sexta-feira, 30 de abril de 2010

Comentário político na Infozazpi Irratia


Iñaki Soto na Info7
http://www.info7.com/2010/04/29/comentario-politico-inaki-soto-18/

Iñaki Soto, jornalista do Gara, aborda a polémica criada na sequência da libertação de Rafa Díez Usabiaga. Aborda também temas importantes como o jornalismo, os direitos civis e políticos, a Declaração de Iruñea e a de Bruxelas ou o julgamento da Udalbiltza.

Ezker Abertzalea: conferência de imprensa em Iruñea


«A esquerda abertzale dá mais valor à resposta social que aos partidos», de Ramón SOLA
"A esquerda abertzale realça que a activação social é a chave do processo democrático «que já está em marcha» e coloca este factor acima das posições dos partidos. Foi isso que Xanti Kiroga, acompanhado por Tasio Erkizia, Amparo Lasheras e Mariné Pueyo, afirmou ontem em Iruñea, numa conferência de imprensa destinada a encorajar a participação nos actos do 1.º de Maio, salientando que o documento «Zutik Euskal Herria» foi bem recebido pela sociedade e mostrando-se optimista quanto ao seu desenvolvimento. Tasio Erkizia acrescentou que «toda a sociedade de Euskal Herria necessita deste processo» e disse que o PSOE só procura criar divisões.

Sugestão de leituras

«Carta abierta de Martxelo Otamendi, ex director del periódico en lengua vasca Egunkaria»


«Udalbiltza, en perspectiva», de Eli LABURU e Gema MENDIETA, ex-autarcas de Astigarraga e de Aulesti, respectivamente (subscrevem também este artigo os ex-autarcas de Altsasu e Arrasate, Camino Mendiluze e Xabier Zubizarreta)
"Não se trata apenas de justiça e solidariedade (a qualquer vereador participante poderia ter calhado a sorte de viver este drama). Trata-se de respeito por esta instituição, pelos nossos autarcas e vereadores"

«El hombre del saco», de Koldo CAMPOS


«Paladas de tierra y acuerdos parlamentarios», de Jose Mari ESPARZA ZABALEGI
"Se a memória histórica deve servir à esquerda espanhola para alguma coisa, é para aprender e não cair, agora, nos mesmos erros que ela denuncia no passado. Por um lado, parece que acabam de descobrir as vítimas de 36 e protestam pelo 'esquecimento' a que foram submetidas durante 70 anos, obviando que durante os últimos 30 foi precisamente a esquerda espanhola que tornou possível esse esquecimento, muito mais cruel e incompreensível que o exercido pela direita. 'Foi por culpa da Transição', dizem agora, dando razão a quem anda há três décadas a denunciar aquele arranjo sujo com os franquistas."

«O sea que era esto», de Jon ODRIOZOLA
"Será que vão ensinar marxismo aos nossos rebentos como furibundos sociatas [socialistas] que professam ser? Será que estes sociolistos lhes vão explicar o que é a luta de classes? Vão-lhes falar de explorados e exploradores?"

«Cernuda se ha puesto frenética», de Maite SOROA [Um fartote!]

A Udalbiltza, associação de eleitos criada em 1999, foi ilegalizada há sete anos


Foi há sete anos que a Udalbiltza foi ilegalizada em Hego Euskal Herria [País Basco Sul] pela justiça espanhola e pelo juíz Baltasar Garzón. A Udalbiltza é uma associação de eleitos que tem por missão juntar os eleitos do País Basco Norte e Sul. Qualificada pelos seus promotores como «instituição nacional», foi criada em 1999 no Palácio Euskalduna, em Bilbo, onde mais de 1800 representantes eleitos dos sete territórios de Euskal Herria e de todas as tendências políticas abertzales se reuniram.

Ontem, vários eleitos de Ipar Euskal Herria, entre os quais Ruben Gomez, autarca de Liginaga-Astüe, Maité Etxeverria, vereadora de Ozaze-Zühara, e os eleitos Thérèse Halsouet (Urruña), Luxi Oxandabaratz (Gamarte) e Battit Amestoy (Uztaritze), fizeram questão de abordar a situação e de reafirmar o seu apoio. Sete anos após a ilegalização, houve concentrações em frente a diversas Câmaras Municipais. A justiça espanhola, por intermédio do juiz B. Garzón, baseou-se num alegado vínculo «social e financeiro» entre a Udalbiltza e a ETA para levar a cabo esta ilegalização. E, sete anos depois, vinte e dois membros ou assalariados desta instituição estão ainda indiciados e à espera de julgamento, sem data marcada.

As penas pedidas oscilam entre os dez e os quinze anos de prisão para cada um. Os eleitos recordaram quais eram os objectivos da Udalbiltza: a reivindicação de Euskal Herria como nação, a contribuição para a construção da estrutura política de Euskal Herria, num espaço comum, o trabalho em prol da construção nacional, o desenvolvimento das relações entre todas as autarquias, e a reivindicação do País Basco como nação própria e diferenciada a nível internacional.

400 000 euros para Zuberoa
Em Ipar Euskal Herria, a Udalbiltza contribuía na ajuda às ikastolas, à Udaleku, Arrapitz e à Euskal Irratiak. Foi criado um fundo de apoio ao desenvolvimento para o herrialde de Zuberoa no valor de 400 000 euros, hoje confiscados pela justiça espanhola.
Xarlo Etxezaharreta, preso em Setembro de 2003, faz parte dos 22 processados neste caso. Passou seis meses na prisão, tendo saído depois de ter pago uma caução de 70 000 euros. Quando foi detido, era vereador em Hazparne. «Se a Udalbiltza é terrorista, por que é que foi sempre declarada e autorizada no Estado francês? O postulado da justiça espanhola é que Udalbiltza tem objectivos políticos, a ETA também, e, dessa forma, somos terroristas. É uma argumentação que nos pode levar muito longe! O argumento do financiamento é difícil de aprofundar, já que a Udalbiltza foi financiada por instituições. Mas nós somos incómodos, a partir do momento em que mostremos vontade de tomar os nossos assuntos nas nossas mãos e deixemos Madrid ou Paris de lado. Não existe crime, não há financiamento oculto. Foi a mesma coisa com o Egunkaria ou os partidos políticos. Agora, parece que o céu está a clarear, o que poderia possibilitar o equilíbrio. Que Madrid ponha fim aos processos!», afirmou X. Etxezaharreta. Hoje, a Udalbiltza encontra-se dividida, uma outra associação, a Udalbide, também reúne municípios bascos. No nosso jornal, o dirigente do PNV Joseba Egibar afirmava «que, quando a luta armada foi retomada (aludindo ao fim do cessar-fogo da ETA em 2000), tudo tinha sido deitado por terra.» Para a Udalbiltza, «os mecanismos entre partidos são uma coisa, as relações entre eleitos são outra.»

Béatrice MOLLE
Fonte: le_journal_Pays_Basque-EHko_kazeta

Presos políticos bascos


Oihana Garmendia, presa política santurtziarra, foi hospitalizada de urgência
A santurtziarra Oihana Garmendia, reclusa na prisão francesa de Fleury, teve de ser levada para um hospital. De acordo com informações avançadas pela família à Etxerat, uma presa social cuja cela fica próxima da de Oihana ateou fogo à sua cela. A demora em retirar as presas do local podia ter provocado uma tragédia. Oihana deu entrada no hospital por ter inalado fumo e por ter várias fracturas nos pulsos, causadas pelos murros que deu na porta para que a retirassem dali.
Fonte: etxerat.info

Entrevista a Ibai Azkona: «Querem infligir dor aos jovens bascos comprometidos e é por isso que nos querem meter na prisão»


Ibai Azkonari elkarrizketa from Apurtu Telebista on Vimeo.

Ibai Azkona vai ser encarcerado na segunda-feira para cumprir um ano de prisão, isto quando, no Estado espanhol, o normal é não aplicar prisão efectiva em casos de condenações inferiores a dois anos e dois meses de prisão. Ontem houve concentração solidária e, naturalmente, de protesto no bairro de Iturrama, em Iruñea. (Entrevista em euskara.)
Fonte: apurtu.org

O oreretarra Inaki Gracia, em liberdade
O preso político de Orereta Iñaki Gracia foi posto em liberdade, depois de a Audiência Nacional espanhola ter considerado que este já tinha cumprido a pena por pertença a grupo armado no Estado francês.
Gracia foi detido pela Polícia francesa a 15 de Setembro de 2000, sendo posteriormente condenado a dez anos de cadeia e proibido de residir em território francês. Em 2008, foi expulso para o Estado espanhol. Ao longo destes anos, passou pelas prisões de Fresnes, Boys d’Arcy, Fleury, La Santé, Lannemezan, Soto del Real e Puerto I.
Fonte: askatu.org

Plataforma contra o TGV anuncia programa para 8 de Maio

Ontem, a plataforma AHT Gelditu! Elkarlana deu uma conferência de imprensa em Iruñea para dar a conhecer os detalhes da jornada contra o TGV, prevista para dia 8 de Maio em Zizur Nagusia (Nafarroa). (Gara / Lander Arroiabe/Argazki Press)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A Esquerda Abertzale, em marcha: duas entrevistas


Entrevista a Txelui Moreno em apurtu.org
http://www.apurtu.org/?q=node/1293

Txelui Moreno aborda a Declaração de Iruñea e anuncia que se «está a trabalhar bem», mas que a chave para que o Processo siga em frente e dê os seus frutos é a «activação social».

