quarta-feira, 15 de abril de 2009

A justiça: o caso de Joxean Barandiaran


A AN absolve o ex-autarca de Andoain, depois de meio ano na prisão

O juiz da Audiência Nacional Ismael Moreno decretou o arquivamento provisório da causa aberta neste tribunal contra Joxean Barandiaran, ex-autarca de Andoain encarcerado depois de ser acusado de “colaboração com organização armada”, em 2008. Moreno decretou o arquivamento a instâncias do Ministério Público, que não observa “indícios de infracção penal”.

Barandiaran foi preso pela Guarda Civil em Maio de 2008, e, depois de cumprir o período máximo do regime de incomunicação policial – cinco dias – e comparecer na Audiência Nacional, foi enviado para a prisão acusado de um delito de “colaboração com organização armada”, depois de uma suposta reunião com membros da ETA. Em Outubro do ano passado, aquele que fora autarca de Andoain em representação do Euskal Herritarrok recuperou a liberdade, depois de familiares terem pago uma fiança de 12 000 euros.

A sua detenção ocorreu um dia depois da operação conjunta levada a cabo pela Polícia francesa e pela Guarda Civil, em Bordéus, na qual foram detidos, em Maio do ano passado, Xabier López Peña, Ainhoa Ozaeta, Jon Salaberria e Igor Suberbiola, que a Polícia considerava fazerem parte do “aparelho político da ETA”.

Na altura, Ismael Moreno acusava Barandiaran de ter mantido um encontro com Ozaeta e López Peña na localidade francesa de Arcachon, a 18 de Maio, respondendo a uma convite que lhe teria sido comunicado pela sua conterrânea Ainhoa Ozaeta. O documento que justificava o encarceramento acrescentava que Barandiaran reconheceu ter-se reunido com a sua antiga companheira de vereação e que não sabia quem era o homem que a acompanhava.

«Trabalho teórico»
A resolução judicial, além de fazer uma passagem pelas responsabilidades políticas e institucionais ostentadas por Joxean Barandiaran ao longo da sua vida, também inclui a suposta finalidade que as FSE atribuem à citada reunião: uma proposta para a elaboração “de um trabalho a nível teórico sobre o ‘sistema político de um Estado basco’”. Tudo isso era reforçado pelo magistrado do tribunal de excepção pela menção ao material que os agentes da Guarda Civil tinham apreendido na casa do habitante de Andoain, pela alusão ao resultado das vigilâncias e seguimentos efectuados pela Polícia, às medidas que segurança e mesmo uma contra-senha que Barandiaran teria utilizado para levar a cabo o encontro com membros da ETA – o que conduzia à existência de “indícios racionais de criminalidade”.

A operação policial centrada em Bordéus e prosseguida em Andoain teve uma enorme repercussão mediática. A TVE chegou a interromper a sua programação habitual para anunciar as detenções, meia hora antes, de quatro supostos militantes da ETA em Bordéus.

O.L.
Notícia completa: Gara