
Desde que os Bourbons escolheram Donostia, nos finais do século XIX, como destino de férias, aquela cidade que apenas contava com muralhas e areia por todo o lado começou a promover o elitismo. Com as idas e vindas de Franco, o quartel de Ondarreta enchia-se de donostiarras rebeldes; agora, mais de 30 anos depois da sua morte, os que continuam a rebelar-se perante o estabelecido permanecem desprezados.
Seguramente, naquela entrevista Elorza não imaginava a dimensão e o potencial que iria adquirir aquela “abordagem” à Kontxa [ou La Concha], que cativou, e continua a entusiasmar, milhares de donostiarras e guipuscoanos. Embora sem grandes apetites, amanhã o autarca também terá que o reconhecer.
Apesar de a memória de muitos não guardar já as excitações que se viveram com o arrebatamento das txosnas, o alcançado pelos Donostiako Piratak não é de pouca monta: demonstraram que na capital guipuscoana também é possível realizar umas festas organizadas pelo povo e para o povo. E o Município já se apercebeu disso. Depois de dezenas de anos, a Aste Nagusia [Semana Grande] arrancou pela primeira vez num sábado, precisamente quando tinham início os eventos alternativos dos Piratak. A equipa de Elorza continua a fazer orelhas moucas ao apelo que estes jovens fizeram há muito para criar uma comissão de festas entre todos os grupos, organismos, associações e colectivos de Donostia.
O cartaz com quatro gelados a fazer de conta que são foguetes pirotécnicos volta a lembrar que, por infelicidade, as de Donostia continuarão a ser “as festas mais belas de Espanha”... para o Abc. E ainda mais com a bandeira espanhola que o PSE impôs no edifício da Câmara Municipal. Mas que não adormeça o vigia, porque esta semana poderá ser a bandeira da caveira a ondear no mastro municipal.
Gari MUJIKA