Entrevista a Tasio Erkizia na Infozazpi Irratia
http://www.info7.com/2010/04/28/tasio-erkizia-9/

O histórico militante abertzale Tasio Erkizia salientou o facto de se perceberem pequenas mudanças de atitude nas forças políticas face às iniciativas da esquerda abertzale, mas criticando a persistência da estratégia de «silenciamento» e «até de desprezo» das suas propostas, no caso do PSOE, ou a de «desperdiçar oportunidades», no do PNV.
Aborda ainda a consulta recente realizada na Catalunya, onde esteve presente na qualidade de observador internacional.

A Procuradoria da Audiência Nacional recorre da libertação de Rafa Díez


A Procuradoria da Audiência Nacional espanhola recorreu da libertação sob fiança de 30 000 euros de Rafa Díez, que abandonou a prisão na segunda-feira com estritas limitações para exercer a actividade política.

O magistrado Vicente Mota apresentou ontem um recurso de apelação face à libertação de Rafa Díez, decretada pelo do juiz Baltasar Garzón na segunda-feira passada, sob fiança de 30 000 euros e com enormes restrições para participar na vida política.

Mota esgrime que a circunstância humanitária alegada pelo ex-secretário-geral do LAB para reclamar a libertação - cuidar de um familiar directo - «foi criada artificialmente com o fim de escapar a uma medida cautelar necessária», e que as razões pelas quais foi encarcerado persistem.

O magistrado defende que «por razões de igualdade processual» com os restantes imputados na causa «não devem ser suavizadas sem justificação suficiente» as medidas cautelares impostas a Rafa Díez.

«Está cá fora com os seus direitos limitados de forma injusta»
A secretária-geral do LAB, Ainhoa Etxaide, lembrou que Díez, «tal como tantos outros militantes da esquerda abertzale, foi encarcerado por uma decisão política», e que a sua libertação se verificou «com os seus direitos limitados de forma injusta».
«Não parece que as condições em que saiu, com os seus direitos civis e políticos restringidos, sejam condições que nos possam deixar dizer que está em Euskal Herria em liberdade», afirmou em Iruñea.
Etxaide denunciou «o objectivo político de limitar a contribuição de militantes como Rafa Díez, com tudo aquilo que sabem e podem fazer para resolver os problemas que este país tem».

O ex-secretário-geral do sindicato abertzale foi preso a 13 de Outubro último na sede do LAB de Donostia, em Igara, juntamente com Arnaldo Otegi, Rufi Etxeberria, Sonia Jacinto e Arkaitz Rodríguez, numa operação ordenada pelo juiz Baltasar Garzón na qual também detidos Txelui Moreno, Amaia Esnal, Miren Zabaleta, Mañel Serra e Ainara Oiz.
Três dias depois o juiz Garzón deu ordem de prisão a Díez, Otegi, Zabaleta, Jacinto e Rodríguez, por tomarem iniciativas políticas ou sindicais a favor da solução para o conflito e da união de forças soberanistas.
Fonte: Gara

Na direcção oposta, apoio à Declaração de Bruxelas
Na sequência da iniciativa da esquerda abertzale: «50 novas assinaturas reflectem o apoio social à Declaração de Bruxelas», de Janire ARRONDO
"Pessoas conhecidas em diversas áreas, entre as quais jornalistas, escultores, juízes, escritores e empresários, manifestaram a sua adesão à Declaração de Bruxelas, subscrita por 20 líderes internacionais. A iniciativa partiu da Lokarri. Aitziber Blanco, membro do colectivo, salientou na apresentação que estes signatários desejam «que se concretize a oportunidade criada para alcançar a paz» e que «não querem ver frustrada uma nova oportunidade»."

Pelo direito a viver e a construir Euskal Herria em euskara


1600 adesões à manifestação de 15 de Maio em Iruñea pelo direito a viver em euskara
A manifestação convocada para o próximo dia 15 de Maio em Iruñea com o lema «Nafarroan euskaraz bizitzeko eskubidea» [Direito a viver em euskara em Nafarroa] conta já com mais de 1600 apoios. Isto foi comunicado ontem pelo secretário-geral do Kontseilua, Paul Bilbao, que deu uma conferência de imprensa na capital navarra acompanhado por cerca de vinte pessoas conhecidas nos âmbitos cultural, social e desportivo de Nafarroa.
A manifestação foi inicialmente convocada pelo Kontseilua e cerca de 80 euskaltzales, e desde então centenas de pessoas têm aderido à convocatória através do blog: www.blogak.com/maiatzak15.
O secretário-geral do Kontseilua lembrou a «grave situação» que a língua autóctone em Nafarroa vive, o que se fica a dever ao facto de «a política linguística do Governo estar orientada contra o euskara e de os entraves e cortes serem cada vez maiores».
Face a isso, apontou a «necessidade de activar os cidadãos» e de dar uma resposta capaz de superar a actual situação e para poder avançar na normalização do euskara.
Notícia completa: Gara

A EHE vai celebrar em Etxarri o Euskaraz Bizi Eguna 2010 neste domingo
A plataforma Euskal Herrian Euskaraz vai celebrar no domingo em Etxarri-Aranatz o Euskaraz Bizi Eguna 2010, com o lema «Euskal Herrian euskaraz bizi! Euskal Herri euskalduna eraiki!» [Viver em euskara em Euskal Herria! Construir uma Euskal Herria euskaldun!]. Embora a programação do acto já fosse conhecida, ontem a festa reivindicativa foi apresentada aos habitantes da localidade navarra, tendo os membros da EHE Unai Larreategi e Igone Lamarain convidado toda a sociedade basca a participar. No dia 2 de Maio «irão demostrar» que existe uma Euskal Herria que «vive em euskara em todos os domínios».
Realizou-se ainda uma assembleia convocada pela EHE de Etxarri-Aranatz, na qual analisaram «os desafios a superar para construir um povo euskaldun» tanto em Sakana como em toda Euskal Herria. Esta não foi a única reunião levada a cabo pela EHE. Ao longo das últimas semanas também se reuniram em Gasteiz, Murgia (Araba), Burlata, Tafalla ou Altsasu (Nafarroa).
Fonte: Gara

Euskaraz Bizi Eguna 2010 abestia - canção do evento, por músicos euskaltzales de Sakana (Nafarroa)

Apoio à Udalbiltza por parte da recém-criada Rede Mundial para os Direitos dos Povos


Na segunda-feira apresentou-se em Girona a Rede Mundial para os Direitos Colectivos dos Povos, com o objectivo de promover a voz dos povos como instrumento para os desafios que o século XXI apresenta. De Euskal Herria deslocaram-se ali Oier Imaz, em representação da Askapena, e Lander Etxebarria e Expe Iriarte, da Udalbiltza.
«Tivemos a oportunidade de explicar a experiência da Udalbiltza», afirmou Lander Etxebarria depois deste encontro em Girona. «A Udalbiltza foi criada como uma fórmula eficaz para avançar na consecução da autodeterminação em Euskal Herria», recordou, aludindo aos objectivos da rede.

Nas vésperas do julgamento que terá de enfrentar, também realçaram a repressão que sofreram por levar este trabalho avante. «Partilhar as experiências vividas em diferentes povos do mundo permite uma aprendizagem mútua», opinou Lander Etxebarria, embora «cada qual tenha que fazer o seu próprio caminho».
Neste sentido, além de dar a conhecer ao resto do mundo a experiência da Udalbiltza e denunciar o processo pendente, afirmaram que «foi bastante gratificante» ser testemunha da forma como a sociedade catalã se mobilizou na consulta levada a cabo em 200 municípios.

