada por Paris e Madrid para acabar com o independentismo basco».
O representante da organização anti-repressiva não hesitou em sublinhar que estes testemunhos «lembram os tempos mais obscuros da brigada político social da era franquista». Deste modo, alertou de que, tal como então, agora também «tudo vale na estratégia repressiva contra Euskal Herria».
Neste sentido, Juaristi denunciou a «extrema impunidade» dos estados. Uma impunidade que, em seu entender, está baseada «na supressão de todos os direitos» e que é o «núcleo da aposta repressiva que lançaram os executivos parisiense e madrileno».
Alertaram ainda que se está a verificar «uma legalização tanto da vulneração de direitos como do emprego de métodos ilegítimos» em dependências policiais e por parte da própria Audiência Nacional espanhola.
A Askatasuna denunciou com mágoa esta aposta repressiva e indicou que estas fórmulas estão orientadas para «punir a militância, induzir o medo na população, semear a auto-censura, assim como para obter informação política a fim de condicionar o trabalho político e social de Euskal Herria». Não obstante, Xabin Juaristi foi mais além e assinalou que o verdadeiro fim desta investida repressiva é «evitar que o caminho para a independência seja realizável».
A organização anti-repressiva fez finca-pé de que este tipo de práticas tem uma definição concreta tanto em dicionários como em enciclopédias, assim como em todos os países do mundo, e referiu que esse significado não é senão «terrorismo de Estado».
Como ponto final da conferência, a Askatasuna realizou um duplo apelo tanto àqueles que padecem de uma situação similar à exposta ontem como a todos os cidadãos bascos no geral.
Dirigindo-se em primeiro lugar às vítimas da perseguição policial, Xabin Juaristi incentivou-os a contactarem a organização anti-repressiva para realizar a correspondente denúncia. Da mesma forma, convidou os cidadãos de Euskal Herria a mobilizarem-se «contra esta mácula de impunidade, repressão e do tudo vale contra Euskal Herria».
A importância de continuar a lutar
Aitor Aranzabal, depois de relatar a perseguição de que sofreu na própria carne, assegurou que toda esta estratégia tem um único fim e, em sua opinião, não é senão a de «recordar e fazer sentir a todo momento que a espada de Damócles pesa sobre as nossas cabeças».
O companheiro especificou que com esta estratégia pretendem «fazer-nos sentir vulneráveis e em perigo constante. E tudo isso – prosseguiu -, para que estas sensações condicionem o nosso trabalho diário».
Não obstante, dirigindo-se a todos os que põem em marcha este tipo de práticas contra a esquerda abertzale [independentista], avisou que «estão muito equivocados» e afirmou que a esquerda independentista «não se afastará nem um só milímetro da sua iniciativa política».
Aranzabal insistiu na necessidade de lutar e afirmou que só o compromisso com os direitos nacionais deste país «levarão Euskal Herria à liberdade».
Fonte: Gara
sábado, 19 de janeiro de 2008
Jovens independentistas preparam festa

A festa bienal da juventude independentista basca, Gazte Topagunea, realiza-se de 21 a 24 de Março em Lezo, na Gipuzkoa [região cuja capital é Donostia].
Apesar da situação especialmente difícil que se vive no País Basco, os jovens bascos vão acorrer a Lezo para reivindicar a independência e o socialismo. Normalmente, cerca de 20 mil jovens transformam cada localidade em "zonas livres". Podes ouvir a canção oficial desta festa em aqui.
Há dois anos, o Gazte Topagunea foi em Etxarri-Aranatz.
Todos contra a repressão
As acções de protesto realizaram-se no mesmo dia em que a organização anti-repressiva basca denunciou as perseguições policiais, as escutas telefónicas, os aparelhos de escuta e seguimento encontrados em veículos e casas e ainda as "ofertas" oferecidas para colaborar com as forças policiais.
Por sua vez, a Acção Nacionalista Basca, partido de esquerda e independentista, apresentou oito dos seus candidatos às próximas eleições para o parlamento e senado espanhóis. A sua candidatura tem o objectivo de denunciar e contestar nos órgãos espanhóis as políticas repressivas que vive o povo basco.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Juiz decreta liberdade sob fiança para o jovem preso ontem pela Ertzaintza
em GARA.NET
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Legislatura da burla e da repressão contra Euskal Herria
O político abertzale Pernando Barrena considerou que a legislatura gerida pelo primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero constituiu a da “burla, da fraude e da repressão contra Euskal Herria”. Além disso, advertiu aqueles que “patrocinam” medidas como detenções ou ilegalizações de que “mais cedo do que tarde terão que rectificar o seu posicionamento”.
DONOSTIA – Pernando Barrena compareceu juntamente com o político independentista Eusebio Lasa em Donostia, onde insistiu que há quatro anos esta legislatura começou com uma “grande mentira de Acebes” no Congresso dos Deputados, já que, no contexto dos atentados do 11-M, o PP realizou “uma gestão catastrófica para enganar a opinião pública do Estado espanhol, que com o tempo se foi desmontando”.
