segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Albisu e Iparragirre afirmam que a «ETA espera há meses» pelo diálogo com Madrid e Paris

Marixol Iparragirre e Mikel Albisu leram uma declaração de seis páginas perante o tribunal que os está a julgar em Paris, na qual, depois de fazerem uma análise dos acontecimentos políticos dos dois últimos anos, sublinharam: «estamos perante uma oportunidade histórica para encontrar uma solução justa e democrática» para o conflito.

Denunciaram, na sua intervenção, a recusa dos governos espanhol e francês em dialogar, um ano depois do fim definitivo da actividade armada da ETA. «França e Espanha continuam a adiar o momento do diálogo que, mais cedo ou mais tarde, há-de chegar. Entretanto, o nosso país avança com passo decidido em direcção à independência», salientaram.

Na mesma linha, deixaram claro que «uma das partes multiplicou os gestos e as decisões com vista a uma solução para o conflito; no outro lado, estão as autoridades políticas e judiciais espanholas e francesas, que insistem na ofensiva repressiva que as caracterizou ao longo destes anos de confronto».

Iparragirre e Albisu, que em Abril foram designados membros do grupo de interlocução do Colectivo de Presos Políticos Bascos (EPPK), criticaram a oposição ao diálogo de ambos os governos e lembraram que «uma delegação da ETA espera há meses para se reunir com os representantes dos estados espanhol e francês, para falar das vítimas causadas pelo conflito e assumir a responsabilidade de cada uma das partes», segundo divulga a agência AFP.

Referiram ainda que «há que falar de desarmamento, de desmilitarização e de presos para fechar definitivamente a ferida».

Na sua análise dos acontecimentos, Albisu e Iparragirre afirmaram que desde o julgamento em primeira instância, em Novembro de 2010, em que ambos foram condenados a penas de 20 anos de prisão, se registaram em Euskal Herria «mudanças de grande importância e portadoras de esperança», que criaram «um novo cenário, onde o diálogo e a negociação são possíveis, para alcançar uma solução pacífica e democrática para o conflito».

Lembraram também que a ETA declarou o fim definitivo da sua actividade armada «depois de um debate difícil e continuamente torpedeado tanto pela máquina repressiva espanhola como pela francesa».

A agenda dos presos e as vítimas
«Há mais de três anos que a ETA não empreende acções armadas e há mais de um ano que o fim da luta armada é definitivo», salientaram, para insistir que, «apesar da oposição a qualquer diálogo por parte dos governos francês e espanhol, a ETA se mostrou disposta a abordar a questão do desarmamento, bem como as consequências do conflito: a agenda dos prisioneiros e das vítimas».

No entanto, criticaram, as polícias francesa e espanhola continuaram, depois de 20 de Outubro de 2011, a prender cidadãos bascos, «que ainda são torturados». E a situação dos presos «continuou a agravar-se e os apelos ao diálogo ficaram sem resposta».

«Para acabar com o conflito, cada um tem de cumprir a sua parte»
Na mensagem, lida em francês, mostram-se convencidos de que será a sociedade a conseguir «tirar o [nosso] país do estado em que se encontra», e fá-lo-á «democraticamente, quando puder falar com total liberdade e a sua palavra for respeitada por todos».

Albisu e Iparragirre afirmaram que «França tem uma grande responsabilidade no futuro e pode recorrer a todo o seu poder para solucionar o conflito ou continuar a dar cobertura aos engodos antidemocráticos do Estado espanhol».

«Para acabar com um conflito armado que durou mais de 50 anos, é preciso que cada um cumpra a sua parte», disseram no final da declaração.

Por seu lado, o magistrado do Ministério Público, Jean-François Ricard, respondeu-lhes que estava à espera desta declaração, já antes anunciada pelos advogados de ambos, «algo importante» mas, segundo disse, trata-se das «mesmas reivindicações e da mesma posição», informa a Efe. / Fonte: naiz.info

«Mikel Antzak dio "konponbide justu eta demokratikoa lortzeko aukera historikoa" dagoela» (Berria)

«Des prisonniers d'ETA plaident pour une rencontre avec les États», de Carole SUHAS (Lejpb)