Da parte da Askapena fazem uma apreciação «muito positiva» desta via. Os participantes bascos matizam em todo o caso que «o propósito das jornadas sobre a Rede Mundial para os Direitos Colectivos dos Povos não foi o de retirar conclusões», mas oferecer «uma nova ferramenta a todos os povos que participaram, para dar um novo passo neste caminho».
Fonte: Gara

euskalherrian.info - novo espaço informativo sobre o País Basco


Zer ari da gertatzen Euskal Herrian? / O que é que se passa em Euskal Herria?
A resposta a esta questão pode ser encontrada neste novo site: http://www.euskalherrian.info/

«Gure berriak!»

Presos políticos bascos


O preso Joseba Fernández está há 23 dias em greve de fome
Joseba Fernández está há 23 dias em greve de fome em Poitiers, prisão na qual, para além de ser o único preso político basco, se encontra em situação de isolamento desde que foi encarcerado. Foi precisamente para pedir que se ponha fim a esta situação que Joseba Fernández iniciou a greve de fome.
O Movimento pró-Amnistia manifestou a sua solidariedade com o jovem iruindarra, denunciado a política de isolamento. «Procura afastar o preso do seu meio, dificultar a comunicação e actuar sobre a pessoa. O isolamento é um passo mais na política de dispersão», referiram.
Fonte: Gara

Detêm um jovem em Bakio, alegadamente ligado a Alberto Marín
A Ertzaintza deteve ontem em Bakio (Bizkaia), por volta das 19h, o bilbaíno G.A.B.U., de 29 anos, que acusa de suposta ligação a acções de kale borroka. Ligam esta detenção à de Alberto Marín, que permaneceu nove dias em regime de incomunicação, desde que foi detido, no dia 20 de Abril. Depois de, na sexta-feira, ter sido presente a um juiz e encarcerado, Marín Etxebarria manteve-se em situação de incomunicação até ontem, segundo informou o Movimento pró-Amnistia. Para além disso, referiram que, no âmbito desta operação, a Polícia autonómica tentou prender duas pessoas em Bilbau na segunda-feira, além de efectuar novas buscas.
Fonte: Gara

Eihar Egaña em liberdade
Eihar Egaña saiu na terça-feira à tarde de Alcalá-Meco, depois de pagar a fiança de 6000 euros decretada pela Audiência Nacional espanhola.
Egaña foi preso no dia 24 de Novembro do ano passado pela Polícia espanhola, no âmbito de uma operação conjunta com a Guarda Civil contra a juventude independentista. Ao todo, foram presos 35 jovens - um deles na Audiência Nacional -, acusados de ser membros da Segi, tendo sido efectuada uma centena de buscas.
O juiz Fernando Grande-Marlaska deu ordem de prisão a 31 jovens. A maioria denunciou ter sido submetida a tortura.
Fonte: Gara

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Comentário político na Infozazpi Irratia



http://www.info7.com/2010/04/26/comentario-politico-inaki-altuna-8/

Iñaki Altuna analisa as reacções ao documento apresentado no último sábado em Iruñea pela esquerda abertzale.

A Esquerda Abertzale, em marcha

«Depois das conclusões, o caminho e os passos. A Esquerda Abertzale, em marcha»

euskaltube.com bideoak Izenburua: Tras las conclusiones, el camino y los pasos. La Izquierda Abertzale, en marcha Erabiltzailea: ezkerabertzalea
Leitura, na íntegra e em castelhano, do documento apresentado pela esquerda abertzale em Iruñea no sábado passado.

Sugestão de leituras

«El plumero», de Gloria REKARTE
"Já o sabemos desde os tempos da escola e é daquelas coisas que nunca mais esquecemos. Rubalcaba também não: a ordem dos factores não altera o produto. Primeiro deter, depois acusar, mais tarde encontrar até as provas que não há e finalmente procurar as que nem assim apareceram."

«Migrantes y militantes», de Jesus VALENCIA
"Para repudiar a xenofobia e o racismo, realizou-se uma marcha entre Hendaia e Irun a que eu chamaria da estrangeiridade; a marcha evidenciou que todos os bascos são forasteiros numa das margens do Bidasoa e que os migrantes o são em ambas."

«Educación y adoctrinamiento», de José Luis ORELLA UNZUÉ
"A violência da resposta não é a mesma coisa que o terrorismo de estado, algo que já os escolásticos sabiam"

«Por nuestros muertos en Gernika», de Cesar ARRONDO
"Devemos pôr fim à nossa indiferença e falta de compromisso com o país, que se resume à perda desses gestos solidários e de entrega que os nossos antepassados mostraram há 73 anos"

A DyJ não vai recorrer da sentença do «Egunkaria», e parece que a AVT também não


A Dignidad y Justicia confirmou na segunda-feira que não irá recorrer da absolvição decretada pela Audiência Nacional espanhola no caso Egunkaria, e tudo aponta para que a AVT faça o mesmo, de acordo com a informação avançada pelo diário El Mundo, também na segunda-feira. Caso isto se verifique, a sentença será considerada firme.

De acordo com o diário espanhol, o prazo para anunciar o recurso de cassação vencia no dia 26. Contudo, Iñaki Uria, um dos arguidos no caso, pedia «prudência», tendo em conta que a notificação da sentença absolutória foi recebida na sexta-feira passada e que o prazo para apresentar um possível recurso no Supremo Tribunal só começa a partir dessa data. «Seria uma boa notícia, mas, hoje em dia, até que o prazo termine de facto, não penso que possamos atirar foguetes», sublinhou Uria.

Em relação ao acto de agradecimento organizado pelos directivos do Egunkaria no domingo, o presidente do PNV, Iñigo Urkullu, criticou a ausência de Lakua e do PP e da UPyD. Em declarações publicadas no seu blog, manifesta também o seu «total desacordo» com as manifestações do lehendakari, a quem atirou que «não é verdade que o sistema judicial tenha funcionado bem».
Fonte: Gara

Presos políticos bascos


Acosso da Guarda Civil numa visita à prisão de A Lama
Agentes da Guarda Civil mandaram parar três vezes duas furgonetas em que iam cidadãos bascos de visita aos presos políticos encarcerados na prisão de A Lama, segundo fez saber o Movimento pró-Amnistia em nota de imprensa.
A situação ocorreu no sábado passado, sendo que o primeiro controlo se verificou à entrada da prisão. As duas furgonetas foram retidas pelos agentes da instituição armada, que pediram os documentos dos veículos e a identificação dos condutores.
Uma vez terminadas todas as visitas e quando as duas furgonetas já faziam o caminho de regresso a Euskal Herria, foram retidas pela segunda vez. A Guarda Civil mandou parar as viaturas na via rápida de Zamora e voltou a requisitar a documentação de ambas. Ao mesmo tempo, pediram os bilhetes de identidade a todos os ocupantes dos veículos, sendo que aqueles que se encontravam num deles se viram forçados a sair. Os militares inspeccionaram-nos a todos e, segundo afirmaram, estiveram retidos durante uma hora.
Os mesmos agentes
Mais tarde, dois carros da Guarda Civil voltaram a aparecer com as luzes acesas e obrigaram-nos a parar num posto de abastecimento. Segundo referiram, tratava-se dos mesmos agentes que os tinham retido no segundo controlo, que acontecera apenas dez minutos antes.
Segundo parece, os militares disseram-lhes que uma das pessoas que viajavam na furgoneta estava relacionada com a ETA. Depois de os obrigarem a estar ali parados durante 45 minutos, deixaram-nos seguir, dizendo que tudo se tinha esclarecido.
A Etxerat e o Movimento pró-Amnistia denunciaram por diversas vezes o acosso a que os familiares e amigos dos presos políticos bascos são submetidos quando vão às visitas.
Fonte: Gara

Dão ordem de prisão a Ibai Azkona, para cumprir um ano
Um juiz espanhol ordenou que o jovem Ibai Azkona, do bairro iruindarra de Iturrama, seja de novo encarcerado para cumprir a pena de um ano de prisão a que foi condenado pela Audiência Nacional espanhola, depois de ter sido recentemente julgado por uma acção de kale borroka.
A acusação pediu cinco anos de prisão, mas Ibai foi condenado a um ano e, normalmente, não costuma haver encarceramento quando as penas são inferiores a dois anos e dois meses. No entanto, e como já se verificou noutras ocasiões, o juiz da Audiência Nacional decidiu que Ibai Azkona deve ser encarcerado para completar o tempo da pena que lhe falta cumprir (convém lembrar que o jovem esteve em situação de prisão preventiva durante vários meses). E fê-lo com base num relatório do Procurador no qual o jovem é apontado como «perigoso».
Protestos em Iturrama
Em Iturrama esta decisão judicial é encarada como mais uma agressão contra um bairro já fustigado pela repressão, que nos últimos anos atacou em força a juventude comprometida. Por isso, na próxima quinta-feira haverá uma concentração especial às 20h na rotunda Eskirotz.
Pelo direito a estudar
Cerca de vinte estudantes mobilizaram-se ontem no campus de Gasteiz para exigir que se respeite o direito dos presos políticos bascos a estudar. Para hoje também estão previstas mobilizações na UPNA; no campus de Leioa, às 11h30; e, às 14h, à entrada da Escola de Engenharia de Bilbau.
Ressaltaram que irão continuar a pedir aos responsáveis da Educação que efectuem todos os esforços necessários para que os presos políticos bascos possam estudar em euskara nas universidades que eles mesmos escolham.
Fonte: apurtu.org e Gara