Barrena considerou que a legislatura termina “com outra grande mentira na boca de José Luis Rodríguez Zapatero”, a quem acusou de tentar nos últimos meses “endossar a responsabilidade do processo negociador à esquerda abertzale”. Não obstante, assegurou que “o tempo vai colocando cada um no seu lugar”.
Assim, recordou que Zapatero negou em diferentes ocasiões ter falado de política com a esquerda independentista, ainda que posteriormente tenha tido que o reconhecer, como o caso das conversações que se mantiveram entre o Governo espanhol, a ETA, o PSOE e a esquerda abertzale, na campanha das eleições de Maio.
“Nesse assumir paulatino do presidente do Governo sobre as suas responsabilidades no final do processo de negociação, rapidamente o PSOE terá que admitir toda a verdade e dizer claramente que, no contexto das conversações de Maio, preferiram que a situação de confrontação e conflito político continuasse, em vez de abordar uma fórmula de solucionar o conflito”, afirmou.
Para além disso, considerou que as “mentiras” também estiveram presentes nas últimas declarações do ministro do Interior, Alfredo Pérez Rubalcaba, no caso das detenções de Igor Portu e Mattin Sarasola. No seu parecer, Rubalcaba “demonstrou que a mentira também é um instrumento de trabalho para os ministros do PSOE”.
Direito a decidir e solução
“Estes quatro anos constituíram a legislatura da burla, da fraude e da repressão contra Euskal Herria”, denunciou Barrena, que insistiu em que a oferta actual do Executivo do PSOE para Euskal Herria “passa pela utilização da tortura, as ilegalizações, a dispersão ou a confrontação pura e dura”.
Nesse sentido, sublinhou que as chaves para a solução “já estão sobre a mesa” e que “quem quiser perseguir esse objectivo sabe que o reconhecimento do direito a decidir, e a exercê-lo sem objecção alguma, é básico e fundamental”.
Nessa linha, reiterou que a esquerda abertzale soube “actuar com responsabilidade política” ao apresentar propostas como a de Anoeta ou a do Novo Marco Democrático, que são “de grande alcance”, e mostrou-se convencido de que “iluminarão novos cenários políticos”.
Por isso, Barrena chamou a atenção para o facto de o próximo primeiro-ministro espanhol “ter que ter bem presente na sua agenda o direito a decidir da sociedade basca”.
em Gara.net
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
ANV acusa PSOE de entrar num “delírio repressivo” contra o independentismo basco

Bereziartua expressou-se assim depois de o juiz da Audiência Nacional espanhola Santiago Pedraz chamar a depor no dia 24 a presidente do município de Hernani, Marian Beitialarrangoitia, por suposto delito de “enaltecimento ao terrorismo”.
O presidente da EAE-ANV, que compareceu com quinze representantes da formação partidária, entre os quais Marian Beitialarrangoitia, denunciou que “uma atitude de carinho e afecto dirigida a um sector concreto do povo basco” possa supor uma prova de delito. Nesse sentido, perguntou se “é esta a prova para ilegalizar um partido com 77 anos de história?”
A seu ver, o “défice democrático que se vive em Euskal Herria é muito grave”, realçando ainda que todos os dias se produzem situações que confirmam o estado de excepção.
Acusou também o PSOE de entrar num “delírio repressivo contra o independentismo basco”, já que com o seu Governo “houve mais de 300 detenções” e se procedeu ao encarceramento de uma direcção política.
Depois de denunciar que “a luta contra a esquerda independentista tem cegado polícias, juízes, o PSE, o PP e o próprio Governo, não lhes importando fazer um papel ridículo perante a Europa”, Bereziartua dirigiu-se à vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, para lhe dizer que “o seu partido está cada dia mais longe da democracia”.
“O único delito de Marian Beitialarrangoitia e dos nossos ‘alcaides’ e cargos eleitos é serem representantes políticos dos nossos municípios e trabalharem nas instituições a favor da independência e do socialismo, impulsionarem políticas do euskara e consultas populares sobre o TGV, ou porem em marcha uma política de saneamento alternativa”, insistiu.
O presidente da formação ekintzale também lamentou que, quando “a violação de direitos está a chegar a um ponto quase impensável”, os outros partidos políticos continuem “mudos e não tenham feito um só comentário sobre a ameaça de dois anos de prisão pelo simples facto de se fazer uma saudação aos presos políticos bascos”.
Nesse sentido, Bereziartua considerou que aos demais partidos só lhes interessa “quando é que vai desaparecer a esquerda independentista”, e fez referência às palavras do novo presidente do BBB do PNV, Andoni Ortuzar, que avisou que a EAE-ANV “não se vai dissolver como açúcar porque a esquerda independentista está muito arreigada neste povo, e o compromisso é tal que lutará até atingir a independência”.
A seu ver, chegou a hora de que “Euskal Herria responda na mesma medida dos ataques que sofre” e assegurou que “a 9 de Março a opção independentista estará presente através da ANV”.
em GARA.net