A Etxerat publicou um dossier em que se analisa a política de dispersão
Nota de apresentação: «A constante violação de direitos gerada pela dispersão»
"A dispersão consiste em afastar os nossos familiares, presos políticos bascos, encarcerando-os em diversas prisões, bem como em distintas secções de uma mesma prisão. Na verdade, o objectivo da dispersão é o de acabar com o Colectivo formado pelos nossos familiares, presos políticos bascos.
Para além de lhes verem ser aplicada a política de dispersão, têm de suportar as mais duras condições de vida, encerrados durante 20-22 horas em celas escuras e húmidas, sujeitos a todo o tipo de proibições, restrições ou controles. Todas estas medidas têm consequências graves e irreversíveis para os nossos familiares, presos políticos bascos: morte, doenças do foro psíquico e físico.
Também para os seus familiares e amigos. Mortes, graves sequelas físicas e sangria económica, e tudo por serem obrigados a fazer milhares de quilómetros todas as semanas."

Dossier sobre a política de dispersão


Fonte: etxerat.info

terça-feira, 27 de abril de 2010

Rafa Díez, em liberdade, depois de pagar 30 000 euros de fiança


Rafa Díez saiu em liberdade ontem à tarde, depois de pagar a fiança de 30 000 euros decretada pela Audiência Nacional espanhola, segundo confirmou o LAB. O juiz Baltasar Garzón decidiu impor-lhe restrições à participação na política, tal como tinha feito com os dirigentes independentistas que saíram em liberdade nas últimas semanas. Para além disso, Rafa Díez é obrigado a apresentar-se semanalmente no tribunal e ficou privado de passaporte, de acordo com a agência Europa Press.

Uma delegação do LAB, liderada pela secretária-geral, Ainhoa Etxaide, aguardava-o à saída da prisão madrilena de Estremera, para depois fazer com ele a viagem de regresso a Euskal Herria. Numerosos meios de comunicação também acorreram ao local.
O ex-secretário-geral do sindicato abertzale foi detido no dia 13 de Outubro na sede do LAB em Donostia, em Igara, juntamente com Arnaldo Otegi, Rufi Etxeberria, Sonia Jacinto e Arkaitz Rodríguez, no âmbito de uma operação ordenada pelo juiz Baltasar Garzón na qual também foram presos Txelui Moreno, Amaia Esnal, Miren Zabaleta, Mañel Serra e Ainara Oiz.
Três dias depois, o juiz Garzón deu ordem de prisão a Díez, Otegi, Zabaleta, Jacinto e Rodríguez, por tomarem iniciativas políticas ou sindicais a favor da solução para o conflito e da união das forças soberanistas.
Fonte: Gara

Alberto Saavedra, em liberdade, depois de ser expulso do Estado francês
Nas últimas duas semanas, tendo em conta que estava à beira de terminar o cumprimento da pena a que fora condenado no Estado francês, o basauritarra manteve uma greve de fome contra o risco de entrega às autoridades espanholas. Tal veio de facto a verificar-se ontem, com o preso político basco a ser entregue na fronteira de La Junquera. No entanto, pôde seguir em liberdade.
Fonte: askatu.org

O Olhar de Tasio

Gara

73.º aniversário do bombardeamento de Gernika


Gernika * E.H.
Segunda-feira, 26 de Abril de 1937, a Legião Condor nazi lança toda a sua fúria assassina e destruidora sobre a vila de Gernika, cumprindo ordens do alto comando fascista espanhol.
Actos evocativos
Ontem, às 15h45 havia toques de sirene no Pasealeku e depois, a partir das 16h30, uma oferenda floral às vítimas no cemitério de Zallo.
No programa de actos da jornada evocativa incluía-se ainda uma manifestação silenciosa com velas pelo núcleo urbano da Vila, com início previsto para as 21h.
Fonte: SareAntifaxista

Ver também:
Polémica sobre a «transição» espanhola: «Quiroga acusa as vítimas do franquismo de ter ódio», de R.S.
"Arantza Quiroga foi uma das dirigentes institucionais que ontem participaram na homenagem oficial anual às vítimas do bombardeamento de Gernika. Mas horas antes, em Madrid, deixou claro o seu apoio à impunidade dos atacantes. Num pequeno-almoço em que participou na qualidade de presidente do Parlamento de Gasteiz, afirmou que quem reclama justiça por aqueles acontecimentos «procura transmitir os seus ódios» e que, «com a Guerra Civil, alguns se estão a exceder».

O Museu de Gernika exibe 25 peças de Oteiza inspiradas no bombardeamento
A exposição, intitulada «La Gernika de Jorge Oteiza», reúne 25 peças realizadas pelo escultor oriotarra entre 1942 e 1987, inspiradas no bombardeamento da vila pela Legião Condor alemã e pela aviação italiana e no quadro «Guernica», de Pablo Picasso.
A mostra reúne medalhas comemorativas, relevos e desenhos feitos em bronze, estuque ou tela centrados na vila de Gernika, como «referência simbólica da cultura basca», segundo explicou a deputada da Cultura da Bizkaia, Josune Ariztondo, durante a apresentação.

O comissário da mostra, Xabier Sáenz de Gorbea, salientou o facto de «Oteiza sempre ter querido estar presente em Gernika» e acrescentou que «o artista talvez não gostasse da mostra porque o que ele queria era ficar em Gernika, não de forma parcial, durante os três meses da sua duração, mas de forma duradoura e rodeado de outros autores bascos com quem criou ideias e conspirou exercícios éticos de superação».
Lembrou que «Oteiza esteve em Gernika inúmeras vezes e que, inclusive, se deixou fotografar de joelhos junto à Árvore de Gernika, e também fez saber o compromisso do seu posicionamento político, não tendo conseguido, pelo menos em relação a Gernika, que as suas ideias tivessem o eco necessário para culminar algum dos entusiasmantes projectos que propôs».
«A sociedade basca e, sobretudo, as suas instituições de então não estiveram à altura da importância daqueles projectos e não quiseram ou não souberam como transformar as suas acções em algo real e tangível», lamentou.

A exposição faz parte do programa iniciado em 2008 pelo Museo Euskal Herria para dar a conhecer ao público os trabalhos realizados pelos criadores bascos inspirados no bombardeamento que a localidade sofreu há 73 anos, tendo começado pelo escultor Remigio Mendiburu e prosseguido em 2009 com Néstor Basterretxea.
Fonte: Gara

Desaparecimento e morte de Jon Anza: Médicos forenses fazem novos exames ao corpo de Jon Anza


De acordo com a edição de domingo do diário La Depêche du Midi e a Kazeta.info, os exames ao cadáver de Jon Anza foram feitos na quarta-feira passada sob o controlo do juiz de instrução de Toulouse, que tem a investigação a seu cargo desde que a procuradora de Baiona passou o caso para as suas mãos.
Os exames, que foram efectuados a pedido da família, decorreram no Instituto de Medicina Legal de Rangueil, onde o cadáver do militante basco se encontra desde Março último, quando «apareceu» na morgue do Hospital Purpan, na capital occitana.
A família não acredita na versão oficial segundo a qual Anza terá morrido em consequência da doença que sofria, defendendo que se tratou de um caso de guerra suja. Por isso, mantém a determinação em querer saber toda a verdade.
Fonte: Gara

Nafarroaren Eguna


O dia em honra de Nafarroa e dos navarros comemora-se no último domingo de Abril e este ano, mais uma vez, vários milhares de pessoas, vindas de todo o País Basco, rumaram a Baigorri (Nafarroa Beherea) para participar na festa.

Para além da festa em si, da música, da dança, dos bertsos, do almoço e do convívio, esta edição do Nafarroaren Eguna assumiu uma clara defesa do euskara. Por um lado, foi anunciada uma manifestação em defesa do direito dos navarros a viver em euskara, que será organizada pelo Kontseilua e que irá decorrer em Iruñea a 15 de Maio. Pantzoa Irigarai, Antton Luku, Mixel Oronoz, Betti Bidart (membro de um grupo de tocadores gaita), Paskal Indo (o director da confederação de ikastolas Seaska) e Maritxu Lopepe (membro da Euskal Irratiak) anunciaram a convocatória. Por seu lado, em nome do Kontseilua, Oskar Zapata afirmou que «chegou a hora de dizer 'basta'» à estratégia do Governo de Nafarroa relativamente ao euskara. «Somos navarros e queremos viver em euskara», acrescentou.

Para além do mais, havia o desejo de apoiar a ikastola de Lodosa, que se situa no Sul de Nafarroa e corre o risco de encerrar, tendo estado presentes dois encarregados de educação ligados a esta instituição de ensino para dar a conhecer a situação.
Se os bilhetes para a edição deste ano do Nafarroaren Eguna sofreram um aumento de dez cêntimos, foi precisamente para ajudar a ikastola de Lodosa a fazer frente às dificuldades que atravessa e, desta forma, garantir a sua sobrevivência.
Fontes: Gara / Berria / kazeta.info
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Fotos: Nafarroaren Eguna 2010 Baigorrin (nafarroan.com)
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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Solidariedade com Euskal Herria no desfile do 25 de Abril





Ontem, a Associação de Solidariedade com Euskal Herria teve a honra de participar, como vem fazendo há largos anos, no desfile comemorativo da revolução de 25 de Abril de 1974 realizado em Lisboa, na defesa dos valores da liberdade, da independência, da soberania dos povos e do socialismo.
Não podemos deixar de agradecer a presença e o apoio de todos e, não menos importante no actual contexto, de realçar os aplausos, os vivas e as palavras de incentivo de tantas pessoas, algumas das quais se aproximaram de nós para pedir mais informações. Especialmente significativo, o momento em que erguemos a faixa e as ikurriñas que levávamos em frente à Embaixada de Espanha, no meio de uma chuva de aplausos.
Fazemos questão de vincar este apoio e incentivo não porque ele não se tenha manifestado em anos anteriores, mas porque ocorre num contexto em que o lixo verbalizado passou a contrabalançar o silêncio geral na abordagem mediática à dita «questão basca» (que não o é!), deturpando-manipulando da forma mais espúria a informação sobre o que se passa no País Basco e arredores (salvo raras excepções, onde parece que os maus exemplos vindos de fora não colhem) e, nalguns casos, visando denegrir o activismo solidário da ASEH.
Pela nossa parte, a solidariedade continua e reforça-se. Lembramos, mais uma vez e fazemos questão disso, que o País Basco não caminha só!

Depois da última declaração da esquerda «abertzale»: O murmurar da onda basta para derrubar já alguns diques


Já ninguém despreza o potencial do caminho empreendido pela esquerda abertzale, ninguém fala de «mais do mesmo», ninguém sente o chão firme debaixo dos pés

Primeira notícia: a declaração apresentada pela esquerda abertzale em Iruñea libertou ontem uma verdadeira torrente de reacções. Falaram todos, ou seja, todos aqueles que preferiram responder com silêncios depreciativos à Declaração de Altsasu, ao documento «Zutik Euskal Herria» e inclusive a uma Declaração de Bruxelas que reunia os principais líderes das duas partes nos processos de solução sul-africano e irlandês.

Em Iruñea falou-se de erguer uma «onda crescente» a favor da solução para o conflito. Mas bastou o primeiro rumor de fundo para começarem a cair muitos diques dialécticos. Iniciativas como Independentistak, Hamaika Bil Gaitezen, Adierazi ou GaztEHerria acabaram agora mesmo de nascer, em Madrid vão parecer chinês e em Euskal Herria, a muitos, também. Mas já ninguém despreza o potencial do caminho empreendido pela esquerda abertzale. Ninguém fala de «mais do mesmo». Ninguém sente o chão firme debaixo dos pés. Toda a gente intui que efectivamente se pode formar uma onda capaz de arrasar todos os esquemas pré-definidos dos últimos anos. O PSOE corre a reposicionar-se: já não diz que não há nada de novo, mas que não pode fazer nada para ajudar (como se alguém esperasse de gente como Rubalcaba outra coisa que não sejam sabotagens repressivas).

Ao PP já não lhe basta que a ETA possa parar, exige condenações, perdões, inclusive acatamentos da Constituição (e a ver vamos se flagelações públicas). O PNV assume que a esquerda abertzale avança, mas alega que o «comboio da normalização» já estava em marcha antes (será aquele que os atropelou em Lakua?). Declarações que soam pelo menos a improvisação, quando muito a impotência. É que os muros anteriores não servem, foram superados pela realidade.

Hão-de construir novos diques, claro está. Mas serão cada vez menos críveis, tão artificiais como as reacções de ontem. Se esse ruído de fundo se continuar a transformar em onda e a onda em maré, não terão outra hipótese senão apanhá-la ou ficarão a construir molhes sempre incapazes de lidar com o temporal.

Ramón SOLA
Fonte: Gara

Ver também:
«Os partidos deixam de fazer ouvidos moucos à iniciativa da esquerda abertzale», em Gara

Crónicas do acto de agradecimento dos trabalhadores do «Egunkaria» no Palácio Euskalduna, em Bilbau


«O Egunkaria agradece a solidariedade mas alerta para os julgamentos pendentes», de Agustín GOIKOETXEA
"Joan Mari Torrealdai, em nome dos imputados no «caso Egunkaria» e de quem tornou possível o projecto jornalístico euskaldun que a Guarda Civil fechou a 20 de Fevereiro de 2003 por ordem da Audiência Nacional espanhola, agradeceu ontem à sociedade basca e àqueles que os apoiaram na sua luta a solidariedade manifestada. Apesar da sua absolvição recente, chamou a atenção para os julgamentos pendentes, relacionados com o processo económico, e para o «caso Udalbiltza»".

«Os trabalhadores do Egunkaria agradecem o apoio recebido ao longo destes anos num acto em Bilbau»
"Crónica do acto que decorreu hoje [ontem] em Bilbo, no qual os trabalhadores do Egunkaria agradeceram o apoio dos colectivos à sua causa e às que aí vêm" [Fotos da GEHApress - Boltxe]

Sugestão de leituras

«Dupla negação da tortura na nação subordinada», de Tomás URZAINQUI MINA


«A língua cortada, outra história antiga», de Amparo LASHERAS


«Uma leitura contra a luz», de Antonio ALVAREZ-SOLÍS

Presos políticos bascos


Nem a Ertzaintza nem a Audiência Nacional conseguem travar a solidariedade com os presos
Dando provimento a uma queixa efectuada pela associação de extrema-direita Dignidad y Justicia, a Audiência Nacional espanhola decretou no sábado a proibição da marcha Pausoz Pauso que todos os anos percorre a comarca de Urola-Kosta (Gipuzkoa) em solidariedade com os presos políticos bascos e exigindo o respeito pelos seus direitos. A Ertzaintza tentou executar a ordem do tribunal de excepção espanhol ocupando a praça de Azkoitia logo pela manhã com vários destacamentos.
De acordo com o Movimento pró-Amnistia de Urola Kosta, a Polícia autonómica instalou-se na praça de Azkoitia - de onde a marcha iria partir, acabando à tarde em Zarautz – logo de manhã bem cedo, informando os organizadores da marcha que a iniciativa não podia ser concretizada. De passagem, identificaram pelo menos dois jovens de Azpeitia.
Denúncia do caso de Jon Anza
A marcha, que vai já na quinta edição, conta com a adesão de mais de 300 agentes da comarca, além de reunir todos os anos centenas e centenas de pessoas. No ano passado, por exemplo, juntou cerca de 1500 pessoas.
Perante a o veto de Madrid e que Ertzaintza pôs em prática, a iniciativa em solidariedade com os presos políticos bascos mudou-se para o município guipuscoano de Zestoa, onde houve uma enorme almoçarada e diversos actos ao longo do dia.
Por seu lado, em Ororbia, umas 25 pessoas concentraram-se para denunciar o caso de Jon Anza, não sem tensão. Apesar de os tribunais terem revogado a proibição inicialmente decretada pela Delegação do Governo espanhol em Nafarroa, a Guarda Civil fez deslocar para o local sete viaturas. Os agentes procuram impedir a realização da concentração, argumentando novamente que podia levar ao «enaltecimento do terrorismo», precisamente o argumento que o tribunal tinha desconsiderado.
As pessoas mostraram a decisão judicial aos agentes da Guarda Civil, pelo que estes tiveram de desistir dos seus intentos, mas não sem ameaçarem os presentes, caso mostrassem alguma foto de Anza.
Fonte: Gara

Centenas de pessoas exigem em Iruñea o fim da repressão
Poucos dias depois de o bairro iruindarra de Donibane ter recebido o seu jovem habitante Eneko Olza, que passou dez anos na prisão acusado de uma acção de kale borroka, centenas de pessoas juntaram-se no sábado à tarde para denunciar a repressão que se tem abatido sobre o bairro nos últimos tempos e exigir a repatriação dos presos políticos bascos.
A manifestação, que percorreu as ruas do bairro, foi vigiada pela Polícia espanhola, embora tenha decorrido com toda a normalidade. No acto, exibiram-se fotos fotografias dos prisioneiros políticos do bairro e foram evocados diversos episódios repressivos. Entre estes, há a salientar o caso da morte de Ángel Berrueta por um agente da Polícia espanhola e o seu filho, que já se encontram em liberdade.
Prosseguem as inspecções físicas em Alacant
Por outro lado, e tal como relataram ao Gara os seus familiares, o preso político de Basauri Txus Martin continua encarcerado no Estado francês, depois de ter cumprido na íntegra a pena a que fora condenado. Agora terá de enfrentar o processo relacionado com o mandado europeu emitido pela Audiência Nacional.
Referiram ainda que Martin abandonou a greve de fome quando foi hospitalizado, no 23.º dia do seu protesto. Informaram que o alimentaram à força e que foi nessa altura que o puseram a par do processo movido contra ele. Na quinta-feira passada foi levado da prisão de Tarascone, aguardando agora pelo início do processo de entrega.
Relativamente ao que se passa nas prisões espanholas e francesas, a companheira do preso político Endika Abad disse ontem ao Gara que as inspecções com apalpamento continuam a ser efectuadas na prisão de Foncalent, em Alacant. Mais ainda, relatou que uma carcereira a apalpou, por trás, também por baixo do soutien, considerando degradante a forma como foi tratada; «fizeram-me sentir muito mal», reconheceu, afectada, pela forma como a trataram. Queixou-se aos funcionários, que insistiram no facto de que existe uma ordem «interna» para efectuar inspecções.
Por outro lado, em apoio aos presos, 75 pessoas concentraram-se ontem em Altsasu e 20 em Hendaia, no sábado.
Fonte: Gara

A Ahaztuak 1936-1977 denuncia em Gernika «a impunidade dos crimes do regime franquista»


Gernika * E.H.
Com o lema «Inpunitateak baditu milaka aurpegi» [A impunidade tem mil caras] dezenas de pessoas concentraram-se ontem junto à Fonte de Mercúrio, em Gernika (Bizkaia), em resposta à convocatória feita pela associação Ahaztuak 1936-1977 para denunciar a «impunidade para com os crimes do regime franquista».
Fonte: SareAntifaxista

Ver também: «A Ahaztuak denuncia a "impunidade" do regime fascista», em Gara

sábado, 24 de abril de 2010

Faixa de Solidariedade com Euskal Herria no 25 de Abril


Dia da Liberdade e da Solidariedade internacionalista

Independência e Socialismo!

Fascismo nunca mais!

A esquerda «abertzale» pede à ETA e ao Governo espanhol que respondam «de forma construtiva» à Declaração de Bruxelas

Cinco meses depois da Declaração de Altsasu, cerca de 175 pessoas, membros destacados da esquerda abertzale, apresentaram em Iruñea um novo documento que define «os passos que já se estão a dar e que deverão ser dados quanto antes na travessia que o processo democrático representa». Entre eles, destaque para o apelo que é feito tanto à ETA como ao Governo espanhol para que «respondam de forma construtiva» aos desafios colocados pela Declaração de Bruxelas, que qualifica de «ingrediente de primeira ordem».

No texto, que foi lido por Karmele Aierbe e Txelui Moreno, a esquerda abertzale aprofunda a questão da estratégia definida na resolução final do debate e traça de forma concreta e clara o caminho que deve ser trilhado e os passos a dar.

Considera ser «necessário que se verifiquem contactos com vista a estabelecer o diálogo político e a negociação» e insiste que «a libertação nacional e social se deve basear exclusivamente na actividade política».

A este respeito, manifesta uma atitude crítica com o esquema utilizado pelo Governo espanhol e pela ETA face aos desacordos verificados em anteriores processos de negociação, lembrando que a consequente reactivação da repressão e o retomar das acções armadas «não fizeram mais que criar um bloqueio maior». Considera que «esse esquema deve ser superado, e nessa direcção os princípios do senador Mitchell tornam-se o marco de referência».

A conferência vincou a aposta da esquerda abertzale «num processo político pacífico e democrático». Constata que os estados estão a responder a este compromisso com a repressão e o imobilismo para «nos afogar num cenário de bloqueio permanente. É nossa responsabilidade não cair na armadilha e tornar a mudança política irreversível».
Fonte: Gara

«Ondorioetatik, bidea eta urratsak. Ezker Abertzalea, abian»
«Depois das conclusões, o caminho e os passos. A Esquerda Abertzale, em marcha»




Excerto da declaração da Ezker Abertzalea

Iruñea, 24/05/2010

A Adierazi EH! reivindica os direitos civis e políticos nas vésperas do bombardeamento de Gernika


Nas vésperas do bombardeamento de Gernika e num Liceu Antzokia cheio, a plataforma Adierazi EH! reivindicou os direitos civis e políticos. Representantes de distintas iniciativas, comissões e associações defenderam a união de forças nesse caminho.

Uma montagem composta por música, imagem, luz e palavras deu início ao acto em defesa dos direitos civis e políticos organizado pela Adierazi EH!, que abordou os anos mais negros do franquismo, passou pelo ressurgimento do movimento popular e denunciou o recurso à repressão sobre as ideias.

Representantes do Gernika Batzordea, da comissão de festas de Gernika e uma pessoa condenada por se ter recusado a prestar declarações em castelhano testemunharam essa situação.

Também Olatza Duñabeitia, Karmelo Landa, Juan Carlos Goienetxea, Xabier Oleaga e Maribi Ugarteburu, entre outros, subiram ao palco para defender a união de forças em torno dos direitos civis e políticos.
Fonte: Gara

As mostras de solidariedade para com os presos continuam, apesar dos obstáculos


Como acontece todas as sextas-feiras, as mobilizações a favor dos direitos dos perseguidos políticos bascos intensificaram-se em inúmeras localidades, especialmente tendo em conta as greves de fome que os presos biscainhos Alberto Saavedra e Txus Martín Hernando e o navarro Joseba Fernández Aspurz mantêm em prisões francesas.

Saavedra, em greve fome desde o dia 11 de Abril, cumpre hoje na prisão de Bois D'Arcy a pena decretada por um tribunal de Paris, correndo o risco de ser expulso. Martín Hernando, por seu lado, está há 27 dias sem ingerir alimentos na prisão de Tarascon - hospitalizado desde segunda-feira -, sendo que o natural de Basauri corre o risco de ser expulso para o Estado espanhol esta segunda-feira, uma vez cumprida a pena na íntegra.
O iruindarra Joseba Fernández, único prisioneiro basco em Poitiers, mantém o seu protesto há mais de duas semanas, visando acabar com a situação de isolamento em que se encontra e a transferência para uma prisão em que haja outros prisioneiros bascos.

Em defesa dos direitos dos presos políticos e exigindo a sua repatriação, ontem mobilizaram-se 70 pessoas em Arbizu, 242 em Donostia, 65 em Urretxu-Zumarraga, 38 em Lezo, 65 em Etxarri-Aranatz, 42 em Lizartza, 200 em Hernani, 50 em Oñati, 35 em Antzuola, 125 em Lekeitio, 36 em Getaria, 44 em Lizarra, 24 em Mundaka, 40 em Andoain, 103 em Lazkao, 207 em Ondarroa, 20 em Legorreta, 80 em Mutriku, 48 em Soraluze, 18 em Lezama, 420 em Gasteiz, 35 em Galdakao, 42 em Ugao, 120 em frente à Sabin Etxea de Bilbo, 220 em Zarautz, 224 em Orereta, 87 em Algorta, 52 em Barañain, 270 em Iruñea, 22 em Bera, 73 em Bergara, 40 em Deba e uma centena em Zornotza.

Enquanto estas mobilizações decorriam, o presidente da Dignidad y Justicia, Daniel Portero, solicitou ao juiz espanhol Eloy Velasco a proibição de duas marchas e um acto político convocados para hoje entre as localidades de Azkoitia e Zarautz (Gipuzkoa). A associação de extrema-direita pede a Velasco que recolha informação junto da Polícia espanhola, da Guarda Civil e da Polícia autonómica para determinar se as convocatórias poderiam constituir um delito de «enaltecimento do terrorismo».

Em Mutriku (Gipuzkoa), ontem às 11h agentes da Ertzaintza entraram pela segunda vez na Zubixa Taberna, levando as fotografias dos perseguidos políticos, além de outras imagens da decoração do estabelecimento. Os clientes que se encontravam no local foram identificados e o trabalhador da taberna foi avisado que será imputado «por terrorismo».

Noutro âmbito, o Presoen Aldeko Taldeak (PAT) afirmou que o acordo subscrito entre a UPV-EHU e o Departamento de Interior de Lakua não vai colocar um travão à denúncia da escalada repressiva geral nos campus universitários. Além de insistir na necessidade de as forças policiais abandonarem esses espaços, o PAT incita estudantes, professores e outros membros da comunidade universitária a não cederem e a converterem os campus num lugar de denúncia face à pretensão de impor o pensamento único.
Fonte: Gara

Cravos vermelhos em Bilbau

Na comemoração do Dia do Livro os cravos não faltaram, pelo menos em Bilbau. (Gara / Luis Jauregialtzo/Argazki Press)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Euskadi, caso de estudo: Ares apresenta queixa contra quem denunciou tortura


O conselheiro do Interior de Lakua, Rodolfo Ares, apresentou queixa contra o advogado dos detidos em Ondarroa que denunciaram ter sido torturados pela Ertzaintza durante o tempo que permaneceram em regime de incomunicação. Ante a imprensa reunida em Bilbau, disse que «a nossa Polícia desenvolve o seu trabalho dentro do escrupuloso respeito pela legalidade».

Editorial do Gara: «Não querem impedir a tortura, apenas silenciá-la»

Tal como foi anunciado ontem, Rodolfo Ares apresentou uma queixa contra o advogado Alfonso Zenon. «A nossa Polícia desenvolve o seu trabalho dentro do escrupuloso respeito pela legalidade vigente e cumprindo protocolos muito estritos, especialmente na luta contra o terrorismo e quando ocorrem detenções», afirmou Ares perante a comunicação social em Bilbo.

No dia 26 de Janeiro teve início uma operação policial da Ertzaintza que se saldou com a detenção de nove pessoas. Todas elas foram submetidas ao regime de incomunicação a pedido da Polícia autonómica e, segundo denunciaram os seus familiares, o protocolo de Lakua contra a tortura não foi aplicado.

Também o juiz não adoptou medidas e nem se dignou responder aos requerimentos da defesa. Os detidos só puderam comunicar com os seus advogados depois de darem entrada na prisão, sendo que todos eles referiram ter sido alvo de agressões, ameaças, pressão psicológica em que se fazia alusão a filhos menores e outros familiares, para além de os terem obrigado a permanecer longos períodos de tempo em posições forçadas.

Um dos detidos, Asier Badiola, foi levado para o hospital por duas vezes e a pedido do próprio médico forense. A primeira vez, em virtude das agressões que sofreu no acto da detenção. O relatório médico fala de «várias fissuras nas costelas e na cartilagem deslocada». Apesar disso, não lhe deram a medicação receitada, denunciou, e continuaram a bater-lhe nas costelas, pelo que foi necessário levá-lo novamente para o hospital. Disse ainda que o obrigaram a comer uma «pasta caldosa» que lhe provocou alucinações. Também outros dois detidos, Xeber Uribe e Urtza Alkorta, foram observados pelos médicos por contraturas musculares no pescoço, devido ao tempo que os obrigaram a estar em posturas forçadas.

No dia 8 de Fevereiro, advogados e familiares dos detidos denunciaram estes factos e acusaram a Ertzaintza de «torturar às ordens de Ares». O Departamento do Interior limitou-se a negar a denúncia numa nota de imprensa tornada pública no dia seguinte, na qual afirmava que «as declarações foram efectuadas com assistência jurídica e gravadas em vídeo».

Ares afirmou hoje que é «evidente» que Zenon «mentiu de forma descarada» naquela conferência de imprensa.

Três meses depois
Perante a comunicação social em Bilbo, Ares respondeu a quem lhe perguntava por que esperou três meses afirmando que a decisão de apresentar queixa já tinha sido tomada no dia seguinte a ler as declarações mas, «ao ter conhecimento» de que o PP ia apresentar uma iniciativa no Parlamento de Gasteiz, decidiram esperar pelo parecer da Câmara.

PP e PSE, com o apoio da UPyD, apoiaram a apresentação da queixa.

Como proponente, Carlos Urquijo teve a honra de abrir o debate e de mostrar a sua satisfação porque ontem se marcava «um ponto de viragem» graças ao pacto PSE-PP. «Acabou-se a impunidade de quem pratica a violência e a ampara». Depois leu, do «diário em que habitualmente aparecem e comparecem estas pessoas», algumas das acusações feitas pelos advogados, mas parou a tempo para não dar conta de que três dos detidos tinham sido levados para o hospital, informação que vinha na mesma página.

Logo de seguida afirmou que «todos sabemos» que estas denúncias obedecem «a uma estratégia da ETA». Como disse José Antonio Pastor, «está no manual de todo o bom terrorista».

A menção às ordens para denunciar é tão habitual como chocante, posto que ninguém viu o dito manual, que, a existir, estaria na primeira página do site do Ministério do Interior. Além de que entra em contradição com a realidade: nem todos os detidos denunciam torturas - vários dos detidos na última operação não o fizeram - e pessoas que saem em liberdade sem cargos relatam ter sido maltratadas.

A sombra do Egunkaria
Seguindo a actualidade, não tardou a aparecer no debate a sentença recente sobre o Euskaldunon Egunkaria, e o primeiro a mencioná-la foi Mikel Basaba. A referência era quase obrigatória, porque Martxelo Otamendi e três colegas seus receberam o mesmo tratamento por parte do Governo de Aznar que agora propugnam Urquijo e Ares. Ángel Acebes denunciou-os na altura por terem seguido «a pés juntos» o manual da ETA e caluniarem a Guarda Civil. Ora a Audiência Nacional acaba de decretar precisamente que não são da ETA e que as suas denúncias eram verosímeis.

Mas isto não intimidou PSE, PP e UPyD, que prosseguiram com a história do manual, com a necessidade de manter o bom nome da Ertzaintza e com a defesa do regime de incomunicação, que os grupos da oposição tinham criticado.

No calor do debate e já que se abordavam assuntos passíveis de apresentação de queixa, o porta-voz do PSE não teve qualquer pejo em falar de «advogados de uma organização terrorista» e de que «não estamos dispostos a deixar que quem apoia a ETA acuse e calunie impunemente os agentes da Ertzaintza».

Larrazabal mostrou-lhe cara feia e lembrou-lhe que os advogados eram advogados de pessoas detidas, não da ETA, e convidou-o a informar-se sobre quem é Alfontso Zenón, que foi quem fez a denúncia. Pastor olhou para ele com ar interessado mas, como lhe falavam em euskara e não tinha o auricular do tradutor colocado, pareceu não perceber nada, pelo que não respondeu.

PNV: um «não», dois «sins»
A exigência de apresentação de uma queixa crime contra quem denunciou tortura foi aprovada com os votos favoráveis do unionismo e os votos contra de PNV, Aralar, EA e EB.

Mas a proposta continha mais dois pontos, apoiados por PNV e EB. Um, de «confiança e apoio» à Ertzaintza. E outro em que «o Parlamento insta o Governo a continuar a desenvolver com toda a firmeza a sua política de tolerância zero contra quem ainda justifica ou não condena o terrorismo da ETA, liderando a deslegitimação ética, social e política do terrorismo e de quem o apoia».
Fonte: Gara
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Tortura no Estado espanhol


Excertos de debate.
Fonte: Apurtu Telebista

Ondarroa hamaika kolore!


Errepresinoik gris nahi gaittulako... Ondarru hamaike kolore!!!
Em Ondarroa, detenções e cinzentos em Janeiro!? Carnaval e colorido em Fevereiro!...
Fonte: inSurGenTV

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Ver também:
«Ares diz que já investigam a tortura, mas apresenta uma queixa crime contra quem a denunciou»
"Em vez de apresentar gravações ou adoptar medidas que impeçam os maus tratos nas esquadras, Ares apresentou uma queixa crime contra o advogado Alfonso Zenon para defender o 'buen nombre' da Ertzaintza".

Zenon: «Ares aplica o manual do torturador actuando contra quem denuncia»

Lei das Vítimas: a esquerda «abertzale» considerou vergonhosa a aprovação parlamentar e a abstenção do NaBai


O Parlamento de Nafarroa aprovou ontem, com a abstenção do NaBai, a Lei de Vítimas do terrorismo, com a qual se pretende «saldar uma dívida com as vítimas da ETA».
A esquerda abertzale criticou esta Lei e considerou «vergonhoso» o espectáculo oferecido no Parlamento pelo governo e pela oposição, tendo referido numa nota de imprensa que em Navarra a política é «desenhada e dirigida pelos sectores mais retrógrados sem qualquer oposição» e que numa questão de tanto peso como é a do reconhecimento e da reparação a todas as vítimas do conflito, a direita e a social-democracia espanhola pretenderam mais uma vez desvirtuar as bases do conflito».

Ioseba Ezeoloza, do Batzarre, vota a favor, tal como a IU
A novidade neste caso foi o apoio público e institucional de formações como a IUN [Esquerda Unida de Navarra] e o Batzarre, que deixaram o NaBai sozinho na sua posição de abstenção e se juntaram a UPN, PSN e CDN. Os que aprovaram a Lei incluíram uma emenda in voce que nem sequer abrange realidades como a tortura, encarceramentos injustos, sabotagens e desaparecimentos de pessoas de Euskal Herria, e na qual se refere textualmente que «a Lei tem como preocupação prioritária reconhecer as vítimas do terrorismo da ETA, sem menosprezar outras realidades como o terrorismo internacional ou esquecer situações de violência terrorista felizmente hoje desaparecidas como a do GAL e grupos de extrema-direita».

A esquerda abertzale perguntou a Ioseba Eceolaza, à IUN e às restantes forças partidárias se consideram situações hoje desaparecidas actuações como as que foram promovidas pelo Estado espanhol e a Audiência Nacional contra o Egunkaria.
«É vergonhoso observar a deriva ideológica de certos personagens e formações. A esquerda abertzale considera que a reparação dos danos às vítimas é uma questão cuja resolução se afigura imprescindível», mas salientando que «para tal deve existir vontade política de reconhecimento de direitos a uma parte da população».
A esquerda abertzale fez ainda questão de realçar que «a resolução do conflito deve facultar os meios necessários para uma reconciliação entre as partes. Para isso, o debate sobre as vítimas deverá ser desenvolvido com absoluta neutralidade e cuidado, e afastado dos interesses partidários de uns e outros».
Fonte: apurtu.org

Nota da esquerda abertzale:
http://www.ezkerabertzalea.info/irakurri.php?id=3910

Catalunya: Independentistas bascos serão observadores internacionais nas consultas sobre a Independência


Independentistas bascos pertencentes à esquerda abertzale e ao EA estarão presentes como observadores internacionais na terceira ronda de consultas sobre a independência catalã que se realizará no próximo domingo, segundo fizeram saber na quarta-feira em Donostia.

Uriel Bertran, responsável da Coordinadora Nacional per la Consulta per la Independència e deputado da ERC no Parlament de Catalunya, salientou a importância da presença de «uma representação ampla e plural do independentismo basco para avaliar o processo, que deve respeitar os valores democráticos e as regras da Europa, pelo que fomos estritos e rigorosos».

Com Bertran e Jordi Miró, membro da comissão internacional da Coordinadora per la Consulta sobre la Independència, compareceram em Donostia os membros da esquerda abertzale Tasio Erkizia e Txelui Moreno, o vereador da esquerda abertzale de Oiartzun Pavel Viñas, o edil do EA em Donostia Ricardo Burutaran e o membro da Executiva do EA Santi Merino.

Esta será a terceira ronda de consultas sobre a independência catalã, depois das realizadas nos dias 13 de Dezembro e 28 de Fevereiro.
As consultas de domingo irão representar um salto qualitativo importante neste processo, uma vez que poderão acorrer às urnas para expressar a sua opinião sobre a independência catalã 1 200 000 cidadãos de 200 municípios, alguns tão importantes como Girona, Manresa, Lleida ou Reus, que superam os 100 000 habitantes.
Na ronda anterior, a 28 de Fevereiro, houve consultas em 80 municípios, abrangendo 300 000 habitantes.

Bertran disse que todas as consultas se realizaram graças ao trabalho voluntário dos cidadãos e destacou o facto de, apesar da complexidade organizativa, se ter conseguido preparar consultas nas principais cidades catalãs.

O último passo desta fase será dado a 10 de Abril de 2011, dia em que a consulta sobre a independência catalã terá lugar em Barcelona, podendo participar 1 400 000 pessoas.
Para além disso, os promotores desta iniciativa estão a recolher centenas de milhares de assinaturas para apresentar uma iniciativa legislativa popular nas instituições catalãs de forma a que convoquem referendos oficiais de autodeterminação.

Bertran salientou a importância da solidariedade basca para com os Països Catalans «e vice-versa, porque estamos na mesma luta e temos o mesmo objectivo, o direito à autodeterminação».

Tasio Erkizia realçou, neste sentido, que a esquerda abertzale manteve tradicionalmente relações com o independentismo catalão.
«Durante 30 anos, a esquerda abertzale repetiu que para superar o conflito político que Euskal Herria sofre é necessário dar a palavra ao povo, e os referendos podem ser uma boa ferramenta, embora seja necessário um compromisso por parte de todos no sentido de respeitar a decisão do povo», salientou Erkizia, embora matizando que as experiências de uma nação não podem ser mimeticamente transferidas para outra.

Santi Merino manifestou a sua solidariedade e simpatia com o processo catalão, já que «somos dois povos que vêem violado o seu direito fundamental à autodeterminação» e referiu que o EA irá este domingo aos Països Catalans com a intenção de aprender e conhecer a experiência das consultas pela independência.
Fonte: Gara via lahaine.org

A Batera inicia um processo para criar uma colectividade territorial em 2014


Membros da plataforma Batera anunciaram na quarta-feira em Baiona que a sua assembleia decidiu, no sábado, dar início a uma nova etapa na sua dinâmica política com uma proposta para atingir um novo objectivo: a criação de uma estrutura jurídico-institucional para Lapurdi, Nafarroa Beherea e Zuberoa [os três herrialdes do País basco Norte]. Qualificaram-na como uma «proposta coerente, lógica, inteligível e inscrita num prazo de tempo concreto».

Depois do resultado positivo da consulta popular que organizou nas útlimas eleições regionais, a plataforma considera que se fechou o ciclo iniciado em 1996 pelo Biltzar de Municípios, quando 93 dos 151 autarcas de Ipar Euskal Herria se pronunciaram a favor da criação de um departamento basco.

Jakes Borthairu sublinhou que, após as inúmeras iniciativas dos últimos anos, existem «condições objectivas suficientes» para dar o passo em prol de uma colectividade territorial própria. A última é a citada consulta de 14 e 21 de Março, que, para a Batera, representa «uma espécie de mandato» das 34 610 pessoas que manifestaram a sua opinião.

Quatro etapas
Fortalecidos por essa legitimidade, a plataforma propõe a «eleitos e habitantes de Ipar Euskal Herria e solicita solenemente ao Presidente da República e ao Governo francês a abertura, a partir de hoje mesmo, de um processo político para a criação de uma colectividade territorial».

Com esse propósito, preparou quatro etapas. A primeira, a desenvolver entre 2010 e 2011, consistiria em alcançar o compromisso, por parte de Paris, para que integre este processo no âmbito do da reforma institucional que está a preparar. Para além disso, durante este período dar-se-ia início a um debate entre os agentes políticos e sociais para definir o tipo e as competências da colectividade territorial, o que se concretizaria numa emenda à lei de reforma que tornasse possível a sua constituição.

A segunda etapa é para o final de 2012, com a realização de uma consulta oficial à população sobre a criação da colectividade territorial.

Na terceira, em 2013, e em função do resultado da consulta - que considerariam favorável se uma maioria de pelo menos 25% dos eleitores assim o manifestasse - seriam concretizados os aspectos legislativos para a constituição da estrutura institucional. Por último, em 2014, e coincidindo com as eleições a nível territorial, seriam eleitos os conselheiros da nova instituição basca.

Arantxa MANTEROLA

O processo democrático de Hego Euskal Herria seria «favorável»
Dentro das condições favoráveis à proposta que apresenta, a Batera incluiu a perspectiva «da abertura de um processo democrático para o desaparecimento da violência» em Hego Euskal Herria [País Basco Sul].
Manifestaram-se «esperançados» em que isso se torne realidade, entre outras razões, «porque retiraria desculpas a Paris, que, à falta de argumentos, apresenta-o sempre como última explicação» para não aceitar a instituição aos três territórios. A.M.
Fonte: Gara